O Fatídico Outono
de 1940
Tópicos
do capítulo:
86 noites de
bombardeios sobre Londres em três meses
Os submarinos
alemães atacam
O Japão
firma pé na Indochina
Dificuldades e
encargos do governo de Vichy
Churchill espera
a entrada dos EUA na guerra
As adesões à
França Livre - O erro de Dacar
Promessas de
Abetz e Laval
A missão do
professor Rougier
24 de outubro:
Hitler e Pétain em Montoire
28 de outubro:
Mussolini ataca a Grécia
Reveses italianos
na África
13 de dezembro:
Laval preso e alijado do poder
18 de dezembro:
assinatura do Plano Barbarossa
Lances teatrais Chega o outono. O nevoeiro e as tempestades
reforçam a defesa das Ilhas Britânicas. A Seelowe já não é possível antes de
1941. Em compensação, aumenta a violência do castigo que Hitler derrama sobre
os ingleses. As incursões diurnas tornam-se raras, mas as
noturnas intensificam-se. De setembro de 1940 a janeiro de 1941, Londres é
bombardeada 86 noites seguidas, com exceção da noite de 3 de novembro,
durante a qual o silêncio da sirena produziu nos londrinos uma sensação de
surpresa, quase de angústia. A média dos aparelhos que vem todas as noites
eleva-se a 160 e o peso das bombas que lançam atinge 6.500 toneladas mensais.
Todos os bairros são atingidos. Todas as estações alcançadas. Os 900
incêndios, dos quais nove imensos, devastam a cidade. Em torno das docas
incendiadas, estendem-se quilômetros de casas demolidas e a cúpula da
Catedral de São Paulo sobressai de um mar de ruínas. Todas as noites,
enquanto os filósofos dormem em seus leitos, sob a proteção do cálculo das
probabilidades, multidões instalam-se nos metrôs, com sua cobertas, colchões
e bens mais preciosos. Toda manhã, alguns desses trogloditas encontram apenas
escombros em lugar de seus lares. O estoicismo inglês respondeu à obstinação alemã.
Londres pode agüentar a situação e os negócios continuam normalmente, são os
slogans da Blitzkrieg. A repetição dos ataques, as fotografias das
tempestades de chamas, a celebridade dos locais atingidos, desde o Palácio de
Buckingham ao Museu de Madame Tussaud, produzem profunda impressão ao mundo
inteiro, muito embora quem quer que tivesse uma visão global dos fatos
soubesse que os esforços da Luftwaffe já não levam a mais nada. Seriam
necessárias meios 20 vezes mais poderosos para destruir Londres e meios ainda
mais importantes para curvar a determinação britânica. Adolf Hitler ainda
está longe de possuir uma aviação capaz de concretizar as profecias de Douhet
sobre o caráter irresistível dos bombardeiros de terror. Sem deixar de manter a dose de demolição sobre
Londres, os bombardeiros consagram-se periodicamente a objetivos mais
específicos. As fábricas de aviões de Woolston, Weybridge, Farnborough, etc,
sofrem inicialmente ataques sistemáticos, mas os resultados não são julgados
satisfatórios e o furor da guerra aérea volta-se para as grandes cidades
industriais, para os arsenais dos Midlands. Na noite de 14 e 15 de novembro,
somente 21 bombardeiros atacam Londres, enquanto 509 outros dirigem-se para
Coventry. O novo sistema alemão de orientação, o X-Gerät, é utilizado contra
a cidade como um presságio de morte, e todas as tentativas feitas para
confundi-los não impedem que 449 aparelhos compareçam ao encontro. Uma hora depois,
Coventry é um braseiro visível num raio de 150 Kms. O Centro, precioso
testemunho do passado inglês, é pulverizado, inclusive a maciça catedral do
século XIV, da qual restam apenas pedaços de muro. As línguas inglesas e
alemã enriqueceram-se com uma nova palavra, conventrizar, para significar o
aniquilamento de uma cidade com um só bombardeio. Na realidade, porém, o
número de mortos não ultrapassa 350 e, ainda que 21 fábricas tenha, sido
destruídas, a capacidade de produção de Coventry, centro industrial
automobilístico inglês, não foi gravemente afetada. Superestimando os danos,
em razão de seu caráter espetacular, a Luftwaffe abstêm-se de reincidir no
ataque a Coventry, transferindo seu esforço contra Birminham, Leeds,
Sheffield, etc, e lança-se, em seguida, contra os portos: Southampton,
Bristol e, sobretudo, Liverpool. Essa atividade dispersa não impede que o
rearmamento britânico obtenha progressos quotidianos e que a RAF receba mais
aviões do que perde. No mar, a guerra se agrava. Em seu QG parisiense,
no Boulevard Suchet, o Contra-Almirante Doenitz prepara nova tática para o
emprego dos submarinos. Estes já não atacarão isoladamente, mas em grupos. O
primeiro que encontrar um comboio limitar-se-á a observá-lo, chamando para
junto de si todos os companheiros que passarem pelas mesmas paragens, e
somente quando a alcatéia de lobos estiver reunida é que passará ao ataque, à
noite e na superfície. Antes do amanhecer, os lobos desaparecerão sob as
águas, afastar-se-ão, mas continuarão a seguir o comboio, para recomeçar na
noite seguinte. A travessia torna-se, assim, uma batalha contínua, extenuante
e mortal. Uma vez mais os ingleses são surpreendidos. A
primeira aplicação da tática do lobo dá-se em 20 de setembro, quando Prien
reúne 5 submarinos contra 47 navios do comboio HX 72 e, em três noites,
afunda 12. Felizmente, para os ingleses, Doenitz tem bem poucos submarinos
para dar efeito completo à sua inovação. Ele começara as investidas com 57
submarinos. De setembro de 1939 a setembro de 1940, recebeu 28, mas perdeu
também 28. O efetivo permaneceu, pois, em 57. Seriam necessários 300 para pôr
o tráfico marítimo da Inglaterra em perigo mortal. Este segundo inverno de guerra é para a Inglaterra
um período nefasto. A angústia da solidão pesa sobre a nação. Nenhuma nova
aliança foi delineada depois da derrocada da França. Os Estados Unidos são
amigáveis, mas sempre distantes, e as relações com a URSS e a Alemanha
permanecem excelentes. Londres cobre-se de luto com a fuligem dos incêndios.
Os danos causados nos esgotos e o amontoado noturno nos abrigos difundem o
temor das epidemias. Estas não vêm, mas a multidão londrina ganha um ar
extenuado, de tanto dormir em alerta e desconforto. No estrangeiro, as
vítimas da propaganda nazista não são as únicas pessoas a pensar que a
Inglaterra está virtualmente perdida. Mas eles vêem os ferimentos
superficiais, não notam que o país está substancialmente intacto. O Lloyd
continua a segurar os navios que atravessam o Atlântico e paga toda vez que
os sinos da Lutine repicam por uma nova vítima dos submarinos de Doenitz. O
reabastecimento das ilhas e o fornecimento de matérias-primas à indústria
continuam a efetuar-se em condições toleráveis. E a atividade inglesa não é
toda dedicada às fabricações bélicas. Parte dela continua a alimentar as exportações
necessárias para que o tesouro de guerra não se escoe muito depressa.
Contudo, este diminui, e isso constitui a preocupação mais angustiante a
pesar sobre o futuro. Mas Pitt conheceu o mesmo problema em sua luta contra
Napoleão. As imensas modificações advindas nas formas da guerra, o fim
parcial da insularidade, devido à aviação, não impedem que exista um paralelo
entre as duas situações. Um conquistador apoderou-se do continente, mas um
estado de equilíbrio criou-se na Mancha, enquanto em outras regiões do mundo
evoluções fatídicas preparam o futuro. No Leste da Europa, a consolidação russa progrediu
rapidamente. Os três Estados Bálticos, que se agarravam ao sonho de uma
autonomia interna, tornaram-se repúblicas soviéticas. Na Romênia, tropas
vermelhas recuperaram a Bessarábia em decorrência do acordo
Molotov-Ribbentrop e tomam de quebra a Bucóvina. Hitler considera com
irritação tais avanços e inquieta-se pelo petróleo da Romênia. “Sem este -
diz ele - a Alemanha não poderá prosseguir a guerra; devemos afastá-lo,
portanto, da cobiça russa”. É preciso também concluir o desmembramento da
Romênia: os dois vencidos de 1918, a Hungria e a Bulgária, o exigiam. Ciano e
Ribbentrop reúnem-se em Belvedere, em Viena, a fim de arbitrar o litígio. Em
30 de agosto, quando é revelado o mapa das novas fronteiras, o Ministro das
Relações Exteriores da Romênia desmaia. A Alemanha e a Itália tinham cedido à
Hungria o Norte da Transilvânia, e à Bulgária o Sul da Dobrujda, elevando
assim a um terço a fração de população e territórios perdidos pela Romênia,
em menos de um ano. Violentos protestos populares explodem. O Rei Carol,
soberano desprezado, abdica e foge com sua funesta favorita, Magda Lupescu.
Seu filho, o Rei Miguel, é um adolescente. Hitler instala no poder um Fuhrer,
por sinal enérgico e capaz, o Marechal Antonescu. Oferece-lhe contra a
expansão russa a melhor das garantias: a ocupação alemã. Antonescu apressa-se
a aceitá-la. No palco mediterrâneo, a guerra se arrasta. Malta
teria sido dos italianos se estes tivessem estendido a mão para tomá-la. Mas
deixaram escapar a oportunidade. Partindo de Gibraltar, o porta-aviões Ark
Royal envia à ilha estratégica duas esquadrilhas de Hurricanes, das quais
uma, vítima de ventos adversos, precipita-se, toda, no mar. A bordo do
Warspite, o Almirante Andrew Cunningham, veterano de Narvik e ex-combatente
na Jutlândia, prossegue em seus cruzeiros mediterrâneos, obrigando a esquadra
italiana a refugiar-se em Tarento. Na Líbia, Balbo desaparece, abatido por
sua própria DCA. Se sucessor, o Marechal Graziani, recebe de Mussolini a
ordem de penetrar no Egito no mesmo dia em que a Alemanha puser o pé na
Inglaterra. Como tarde este acontecimento, o Duce decide antecipar-se à
Wehrmacht, mas Graziani implora prazos. Ameaçado de ser substituído por um
general que “ainda não ganhou seu bastão de marechal”, desencadeia sua
ofensiva em 13 de setembro. Os ingleses recuam. Os italianos avançam sob um
mormaço infernal, em meio do turbilhão de poeira que desseca os homens como
se fossem múmias. Graziani renuncia à manobra de ala que concebera para o
deserto e contenta-se em seguir à esquerda, ao longo do mar, até a aldeia de
Sidi-Barrani. Aí pára, ao descobrir que não pode prosseguir a marcha sem
antes organizar o reabastecimento de água. A conquista do Suez fracassa a 50
Km de seu ponto de partida. |
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Pacífico: Expande-se lentamente o poderio japonês Esta Segunda Guerra Mundial, cujo início fixamos a
1° de setembro de 1939, começou de fato, dois anos antes. O conflito entre a
China e o Japão que se iniciou em 7 de julho de 1937, com o incidente da
Ponte Marco Polo, constituiu parte integrante dela. No momento em que a
Europa se torna brasa, a China já é chama há vários meses. Os japoneses
ocupam todas as províncias orientais e já instalaram em Nanquim um governo
satélite, presidido por Wang Ching-wei, ex-condiscípulo de Chiang Kai-chek.
Embora lhes repugne toda medida de força, os americanos vêem com animosidade
crescer a expansão japonesa e fazem o possível para sustentar a resistência
chinesa. Tal resistência tem como capital Chunquim e, como
alicerce, Setchuan e Iunan. A asfixia ameaça essas províncias afastadas do
mar. Somente por dois caminhos difíceis e lentos lhes é possível chegar meios
para alimentar a guerra: a vertiginosa estrada de Mandalay, traçada sobre as
gigantescas dobras da alta Birmânia, e a estrada de ferro que parte de
Haifong e que penetra, em uma fileira de obras de arte, até Iunan-fu. A queda da França pôs em evidência o problema
dessas duas passagens. A Indochina é uma presa que não pode ser defendida
pela metrópole longínqua e vencida. Instalar-se aí significa para os
japoneses fechar a ferrovia e ameaçar a outra estrada. Uma missão militar,
comandada pelo General Issaku Nishihara, chega a Hanói, onde encontra uma
situação confusa: dois governadores em disputa: o General Georges Catroux,
prestes a aliar-se a De Gaulle, e o Almirante Jean Decoux, nomeado por Pétain
para substituir o primeiro. Catroux renuncia em 20 de julho e a pressão que
se inicia contra ele é transferida para Decoux. Nishihara exige o direito de
utilizar Haifong e a estrada de ferro para as operações militares contra a
China. Em caso de recusa, o desembarque e a invasão serão a resposta. As complicações indochinesas tombam sobre um governo
francês sobrecarregado de mil problemas contundentes. Vindo de Bordéus, o
Governo chegara a Vichy em 1° de julho, convencido que não se demoraria na
cidade balneária mais de algumas semanas, antes de retomar a direção de
Paris. Afastado durante alguns dias, Pierre Laval aparece no Gabinete com o
título de Vice-Presidente do Conselho e com idéias determinadas sobre o
caminho que a França deve seguir para integrar-se no sistema totalitário
vitorioso. Ultrapassando as esperanças, mas indo ao encontro dos desejos
secretos do Marechal, ele levou as duas Câmaras reunidas a confiar-lhe os
poderes do Governo da República e o mandato de promulgar nova Constituição
para o Estado francês. Está convencido de ter em mãos o instrumento de sua
política e de que, através do uniforme azul do velho soldado de Verdun, será
ele quem conduzirá a França a seu novo destino. O Governo de Vichy tem diante de si, sobretudo,
tarefas imediatas e terríveis: encaminhar os refugiados a suas casas;
reanimar a vida econômica do país; dar de comer aos franceses; reorganizar a
Administração e fixar a linha de demarcação entre a zona ocupada e a não
ocupada, obter a libertação dos prisioneiros, estabelecer um modus vivendi
com o vencedor... A essas tarefas, das quais muitas seriam efetuadas com
talento e coragem, acrescia-se a de conservar o império. Não será porque a
Indochina se encontra a 15.000 km e porque os meios para socorrê-la faltam
completamente que ela deverá ser abandonada. Duas teses se opõem: o General Buher, chefe de
estado-maior das tropas coloniais, procura incutir em Weygand e Pétain a
idéia de uma resistência armada, salientando que há na Indochina 110.000
homens e munição para três meses. Baudouin objeta-lhe que a aviação
indochinesa possui apenas 14 caças e 28 bombardeiros obsoletos e que seria
quimérica uma resistência à força naval nipônica. As negociações prosseguem,
mas, em Hanói, Decoux debate-se sob ameaças impiedosas. A 3 de setembro,
finalmente, ao refutar o ultimato de Nishihara, decreta mobilização, fecha a porta
de Haifong e telegrafa a Vichy dizendo: “Mais vale perder a Indochina
defendendo-a do que traindo-a”. Os japoneses hesitam. Nishihara suaviza seu
ultimato. Retomam-se as negociações. Um acordo político e depois um acordo
militar reconhecem a soberania da França sobre a Indochina e limitam a 25.000
homens o efetivo das tropas japonesas que podem ser admitidas no Tonquim. Mas
o exército de Kuantung ignora as decisões de Tóquio e, em 22 de setembro,
ataca Dong-Dang e Langson. Os atiradores anamitas dispersam-se. Dois
batalhões da Legião foram derrotados. Perto de 800 homens, entre os quais os
coronéis Luvert e Louat morreram. Uma ordem do Imperador detém os combates e
permite a volta dos acordos. A Indochina retorna ao regime bastardo,
administração francesa - ocupação nipônica, que prevaleceria até 1945. A situação da Inglaterra é especialmente delicada.
Ela fora por muito tempo aliada do Japão e, tendo rompido a aliança, sob
pressão americana, tenta pelo menos manter relações amistosas com a grande
potência marítima do Extremo Oriente. Tudo lhe aconselha a paz no Pacífico,
especialmente a dificuldade de chamar em seu socorro os excelentes
contingentes da Austrália e da Nova Zelândia, enquanto uma ameaça amarela
pese contra os dois países. Em junho, passando por cima do descontentamento
americano, Churchill decide fechar a estrada de Mandalay. Em setembro, torna
a abri-la. Isto é aparentemente um gesto secundário, efetuado no momento mais
dramático da batalha de Londres, quando as docas estão em chamas, a cidade
arde e, diante do vitral quebrado de Westminster, Eduardo I já não ergue aos
céus senão uma espada torcida. Mas esta decisão secundária assinala uma
evolução capital. Churchill optou por uma concordância sistemática entre a
política da Inglaterra e a dos Estados Unidos. Jogou seu destino na
intervenção americana: tudo deverá subordinar-se a este fim. Tal esperança
pode parecer uma quimera. Os Estados Unidos estão muito longe de intervir na
guerra. Abrindo mão de 8 bases nas Antilhas e na Terra
Nova, Churchill obtém, finalmente, a doação de 50 velhos contratorpedeiros
que pedira. Mas as entregas das armas à Inglaterra sempre se faziam na base
do cash and carry, isto é, os ingleses deviam pagar à vista e
responsabilizar-se pelo transporte, de vez que os Estados Unidos se recusavam
a expor seus navios na zona do bloqueio. Além disso, o que podiam fornecer
era bem pouco em relação às necessidades dos ingleses. Quando seu próprio
exército se empenha em grandes manobras, os tratores agrícolas representam os
tanques, e os morteiros são de madeira. A campanha eleitoral está aberta. Franklin
Roosevelt, contrariando a tradição de Washington, pleiteia um terceiro
mandato. Os republicanos, em oposição, apresentam um estreante na política,
Wendel Willkie, personagem secundário sobre o qual concentram o fogo de uma
publicidade artificial. Os dois concorrentes concordavam num ponto: juraram
manter a América fora da guerra. Mas Wilson fizera a mesma promessa em 1916,
o que desperta, com razão, a desconfiança dos isolacionistas. O próprio
embaixador de Roosevelt em Londres, Joseph Kennedy, aconselha aos Estados
Unidos um acordo com Hitler, em vez de apoiar a Inglaterra numa guerra
absurda. Disso Roosevelt deveria recordar-se, apesar de seu poder eleitoral e
sua grande fortuna. Kennedy parte levando consigo uma sirena da defesa
passiva, a qual, diz, será útil no cabo Cod, pois com ela poderá chamar para
o almoço os meninos Kennedy. As sirenas de Londres que anunciam o perigo, o
sofrimento, a morte, a defesa sublime dos valores da civilização cristã pela
gente humilde de lares assolados, são menosprezadas por esse político
plurocrático, anglófobo, que mal esconde sua admiração por Hitler! O isolacionismo americano seria ainda mais
poderoso se as grandes vitórias alemães não tivessem virado cabeças em
Tóquio. Embora presidido por um velho sábio, o Príncipe Kenoye, o novo
governo é dominado pelo partido militar, que resolve aproveitar a
oportunidade que se apresenta com a guerra da Europa para concretizar os
propósitos nacionais do Japão. O executor diplomático Matsuoka, Ministro das
Relações Exteriores, negocia com a Alemanha e a Itália um pacto tripartido
que seu embaixador em Berlim, Kurusu, assina, em 27 de setembro, com
Ribbentrop e Ciano. Refere-se este pacto, a uma divisão do mundo. O Japão
reconhece o papel diretor que cabe à Alemanha e à Itália na reorganização da
Europa. A Alemanha e a Itália reconhecem, por sua vez, caber ao Japão a mesma
tarefa na Grande Ásia Oriental. A Inglaterra é vencida por preterição. Ao eliminá-la,
o pacto tripartido ameaça os Estados Unidos: se um dos signatários vier a ser
objeto de hostilidades da parte de alguma potência que no momento não está em
guerra, os dois outros se unirão imediatamente contra esta. Logo em seguida,
Churchill escreve a Roosevelt, sugerindo-lhe que responda a esse desafio com
o envio de uma esquadra americana a Cingapura. Mas a reação americana é
miseravelmente débil. A campanha presidencial fervia. O circo eleitoral de
Willkie perambula de Estado a Estado, enquanto Roosevelt declara estar muito
ocupado com a defesa da neutralidade para permitir-se as mesmas digressões de
propaganda. Churchill fundamente toda a política britânica no ingresso dos
Estados Unidos na guerra: essa esperança ainda se delineia como uma minúscula
estrela no fundo do céu. Revés anglo-degaullista em Dacar Em Londres, Charles De Gaulle instala-se inicialmente num imóvel
comercial, Stephen’s House, no Embankment. A capital da França Livre
compõe-se de três peças mobiliadas, de algumas mesas e de caixotes revirados.
Os primeiros esforços de recrutamento do jovem general rebelde foram
contrariados pelos próprios ingleses, que, tanto em Haydock como em Aintree,
lhe recusam acesso aos campos dos franceses, sob pena de repatriamento, ou
acompanham-lhe os passos, para informar a seus voluntários que as cláusulas
do armistício os consideram como franco-atiradores, sujeitos a serem
justiçados nos postes de execução alemães. Em 14 de julho, amargurada e
triste festa nacional, De Gaulle passa em revista poeiras de homens...
enquanto na França hinos de veneração e de amor se elevavam ao velho
Marechal. A 8 de outubro, um acordo entre Churchill e De
Gaulle regulamenta o estatuto e as condições de emprego dos voluntário da
França Livre. Um dos parágrafos estipula o seguinte: “Esta força não poderá
jamais levantar armas contra a França”. Todavia, uma carta secreta de
Churchill, ratificada por uma resposta secreta de De Gaulle, especifica que
por isso se devia entender “uma França livre para escolher seu caminho, sem
submeter-se à coerção direta ou indireta da Alemanha”. A cláusula pública do
armistício era, desse modo, revogada por uma carta-resposta clandestina. Um
elemento de confusão é introduzido no movimento desalista desde o início. Como o apelo aos voluntários, o apelo ao Império
trouxe resultados decepcionantes. Somente grandes procônsules, como Catroux,
o atendem - mas sem seu proconsulado. Na África do Norte e na Síria, os
generais Nogués e Mittelhauser avançam até o seio da dissidência, depois
recuam, principalmente porque não encontram quem os siga. A primeira adesão
vem de uma semipossessão insignificante, o condomínio franco-britânico das
Novas Hébridas, assim mesmo porque seus estatutos não lhes deixavam outra
escolha. Os Estabelecimentos da Índia, igualmente situados sob a direção dos
ingleses, aliam-se pouco depois. Algumas almas entusiastas, o governador das
Colônias, Eboué, o General De Larmiant, o Comandante Ornano, o capitão De
Hauteclocque, cognominado Leclerc, estabelecem o poder de De Gaulle do Chade
ao Gabão, sobre os imensos território da África Equatorial Francesa. No
início de agosto, dois milhões de Km² desligaram-se da França de Vichy e
reconhecem o Comitê da França Livre e o General De Gaulle como a expressão da
mãe-pátria. Mas as dimensões do espaço sobre o mapa não devem
criar ilusões. A imensidão equatorial é vazia de recursos e quase vazia de
homens. Três milhões de indígenas e menos de 6.000 brancos. O Império de De
Gaulle só chegaria a ganhar importância se se estendesse às colônias da
África Ocidental, mais ricas e melhores situadas. De Gaulle sonha com isso.
Acredita poder apoderar-se da Guiné, como Leclerc se apoderara dos Camarões,
com um ataque de surpresa. De Conacri, uma estrada de rodagem e uma ferrovia
se dirigem para a cidade de Dacar. Esta é uma posição estratégica de
importância mundial e, ao mesmo
tempo, o centro administrativo e econômico mais importante da África
Ocidental Francesa. Dono de Dacar, De Gaulle entrará na guerra como potência.
Poderá recrutar um exército e provar que a importância de seu movimento
substitui a lealdade em relação a Vichy e que, portanto, o reconhecimento da
soberania que reivindica se funda em algo mais que a hipertrofia de seu eu... De repente, Churchill intervém. Em 6 de agosto, no
Gabinet Room de Downing Street, demonstra ao chefe dos franceses livres que o
plano deste, de avanço lento sobre Dacar, não é proporcional à importância da
empresa. Como tem, também ele, necessidade de Dacar, para aliviar sua luta
dura no Atlântico, prontifica-se, pela Inglaterra, a concorrer para a
expedição com uma esquadra considerável. Impõe uma única condição: tal força
só deve ser mobilizada durante espaço de tempo determinado. Portanto, é sobre
Dacar que o esforço deverá ser diretamente aplicado. Churchill entusiasma-se.
Enrola furiosamente o inglês e o francês. Com mão eloqüente traça no mapa
marítimo estendido diante dele um histórico antecipado da operação que as
Memórias do General De Gaulle descrevem da seguinte forma: “Dacar desperta em
uma manhã triste e incerta, e eis que, ao sol nascente, seus habitantes
deparam o mar cheio de navios. Uma enorme armada. Cem navios de combate e de
carga... Dessa esquadra aliada, destaca-se um inofensivo barco desfraldando a
bandeira branca dos parlamentares. Dele desembarcam os enviados do General De
Gaulle... o objetivo é fazer o governador compreender que, se ele os deixa
desembarcar, a esquadra aliada se retirará e, a partir daí, só será preciso
regulamentar as condições de cooperação... Ele talvez quererá, por questão de
brio, dar alguns tiros de canhão, mas não irá além disso, e à noite beberá
com os que desembarcaram, comemorando a vitória... Se, porém, resistir, nós o
arrasaremos...” De Gaulle hesita. A tarefa que concebera,
puramente francesa, mudaria de caráter pela enorme preponderância britânica
nos meios de intimidação e no mecanismo de combate. A importância da jogada
exalta suas hesitações. Jamais cometera tão grande erro. Desde o início, a expedição foi marcada pela má
sorte. Erros de desorganização a retardaram. Foram cometidas indiscrições.
Sua natureza exata jamais foi estabelecida. No Ecu de France, em Germyn
Street, quando não no Coq Hardi, em Stratton Street, jovens oficiais
degaullistas teriam feito um brinde: “A Dacar!”... De Gaulle teria encomendado
muito ostensivamente ternos tropicais no Simpson’s ou talvez falado demais
pelo telefone com seu representante em Nova Iorque, Jacques de Sieyès... À
imprudência, uniu-se talvez, a traição. Fundada ou não, a suspeição acompanha
até o fim a França Livre, despertando rigorosas reservas e humilhantes
desconfianças. Nada do que Churchill havia previsto em seu quadro
histórico se realiza. A armada aliada não dispõe de 100 navios, mas apenas de
20, dos quais dois velhos couraçados, o Barham e o Resolution, e um
porta-aviões, o Ark Royal. Mesmo se fosse mais numerosa, os dacarenses jamais
poderiam ter visto “ao sol, nascente, ao longe, o mar cheio de navios”, pois
densa bruma recobre tudo. Os parlamentares não são levados ao governador;
encontram, no cais, oficiais firmes em seu dever, que os intimam a
reembarcar, o que eles fazem sob uma rajada de metralhadora que fere o neto
do Marechal Foch. Em seguida, os canhões do Richelieu fazendo pagar a
agressão de 10 de julho, abrem fogo e, apesar da péssima visibilidade, põem
fora de combate o cruzador Cumberland. “Por que vocês atiram contra mim?”-
pergunta, aos de terra, o Almirante John Cunningham. De terra, veio a
resposta: “Afaste-se 20 milhas”. De Gaulle tenta ainda desembarcar seu
batalhão de Legião no porto de Rufisque, mas vigorosa resistência o repele. No dia seguinte, 24 de agosto, e a 25, dois
ultimatos são rechaçados pelo Governador-Geral Pierre Boisson. A esquadra
inglesa bombardeia a cidade. Esta defende-se. Os submarinos disponíveis
deslizam para fora do porto. Um desses afunda, mas outro, tendo saído com os
porões vazios e pintado de mínio, o que lhes dava a aparência dentro da água,
de um peixe vermelho, torpedeia o Resolution. Meio afundado, entulhado com
600 mortos e feridos, o couraçado consegue ser rebocado até Freetown, mas o
Almirante Cunningham decide acabar com os gastos. A bruma dissipou-se e a
armada afasta-se sob um magnífico poente. Adolf Hitler entre o leste e o oeste A aventura de Dacar poderia ter modificado o
desenvolvimento da guerra. Hitler, tendo virtualmente abandonado o Plano
Seelowe, reorganizava sua estratégia. Embora decidido a declarar guerra à
Rússia, tencionava empreender como etapa intermediária a conquista do
Mediterrâneo. O sucesso da expedição anglo-degaulista teria sem dúvida feito
pender a balança e determinado uma repercussão na África do Norte. Depois de Jodl e seu memorando Invasion oder
Nicht?, todas as influências que se exercem sobre Hitler o levam a uma
estratégia mediterrânea. A primeira é a do Grande-Almirante Raeder, que,
devido a seu uniforme, possui o raro privilégio de impressionar o Fuhrer, a
quem um dólmã de general do exército desperta um movimento reflexo de
animosidade. Ele ousa interrogar Hitler sobre suas intenções e, no decorrer
de dois colóquios, consegue encetar discussão geral sobre a orientação que
convém dar à guerra depois do adiamento do Seelowe. Hitler repete que a chave
de todas as dificuldades está na Rússia. Contudo, admite que o Mediterrâneo
oferece um teatro onde a força alemã pode atuar com proveito durante a trégua
de inverno. Do lado do Suez, o papel da Alemanha pode apenas
ser acessório. Mussolini considera o leste do Mediterrâneo sua reserva de
caça. Portanto, é no oeste do mar interior que se deve encontrar o ponto de
aplicação da força nacional-socialista. É lá que está o objetivo mais
sedutor, a última garra com que a Inglaterra se prende ao continente,
Gibraltar. Gibraltar faz vibrar em Hitler uma fibra de
especialista. Depois da tomada de Eben-Emael, o Fuhrer se considera o maior
perito na derrubada de fortificações, e a idéia de empregar seu gênio contra
a fortaleza mais célebre do mundo o seduz. A ocupação ulterior dos Açores e
das Canárias apresenta-se-lhe como o estabelecimento de postos avançados
europeus em face de uma ameaça americana longínqua, mas previsível. Enfim, a
porta do Mediterrâneo e o acesso ao Marrocos dar-lhe-ão um meio de pressão
contra a França. É bem verdade que esses não são os objetivos pelos quais a
Providência pôs Hitler à frente do destino do povo alemão! Mas trata-se de
projetos importantes e honrosos, dignos de ocupar um inverno. A preparação diplomática começa em setembro. Em 3
de outubro, Hitler promove um encontro com Mussolini, no passo de Brenner.
Como em março, os dois trens especiais param na estação fronteira, mas desta
vez são os rubores de outono e não as neves do inverno que cobrem as encostas
da montanha. Hitler diz a seu associado que está decidido a apoderar-se de
Gibraltar, que se torna necessário, em conseqüência, arrastar Franco à guerra
e que já provocou, nesse sentido, uma viagem de Serrano Suner, cunhado do
ditador espanhol, a Berlim. Como as reticências do representante espanhol o
haviam exasperado, julga necessária uma conversa direta com Franco. Para
isto, decidira ir até o limiar da Espanha, Hendaye, a fim de melhor mostrar a
importância que atribuía à entrevista. Desejava que o Duce fosse informado e
contava com seu apoio. Mussolini aquiesce. Em compensação, mostra-se
inquieto, quando Hitler lhe anuncia que deseja alistar a França na coalizão
continental e mal consegue esconder a cólera quando sabe das medidas
militares que a Alemanha tomou na Romênia, sem consultá-lo. A Romênia é, a
seu olhos, uma cliente da Itália, e não é admissível que os alemães se
arroguem o direito de fazer dela um protetorado seu. “Ele me coloca - disse a
Ciano - diante dos fatos consumados. Vou pagar-lhe com a mesma moeda. Saberá
de minha entrada na Grécia pelos jornais...” Em relação à França, a preparação assume uma forma
cautelosa. O agente disso à Pierre Laval. O Marechal o detesta e despreza,
desaprova-lhe as origens políticas, a fortuna de fonte duvidosa, a grosseria,
o desalinho, a sujeira, os dentes escuros, a fumaça que lhe sopra no rosto, o
cheiro de taverna e imoralidade que emana de sua pessoa. Mas, em 10 de julho,
Laval leva a Assembléia Nacional a votar triunfalmente (569 votos a favor,
contra 80) a resolução que faz de Philippe Pétain mais que um rei da França,
e a política do velho é muitíssima cautelosa para deixar levar seu navio para
um só lado. O gabinete é um ninho antialemão no qual o Ministro da Defesa
Nacional, Maxime Weygand, deposita sua esperança de vingança. A antítese é
Laval. Decidiu que a vitória alemã é inapelável e que não há futuro para a
França senão na colaboração total com o vencedor. Contudo, não é fácil encetar contato com o
vencedor. As condições que ditou em Rothendes são terríveis e, no entanto,
arrepender-se de tê-las feito tão leves e trata de torná-las mais duras.
Anexou os departamentos do Norte e do Passo de Calais à administração
francesa de Bruxelas, transportou para a Alemanha os prisioneiros que ainda
estavam na França, prescreveu para a população civil rações sistematicamente
inferiores àquelas da Alemanha de 1918, impôs a quantia de 400 milhões de francos
por dia como custas de ocupação, o que constitui na realidade uma indenização
de guerra esmagadora, arbitrária e ilimitada. Em troca do erro que cometera,
desdenhando a África do Norte, exige sete bases aéreas no Marrocos e o uso da
Estrada de Ferro Casablanca-Túnis. Tendo respondido que tal exigência entra
em contradição com a convenção de armistício, Vichy esperava o pior. Não se
sabe por que a Alemanha não mais insiste. Mas Laval segue seu caminho. Quando realiza, em
julho, uma primeira viagem a Paris, ainda não sabe que partido tomar, mas
conta com seu faro e sua sorte. O Marechal Von Brauchitsch, comandante-chefe
do Exército, e mesmo o General Streccius, Militarbefehlshaber na França, são
ainda autoridades muito altas para ele. Agarra-se a uma personagem de segundo
plano, Otto Abetz, que, no sistema hitlerista de propaganda e de corrupção,
fora encarregado de subornar os intelectuais franceses, antes da guerra.
Abetz deixa o vice-presidente do Conselho Francês esperar várias horas. Mas o
próprio Laval diria: “Eu o teria esperado toda a noite, dentro de um
nevoeiro”. Quando foi finalmente atendido, ouviu religiosamente o estribilho
de Abetz: “Nasci em Karlsruhe; era ainda uma criança quando vocês
bombardearam minha cidade natal, no dia de Corpo de Deus, em 1926; jurei
consagrar minha vida à reconciliação franco-alemã, etc”. A mudança que se
efetuou em seguida leva os dois homens a concluir que uma luta contra a
Inglaterra fornece a melhor base de uma cooperação franco-alemã. Abetz não
tem nem qualidade oficial nem mandato, mas declara que partirá imediatamente
para Berlim, onde espera fazer amadurecer as idéias que haviam ventilado
juntos. Laval volta a Paris cheio de importância e cercado de mistério.
Determina imediatamente mandar eliminar Waygand, Bouthillier, Ybarnegaray,
Baudouin, Noel, François-Poncet. “Espero - diz ele ao Marechal - a volta do
Sr. Abetz. Confio em que fará à França a promessa de grandes concessões, mas
é inútil esperar que sejam concretizadas, se Vichy continua povoada de homens
que desejam abertamente a derrota alemã”. A espera é longa, mas termina triunfalmente. O
atarefado Abetz chega de Berlim, a 5 de agosto, com o uniforme de embaixador
alemão em Paris. Por maravilhoso lance de sorte, sua missão pessoal
coincidira com as veleidades hitleristas de obter a colaboração da França na
luta contra a Albion. Abetz convencera seus chefes de que o homem para essa
política, devido a sua mulher francesa, aos laços que tinha na França e
sobretudo à comunhão de pensamento que havia encetado com o mais importante
homem de Estado de Vichy. Assim, Laval utiliza Abetz, mas Abetz utiliza
Laval. Em Vichy, fazem-se restrições a essa personagem desconhecida, que,
voltando de Berlim, mantém as deliberações do Governo em suspense.
Entretanto, sua embaixada está ali para testemunhar que o Vice-Presidente do
Conselho não se deixa enganar por um ilusionista ou um aventureiro. A partir de então a presunção de Laval não conhece
restrições. Multiplica suas viagens a Paris. Em 28 de agosto, é recebido por
Brauchitsch. Oferece-lhe a entrada da França na guerra contra a Inglaterra e
ouve esse oficial “sem antenas” responder que a Alemanha não necessita da
ajuda francesa, a qual, de resto, seria nula...” Carregando fleumaticamente
essa recusa, Laval volta a Vichy para prosseguir a depuração do Gabinete. Em
4 de setembro, a mistura de fraqueza e tenacidade, de senilidade e astúcia,
que era o Marechal Pétain, convidou Weygand à sua varanda, no Hotel du Parc,
para anunciar-lhe que já não tinha necessidade de seus serviços ministeriais.
Todavia, por uma reviravolta, enviou-o a Argel, para o posto de
Delegado-Geral na África. Outra contradição ocorreria alguns dias depois. Em
20 de setembro, no Pavillon Sévigné, onde era menos observado que no Hotel du
Parc, o Marechal recebeu um universitário escritor, Louis Rougier, professor
na Faculdade de Letras de Besançon, o qual, utilizando suas relações
anglo-saxônicas, se investira espontaneamente de uma missão conciliatória
entre Vichy e Londres. A este negociador, a quem não conhecia, Pétain fez -
segundo narrou Rougier - declarações audaciosas: “Diga aos ingleses que envio
Weygand para a África do Norte, afastado dos olhares dos alemães, com a
missão de formar um exército que nos servirá um dia... O Sr. Laval é o homem
a quem mais desprezo neste mundo; mas ainda tenho necessidade dele; depois,
afastar-me-ei. Pode dizer aos ingleses...” Em seguida deu a Rougier um
precioso autógrafo: “O Marechal Pétain, Chefe do Estado, recomenda o Sr.
Professor Rougier à benévola atenção de nossos representantes diplomáticos e
consulares. Ph. Pétain, 20-9-1940”. Desse modo, a política de Vichy caminhava
a passos de rendeira, levando dois pesados cestos e mancando, ora da perna
direita, ora da esquerda, para não deixar o centro da vereda. Hendaye e Montoire Adolf Hitler não possuía coragem pessoal. Era com
apreensão que se afastava de seu abrigo seguro e exigia que seu trem especial
só parasse perto de um túnel. Foi a proximidade de um subterrâneo assim, na
pequena linha entre Vendôme e Pont-de-Braye, que daria um lugar na história à
localidade de Montoire-sur-Loit. Em 22 de outubro, Laval foi levado a esse local
por Abetz. Acreditava ir avistar-se com Ribbentrop e ficou tão transtornado
quando soube que ia à presença do Fuhrer, que, segundo seu próprio relato,
não encontrou senão um palavrão para exprimir a violência de sua emoção. A
entrevista foi encantadora. Laval exclamou que era incapaz de traduzir “sua enternecida surpresa” e
que, “como francês”, desejava de todo coração a derrota da Inglaterra. Hitler
aspirou o incenso, afirmou estar certo da vitória, declarou que não procurava
uma paz de vingança e que não pediria da Inglaterra mais do que o pagamento
das indenizações de guerra. Em seguida, exprimiu desejo de receber o Marechal
Pétain, dois dias depois. Laval respondeu-lhe que o chefe do Estado francês
nem sonhava com felicidade tão grande. O trem especial do Fuhrer - verdadeiro fortim
rolante, eriçado de artilharia antiaérea - voltou a movimentar-se rumo a
Hendaye, lugar da entrevista com Franco. Como sempre, Hitler falou longamente. Solicitou de
Franco a entrada da Espanha na guerra, em 10 de janeiro de 1941,
prometendo-lhe que em alguns dias, com a aplicação dos métodos de que ele,
Hitler, era autor, suas tropas especializadas tomariam Gibraltar, para
cedê-lo à nação espanhola. Imóvel, impassível, mãos cruzadas, pés cruzados,
fisionomia apática, franco ouviu a longa conversa de Hitler. Em seguida,
falou. Em verdade, a Espanha, unanimemente, desejava
reconquistar Gibraltar. Mas o caráter ardente dessa reivindicação nacional
exigia precisamente que a fortaleza fosse retomada somente por espanhóis, e
não recebida, como presente, de uma potência estrangeira, embora amiga. Era,
portanto, necessário que o Exército espanhol fosse completamente reequipado,
que as estradas de ferro, destruídas pela guerra civil, fossem reconstruídas.
Que uma população subnutrida retomasse forças com uma alimentação apropriada.
Contava com a Alemanha para ajudá-lo em todas essas providências, mas não
podia esperar estar pronto no prazo tão breve mencionado por Sua Excelência,
o Fuhrer. A exposição de Hitler fora copiosa. A de Franco
ousa igualar-lhe em abundância. Mas Hitler não era homem que soubesse
controlar as emoções. Levantou-se bruscamente, dizendo que, se assim era, sua
viagem fora inútil e que só restava retornar. Franco esperou que ele se
sentasse de novo e, com voz monótona, prosseguiu sua explanação. Retomando a
palavra, Hitler lançou-se às alusões ameaçadoras contra aqueles que não
compreendiam ser a situação da Inglaterra desesperada e, por se apresentar um
pouco diferente, a vitória alemã não seria menos total. Franco respondeu que
a vitória alemã efetivamente se realizara, mas só no continente. Era possível
que a Inglaterra fosse invadida também, mas a Armada britânica partiria para
o Canadá e o Império continuaria a luta com o apoio americano. Ele, chefe do
Estado espanhol, responsável diante de seu povo e perante a História, devia
encarar com cuidado uma guerra longa, medir os encargos e os riscos de uma
intervenção. Era preciso, em qualquer circunstâncias, que a Espanha recebesse
vantagens suficientes para animar o ardor bélico de um povo que só ansiava
por tranqüilidade. Exigia a Mauritânia, todo o Marrocos e a província de
Orã... Em outros termos, a melhor parte da África do Norte francesa, no
momento em que a Alemanha sonhava atar a França a seu carro de combate! A discussão durou mais de sete horas. Hitler
interrompeu o debate propondo deixar para os ministros das Relações
Exteriores o cuidado de estabelecer um projeto de tratado. Ao sair do vagão
de conferências, disse ele a Keitel: “Preferia deixar que me arrancassem três
dentes a recomeçar essa reunião...” Depois de um morno jantar convencional, a
discussão foi retomada, agora entre Serrano Suner e Ribbentrop. Este ampliou
o descontentamento do seu chefe e deixou-se exaltar com ameaças vulgares. Ao
toque da meia-noite, despediu Suner, convidando-o a apresentar-se no dia
seguinte, antes das 8 horas, com um projeto de tratado conveniente. Mas na
hora combinada só viu voltar o subsecretário de Estado Epinoza de los
Monteros, portador de um texto insignificante. Não teve, em seguida, senão de
tomar um avião para alcançar Hitler, cujo trem avançava em direção a Montoire
e a Pétain. “Durante todo o trajeto - contou o intérprete Paul Schmidt -
Ribbentrop não cessou de vociferar contra esse jesuíta, Suner, e esse covarde
e ingrato Franco, que nos deve tanto...” A entrevista de Montoire fora precedida, em Vichy,
por uma cena violenta. Laval exaltara-se quando Pétain lhe exprimia sua
intenção de levar consigo Baudouin. “Se um membro de seu governo, além de
mim, pretende assistir à entrevista, ela não se efetuará...” A ameaça era
inútil, de vez que o encontro fora solicitado pelo Fuhrer e a pretensão de
Laval de ser representante de Hitler na França não era ainda fundamentada.
Mas Pétain frouxamente cedeu. Como Hendaye, Montoire só nos é conhecida através
de testemunhos fragmentários. Podemos descrever rapidamente as cerimônias
exteriores, os soldados da Leibstandarte prestando continência magnificamente
rígidos, Hitler esperando Pétain na plataforma da estação, o aperto de mãos,
olhos nos olhos, todas as inúteis imagens de prestígio que a propaganda de
Vichy usaria até o excesso. A dignidade física do Marechal jamais esteve em
falta. Mas era um homem velho, que perdia de vez em quando a lucidez e que,
em meio de uma pompa militar humilhante, atendia a uma convocação do
vencedor. Mais tarde, quando se perguntava a Pétain o que se
passara em Montoire, ele respondia, com falsa ingenuidade: “Nada”. Deve ter
ouvido, entretanto, um Sundenregister, uma enumeração de crimes franceses
depois de 1919, em seguida o monólogo padrão sobre a invencibilidade do
exército alemão e a derrota consumada da Inglaterra. Hitler perguntou, em
seguida, se a França estava disposta a defender seu império contra os ataques
ingleses e a reconquistar os territórios que haviam passado para a
dissidência. Pétain respondeu que a França havia sofrido muitíssimo, material
e moralmente, para se lançar em novo conflito. Hitler retrucou que suas
condições de paz dependeriam da medida da ajuda que a França lhe tivesse
dado. À palavra “paz” o velho marechal reagiu como um cavalo de trombeta a um
toque familiar. Por que a Alemanha não esclarecia a França sobre o destino
dela? Por que não lhe demonstrava não estar animada pelo desejo de vingança?
Por que não lhe facilitava a recuperação? Redução das despesas de ocupação,
abrandamento da linha de demarcação, libertação dos prisioneiros... Laval,
por sua vez, reconheceu que, no momento, uma declaração de guerra à
Inglaterra seria impossível, porque havia necessidade de preparar a opinião
pública, mas que seria desejável que se estabelecesse uma colaboração com a
Alemanha em outros domínios além do militar. No conjunto, o que emergeria de
Montoire seria unicamente a palavra “colaboração”. Mais tarde esta se
tornaria um estigma e um crime. Mas, em outubro de 1940, era apenas uma
medalha sem valor. Começa a guerra ítalo-grega Um último acontecimento deveria fazer de outubro
um dos meses fatídicos, um dos meses mais contraditórios da guerra. Depois de sua conversa com Pétain, Hitler
demorou-se dois dias em Montoire. Suas decisões ainda não estão
definitivamente tomadas. Seelowe conserva uma oportunidade. O fracasso de
Hendaye ainda não enterrou a conquista de Gibraltar; não morreu a esperança
de que Franco mudará de idéia por persuasão ou intimidade. Contra os russos,
um pequeno grupo de oficiais do OKH estuda um plano de campanha, mas em tão
absoluto segredo, que lhes é proibido escrever a menor coisa sobre o assunto.
Por outro lado, Ribbentrop vela pela conservação da aliança da qual se
vangloria de ser o autor. Inquieta-se com a tensão que a entrada dos alemães
na Romênia provocou nas relações germano-soviéticas e propõe a Hitler uma
entrevista com Stalin. “Você está louco - responde Hitler -; bem sabe que
Stalin jamais concordará em vir a Berlim, e
pode imaginar-me indo a Moscou!”. “Obtive somente - diz Ribbentrop -
permissão de escrever a Stalin, pedindo-lhe que nos enviasse Molotov”. Todos
os caminhos ainda estavam abertos para Hitler. Uma coisa o preocupa: recebera de Mussolini uma
carta inquietante. O Duce queixa-se da Grécia. Refere-se a provocações que
não está com humor para tolerar. Ora, a Grécia tem como ditador o
ultragermanófilo Ioannis Metaxas, antigo aluno da Academia Militar de
Postdam, preso pelos aliados em 1917, e que orienta todas as suas simpatias
para os regimes totalitários. Além disso, Hitler é adverso a toda complicação
nos Bálcãs. Quer, até nova ordem sua, evitar tudo o que possa dar à Rússia
razões de alarme e pretexto para intervenção. Já é demais que se visse
obrigado a tomar medidas militares a fim de salvaguardar o indispensável
petróleo romeno! É preciso, sem revelar as intenções alemães, deter
Mussolini. De Montoire, Ribbentrop telefona a Ciano, avisando
que Hitler deseja uma entrevista com o Duce, em uma cidade do Norte da
Itália. A aquiescência chega no dia seguinte. Se o Fuhrer está de acordo, o
encontro será em Florença, segunda-feira, 28. O que Hitler não calcula é a intensidade da
questão de honra que leva seu associado a pô-lo por sua vez diante do fato
consumado. Em 14 de outubro, Mussolini perguntou a seu chefe de Estado-Maior,
o Marechal Badoglio, quanto de tropas e tempo seria necessário para vencer a
Grécia. O marechal respondeu-lhe que 20 divisões e três meses lhe pareciam
suficientes. Em seguida, ousou perguntar o que os alemães pensavam do projeto
de uma campanha na Grécia. Mussolini exaltou-se. Hitler o consultou quando
atacou a Polônia, a Noruega, a França? Levou em consideração as
suscetibilidades legítimas de seu aliado? Ele, Mussolini, acha que a Grécia
deve ser reunida, de maneira definitiva, à esfera estratégica italiana.
Anexará o Epiro, Corfu, as Ilhas Jônicas; instalar-se-á em Salonica, quer
isto agrade ou não à Alemanha! As hostilidades deverão iniciar-se no dia 28,
o mais tardar. Que estejam prontos os generais. Durante 8 dias, Badoglio
luta. Obtém dos chefes da Marinha e da Força Aérea pareceres contrários à
guerra; objeta que se deve ter em conta a estação e as neves do Epiro;
argumenta que na Albânia só há 8 divisões e que a insuficiência de portos
aumenta imensamente os prazos para a construção das 12 divisões de reforço
necessárias. Todas estas objeções só fazem provocar a irritação do Duce. Ele
grita que prefere tornar-se grego a suportar a vergonha de ser chefe de
italianos que temem gregos. Diz a Ciano que aceitará a demissão de Badoglio
se este a solicitar. Devidamente prevenido, o Marechal cala-se. A 27, Hitler deixa Montoire. Em Yvoir-sur-Meuse,
onde tinha havido um dos furos da batalha de maio, seu trem é parado para que
lhe entreguem uma carta pessoal de Mussolini. Essa carta chegara, 48 horas
antes, à Embaixada da Itália em Berlim, mas as autoridades alemães não
quiseram permitir que um membro da embaixada a entregasse a Hitler. A carta
anunciava que a decisão de Mussolini tinha sido tomada e que a guerra contra
a Grécia iria começar sem interrupções. O trem pára. A noite chega. Em Munique,
o Fuhrer recebe um telegrama. O Príncipe de Bismarck, encarregado de negócios
em Roma, anuncia que foi convocado por Ciano para ouvir a leitura do ultimato
que será enviado, às 3 horas da manhã, ao Governo grego. A Itália denuncia
conspiração da Grécia com a Inglaterra e, para eliminá-la, exige a ocupação
dos territórios que designaria à sua vontade. O Governo grego tem 3 horas
para decidir-se. Às 6 horas, se não houver uma submissão incondicional,
começarão as hostilidades. “Já não estávamos especialmente alegres - conta o
Dr. Schmidt - depois do nosso fracasso em Hendaye e de nosso fiasco em
Montoire. A notícia terminava de nos dar o mesmo calor das paisagens
prematuramente nevadas, através das quais viajávamos para a Itália. A
polícia, precipitava-se para o local do crime, mas como sempre, muito tarde”. Em Florença, a estação está decorada de forma
soberba. Mussolini espera eufórico e empertigado. “Fuhrer - diz ele - deu
certo; minhas tropas entraram vitoriosas na Grécia, às 6 horas da manhã”. Em
seguida, como nota descontentamento na fisionomia de seu aliado, acrescenta:
“Não se preocupe, tudo terminará em 15 dias”... Quinze dias depois, as
tropas de Mussolini sofrem derrota completa. Segundo o plano, o 9° Exército devia avançar
contra Salonica, através de Florina e Edessa. Aproveitando o terreno áspero e
as tempestades de neve, os gregos contra-atacaram e chegaram à encruzilhada
de Coritza, na sua retaguarda. Uma retirada extremamente rápida salvou o
exército de uma captura total. Cabia ao 11° Exército conquistar o Epiro e, em
seguida, contornando à esquerda, avançar sobre Atenas. Aí, a resistência dos
gregos, comandados pelo General Alexandre Papagos, foi tão hábil quanto
feroz. Eles se habituaram imediatamente à guerra de montanha, praticaram instintivamente
a tática de infiltração e enfrentaram com extraordinária rusticidade as
intempéries que paralisaram os italianos. Estes não conseguiram sequer
aproximar-se de Janina. Em 11 de novembro, sua derrota consolidou-se. Suas
forças recuavam em desordem sobre uma cadeia de montanhas, entre o lago de
Ócrida e o mar, tentando alcançar Valona e Tirana. Ainda em 11 de novembro, a esquadra italiana
supunha-se em segurança em Tarento. Eram 11 horas da noite e a lua entrava em
seu último quadrante. Todos os couraçados estavam ancorados na enseada
oriental da baía exterior, Mar Grande, situada entre a ilha de São Pedro e a
ponta de São Vito. Eram em número de sete, entre os quais as duas mais
recentes aquisições, Littorio e Vittorio Veneto, ambos de 35.000 toneladas.
Uma estacada, duas camadas de redes, três barragens de balões os protegiam.
Vários cruzadores cobriam seus flancos expostos. Nenhum ataque naval ou aéreo
se dirigira até então contra essa base tão possantemente defendida. O alerta
soou. A DCA troou. A costa iluminou-se. O porto saiu da penumbra. Dois aviões
lançaram uma linha de foguetes incandescentes, cujo clarão brutal delineou os
navios. Doze Swordfish - velhos biplanos monomotores com rodas não
escamoteáveis e cordas de piano bastantes para estender roupa - chegavam
rente à água, vindos do oeste. Cansados de procurar atacar a esquadra
italiana em mar aberto, o Almirante Andrew Cunningham decidira atingi-la em
seu próprio domínio. A execução se efetuava. O ataque partiu do porta-aviões Illustrious, que
se unira ao pavilhão do Almirante Cunningham algumas semanas antes. Outro
porta-aviões, o Eagle, devia tomar parte na operação, mas era tão obsoleto,
que as bombas italianas que o cercaram ao largo da Calábria, em 9 de julho,
foram suficientes para inutilizá-lo. Além disso, três aviões foram destruídos
numa colisão. Cunningham reuniu todos os que lhes restavam, 21 ao todo, no
tombadilho do Illustrious, repartiu-os em duas levas, dirigidas pelos
tenentes-comandantes Williamson e Hale, e comboiou-os até 180 milhas de
Tarento. Às 8:40 horas, a primeira
leva, de 12 aviões, levantou vôo. Duas horas depois, os torpedos dos Swordfish
atingiram os couraçados Cavour e Littorio. Os incêndios orientaram a segunda
leva, que, com apenas 9 aviões, partiu 50 minutos depois da primeira. Seus
torpedos erraram o Vittorio Veneto, mas penetraram o Duilio e fizeram no
Littorio uma segunda brecha, que o obrigou a encalhar na baía. A metade da
frota italiana de couraçados foi destruída; somente dois Swordfish não voltaram
ao Illustrious. Em 5 de novembro, Franklin Roosevelt fora eleito
Presidente dos Estados unidos, por 27 milhões de votos, contra 23 milhões
para Willkie. Suas profissões de fé sempre haviam defendido a neutralidade,
e, no entanto, ninguém tinha dúvida de que sua manutenção no poder constituía
uma ameaça para a Alemanha e uma esperança para a Inglaterra. “Acolhi - diz
Churchill - a notícia da reeleição com um alívio inexprimível”. Goebbels
ordena a sua imprensa que trate o acontecimento com o maior desprezo. Mas um
diplomata italiano anota em seu diário: “Os meios oficiais alemães vêem no
novo acordo firmado na Casa Branca uma advertência de que os Estados Unidos
entrarão na guerra em prazo muito curto”. Os fracassos da Itália trazem para a Alemanha novos
problemas. O general dos Panzer, Von Thoma, volta da África com um relatório
desencorajador sobre o valor do Exército italiano e com queixas acerbas à
animosidade que os italianos lhe testemunharam. Hitler ordena a suspensão do
equipamento da 4a Panzer para a guerra do deserto, mas em 5 de
novembro convida o Estado-Maior do Exército para estudar as medidas que
poderiam ser necessárias para cobrir os reveses italianos na Albânia. Alguns
dias depois, um Badoglio muito abatido chega a Innsbruck a fim de ponderar o
futuro da cooperação militar germano-italiana. Chega em pleno clima de
presunção. “A guerra - diz-lhe Keitel - está ganha; só falta concluí-la
obrigando a Inglaterra a reconhecer que a perdeu”. Em seguida, traça para
Badoglio um quadro brilhante do Exército alemão: 230 divisões, dentre as
quais 185 de primeira linha, e destas últimas, 20 blindadas e 12 motorizadas.
Em face dessa ostentação de poder, Badoglio tem que confessar que enviou à
Líbia todos os carros de combate que possui, 74, e pede, em nome do Duce, que
lhe dêem de presente 700 tanques capturados aos franceses. Mas Keitel recusa,
dizendo que tais engenhos são necessários ao equipamento das novas unidades
blindadas alemães. Em compensação, volta atrás na decisão anterior e propõe
enviar uma Panzer à Líbia. É a sua vez de Badoglio recusar, conformando-se às
instruções imperativas que recebeu. “Se os deixo entrar em nosso campo -
dissera-lhe Mussolini -, eles jamais sairão.” 12 de novembro é um dia de decisões capitais. Jodl
promete ao Fuhrer em relatório em que assenta definitivamente a
impossibilidade de invadir a Inglaterra. Hitler aceita tal conclusão e redige
sua Diretiva n° 18. Aparece todo um novo esquema da guerra. O primeiro parágrafo diz respeito à França: “O
objetivo de minha política em relação à França é de cooperar com este país na
continuação da guerra contra a Inglaterra... A tarefa urgente dos franceses é
a proteção ofensiva e defensiva de suas possessões coloniais contra a
Inglaterra e o movimento degaulista. Partindo dessa tarefa inicial, a
participação da França na guerra contra a Inglaterra poderá desenvolver-se
plenamente...”. Em seguida, Hitler passa à Espanha: “O objetivo da
intervenção alemã na Península Ibérica (cujo nome convencional é Felix) é
expulsar a Inglaterra do Mediterrâneo ocidental. Isso porque Gibraltar será
tomada e o estreito fechado...” A questão das ilhas do Atlântico vem em terceiro
lugar: “Os comandantes-chefes da Marinha e da Força Aérea examinarão como
poderá ser reforçada a defesa espanhola das ilhas Canárias e como poderão ser
ocupadas as ilhas do Cabo Verde. Desejo igualmente que o problema da ocupação
da madeira e dos Açores seja examinado com relação a todas as suas vantagens
e desvantagens...” Diante desse documento, Jodl e todos aqueles que sustentam
a estratégia mediterrânea podem acreditar que ganharam a partida. Hitler se
apaixona. Estuda a tomada de Gibraltar sobre uma grande maqueta da fortaleza
e fala sem cessar da conquista dos arquipélago, que seus aviadores e seus
marinheiros acreditam poder tomar, mas que têm dúvidas de que possam manter.
A Mussolini, ele escreve uma carta muito longa, na qual deplora ter chegado a
Florença tarde demais. Considerando inúteis recriminações sobre o passado,
acha que é preciso eliminar o perigo inglês na Grécia. Deve, entretanto,
inclinar-se diante do fato de que toda operação de envergadura nos Bálcãs é
impossível antes do mês de março. Em compensação, fechar o Mediterrâneo é uma
possibilidade imediata. “A questão do Mediterrâneo deve ser liquidada neste
inverno, porque então o emprego da força alemã aí é mais eficiente”. Todavia, o obstáculo principal, a decisão da
neutralidade de Franco, continua de pé. “A Espanha - diz o Fuhrer ao Duce -
deve ser persuadida a entrar na guerra imediatamente”. Contudo, o caminho de
tal persuasão não é encontrado, e uma nova viagem de Serrano Suner à Alemanha
apenas reforça o descontentamento, a irritação e a frustração de Hitler. Brecha na aliança germano-russa Na estação de Anhalt, flores, foices e martelos. O
comissário do povo Vyascheslav Molotov chega a Berlim para a visita
solicitada por Ribbentrop. Este não foi eqüitativamente recompensado por sua
iniciativa: no decorrer das conversações, Molotov quase não abre a boca,
enquanto Ribbentrop se esforça em repetir que nenhuma força no mundo pode
impedir a derrota inglesa. O olhar irônico e penetrante dos russos exaspera o
pretensioso alemão. Com Hitler, ao contrário, o comissário do povo
discute asperamente. Queixa-se das intrigas do Reich na Finlândia e ameaça
reabrir as hostilidades contra os finlandeses se estes continuarem a tolerar
as infiltrações das tropas alemães. Queixa-se da penetração de tropas alemães
na Romênia e ameaça concluir com Sófia um equivalente do tratado de
protetorado que Berlim fez Bucareste assinar. Reivindica o controle dos
estreitos para instalação de bases navais e aéreas soviéticas na Turquia.
Corta os efeitos oratórios de Hitler quando este procura desviar sua atenção
para o golfo Pérsico e a Índia, dizendo que são as questões européias que lhe
interessam. Hitler, que só faltou perder a fala, em Bad Godesberg, porque o
falecido Chamberlain (acaba de morrer) se permitira fazer-lhe uma pergunta,
suporta com estranha paciência as réplicas desse homenzinho de óculos e de
olho de aço. O balanço da entrevista longe está de mostrar discordância entre
a Rússia soviética e a Alemanha hitlerista. O protocolo registra, ao
contrário, um acordo sobre todos os pontos, inclusive sobre as pretensões
russas em relação aos estreitos. Se tomássemos o documento ao pé da letra, a
aliança germano-soviética não sofrera alteração. Entretanto, isso nada mais é que aparência. Todos
os testemunhos indicam que Hitler saiu das duas entrevistas com Molotov em
estado de extrema irritação. “Estou convencido - disse Paul Schmidt - de que
foi nessa ocasião que ele tomou a decisão de atacar a Rússia”. “O Fuhrer -
disse Keitel - viu nos propósitos de Molotov o engodo de uma grande manobra
para envolvimento da Alemanha. Resolveu então antecipar-se a ela”. Novas razões levaram Hitler a cortar na Rússia o
nó da guerra. Toda esperança de uma guerra curta desaparecera, nas condições
de então. A Inglaterra, doravante fortalecida em barricas interiores,
torna-se dificilmente atacável. As operações mediterrâneas não conduzem a
nada de decisivo. Os Estados Unidos não são militarmente temíveis, mas seu
poder econômico forneceria à Inglaterra incessantes acréscimos de recursos.
Inversamente, a Alemanha dependeria, cada vez mais, da única fonte de
matérias-primas aberta para ela, a URSS. É a consciência desta situação -
pensa Hitler - que explica a segurança de Molotov, em contraste com sua
atitude modesta de 1939. Se a Alemanha não toma cuidado, ver-se-á
progressivamente ligada à URSS - no momento em que a razão profunda da
revolução nacional-socialista é a destruição do bolchevismo. O pacto com os
soviéticos fora um expediente político associado a uma fase da guerra; e
ameaça tornar-se um laço mortal, se sobreviver à razão que o ditou. Os homens são complexos.
Existem poucos cínicos puros. Adolf Hitler não era um deles. Sua aproximação com
Moscou nunca deixou de causar-lhe uma repulsa íntima. Muitos generais e
aristocratas alemães, criados na tradição bismarkiana, a aceitam muito mais
facilmente, e apreciam muito mais à altura do que o plebeu austríaco cujos
primeiros combates foram refregas selvagens com a frente vermelha. Hitler
liberaria sua consciência se entrasse em luta contra o inimigo ideológico, a
quem sua política e estratégia se uniu momentaneamente. Com Mussolini, ao
contrário, a solidariedade ideológica associava-se à admiração e à amizade,
criando no coração de Hitler tesouros de indulgência. O sentimento mais
humano desse coração estranho é a camaradagem, fraternidade dos sem-lar.
Havia três meses que todas as desventuras da Alemanha e todas as derrotas do
Eixo vinham da Itália, em relação à qual Hitler perdera todas as ilusões.
Entretanto, nem uma queixa escapava de seus lábios contra o fundador do
fascismo, e os embaraços em que Mussolini se debatia o emocionavam até as lágrimas.
“O Fuhrer tinha - contou Ciano - duas grossas lágrimas nos olhos quando me recomendou que repetisse ao Duce
que estava a seu lado com todas as suas forças”. Ele deseja encontra-se com
seu infeliz aliado, mas Mussolini se esquiva ferozmente a uma entrevista. Os
problemas desde então cessam de agravar-se. Muda, seus generais, demite o
comandante da frente albanesa, Soddu, que compunha música de filmes durante a
batalha de Janina; afasta-se do próprio Badoglio, substituindo-o pelo
otimista e germanófilo Cavallero, que acha que pode acumular as funções de
chefe de estado-maior e a direção da guerra da Albânia. A situação militar
não melhora. Os gregos tomam Argirocastro e o porto de Santa Quaranta. O
problema italiano já não consiste em conquistar Salonica e Atenas; consiste
em manter a Albânia invadida e insurreta. Bruscamente, os reveses albaneses são eclipsados.
O raio cai sobre a África. O problema de uma derrocada da Itália ameaça
surgir. Depois de um tímido avanço até Sidi-Barrani, os
italianos estabeleceram-se em uma dúzia de lugares, entre o mar e o
escarpamento de Sofafi. Fortificam-se mal, defendem-se mal, não ousam
aventurar reconhecimentos além do alcance de seus canhões. Seu armamento é
insuficiente e os pequenos tanques Fiat, de 2 toneladas, mais parecem caixões
para enterrar seus homens. O moral está ao nível dos armamentos. Nem mesmo o
deserto rude conseguiu aproximar os oficiais dos subordinados, pois, em vez
de compartilhar o mesmo desconforto e a mesma sede, vivem em condições
materiais bem diferentes. Eles resolvem não mais avançar sobre Marsa-Matruh,
cabeça da ferrovia de Alexandria. Tendo recusado a ajuda dos blindados
alemães, o Exército italiano enrola-se em sua modesta conquista e espera.
Wavell se cansa de esperar. Preparara uma batalha defensiva, mas, como o
Almirante Cunningham, decide atacar o inimigo que não ataca. Graziani tem 7
divisões. Ele apenas duas: a 4a indiana e a 7a
blindada. A 9 de dezembro, numa madrugada glacial, os
ingleses cercam o campo italiano de Nibeiwa, matam em pijama o general que o
comandava e apoderam-se de tudo em duas horas. Da mesma forma, tomam, em
quatro dias de combate, Tumar-oeste, Tumar-leste, Maktila, Sidi-Barrani, etc.
Quatro divisões italianas são destruídas. As perdas britânicas, em mortos, feridos
e desaparecidos, elevam-se a 624 homens e o número de prisioneiros capturados
a 38.300. Wavell não havia sequer sonhado com tal vitória.
Estava tão pouco preparado para explorá-la que a 4a Divisão
indiana atacou com a ordem de tomar o rumo do Sudão logo que a incursão
contra Sidi-Barrani fosse efetuada. Em 12 de dezembro, apesar dos protestos
furiosos de O’Connor, comandante do exército, a ordem de deslocamento da 4a
indiana é confirmada. Enviada para um setor secundário, deve ser substituída
progressivamente pela 6a australiana, que devia ainda adaptar-se
ao deserto. Esse é ainda o primeiro exemplo dos incríveis erros que os
ingleses cometeriam na condução da guerra em torno do Mediterrâneo...
Entrementes, Graziani manda sua mulher cobrir Mussolini de injúrias e decide
recuar às presas para Trípoli a fim, disse ele, de que “a bandeira italiana
continue a flutuar pelo menos em uma cidadela da África do Norte”. Apoteose e queda de Laval Decepcionado com a Itália, Hitler conhecerá
maiores decepções com relação à França. A idéia da manobra do Plano Felix é
jogar o governo de Vichy na guerra, através do pretexto da reconquista das
possessões coloniais francesas. Em 29 de novembro, cinco meses após o
armistício de Compiègne, um Conselho de Guerra reúne-se na Embaixada da
Alemanha, presentes Laval e Abetz, o General Huntziger, o Almirante Darlan e
o primeiro colaborador de Jodl, o jovem general Warlimont. O plano que eles
discutem é o da reconquista do Chade das mãos dos degaullistas, acompanhada
da tomada da Nigéria britânica, como penhor. Hitler consente em indenizar a
França pela tomada da Tunísia, deixando-lhe esse imenso país. Em 10 de
dezembro, a conferência volta a reunir-se. Warlimont, satisfeito, compra
5.000 mapas da AEF (África Equatorial Francesa). A Alemanha pode esperar que
se efetuem operações ofensivas no Chade depois da estação das chuvas. Simultaneamente prepara-se uma operação simbólica.
Em adesão a uma idéia do nazista francês Benoist-Méchin, o Fuhrer decidira
transferir para os Inválidos o corpo do Duque de Reichstadt. Tremendo de
frio, em início de um inverno rigoroso, os parisienses responderam a esse
gesto magnânimo com uma pilhéria ingrata: “Tomam-nos o carvão e nos devolvem
as cinzas...” Mas o estado-maior colaboracionista planeja grandes
solenidades. O Marechal Pétain viria a Paris receber a preciosa relíquia e já
se embala com a esperança de não mais voltar à capital provisória. Fixa-se a
data da cerimônia para 15 de dezembro, quando se comemora o centenário do
retorno dos despojos do próprio Napoleão. O pai e o filho estariam reunidos
no mesmo sono pela mão gloriosa do Fuhrer... No dia 13, uma notícia revolucionária interrompe
os preparativos. Laval, expulso do Governo, fora preso em Vichy! Os alemães o libertam. O Embaixador Abetz, cujo
poder se acha em jogo, precipita-se com autometralhadoras, solta o
prisioneiro e o leva ao Hôtel du Parc à presença de Pétain. Laval rompe em
injúrias: “O senhor não é mais que um fantoche, um catavento, uma biruta”, e
pronuncia a frase que, justamente, o condenara à morte: “De hoje em diante,
será entre os alemães que procurarei meus amigos”. Sai, lívido de raiva, e
volta a Paris, no mesmo carro que Otto Abetz. Para Vichy, as conseqüências da eliminação de
Laval poderiam ter sido trágicas. Mas são fracas. Com isso, a França não
perdeu nem mesmo as cinzas do nobre duque, que lhe foram enviadas no dia
programado, mas em cerimonial tão glacial quanto a temperatura e,
naturalmente, sem a presença de Pétain. A libertação de certa categoria de
prisioneiros é suspensa. A linha de demarcação torna-se hermética. O acesso a
Paris é proibido a todos os Ministros. O sucessor de Pierre Laval à sucessão
do Marechal, o Almirante Darlan, é convocado por Hitler. Dirá mais tarde:
“Levei uma descompostura como nunca na vida descompus alguém”. Mas as
represálias se limitam a isso. Bastaria uma só palavra de Hitler para
suprimir o governo do Hôtel du Parc ou para estabelecer em Paris um
contra-governo nazista, governo que os devotos da vitória alemã, Brinon,
Déat, Doriot, Laval, estão prontos a constituir; mas não o faz. O Marechal
continua. Na época, ninguém compreende essa mansidão. Hoje,
porém, a razão aparece clara. A colaboração com a França já não interessa a
Hitler. Este afasta-se bruscamente da estratégia mediterrânea, na qual
encontrou obstáculos e complicações em demasia. Renunciou, ou quase, a
Gibraltar, diante a impossibilidade de convencer Franco e da indisposição de
passar-lhe por cima. Os Açores, o Chade e Dacar saíram de suas cogitações. O
Plano Felix morre antes de começar. Após quatro meses de flutuações, o curso
do pensamento de Hitler fixou-se em algo: é unicamente na planície russa que
irá buscar a decisão. A 17 de dezembro, assina sua Diretiva n° 20,
chamada Marita. É uma simples medida de conservação. “vejo bem - disse ele a
seu íntimos - que a ajuda italiana é nula, mas a posição estratégica da
Itália é por demais importante para que possamos aceitar que saia da guerra
numa derrocada”. Consequentemente, usando a Romênia e a Bulgária como
cúmplices, as tropas alemães intervirão na primavera para pôr a Grécia fora
de combate e concluir a guerra dos Bálcãs. No dia seguinte, 18 de dezembro,
Hitler assina a Diretiva n° 21, chamada Barbarossa. Registrada em Nuremberg
com o número 446 PS, esse documento de 8 páginas é o documento mais
importante de toda a guerra. Nele foi traçado o plano geral das operações que
deviam destruir o Exército soviético numa curta campanha de verão. Fixa a
nova fronteira alemã: a linha Astracã-Arkhangelsh. Embrenha a Alemanha num turbilhão
de desastres e numa engrenagem de sofrimentos. Todavia, o último parágrafo
contém a seguinte ressalva: “Deve ser compreendido que todas as ordens dadas
com base na presente instrução são medidas de precaução para o caso em que a
Rússia modifique sua atitude em relação a nós...” Seguindo seu hábito, Hitler
não se compromete de maneira rígida. Todas as possibilidades continuam
abertas diante dele... ...
Weihnacht, Natale, Noel, Christmas... Hitler, empaturrado de vitórias, falha no seu
objetivo: a vitória em 1940. O inverno, como o precedente, é excessivamente
rigoroso. Mussolini, cheio de amargura, observa a neve cair em Roma ao dizer
a Ciano que gostaria que fizesse ainda mais frio. Explica: “Para endurecer a
população de covardes, a raça inferior que me coube conduzir”. A França, mais
vencida do que jamais esteve em toda a sua História, encolhe-se em sua
miséria e humilhação. A Luftwaffe quase poupa Londres no dia 25, mas a 29 lhe
inflige o mais cruel bombardeio até então conhecido: 1.500 incêndios, o
Guildhall reduzido a cinzas, 8 igrejas destruídas. No mar, apesar das
tempestades, os submarinos destruíram, durante o mês, 360.000 toneladas de
navios mercantes. Nos Estados Unidos, Roosevelt, em 24 de dezembro, na tradicional mensagem de Natal, refere-se com a maior hostilidade em relação às potências do Eixo, cuja destruição profetiza. Mas somente alguns íntimos conhecem o pensamento que ele deixa amadurecer sob o céu tropical, durante um cruzeiro de pesca pós-eleitoral. “Um vizinho - disse Roosevelt - empresta seu extintor de incêndios a outro cuja casa está em chamas...” Ele procura um meio de emprestar à Inglaterra as armas que seus recursos financeiros em declínio bem cedo não mais lhe permitirão comprar. |