Tópicos do
capítulo:
Montgomery no
comando do 8° Exército
20 de outubro:
começa a Operação Torch. De Gaulle excluído
Giraud quer ser
comandante-chefe
23 de outubro:
gaitas de fole à frente, os britânicos atacam El-Alamein
Rommel desobedece
e se retira
8 de novembro:
desembarque aliado na África do Norte
Darlan está em
Argel, mas Murphy ignora isso
Laval vai ao
encontro de Hitler
A Wehrmacht na
Zona Sul francesa. Pétain fica
27 de novembro:
em Toulon, os franceses afundam a própria esquadra
24 de dezembro:
Darlan assassinado, é substituído por Giraud
Momento decisivo A longa guerra do deserto havia criado nos
combatentes um estado de espírito característico: particularismo, orgulho,
amargura, convicção de que seus serviços e seus sofrimentos eram
menosprezados pela mãe-pátria. A nomeação de Bernard Montgomery, oficial
estritamente metropolitano, para chefia do 8o Exército, foi
acolhida com má-vontade e apreensão. Sabiam-no distante e inflexível, inimigo
militante do álcool e do fumo, e tão rigorosamente puritano que havia feito
rir toda a BEF de 1940 com uma circular sobre os terríveis perigos das
doenças venéreas e sobre a importância militar da castidade. Passava por ser
extremamente severo em relação à apresentação pessoal do soldado e apaixonado
pelas manifestações exteriores de respeito. Ora, o 8o Exército
havia praticamente abolido a continência e não era raro, sobretudo entre os
australianos, que os oficiais-generais, em inspeção, fossem acolhidos por
moços que apenas traziam como roupa a insígnia do posto colada ao ombro com
esparadrapo. Os veteranos do deserto colocaram-se espontaneamente em estado
de resistência contra um novo chefe tão oposto a seus costumes e tradições. A prevenção subsistia quando, nos dias 19 e 20 de
outubro, todos os oficiais de patente superior à de major foram convocados ao
Cairo e reunidos no Cinema Amaryia. Montgomery lhes expôs o plano de ofensiva
contra El-Alamein. Sua intenção, era, em uma primeira fase, destruir as divisões
inimigas alinhadas para um combate frontal. Em uma segunda fase, uma brecha
seria aberta e explorada segundo os processos comuns da guerra do deserto. A
batalha, cuja data era comandada pelas lua cheia, começaria, na noite de 23
de outubro, por uma violenta preparação de artilharia. Poucos assistentes ocultaram a impressão que havia
tido ao ouvir o comandante-chefe. A clareza e a secura metálica da exposição
atestavam a capacidade e a energia do recém-chegado. As razões que lhe
ditavam a manobra haviam sido fortemente deduzidas. O movimento de ala,
segundo o estilo de Auchinleck e de Rommel, estavam interditados pelo prato
do front germano-italiano, apoiado, de um lado, ao mar e, do outro, à
intransponível depressão de Catara. A superioridade do 8o
Exército, em artilharia e em aviação, permitia-lhe, por outro lado, desgastar
o inimigo. El-Alamein foi, sistematicamente, uma batalha de desgaste, uma
ressurgência de 1917, no Saara. Em algarismos brutos, a superioridade britânica é
de 220.000 homens contra 108.000; 939 tanques, contra 548, etc. Os italianos
contam com 55.000 soldados e 229 tanques - e nem seus homens, nem suas
máquinas estão no escalão de seus inimigos. Os próprios alemães dão sinais de
desgaste. O material exauriu-se. Os homens sentem fome. O estado sanitário é
deficiente. No espaço de 10 dias, todos os principais lugar-tenentes de
Rommel baixam ao hospital: Gause, por esgotamento; Westphal, por icterícia;
Mellenthin, por disenteria amebiana, etc. O próprio Rommel deixou a África
para cuidar do fígado e fazer baixar a pressão. De passagem, em Roma, tenta
interessar Mussolini, mas só consegue um acolhimento desdenhoso e hostil. No
QG do Fuhrer, encontra um otimismo beato, promessas mirabolantes, mas vagas,
e as estúpidas fanfarronadas de Goering, repetindo que os americanos não são
capazes de fazer outra coisa além de lâmina de barbear. O general que comanda em sua ausência é, como
Montgomery, um novato no deserto: esse mesmo Stumme, que vimos, na Ucrânia, à
beira do pelotão de execução. Desenvolve uma grande atividade, mas sem chegar
a adquirir ascendência sobre os rabugentos veteranos do Afrika Korps. |
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Intrigas e
preparativos em Argel
No momento em que Montgomery confia seus segredos
a todos os oficiais superiores de seu exército, começa a Operação Torch.
Substituindo a Operação Gymnast, esse nome convencional designa o desembarque
na África do Norte francesa. No dia 20 de outubro, o primeiro comboio lento
com destino a Marrocos e à Argélia deixa a baía de Chesapeake. A sorte está
lançada. A decisão fora tomada a 22 de julho. O entusiasmo
do comandante-chefe designado, Dwight Eisenhower, é medido pela reflexão que
comunica a seu oficial de ligação, o Capitão-Tenente Harry Butcher: “Receio
muito que o dia 22 seja o dia mais negro da história”. Marshall, Stimson e
todos os estados-maiores combateram a expedição, mas Churchill ganhara a
confiança de Roosevelt e os técnicos da estratégia tiveram que se inclinar. O desembarque em terra francesa colocava, em
relação aos franceses ultrajados, um problema delicado. A África do Norte era
defendida por 200.000 homens, de armamento insuficiente e estoque de munições
muito pobre, mas cuja disciplina e cujo enquadramento permaneciam excelentes.
A oposição desse exército, podendo transformar o desembarque em desastre,
tornava de uma importância capital que uma preparação política apropriada
obtivesse a abertura espontânea da África do Norte ou, pelo menos, reduzisse
a resistência a um combate simbólico e breve. De Gaulle foi excluído dessa preparação política.
Todas as sondagens no Exército e na população civil terminavam por confirmar
que o degaullismo era detestado. Na França ocupada, De Gaulle poderia ser
considerado, quase unanimemente, um símbolo da resistência nacional. Na
França não ocupada, sua posição moral, de início extremamente fraca,
reforçava-se com a deterioração do regime de Vichy e a nazificação do governo
de Laval. Na África do Norte, porém, De Gaulle permanecia como um oficial
rebelde, cúmplice do atentado a Mers el-Kebir, autor da agressão de Dacar,
culpado do fratricídio da Síria. A África do Norte mantinha-se firmemente
atrás do Marechal - e foi unicamente entre os partidários deste que os
americanos procuraram ajuda. Robert Murphy empenhava-se nisso. Conselheiro da
Embaixada Americana em Vichy, acreditado em Argel com o título de
cônsul-geral, era, ao mesmo tempo, representante pessoal do Presidente
Roosevelt e agente do Office of Strategic Services (OSS), ministério da
espionagem e da ação oculta. Seu catolicismo e seu conservantismo o
aproximavam dos dignitários franceses da África. Não demorou a descobrir a
competência e a habilidade com que eles continuavam a fazer reinar a lei
francesa entre as populações mistas e em território imensos. Constatara o
ardor de seu patriotismo e, sob as inibições da derrota, o ódio à Alemanha, o
desejo de revanche que os animava, em sua maioria. Foi com tais homens que
Robert Murphy acreditou poder preparar a reunião de Magrebe. A tarefa havia começado com Weygand e antes de
Pearl Harbor. Murphy conseguira concluir um acordo, para um abastecimento
limitado da África do Norte. Com um pouco de açúcar e de tecidos de algodão,
enviados dos Estados Unidos, esperava um movimento de simpatia das massas
indígenas. Além disso, o acordo permitira a implantação de 11 pretensos
vice-cônsules - que eram, apenas, agentes disfarçados do OSS. A inconcebível
negligência alemã permitiu que essa rede subsistisse após o início das
hostilidades entre a Alemanha e os Estados Unidos. Quando Weygand foi chamado de volta, em novembro
de 1941, o Almirante Leahy desanimou por completo. Classificou a reação
francesa às exigências alemães de jellyfishlike, em comparação à consistência
da medusa, propôs que fosse denunciado o acordo sobre o abastecimento e
conseguiu ser chamado de volta. Murphy permaneceu e perseverou. Pouco a
pouco, um grupo de conjurados constituiu-se em torno dele: militares,
funcionários, colonos, membros das Chantiers de Jeunesse - com nomes como os
do General Mast, do General De Monsabert, de Henri d’Astier de La Vigerie, de
Tarbé de Saint-Hardouin, de Vans Heck, de Jean de Rigault, de
Lemaigre-Dubreuil. Esses conjurados de Argel são todos conservadores
e, em parte, realistas que sonham prolongar, pela monarquia hereditária do
Conde de Paris, a monarquia de circunstância do Marechal Pétain. Murphy
responde pelo patriotismo desses homens, e tem razão. Mas dificilmente vence
a suspeita resultante da coloração política deles ou dos postos que aceitaram
do Governo de Vichy. Por uma razão, ou pela razão contrária, tudo quanto é
francês está sob suspeita. “É notório - escreve o Almirante Leahy - que De
Gaulle está cercado de espiões e que todas as informações que recebesse sobre
nossos projetos seriam, imediatamente, conhecidas dos alemães”. Mas os
conjurados de Argel, são honrados com uma confiança maior. Murphy é, sem
cessar, advertido de que não lhes deve dar qualquer indicação sobre o
mecanismo e a data do desembarque. Eles conspiram no escuro. A melhor maneira de prevenir toda resistência da
África do Norte consiste em encontrar uma alta personalidade francesa que, no
momento oportuno, dê a ordem de aderir à causa aliada, Leahy submeteu o
assunto a Pétain: “Que faria no caso de um desembarque na África do Norte?” -
“Resistiríamos”. - “Mesmo contra os americanos?”. - “Mesmo contra os
americanos”. Por sua vez, interrogado, Weygand respondeu que voltara a ser um
simples particular, incondicionalmente fiel ao Marechal e, aliás, velho
demais para ser um conspirador. Pensou-se, então, em um brilhante produto da
escola de Lyautey, o residente-geral Auguste Nogues, cuja mão competente e
firme mantém o Marrocos dentro de uma lealdade exemplar. Sabe-se que ele
hesitou dois dias, antes de ficar surdo ao apelo de 18 de junho de 1940 e que
vangloria de que nenhum alemão passou o pórtico da Residência - se bem que
Robert Murphy não tenha feito rodeios, no fim de um bom jantar, para evocar a
hipótese de um exército americano de meio milhão de homens surgindo na África
do Norte e arrastando-o à estrada da vitória. Nogues saltou: “Não faça isso!
Se tentar, vou recebê-lo com toda a força das armas de que disponho. É muito
tarde, de agora em diante, para que a França volte à guerra...”. E
acrescentou esta reflexão que ilustra a forma de patriotismo determinante de
seu pensamento: “Se o Marrocos se tornar um campo de batalha, está perdido
para a França!...”. A lista das coisas viáveis estava esgotada quando
um episódio romanesco lhe introduziu um nome novo: o de Henri Honoré Giraud. Giraud: este relato deixou-o prisioneiro das
planícies do Cambresi. Em abril de 1942, com a idade de 63 anos, ele foge da
cidadela de Königstein, valendo-se de uma corda de nós, e retorna à França
não ocupada. O acolhimento que recebe é moderado. Muitos o censuram pelas
represálias que atrai sobre os prisioneiros e Laval pede-lhe que volte ao
cativeiro, para apaziguar a cólera de Hitler. Por um instante abalado, Giraud
acaba recusando voltar ao jugo. Em troca do compromisso de nada fazer que possa afetar, em qualquer coisa, as
relações francesas com o Governo alemão, é autorizado a se retirar para o
recesso da família, nos arredores de Lião. Em aparência, não é mais que um
velho general a esperar, na inatividade, uma decisão das armas à qual é
estranho. Mas uma intriga, de singular audácia em tempos de polícia
dominante, enreda-se em torno dele. Giraud vivera, no Marrocos, as horas mais
gloriosas de sua carreira e o Governo dos Estados Unidos acredita encontrar
nele o chefe que, apesar de Pétain e de Weygand, lhe trará a adesão da África
do Norte. Em nome do Presidente Roosevelt, o encarregado de negócios
americano em Vichy, Pinckney Tuck, lhe faz propor, pela vice-consulesa em
Lião, colaboração em uma ação militar contra a Alemanha. Giraud impõe suas
condições, das quais uma é nada menos do que “o comando supremo das tropas
aliadas no local em que as tropas francesas combaterão”. Está convencido de
que a ação cogitada ocorrerá na França metropolitana e, vestindo a pele de
comandante-chefe, impõe-se o dever de elaborar um plano de operações, visando
o estabelecimento de uma cabeça-de-ponte na costa mediterrânea, de
Port-Vendres a Toulon. Uns 250 aviões de caça e três divisões americanas,
“passando a ficar sob o comando francês a partir de sua chegada a terra”,
parecem-lhe suficientes. No espírito de Giraud, a África do Norte deve ser
a base posterior da cabeça-de-ponte no Languedoc. “Aceita” que o Estado-Maior
regule as operações de desembarque, mas exige que todas as forças fiquem sob
sua autoridade “48 horas depois do desembarque do primeiro comboio”. Os conjurados
de Argel, cujos conservantismo e realismo encontram em Giraud apaziguamentos
ou esperanças, prepararão a ligação com o exército da África. Ninguém ousou
abordar Juin, comandante-chefe das forças terrestres, uma vez que ele fora
libertado pelos alemães sob o compromisso de não retomar armas contra eles,
mas o general Mast comanda a divisão de Argel e Giraud faz dele seu
representante na África do Norte. Lemaigre-Dubreuil prodigaliza-se, salta de
Argel a Lião, dá-se a ilusão de ser o primeiro-ministro de um governo
clandestino. Mas nem ele nem Giraud são mais informados das intenções
anglo-americanas do que o Alto-Comando da Wehrmacht. No plano estratégico, a
expedição da África do Norte deveria tornar inútil a batalha de El-Alamein.
No momento em que falta tonelagem, é paradoxal, para a Inglaterra e para os
Estados Unidos, reforçar o 8o Exército, em troca do imenso desvio
do cabo, em lugar de aplicar no Magrebe os meios necessários para apressar a
vitória e cair fortemente sobre a linha de retirada de Rommel. Mas as
apreensões com que os americanos consideram a aventura africana continuam a
aumentar. Empenhar-se além do estreito de Gibraltar lhes dá a impressão de
que estão metendo a cabeça em um nó corrediço. Ainda mais do que uma
resistência francesa, temem uma intervenção da Espanha. Franco pode
considerar o desembarque como uma grande agressão indireta, fechar o
Mediterrâneo e, surgindo do Marrocos Espanhol, cortar, em Fêz, o frágil
cordão umbilical entre o Marrocos e a Argélia. Foi preciso a insistência de
Churchill para que o desembarque fosse estendido até Argel - enquanto todas
as veleidades para agarrar também Túnis, no primeiro lançamento da rede,
foram abandonados. É justo reconhecer que são fracas as
possibilidades aliadas. Tão fracas, que constituem um segredo a mais. Os
planejadores haviam estimado em 250.000 homens os efetivos indispensáveis.
Aos conjurados de Argel não se falará mais do que em meio milhão. Na
realidade, só foram encontrados 113.000 homens, espalhados por três
destacamentos, sob as ordens dos generais Patton (Casablanca), Fredendall
(Orã) e Ryder (Argel). Os ensaios, realizados na Escócia e na Irlanda do
Norte, dão prova de tal inexperiência, que Eisenhower, ele próprio
inexperiente, não dissimula sua angústia. Ditada pela necessidade política de
fazer alguma coisa, a expedição à África do Norte é, militarmente, prematura.
Seria preciso fortalecê-la com os reforços prodigalizados a Montgomery. Prefere-se contornar o problema. Em lugar de ser
considerada como supérflua, uma vitória em El-Alamein é encarada como
necessária ao êxito do desembarque. “Isto modificará de maneira decisiva -
escreve Churchill - a atitude dos franceses em relação à operação Torch”. Daí
o ajustamento cronológico das duas operações. A lua cheia do dia 23 de
outubro dará o sinal de partida a Montgomery. A maré favorável de 7 a 8 trará
os invasores do Marrocos e da Argélia. Espera-se que o intervalo entre as
duas datas seja suficiente para se alcançar um evidente sucesso no deserto. Rommel e
Montgomery em El-Alamein
Para enganar, Montgomery ultrapassou as astúcias
mais refinadas de Rommel. Fez construir um falso oleoduto dirigido para o sul
do front, a fim de convencer o inimigo de que o ataque britânico se produzirá
na orla da depressão de Catara. Os tanques que os alemães descobrem nessa
região, sob camuflagens astuciosamente insuficientes, são falsos tanques de
borracha, enquanto os tanques reais, reunidos no Norte, estão disfarçados de
caminhões. A colocação da infantaria foi feita à noite e os infantes passam
as horas diurnas apertados em estreitas trincheiras, sob nuvens de moscas,
proibidos de se moverem, sob qualquer pretexto. Enfim, o sol do dia 23 de outubro mergulha no
horizonte. A noite veio, fria e clara. Os homens comeram uma refeição quente
e, depois, através das brechas do campo de minas inglês, ganharam
silenciosamente a orla exterior do
campo de minas inimigo. Às 21h40, a preparação da artilharia começa.
Executada em uma frente de 61 km, por 1.200 canhões, dos quais 540 de calibre
superior a 105 mm, não se iguala, em violência, aos tiros de arrasamento da
Primeira Guerra Mundial; no entanto, deveria deixar na memória dos
combatentes de El-Alamein uma lembrança inesquecível de poder e de fúria. Exatamente à meia-noite, uma barreira rolante se
põe em marcha, avançando cerca de 100 metros a cada 5 minutos, seguindo as
boas velhas normas de 1916. A artilharia inimiga permaneceu quase muda, menos
pelo tiroteio da contrabateria do que pela proibição que recebera de consumir
suas munições. Atrás do rastilho da barreira rolante, a infantaria faz
submergirem os ninhos de metralhadoras afogadas nos campos de minas e que
constituíam a posição de vanguarda. Entre os Highlanders da 51a
Divisão, os pipers marchavam à frente e, em meio às explosões, ouvia-se o
estribilho das gaitas de fole. Nos campos de minas, a infantaria progride,
aceitando as perdas. Mas seria necessário abrir brechas para as divisões
blindadas. A tarefa voltava às equipes de sapadores especializados. O
engenheiro sul-africano Du Toit construíra, para eles, um aparelho que batia
o solo, como um flagelo, à frente de um tanque Matilda, mas a poeira
levantada por esse Scorpion era tal, que os obrigou a renunciar a utilizá-lo.
A retirada das minas continuava a ser tarefa manual. Durante toda a noite,
enquanto a infantaria seguia a barragem, os sapadores trabalharam,
localizando as minas e retirando-lhes os detonadores às apalpadelas. De madrugada, o trabalho ainda não estava
terminado. Das duas brechas, mantidas como reserva para as duas divisões
blindadas do 10o Corpo, uma só era mais ou menos praticável. Os
objetivos da infantaria só parcialmente estavam atingidos. Ao norte somente
duas das cinco divisões do 30o Corpo, a 9a australiana
e a 2a neozelandesa, haviam atravessado o principal campo de
minas. Ao sul, a ação secundária levada a efeito pelo 13o Corpo,
para fixar as reservas inimigas, só registrara fracos resultados e, no
extremo sul, a brigada francesa que atacava o pão-de-açúcar de Himmeinat
enterrara-se nas areias movediças. A preparação da artilharia e o lento
trabalho da retirada das minas deviam ser retomados. Rommel, em seu
estabelecimento termal austríaco, fora informado da ofensiva. Algumas horas
depois, Hitler em pessoa pedia-lhe que voltasse ao seu posto. Stumme era
considerado desaparecido e a violência do ataque não permitia duvidar de que
os ingleses estivessem fazendo o seu grande esforço. No dia seguinte, 25 de outubro, O Fiesseler Storch
de Rommel levou-o para a África. Na escala de Roma, o adido militar alemão,
General Von Rintelen, comunicou-lhe notícias que o encheram de consternação e
de cólera. As disponibilidades de gasolina do Exército Blindado da África só
deixavam, a cada veículo, uma mobilidade de 300 km. Às censuras do Marechal
Rintelen, respondeu, insolentemente, que regressava de uma licença de
convalescença e que o reabastecimento era assunto dos Macaronis. Quando o avião de Rommel pousou em Derna, acabavam
de levar para lá o corpo de Stumme. Ele partira, acompanhado de um único
coronel, Büchting, sem veículo de escolta, para a linha de combate. Perto da
cota 28, a que os ingleses chama O Rim (Kidney Ridge), Kubelwagen fora preso
sob um fogo de metralhadoras e Büchting morto com uma bala na cabeça. Stumme,
homem corpulento, sofrendo de hipertensão, tentara fazer de escudo a
carroçaria do carro, acocorando-se sobre o estribo, mas uma crise cardíaca o
fez tombar, sem que o chofer o percebesse. Só depois de dois dias seu corpo
foi encontrado. Sustentada por oito divisões de infantaria, das
quais seis italianas, a posição de El-Alamein ainda está intacta. Mas as seis
divisões motorizadas ou blindadas (3 alemães, 3 italianas) devem
contra-atacar, sem cessar. Os ingleses possuem uma defesa antitanque,
extremamente poderosa; desde o dia 25 à noite, só restam, da 15a
Panzer, 31 tanques válidos, dos 119 que possuía pela manhã. Rommel sabe o que
seria preciso fazer: desprender-se. Escapar a essa artilharia esmagadora, que
atira na proporção de 500 obuses contra 1, voltar à guerra móvel, que permite
compensar a inferioridade, pela habilidade. Mas a escassez de gasolina é tão
grande, que as unidades mecânicas apenas conseguem executar os movimentos
táticos indispensáveis. Esperava-se com impaciência a chegada do navio-tanque
Proserpina, trazendo 7.000 toneladas de gasolina. Mas o barco foi afundado ao chegar a Tobruk, o mesmo
ocorrendo ao Louisiano, enviado para substituí-lo. Rommel deve suportar a
vontade de Montgomery, aceitar a batalha de desgaste, na qual seu adversário
pode permitir-se perdas que vão do triplo ao décuplo das quais ele está em
condições de suportar. No entanto, a ofensiva inglesa está em crise! No
dia 26, Monty deita-se às 10 horas, como todas as noites, mas os relatórios
do fim do dia são tão decepcionantes, que seu chefe de estado-maior, Sir
Francis de Guingand, toma a iniciativa de convocar ao PC ambulante os
generais Leese e Lumsden, comandantes respectivamente, do 30o e do
13o Corpos. Eles chegam às 3h30, mortos de cansaço: Montgomery,
descontente por ter sido acordado, recebe-os como cães. A ofensiva, decreta
ele, terá prosseguimento nas mesmas condições que na véspera, até o desgaste
total do inimigo. No dia seguinte, à luz do sol, Montgomery muda de
opinião e decide alterar a manobra. O 13o Corpo será posto na
defensiva e a 7a Divisão Blindada, que lhe está afeta, subirá com
ele para o norte e se juntará ao 10o Corpo. A 2a
Divisão neozelandesa será retirada do front, para reconstituir uma massa de
choque. Vários dias são necessários para esses reagrupamentos e o
retardamento da batalha dá ao 8o Exército a impressão de que a
ofensiva fracassou. De longe, a impressão é ainda mais viva. Churchill
explode em fúria: “Será que nuca daremos sorte de encontrar um general capaz
de ganhar uma batalha?”. E redige um telegrama pedindo a Alexander a substituição
de Montgomery. A muito custo Brooke consegue obter um sursis para seu amigo. O novo ataque, a 2 de novembro, é uma ação ainda
mais metódica e ainda mais minuciosamente cronometrada do que a de 24 de
outubro. O assalto principal será travado por duas brigadas unidas, em uma
frente de apenas 4 km, e a profundidade da progressão da infantaria está
limitada a 6 km. Uma brigada blindada acompanhará os infantes. Uma outra os
ultrapassará, para agarrar a crista de Akkuakir, de onde a 1a, a
77a e a 10a Divisões Blindadas desembocarão para
executar a penetração. Os movimentos, as ultrapassagens, os transportes de
armas são regulados com a mais extrema minúcia. É um lento bailado militar,
um drill num campo de manobras, que Bernard Montgomery preparou. A noite de 1o para 2 de novembro é
glacial. Os homens tiritam. A hora H está fixada para 1h05. Como Freyberg
houvesse recusado a infantaria neozelandesa, que, disse ele, já sangrou
demais, Montgomery substituiu-a pela 151a Brigada metropolitana,
recrutada no Northumberland, e pela 152a, composta de escoceses. A
poeira de uma marcha de cerca de 11 km transforma os infantes em fantasmas.
Na obscuridade, a base de partida faz pensar em uma estação, com as suas
lanternas verdes e vermelhas colorindo as passagens praticáveis nos campos
minados. A preparação da artilharia se desencadeia com a mesma violência que
a de 24 de outubro, acompanhada por bombardeios aéreos que iluminam, com
grandes incêndios, as retaguardas inimigas. Por mais calculado que tenha sido
o horário, a progressão não consegue respeitá-lo. A 9a Brigada
Blindada, composta do 3o de Hussardos, da Wiltshire e da
Warwickshire Yeomanries, só ultrapassa a infantaria às 6h15, no momento em
que as primeiras luzes da aurora começam a desenhar alguns postos telegráficos
ao longo da pista de Rehman. Seu chefe, o Brigadeiro Collins, fez observar a
Freyberg que era preciso contar com 50% de perdas, para tomar Akkuakir Ridge.
“Fiz a mesma observação a Monty” -
replicou Freyberg. - “Ele me respondeu que estava preparado para aceitar
100%”. Durante todo o dia, a batalha foi furiosa.
Levantou-se um vento de areia, reduzindo a visibilidade a 30 metros. Os cegos
contra-ataques da 21a Panzer conseguiram localizar os progressos
ingleses. À noite, só restam, à brigada, 19 dos seus 94 tanques da madrugada
- e uma parte de Akkuakir Ridge ainda está com os alemães. Rommel, porém, está esgotado. Restam-lhe 32
tanques, para fazer face à irrupção de 3 divisões blindadas inglesas. Durante
o relativo repouso dos dias precedentes, ele preparou uma retirada
estratégica de uma centena de quilômetros, na posição de Fuka, que, como as
linhas de El-Alamein, se apoia na depressão de Catara. Parece ter chegado o
momento de ordenar o desligamento. No meio dos ataques dos
caças-bombardeiros, caindo sobre seu carro como falcões, ele volta ao centro
de transmissão, instalado perto da mesquita de Sidi-Omar, a fim de enviar
suas ordens. Conta fazer recuar, durante a noite, os elementos não
motorizados. Os elementos mecânicos estenderão um anteparo e tentarão ganhar
24 horas, antes de, por sua vez, baterem em retirada. São 13h30. Uma mensagem do Fuhrer acaba de chegar
a Sidi-Omar, em resposta a um grito de alarma que Rommel lançou, na véspera.
Hitler proíbe qualquer movimento de recuo. “Não é a primeira vez na história
- diz - que uma vontade resoluta irá triunfar sobre grandes batalhões. Não
deveis permitir outra escolha a vossas tropas, além da vitória ou da
morte...”. O deserto nada vale: 50 ou 500 km de Marmarique
não tem o menor significado militar, e já é desarticulando-se ante a
superioridade adversária, recuando até a Tripolitânia, que Rommel se submete
à fortuna das armas. Mas as considerações de prestígio doravante dominam, sem
partilha, o espírito de Hitler. Diante de Stalingrado, a batalha arrasta-se e
o mundo começa a se espantar com a dificuldade que os alemães experimentam
para dominar os defensores de uma cidade, na qual entraram há várias semanas.
A essa impressão de vitória em fim de carreira, junta-se a retirada do
triunfador de Tobruk, a qual produziria um efeito moral desastroso. Hitler
recusa-se a aceitá-la. Seu pensamento, suas conversas voltam,
irresistivelmente, ao precedente do inverno 1940-1941, ao Haltbefehl! - que,
dizem-lhe os cortesãos, talvez com razão, salvou e Exército alemão. Com os
pés na areia, ou com os pés na neve, a Wehrmacht não deve recuar um passo. Rommel obedece. As ordens de retirada não partem.
A noite de 3 para 4 escoa-se em relativa calma, mas, ao nascer do dia, a
ofensiva recomeça. Os ingleses atiram todas as suas forças na batalha: jogam
tudo, por tudo. Por toda parte, os italianos cedem. Ao sul, diante
do 13o Corpo britânico, seu 21o Corpo se dispersa. Ao
centro, a Divisão Blindada Ariete, velha companheira do Afrika Korps,
defende-se heroicamente - mas, fracos adversários em face dos Grant e dos
Sherman, seus tanques L e M são destruídos até a última unidade. A Divisão
Littorio, por sua vez, é aniquilada. A Divisão Motorizada Trieste, que cobre
o flanco direito do Afrika Korps, recua. Os italianos cessaram de existir
como força militar constituída. Os que tem veículos fogem; os outros, à falta
de víveres e de água, rendem-se. Os alemães não são poupados. Os Argyll da divisão
escocesa apoderam-se do QG da 15a Panzer e se condecoram com
centenas de cruzes de ferro, que encontram em uma caixa. Tendo passado sobre
o corpo da Divisão Trieste, o 9o Australiano e o 1o
Blindado atingem a costa e cercam os restos da 164a Divisão alemã.
O comandante do Afrika Korps, o Cavaleiro Von Thoma, é capturado ao tentar libertá-la.
Seu chefe de estado-maior, o coronel Bayerlein, foge, a pé, e consegue
alcançar Rommel, no seu PC de El-Deba. A batalha se desenrola em torno deles,
no meio de gêiseres de areia levantados pelas bombas e pelos obuses. Rommel,
irritado, acaba de sustentar uma discussão tempestuosa com o Marechal
Kesselring, que acorrera, em face das novidades. Censurara violentamente seu
superior, por ter alimentado as ilusões de Hitler. Kesselring, respondendo no
mesmo tom, aconselhou Rommel não observar a ordem de Hitler no sentido de
proibir qualquer retirada. Rommel desconfia do conselho, mas as notícias que
lhe chegam fazem-no decidir-se. Ordena a Bayerlein assumir o comando do
Afrika Korps - reduzido a 12 tanques - e retira-se, num salve-se quem puder
para Fuka. “Serei levado à corte marcial, mas, nas presentes circunstâncias,
é meu dever desobedecer...” A corte marcial será poupada a Rommel. Kesselring fez jogo franco e, assim que
chegou à Itália, telefonou a Hitler dizendo-lhe que a defensiva sem sair do
lugar significaria a destruição total e imediata do Exército Blindado da
África. Algumas horas depois, quando a retirada já havia começado, uma nova
mensagem do Fuhrer dá carta-branca a Rommel. A perseguição de Montgomery é das mais suaves. Ele
segue Rommel de longe, repelindo os generais que lhe pedem que acelere o
passo. Explicará, mais tarde, que as chuvas diluvianas salvaram seu
adversário e que ele o teria capturado se o sol tivesse sido inglês. Na
realidade, a retirada de Rommel está mais protegida por seu prestígio do que
pelas máquinas infernais que deixa atrás de si. Montgomery não cessa de
repetir “que não fará como os outros” - isto é, como O’Connor e Ritchie,
reconduzidos a seu ponto de partida por uma reviravolta do inimigo. Recusa
ceder às facilidades do deserto e, na exploração, como no combate, continua a
ser um metódico oficial metropolitano. A vitória não é, por isso, menos completa. O Eixo
perdeu 25.000 homens, ente mortos e feridos, e 30.000 prisioneiros, dos quais
10.724 eram alemães. “Mande tocar os sinos”- telegrafa Alexander a Churchill.
E numa cinzenta manhã de novembro, os sinos de Londres, que não caíram de
seus campanários, os sinos de Londres, mudos desde 1940, os sinos de Londres
que só estavam encarregados de soar para anunciar a invasão, os sinos de
Londres dobram por El-Alamein. A movimentada
invasão da África do Norte
Assim que chegou a Gibraltar, o General Henri
Honoré Giraud foi guiado à casamata que servia de gabinete a Eisenhower. O
americano viu à sua frente um homem de seus dois metros de altura, militar em
cada milímetro de seu porte, sob o traje civil que ainda usava. Giraud havia
sido embarcado na véspera, à 1 hora da manhã, ao largo do Lavandou, com um
mar tão agitado que caíra na água ao passar de seu barco para a ponte do
submarino. Este, o Seraph, pertencia à Royal Navy, mas, para satisfazerem a
uma das exigências do general francês, haviam-lhe dado a nacionalidade
americana ao colocá-lo sob o comando do Capitão Jerauld Wright, da US Navy.
Após 36 horas de cruzeiro, Giraud fora transferido para bordo de um
hidroavião Catalina. Este pousou em Gibraltar a 7 de novembro, às 15 horas.
Um pouco mais tarde, o mal-entendido explodia... Giraud sempre sustentara que o Presidente
Roosevelt havia aceito confiar-lhe o supremo comando das forças aliadas. É
possível que não esteja completamente sem razão e que Roosevelt, ansioso por
se assegurar um concurso que se lhe apresentava como indispensável, tivesse
sido levado a fazer uma promessa irrefletida. Pelo menos é certo que Murphy,
em uma entrevista que tivera, em Londres, com Eisenhower, apoiou a
reivindicação do general francês. O hábil Ike sofismou diante da dificuldade,
respondendo que a questão do comando podia esperar, e Murphy absteve-se de
advertir Giraud de que seu estatuto não estava claramente definido. O evadido
de Königstein entrou no gabinete de Eisenhower como um superior no de seu
subordinado. “O General Giraud - declarou, teatralmente - está pronto para
assumir o comando”. A pretensão era absurda. O desembarque devia
iniciar-se dentro de algumas horas. Não havia mais um único francês nas
forças navais, aéreas e terrestres que se aproximavam das costas da Argélia e
do Marrocos. Giraud ignorava absolutamente tudo em relação à organização, à
logística, aos métodos do exército composto do qual reclamava a direção. Não
tinha a mínima idéia com relação aos Estados Unidos e, a respeito dos
ingleses sentia as violentas antipatias herdadas dos acontecimentos de 1940.
Sua evasão constituíra uma proeza esportiva, mas suas outras folhas de
serviço, durante a Segunda Guerra Mundial, eram as de um general vencido no
segundo dia e capturado no sétimo. Era preciso mais do que candura: era
preciso uma dose fenomenal de vaidade para exigir um papel que só fora
confiado a Foch depois de quatro anos de combates, no curso dos quais o
Exército francês jamais deixara de ser a melhor espada da coligação. E, no
entanto, Giraud quase obteve ganho de causa! Quando se retirou, à meia-noite,
lançando, como um veredicto, “Giraud permanecerá como espectador”, deixou
seus interlocutores em estado de consternação. Os dois conselheiros políticos
de Eisenhower - o inglês Marck e o americano Mattheus - sugeriram que fosse
confiado o comando nominal, mas Eisenhower repeliu essa solução bastarda.
Declarou que, se Giraud mantivesse sua exigência, a expedição prosseguiria,
como se jamais tivesse existido o General Giraud. De Washington, o comitê de
chefes de estado-maior telegrafou sua aprovação. “Apenas lamentamos -
acrescentava a mensagem - que tenha sido obrigado a perder tanto tempo, em um
momento tão importante como este...”. Foi um momento emocionante, é claro! Na véspera,
de Gibraltar, Eisenhower vira passar pelo estreito os comboios com destino à
Argélia. Conduzem, da Inglaterra e da Irlanda do Norte, 49.000 soldados
americanos e 23.000 britânicos, que devem desembarcar em Orã, Arzew,
Castiglioni, Sidi-Ferruch e, mesmo, em Argel e no cabo Matifu. Outros
comboios trazem, diretamente dos Estados Unidos, soldados destinados a
invadir o Marrocos, por Safi, Fedala e Port-Lyautey. Sabe-se, no PC de
Gibraltar, que as operações argelinas começaram às 23 horas,. De acordo com o
programa. Mas, a respeito do Marrocos, reina ansiedade. A dura barra das
praias marroquinas só é transponível em condições de tempo excelentes e as
informações comunicadas pelos submarinos fazem prever uma ressaca de 5
metros. Ike pensa reunir os comboios no porto de Gibraltar, esperando que o
tempo melhore - mas são 24 navios, e a desorganização que a isso se seguiria
o atemoriza. No começo da noite do dia 7, o mar abranda. O
Almirante Hewit, grande chefe das operações de desembarque, assume o risco de
cumprir o programa. O principal objetivo é a pequena cidade de Fedala, onde
19.870 homens e 1.701 veículos devem ser depositados nas praias, para partir
à conquista de Casablanca. Protegidos por 4 destróieres, 12 transportes vêm
ancorar a 2 milhas da costa. Às 4h45, do dia 8 de novembro, as barcaças se
destacam e, em plena obscuridade, dirigem-se para os seis setores entre os
quais o desembarque foi procedido. Marinheiros ou soldados, a maioria dos
oficiais e dos homens participantes desse desembarque noturno em costa
desconhecida, são recrutas, muitos dos quais pela primeira vez respiram ar
marítimo. Saem-se da prova de uma maneira inesperada. Às 5h15, os primeiros
infantes da 3a US Division tomam pé entre os recifes. Em terra, tudo dorme. Ninguém percebera a
aproximação de uma armada. Ninguém percebera a irrupção de um exército.
Ninguém ouve o breve combate que se desenrola no mar, quando o pesqueiro
armado Victoria, interceptado pelo destróier Hogan, tenta abrir-lhe o casco
com o espigão, e, a curta distância, recebe uma saraivada de obuses. Fedala é
defendida pela bateria do Porto e pela bateria de Pont-Blondin, esta última
formada por quatro peças modernas de 138 mm. Permanecem mudas, porque estão
surdas. Tudo dorme. Os grandes movimentos que fazem espumar as vagas
há 15 dias, não puderam passar completamente despercebidos. O Eixo não os
ignora e, em seu cativeiro, a própria França de Vichy é disso informada. Mas
- coisa curiosa - quase ninguém pensa na África do Norte francesa. Alguns
acreditam em uma investida contra Dacar. A maior parte acha que se trata de
uma operação puramente mediterrânea: abastecimento de Malta, desembarque na retaguarda
de Rommel, no máximo uma tentativa de conquista da Sicília ou da Sardenha. O
comando teuto-italiano tomou providências normais e aperta suas forças em
torno do estrangulamento central do Mediterrâneo. À exceção de um grupo de
conspiradores, a África Francesa está absolutamente confiante. Dorme. No Marrocos, após a furtiva tomada de Nogues, um
dos agentes de Murphy, pseudo vice-cônsul King, recrutou o comandante da
divisão de Casablanca, o jovem general de Narvik, Emile-Marie Béthouart. Mas
o inexorável segredo não permitiu que se fornecesse a Béthouart a mínima
indicação sobre as intenções americanas e, sendo das mais precárias as
ligações com os conjurados da Argélia, ele só foi prevenido do desembarque no
dia 7, à meia-noite. Precipita-se para Rabat, desperta Nogues, pressiona-o a
pronunciar-se a favor dos Aliados. O respeito hierárquico e sua experiência
em matéria de conspiração impedem-no, infelizmente, de deter o
residente-geral e de mantê-lo incomunicável. Nogues telefona ao comandante da
Marinha, Almirante Michelier, que desmente haver invasão e declara que se
trata, no máximo, de uma incursão de “comandos” ingleses. Nogues recupera sua
autoridade e faz deter Béthouart. Enquanto isso, falou a pólvora. Em Fedala, a
bateria de Pont-Blondin abriu fogo alguns minutos antes das 6 horas, na bruma
matinal - sem ter idéia da nacionalidade dos navios contra os quais dispara
seus obuses. Em Port-Lyautey e em Safi, os americanos conseguiram desembarcar
com êxito, mas trava-se um combate logo que os franceses saem da surpresa.
Diante de Casablanca, um caça francês, tentando interceptar um avião
americano, foi abatido pela DCA dos navios. Depois, às 7h01, o Jean-Bart,
imobilizado no porto, abre fogo contra o couraçado Massachusetts. Começa a
batalha franco-americana pela posse do Marrocos. As coisas se passam da mesma maneira em Orania:
embora surpreendidos, os franceses se recuperam e resistem. Os destróieres
Hartlord e Walney, com pavilhão britânico, mas transportando infantes
americanos, são afundados pelas baterias costeiras, ao tentarem entrar no
porto de Orã: 200 de seus ocupantes morrem. Argel é o único lugar em que uma cooperação
efetiva foi organizada entre as autoridades americanas e o underground
francês. No dia 23 de outubro, o adjunto de Eisenhower, o General Clark, foi
transportado, pelo submarino Seraph até a costa argelina, onde, perto de
Cherchell, na vila de um colono chamado Tessier, encontrou-se com o General
Mast. O francês transmitiu uma quantidade de informações, mas, preso a seus
compromissos, o americano não pôde retribuir confiança com confiança,
revelando a data do desembarque. Só no dia 4 Murphy é autorizado a desvendar
que a noite de 6 para 7 será a grande noite. Mas está consternado, protesta
contra a falta de confiança implicada nessa tardia revelação e acentua que
lhe falta tempo para pôr de pé um plano eficaz. Murphy só pode erguer os
ombros, num gesto de impotência. Os conjurados devem inclinar-se. Está
entendido que tomarão posse do posto central, das principais sedes administrativas
e do aeródromo de Casablanca, no qual Murphy espera ver surgir Giraud. No dia 7 à noite, as autoridades civis e militares
adormecem, como em todas as noites. Um dos que dormem é o General Juin.
Despertado, em sua vila de El-Biar, As Oliveiras, onde sucedeu a Weygand,
surgiu de pijama cor-de-rosa, diante de Murphy, para receber de chofre a
notícia do desembarque. Intimado a tomar posição, hesita e por fim declara
que se pronunciaria imediatamente, se estivesse sozinho. “Mas, como sabe,
Darlan está em Argel. Ele é meu superior e cabe-lhe a decisão”. Darlan em Argel? Não, Murphy não o sabia. Um
elemento novo, estranho e dramático, introduz-se no imbroglio
franco-americano. Quando o Almirante Leahy estava em Vichy, Darlan o
seduzia: “Se o senhor vier com 50.000 homens, dou-lhe um tiro. Se vier com
500.000, abro-lhe os braços...”. Leahy partiu. Darlan esforçou-se para
permanecer em contato com Murphy. Fez-lhe sentir, pelo Almirante Fenard,
secretário-geral da Argélia, que a volta de Laval ao poder o deixa, a ele,
Darlan, na chefia das forças armadas e em nada modifica a autoridade suprema
que exerce na África. Outro intermediário é o próprio filho do almirante, o
segundo-tenente da Marinha Alain Darlan. “Meu pai - explica ele a Murphy -
deve usar de reservas, em relação às forças alemães de ocupação, mas procura
o meio de fazer com que os soldados e os navios franceses participem dos
planos aliados para a África e, eventualmente, para a França”. Murphy presta
contas a Roosevelt, que, por sua vez, informa a Churchill. Daí o
surpreendente comentário deste a Eisenhower, quando este partiu para a
campanha da África do Norte: “Por mais que eu odeie Darlan, serei capaz de
rastejar diante dele, por uma milha, para que nos traga os navios de
Toulon...”. Aliás, um telegrama presidencial, de 16 de outubro, autorizou
Murphy a negociar com o Almirante Darlan “todas as conciliações que julgue de
natureza a facilitar o desembarque”. A idéia de utilizar o antigo delfim do
Marechal entrara sem dúvida alguma, nos cálculos americanos. Entretanto, a surpresa de Murphy não era fingida:
ele ignorava a presença de Darlan em Argel. Quatro dias antes, Alain, vítima
de um ataque de paralisia infantil, estivera em perigo de vida. O Almirante
chegara no dia 5, incógnito, e contava levar seu filho para a França, no dia
seguinte. Nenhuma das suspeitas que legitimamente se levantaram quanto a essa
coincidência fora verificada: só por uma circunstância imprevisível a
terceira força de Vichy se encontra na África do Norte na noite em que os
Aliados surgem, vindos do mar. Darlan mora na casa do Almirante Fenard. Tirado do
sono, acorre com este último e o Almirante Battet. Posto por Murphy a par do
que se passa, fica vermelho. Depois, explode: “Já há muito tempo sei que os
ingleses são estúpidos. Acreditava que os americanos fossem mais
inteligentes. Mas vejo que se eqüivalem. Se tivessem esperado algumas
semanas, teríamos agido juntos, dentro de um plano de cooperação estabelecido
não somente para a África, mas também para a França. Quiseram marchar sós!
Pergunto-me que será de meu país!”. Furiosamente, Darlan anda pela sala. O grande
Murphy anda a seu lado, procurando ajustar suas largas passadas ao passo
nervoso do pequeno almirante. Ele fala e mente, quadruplica os efetivos da
invasão, para lembrar a Darlan que ele prometera abrir os braços a 500.000
homens e que eles estão ali. Darlan não responde mas explode de novo ao ouvir
o nome de Giraud: “Ele não pode ir além de um general-de-divisão! É uma
criança! Não compreende nada de nada e não lhe servirá de nada!”. A decepção
e a frustração afogam o homem que, de repente, vê todos os seus cálculos
reduzidos a pó. Engajado no campo que está perdendo, atravessou sem
catástrofe a cólera de Hitler, sobreviveu ao retorno de Laval - e deixava amadurecer
uma reviravolta que o levasse aos vitoriosos. Tudo por terra! O passeio furioso, desgaste mecânico da cólera,
dura um quarto de hora. Depois, Darlan acalma-se e senta-se. O que ele quer,
agora, é ganhar tempo e, de início, verificar a importância do desembarque.
Como Juin ao lembrar-se de Darlan, este se lembra de Pétain. Lembra-se de que
prestou juramento ao Marechal e que nada pode fazer sem seu consentimento.
Pede para prestar-lhe contas e esperar suas instruções. Murphy consente. Aceita, também, que os almirantes
e os generais ganhem seus postos de comando - mas os jovens que cercam “As
Oliveiras” tem mais juízo do que um cônsul-geral dos Estados Unidos. De
metralhadora nas mãos, barram o caminho. “Então, somos prisioneiros?” -
pergunta Juin. “Está-me parecendo”- replica Murphy. “Mas, então - pergunta
Darlan -, como poderei comunicar-me com Vichy?”. O vice-cônsul americano
Kenneth Pendar oferece-se para levar uma mensagem à central de transmissões.
Os homens da resistência o deixam passar. Termina o dia. Os franceses dormitam. Murphy
atormenta-se. As tropas americanas deveriam ter aparecido às 2h30: são 6h30 e
ainda estão sendo esperadas... De repente a situação se modifica. Surgindo em
torno da vila, guardas das forças móveis desarmam os conjurados e libertam os
generais. Murphy, empurrado para um cubículo, é deixado sob a guarda do
Almirante Fenard, enquanto Juin e Darlan ficam no Forte Imperador. A tarde
começa, o representante do Presidente Roosevelt pergunta-se, com suores de
agonia, se não se teria enganado de dia e qual seria a situação política de
um diplomata que encabeça uma rebelião no país em que está acreditado... Enfim, às 15 horas, as portas se abrem e Darlan
aparece. A invasão não era uma quimera. Colunas americanas, retardadas por
erros de orientação, entram em Argel, e Darlan pede a Murphy que estabeleça
contato com o general que as comanda. Murphy parte, com a bandeira dos
Estados Unidos e uma bandeira branca, encontra um contingente de vanguarda
comandado por um tenente desconfiado, e depois, sob uniforme de um Ranger
americano, dá com Randolph Churchill, filho de Winston, que o conduz ao
General Ryder. Este concorda em acompanhar Murphy ao Forte Imperador. Um
cessar fogo local é ordenado antes do cair da noite. As perdas se reduzem a
um pequeno número de vítimas e ao destróier britânico Broke, tão rudemente
repelido no porto de Argel que afundará algumas horas depois. Três dias de
sangue ainda serão necessários para esclarecer a situação no conjunto da
África do Norte. No dia 9, Giraud desembarca no aeroporto de Blida.
Fica surpreso por não encontrar ninguém à sua espera. E mais surpreso ainda
por verificar que é considerado um rebelde pela maior parte do exército da
África. Temendo ser detido, esconde-se na cada de Lemaigre-Dubreuil, na
Casbá. Em Orã, em Port-Lyautey, em Safi, continuam os
combates. Em Casablanca, o porto enche-se de destroços, mas a resistência
prossegue. A rádio traz as ordens do Marechal: “Sempre disse que
defenderíamos nosso império contra o agressor, qualquer que ele fosse.
Estamos sendo atacados e defendemo-nos. É esta a ordem que dou...”. Mas a
defesa, em si, é sem esperança. Prolongando-se, porém, ameaça abrir uma
brecha irreparável entre a França e os Aliados. Uma vez “esvaziado” Giraud, os americanos não
levam muito tempo para descobrir que o único homem com capacidade para deter
a funesta luta é Darlan. Ele encarna uma legitimidade, uma fidelidade ao
juramento cuja força e cuja sinceridade eles descobrem com surpresa. Vindo de
Gibraltar, Clark faz pressão contra ele, ameaça mandá-lo prender e, a 10 de
novembro, arranca-lhe, enfim, “em nome do Marechal”, a ordem de cessar fogo.
Precisamente nessa ocasião, Orã capitula e Casablanca está na iminência de
ser bombardeada. Os combates param imediatamente. Os
anglo-americanos tiveram 700 mortos e perderam 29 navios, dos quais 3
destróieres e 7 transportes. As perdas humanas francesas são mais ou menos
equivalentes e as perdas de navios sensivelmente mais pesadas. A força naval
que se encontrava em Casablanca foi destruída. O Jean-Bart repousa no fundo
das águas do porto. Oito submarinos não regressaram e quatro destróieres que
se sacrificaram ao arremeter contra a poderosa frota americana foram
afundados. A reação pública de Pétain é imediata: Darlan é
renegado, destituído, substituído por Nogues. Vãmente, é reiterada a ordem de
combater até o fim. Os processos do após-guerra estabelecerão, contudo, que
mensagens transmitidas por código secreto deram a Darlan a aprovação da
Marechal. O caso se perde nos meandros de um jogo duplo. A decisão de
Pétain: “Eu fico...” Os acontecimentos de novembro de 1942, na África,
marcam uma grande etapa da guerra. A contra-ofensiva das potências marítimas
toma impulso. Antes de El-Alamein, só haviam conhecido derrotas; depois de
El-Alamein, só conhecerão sucessos. Repercussões mais imediatas atingem a França e os
franceses. Eles já estavam divididos; ficarão ainda mais divididos. Podiam
persuadir-se de que sua derrota os havia deixado em uma situação privilegiada
entre os povos subjugados da Europa: a ilusão vai ser desfeita. O neutralismo
e a atitude expectante de Vichy estão ultrapassados. As posições vão ser
tomadas, daí por diante, em torno da própria causa alemã e, na guerra
mundial, vai inserir-se uma guerra civil francesa. Para De Gaulle, as condições do desembarque na
África do Norte constituíam uma ofensa deliberada. Churchill havia pedido a
Roosevelt permissão para informar, com alguns dias de antecedência, o chefe
dos franceses livres, confiando o segredo do desembarque à sua honra de
soldado. Roosevelt respondera com uma recusa cortante. De Gaulle só foi
convocado a Downing Street a 8 de novembro, ao meio-dia, para saber, pela
boca de Churchill, o que toda a Inglaterra já sabia. A explosão esperada não
se produziu. De Gaulle limitou-se a algumas observações de ordem militar,
declarou que os Aliados cometiam uma pesada falta não desembarcando em Túnis
e retirou-se envolto em fria dignidade. Na mesma noite, lançou um apelo aos
franceses da África, convidando-os a se reunirem aos Aliados, “sem
preocupação de fórmulas ou de nomes”. Nem por isso a situação era menos
singular. O Império francês encontrava-se dividido em três partes: os
territórios que obedeciam a De Gaulle, os territórios administrados por Argel
e a metrópole, governada por Laval. À altura da calma olímpica - e hábil - do
General De Gaulle não estavam os seus partidários, cujo furor não teve
limites, diante do despojamento de seus chefe. Precipitando-se para a French
Delegation, no 526 da Quinta Avenida, em Nova York, para gritar seu
entusiasmo, o deputado exilado Henri de Kérillis só encontrou “olhares
oblíquos e bocas amargas”. O tom antiamericanista dos órgãos degaullistas
atingiu a um diapasão inaudito. O jornal “La Marsellaise” imprimiu isto: “A
ocupação por nossos aliados americanos, de uma terra que nos custou tanto
sangue atinge mais gravemente nosso país do que a ocupação, pelos
hitleristas, dos departamentos franceses. Porque o atinge em sua honra”. Em Vichy, na noite do dia 7, Mr. Tuck remetera ao
Marechal Pétain uma mensagem do Presidente Roosevelt apresentando a invasão
da África do Norte como uma medida preventiva e pedindo à França que se
unisse aos Aliados. Algumas horas depois, outra mensagem era levada ao Hôtel
du Parc, pelo representante da Alemanha, o cônsul-geral Krug von Nidda.
Hitler advertia ao Governo francês que uma ruptura de relações diplomáticas
com os Estados Unidos não seria considerada como uma réplica suficiente à
agressão na África do Norte. Pedia à França que declarasse guerra às
potências anglo-saxônicas e comunicava que esperava Pierre Laval em Munique,
onde uma conferência germano-italiana se reuniria no dia seguinte. O descontentamento e a confusão reinavam em
Munique. “Atmosfera de velórios - anota uma testemunha. Tomado por sombria
apatia, torturado por suas dores de estômago, Mussolini recusara-se a viajar.
Ciano sofreu, em seu lugar, o monólogo de Hitler. O tema desse era de que o
desembarque anglo-americano não apresentava qualquer perigo e que as 42
divisões alemães estacionadas no Oeste excluíam a possibilidade de uma
invasão da Europa em prolongamento à irrupção na África. Impunham-se, porém,
duas medidas de segurança: a ocupação da totalidade do território francês e a
instalação das forças do Eixo na Tunísia. O Fuhrer estava decidido a ouvir
Laval, que, vindo por terra, fora retardado pelo nevoeiro - mas nada do que
ele pudesse dizer modificaria suas decisões. Laval chegou às 4 horas da manhã, esgotado. A
Vichy que havia deixado esperava a ocupação total e pressões se exerciam
sobre o Marechal para que ele aproveitasse a ocasião de reconduzir a França a
seu campo natural. Vindo de Saint-Raphael, no avião que Pétain lhe havia
enviado, Weygand trocara com Laval, de partida para Munique, algumas flechas
ardentes. “Senhor Laval, o senhor tem contra si 95% dos franceses”. “Diga 98%
- mas farei a felicidade deles, apesar disso”. Dois clãs, tensos até o ódio, dividiam a capital
provisória. Por ordem do General Verneau, o pequeno exército do armistício
tomava disposição de combate e dava-se por missão de sacrifício conceder a
Pétain o tempo de ganhar Argel. Uma pungente inquietação oprimia Laval diante
desses redemoinhos de patriotismo. Ele odiava afastar-se em circunstâncias
assim decisivas. Mas não lhe parecia possível furtar-se a uma convocação de
Hitler. Estava, aliás, resolvido a recusar a entrada da França em guerra.
Desde às 11 horas do dia 10 de novembro Laval permanecia, de pé, no mesmo
salão onde, em 1938, Chamberlain e Daladier haviam dado a Hitler uma vitória
sem luta. Ciano o pintou deslocado no meio dos uniformes, em seu traje de
camponês, tentando, sem sucesso, divertir com desenvoltos gracejos os tipos
armados que o cercavam. Hitler o fez esperar por várias horas, mas, como
prometera, ouviu-o. Duas coisas embaraçam o Auvergnat: a proibição de fumar
diante do Fuhrer e uma palavra que lhe havia segredado Abetz, para informá-lo
de que o cessar fogo fora ordenado por Darlan. Entretanto, defendeu sua causa
com brio e despediu-se do Fuhrer encantado com a sua paciência e urbanidade.
Seu primeiro movimento foi precipitar-se ao telefone, para dizer a Vichy que
nada fizesse, que nada decidisse antes de seu regresso. Espantosas
represálias, a polonização da França, seriam a sanção ao mínimo erro. No momento em que Laval retomava seu caminho, na
manhã de 11 de novembro, o Governo de Vichy recebia uma visita, depois de ter
tolhido, golpe após golpe, por três documentos alemães. O primeiro, remetido
na véspera, às 23h50, convidava a França a abrir a Tunísia às forças alemães e
italianas; o segundo, remetido às 2 horas da manhã, adiantava-se à permissão,
anunciando que as referidas forças haviam começado a desembarcar; o terceiro
às 5h30, notificava a entrada das tropas alemães na Zoa Sul. A visita - do
Marechal Von Rundstedt - apoiava essa última comunicação. Um fraco protesto
do Marechal Pétain respondeu a tudo isso. Não se cogitou de qualquer
resistência física: o General Bridoux, secretário de Estado da Guerra, filho
de um general morto em 1914 e pai de um capitão que servia sob uniforme
alemão, fez dispersar o PC Verneau pelos guardas das forças móveis e deu às
tropas ordem de voltar à caserna. Pétain teria podido partir. Um avião mantinha-se
pronto para conduzi-lo à África do Norte. Os mais fiéis de seus conselheiros
suplicavam-lhe que o fizesse. Mas ele recusou, dizendo que seu dever lhe
ordenava, mais do que nunca, interpor-se entre o povo francês e seu vencedor.
Segundo o General Serrigny, seu companheiro de 30 anos, ele invocou,
igualmente, os receios de seu médico, o Doutor Ménétrel, sobre os perigos de
uma viagem aérea, na sua idade - e, quando Serrigny lhe respondeu que um tal
fim seria uma apoteose, zangou-se. As duas explicações podem ser verdadeiras,
ao mesmo tempo. Os motivos dos homens são complexos e a velhice é a idade do
egoísmo triunfante. A frota francesa
suicida-se
Não foi Pétain que deixou passar a ocasião de
partir para Argel. Desde 1940, a frota de Toulon dormia nas docas.
Subdividia-se em uma força de alto-mar, comandada pelo Almirante Conde Jean
de Laborde, e uma força de defesa costeira, colocada sob as ordens do
prefeito marítimo, Vice-Almirante Marquis. O insigne privilégio de que gozava
a Marinha dava ao estabelecimento de Toulon uma atividade e uma prosperidade
das quais não se acharia um segundo exemplo na França daqueles anos sombrios.
O corpo de oficiais mantinham-se em sua anglofobia tradicional e na gloríola
de não ter sido vencido - como se fosse possível estabelecer divisões
estanques no desastre que ferira a nação. O imperativo categórico era este:
em caso algum os navios deviam cair em mãos estrangeiras, fossem elas quais
fossem, ex-amigas ou inimigas. Essa determinação havia criado, entre os
marinheiros franceses, a psicose do auto-afundamento. Jamais, em toda a
História, se preparou uma autodestruição com tanta assiduidade. Longas ordens
haviam sido elaboradas. Periodicamente, realizavam-se exercícios. Nesses
navios, aos quais a opção de seus chefes retirava a oportunidade de
reaparecer em uma batalha vitoriosa, a atividade principal era o ensaio do
suicídio. Por pouco, ela teria falhado. Quando Darlan encontrou, em Argel, seu caminho de
Damasco, lançou à esquadra a ordem de ir a seu encontro. O resultado foi
notável: nem uma hélice girou. Os navios essenciais tinham o combustível
suficiente para atravessar o Mediterrâneo e uma poderosa força naval
anglo-americana cruzava ao largo, pronta para escoltá-los. Mas o Almirante De
Laborde detestava os ingleses e o Almirante Marquis se considerava um
subalterno. Acesos, na perspectiva de uma intervenção contra os invasores da
Argélia, os fogos foram extintos quando essa intervenção se tornou
impossível. A espera recomeçou. Depois, novamente a euforia. Toulon soube, com
alívio, que o Fuhrer não tinha a intenção de apoderar-se dos navios e que
confiava, para a defesa da cidade, na honra da Marinha francesa. Organizou-se
um campo de trincheiras. Vinte batalhões do exército foram chamados para lá.
Toulon viu-se promovida ao papel lisonjeiro de conservatório da soberania
militar francesa, em uma França totalmente ocupada. A ilusão subsistiu quando
os alemães interditaram o reforço terrestre da base e exigiram a dispersão do
20 batalhões. A Marinha dedicou-se à defensiva do front do mar, contra os
anglo-americanos. Do lado do interior e do lado dos alemães, por três vezes,
três gendarmes, colocados em Sanary, Ollioules e Valeta, foram os únicos
guardiões da integridade de Toulon. A decisão, tomada por Hitler, de acabar com o que
restava da força militar francesa, não se ressentia de qualquer
justificativa. O cessar-fogo de Argel havia sido seguido de uma adesão do
exército francês da África à causa aliada. Giraud, que prometera por escrito
não levantar qualquer obstáculo à política alemã do Marechal, assumira o
comando a 13 de novembro e dera ordem às tropas francesas para cobrir o
desembarque dos Aliados na Tunísia. Juin, que havia assinado o que a antiga
linguagem militar chamava le revers, colocava-se sob suas ordens e arrastava
os oficiais generais hesitantes, como Mendigal e Koeltz. Darlan assumia exageradamente
o seu papel de vingador da pátria e, como testemunham os Carnets de Goebbels,
os alemães suspeitavam de uma conivência entre ele e Pétain. Os homens que
reviam sua atitude ou repudiavam seus compromissos não deixavam de ter suas
razões, mas o mínimo que se deve reconhecer é que eles forneciam a Hitler
sólidos pretextos para se presumir contra novas defecções. Na noite de 26 de novembro, o mensageiro da cólera
de Júpiter, Von Nidda, volta à cena. Dirige-se à mansão de Laval, em
Châteldon, e, de acordo com as ordens deste, espera até 4h30, precisamente,
para que lhe abram as grades. Dez minutos depois, Laval toma eu carro e
precipita-se para Vichy. Não que ele possa impedir aquilo cuja realização já
começou - a dissolução total do Exército e a penhora da esquadra - mas
unicamente porque quer sufocar as resistências e prevenir acidentes. A França
- pensa ele - é um corpo sem força, nas mãos de um inimigo todo-poderoso: a
única atitude que poderá reduzir a gravidade das sevícias da qual é objeto
não será endurecer mas abandonar-se. A desmobilização do Exército - eufemismo
hitlerista - não acarreta qualquer incidente. Já estava consignada nas
casernas, desde o dia 11 de novembro - e um único general, De Lattre, havia
tentado retomar a campanha, em uma iniciativa ridicularizada por Vichy. Os
alemães invadem as casernas e atiram os soldados à rua, algumas vezes em
trajes menores! Falecido Exército francês! O desastre de Sedan consumou-se
até a suas últimas conseqüências e tudo estaria perdido, mesmo a honra, se o
renascimento não tivesse começado além-mar. Em Toulon, tudo é jogado em minutos. Os alemães
concentraram uma divisão blindada, que invadiu a cidade tão silenciosamente
como lhe permitiram as lagartas dos tanques. Dois ou três postos de
gendarmeria são dominados antes que fosse possível soar o alerta. O Forte
Lamalgue, sede da Prefeitura Marítima, é invadido. Privado do porto, continua
em comunicação com Vichy, de onde o Almirante Le Luc telefona, “da parte do
Presidente Laval”, para evitar qualquer incidente. “Isso - acrescenta ele -
modifica integralmente as ordens anteriores”. No último momento, Vichy
procura evitar o afundamento dos navios. Laval teme que essa autodestruição
incendeie a raiva de Hitler... Por felicidade, é tarde demais. O porto e a
angra retumbam com as explosões. As excelentes senhas de suicídio funcionam
magistralmente. A algazarra dos blindados despertou Toulon. O Almirante Conde
De Laborde quase esperou alguns minutos a mais - até que, enfim, às 5h29, a
ordem geral de afundamento é lançada pelo Strasbourg. Os alemães estão no
cais. Tiros de canhão são trocados entre os tanques e os navios - mas a
última ordem desvairada de Vichy - “Parem com isso!” - não é ouvida. O dia
desponta dentro de uma confusão de navios afundados ou incendiados: 2
couraçados, 1 cruzador de combate, 7 cruzadores, 1 transporte de aviação, 29
destróieres, 12 submarinos, num total de mais de 100 embarcações,
correspondendo, globalmente, a 230.000 toneladas, foram destruídos no
decorrer de uma noite, ainda mais custosa que Trafalgar. Os alemães
recuperarão um pouco da sucata e algumas pequenas unidades. Os aliados verão
chegar o Casablanca, comandado por L’Herminier, e três outros submarinos -
que, arrancando as amarras, investiram para alto-mar, rompendo as redes da
passagem. Insignificante vestígio da mais poderosa frota que a França já
possuíra, desde Luís XVI. A repercussão foi considerável. A noite de Toulon
constituía a condenação do dia de Mers el-Kebir. Era a prova de que mesmo os
meios franceses mais hostis à Inglaterra não eram cúmplices da Alemanha.
Jornais americanos exibiram as manchetes: “Glória a Toulon!”. Glória
melancólica, glória negativa, símbolo da decadência na qual a França caíra. O fim do
Almirante Darlan
O dia seguinte ao do suicídio da frota de Toulon
foi brilhante de esperança para o Comando anglo-americano. Depois de ter
desembarcado, sem obstáculo em Bougie, Philippeville e Bône, o 1o
Exército britânico entrou na Tunísia a 15 de novembro. No dia 27, na estrada
de Bizerta, sua ala esquerda aproxima-se de Mateur. No vale de Medjerda, sua
ala direita toma Teburda e atinge Djedeida. Túnis está a 25 km. A partida da
África do Norte parece ganha. E o estaria, seguramente, se o residente-geral da
Tunísia, o Almirante Esteva, tivesse resistido ao desembarque
germano-italiano. Ninguém é mais patriota do que esse marinheiro barbudo e
casto, do qual se diz: “vai à missa das 6 horas, porque assim corta sua manhã
em dois”. Mas as complicadas condições em que se encontram as posições
francesas ultrapassam a sutileza de seu espírito. Recusa-se a obedecer a
Darlan, no qual vê um almirante político, e é incapaz de imaginar que os
protestos indignados de Pétain contra a violação da África do Norte,
dissimulam sua aprovação. Recebendo ordens de abrir a Tunísia ao Eixo, ele a
abre. Túnis é ocupada, Bizerta capitula e a implantação teuto-italiana seria
ainda mais rápida se o General Barré não tivesse reunido alguns caçadores da
África e um punhado de guardas das forças móveis, com os quais se instala em Medjez
el-Bab, na estrada da Argélia. Quando o General Nehring o intima a abrir
passagem, Barré recusa e recua para oeste, combatendo. No dia 20 de novembro,
é alcançado em Ued-Zarga, por uma vanguarda britânica, conduzida pelo General
Blade. Nehring, que só tem consigo uns poucos tanques, recua, por sua vez, e
o avanço inglês, para Túnis, prossegue. Simultaneamente, a divisão de Constantine, sob as
ordens do General Welvert, invade a Tunísia central e, reforçada pelos
pára-quedistas americanos do Coronel Raff, apodera-se de Kasserine, de Pichon
e de Gafsa. A tomada de Sfax, o acesso ao golfo de Gabes e a ocupação da
Linha Mareth parecem uma questão de dias. Mas a esperança dura pouco. Depois do dia 29 de
novembro, a sorte das armas começa a mudar. Blade perde 40 tanques tentando
tomar Djedeida e, a 4 de dezembro, vê-se arrancar Teburda. O encaminhamento
das forças aliadas para a Tunísia esbarra em grandes dificuldades. Patton e
muitas tropas americanas são deixados no Marrocos, por medo de uma
intervenção de Franco. O rendimento do caminho único Argel-Túnis é muito
fraco. A intendência e os serviços se ressentem da experiência. A
harmonização de três exércitos, obedecendo, cada um, a princípios
inteiramente diferentes, encontra obstáculos a cada instante. As tropas
francesas estão totalmente desprovidas de munição e violentos redemoinhos
ainda agitam os estados-maiores, nos quais, Mast, Béthouart e o próprio
Giraud são, no conceito geral, considerados traidores, pelo papel que
representavam antes de 7 de novembro. O clima rude da África do Norte é uma
surpresa para um comando que acreditava ir bater-se em eterna primavera. Onde
se pensava encontrar areia, encontra-se lama e, em lugar de seca, são
dilúvios que os conquistadores do Magrebe enfrentam. Prevista para o dia 9 de dezembro, a retomada da
ofensiva contra Túnis é adiada para o dia 22. As chuvas aumentam, rompem os
caminhos, afogam os tanques, neutralizam a aviação, acarretam um atraso ao
ataque. No dia 24, Eisenhower chega, debaixo de um aguaceiro, ao QG de
Anderson, instalado na pequena cidade argelina de Beja. Um novo adiamento é
decidido, desta vez até o fim da estação das chuvas. É abandonada toda
esperança de tomar Túnis antes da primavera de 1943. Eisenhower estava ainda em Beja e a preocupação de
festejar um pouco o Natal começa a dominar as cogitações militares quando uma
desgraça chegou de Argel: o Almirante Darlan acaba de ser assassinado. O
Acordo Darlan (the Darlan Deal) tornar-se o que os americanos gostam de
chamar, em francês, uma cause célèbre. Além da submissão da Argélia e do
Marrocos, a tomada de posição do Almirante havia acarretado a reunião da
África Ocidental e o andamento de uma colaboração imediata entre as
autoridades francesas e o corpo expedicionário. Darlan registrara um fracasso,
na desobediência da frota francesa a seu apelo, mas a atividade e a
capacidade que demonstrava desobrigavam o Comando americano de uma porção de
tarefas, que, em absoluto, não estava preparado para assumir. Estava
convencionado que ele tomaria o título de alto-comissário na África, cabendo
a Giraud o supremo comando das tropas francesas, e aos outros altos
funcionários, Nogues, Boisson, Yves Chatel, etc, conservar seus respectivos
postos. Solução rápida e realista, dentro do espírito com que Murphy havia
trabalhado durante longos meses, mas que colocava um problema de moralidade
política e suscitava ruidosos movimentos. Da pessoa de Darlan, os ataques passavam àqueles
que eram considerados seus padrinhos: Eisenhower, o Departamento de Estado, o
próprio Roosevelt. Murphy viu acorrer Milton Eisenhower, alucinado por ter
sabido que a carreira do irmão estava comprometida por sua ligação com o
almirante fascista. Outras “pessoas muito importantes” chegaram a Argel, para
um inquérito sobre a não-revogação das leis de Vichy, a não-libertação dos
judeus (que os americanos acreditavam terem sido encurralados nos Mellahs,
depois da vitória hitleriana), da não-libertação dos povos escravizados pelo
colonialismo francês, etc. Uma campanha mundial, na qual concorriam os
liberais americanos, os degaullistas e os comunistas,. Apresentava Darlan
como a encarnação viva do ideal pelo qual as nações aliadas lutavam. O primeiro a se lançar ao fogo foi Roosevelt. Em
sua entrevista à imprensa, a 17 de novembro, ele qualificou o acordo
concluído com Darlan de “expediente temporário”. O Almirante reagiu,
escrevendo a Clark que essa maneira de considerá-lo como um limão a ser
jogado fora depois de espremido feria sua autoridade e diminuía o valor dos
serviços que ele podia prestar à causa comum. Aliás, não tinha ilusões,
desejava sair do jogo o mais depressa possível, dizia que não pedia outra
recompensa além de um passaporte para os Estados Unidos. A 23 de dezembro,
almoçou com Murphy - e após lhe haver dito que tinha conhecimento de quatro
conspirações contra a sua vida, considerou sua sucessão. “De Gaulle - disse
ele - ainda não é possível. Só o será na próxima primavera...”. No dia seguinte, às 15 horas, um jovem, que deu o
nome de Morand, apresenta-se no Palácio de Verão e diz que deseja ver o
Almirante Darlan, para um assunto urgente. Deixam-no sentar-se, na sala de
espera. Darlan aparece alguns instantes depois, acompanhado de seu
ajudante-de-ordens, o Capitão-de-fragata Hourcade. Das três balas atiradas
contra o Almirante, duas o atingem. Darlan morre, no hospital, duas horas
mais tarde. Estranho homicídio. O assassino, Bonnier de La Chapelle,
argelino, de 23 anos, membro dos Chantiers de Jeunesse, era um realista
ardentemente antialemão. Julgado e condenado à morte, logo no dia seguinte,
declarou à Corte Marcial que não tinha cúmplices. “Não é necessário reunir
muitos para abater um traidor” - explicou. Sua carteira de identidade com o
nome de Morand, lhe havia sido dada por certo abade Cordier, o carro que o
levara ao Palácio de Verão era aquele
de D’Astier de La Vigerie, mas continuou-se a ignorar quem lhe forneceu a
pistola, uma modesta 6.35, e o que havia de verdadeiro na versão segundo a
qual Bonnier teria substituído dois companheiros seus, tirados à sorte, aos
quais faltara coragem. Grandes esforços são mobilizados para salvar
Bonnier. Os degaullistas de Londres alertam a opinião mundial. Os
degaullistas de Argel preparam o assalto à Prisão Barberousse. Regressando
precipitadamente da Tunísia, Giraud sofre pressões de toda sorte. No dia 26,
às 11 horas, um amigo pessoal lhe apresenta um visitante, que se identifica
como o Conde de Paris. Deveria estar em suas terras, em Larache, no Marrocos
Espanhol: está clandestinamente em Argel, no meio da confusão causada pela morte
de Darlan. O objetivo de sua visita é pedir o perdão para Bonnier de La
Chapelle. Giraud deixa-o falar. Depois, responde-lhe que o pelotão de
execução agira de madrugada e que a justiça fora feita. Aterrado o príncipe
recupera-se e, durante duas horas, doutrina o general sobre a glória que
espera ao soldado que fizer a França voltar à sua legitimidade. Giraud
responde que se sentirá muito feliz se esquecer que o Conde de Paris viera a
Argel e que um avião vai conduzi-lo imediatamente ao Marrocos Espanhol. Poucos lamentam Darlan. Giraud o sucede em suas
funções de alto-comissário. A agitação degaullista cresce na África. Começa
um novo capítulo na história das lutas francesas. |