Tópicos do
capítulo:
A morte do
Almirante Yamamoto
As secretas
fraquezas do Japão
Conquista da Nova
Geórgia
Objetivos dos
Estados Unidos: Rabaul
A selva, inimigo
número um do soldado americano
Os pára-quedistas
entram em ação no Pacífico
Apesar do
lodaçal, os Marines triunfam em Bougainville
Caminho das
selvas (MacArthur) ou rota dos atóis (Nimitz)?
O Estado-Maior
americano escolhe as duas vias
A Batalha das
ilhas Gilbert
Derrotas
japonesas em Makin, Bitio e Tarawa
No outro lado do mundo Protegidos por um grupo de Zeros, os dois
bombardeiros japoneses preparavam-se para pousar no aeródromo de Kaihili, na
ponta sul da ilha de Bougainville. Os caças americanos surgiram rente à água.
O Capitão Thomas Lanphier abateu um dos bombardeiros. O Tenente Rex Barber
abateu outro. Os dois aparelhos caíram e incendiaram-se na floresta. O
Grande-Almirante Isoroku Yamamoto estava morto. Ele não sucumbira após um encontro fortuito. Os
americanos decifravam sempre os códigos japoneses. No início de abril de 1943
o chefe de seu G-2 trouxe ao Almirante Halsey o plano de uma viagem de
inspeção do comandante-chefe japonês do Pacífico Sul. Partindo de Rabaul,
Yamamoto devia visitar as bases aeronavais da região do Buin. Seu avião
deveria sobrevoar Kaihili a 18 de abril, às 9h35. Os americanos planejaram
chegar ao encontro ao mesmo tempo que ele. Um escrúpulo fê-los hesitar. Era boa tática
utilizar uma vantagem clandestina para desfazer-se de um grande chefe
inimigo? Era uma emboscada pelas leis da guerra, ou uma armadilha? Halsey consultou Nimitz. Nimitz perguntou a seus
especialistas se eles achavam que o desaparecimento de Yamamoto enfraqueceria
o Japão. Os especialistas responderam afirmativamente. O Grande-Almirante
havia-se mostrado hostil a uma guerra contra os Estados Unidos, mas, não
havendo podido impedi-la, fazia-a com talento e energia. Era o autor do plano
de ataque contra Pearl Harbor, e nem a derrota de Midway nem o abandono de
Guadalcanal o haviam qualificado como um desses capitães que um inimigo
inteligentes tem interesse em conservar. Esse testemunho de suas qualidades
foi a sentença de morte do Almirante Yamamoto. O empreendimento não era fácil. Os 16 P-38 do 339o
Fighter Squadron que decolaram de Guadalcanal, sob o comando do Major
Mitchell, deviam percorrer 500 km antes de se encontrarem, com uma precisão
matemática, acima de Bougainville. Deviam costear as ilhas da Nova Geórgia,
sobre as quais zumbia o enxame inimigo. Os P-38 escaparam da detecção
raspando as ondas, e estavam em um minuto sobre Kaihili. Todos voltaram,
exceto um. O feito foi guardado em segredo até o fim da guerra. Primeiro,
para não revelar aos japoneses que seus códigos estavam descobertos; depois,
porque Lanphier tinha um irmão prisioneiro no Japão e temia-se, contra ele, a
mais atroz vingança. |
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Aparências e fraquezas do Japão A guerra do Pacífico não esteve ausente das
deliberações de Casablanca. O Almirante King havia retomado a defesa da
Marinha sacrificada, apresentado um memorando em que mostrava que o setor do
Pacífico recebia somente 15% do esforço americano, pedido que esta proporção
fosse dobrada. Marshall havia declarado de novo que, desde que não era
decidido um ataque na Europa, os Estados Unidos deviam deixar a Inglaterra e
a Rússia explicarem-se com a Alemanha e voltarem-se com todas as suas forças
contra o Japão. Os partidários da prioridade européia tiveram que fazer
algumas concessões. Havia-se convencionado novamente que, continuando o
empreendimento mediterrâneo, e intensificando o martelamento aéreo da
Alemanha, aumentando a ajuda à Rússia, preparando a invasão da Europa, os
Aliados tomariam a ofensiva contra o Japão. Nesse momento, o vasto perímetro das conquistas
japonesas estava intacto, e, no arquipélago metropolitano, a convicção de que
a guerra estava vitoriosamente terminada reinava em absoluto. Uma censura
feroz velava pela conservação desta certeza. Todas as notícias eram róseas. A
Marinha levou dois meses antes de se decidir a anunciar a morte do Almirante
Yamamoto - e ainda a apresentou como acidental. As perdas esmagadoras de
Midway, os combates selvagem em Guadalcanal, a superioridade crescente dos
Estados Unidos eram ignorados pelo povo japonês, que continuava a ser
alimentado pelos triunfos de Pearl Harbor, de Cingapura e de Java - embalado
pelos relatos da covardia e da frouxidão do homem branco. Teoricamente, as vantagens japonesas eram
gigantescas. As conquistas do Japão transbordavam de riquezas. Sua posição
estratégica permitia-lhe manobrar sobre as linhas inferiores, contra um
adversário obrigado a imensos movimentos periféricos. Nenhum controle
parlamentar, nenhuma forma de opinião pública, nenhuma independência da
imprensa contrariava a ação dos poderes civis e militares. A autoridade
estava centralizada de maneira absoluta, pois todos os fios vinham reunir-se
no Dai Honei, no Grande QG Imperial, na mão do Imperador todo-poderoso. Um
tal país, servido por numerosa população, brava e fanática, deveria ser capaz
de defender suas vitórias com uma eficácia sem igual. Muitos americanos assim
pensavam, acreditando que, mesmo após a derrota da Alemanha, a guerra contra
o Japão duraria dez anos. Isto não teria ocorrido ainda que a bomba atômica
não houvesse sido inventada. Como observa excelentemente o historiador da
guerra naval americana Samel Eliot Morrison, o regime imperial só tirou
partido medíocre de suas vantagens. Mais exatamente, as vantagens eram
fictícias. O Imperador todo-poderoso era na realidade, totalmente impotente.
O poder civil estava aniquilado, pelo estado de guerra, mas o poder militar
ficava dividido entre dois pincipados independentes e invejosos, o Exército e
a Marinha. A coordenação não se estabelecia nos estados-maiores integrados,
como entre os anglo-americanos, mas por acordos - tratados, quase - entre
soldados e marinheiros. O Ministro da Marinha, Almirante Shimada, sofria a
ascendência de seu colega da Guerra, o General Tojo, mas as rixas reapareciam
em todos os níveis da hierarquia. O aparelho militar, terrestre os naval,
estava penetrado por uma rigidez que alterava seu funcionamento. O sabre do
samurai e a gola cortante dos oficiais haviam podido parecer um signo de
cavalaria e um exercício de estoicismo nas marchas triunfais do começo; mas
eram, na realidade, o símbolo de um exército arcaico, que perdeu a mais clara
de suas vantagens quando se esgotou o efeito de surpresa causado pela
agressão. A planificação, a conduta da guerra pelos
japoneses são constantemente defeituosas. Os princípios clássicos da economia
das forças não são respeitados. A mobilização industrial permanece parcial. O
Japão bate-se como uma potência que prossegue uma série de experiências
longínquas, não como nação condenada, em caso de derrota, à invasão, à
ocupação e a sujeição. Seu governo proíbe-se, além disso, o sacrilégio de
evocar semelhante possibilidade. É pelo mito da invencibilidade e pelo dogma
da invulnerabilidade que o esforço de guerra é conduzido. Os conferencistas de Casablanca conhecem mal essas
fraquezas. O problema da ofensiva contra o Japão é difícil. Os novos
porta-aviões da classe Essex ainda não entraram na ativa e, na expectativa, o
balanço das forças navais não permite uma ação direta contra o centro do
poder inimigo. Suas ilusões conduzem os americanos a preconizar o armamento e
a mobilização das multidões chinesas - logo a reconquista da Birmânia e a
reabertura do caminho de Mandalay. Os planos de Casablanca isso prevêem,
notadamente sob a pressão de
Marshall, que, diz Alan Brooke, “tem um forte sentimento pela China”. Mas o
teatro birmanês depende dos ingleses, os quais, mais realistas e mais
informados, recusam-se a deixar forçar a mão. A Birmânia ficando adormecida,
o único objetivo estratégico imediato é de fazer desaparecer a ameaça
japonesa sobre a Austrália. Esta deixou de ser iminente desde que a maioria
dos grades porta-aviões japoneses está no fundo do mar, mas os partidários do
Pacífico continuam a fazê-la valer, para justificar o prosseguimento das
operações ativas no outro lado do mundo. Eles são conduzidos a tomar o tapete
da invasão japonesa por sua extremidade mais distante, para enrolá-lo ao
preço de um esforço penoso e sangrento. Do contra-desembarque de Guadalcanal,
movimento defensivo, vai seguir-se uma série de extraordinárias ações
ofensivas que, nas ilhas da última selvageria, realçarão o poder dos Estados
Unidos e o valor do americanos. É outra questão de saber se elas representam,
no desenrolar geral da guerra, papel proporcional a seu custo. Conquista da Nova Geórgia A ofensiva americana visa Rabaul. A importância
intrínseca da localidade contrasta com as perdas que vão ser consentidas por
ela. Um pequeno milhar de brancos, missionários, mercadores e funcionários
vivia nessa pequena cidade que os alemães construíram com cuidado durante seu
breve império colonial. O lugar é insalubre e perigoso. Um odor podre exala
de um pântano vizinho, e uma coroa de vulcões ativos, A Mãe, As Duas Filhas,
Vulcão, Matupi, mantém sobre a região a ameaça permanente de um cataclisma.
Em 1937, um tremor de terra fez várias centenas de vítimas. Em 1941, novo
tremor acarretou a transferência para Lae, na Nova Guiné, da capital do
mandato australiano. Nova Bretanha, a ilha na qual se encontra Rabaul, é,
aliás, tão bravia que, apesar de sua estreiteza, nenhum branco ainda a havia
atravessado no começo de 1943. Melanésios encarapinhados, brancos de cal, ali
vivem, no meio de uma floresta inundada, em um canibalismo sereno. Mas a guerra obedece a outras considerações além
do prazer e da salubridade. A importância da baía e da posição de Rabaul leva
os japoneses a ocupá-la a 22 de janeiro de 1942 e obriga os americanos a
pagar alto preço para retomá-la. A enseada, Baía Branca, que tomou o nome do
navio de seu descobridor, Simpson, é um dos melhores portos naturais do
mundo. A posição geográfica é ainda mais notável. Na interseção de duas
cadeias de ilhas, Rabaul encontra-se no plexo estratégico de todo o Pacífico
sudoeste. Tomar Rabaul é, falando defensivamente, afastar toda ameaça em
direção da Nova Caledônia e da Austrália; falando ofensivamente, é quebrar a
barreira das ilhas Bismarck, chegar ao cinturão das águas livres que se
estende de uma parte e de outra do equador, rodear as ilhas Marshall pelo
oeste e as Filipinas pelo leste, ameaçar as Carolinas, abrir uma brecha em
direção ao Japão. Para tomar Rabaul, os americanos decidem atacá-la
segundo as duas linhas geográficas que se cortam sobre ela: o eixo Nova Guiné
- Nova Bretanha, o eixo ilhas Salomão - Nova Irlanda. Eles consolidaram-se
sobre o primeiro após o fracasso da ofensiva japonesa em Port Moresby;
consolidaram-se sobre o segundo por sua vitória de Guadalcanal. Havendo
detido o inimigo, retomam a iniciativa. A Nova Guiné está situada na área sudoeste do
Pacífico, isto é, do General MacArthur. As ilhas Salomão situam-se na área do
Pacífico sul, isto é, do Almirante Nimitz, e, por delegação, do Almirante
Halsey. MacArthur tem sob suas ordens a 7a Esquadra, comandada
pelo Almirante Carpender, e uma força aérea de 1.300 aviões, comandada pelo
General Kenney, assim como três pequenos exércitos terrestres, equipados sob
o comando do general australiano Blamey. Halsey dispõe da 3a
Esquadra, do Almirante Turnes; de uma força aérea à base da aviação naval,
sob a chefia do Almirante Fitch, e de dois grupamentos terrestres, um do US
Army, comandado pelo General Harmon, o outro do US Marine Corps, sob o
comando do General Vogel. Em termos de grandes unidades, as forças de
MacArthur representam uma dezena de divisões e, as de Halsey, meia dúzia. Em
termos navais, nem um nem outro tem, organicamente, couraçados ou
porta-aviões. Em termos de organização, o Sudoeste do Pacífico e o Pacífico
Sul estão impregnados, respectivamente, dos princípios bastante diferentes do
Exército e da Marinha. Em termos de comando, a centralização não chega a
ultrapassar o princípio de uma direção estratégica confiada a MacArthur. A
cooperação é melhor que no campo japonês, mas está longe da perfeição. As queixas do Pacífico sacrificado enchem a
crônica americana da guerra. “Eu tinha - diz MacArthur - menos de 2% do Exército
dos Estados Unidos e apenas 10% das tropas americanas empregadas além-mar”.
Mas havia também várias divisões australianas, e, de qualquer modo, suas
forças e as de Halsey ultrapassam largamente as forças inimigas. Rabaul é a sede da 8a Zona Estratégica,
comandada pelo Almirante Itoshi Imamura. Dela dependem dois exércitos: um, o
18o, do General Hatazo Adachi, ocupa a Nova Guiné e as ilhas
adjacentes; o outro, o 17o, do General Haruyoski Hyakutake,
defende as Salomão. Mas o grande nome de exército é uma roupa gigantesca
sobre corpos de magricelas. O 17o, que sofreu o desgaste de
Guadalcanal, conta apenas com uma divisão completa, a 6a. O 18o
conta com três: 20a, 41a e 51a. É preciso
lembrar-se sem cessar da imensa dispersão das forças japonesas, e o fato de
que somente parte da população em idade militar está mobilizada, para não se
admirar da mediocridade dos efetivos com os quais o Japão trava a batalha do
Pacífico Sul. Uma vintena de milhares de homens nas Salomão, uns cinqüenta
milhares na Nova Guiné, são as forças de Imamura. Os Aliados são, pelo menos,
cinco contra um. Sucede o mesmo com as forças navais e aéreas. Os
japoneses não tem 400 aviões operacionais, e a frota do Almirante Jinichi
Kusaka, destinada à 8a Zona Estratégica, compõe-se de um cruzador
e de 8 destróieres. O orgulho domina a estratégia japonesa. Depois do
abandono adiado de Guadalcanal, teria sido razoável reduzir as linhas de
comunicação vulneráveis, aproximando a defesa do centro local de Rabaul. O
Estado-Maior Imperial não pôde resolver-se a esta humilhação. O grupo de
ilhas da Nova Geórgia, no centro das Salomão, será defendida a todo custo.
Sobre a ponta de Munda, os aviões de reconhecimento americanos tem a surpresa
de ver surgir, da noite para o dia, uma base aérea completa: os japoneses ali
trabalham há vários meses, sob o disfarce das copas dos coqueiros mantidas no
ar por meio de redes! Na Nova Guiné, a obstinação não é menor. Depois de sua
retirada da Papuásia, os japoneses agarram-se a Buna, na costa oposta.
Expulsos após lutas difíceis nos pântanos pútridos, comprimiram suas forças
em torno da península de Huon, via de acesso à Nova Bretanha, do outro lado
do estreito de Vitiaz. Um desastre aturdiu-os nos primeiros dias de março:
partindo de Rabaul, um comboio de 7 transportes e de 8 destróieres, carregado
de 9.000 homens, foi destruído no mar de Bismarck por aviões B-25 que
utilizam nova tática de bombardeio, ao nível dos mastros. A guerra à japonesa
deixou de ser uma honrosa partida de
campo. Mas a arrogância dos estados-maiores e o estoicismo dos combatentes
permaneceram intactos. O plano americano toma corpo lentamente. A guerra
do Pacífico não é febril da mesma febre que a da Europa. Tudo exige grandes
desvios e longas esperas. O apoio logístico que cada arma, cada combatente
exige é quatro ou cinco vezes mais importante que na zona atlântica.
Decididamente, são punhados de homens e de engenhos que se encontram presos
nas ilhas do Grande Oceano. Na batalha de Buna, Eichelberger, comandando um
corpo de exército americano, pôs em linha um morteiro de 155 mm e, como não
chegasse a alimentá-lo de projeteis, julga inútil que lhe mandem um segundo.
O tempo não se mede com as mesmas unidades. Após várias conferências,
escalonadas de Brisbane a Washington, a reconquista de Rabaul, a Operação
Cartwheel, é desdobrada em um ano, minuciosamente cortados em numerosos
passos, como um roteiro de filme. O contraste com a partida fulgurante da
guerra no Pacífico é surpreendente. Para retomar o grupo de ilhas selvagens
da Nova Geórgia, o Estado-Maior americano perde o dobro de tempo que os
japoneses empregaram para a totalidade de suas conquistas, desde Hong-Kong
até o mar de Coral. O ataque da Nova Geórgia só começa a 30 de junho. Sendo
impossível a aproximação direta de Munda, devido aos recifes que rodeiam a
ponta, o desembarque principal realiza-se na pequena ilha de Randova, depois
sobre a praia de Zenana, a uma dezena de quilômetros do campo de aviação. No
começo, a resistência japonesa é nula, mas os obstáculos que a natureza levanta
diante dos americanos são indescritíveis. Pesada como chumbo, a chuva
equatorial pára apenas para abrir o céu a um sol ardente e insalubre. A selva
é pior que a de Guadalcanal. Não existe sequer uma trilha indígena, e é numa
lama espessa, através de uma confusão vegetal, que os infantes da 43a
Divisão dos EUA devem ganhar terreno. Fazem 1.000 metros no primeiro dia.
Cobertos de lama e suor, depois são colhidos por uma noite maléfica. A
floresta enche-se de presenças inexplicáveis e ruídos misteriosos. Roupagens
vivas flutuam no ar. Chacotas cínicas quebram o murmúrio produzido por
milhares de insetos. Enormes bolas de gás dos pântanos estalam com uma
detonação surda. A fosforescência da vegetação em decomposição enche de
clarões irreais a espessa floresta. O medo apossa-se dos soldados. Eles crêem
ouvir os japoneses rondar em torno. Muitos atiram granadas, uns contra os
outros, ou se ferem mutuamente com arma branca. Um único regimento retirará,
rumo a Guadalcanal, 336 casos de neurose de guerra. Para os jovens
americanos, educados no conforto e na segurança, o primeiro contato com a
selva do Pacífico Sul é uma prova de destruir os nervos. Nos dias seguintes, a resistência do inimigo
acrescenta-se à da natureza. Os métodos defensivos dos japoneses são admiravelmente
adaptados ao campo de batalha. Os guerreiros amarelos emboscam-se nas raízes
salientes das árvores, incorporam-se à vegetação, são capazes de uma
imobilidade indefinida até o momento em que um alvo aparece diante da viseira
de seu fuzil. Em 15 dias, os americanos avançam apenas 5 km. Halsey troca o
comando, confia ao enérgico Griswold a direção da ofensiva e propicia
reforços. Três divisões, 25a, 37a e 43a,
acabam por ser empregadas na ilha selvagem. Munda Point é atacada por não
menos que seis alentados regimentos. “Nosso plano - diz Halsey - previa
15.000 homens para expulsar os 5.000 japoneses da Nova Geórgia. Chegamos a
enviar 50.000. Quando penso nisto, o cheiro das reputações chamuscadas me
sobe às narinas...” Com o tempo, o número e o poder prevalecem. Os
nervos dos soldados consolidam-se. Os bulldozers rasgam a selva. Os
lança-chamas desalojam os atiradores. Munda é esmagada sob um dilúvio de
projeteis e o abastecimento japonês torna-se impossível. A 1o de
agosto, Griswold radiotelegrafa a Halsey: “Tomei Munda, que lhe ofereço como
propriedade...”. Os defensores se dispersam na floresta virgem, onde
perecerão quase em exceção. Os Estados Unidos pagaram a Nova Geórgia com
1.094 mortos e 1.873 feridos. O outro ramo da pinça dirigida contra Rabaul
pôs-se igualmente em movimento a 30 de junho. As forças da Área do Sudoeste
do Pacífico tomaram posse das ilhas Woodlark e Kiriwana, futuros aeródromos
que colocarão os bombardeiros americanos a 300 milhas de Rabaul. Numerosas
semanas são consagradas a preparar a extensão da ofensiva na Nova Guiné. O
bloco naval e aéreo priva de víveres e desmoraliza as guarnições japonesas.
As centenas de diários escritos pelos prolixos japoneses trarão um testemunho
dramático de seus sofrimentos: “Febres e beribéri... Estou mental e
fisicamente esgotado. Sinto-me como um pedaço de algodão. Quero morrer...
Muitos caem no caminho e morrem de fome... Somos constantemente atacados pela
malária, pelas moscas, pelos insetos venenosos. Chuvas incessantes. O
exército avançando em automóveis ou bicicleta, que piada!... Nenhuma ração.
Vivemos de raízes e cascas. O moral é muito baixo”. Do lado australo-americano, fazem-se cálculos
refinados. É desejada, para o ataque a Lae, uma situação meteorológica que
inclua neblina sobre a Nova Bretanha, para neutralizar a aviação inimiga, e
um céu claro do outro lado do estreito de Vitiaz, para favorecer os
pára-quedistas amigos. Esta exigência, ligada às dificuldades do todo, faz
adiar o dia L (Landind Day) de 1o para 7 de agosto; depois, para
14 de setembro. Mas a ofensiva quando se torna possível, enfim, conhece um
sucesso brilhante. Surgindo do mar, a 9a Divisão australiana
desembarca a leste de Lae. Caindo do céu - de um céu claro -, o 50o
Regimento de Pára-quedistas dos EUA desembarca a oeste, no largo vale do
Markham. As duas forças convergem em direção ao porto colonial criado para a
exploração das jazidas auríferas de Bulolo. Tomam-no a 14 de setembro, contra
fraca resistência japonesa. É a primeira vez que pára-quedistas intervêm no Pacífico.
MacArthur, com seu rutilante boné dourado, sobrevoou majestosamente o
lançamento, num B-17. Expulsos de Lae, os japoneses tentam manter-se na
península de Huon, cujo porto, Finschhafen, é, em relação à Nova Bretanha, o
que Calais é para a Inglaterra. A 51a Divisão bate em retirada
pelos passos escarpados da Rawlinson Range. Transportada em avião, a 9a
Divisão australiana a caustica. A marcha é um calvário. Os japoneses
abandonam todo o seu material, até os fuzis. Reembarcada após a tomada de
Lae, a 7a Divisão australiana os precede em Finschhafen,
conquistada a 2 de outubro. Só falta que os japoneses sejam completamente
expulsos da Nova Guiné, da qual detêm ainda toda a parte ocidental. Mas os
Aliados chegaram ao estreito de Vitiaz, a invasão da Nova Bretanha desenha-se
e, tanto por terra como por mar, fica provado que a invencibilidade dos
conquistadores de Cingapura era uma ilusão de óptica devida a um fulminante
efeito de surpresa. No Pacífico Norte, os exércitos imperiais também sofreram
reveses. O único proveito do imenso esforço de Midway havia sido a conquista
das duas ilhas das Aleútas - Attu e Kiska. A 24 de março de 1943, o comitê
dos chefes do Estado-Maior dá sua aprovação à reconquista. A 7a
Divisão dos EUA desembarca em Attu, a 11 de maio, no meio de uma tormenta de
neve. A batalha, numa neblina gélida, dura 18 dias. Para tentar retomar o
aeródromo de Holz Bay, os japoneses lançam um ataque suicida que cobre de
cadáveres a tundra gelada. Depois dessa vitória, os americanos contarão 3.531
inimigos mortos, para os 28 que aprisionaram e os 600 homens que perderam.
Convencidos que encontrarão em Kiska uma resistência igualmente feroz,
esmagam a ilha sob 1.000 obuses navais do mais grosso calibre e descobrem ao
desembarcar, que esbanjaram pólvora, pois os japoneses já haviam a deixado
sob o abrigo da neblina. São libertados os dois únicos fragmentos de terra
americana comprimidos por um pé estrangeiro desde a guerra de 1813. Ao norte, como no sul, estes reveses ocorrem em
terras desprovidas do menor interesse. Não provocam a menor inquietação ao QG
Imperial. A estratégia japonesa é modificada. Toda veleidade de novas
conquistas é abandonada. Uma nova posição principal de resistência, “linha
absoluta de defesa nacional, devendo ser mantida a todo preço”, é desenhada
sobre o mapa. Passa pelo oeste da Nova Guiné, pelas Carolinas e pelas
Marianas. Rabaul e suas posições avançadas das Salomão e da Nova Bretanha não
estão englobadas neste perímetro vital. Mas isso não quer dizer que devam ser
abandonadas. O Comando japonês considera útil travar, tanto quanto possível,
um combate retardador. Depois da conquista da Nova Geórgia, o avanço
metódico dos americanos em direção a Rabaul passa pela mais meridional e, ao
mesmo tempo, a mais densa e a mais selvagem das ilhas Salomão, Bougainville.
É uma terra de beleza dramática. Um vulcão poderoso, sempre rodeado de fumaça
e chamas, o monte Bagana, eleva-se acima de uma selva espessa como entrelaço
de tapeçaria. A Alemanha, que teve a ilha como colônia deu-lhe o nome. As
montanhas do norte chamam-se cadeia do Kaiser. As montanhas sul, um pouco
mais baixas, por respeito filial, chamam-se cadeia do Kronprinz. A única
região relativamente habitável, aquela em que os japoneses acumularam suas
defesas e construíram pistas de pouso, é a planície de Buin, ao pé dessa
última. No centro, ao contrário, a baía da Imperatriz Augusta, mal exposta em
relação aos ventos dominantes, só é guardada por destacamentos fracos. É lá
que, a 1o de novembro, os americanos desembarcam 14.000 homens da
3a Divisão dos Marines, reforçados por uma patrulha de 24 cães
Dobermann, treinados para despistar os atiradores japoneses. Seu plano não
consiste em conquistar a totalidade de Bougainville, tarefa enorme devido à
vegetação e ao relevo, mas unicamente em assegurar um perímetro suficiente
para a construção de um base de bombardeiros pesados, destinados a manter
Rabaul sob fogo permanente. Conduzido pelo Almirante Wilkinson, o desembarque
é soberbamente bem sucedido. As poucas centenas de japoneses que tentam
opor-se são literalmente mortos até o último. Outros 35.000 acham-se nas duas
extremidades da ilha, mas as comunicações são tão difíceis que são
necessários de dois a três meses para concentrar-se sobre a região atacada,
distante 60 km. Isto não significa que os americanos não tenham inimigos.
Sete bases aéreas japonesas encontram-se em Bougainville ou nas ilhas
adjacentes, e a própria Rabaul só está a 265 milhas. Furiosas batalhas
sucedem-se no mar e no ar. Tentando recomeçar o golpe de Savo, o Almirante
Omori conduz à baía da Imperatriz Augusta os cruzadores pesados Myoko e
Haguno, acompanhados de dois cruzadores leves e seis destróieres. A Task
Force 39, comandada pelo Almirante Merrill, repele-os e castiga-os antes que
eles tenham podido aproximar-se dos transportes. Os dois últimos grandes
porta-aviões japoneses, o Shokaku e o Zuikaku, encontram-se nas Carolinas, a
distância de poderem intervir, mas o sucessor de Yamamoto, o Almirante Koga,
não ousa arriscá-los na defesa de um posto avançado como Bougainville. O
Almirante Nimitz, ao contrário, destaca seus porta-aviões chamejantes de
novos - Essex, Bunker Hill, Independence -, cuja artilharia vai martelar
Rabaul. A audácia mudou de campo. Convergindo das ilhas Russel, Guadalcanal,
Woordlark, até de Port Moresby, os caças americanos fazem do céu um inferno
para as tripulações japonesas. Há coisas patéticas e, ao mesmo tempo, uma
justiça exaltante no castigo crescente de um adversário que foi tão orgulhoso
na embriaguez de seus triunfos e tão cruel em suas conquistas. Em Bougainville, algumas unidades japonesas
conseguem constituir uma espécie de front em torno da cabeça-de-ponte
americana. Elas são reforçadas, a 7 de novembro, por um contra-desembarque no
cabo Torokina, depois, progressivamente, pelos elementos chegados de Buka, de
Kieta e de Buin. Mas os americanos fazem mais do que estabelecer o equilíbrio
enviando a 37a Divisão, depois a Divisão Americal, depois a 40a
Divisão, enfim, o 14o Corpo. Quantidades fenomenais de material
acumulam-se sobre os estreitos areais de coral e na ilhota de Purnata, que
Griswold diz esperar ver afundar sobre a carga que a fazem suportar.
Competente e calmo, Griswold repõe ordem onde há confusão, e, mais ainda que
a luta contra os japoneses, organiza a luta contra Bougainville. Os
americanos ainda não encontraram nem encontrarão adversário tão espantoso. Depois de Guadalcanal e da Nova Geórgia, os
combatentes acreditavam saber o que era a lama; mas ignoravam isso. A
vertente ocidental de Bougainville é afogada sob chuvas esmagadoras, que,
descendo das altas montanhas, dissolvendo solos vulcânicos, abrem incríveis
cloacas. Recordar-se-ão de um bulldozer afundando na lama como um navio no
mar e desaparecendo sem que fosse possível encontrar vestígios seus. Os Marines
avançam enterrados até os joelhos, até as coxas, até as axilas, numa lama
líquida. À noite, penduram as armas nos troncos das árvores e dormem
sentados, pagando às febres e às doenças tropicais um tributo que o serviço
de saúde se admira não seja bem mais pesado. Por sorte, a pesquisa geológica sobre a qual os
americanos basearam seu empreendimento não os enganou. Existem no pântano
costeiro partes sólidas, permitindo o estabelecimento de pistas de pouso. Uma
primeira, reservada aos caças, está traçada no próprio litoral. Duas outras,
destinadas aos bombardeiros pesados, são preparadas sobre uma esteira de
malhas entre os rios Piva e Koromokina. Oito batalhões de Seabees trabalham
ali. Clareiras são talhadas na espessa floresta de coqueiros; todo o arsenal
de máquinas para deslocar e para nivelar a terra urge e muge, pois o
revestimento metálico das pistas é assentado com o auxílio de possantes
tratores. Sob a alternância de chuva, sol e bombas, um prodigioso canteiro de
obras públicas funciona na mais selvagem das ilhas Salomão. No Natal, uma das pistas está pronta. Alguns dias
antes, uma parte das forças de MacArthur franqueou o estreito de Vitiaz e
passou da Nova Guiné para a Nova Bretanha. A ilha em que se encontra Rabaul
é, pois invadida. Duas linhas de poder convergem de maneira lenta e
irresistível para a grande base aeronaval do Japão nos mares do Sul. Rota das selvas ou rota dos atóis? Mas a estratégia americana visa, a partir de
então, muito além da reconquista de uma posição avançada da invasão japonesa.
O que no começo do ano, na conferência de Casablanca, parecia um objetivo
perdido nas brumas longínquas, a própria investida contra o Japão, é agora
uma perspectiva precisa e clara. Sobre o modo de chegar a isso, duas concepções
estão confrontadas e em competição. Uma é a da Marinha. A época em que ela
lutava com o punhado de navios remanescentes de Pearl Harbor está terminada.
Os grandes couraçados da classe Washington e os grandes porta-aviões da
classe Essex entram na esquadra. Um prodigioso trabalho logístico criou no
Pacífico cadeias de bases, imensos armazéns, arsenais de circunstância:
Brisbane e Sidney na Austrália, Wellington na Nova Zelândia, Numéia na Nova
Caledônia, Tulagi nas Salomão, Nandi e Suva nas ilhas Fidji, Canton Island no
arquipélago Ellice, Bora-Bora no arquipélago da Sociedade, etc. Gigante
nascente, a Marinha requer uma estratégia apropriada à sua natureza. A linha
de aproximação que ela propõe passa pelo Pacífico central, através dos
viveiros de ilhas, o punhado de grãos de coral que tem o nome geral de
Micronésia e os nomes particulares de Gilbert, de Marshall, de Carolinas, de
Marianas, de Bonin. Os japoneses possuíam parte dessas ilhas, em virtude do
mandato recebido da Sociedade das Nações após a Primeira Guerra Mundial.
Conquistaram outras, e, sobre as principais, construíram aeródromos e
instalaram guarnições. O US Marine Corps pretende retomá-las e, gradualmente,
subir até a distância de poder bombardear o Japão, depois, se necessário, até
a distância de invadi-lo... O objetivo de MacArthur é o mesmo, mas seu
itinerário é diferente. O caminho que ele recomenda, após a liquidação de
Rabaul, passa pelo norte da Nova Guiné, utiliza as Molucas e, em Mindanao,
atinge as Filipinas. Trata-se de grandes ilhas montanhosas, densas,
insalubres, ferozes, nas quais os infantes deverão sofrer como sofreram na
Papuásia, em Guadalcanal e na Nova Geórgia. Mas MacArthur defende sua
concepção com a eloqüência e o poder de convicção que fazem dele uma
personagem excepcional, providencial e perigosa. Planificador da estratégia americana, o Comitê
comum dos chefes de estado-maior é favorável ao caminho dos atóis. Indica-o,
apesar dos protestos retumbantes de MacArthur, autorizando o Almirante Nimitz
a conquistar as ilhas Gilbert e enviando à sua disposição o Marine Corps.
Entretanto, MacArthur é um poder muito grande para ser relegado a papel
secundário. Decididamente, não haverá escolha. A vingança avançará, em
direção a Tóquio, não por um caminho mas por dois. O poderio dos Estados Unidos
permitirá sem graves prejuízos, esta dualidade de esforços. A guerra dos atóis começou alguns dias após a
invasão de Bougainville. Os dois primeiros objetivos selecionados foram dois
grupos de ilhotas do arquipélago Gilbert: Makin, onde os japoneses
estabeleceram uma base de hidroaviões, e Tarawa, onde construíram um
aeródromo. Os dois lugares se parecem, como se assemelham a todos aqueles que
os americanos assaltaram na Melanésia. Um banco de coral surge do oceano,
desenhando uma laguna mais ou menos perfeita. Sobre extensões que parecem
vastas mas que são microscópicas na escala do Grande Oceano, o mar tornar-se
verde-jade e grandes pedras fazem branquear a longa vaga. As ilhas mais alta,
de 2 a 3 metros acima do nível do mar, mostram ou não a coroa de coqueiros
que caracteriza o atol nas imagens populares. A água doce falta
freqüentemente; quando existe, raramente o homem está ausente. Essa gente -
os melanésios - tem o cabelo menos encarapinhados e são ligeiramente mais
civilizados que seus primos da Polinésia. O calor torna-se suportável graças
à brisa marinha. O mar é quase continuamente uma maravilha de calma luminosa.
De quando em quando, um tufão passa. É excepcional que leve todos os
coqueiros e todos os homens. Quase à saída, a expedição americana contra as
Gilbert parece-se como uma irmã à dos japoneses contra Midway. As pontes das
embarcações que dela participam sobrepujam a superfície das ilhas a
conquistar e é um balé naval imenso e rigoroso que conduz diante das terras
ínfimas um poderio de destruição que as ondas jamais trouxeram. Do norte chegam a Task Force TF-50.1, TF-50.2 e
TF-52. As duas primeiras tem por núcleo os porta-aviões Yorktown, Lexington,
Cowpens, Enterprise, Belleau Wood e Monterey, acompanhados pelos couraçados
South Dakota e Massachusetts. A TF 52 é a força de ataque destinada a Makin,
isto é, um grupo de transporte e a LST apoiados por uma variedade de navios
de combate, entre os quais os couraçados Idaho, Mississipi, New Mexico e
Pennsylvania, este último arvorando o pavilhão do Almirante Turner. Ao sul, a organização é simétrica. As TF-50.3 e
50.4 compreendem os porta-aviões Essex, Bunker Hill, Independence, Saratoga e
Princeton, com a guarda protetora de cruzadores e destróieres. A TF-53, que
fará o assalto a Tarawa, está apoiada pelos couraçados Maryland, Tennessee e
Colorado, e pelos porta-aviões de escolta Sangamon, Suwanee, Chenango, Barnes
e Nassau. A bordo do cruzador pesado Indianapolis, o vencedor de Midway, o
Almirante Raymond Spruance, comanda esta armada de 200 barcos, que
transportam 50.000 marines. Dois anos ainda não transcorreram desde o dia de
Pearl Harbor, com o qual o Japão acreditou ter apagado por anos o poderio
naval dos Estados Unidos. E trata-se do Pacífico, em favor do qual clamam
King, Nimitz, MacArthur, os ex-senadores isolacionistas e todos os Estados do
Oeste, dizendo ser um teatro de guerra abandonado! Esta força naval
gigantesca tem por missão desembarcar 6.507 homens da 27a Divisão
de Infantaria em Makin - mais exatamente, sobre a ilhota de Butaritari - e
15.545 homens da 2a Divisão dos Marines em Tarawa - mais
exatamente sobre a ilhota de Bitio. As fotos aéreas que serviram para a
preparação do assalto são tão precisas que puderam ser contadas as fossas
sanitárias instaladas à beira da laguna - o que permite uma exata estimativa
das guarnições: cerca de 100 homens. Os japoneses tem em Makin 800 homens,
metade dos quais são trabalhadores coreanos, e, em Tarawa, 4.800 soldados. O
comandante desta última base, o Almirante Keiji Shibashi, declara que nem em
100 anos e com um milhão de homens os americanos tomarão Tarawa. Os dois desembarques realizam-se simultaneamente a
18 de novembro. Em Makin, a defesa é considerada encarniçada: os americanos
só precisaram matar 695 defensores, e uma centena de outros - a maioria
coreanos - aceitou a vergonha do cativeiro. Em Tarawa, ao contrário, a
batalha é impiedosa. A preparação aeronaval matou a metade dos defensores,
mas um capricho da maré faz com que, antes do tempo, as embarcações anfíbias
encalhem nos arrecifes, à flor da água da laguna. Os marines devem
desembarcar no meio das ondas, sob mortífero fogo. Chegam agarrando-se à
areia da praia, para esperar a noite, e, no dia seguinte, progridem 500
metros, atravessando de parte a parte a ilha de Bitio. Os lança-chamas
liquidam as resistências locais. Quando o combate pára, no dia 21, 4.654 dos 4.800
homens da guarnição estão mortos, e os prisioneiros, todos, feridos. Os
americanos tem um milhar de mortos. Donos de Bitio, é para eles fácil ocupar
outras ilhotas do atol. Encontram aí uma missão de padres belgas e franceses,
isolados do mundo desde o começo da guerra do Pacífico e estupefatos de ouvir
que os Estados Unidos sobreviveram às vitórias do Japão. Em 1942, os americanos, para salvar Midway, haviam
arriscado tudo o que subsistira de seu poderio naval após Pearl Harbor. A
reação japonesa à invasão das Gilbert é, ao contrário, extremamente fraca. Um
torpedo feliz do submarino I-175 faz explodir o porta-aviões de escolta
Liscom Bay - navio de guerra improvisado -, mas a enorme frota do Almirante
Spruance domina orgulhosamente o mar. Os supercouraçados Yamato e Mushashi
estão em Truk; aí ficam. Um punhado de bombardeiros Betty, com base nas
ilhas, lança alguns ataques, mas os porta-aviões estão vazios de aparelhos. A
batalha pela posse de Rabaul esgotou o Japão; a grandiosa expedição das ilhas
Gilbert preludia a invasão das Marshall, depois a dos outros arquipélagos, e
mostra o poderio móvel de que os Estados Unidos ainda dispõem. Isto, sem
prejuízo dos esforços imensos que enviaram e dos preparativos gigantescos que
perseguem na Europa, para onde é tempo de voltar. |