Termina a guerra na África
Ataque aliado na Linha Mareth
Vitória aliada em Túnis
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Quando o General Alexander, assessor de Eisenhower, assumiu o comando de todas as forças aliadas que combatiam na Tunísia, constituiu-se o 18o Grupo de Exércitos. Esta força era integrada pelo 1o Exército britânico, do General Anderson, o 19o Corpo de Exército francês, do General Juin, o 2o Corpo de Exército americano, do General Fredendall e o 8o Exército, do General Montgomery. Alexander se entregou imediatamente à tarefa de planejar as operações destinadas a aniquilar as forças do Eixo. Com tal finalidade, no primeiro momento, confiou as unidades dos diferentes países que combatiam sob a égipe aliada aos seus próprios comandantes. Esta medida contribuiu para consolidar a organização e, conseqüentemente, a potência combativa dos exércitos aliados. Eisenhower, por sua vez, tratou de renovar o comando do
2o Corpo de Exército americano. Escolheu, como sucessor de
Fredendall, o General Patton, que a 7 de março assumiu o posto. Sob as ordens
deste general, os americanos deveriam efetuar, poucos dias depois, um ataque
contra as linhas de retaguarda das forças do Eixo, localizadas nas posições
fortificadas de Mareth. Esta operação fôra sincronizada pelo General
Alexander, com a grande ofensiva que, do sul, lançaria o 8o
Exército britânico. O objetivo era obrigar os alemães e italianos a retirar
parte de suas forças para enfrentar o ataque americano, o que debilitaria as
defesas da linha Mareth, facilitando a ação de Montgomery. |
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Ataque a El Guettar O avanço americano se realizaria na zona do desfiladeiro de Kasserine, local onde se haviam desenrolado os intensos combates do mês de fevereiro, com as tropas de Rommel. Patton distribuiu suas forças em três grupos de ataque. A 1o Divisão de Infantaria avançaria pelo extremo sul, através das colinas rochosas, até alcançar o desfiladeiro de El Guettar; pelo centro se movimentaria a 1a Divisão Blindada, transladando-se até o passo de Maknassy, onde ameaçaria as rotas de comunicação do Eixo no setor da costa do Mediterrâneo. No flanco norte, unidades das divisões de infantaria 9a e 34a se deslocariam defensivamente, para cobrir o avanço das outras duas colunas dos possíveis contra-ataques alemães. A zona onde a operação deveria se desenvolver era sumamente inadequada para a luta, principalmente para os tanques; as rotas de avanço desembocavam abruptamente em gargantas rochosas; embora esses maciços fossem desprovidos de vegetação, seus obstáculos serviam igualmente para o estabelecimento de redutos defensivos. Além disso, a erosão havia escavado no fundo dos vales, que constituíam rotas de trânsito obrigatórias para as formações mecanizadas, profundas depressões e rachaduras, praticamente intransponíveis. Nos setores onde não existiam esses acidentes, os alemães e italianos haviam espalhado todo tipo de minas. Na noite de 16 de março de 1943, Patton ordenou o avanço aos seus homens. Reunidos numa sala mal iluminada, quando Patton acabou de falar, um profundo silêncio caiu sobre a oficialidade presente. O general passeou o olhar sobre os homens que o observavam e acrescentou mais algumas palavras; poucas, porém expressivas: “Senhores, se não conseguirmos a vitória, que nenhum de nós volte vivo”. Os americanos lançaram-se então à luta, decididos a triunfar ou a morrer na empreitada. Diante deles, o fracasso do desfiladeiro de Kasserine se erguia como uma mancha que deviam apagar. A 1a Divisão de Infantaria, sob o comando do General Allen, avançou sobre Gafsa apoiada por um batalhão de rangers, e se apoderou da localidade sem luta, enquanto a guarnição italiana se retirava em direção à costa, rumo a El Guettar. As tropas de Patton chegaram até esse ponto e depararam ali com uma firme resistência por parte dos italianos e dos alemães enviados apressadamente como auxílio. O objetivo de Alexander começava a se cumprir. Com efeito, diante da ameaça que a penetração de Patton em sua retaguarda representava, o comandante do 1o Exército do Eixo, General Messe, viu-se obrigado a retirar as tropas da linha Mareth e enviá-las ao norte, a fim de conter os americanos. Para facilitar o deslocamento de seus tanques pelos vales, Patton resolveu, previamente, desalojar das colinas os efetivos do Eixo que ainda ali se encontravam; principalmente os postos de observação da artilharia. Distribuiu então os efetivos sobre os flancos da estrada, lançando-se à conquista da cadeia de colinas. O avanço foi muito penoso para as tropas, não preparadas para este tipo de terreno. Subindo pelas agrestes encostas, os soldados americanos sustentaram encarniçados combates, disputando cada cume e cada desfiladeiro. Ante o avanço americano, os alemães enviaram a 10a Divisão Panzer, numa tentativa desesperada de cobrir seu flanco vulnerável. Enquanto isso, pelo sul, as tropas de Montgomery iniciaram o ataque contra a linha Mareth, o que tornava ainda mais crítica a situação das forças do Eixo. Na manhã de 23 de março, os tanques alemães, deslocando-se lentamente pelo fundo dos vales, se lançaram contra as posições americanas, apoiados pela infantaria e pelos Stukas. Travou-se então uma violenta luta. Combatendo encarniçadamente, os soldados americanos conseguiram frear a investida alemã. Estes, apesar do fracasso de seu ataque, tornaram a tentar romper, naquela mesma tarde. Distribuídos em colunas, os infantes avançaram e foram varridos pela metralha da artilharia americana, que tardara o início do fogo até ter as formações alemães a curta distância. Patton, de um ponto elevado, não pôde conter uma exclamação, diante do massacre que presenciava: “Estão permitindo o assassinato de uma boa infantaria”. Os alemães, finalmente, se retiraram, deixando o campo coberto com os restos de 32 tanques destruídos e grande quantidade de mortos... Operação Pugilist Enquanto as tropas de Patton cumpriam a tarefa de distrair o inimigo, o 8o Exército de Montgomery terminava os preparativos da Operação Pugilist. Esse era o nome-chave com que se designava a ofensiva contra a linha Mareth. Esta linha, mesmo não possuindo fortificações modernas, contava com alguns obstáculos naturais excelentes para a defesa; dentre eles se destacava, no flanco norte, o wadi Zigzaou, extensa quebrada pantanosa de 6 a 8 metros de profundidade, da margem ao leito, e uma largura que variava entre 50 e 80 metros. Esta depressão constituía um obstáculo formidável e uma armadilha natural para os tanques, reforçada na margem oposta por largos campos de minas e arame farpado. Continuando a linha natural do wadi, estendia-se uma cadeia de redutos fortificados, que se interrompia no sopé das colinas Matmata. No outro lado do maciço rochoso se estendiam o deserto e pântanos salinos considerados intransponíveis. Aparentemente, pois, não havia possibilidade de flanquear a linha defensiva. Contudo, no mês de janeiro, grupos motorizados britânicos, ao explorar a zona desértica ao sul das colinas Matmata, verificaram que, embora difícil, o terreno poderia ser atravessado. Com base nestes informes, Montgomery planejou envolver pelo sul a linha Mareth. Organizou, para isso, um grupo de ataque, sob o comando do general neozelandês Freyberg e integrado por 27.000 soldados, 6.000 veículos, 200 canhões e 150 tanques. Esta força, de grande mobilidade e poder de combate, foi dotada com munições e combustível para abastecer-se a si mesma e operar de forma autônoma através do deserto. Para evitar o desgaste dos tanques, estes foram conduzidos sobre grandes veículos especialmente projetados. Programou-se realizar a marcha em duas etapas noturnas, até alcançar o ponto de rompimento, situado num estreito desfiladeiro, no flanco sul das linhas do Eixo. Baseados nos informes das patrulhas de reconhecimento e nas fotografias aéreas, confeccionou-se, com gesso, um modelo em relevo das zonas que as tropas deveriam atravessar e na qual combateriam. Esse modelo foi estudado minuciosamente por todos os oficiais e suboficiais do corpo neozelandês. Montgomery projetava lançar, simultaneamente com a penetração secreta de Freyberg, um ataque frontal contra o flanco norte da linha Mareth, empenhando uma quantidade relativamente reduzida de suas forças. Caso as tropas incumbidas dessa manobra de rompimento conseguissem um êxito completo, seriam apoiadas pelo grosso das forças. Caso, por outro lado, alcançassem somente uma vitória relativa e o Corpo de Freyberg tivesse melhores resultados, o peso das forças seria empenhado no apoio a este último. Ataque à linha
Mareth As operações se iniciaram na noite de 16 de março. Patrulhas da 50a Divisão de Infantaria britânica se internaram cautelosamente no wadi Zigzaou, a fim de explorar o ponto mais adequado para iniciar o avanço. Localizaram então os campos minados, as cercas de arame farpado e os obstáculos antitanque. Em seguida, na noite de 19, tropas da Brigada Motorizada da Guarda realizaram um assalto inicial para ganhar posições avançadas. Tudo estava, pois, preparado para a ofensiva. O assalto da 50a Divisão de Infantaria se iniciou às 23h15 de 20 de março de 1943, apoiado por violento fogo de artilharia. Os regimentos fizeram uma carga com baioneta, em direção ao wadi, precedidos pelos sapadores que, metodicamente, desenterravam as minas. O wadi foi alcançado. No seu interior, as tropas tiveram que recorrer a escaladas para poder ascender pela margem oposta. Chuvas recentes haviam castigado o leito do wadi, convertendo-o num lamaçal. Os homens se afundavam no barro até a cintura, mas apesar disso o avanço continuou. A divisão, por fim, estabeleceu uma cabeça-de-ponte na outra margem. Simultaneamente com o avanço da infantaria, as unidades de sapadores voltaram ao leito do wadi para estender uma passagem destinada aos tanques. Os trabalhos se realizaram sob o incessante martelar da artilharia e das metralhadoras inimigas. Os alemães disparavam sobre o gigantesco fosso com suas baterias de Nebelwerfer, cujos foguetes causavam grandes baixas entre as fileiras britânicas. Os sapadores, porém, prosseguiram o seu trabalho febrilmente, esforçando-se por estabelecer uma superfície sólida, que facilitasse a passagem dos tanques; para tal fim utilizavam vigas de madeira e pranchadas. Os primeiros tanques, então, se aproximaram do wadi. Estes blindados levavam sobre a sua estrutura grandes feixes de ramos, de uns três metros de comprimento, destinados a tapar o fosso antitanque, do outro lado do wadi. Os blindados se internaram no wadi e ficaram detidos pela lama na metade do caminho. Lançaram então, ali mesmo, os feixes de galhos que traziam, a fim de facilitar a passagem; contudo, apenas quatro tanques puderam atravessar a arapuca. O quinto carro blindado se afundou até a torre no atoleiro. Assim perdeu-se o sacrifício feito pelos sapadores, que haviam lutado denodadamente para possibilitar-lhes a travessia. Os outros tanques restantes, ao verem o caminho bloqueado, tiveram que recuar. No dia seguinte, 21 de março, e sob o fogo mortífero do inimigo, os sapadores retomaram a tarefa. A artilharia inglesa esforçou-se para proteger os seus homens que trabalhavam no wadi, disparando granadas fumígenas, para dificultar a visão do inimigo. Ao cair da noite haviam conseguido estabelecer uma passagem segura para os tanques. Então, um batalhão inteiro de carros blindados cruzou o wadi. No dia seguinte a situação dos britânicos tornou-se crítica. A passagem dos tanques havia praticamente desfeito a ponte improvisada, tornando quase impossível o envio de novos veículos e caminhões. Nesse momento, a 15a Divisão Panzer desencadeou uma violento ataque contra a cabeça-de-ponte britânica lançada pela 50a Divisão. Ante as graves perdas sofridas, que incluíam 27 blindados Valentine, Montgomery decidiu retirar suas forças da brecha. Com o fracasso do rompimento da linha Mareth, Montgomery decidiu por em marcha a variante prevista no seu plano de operações. Concentraria o esforço principal e decisivo na manobra de flanqueio que o Corpo neozelandês de Freyberg estava empreendendo. Com esse fim, ordenou que a 1a Divisão Blindada, mantida na reserva, se incorporasse às formações de Freyberg. Avançam os
neozelandeses Na noite de 19 de março, no momento em que se iniciava o ataque preliminar na linha Mareth, as colunas do General Freyberg se punham em movimento através do deserto. Os veículos marchavam muito próximos entre si, numa coluna que se estendia ao longo de vários quilômetros. De início a movimentação não oferecia dificuldades, porém, ao aproximar-se das ladeiras do maciço de Matmata, o avanço tornou-se extremamente difícil. O General Freyberg, ante a diminuição do ritmo da marcha, compreendeu que suas forças não alcançariam o objetivo na data prefixada, que devia coincidir com o início do ataque maciço da linha Mareth. Portanto, resolveu deixar de lado o fator surpresa e ordenou que o avanço continuasse não somente de noite, mas também de dia. Ao mesmo tempo determinou, para acelerar a marcha, que a caravana se estendesse em formação aberta. A movimentação, porém, tornou-se cada vez mais difícil, em conseqüência da aspereza do terreno. Os grandes transportadores de tanques sofreram numerosos estancamentos que obrigava o descarregamento dos blindados, para tirar os transportadores do atoleiro. As dificuldades foram-se agravando e, na noite de 20 de março a coluna teve que parar completamente, ante o acúmulo de acidentes naturais que impediam a progressão. Na manhã do dia 21 reativou-se a penetração e, às 15 horas, os primeiros veículos da vanguarda chegaram ao estreito vale que dava acesso à retaguarda das forças do Eixo. Por ali passava, em direção à costa do Mediterrâneo, uma estrada. O inimigo controlava as colinas de ambos os lados dessa rota, que, por sua vez, estava bloqueada por um extenso campo de minas. Freyberg, contudo, estava resolvido a lançar-se ao ataque sem tardar. Distribuiu rapidamente suas baterias e tropas. Ao cair da noite e à luz brilhante da lua, dois batalhões da infantaria neozelandesa, apoiados por um violento fogo de artilharia, iniciaram o assalto às posições inimigas. Em seguida, os sapadores entraram em ação para limpar um caminho no campo minado, destinado à passagem de uma companhia de tanques Sherman. Esse ataque noturno culminou com a conquista de uma das colinas, defendidas por tropas italianas. Mais de 1.500 soldados foram feitos prisioneiros, e conseguiu-se abrir uma brecha no sistema defensivo do inimigo. Esta posição serviria de trampolim para o ulterior avanço sobre El Hamma. Na manhã de 22 de março, os tanques da 8a Brigada blindada (100 Sherman e 80 Crusader) apareceram na brecha para sondar as defesas inimigas. Estas operações se realizaram sob um intenso fogo inimigo, no decorrer dos três dias seguintes, e alguns novos pontos elevados foram conquistados. Freyberg havia decidido aguardar a chegada da 1a Divisão Blindada que, enviada por Montgomery, já estava em marcha. O comandante das forças do Eixo, General Messe, por sua vez, havia deslocado para o desfiladeiro a 21a Divisão panzer, a 164a de Infantaria e a 15a Panzer. Os neozelandeses, portanto, teriam que enfrentar uma resistência poderosa. A 26 de março chegaram as unidades de artilharia da 1a Divisão Blindada e foram rapidamente colocadas em posição. Às nove da manhã, Freyberg decidiu iniciar o ataque, sem aguardar a chegada do grosso dos blindados. Esperava que, no decorrer da jornada, os tanques restantes se juntariam a ele, o que lhe permitiria revirar totalmente a situação. Poucos momentos antes de iniciar a ação, o chefe neozelandês reuniu os oficiais dos grupamentos de tanques que liderariam o ataque, e os pôs a par do que a operação que iniciaram era decisiva para o curso posterior dos acontecimentos, pois o ataque contra a linha Mareth, no sul, havia fracassado. “A carga de
Balaklava” Pouco depois, às 15h35, os 100 Sherman se deslocaram para a entrada do desfiladeiro, mantendo, entre um e outro, uma distância de 50 metros, formando assim uma frente de quase 5 km. Atrás deles se postaram os Crusader, separados entre si por uma distância de 100 metros. Desta forma, como nos velhos tempos das cargas de cavalaria, os tanques reviveram os esquadrões de antigamente. A ordem era carregar a todo vapor, através do desfiladeiro e das defesas inimigas, até alcançar um wadi situado a 6 km do ponto de partida. Deviam avançar sem se deter, sem absolutamente preocupar-se com o que acontecesse nos flancos, sob o fogo concentrado das peças de artilharia alemã situadas nas colinas limítrofes. Para apoiar essa audaz investida, 200 canhões britânicos estenderiam uma barreira de fogo. Além disso, 22 esquadrilhas de Hurricanes varreriam com suas metralhadoras as posições do inimigo. As tripulações dos tanques sabiam que seu ataque só podia ter duas alternativas finais: o triunfo ou a derrota total. Um dos oficiais definiu com justeza a dramática operação: “Será uma nova carga de Balaklava”. De fato, assim como na legendária carga de esquadrões de cavalaria da Briga Ligeira britânica, os tanques marchariam ao encontro do inimigo fortemente entrincheirado nas colinas circundantes. Suas únicas possibilidades de triunfo repousavam na firmeza com que mantivessem a carga, apesar do fogo inimigo. Abririam assim a passagem aos infantes neozelandeses. Às 16 horas em ponto, a primeira esquadrilha de Hurricanes passou rugindo sobre o vale, para atacar as posições inimigas. Simultaneamente, a artilharia rompeu o fogo. O estampido das explosões, ao ecoar contra as muralhas rochosas, envolveu o palco da batalha num retumbar sem fim. Minutos mais tarde, as duas linhas de tanques, levantando enormes nuvens de areia, se lançaram ao assalto. Diante deles, avançando metro a metro, a barreira de fogo da artilharia lhes indicava o caminho. Os blindados avançavam tão perto da coluna de fogo, que os alemães, refugiados em suas trincheiras, não tinham tempo de abandonar a profundidade dos fossos para disparar os seus canhões para tentar detê-los. Os Sherman irromperam assim pelas defesas do inimigo, disparando praticamente à queima roupa os seus canhões de 75 mm contra as fortificações alemães. Os soldados do Eixo que conseguiram escapar ao fogo da artilharia e da primeira leva de Sherman, foram aniquilados pela segunda, de Crusader. Durante a marcha, alguns tanques foram inutilizados pelas minas e nove foram postos fora de combate pelas peças antitanque. Finalmente, os carros blindados chegaram à linha do wadi. A luta não estava concluída, porém. Inesperadamente, sobre os flancos da coluna surgiram os tanques alemães, travando-se uma encarniçada batalha, na qual foram destruídos cinco Sherman e quatro blindados alemães. Entrementes, na retaguarda, os neozelandeses, a ponta de baioneta, utilizando granadas e metralhadoras, se internaram nas colinas e exterminaram os combatentes que ainda resistiam em redutos dispersos. Freyberg, no seu posto de comando, aguardava ansiosamente a chegada dos tanques da 1a Divisão Blindada, cuja investida decidiria a ação. Até aquele momento, não tinha notícias da coluna. Eram 18 horas quando se levantou uma violenta e surpreendente tempestade de areia. Nesse preciso momento, os neozelandeses, que se encontravam esgotados, começaram a ouvir, a distância, o ressoar das lagartas de centenas de veículos blindados que se aproximavam de suas linhas. Eram os tanques da 1a Divisão! Pouco depois, ente nuvens de poeira, as silhuetas escuras dos tanques, que passavam rugindo, se perderam ao longe, rumo à frente de luta. Durante a noite inteira, a 1a Divisão prosseguiu o seu avanço sob a luz da lua, através do vale. Na manhã seguinte, chegou ao reduto de El Hamma, que bloqueava a estrada para a costa do Mediterrâneo. Tropas alemães e italianas ofereceram ali uma encarniçada resistência e as divisões Panzer 15a e 21a lançaram um inesperado contra-ataque sobre o flanco das unidades blindadas britânicas. O avanço ficou, então, paralisado. Enquanto isso, todas as forças do Eixo se retiravam apressadamente da linha Mareth para o norte, a fim de escapar ao cerco que as ameaçava. Apesar do seu esforço, os britânicos não conseguiram sobrepujar as defesas de El Hamma; este fato frustrou a manobra de envolvimento, que teria culminado com a destruição do 1o Exército ítalo-alemão. Na manhã de 28 de março, a totalidade das tropas do Eixo escapara rumo ao norte, estabelecendo uma nova linha defensiva no wadi Akarit, uma profunda depressão que corria ente o Mediterrâneo e os pântanos do interior. A retirada alemã O fracasso da operação britânica de cerco forneceu apenas uma breve pausa às forças do Eixo. As tropas americanas de Patton continuavam pressionando a sua retaguarda, e foi necessário enviar a divisão Panzer 21a para conter a sua penetração. A frente do wadi de Akarit ficou, assim, debilitada. Na noite de 6 de abril, 450 canhões britânicos abriram fogo contra as linhas inimigas e três divisões de infantaria do 8o Exército se lançaram ao assalto, a baioneta. Rapidamente, conseguiu-se um ponto de rompimento e, por ele, avançaram as unidades blindadas e a divisão de infantaria neozelandesa. Às seis da manhã, toda a linha já estava nas mãos dos ingleses. Mais de 6.000 soldados, na sua maior parte, italianos, haviam sido capturados. Iniciou-se imediatamente a perseguição das forças do Eixo que se retiravam ao longo da costa, em direção a Túnis. A 7 de abril, uma patrulha avançada da 4a Divisão hindu estabeleceu contato, finalmente, com as tropas do 2o Corpo americano de Patton. Ficou assim estabelecida a união entre as duas forças aliadas. Não puderam impedir, no entanto, que as unidades do Eixo continuassem efetuando a sua retirada. No dia seguinte, os Aliados tentaram novamente cortar a fuga das colunas do Eixo. Forças blindadas britânicas e a 34a Divisão de Infantaria americana, penetraram, de surpresa, pelo passo de Fondouk e avançaram para a costa, porém foram contidas pelos tanques alemães. A operação fracassou, e as unidades do Eixo chegaram ao norte de Túnis, onde estabeleceram contato com o 5o Exército do General von Arnim. Ficou então formada uma linha que rodeava o porto de Túnis. Ali, os alemães e italianos ofereceriam a última resistência. A ofensiva final
aliada Ao serem frustrados os planos aliados de destruir separadamente os dois exércitos do Eixo, o 1o e o 5o, o General Alexander resolveu deslocar para o norte o centro de gravidade do próximo ataque. Calculava acertadamente, que o chefe supremo alemão esperaria o principal assalto pelo sul, onde operava o 8o Exército de Montgomery. Alexander, então retirou o 2o Corpo de Exército americano da frente sul, determinando-lhe a missão de ocupar Bizerta, na costa norte de Túnis. Reforçou ainda mais o 1o Exército britânico, com a 7a Divisão Blindada e a 4a Hindu, e confiou a este corpo a missão de realizar o principal rompimento. O ataque decisivo se iniciou na noite de 5 de maio. Na manhã seguinte, a infantaria britânica, apoiada pelo fogo devastador de 1.000 canhões, iniciou a penetração por ambos os flancos da estrada que conduzia diretamente ao porto de Túnis, principal centro de resistência alemã. A aviação aliada desencadeou, então, o mais gigantesco esforço de toda a guerra africana. Seus bombardeiros e caças, alternando-se sem cessar, atacaram encarniçadamente as posições do Eixo, aniquilando homens e destroçando materiais. O General Arnold, referindo-se ao episódio disse: “Como um dilúvio de bombas, abrimos um canal até Túnis”. Através desse “canal” irromperam os tanques da 6a e 7a Divisões Blindadas britânicas, esmagando a oposição. Na manhã de 7 de maio, os tanques entraram no porto de Túnis. Pouco depois, um regimento de tropas coloniais francesas içava a bandeira tricolor na principal praça da cidade. Os americanos, por seu lado, conduzidos pelo General Bradley, que substituíra Patton, ocuparam Bizerta nesse dia. No outro dia, 8 de maio, capitularam os restos das divisões Panzer 10a e 15a. A luta, no entanto, ainda prosseguiu, sob a influência das implacáveis determinações de Hitler de resistir até o último soldado. A 6a Divisão Blindada girou então para o sul e atacou pelas costas as tropas do Eixo que continham o avanço do 8o Exército de Montgomery. A 12 de maio, soldados da 4a Divisão hindu capturaram o General von Arnim, comandante-chefe das forças do Eixo. Nessa mesma noite, às 22 horas, o General Messe (que havia sido recentemente promovido a marechal) depois de receber autorização do Comando-Supremo, enviou uma mensagem às linhas inimigas e ordenou o cessar fogo. No dia seguinte, Messe capitulou, junto com os restos do seu exército. A luta na África havia chegado ao fim. Três anos de batalhas ficaram para trás e com eles o sonho de conquista que Hitler havia acalentado. A tenacidade britânica, superando os momentos de derrota, havia jogado por terra o mito de invencibilidade do legendário “Raposa do Deserto”. As façanhas do marechal alemão, porém, e o seu cavalheiresco comportamento na guerra, ao qual o próprio Churchill havia rendido homenagem, não seriam esquecidos pelos soldados que combateram de um ou de outro lado. A partir desse momento os Aliados, vitoriosos, se entregaram à tarefa de preparar a invasão da Sicília. Assim se dava o começo à etapa que precedia o assalto final da “Fortaleza Européia”. Em Londres, pela primeira vez desde o início das hostilidades, os sinos repicaram festivamente. Conferência
Trident Enquanto a luta, em Túnis, se aproximava do desenlace, Winston Churchill decidiu transladar-se a Washington para discutir com o Presidente Roosevelt as novas possibilidades que, a seu ver, a iminente vitória lhes proporcionaria. O Primeiro-Ministro britânico estava resolvido a conseguir apoio de Roosevelt para manter o centro de gravidade do esforço bélico aliado no teatro de operações do Mediterrâneo. Esta zona constituía, segundo ele, o calcanhar de Aquiles do Eixo, pois, ao contrário da zona do Canal da Mancha, não existiam ali poderosas defesas, nem forças suficientes para sustentar um longo assédio. A 4 de maio, Churchill deixou Londres e, no dia seguinte, zarpou rumo aos Estados Unidos no grande transatlântico Queen Mary, acompanhado por um numeroso séquito de assessores, ente os quais estavam os chefes do Estado-Maior das forças armadas britânicas. Para desorientar os serviços de informações do Eixo, os Aliados haviam divulgado habilmente uma série de notícias falsas, referentes à personalidades dos viajantes. De fato, um dos rumores dizia que o Queen Mary conduzia a bordo a Rainha Guilhermina, da Holanda, e por outro lado, nos passadiços e escadas foram colocados extensas rampas de madeira, para fazer acreditar que, na sua viagem de retorno à Inglaterra, a nave conduziria o Presidente Roosevelt que, como é notório se movimentaria numa cadeira de rodas, em virtude de sua paralisia. Para agregar um elemento mais à confusa rede de suposições, o Queen Mary conduzia a bordo 5.000 prisioneiros alemães, rumo aos campos de concentração nos Estados Unidos. No decorrer da viagem, Churchill manteve repetidas reuniões com seus assessores, para ultimar os detalhes das proposições que apresentaria a Roosevelt. Na metade do caminho, a 8 de maio, enviou um telegrama a Stalin, anunciando-lhe que se dirigia a Washington, para resolver as futuras operações na Europa, depois da conquista da Sicília. Isto servia também para desalentar os americanos, que se inclinavam a dar maior preponderância à luta no Pacífico. No dia 11 de maio, chegou a Nova York, sem contratempos, o Queen Mary. No dia seguinte, Winston Churchill se reuniu na Casa Branca, com o Presidente Roosevelt. Logo após o início da reunião chegaram mensagens do General Eisenhower, anunciando que a resistência em Túnis havia cessado. A notícia deu a Churchill argumentos para defender entusiasticamente a sua posição, no sentido de ampliar o campo de luta no Mediterrâneo e levar a cabo o quanto antes a investida final contra a Itália. O resultado desta ação teria decisiva importância no desenrolar ulterior da guerra. Com efeito, o poderio do Eixo ficaria radicalmente diminuído e as reduzidas forças de que os alemães disporiam se veriam obrigadas a cobrir as posições desguarnecidas com a capitulação dos italianos. Desta forma, também, se contribuiria muito para aliviar a pressão que os exércitos alemães exerciam sobre as unidades soviéticas. Além disso, a rendição da frota italiana permitiria deslocar uma grande quantidade de naves britânicas do Mediterrâneo ao Pacífico e ao Índico, incrementando as operações contra o Japão. Todos esses argumentos foram expostos por Churchill, com sua característica veemência. E causaram um grande efeito no seu auditório. As vantagens assinaladas por Churchill eram, de fato, de grande transcendência, principalmente considerando o fato de que, em virtude da falta de barcos de transporte, o projetado ataque à costa francesa, através do Canal da Mancha, não poderia se realizar em 1943; portanto, as 20 divisões que se encontravam no Mediterrâneo, já tarimbadas na luta, fiariam, depois da conquista da Sicília, praticamente inativas durante todo um ano, fato que atentava contra os mais elementares princípios da lógica militar. Essas divisões precisavam ser empregadas para aproveitar a sua experiência. Churchill adiantou-se aos argumentos do Presidente Roosevelt assinalando a sua posição nitidamente otimista com relação ao curso futuro dos acontecimentos. Sustentou que a Itália poderia ser batida com um mínimo de esforço. A conferência se prolongou por vários dias (12 a 25 de maio de 1943). Finalmente, os chefes do Estado-Maior Combinado, integrado por oficiais americanos e ingleses, apresentaram um relatório sobre o assunto, para ser aprovado ou repelido. Churchill e Roosevelt, sem vacilar, o aprovaram. O documento aceitava em parte as propostas do Primeiro-Ministro britânico. Emitia-se uma determinação a Eisenhower de realizar preparativos tendentes a eliminar a Itália do plano das nações combatentes. Porém, as operações contra a Itália seriam realizadas, levando-se em conta a imperiosa necessidade de não debilitar as formações que deveriam levara cabo a invasão prevista através do Canal da Mancha, em 1944. Com esse fim, estipulou-se que sete das divisões que se encontravam no Mediterrâneo, deveriam ser aprontadas a partir de 1o de novembro, para serem transferidas para a Inglaterra. Esta cláusula que, posteriormente, Churchill procurou em vão revogar, constituiu o maior obstáculo para que as operações no Mediterrâneo alcançassem a importância desejada pelo líder inglês. Ao terminar a conferência, Churchill viajou à África do Norte para encarecer pessoalmente a Eisenhower a necessidade de encarar com decisão o ataque contra a Itália. O chefe americano não mostrou o maior entusiasmo pelos ambiciosos projetos de Churchill, apesar de considerar positiva a ocupação da parte sul da península, a fim de transferir para lá suas esquadrilhas de bombardeio, que poderiam atacar a Alemanha, naquelas zonas que ficavam fora do raio de ação dos bombardeios que operavam com base na Inglaterra. Anexo Cruz Vitória Instituída em 1856 pela
Rainha Vitória, a cruz que traz o seu nome é a mais alta distinção que pode
ser conferida aos membros das forças armadas britânicas. Relatamos as
façanhas de alguns dos soldados do 8o Exército de Montgomery, que
obtiveram esta condecoração: A ponta de baioneta O soldado australiano
A.S. Gurney, nascido em 1912, na cidade de Perth, se distingiu nos
encarniçados combates travados na colina de Tel-El-Eisa, nas posições de El
Alamein, em julho de 1942. A companhia a que Gurney pertencia estava sendo
dizimada pelo fogo das metralhadoras alemães, e todos os oficiais haviam sido
mortos ou feridos. Gurney, então, se lançou, à baioneta, contra o reduto
inimigo mais próximo, matou três soldados alemães, e silenciou a
metralhadora. Continuou depois o seu avanço até um segundo posto, matou a
golpes de baioneta outros soldados e aprisionou um terceiro. Nesse momento,
uma granada explodiu e um estilhaço feriu Gurney. Ele, porém, erguendo-se
apanhou o fuzil e carregou, corajosamente contra o terceiro posto.
Posteriormente, o corpo de Gurney, foi encontrado, já sem vida, no interior
de uma trincheira inimiga. Por esse ato de bravura, que permitiu a salvação
da sua companhia, o valente australiano foi condecorado com a Cruz Vitória. À frente de seu batalhão O Tenente-Coronel Derek
Anthony Seagrim conquistou a Cruz Vermelha, pelo seu heróico comportamento no
ataque à linha Mareth, entre 20 e 21 de março de 1943. Seu batalhão recebeu a
missão de conquistar um forte reduto situado no flanco esquerdo da linha. Porém
o violento fogo inimigo deteve o avanço da unidade, cujas tropas começaram a
retirar-se. Ante essa situação, o Tenente-Coronel Seagrim colocou-se de
pistola em punho, à frente do seu batalhão e o guiou, debaixo da cortina de
fogo até alcançar uma colina que dominava as posições inimigas. Em seguida,
assaltou, com sua pistola e granadas, dois ninhos de metralhadoras que
dizimavam suas forças e os silenciou. Seagrim, gravemente ferido, morreu um
pouco depois. Até a última granada O soldado australiano P.E.
Gratwick, nascido em 1902 na localidade de Katanning, sacrificou a sua vida
num ato de extraordinária coragem. O episódio teve lugar entre 25 e 26 de
outubro de 1942, durante a grande ofensiva britânica em El Alamein, que
terminou com a derrota de Rommel. O pelotão a que Gratwick pertencia se
lançou à conquista de uma colina e foi dizimado pelo fogo de seus morteiros e
das metralhadoras inimigas. Em poucos minutos, a unidade ficou reduzida a
apenas sete homens. Gratwick então, decididamente, atacou o reduto mais
próximo e o aniquilou com granadas de mão, destruindo toda a guarnição de um
morteiro. Lançou-se depois contra um segundo reduto e, arrojando suas últimas
granadas, causou numerosas baixas entre a guarnição. Foi, então, morto, por
um atirador alemão. Foi-lhe outorgada a Cruz Vitória, postumamente, como
prêmio. Quatro vezes ferido Na colina de Ruweisat, na
frente de El Alamein, o sargento neozelandês K. Elliot se fez merecer da Cruz
Vermelha, no transcurso dos sangrentos combates sustentados em julho de 1942.
Manejando a metralhadora de um tanque, do qual era comandante, Elliot liderou
o avanço do seu pelotão rumo às posições inimigas. Conduziu-os assim à
conquista de uma colina, onde os britânicos foram submetidos a um intenso
martelar por parte dos alemães. Depois de localizar os ninhos de
metralhadoras que disparavam sobre eles, Elliot desceu do tanque e, à frente
de sete soldados, fez uma carga à baioneta, em campo aberto. Conquistou assim
quatro redutos inimigos e dois canhões antitanques, matando ou capturando as
suas guarnições. Ferido quatro vezes na luta, recusou ser medicado até a
destruição dos adversários. Quem será o próximo? Werner Baumbach, um dos
mais destacados pilotos da Luftwaffe relata as suas experiências do teatro de
guerra do Mediterrâneo: “Catânia, Comiso,
Trapanti e Gerbini eram os aeródromos na Sicília. Sardenha e o sul da França
constituíam os centros de abastecimento. Nos meses de novembro e dezembro (de
1942) o poderio efetivo de combate das esquadrilhas alemães era de 100 a 200
aviões. Em poucas semanas o número baixou a mais ou menos 50 aparelhos e
tripulações em condições de operar. Os reduzidos reforços que chegavam, pouco
puderam fazer para alterar a situação. Em pouco tempo passamos a contar
apenas com um esquema dos estados-maiores e com os serviços de terra nos
aeródromos; já não possuíamos aviões, nem tripulações, nem esperanças. No
posto de comando do 2o Corpo Aéreo e no da 2a Frota
Aérea, os oficiais continuavam dirigindo operações nas quais figuravam grupos
e asas que apenas existiam nos mapas. Na realidade, os grupos somente
contavam com menos de dez tripulações...” “Transcrevo algumas
palavras do meu Diário: “Lasciate ogni speranza
voi che entrate! - O anjo da morte projeta a sua sombra sobre nós, nem bem chegamos.
O inferno de Dante é uma realidade aqui. Rothe e seus homens morreram; o
Tenente Grigoleit foi derrubado; o pequeno Quisdorf desapareceu em vôo;
Sttofregen foi abatido e ferido mortalmente; os Ju 88 de Metzenthin e do
Tenente Harmel se precipitaram em chamas sobre a Argélia... Ontem à tarde,
fiz com que as desmoralizadas tripulações formassem novamente à minha frente.
Ordem: o mesmo alvo do dia anterior. Atacaríamos com toda a nossa força. E
nas primeiras horas da manhã seguinte, quando nos reuníamos depois da
incursão, dois, três ou quatro tripulações estavam novamente ausentes. Não
sobreviveram ao ataque! Quem será o próximo? Por que golpe cruel o destino
determinou já a sorte das próximas vítimas? Todos nós reunimos nossos
escassos pertences e os guardamos em envólucros que ficam na base. Isso será
a única coisa que restará de nós, quando os caminhões chegarem... Permaneço com freqüência
estendido em minha cama, prostrado numa aparente paralisia, coberto de suor,
e, no entanto, gelado até os ossos, ao mesmo tempo em que contemplo pela
janela as laranjas vermelhas como sangue que pendem das árvores frondosas...
É a angústia, uma angústia que confrange o meu coração e me abala até a
medula. E essa angústia cresce até transformar-se numa horrível febre que
arrebenta meus nervos. Desde que estamos aqui, deixei de falar com meus
homens. Não encontro nada para dizer a eles que possa servir para atenuar
esta sensação de desesperança. Luta de blindados 20 de março de 1943. Os
carros blindados da 15a Divisão Panzer se põem em movimento e
começam a agrupar-se. Estão perto de Zarat e é evidente a intenção dos
alemães de lançar um contra-ataque e eliminar os britânicos de suas
cabeças-de-ponte na linha Mareth. Os ingleses, atentos à manobra, compreendem
a urgência de enfrentar o perigo. O Tenente-Coronel Cairn, do 50o
Regimento Real de Tanques, pede o imediato envio de vários canhões de seis
libras, indispensáveis para deter os tanques inimigos. Paralelamente, os
tanques do regimento se ocultam num bosquezinho próximo, à espera dos
blindados alemães. 13 horas: Um intenso fogo parte das linhas alemães 15h30: Ao longe, envoltos
numa nuvem de poeira, vislumbram-se 20 tanques alemães em movimento. Ao mesmo
tempo, alguns canhões antitanques alemães, engenhosamente localizados, abrem
fogo contra os blindados ingleses. Em conseqüência do ataque, três Valentine
são postos fora de combate. Entrementes, o Coronel Cairn, que dirige o
ataque, é atingido pelo fogo de cinco blindados alemães. Um impacto direto
que destroça a torreta onde se encontrava lhe causa a morte e incendeia o
tanque. O condutor, cabo Flaherty, ileso, sai do tanque e trata de retirar
dali o operador de rádio, que está gravemente ferido; contudo, quando
consegue deitá-lo no chão, comprova que o soldado já estava morto. Um dos tanques, enquanto
isso, manobrando velozmente, procura esconder com uma cortina de fumaça os
demais veículos ingleses, para lhes facilitar a retirada. O forte vento
dissipa rapidamente a cortina. A conseqüência, inevitável, não pode ser
outra: todos os tanques são destruídos. Somente um, o que havia lançado a
cortina de fumaça, consegue escapar ileso. Massacre
aéreo 10 de abril de 1943. Base de El Djen, Tunísia. Os aviões do 57o Grupo de Caças americano
(os “carniceiros do 57”) estão alinhados na pista, prontos para levantar vôo.
Sua missão: interceptar a ponte aérea que os alemães estabeleceram entre a
Itália e a África do Norte. Através dela, os Ju 52 transportavam,
diariamente, homens e materiais para fortalecer as forças de Rommel. Desta vez, o duelo
acontece rapidamente. E 20 Ju 52 são derrubados sobre o canal da Sicília. A
carga que conduziam, gasolina, de inestimável valor para Rommel, se perde no
fundo do mar. No dia seguinte, domingo,
a manhã se apresenta tranqüila. Chega meio-dia e a calma persiste.
Aparentemente, nada acontecerá. Durante a tarde algumas
patrulhas são efetuadas, mais por simples rotina do que por alarmes reais.
Por fim, às 16h30 se ordena um último vôo. Levantarão vôo quatro esquadrilhas
do 57o com um total de 47 aviões P-40. A ordem é patrulhar o golfo
de Túnis. Sobre eles, protegendo-os, voarão aparelhos britânicos. Depois de decolar, os
aviões se dirigem em formação ao lugar previsto. Ali, dividindo-se em
esquadrilhas, tomam altura e ficam na expectativa. Nada, porém acontece. E os
minutos se escoam, longos, tediosos. Descrevendo amplos giros, os aparelhos
cobrem grandes setores, em missão de patrulha. O combustível, enquanto isso,
se esgota lentamente. Finalmente, o chefe do grupo, após consultar os seus
instrumentos, decide ordenar o regresso. Restam nesse momento 15 minutos de
vôo... De súbito, o rádio do
avião-guia vibra. Uma voz anuncia: - Bandidos, direção três do relógio! A formação rapidamente
cerra as suas linhas. O chefe determina novas ordens. E lá estão, claramente
visíveis, os aviões inimigos. Todos os pilotos proferem exclamações de
assombro quando os vêem. Não são dois, nem dez... São muitos, mais do que
podiam imaginar. Na frente, voando em formação, como um gigantesco bando de
pássaros, avançam 30 aviões Ju 52, formados em V. Em seguida, outro enorme V
com mais 30 aparelhos. E mais para trás, tornando ainda mais incrível a
visão, um novo V: outros 30 aviões. Os pilotos não podem acreditar no que
estão vendo. São 90 enormes Ju-52 que avançam para eles. Em volta, protegendo
a massa inimiga, evolucionam, como pequenos pássaros, 25 ou 30 caças. Apesar
da escassez de combustível, arriscando tudo, os homens do 57o
Grupo se lançam sobre o inimigo. Distribuídos aos pares, os P-40 picam uma e
outra vez sobre os enormes Ju-52. E começa a matança. Um após outro, os
transportes são abatidos, em trágica sucessão. Alguns procuram escapar à
perseguição, acercando-se da costa. No entanto, a sorte lhes é adversa.
Tombam sobre as praias. Finalmente, dez minutos depois, a luta termina. Os
resultados não podem ser piores para os alemães. Foram destruídos 59 Ju-52,
14 Me-109 e 2 Me-110; 17 J-52 ficaram avariados, assim como 9 Me-109 e 2
Me-110. Forças combatentes em Mareth 1o Exército Ítalo-alemão General Messe 20o Corpo de
Exército - Orlando Divisão Giovanni Fasciti,
Divisão Trieste e 90a Divisão Ligeira alemã 21o Corpo de
Exército - Berardi Divisão Spezia, Divisão
Pistoia e 164a Divisão de Infantaria alemã Afrika Korps - Ziegler 15a Divisão
Panzer, 21a Divisão Panzer e 19a Divisão antiaérea 8o Exército britânico General Montgomery 30o Corpo de
Exército 50a Divisão de
Infantaria britânica - 51a Escocesa, 4a Hindu, 23a
Brigada Blindada, Brigada Motorizada da Guarda, Corpo Neozelandês (Freyberg),
2a Divisão neozelandesa, “Franceses Livres” (Leclerc) e a 8a
Brigada Blindada 10o Corpo de
Exército - Horrocks 1a e 7a
Divisões Blindadas, 7a Divisão hindu e a 4a Brigada
Blindada leve Diretivas de Kesselring 16 de abril de 1943.
Nesse dia, o Marechal Kesselring, por ordem de Hitler, segundo suas próprias
palavras, chegou ao comando do Marechal Messe. Sua missão consiste em estudar
de perto a situação, e assim se apresenta a Messe. Segue-se então o seguinte
diálogo: M - Foi um erro não
aceitar a linha que eu propus. Quando se dispõe de poucas tropas, e
exauridas, o terreno é o melhor aliado. Ao 8o Exército, farto de
meios encouraçados, pode-se limitar a sua facilidade de manobras somente
opondo-lhes obstáculos naturais. K - Não conheço bem as
novas posições. A linha de Enfiadaville pode enganar o inimigo e obrigá-lo a
um prematuro emprego da artilharia... M - Ainda mais perigosas
seriam as conseqüências de um rompimento em qualquer ponto da linha de
Enfiadaville. Por outro lado, ao escolher a posição, é necessário considerar
as forças de que se dispõe. As nossas estão muito reduzidas pelas graves
perdas sofridas; em um mês não recebemos mais que um só batalhão, como
reforço... K - Podemos ter duas
opiniões com respeito à tática. O essencial é que se resista. M - Porém insisto em que
para resistir será necessário escolher a posição mais apta... Além disso,
para enfrentar um inimigo tão fortemente motorizado, seria necessário ter
fortes baluartes em setores de não menos de 100 km. Em troca, von Arnim os
estabeleceu na base dos 4-50 km... E se isso significava um dano para nossos
blindados, tão inferiores ao inimigo, significava também a destruição da
infantaria... Por outro lado, von Arnim deu, inesperadamente, ordem de
retirada, exatamente quando estava em marcha o contra-ataque do dia
seguinte... K - Para a retirada havia
outra solução: retirar as tropas móveis e abandonar a seu destino a
infantaria... M - Assim teríamos
perdido, mais uma vez, as divisões italianas. E neste caso, quem defenderia
agora as últimas posições? K - Tudo isso pertence à
História. O Duce e encarregou de dizer-lhe que fará todo o possível para
reabastecê-lo. Como se divide o seu exército? M - As unidades são as
seguintes: 90a Divisão alemã, com 4 batalhões e 2 batalhões
italianos; divisão GGFF (Jovens Fascistas), com 4 batalhões e 2 da 90a;
Divisão Trieste, com 5 batalhões italianos e um da Luftwaffe; Divisão
Pistoia, com 2 batalhões próprios e 2 integrados com elementos da Centauro;
164a Divisão alemã, com 2 batalhões próprios, um da 15a
e um batalhão italiano; Divisão Spezia, com 5 batalhões. Em reserva, existem
a 15a Divisão Blindada, com 4 tanques, um batalhão da Pistoa e 2
batalhões em formação, com pessoal da aviação. No tocante à artilharia, em
todo o setor há cerca de 200 peças. Munições, dispomos para um dia e meio de
fogo. K - Grato pela
informação. Devo dizer que a linha de Túnis deve ser mantida a todo custo... M - A ordem de defendê-la
a todo custo tem u valor muito relativo, se não é acompanhada pela chegada de
homens, armas e material de reforço. K - De qualquer modo, não
é possível evacuar 300.000 homens. E eles preferirão, certamente, lutar a ser
aprisionados... M - O Exército cumprirá o
seu dever até o fim A rendição do Marechal Messe 12 de maio de 1943. Às
11h15 chega ao posto de comando do Marechal Messe uma mensagem do
Comando-Supremo. Diz textualmente: “A resistência pode
considerar-se encerrada. Fica o senhor com a liberdade para efetuar uma
rendição honrosa. Ao senhor e aos heróis do 1o Exército, renovo
minha admiração e elogios”. O comando italiano,
autorizado para entrar em contato com o inimigo, o faz. É obrigado a isso. As
baterias, na verdade, estarão sem munições antes do anoitecer. O que
acontecerá depois só pode ser um massacre inútil. Os homens lutaram e bem. A
matança que ocorrerá será totalmente injustificada. Messe, portanto, ordena
estabelecer contato com as forças inimigas. São 13 horas. Firmado pelo
Marechal Messe, chega ás linhas britânicas um comunicado, onde, lembrando a
longa e cavalheiresca luta mantida até esse momento, oferece bases para uma
negociação tendente à rendição “com todas as honras”. Duas horas se passam.
Às 15 horas chega a resposta, irradiada do comando britânico. Seus termos não
admitem dúvidas. O pedido de Messe é
rechaçado no referente a “todas as honras”. A rendição, expressa claramente,
deverá ser “incondicional”. Messe não responde e a luta prossegue. Em algumas
baterias começa a acontecer o previsto. Acabam as munições e as peças
silenciam. Grupos de alemães se rendem e o moral das tropas torna-se fraco. O retumbar dos canhões do
Eixo se torna cada vez mais fraco. Novas baterias se calam, uma após outra.
As munições escasseiam e, minuto a minuto, os depósitos ficam vazios. Por
volta das 17 horas, a rádio inglesa propala um novo chamado, em idioma
italiano. Pergunta se receberam a mensagem anterior. Messe ordena responder:
- Sim. Não tenha nada a dizer, salvo repetir que estou disposto a tratar da
rendição com as honras militares. A rádio inglesa responde:
- Devemos entender que se recusa a render-se incondicionalmente? A resposta
de Messe não se faz esperar: - Sim. A luta continua. A frente
britânica aumenta a intensidade dos seus disparos. A linha do Eixo responde
cada vez mais fracamente. Por fim, às 19h30, chega a Messe uma ordem do
Comando-Supremo: - Cessem de combater! A rádio britânica com
quem ainda se está em contato, continua exortando à rendição. Indica
paralelamente, o itinerário que os parlamentares deverão seguir, caso sejam
enviados. Ao mesmo tempo propõe uma trégua até 1h30. Às 2 horas comunica-se à
rádio inglesa: - Ordenei uma trégua às minhas tropas. Não farão fogo se não
forem provocadas. Ordenem o mesmo às vossas tropas. Meus representantes irão
ao ponto indicado, em dois veículos, com bandeira branca. O fim da luta estava
próximo. Poucas horas depois, tudo estaria concluído. A resistência terminou Mensagens trocadas entre
Winston Churchill e o General Alexander, chefe das forças aliadas na frente
da Tunísia. De Churchill a Alexander “10 de maio de 1943. Coube ao senhor orientar
uma série de batalhas que culminaram com a destruição do poderio alemão e
italiano na África. Ao longo de todo o caminho desde El Alamein até Túnis, na
incessante luta e marcha nos últimos seis meses, o senhor e o seu brilhante
subordinado, o General Montgomery, agregaram um capítulo glorioso aos anais
da Comunidade Britânica e do Império. Suas determinações para a grande
batalha final serão consideradas pela História como um modelo da arte
militar. Porém, mais do que isso, soube o senhor como inspirar seus soldados
com confiança e ardor que permitiu que eles superassem todos os obstáculo e
suplantassem todas as fadigas e adversidades. Eles e seus leais aliados, os
soldados e aviadores americanos e franceses, podem, conjuntamente, receber
agora a expressão da admiração e da gratidão com que a totalidade da Nação
Britânica e do Império contemplam suas famosas façanhas. A generosa rivalidade
de armas do 1o e 8o Exércitos britânicos conseguiram a
vitória para honra de cada um e de todos” De Alexander a Churchill “12 de maio de 1943 O fim está próximo, Von
Arnim foi capturado e os prisioneiros, provavelmente, chegarão a mais de 150.000.
Toda resistência organizada se desmembrou e somente grupos isolados continuam
a luta. Tudo indica que tomamos mais de 1.000 canhões, dos quais 180 são de
88 mm, 250 tanques e milhares de veículos, muitos dos quais em perfeito
estado de funcionamento. Os prisioneiros alemães, conduzindo os seus próprio
veículos, formaram, durante todo o dia de hoje, uma densa coluna na estrada
que vai de Grombália a Medjez el bab. Meu próximo telegrama anunciando o
término formal da campanha, chegará às suas mãos, espero, em poucas horas”. De Alexander a Churchill “13 de maio de 1943 Senhor: É meu dever
informar-lhe que a campanha de Túnis concluiu-se. Toda resistência inimiga
terminou. Somos senhores das costas da África do Norte”. Disciplina Na batalha do desfiladeiro
de Kasserine o 2o Corpo de Exército americano havia sofrido rudes
golpes nos embates com as forças de Rommel. Para levantar o seu moral,
Eisenhower resolveu designar como novo comandante o General Patton. A
personalidade única de Patton, unida à sua grande capacidade de comando e
espírito combativo, o convertiam no homem ideal para o cumprimento dessa
tarefa. O General Bradley relata nas suas “memórias” a pitoresca chegada de
Patton. “Com as sirenes
anunciando estridentemente a chegada de Patton, uma procissão de veículos
blindados de exploração e de caminhões semilagartas desfilou na triste
pracinha em frente à escola onde se alojava o Comando do 2o Corpo,
na manhã de 7 de março. Até os árabes, caminhando com dificuldade pelo barro
das ruas, suspendiam suas vestes e se refugiavam na porta mais próxima. Os
veículos passavam lentamente. No carro que marchava à frente, Patton viajava
de pé, como o condutor de uma biga. Seu semblante carrancudo enfrentava o
vento e a sua mandíbula pressionava a tira de couro do capacete com duas
estrelas. Duas estrelas de prata, de tamanho excessivo sobre um campo
vermelho, identificavam o seu auto de comando. De ambos os lados do capô, o
auto levava uma rígida bandeirola metálica. Uma tinha duas estrelas em campo
vermelho. A outra, as letras WTF, que significavam Western Task Force
(Força-Tarefa Oeste), que era o comando exercido por Patton, no desembarque
em Casablanca. No dia seguinte a chapa WTF foi substituída por outra, que
ostentava o escudo do 2o Corpo em azul e branco... Em vez de
esperar que o efeito da mudança de comando se fosse filtrando através das
divisões, Patton buscou uma atitude que fizesse compreender até o último
soldado do Corpo. Encontrou o que buscava nas regulamentações sobre o
uniforme. Depois de vários meses de
combate, as tropas americanas da frente haviam adotado a mesma indiferente
despreocupação do soldado inglês com respeito ao uniforme regulamentar de
campanha. Quando não estavam sob a metralha, um número cada vez maior de
homens abandonava o pesado capacete e usava somente o gorro de lã que se
havia distribuído para usar debaixo do capacete. Para Patton, esse gorro se
converteu no símbolo da desmantelada disciplina do 2o Corpo. Seu
golpe foi desferido em uma ordem que determinava o uso de capacete, polainas
e gravatas em todos os momentos, dentro do setor do Corpo. Para obrigar o
cumprimento dessas prescrições. Patton estabeleceu um sistema uniforme de
multas que chegavam a 50 dólares para os oficiais e 25 para os soldados. Esta “campanha do gorro”
assinalou o princípio e ascensão do reinado do “cuspa e limpe” que Patton
implantou no 2o Corpo. Cada vez que um soldado dava o nó na
gravata, atava as polainas, ou colocava o pesado capacete, era forçosamente
obrigado a recordar que Patton estava mandando no 2o Corpo, que os
dias anteriores da Kasserine haviam passado já, e que uma nova era, mais
rude, havia começado. |