Avanço rumo ao Estreito de Messina
Tomada de Palermo
Vitória aliada em Messina
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Depois de se estabelecerem firmemente sobre as praias, as tropas aliadas prosseguiram o avanço para o interior da Sicília. Os americanos penetraram em direção à estrada que corria paralela à costa e pela qual se propunham continuar o avanço rumo ao norte. O objetivo era alcançar o importante centro de comunicações de Caltanissetta, situado no centro da ilha. Deste modo se conseguiria cortar em dois o dispositivo defensivo do inimigo. Montgomery, por sua vez, continuava sua penetração através das planícies da costa oriental, em direção ao porto de Catânia. As tropas do 2o Corpo de Exército americano, comandadas pelo General Bradley, depois de repelir o contra-ataque das forças italianas e da divisão Panzer Hermann Goering, em Gela, se deslocaram rumo à zona montanhosa do interior, para ocupar a estrada que levava ao estratégico centro de Caltanisetta. Simultaneamente, outras unidades, sob as ordens do General Keyes, pressionavam em direção ao oeste, para ocupar o porto de Agrigento e empreender, em seguida, a marcha rumo a Palermo, situada na costa norte da ilha. As forças do Eixo, paralelamente, tentaram bloquear os movimentos aliados, porém o deslocamento de suas unidades através dos estreitos caminhos foi hostilizado pelos violentos bombardeios anglo-americanos. No dia 14 de julho de 1943, no momento em que as unidades dos EUA se colocavam ao alcance da artilharia da Estrada de Caltanisetta, e se, aprontavam a ocupar essa rodovia, o General Bradley recebeu ordem de dirigir-se ao posto-de-comando de Patton. Quando lá chegou, foi informado de uma alteração que acabava de ser introduzida nos planos primitivos. A forte resistência oposta pelas forças do Eixo ao avanço de Montgomery havia decidido o comando aliado a tentar um movimento de flanco. Parte das forças britânicas se deslocariam para o interior, pelo caminho que os americanos se propunham a utilizar. Bradley, ante a inesperada situação, expressou a Patton o seu desacordo com a medida, assinalando que a mesma provocaria a retenção do ataque, no momento em que o inimigo retrocedia, inteiramente vencido. A ordem, contudo, era terminante. Havia-se confiado a Montgomery a missão de efetuar o ataque decisivo contra Messina. Para tal fim, teria que avançar em duas direções divergentes: uma delas seguia o caminho da costa, através das planícies pantanosas da Catânia, e se prolongava pela estreita rota que corria entre as encostas do monte Etna e o mar; a outra passava pelo lado oposto do Etna e se dirigia, diretamente, para Messina. Esta última estrada era que, primitivamente, deveria ser utilizada pelos americanos. Dois dias mais tarde, 16 de julho, deu-se forma concreta ao novo plano. O General Alexander, chefe de todas as forças aliadas na Sicília, determinou que a ilha deveria ser dividida em duas metades: o 7o Exército americano de Patton procuraria conquistar a metade oriental e o 8o Exército de Montgomery teria a seu cargo o aniquilamento das forças do Eixo, no setor ocidental. A missão deste último chefe, apesar da zona que lhe fôra confiada ser mais reduzida, apresentava maiores dificuldades que a que cabia a Patton. De fato, o grosso das forças ítalo-alemães estava concentrado na planície de Catânia, em torno do monte Etna, para cobrir a rota de fuga via Messina, único porto pelo qual poderiam efetuar uma evacuação, no caso de derrota. |
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Avanço americano A fim de conter a penetração anglo-americana que ameaçava dividir as suas forças, o General Guzzoni determinou a rápida colocação das unidades da divisão Assietta, na zona situada ao norte do porto de Agrigento, para que atuasse como elemento de ligação entre as formações situadas a leste e a oeste da ilha. Simultaneamente, a divisão Aosta se deslocou para a zona do monte Etna. Os americanos, porém, não deram trégua ao inimigo. Arremetendo a toda velocidade, as unidades da 2a Divisão Blindada e da 3a de Infantaria pressionaram Agrigento, que foi ocupada no dia 16 . Ficava, dessa forma, aberto o caminho para o norte, em direção a Palermo. No centro, as tropas de Bradley acossaram incessantemente as reduzidas formações da 15a Divisão Motorizada alemã, obrigando-as a retirarem-se desordenadamente. A situação, minuto a minuto, se agravava ostensivamente. As forças alemães, superadas numericamente pelo inimigo e pelo peso do seu material, corriam o risco de serem derrotados. Os caminhos através dos quais os alemães se retiravam estavam congestionados de veículos e extenuados soldados que procuravam escapar de uma destruição que parecia inevitável. As esquadrilhas aliadas, em vôo rasante, metralhavam as formações do Eixo em retirada. Os bombardeiros, sem dar quartel, descarregavam toneladas de explosivos, abrindo grandes claros nas fileiras do inimigo. Ante essa situação, os comandos do Eixo decidiram encurtar rapidamente as suas linhas, para adotar um dispositivo concordante com as escassas forças de que ainda dispunham. Todo o oeste da ilha, de acordo com os novos planos do Eixo, seria abandonado ao inimigo, praticamente sem oferecer maior resistência além da necessária para evitar um verdadeiro desastre. Paralelamente, a defesa se concentraria em torno do monte Etna e cobriria também o corredor que se estendia entre esse maciço e a costa norte da ilha. O objetivo era proteger a todo custo o porto de Messina. No dia 17 de julho, o General Patton, compreendendo que as operações no oeste da ilha já não ofereciam praticamente nenhuma dificuldade, propôs ao General Alexander que o 7o Exército americano fosse usado, sem demora, juntamente com o 8o Exército britânico, no ataque contra Messina. Para irromper através da concentração, cada vez mais densa, de tropas inimigas entrincheiradas no Etna e no corredor da costa, o chefe americano considerava necessário empregar toda a potência dos efetivos de ambos os exércitos. Os acontecimentos imediatos demonstraram a justeza da sua apreciação. Apesar de todos os seus esforços, os britânicos, nos dias subsequentes, não conseguiram quebrar a resistência alemã na planície de Catânia. Todas as forças italianas completaram a evacuação da zona ocidental da Sicília. Os americanos, por sua vez, ocuparam o vital objetivo de Caltanissetta e aprofundaram o seu avanço rumo a Palermo. Nada poderia deter a sua fulminante penetração. Ante o avanço das colunas blindadas de Patton, apoiadas pelo ar por uma corrente incessante de esquadrilhas de bombardeiros, toda a resistência desmoronou. Habilmente, os americanos difundiram a notícia de que todos os soldados sicilianos que se entregassem seriam postos imediatamente em liberdade e se permitiria que regressassem aos seus lares. Ao entrar em Caltanissetta, o General Bradley solicitou ao bispo da cidade que desse conhecimento à população da libertação dos soldados italianos. O religioso, agindo ativamente, conseguiu que a notícia chegasse ao conhecimento dos milhares de soldados sicilianos que, dessa maneira abandonaram os seus esconderijos nas colinas e marcharam de encontro aos Aliados. Esta política foi logo aprovada pelo Alto-Comando e deu, como resultado que, no final da campanha, mais de 33.000 soldados sicilianos depuseram as armas, foram deixados em liberdade e retornaram aos seus lares e seus campos. A medida beneficiou as tropas americanas com o reconhecimento da população da ilha e facilitou a ação dos Aliados. Ocupação de
Palermo Paralelamente ao avanço americano se desenvolveu o movimento de flanco britânico, sobre as fraldas ocidentais do monte Etna. Essa manobra ficou a cargo do 30o Corpo, sob as ordens do General Sir Oliver Leese. A ponta-se-lança era integrada pela 1a Divisão canadense, cujas unidades avançaram no dia 19 de julho sobre a localidade de Enna. Os canadenses se lançaram ao ataque, porém foram rechaçados pelas tropas alemães que resistiram encarniçadamente nas colinas próximas da cidade. O General Leese ordenou, então, diante da resistência, que suas forças continuassem, ultrapassando o reduto inimigo. Essa medida, porém, deixou a descoberto o flanco das unidades americanas, pois os caminhos que saíam de Enna se dirigiam diretamente à zona da retaguarda do 2o Corpo do General Bradley. Por essas estradas, os alemães poderiam movimentar-se, de surpresa, e introduzir uma perigosa cunha nas costas do dispositivo aliado. Para superar a ameaça, o General Bradley resolveu empregar suas forças contra Enna. Enviou antes uma mensagem ao General Leese, comunicando-lhe, de forma cortante, as suas intenções. Dizia Bradley: “Estou informado que o senhor evitará tomar Enna, deixando o meu flanco descoberto. Em conseqüência, nós trataremos de tomá-la imediatamente, embora se ache no seu setor”. O General Leese, que supunha que sua decisão de não atacar o reduto alemão havia sido oportunamente comunicado por seus assessores a Bradley, ao receber a nota deste, compreendeu que estava numa posição incômoda perante o seu colega americano; em virtude disso, enviou imediatamente uma nota em resposta, desculpando-se pela manobra que fôra abrigado a efetuar. O erro do chefe britânico teve, porém, um resultado positivo. De fato, Bradley lançou dois regimentos da 1a Divisão de Infantaria ao ataque, numa manobra de pinças, e os alemães, temendo ficar isolados, abandonaram rapidamente a fortaleza. O episódio, diante da opinião pública mundial, teve um final inesperado. Nessa mesma noite, a BBC de Londres deu publicidade a uma nota anunciando que a “cidade de Enna fôra conquistada pelos britânicos no seu espetacular avanço...” Enquanto esses acontecimentos se sucediam, ocorria uma mudança radical nos planos aliados. Convencido pelos argumentos de Patton (que haviam sido confirmados pelos fatos), o General Alexander ordenou que o 7o Exército americano apoiasse o avanço de Montgomery para Messina. Os americanos, pelo norte, e os britânicos, pelo sul, irromperiam no perímetro defensivo alemão. Com este duplo ataque, esperava-se concretizar o completo aniquilamento das forças do Eixo na Sicília. As ordens correspondentes foram emitidas a 20 de julho. Dois dias mais tarde, as unidades da 2a Divisão blindada americana, com Patton à frente, romperam as defesas que cercavam Palermo e entraram na cidade. A população os acolheu com calorosas boas-vindas. A conquista de Palermo marcou o fim da luta no oeste da Sicília. As forças americanas, que haviam suportado o peso da ação, cumpriram nessa oportunidade uma brilhante tarefa. Patton, pessoalmente, a classificou assim: “Creio que esta operação passará à História como um exemplo clássico do uso certo da arma blindada”. De fato, tratou-se de uma operação em que os carros blindados penetraram profundo e inesperadamente na retaguarda inimiga, desbaratando toda possibilidade de resistência. Eisenhower declarou sobre ela: “A perseguição veloz é a ação mais frutífera da guerra. A velocidade requer adestramento, capacidade, confiança, moral, transportes adequados e hábil orientação... Patton utilizou todos esses elementos insuperavelmente...”. Atacam os Aliados A ordem de Alexander autorizando o 7o Exército americano a participar do ataque decisivo contra Messina, fez com que os efetivos de Patton, que avançavam pelo centro e pelo oeste da ilha, girassem para o leste. O 2o Corpo de Exército americano, comandado por Bradley, que se situava no extremo da ala direita das forças americanas, foi o primeiro a efetuar a mudança de direção. A 23 de julho, uma de suas divisões, a 45a de Infantaria, alcançou a costa norte da Sicília, cortando a ilha ao meio. Ao mesmo tempo, se apoderou da estrada que corria paralela à costa, rota que seria posteriormente usada no avanço sobre Messina. Em seguida, todas as forças de Bradley completaram a mudança de frente mediante um giro de 90 graus para o leste de se prepararam para iniciar a ofensiva. Enquanto isso, as forças do Eixo, ante a grave situação que se avizinhava, distribuíram aceleradamente as suas unidades para impedir os rompimentos inimigos. Da Itália chegaram elementos da 1a Divisão de pára-quedistas alemães e também da 29a Divisão de Panzergrenadier para reforçar o perímetro defensivo. As posições em torno do monte Etna eram extremamente favoráveis para deter o avanço aliado. O Etna dominava a zona e constituía um baluarte inexpugnável. A sua massa era uma verdadeira barreira natural. Somente restavam livres pequenos pontos por onde seria possível levar adiante o ataque. As principais rotas de avanço estavam dominadas por cidades erigidas nos topos das colinas e poderiam ser defendidas por escassos efetivos, inclusive contra forças muito superiores. Além disso, mesmo que os defensores fossem desalojados, as minas e cargas de demolição localizadas nos pontos mais estratégicos (pontes e estradas) obstaculizariam seriamente a progressão aliada, dando tempo para que as forças do Eixo se retirassem a outras posições. As tropas americanas, avançando pela estrada da costa, e por outra rota paralela que corria mais pelo interior, a uma distância de uns 32 km, iniciaram a sua penetração. A 45a Divisão de Infantaria atingiu, finalmente, a 31 de julho, a localidade de San Stefano, na costa. Por sua vez, a 1a Divisão de Infantaria, deslocando-se pelo interior, ocupou a cidade de Nicósia. Entrementes, os bombardeiros aliados acossavam sem cessar as colunas e as posições do Eixo, entorpecendo seus movimentos e os trabalhos de fortificação. As tropas de Montgomery, por seu lado, se juntaram ao ataque. A 28 de julho ocuparam, ao sul de Nicósia, a localidade de Agira e tentaram, imediatamente, continuar o avanço; foram, no entanto, contidos pelos campos minados e pelo intenso fogo de artilharia inimiga. Assim, em fins de julho, os Aliados concretizaram a sua aproximação das posições alemães situadas no monte Etna. A luta se desencadearia agora com renovada intensidade nessa frente montanhosa de cerca de 200 km de extensão. Luta em Troina No dia 31 de julho, Patton ordenou às suas forças a realização da etapa final da campanha. A 45a Divisão de Infantaria foi substituída pela 3a e se determinou a esta última a missão de continuar o ataque pela estrada da costa. A 1a Divisão de Infantaria, reforçada por unidades da 9a, empreenderia o ataque para o interior, em direção ao estratégico reduto inimigo de Troina. Os ingleses, por seu lado, avançariam sobre a localidade de Adrano que, juntamente com Troina, constituíam os pontos chaves do sistema defensivo alemão. A importância desse objetivo era de tal magnitude que a sua perda nas mãos do Aliados eqüivaleria ao desmoronamento do sistema defensivo alemão. A 1o de agosto, os americanos se lançaram ao ataque contra Troina. À frente marchou a 1a Divisão de Infantaria, comandada pelo General Allen. Os soldados americanos avançaram resolutamente, através de uma larga depressão desprovida de árvores e acidentes naturais, e em cuja extremidade estava Troina, no alto de uma montanha. O assalto, porém, fracassou. Os alemães desfecharam inesperadamente um violento contra-ataque e repeliram os americanos até as suas linhas primitivas. Diante disso, o General Allen decidiu realizar uma manobra de pinças, para evitar as grandes perdas de um ataque frontal. Suas tropas se deslocariam como tenazes, ao norte e ao sul, para cortar os dois caminhos que permitiriam aos alemães retirar-se das alturas que ocupavam. Assim, ao se verem ameaçados pela retaguarda, os alemães não teriam outra alternativa senão abandonar Troina ou ficar cercados. Os americanos se lançaram ao ataque, mas depararam com uma resistência praticamente intransponível. Durante três dias as tropas de ambos os lados travaram furiosos combates, numa série ininterrupta de ataques e contra-ataques, ao longo de toda a frente. Valendo-se de sua vantajosa posição, nas colinas, os alemães dirigiram um mortífero fogo de artilharia sobre os infantes americanos que avançavam pelos vales, causando-lhes graves baixas e conseguindo detê-los. Ante o fracasso da tentativa do General Allen, resolveu-se lançar uma última e devastadora investida. A operação seria decisiva. Como assinalou o General Bradley, “Troina seria bombardeada pela aviação ate que se rendesse ou ficasse reduzida a escombros”. Na tarde de 4 de agosto se iniciou o ataque. Oito baterias de artilharia, que incluíam canhões pesados de 155 mm, concentraram um violento fogo sobre Troina, durante 50 minutos. Em seguida, os canhões diminuíram a intensidade do fogo e os caça-bombardeiros, aos grupos de 36 aparelhos, se lançaram sobre as posições inimigas. Em poucos minutos, Troina ficou envolvida por gigantescas colunas de fumaça e fogo, provocadas pela explosão de centenas de bombas de 150 kg. A Infantaria então iniciou ao avanço, confiando em que, desta vez, conseguiria quebrar a resistência inimiga. Os alemães, porém, abandonando os seus refúgios, lançaram um violento contra-ataque e paralisaram o avanço americano. No dia seguinte se reativou a ofensiva aliada, com violência crescente. Desta vez, afinal, se conseguiu a vitória. O 16o Regimento de Infantaria escalou as inclinadas encostas e se apoderou das ruínas de Troina, nas quais ainda resistiam alguns efetivos alemães. Este sangrento encontro foi assim julgado por Eisenhower: “A batalha de Troina... foi uma ação menor da guerra, porém das mais encarniçadamente disputadas...”. De fato, a 1a Divisão de Infantaria, sobre a qual recaíra o peso da luta, sofreu um tal número de baixas que foi imediatamente retirada da linha de combate. Para substituí-la na ação, designou-se a 9a Divisão que, juntamente com os britânicos, levaria adiante o ataque em direção a Messina. Entrementes, os britânicos realizaram o seu ataque no setor de Adrano e, depois de uma luta encarniçada que se prolongou até 6 de agosto, conseguiram apoderar-se dessa localidade, separando a 15a Divisão Motorizada alemã da Hermann Goering. Este rompimento provocou, como se esperava, a queda da principal linha de defesa do Eixo. Avanço pela costa A 3a Divisão de Infantaria americana, do General Truscott, teve a seu cargo o avanço para Messina pela estreita estrada do litoral. Essa rodovia serpenteava, semelhante ao desenho de uma cornija, entre a montanha e as planícies da costa. Contava também com numerosas pontes facilmente bloqueáveis pela ação do inimigo. O avanço americano se tornou sumamente lento e difícil. Nos primeiros dias de agosto, as tropas de Truscott ficaram detidas diante da aldeia de San Fratello, onde os alemães haviam organizado um poderoso reduto sobre uma colina de 750 metros de altura, que dominava a estrada. Não podendo abrir passagem por meio de um ataque frontal, os americanos tentaram flanqueá-lo, deslocando-se para o interior com o auxílio de mulas de carga. Porém, quando as tropas penetraram na montanha, os alemães romperam um mortífero fogo de artilharia. Os americanos, defrontados com essa inesperada resistência, foram obrigados a retirar-se. Para solucionar a grave situação que acabava de surgir para suas forças, Patton resolveu efetuar uma medida improvisada. Efetuar-se-ia um desembarque de surpresa na retaguarda do sistema defensivo alemão. Ao se verem assim ameaçados pelas costas, e pressionados pela frente por um avanço simultâneo ao longo da estrada, os alemães teriam que abandonar sua posição, ou correr o risco de serem exterminados. Nas primeiras horas da manhã de 8 de agosto, um batalhão de infantaria foi desembarcado a 10 km da retaguarda do reduto alemão de San Fratello. Simultaneamente, as tropas de Truscott atacaram pela estrada e conseguiram penetrar nas linhas alemães. Tal como se esperava, a manobra surtiu bom efeito. Os alemães, ante a perspectiva de serem destruídos, se retiraram desordenadamente e uns 1.500 deles, no entanto, não puderam evitar cair prisioneiros dos Aliados. O êxito desta operação fez com que Patton decidisse repeti-lo, dias mais tarde. Desta vez, no entanto, os alemães ocupavam uma linha mais poderosa que a anterior, o que tornava duvidosa a possibilidade das tropas encarregadas da ruptura frontal poderem se unir rapidamente com as unidades desembarcadas na retaguarda. Estas últimas, por conseguinte, corriam o risco de serem aniquiladas. Essa possibilidade foi assinalada a Patton por Bradley que lhe solicitou que adiasse a ação por 25 horas, até conseguir a maior concentração possível de forças para o choque frontal. Patton, porém, respondeu negativamente, pois estava ansioso para ser o primeiro a chegar a Messina, adiantando-se a Montgomery. A operação, portanto, seria efetuada na data fixada: 11 de agosto. Pouco antes do amanhecer do dia 11, um batalhão do 30o Regimento de Infantaria desembarcou nas cercanias do Cano Orlando, por trás das linhas alemães. No primeiro momento, os homens conseguiram passar inadvertidos; contudo, quando os infantes se acercaram do caminho da costa, cruzaram com um motociclista alemão. Um soldado americano, sem controlar sua reações, e violando uma ordem dada expressamente, atirou de imediato. Vários soldados mais, julgando-se atacados, abriram fogo com suas armas. O breve tiroteio alertou os alemães imediatamente. Numerosas bengalas explodiram no alto, dando o sinal de alarma ao grosso das tropas do Eixo. Os infantes americanos, apesar de tudo, conseguiram chegar a um monte próximo, onde se entrincheiraram e enfrentaram o violento ataque dos alemães. Nas praias, enquanto isso, haviam ficado atolados os veículos semilagartas que conduziam os canhões de assalto. Imediatamente, os mesmos foram objeto de um violento fogo por parte da artilharia inimiga. A operação culminou assim num verdadeiro descalabro. Isolados na colina, os soldados do batalhão americano se aferraram à posição e resistiram durante todo o dia e à noite, até praticamente, esgotar suas munições. A crise prevista por Bradley acontecera. Defrontados por uma forte resistência, os homens de Truscott que avançavam pela estrada somente conseguiram abrir passagem nas primeiras horas do dia 12 de agosto e estabeleceram contato com os extenuados sobreviventes do batalhão americano, que fôra literalmente arrasado. Cai Messina A devastadora penetração das forças aliadas ao longo da costa e do interior convenceu os comandos do Eixo de que qualquer resistência já seria inútil. Na tarde de 11 de agosto, o grosso das tropas italianas iniciou a evacuação através do estreito de Messina empregando ferry-boats e toda espécie de embarcações. Para proteger a operação de retirada, as forças do Eixo concentraram na região do Estreito a quase totalidade da sua artilharia antiaérea, que somava perto de 30 baterias. Desta maneira, conseguiu-se neutralizar eficazmente os ataques aéreos aliados. As divisões alemães, em vista da retirada italiana, tomaram a seu cargo a responsabilidade de manter a frente. Esta, depois da queda de Troina e Adrano, havia praticamente deixado de existir. Somente restava um último reduto, Randazzo, através do qual mantinha-se a ligação ente as forças alemães que enfrentavam ao norte e ao sul as forças americanas e britânicas. Os Aliados, conscientes da importância capital de Randazzo, lançaram uma ofensiva contra a cidade com duas pontas-de-lança, para desarticular definitivamente o dispositivo alemão e obrigar o Eixo a uma retirada geral. As tropas americanas avançaram pelo norte e as inglesas pelo sul, precedidas pelo apoio de intensos ataques aéreos, que foram aumentando de violência à medida que as unidades de terra se aproximavam do objetivo. Assim, no transcurso de poucas semanas, a aviação aliada realizou mais de 1.180 incursões contra Randazzo, convertendo-a no objetivo mais atacado da Sicília. Ante essa avalanche de fogo e aço, a resistência alemã não podia durar. E, com efeito, no dia 13 de agosto, Randazzo caiu nas mãos dos Aliados. Este episódio praticamente decidia a campanha da Sicília. A única solução que restava aos alemães era abandonar a ilha, para evitar um aniquilamento completo. Entrementes, na costa, Patton havia lançado um novo ataque de envolvimento anfíbio. Seus aviões de exploração informavam que, em Messina, aumentava, hora após hora, a corrente de naves carregadas de homens e materiais que abandonavam a ilha. Um regimento de infantaria desembarcou a 16 de agosto nas costas das unidades alemães que ainda resistiam na estrada, num ponto situado a 50 km de Messina. Simultaneamente, efetuou-se o ataque frontal, apoiado por uma barreira de fogo de canhões de 155 mm. Estas peças, de grande alcance, dispararam também os seus projéteis sobre o Estreito propriamente dito sobre o território da península italiana. Nesse momento a evacuação dos efetivos alemães se realizava aceleradamente. A maior parte das unidade já havia sido transladada para a península e unidades de retaguarda da Divisão Panzer Hermann Goering mantinham o perímetro, cada vez mais reduzido, em torno de Messina. Ao cair da noite de 16, os infantes de Truscott se situaram a menos de 19 km do porto. Do sul, enquanto isso, avançavam as unidades do 8o Exército de Montgomery. Seu deslocamento, no entanto, via-se muito entorpecido pelas demolições e pelos campos de minas estendidas pelos alemães. A meta, em conseqüência, foi alcançada em primeiro lugar pelas forças de Patton. Às 6h30 da manhã de 17 de agosto, as primeiras patrulhas da 3a Divisão de Infantaria americana se introduziram cautelosamente nos subúrbios de Messina. Pouco depois, os americanos ocuparam o edifício da Municipalidade. Sua chegada precedeu à de um Tenente-Coronel do 8o Exército de Montgomery, que, minutos depois, chegou precipitadamente, com a intenção de fazer valer para os britânicos o direito de prioridade na conquista da cidade. Duas horas depois, Patton entrou na cidade com o Estado-Maior do 7o Exército. A campanha da Sicília chegara ao fim. O primeiro grande esforço aliado numa operação de desembarque fôra coroado pelo êxito mais retumbante. Anexo O “Exército” de Goering Em 1943, quando os
acontecimentos adversos na Itália e na Rússia davam lugar a uma crise
definitiva nos planos de guerra de Hitler, já atuavam nas frentes de luta,
junto com as divisões regulares do exército e das divisões das SS, novas
unidades integradas por soldados da Luftwaffe. Estas formações foram criadas
por iniciativa do Marechal Goering que, ante a exigência do Alto-Comando do
Exército, de cobrir as brechas abertas nas fileiras da Wehrmacht com tropas
da aviação, resolveu criar as denominadas “divisões de campanha da
Luftwaffe”. A princípio, Hitler aconselhado pelos chefes militares, ordenara
que os soldados da aviação fossem incorporados como simples substitutos nas
divisões regulares. Porém, Goering interveio energicamente e convenceu o
Fuhrer que os homens da Luftwaffe prestariam melhor serviço atuando em
divisões próprias. Nessa oportunidade, insinuou zombeteiramente, que era
totalmente inconcebível que “seus rapazes nacional-socialistas vestissem o
uniforme cinza de batalha do exército reacionário”. Essa atitude depreciativa
e hostil com relação ao Exército, que Hitler compartilhava com Goering,
redundou na prática numa crescente debilitação do poderio combativo de suas
unidades. De fato, os melhores homens, armas e equipamentos já nesse momento,
eram destinadas às unidades selecionadas das SS. A essa divisão se somou uma
terceira força, o “exército” de Goering. Este, valendo-se de sua enorme
influência, conseguiu que se equipassem as novas unidades com excelente
material. No decurso do outono de 1942 foram organizadas umas 20 “divisões de
campanha da Luftwaffe”, integradas por jovens recrutas de excelente físico,
privando-se assim o exército de cerca de 200.000 soldados que eram vitalmente
necessários para cobrir as terríveis baixas sofridas na Rússia e na África. As divisões de Goering,
apesar da qualidade de seus homens e armas, não alcançaram, todavia, bons
resultados. De fato, comandadas exclusivamente por oficiais da Luftwaffe,
desprovidos de qualquer experiência na luta terrestre, não puderam
desincumbir-se eficazmente de sua nova missão. Sofreram baixas numa proporção
muito maior que as divisões regulares, causadas pelos erros táticos de
comando de seus chefes, e não correspondiam com habilidade às diretrizes que
lhes eram atribuídas. Só depois de sofrer sangrentas perdas, as divisões da
Luftwaffe, já dizimadas, foram incorporadas ao Exército - em fins de 1943 -
porém já era muito tarde para repara o erro inicial. Efetivamente, perdeu-se
inutilmente grande quantidade de homens e materiais que teriam preenchido
outras brechas. A conquista de Palermo O General Patton relata
as operações que culminaram com a conquista da cidade de Palermo, a 22 de
julho de 1943. “As tropas se deslocaram
às suas posições de assalto, a partir das 4 da tarde, e ao cair da noite
completaram a sua concentração. Pela manhã iniciaram impetuoso avanço. O
primeiro movimento foi aniquilar as forças de vanguarda inimiga. Isto foi
feito pelo 41o Regimento de infantaria, apoiado por um batalhão de
tanques médios. Conseguiu-se assim forçar o inimigo a retirar-se. A partir
desse momento, tudo se reduziu a atacar com os tanques em forma convergente,
a cada vez que os alemães procuravam nos conter, coisa que tentaram fazer em
três oportunidades. Numa delas, um canhão de assalto de 75 mm montado num
veículo semilagarta travou combate a uma distância de 500 jardas com um
canhão alemão de 105 e o destruiu. Este episódio foi, ao mesmo tempo,
afortunado e heróico. A última resistência foi encontrada nas montanhas a
sudeste de Palermo, e logo vencida. Encontramos ali algumas das mais
engenhosas armadilhas contra tanques jamais vistas até esse momento. Os
alemães cavaram fossas de 18 pés de largura por 10 de profundidade na margem
direita da estrada, cobrindo-as com arame trançado e terra para simular a
superfície do terreno. Em seguida, a uma
distância de 30 pés mais adiante, sobre a margem esquerda da estrada,
escavaram valas similares. Frente a cada fossa colocaram redes de arames, com
o intuito de que nossos tanques ao avistá-las tentassem suplantá-las. Desta
forma os blindados cairiam no fundo dos fossos. Afortunadamente isto não
ocorreu. Noutros lugares escavaram armadilhas de 20 pés de largura e 15 de
profundidade sobre um trajeto de várias milhas. Nossos tanques, mantendo-se
sobre os caminhos e avançando a grande velocidade, conseguiram transpô-las
sem dificuldade. Transferi-me para nossa coluna mais avançada e recebi uma
cordial acolhida por parte dos soldados da 2a Divisão Blindada, os
quais pareciam todos conhecer-me. Saudaram-me com entusiasmo, antes que eu o
fizesse. Ao aproximar-nos da cidade (Palermo), já era noite. Escolhi então o
Coronel Perry, chefe do Estado-Maior da divisão, como guia. Perry informou-me
que julgava que a cidade já havia sido ocupada. Decidimos verificar e
dirigimo-nos para o seu interior. Ao aproximar-nos vimos grandes incêndios
nas colinas próximas. Prosseguimos encosta abaixo, onde a população se
apinhava gritando: “Abaixo Mussolini! Viva a América!” Entramos assim na
cidade e ali continuaram as aclamações. Nossas tropas que haviam chegado
antes do anoitecer foram recebidas com chuva de flores e a população lhes
ofereceu enormes quantidades de limões e melancias...” Bombardeio de Bolonha e Liorna “QG aliado em Argel, 25
de julho. “Grandes formações de
fortalezas-voadoras cruzaram mais de duas terças partes do território
metropolitano da Itália, para bombardear ontem, em plena luz do dia, Bolonha,
na região norte da península, numa incursão sem precedentes. “Cumpriram as fortalezas
um vôo completo de 2.400 km sem tropeçar com um só caça do Eixo, nem
encontrar fogo antiaéreo e descarregaram sobre o seu objetivo, que constitui
um importante núcleo ferroviário e rodoviário, uma elevada tonelagem de
bombas. “Com sua incursão sobre
Bolonha, as fortalezas-voadoras estabeleceram para elas um novo recorde de
distância, pois suas atividade anteriores, de bases norte-africanas, nunca
haviam isso além de Spezia ou Liorna. Marcou também essa incursão o primeiro
ataque que Bolonha sofreu, no curso da guerra. “Como dado significativo
pode-se assinalar que a incursão se efetuou poucas horas depois que os
bombardeiros britânicos Lancaster atacaram Liorna, que se acha sobre a costa
e a uns 160 km a sudeste de Bolonha. “Os dois golpes,
assestados de modo quase simultâneo na região norte da Itália, visavam,
provavelmente, desorganizar o sistema de transportes do Eixo na parte norte
da península, o que estaria de acordo com o devastador ataque efetuado, na
segunda-feira, contra os entroncamentos ferroviários de Roma. “Os centros ferroviários
de Bolonha, cidade que se encontra, mais ou menos, na metade do caminho entre
Liorna e Veneza, ficaram envolvidos pelas chamas quando os aparelhos incursores
de afastaram do objetivo. Os pilotos dizem que o ataque obteve um grande
êxito e que a zona do alvo ficou inteiramente coberta pelas explosões das
bombas. “Esta incursão das
fortalezas como pontas-de-lança foi um dos assaltos mais amplos que as forças
aéreas aliadas efetuavam, cada vez mais freqüentemente, contra as facilidades
de transporte italianas, penetrando agora, profundamente, na Europa de
Hitler. “Atingido pelos
projéteis, um trem de munições explodiu em Bolonha com terrível violência, e
os pátios de manobra ferroviários, onde havia todo tipo de material rodante,
ficaram cobertos de restos informes. “Os comentários
consideram como sintomático da diminuição das reservas de caças do Eixo, o
fato de que nem um só desses aparelhos saísse ao encontro dos incursores. “Enquanto isso, outros 36
aviões da Força Aérea do Exército dos Estados Unidos atingiam três barcos
surgidos no porto de Messina, deixando um deles envolto em chamas, enquanto
que Beaufighter britânicos punham a pique outros dois barcos na baía de
Nápoles. “Durante o curso dessa
ação coordenada, os Billy Mitchell, bombardeiros médios, do mesmo tipo dos
utilizados na incursão contra Tóquio, atacavam as oficinas de reparos de
locomotivas e pátios ferroviários de Marina de Catanzaro, no golfo de
Squillace. Uma densa fumarada negra envolvia toda a zona atacada. Os
bombardeiros metralharam também uns 300 vagões ferroviários, inclusive uns 60
que pareciam destinados ao transporte de petróleo, na aldeia de Curinga. “Por sua vez, os
Marauders, escoltados por Lightnings, atacaram Marina di Paolo, bombardeando
as oficinas e as vias ao sul dos pátios de manobras. “Também estiveram em
atividade os Wellington, cumprindo uma série de ataques às comunicações e
entroncamentos ferroviários e rodoviários no território metropolitano da
Itália. “Na noite de 23 para 24
do corrente, efetuaram dois ataques combinados contra os diques de San
Giovanni, tendo os Wellington canadenses atingido com impactos diretos os
cais do ferry, a estação ferroviária, e os armazéns do cais. A estação ficou
envolta em chamas. “Os Wellington britânicos
também bombardearam, no decorrer da mesma noite, os pátios de manobras de
estradas de ferro, em Salerno”. George S. Patton “Para a frente, sempre
para a frente, até consumir o último cartucho e a última gota de gasolina.
Depois, para a frente, a pé”. Com estas palavras
terminou sua peroração um general americano, alto e robusto, que acabava de
passar em revista os soldados americanos que invadiram a Sicília. Era George S. Patton (filho), de
cuja voz alta dizia-se que se “podia ouvi-la em todo o norte da África”. Era
um militar que tinha a virtude de fazer enrubecer os soldados com suas
expressões de cowboy enfurecido. Patton nasceu em San
Gabriel, Califórnia, a 11 de novembro de 1885. Muito jovem ainda mudou-se
para a Virgínia, Estado famoso por sua granjas e seus célebres cavalos. Aos 11 anos já era um
consumado jogador de polo. Pouco depois ingressou no Instituto Militar da
Virgínia, onde se destacou como jogador de futebol e grande jinete.
Posteriormente, transferiu-se para West Point, onde culminou os seus estudos
até graduar-se. Nos jogos olímpicos de
1912, ganhou o terceiro prêmio do pentatlo moderno: equitação, corrida de
obstáculos, natação, esgrima e tiro ao alvo. Como era natural, por
suas condições e antecedentes, Patton integrou a arma da Cavalaria; ao se
criarem as primeiras unidades blindadas, no entanto, transladou-se
imediatamente para o Corpo de Tanques. No curso da Primeira Guerra Mundial,
Patton, que começara como tenente, terminou como coronel. Foi durante o
desenrolar da guerra que organizou e exerceu o comando da escola de Tanques
dos Estados Unidos em Langres. Comandou, também, o 304o Corpo de
Tanques, durante a ofensiva de St. Mihiel. No dia que se iniciou a ofensiva do
Meuse-Argonne, dirigiu uma carga contra as linhas alemães. Ficou ferido nessa
ação, porém a sua brigada abriu passagem entre os ninhos de metralhadoras do
inimigo. Nos anos do após-guerra,
Patton aprendeu a pilotar aviões e, no terreno esportivo, foi capitão de
várias equipes militares de polo. Escreveu ensaios de caráter militar. Ao ser
designado para prestar serviço nas ilhas Havaí, adquiriu imediatamente um
barco de 12 metros de comprimento, estudou navegação e zarpou, rumo a
Honolulu, acompanhado por sua esposa e seu filho de oito anos. Quando os
Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, o General Patton foi
designado para instruir a 2a Divisão Blindada e depois o 2o
Corpo de Exército. Como terreno de adestramento, escolheu um deserto da Califórnia
e acostumou suas tropas a suportar o mais intenso calor. Em todos os
momentos, durante os treinamentos Patton tripulou um tanque; o general
parecia não sentir a fadiga, evidente até nos seus soldados mais jovens. Com relação aos seus
soldados, exigia que fossem tão ágeis como os soldados rasos e, além disso,
os submetia a um sistema de treinamento similar ao dos recrutas. A todo oficial sob seu
comando, repetia, diariamente, ser impossível “dirigir a guerra de uma banca escolar”.
Dotado de verdadeira vocação para o serviço das armas, Patton despertou
opiniões desencontradas entre seus contemporâneos. Seu temperamento
violento, de reações ásperas, trouxe-lhe muitos inimigos. Foi, contudo, um
soldado valente, que soube arriscar a vida ao lado da de seus soldados. George Patton morreu em
1945, num acidente automobilístico na Alemanha. Dois “covardes” A poucos quilômetros da
frente de combate se ergue uma construção de aspecto precário. É um hospital
de sangue de primeira linha. Encontra-se nele feridos e soldados afetados por
crises nervosas. Em visita de inspeção chega ao posto o General Patton. Sua
figura superiora, quase violenta, aparece na porta de entrada. Alguns médicos
militares o acompanham. Uma por uma, percorre as salas onde se encontram os
soldados feridos. Conversa com um, com outro, e para todos tem uma palavra de
alento e um elogio pela coragem, demonstrada na luta. Para Patton, receber
uma bala em combate significa ter sido valente e somente isso importa. Afinal,
após visitar os últimos feridos, se translada a uma sala apartada, onde se
encontram soldados afetados de neurose de combate. Patton entra e observa com
curiosidade os internados. Rapidamente se dirige ao primeiro e o interroga:
“Qual é seu ferimento?”. O soldado o escuta vacilante. Por fim, com voz
apenas audível, responde que não está ferido, que não recebeu senão um forte
choque e não é dono de seus reflexos, nem da sua vontade. O médico militar
que se encontra junto a Patton, confirma as palavras do soldado e esboça uma
breve explicação do seu estado. Patton o escuta, em silêncio. Depois sem
poder sem conter, o general americano explode numa avalanche de impropérios.
Não acredita em neurose de guerra nem fadiga de combate. Ele sabe que aquilo
é simplesmente covardia. E o repete mais de uma vez com voz bem forte. O
combatente, silencioso, o contempla com o temor espelhado em seu rosto. Não
entende aquelas palavras, nem aqueles insultos. Sabe apenas que abandonou o
campo de batalha sem saber porque o fazia, obedecendo a um impulso
irresistível. Sabe que aquilo não foi medo. Não é um covarde. Porém a linha
de frente não é um cômodo posto na retaguarda, onde a guerra é vista através
de planos e diagramas. Na linha de frente as balas ricocheteiam em torno dos
homens, enlouquecem-nos com seu silvar. E os gemidos dos feridos não são os
secos informes que se escutam pelos telefones dos postos de comando. Por isso
ele sabe que não é covarde. Por isso sabe que ninguém tem o direito de gritar
com ele. Porém se cala. Silencia perante o superior, ante as estrelas que
possui Patton. Os médicos militares não se atrevem também a intervir e por um
fim ao dramático episódio. Patton, então, se afasta
e observa o soldado seguinte. Também ele está ali por neurose de combate. E o
general americano, sem dominar a tensão que aflora em cada um dos seus
gestos, repete a cena anterior. Somente que desta vez vai muito mais longe.
Inesperadamente, sem que ninguém possa interpor-se, golpeia o soldado, no
rosto. Desta vez, um médico militar impede que quilo se prolongue. Agarrando
Patton, arrasta-o para longe. A ocorrência logo chega aos jornalistas, que se
precipitam em busca da informação. E o fato se torna público. E chega até o
General Eisenhower. O chefe supremo americano, imediatamente, toma pé no
assunto. E envia a Patton uma nota, por escrito, terminante. Comunica-lhe que
se o episódio se repetir lhe custará o comando; além disso, sem perda de
tempo, deverá apresentar desculpas aos soldados ofendidos e ao pessoal do
hospital onde o fato ocorreu. Patton, disciplinadamente, cumpre a ordem. Assim termina um episódio
que mostra em sua real dimensão a personalidade tão discutida ao chefe
americano. Homem violento, valente e arrojado, não pôde em muitas
oportunidades dominar o seu temperamento férreo. Marshall Pouco depois de terminada
a Primeira Guerra Mundial, o General John J. Pershing manteve um diálogo com
um militar amigo. Quando este lhe perguntou quem era, segundo ele, o melhor
soldado do exército dos Estados Unidos, Pershing não vacilou ao responder: “O
Coronel Marshall, claro...”. Pershing, comandante-chefe dos exércitos
americanos, se referia a George Catlett Marshall, futuro chefe do
Estado-Maior-Geral do Exército. Nascido em 1880, George Marshall sentiu desde
a infância o apelo das armas. Foi assim que ingressou na célebre Academia
Militar da Virgínia, da qual saiu como subtenente, em 1901. Ao começar a Primeira
Guerra Mundial, Marshall era já capitão, quando os Estados Unidos intervieram
no conflito marchou para a França com as forças expedicionárias comandadas
pelo General John Pershing. Teve destacada atuação nas sangrentas batalhas de
Cantigny, Aisne-Marne, Saint Mihiel e Meuse-Argonne. Nestas duas últimas
ações ocupou, como tenente-coronel, o cargo de chefe de operações do Primeiro
Corpo de Exército americano; demonstrou então a principal característica que
havia de assinalar a sua carreira militar: o talento organizativo e a
destreza na orientação de grandes massas de homens e material. Seu brilhante
desempenho, valeu-lhe ser qualificado pelo General Pershing como “o melhor
soldado do exército americano”. Ao terminar a guerra havia sido distinguido
com a medalha do Serviço Relevante, a Medalha da Vitória , e a Croix de
Guerre e a Legião de Honra, francesas. Posteriormente, foi ajudante de campo
do General Pershing, prestou serviços na China e comandou o 8o
Regimento de Infantaria. Passou depois a atuar nas fileiras do
Estado-Maior-Geral do Exército, como chefe de planejamento. Em setembro de
1939, quando a ameaça de guerra já se traduzia numa realidade concreta, o
Presidente Roosevelt resolveu designar Marshall chefe do Estado-Maior,
encarregando-o da difícil missão de recriar, partindo praticamente do nada, o
poderio bélico americano. O pacifismo que até então havia dominado a política
dos Estados Unidos reduzira as forças armadas a uma situação de extrema
debilidade. Marshall demonstrou então, com plenitude, a sua capacidade de
organizador. Sob sua orientação, efetuou-se o acelerado processo de
rearmamento, que a curto prazo, permitiu aos Estados Unidos dispor de um
exército integrado por milhões de soldados, e equipado com uma quantidade
gigantesca de material. Este foi o instrumento que assegurou a vitória final
dos Aliados. Marshall, ainda, teve decisiva participação na elaboração dos
planos estratégicos que possibilitaram a derrota das forças do Eixo. Em
novembro de 1945, renunciou à chefia do Estado-Maior, e, pouco depois, foi
enviado pelo Presidente Truman, como representante pessoal à China, para
tentar dar uma solução à guerra civil entre as forças comunistas de Mao
Tsé-Tung e o governo de Chiang Kai-shek. Seus esforços, porém, não
chegaram a nenhum resultado positivo. Truman recorreu, mais tarde (janeiro de
1947), ao veterano general, para presidir o Departamento de Estado. No
cumprimento dessas funções propôs a adoção da política de ajuda econômica
(conhecida como Plano Marshall) que permitiu a reconstrução da Europa, nos
anos que se seguiram à Segunda Guerra Mundial. George Marshall, o grande
soldado americano, morreu em 1959. Proclamação da vitória “Soldados do 7o
Exército: “Surgidos do mar,
batizados com sangue, e coroados pela vitória, no curso de 38 dias de luta e
fadiga incessantes, haveis acrescentado um glorioso capítulo à história da
guerra. Defrontados contra o que de melhor os alemães e italianos podiam
opor-nos, fostes invariavelmente vitoriosos. A rapidez de vosso avanço, que
culminou com a conquista de Palermo, foi igualada pela tenacidade
inquebrantável com que atacastes Troina e Messina. Cada soldado do Exército
merece igual reconhecimento. A obstinada coragem da infantaria e a feroz
impetuosidade dos tanques foram equiparadas pelo incansável clamor de nossos
canhões destruidores. Os engenheiros realizaram prodígios na construção e
manutenção de caminhos que pareciam impossíveis sobre terrenos
intransitáveis. Os Serviços de Reparações e Abastecimentos efetuaram
verdadeiros milagres. O Corpo de Comunicações estendeu mais de 10.000 milhas
de cabos telefônicos e o Departamento Médico cuidou de nossos feridos. “Em todas as
oportunidades a Marinha deu um apoio valente e generoso. Através de toda a
campanha, nossa Aviação manteve os céus limpos de inimigos e secundou,
incansavelmente, as operações das forças da terra. Como resultado desse
esforço combinado, haveis morto ou capturado 113.350 soldados inimigos.
Haveis destruído 265 de seus tanques, 2,324 veículos e 1.162 canhões de
grosso calibre. “Vossa vitória, porém,
tem uma transcendência que supera e vai muito além do seu aspecto físico.
Destruístes o prestígio do inimigo. “O Presidente dos Estados
Unidos, o Secretário da Guerra, o Chefe do Estado-Maior, o General
Eisenhower, o General Alexander e o General Montgomery, reconhecem vosso
valor. Vossa fama jamais morrerá!”. - George Patton - Tenente-General do Exército
dos Estados Unidos. Os erros do General Guzzoni O general italiano
Giacomo Zanussi, membro do Estado-Maior do Exército italiano, assim julgou a
atuação do General Guzzoni, chefe do 6o Exército, a cujo cargo
esteve a defesa da Sicília “Retardou excessivamente
a transferência da região ocidental para a oriental da ilha, das divisões
Aosta e Assieta. Dada a importância estratégica da segunda e a violência do
ataque, havia duas possibilidades: ou o inimigo não desembarcava no Ocidente,
e então não havia razão para imobilizar ali duas divisões que teriam servido
para robustecer a resistência no Oriente, ou bem o inimigo também
desembarcava no Ocidente e então não sendo possível enfrentá-lo adequadamente
nem uma nem outra direção, era preferível unir a Aosta e a Assieta no lugar
mais perigoso, isto é, no Oriente, deixando para as divisões costeiras
distribuídas no Ocidente a missão de retardar o avanço inimigo. Tendo
retardado a transferência (Guzzoni) manteve ausentes essas duas divisões do
lugar onde se travava a batalha decisiva e provocou o engarrafamento de
ambas. “Nem mesmo no quinto ou
sexto dia da luta enviou uma só divisão nossa para combater junto com os
alemães que defendiam a ilha. “Não atuou com energia ante
a deserção e a “corrida para o Estreito”. E continua o General Zanussi: “Recordo que, um mês
depois da queda da Sicília, o Tenente-Coronel Michelotti me perguntou o que
teria acontecido, na minha opinião, se Roatta e eu não tivéssemos sido
afastados do 6o Exército. - Bem... - respondi - É
difícil julgar a si mesmo, ai vai. O que teria acontecido? A Sicília teria
caído da mesma forma, porém, primeiro: o comando se teria feito sentir;
segundo: a resistência teria durado um pouco mais; terceiro: a campanha não
teria sido um monólogo para os anglo-americanos, mas um diálogo entre eles e
nós. Isto, repito, não teria salvo a ilha, mas a honra do Exército, sim,
permaneceria intacta |