Ofensiva aliada no Pacífico rumo à Rabaul
Luta na Nova Geórgia, nas Ilhas Salomão
Desembarques em Rendova, Munda, Vella La
Vella e Arundel
Desembarque em Bougainville, nas Ilhas
Salomão
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Ao chegar ao fim a luta em Guadalcanal, as forças americanas, vitoriosas, aprontaram-se a por em marcha novos planos ofensivos. A etapa de expansão territorial do Japão estava definitivamente encerrada. Por volta de 12 de fevereiro de 1943, o General MacArthur, chefe dos exércitos aliados no Pacífico sul-ocidental, terminou o novo plano estratégico que orientaria as futuras operações. Esse projeto, denominado com o nome chave de Elkton, tinha por objetivo principal o aniquilamento das forças japonesas nas ilhas Salomão e no setor oriental da Nova Guiné. A operação seria levada a cabo mediante um avanço progressivo em direção da grande base de Rabaul, na ilha da Nova Bretanha. Sob o comando do Almirante Halsey, as tropas americanas que acabavam de completar a conquista de Guadalcanal se lançariam ao ataque rumo ao norte, através do arquipélago das Salomão, ocupando em primeiro lugar as bases inimigas em Nova Geórgia e, posteriormente, Bougainville. Simultaneamente. As unidades australianas e americanas na Nova Guiné, avançariam ao longo da costa desta ilha, em direção ao noroeste. Desta forma, Rabaul seria progressivamente cercada pelo avanço convergente nas Salomão e Nova Guiné. Como última fase da operação, se efetuaria um desembarque no extremo ocidental da Nova Bretanha, avançando a seguir em direção a Rabaul. O conjunto dessas operações não era, em última instância, mais que um objetivo intermediário da grande marcha através do Pacífico, rumo ao coração do império japonês. MacArthur era decidido partidário de concentrar o máximo de esforço num deslocamento ao longo da Nova Guiné, até alcançar as Filipinas. A Marinha, porém, desejava desencadear o esforço principal através do Pacífico central, capturando, mediante uma série de assaltos anfíbios, os arquipélagos das ilhas Gilbert, Marshall, Carolinas e Marianas. Desta forma, os critérios estratégicos eram praticamente antagônicos. Para resolver o problema, em março de 1943 realizou-se em Washington uma conferência de alto nível, da qual participaram representantes de MacArthur e do Almirante Nimitz, chefe das forças navais no Pacífico. Nessa reunião discutiu-se o plano Elkton, além da estratégia geral no Pacífico. Os representantes da Marinha destacaram que, embora tivessem aceitado, na invasão da África do Norte e no futuro desembarque na Europa, que o Exército comandasse as operações, achavam que, no Pacífico, as ações deviam ser unificadas sob as ordens de um comando naval. Para dar uma solução aceitável para ambas as partes, o General Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército dos Estados Unidos, apresentou uma proposta segundo a qual se determinava que o ataque às ilhas Salomão ficaria sob o controle da Marinha; em linhas gerais, porém, a ofensiva estaria sob a orientação do General MacArthur, que exerceria o comando direto das operações na Nova Guiné. Nas Salomão, o comando ficaria a cargo do chefe da Terceira Frota, Almirante Halsey. A estes problemas, surgidos na disputa entre as diferentes armas, agregaram-se os causados pelo escasso apoio de homens e material bélico. De fato, na conferência celebrada em Casablanca entre Roosevelt e Churchill resolvera-se continuar dando prioridade às operações de guerra no Mediterrâneo, e à futura invasão do continente europeu. Assim, o esforço bélico que os Estados Unidos voltavam contra o Japão passava a segundo plano. Apesar disso, o impressionante progresso da produção bélica dos Estados Unidos e a perspectiva de que a invasão da Europa não seria levada a cabo senão em 1944 tornaram possível o envio de grande quantidade de reforços ao Pacífico. Em abril de 1943, a comissão conjunta de estudos estratégicos americanos apresentou um projeto de operações contra o Japão, que diferia consideravelmente do que fôra traçado por MacArthur. Advogava, como fizera a Marinha, a efetivação de um avanço direto através do Pacífico, utilizando o crescente poderio da frota de porta-aviões americana, e ocupando a série de arquipélagos que se estendiam entre Pearl Harbor e o Japão. Desse modo, conseguiriam interromper as linhas de comunicações do território metropolitano japonês com as Índias Orientais Holandesas, principal fonte de abastecimento de matérias-primas da indústria de guerra japonesa. O projeto concluía recomendando que se efetuasse, juntamente com o avanço Pacífico central, no qual se empregaria o grosso das forças, as operações propostas por MacArthur na Nova Guiné. Na conferência celebrada em Washington por Churchill e Roosevelt, sob o nome chave de Trident, em maio de 1943, os chefes do Estado-Maior-Combinado Aliado aprovaram o avanço através do Pacífico central. Determinou-se, então, levar adiante, sob a direção do Almirante Nimitz, a ofensiva contra as ilhas Gilbert, Marshall, Carolinas e Marianas. |
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A batalha do Mar de Bismarck Enquanto os acontecimentos citados se desenrolavam na retaguarda da frente de luta, no Pacífico as ações continuavam com toda a intensidade. As forças japonesas derrotadas em Guadalcanal consolidavam aceleradamente novos redutos defensivos e bases aéreas nas demais ilhas do arquipélago das Salomão. Também na Nova Guiné, depois da perda das suas posições em Buna e Gona, os japoneses se esforçavam para aumentar seu poderio mais ao norte, nas bases de Lae e Salamaua. Em janeiro de 1943, um comboio procedente de Rabaul conseguira desembarcar em Lae 4.000 homens de reforço, apesar da oposição da aviação aliada. Era vital para os americanos por um termo nessa corrente de reforços que dificultaria muito a evolução dos planos traçados. O General Kenney, chefe da Força Aérea americana que operava na Nova Guiné, previa o desencadeamento de uma ação em larga escala contra os comboios japoneses. Com esse objetivo, colocou em marcha um intenso programa de adestramento, para aperfeiçoar as técnicas dos ataques a baixa altura contra a navegação. Teve especial importância a transformação de um esquadrão de bombardeiros bimotores B-25, para desempenhar tarefas de fustigamento em vôo rasante. Aumentou a potência de fogo na proa desses aparelhos, montando-lhes, nessa posição, quatro canhões; outros quatro foram adaptados nos flancos. Os B-25 foram equipados com 60 bombas de fragmentação, e seis de demolição, de 45 kg. Os primeiros modelos assim reequipados realizaram vôos de experiência que tiveram um resultado considerado altamente satisfatório As tripulações dos aviões B-25 dedicaram várias semanas ao treinamento, simulando ataques contra velhos barcos ancorados na baía de Port Moresby. A estes ataques se juntaram aviões Beaufighter australianos e bombardeiros Douglas A-20. A força aérea de Kenney adquiriu assim uma extraordinária destreza na tática de ataque à navegação em vôo rasante. Cedo praticaria esse método tendo como alvo as unidades japonesas. Em fins de fevereiro, o serviço de inteligência aliada recebeu uma informação denunciando a intenção dos japoneses de, novamente, reforçar a sua guarnição de Lae. E era verdade. Um comboio integrado por sete transportes e oito destróieres, escoltados por 100 aviões navais e militares, conduzindo a bordo a 51a Divisão de Infantaria, zarpou de Rabaul a 1o de março de 1943, rumo a Lae. Na manhã desse mesmo dia, três bombardeiros Liberator B-24 realizaram o primeiro contato com a força inimiga, ao avistar o comboio. Imediatamente, informaram o seu comando do rumo e velocidade da formação inimiga. As condições do tempo, porém, dificultaram a ação dos aviões de observação durante o resto do dia. Somente ao meio-dia do dia 2, outro B-24 retomou o contato. Em Port Moresby, as esquadrilhas aliadas estavam em estado de alerta. Ao todo, eram 154 caças, 34 bombardeiros leves, 41 médios e 39 pesados, prontos para o combate. Centenas de homens, membros das tripulações, acantonados nas bases, esperavam a ordem que os lançaria à batalha. Enquanto isso, armeiros e mecânicos davam os últimos retoques nos aparelhos. Oito Fortalezas-Voadoras B-17 decolaram rapidamente apenas se recebeu o informe de novo contato visual com o inimigo. Logo outros 20 aviões de bombardeio e várias esquadrilhas de caças P-38 seguiram o rumo das primeiras. Produziu-se então o primeiro ataque contra a força naval japonesa. Bombardeando de 2.000 metros, as Fortalezas conseguiram atingir três transportes; dois deles sofreram graves avarias, e o terceiro, o Kyokusei Maru, foi a pique. Centenas de homens se precipitaram nas águas, em meio às explosões das bombas. Os barcos de escolta, ao mesmo tempo em que tentavam repelir a agressão, recolheram 850 soldados que permaneciam à mercê das ondas. Ao cair da noite, os aviões de exploração aliados se mantiveram sobrevoando o comboio inimigo, para não perder o contato com ele. Os japoneses, apesar da certeza de que seriam alvo de novos ataques, continuaram a sua marcha rumo à costa. Essa ousadia havia de acarretar-lhes terríveis conseqüências. De fato, no dia seguinte, 3 de março, os barcos japoneses caíram dentro do raio de ação do grosso da força de ataque aliada. Os bimotores de Kenney podiam agora por em prática a tática longamente ensaiada de ataque em vôo rasante. Às 9h30 da manhã, 13 bombardeiros Beaufighter armados cada um com quatro canhões na proa e seis metralhadoras nas asas, com seus motores ao máximo, a uma velocidade de 420 km/hora, roçando as cristas das ondas, se lançaram ao ataque. Esta primeira investida causou novas baixas no comboio. Os barcos japoneses se dispersaram na tentativa de escapar ao ataque. Inesperadamente surgiram os B-25 especialmente equipados, e descendo até uma altura de 150 metros, lançaram-se individualmente sobre seus alvos, desencadeando uma chuva de fogo. O destróier Arashio recebeu três impactos diretos e, sem controle, chocou-se com o navio-transporte Nojima; este afundou e o Arashio ficou à deriva, para desaparecer sob as águas mais tarde. O destróier Shirayuki, nave capitânia do comboio, destroçado pelas bombas e rajadas das metralhadoras, foi a pique instantes depois. A batalha atingiu uma fúria infernal. Aos B-25 se somaram as Fortalezas-Voadoras e os bimotores A-20. Enquanto isso, no alto, os P-38 e P-40 sustentavam encarniçados combates com os caças japoneses que, desesperadamente, procuravam deter a avalanche incontida de aviões americanos. Uma violenta explosão sacudiu o mar. O destróier Tokizukaze, atingido por um impacto direto, desapareceu sob as ondas em poucos minutos. A essa altura do combate, todos os barcos de transporte de tropas haviam sido afundados ou estavam em vias de naufragar. Milhares de homens se debatiam nas águas agitadas, em meio às explosões das bombas e o pipocar constante das metralhadoras. A força aérea aliada, por sua vez, sofrera na ação a perda de apenas quatro aviões: três caças P-38 e uma Fortaleza-Voadora. A batalha adquiria contornos de verdadeiro massacre. Obrigados pela necessidade de reabastecer seus tanques de combustível e a reaprovisionar-se de munições, os aviões aliados retornaram às suas bases. Ao entardecer, o ataque se reiniciou. O tempo havia piorado, impedindo muitos dos aparelhos de chegar até os alvos. Contudo, as Fortalezas-Voadoras e as esquadrilhas B-25 conseguiram interceptar novamente os barcos que ainda se mantinham flutuando; eram os destróieres Asahio, Uranami, Shikinami, Yukikaze e Asagumo. Esse barcos estavam entregues à tarefa de resgatar do mar os sobreviventes dos navios afundados. Os aviões aliados, nesse último ataque, conseguiram afundar o Asahio; os quatro destróieres restantes conseguiram escapar à ação dos bombardeiros inimigos e regressaram às suas bases, carregados de sobreviventes. Assim se concluiu a batalha do Mar de Bismarck, que MacArthur classificaria mais tarde como o “encontro aéreo decisivo” na campanha da Nova Guiné. Esta ação teve, de fato, uma importância vital no desenvolvimento dos acontecimentos posteriores. A partir desse momento, os japoneses já não puderam enviar reforços maciços para suas forças. Somente ao amparo da noite, e por meio de embarcações rápidas, puderam manter uma débil linha de comunicações e abastecimentos com as costas orientais da Nova Guiné. Yamamoto contra-ataca Os repetidos fracassos sofridos pelas forças japonesas impulsionaram o Almirante Yamamoto a preparar um contra-ataque em grande escala, com suas unidades aéreas. Esse ataque, denominado Operação I, teria como objetivos as bases americanas em Guadalcanal e Nova Guiné. Yamamoto viajou para Rabaul e dirigiu a concentração dos efetivos aéreos. Com essa finalidade foram retirados os aparelhos dos porta-aviões e agregados às formações de aviões do Exército. Ao todo, os japoneses reuniram 350 aviões, entre caças, torpedeiros, bombardeiros e bombardeiros de mergulho. O primeiro ataque seria contra Guadalcanal, onde existia uma grande concentração de navios aliados. Nas primeiras horas de 7 de abril, 67 bombardeiros de mergulho, escoltados por 100 Zeros, rumaram para Guadalcanal. Os observadores avançados informaram imediatamente o aeródromo de Henderson da aproximação dos aviões japoneses. Às duas da tarde, as telas de radares detectaram as primeiras formações que se aproximavam. Imediatamente soaram os alarmes e os 76 caças da defesa levantaram vôo. Quando as esquadrilhas japonesas chegaram ao alvo, lançaram-se sobre os barcos aliados, o aeródromo e os diversos objetivos pré-fixados. Uma barreira de violento fogo anti-aéreo, e os caças americanos enfrentaram os atacantes. Um dos pilotos americanos, o Tenente Swett, que participava pela primeira vez de um combate, conseguiu, em rápida ação, derrubar sete bombardeiros de mergulho. Seus companheiros, em impressionante ofensiva, destruíram, por sua vez, outras 32 máquinas inimigas. Os japoneses apenas conseguiram derrubar sete aviões americanos e afundar um destróier, um petroleiro e uma corveta ancorados no porto. Os ataques posteriores lançados pelos japoneses contra Nova Guiné também não provocaram baixas consideráveis nas fileiras aliadas. Contudo, os informes transmitidos pelos pilotos japoneses, ampliados, convenceram Yamamoto de que conseguira aplicar um duro golpe ao inimigo. A pausa necessária para organizar a defesa das ilhas Salomão fôra conseguida segundo o seu critério. Ordenou, portanto, dispersar a força especialmente criada e enviou os diversos aparelhos às suas antigas unidades. Dias mais tarde, a 18 de abril, Yamamoto se dirigiu em viagem de inspeção às bases aéreas de Bougainville, acompanhado pelos seus principais ajudantes. Os serviços de inteligência americanos, que estavam de posse do código secreto da Marinha japonesa, interceptaram o aviso da viagem do almirante. Imediatamente, no aeródromo de Henderson, em Guadalcanal, organizou-se o ataque ao avião que conduziria Yamamoto. Interceptado, o aparelho foi derrubado. Desta forma desapareceu aquele que foi um brilhante chefe da marinha imperial e chefe supremo das forças japonesas que atacaram Pearl Harbor. Para sucede-lo no cargo foi designado o Almirante Mineichi Koga. Este chefe determinou a realização de novos ataques aéreos contra Guadalcanal. A 7 de junho, 112 aviões japoneses voaram rumo às bases americanas, porém foram interceptados pelos caças aliados e perderam 23 aparelhos contra 9 inimigos derrubados. O combate mais violento ocorreu no dia 16 de junho, quando 120 aviões japoneses convergiram sobre Guadalcanal. Enfrentados por 104 caças americanos, travaram violenta luta e foram praticamente aniquilados. Cerca de 100 aparelhos japoneses foram abatidos. Esta foi a última grande incursão diurna realizada pelos japoneses contra Guadalcanal. Aos seus insucessos no ar haveriam de seguir-se agora uma série de decisivos desastres em terra. Luta na Nova Geórgia Seguindo as diretivas do plano Elkton, traçado por MacArthur, as forças aliadas puseram em marcha, em fins de junho, a ofensiva geral em direção a Rabaul. O primeiro passo seria a ocupação da base aérea de Munda, na ilha da Nova Geórgia. Por isso, o Almirante Halsey, com uma força de ataque integrada por importantes efetivos navais e terrestres, resolveu ocupar, previamente, um ponto de apoio na ilha de Rendova, em frente a Munda. O ataque seria realizado pela 43a Divisão de Infantaria, reforçada, sob o comando do Major-General John Hester. A força naval de assalto estaria sob as ordens do Contra-Almirante Turner. Ficariam de reserva, em Guadalcanal, outras duas divisões de infantaria: a 47a e a 45a. Dois batalhões de marines participariam do assalto. Calculava-se que as forças americanas deviam enfrentar uns 8 a 10 mil soldados japoneses e que, ao fim de 30 dias, conseguiriam elimina-los. Às 6h42 de 30 de junho, os transportes americanos se aproximaram de Rendova e desembarcaram as tropas. Cerca de 500 aviões apoiavam a operação. A ilha foi rapidamente ocupada, vencendo a débil resistência da pequena guarnição. Imediatamente iniciou-se a construção de uma pista de aterrissagem. Os japoneses lançaram um contra-ataque com sua aviação numa desesperada tentativa de destruir a frota americana. Os bombardeiros médios Mitsubishi (Betty) armados de torpedos, com seus motores a toda velocidade e a uma altura mínima, voaram sobre os barcos americanos. A defesa antiaérea e os caças americanos, atuando com grande precisão, derrubaram-nos em sua totalidade. Apenas um dos bombardeiros conseguiu atingir o navio-capitânia do Contra-Almirante Turner, o transporte MacCowley, que foi rapidamente a pique. Nos dias que se seguiram, uma série ininterrupta de batalhas aéreas ocorreu, nas quais os japoneses sofreram terríveis perdas. Trataram então, os japoneses, de conduzir reforços a Munda por via marítima, partindo das ilhas vizinhas, utilizando lanchas rápidas e destróieres. Uma frota americana, integrada por três cruzadores e quatro destróieres, interceptou, na madrugada de 6 de julho, sete destróieres japoneses, quatro deles transportando soldados. No renhido combate que se travou, os americanos conseguiram afundar duas embarcações inimigas. Os japoneses, por sua vez, conseguiram atingir o cruzador Helena, que foi a pique. Uma semana depois ocorreu uma segunda tentativa japonesa para reforçar a guarnição de Munda. Três cruzadores e dez torpedeiros americanos saíram ao encontro da força japonesa, constituída elo cruzador Jinsu e nove destróieres, quatro dos quais abarrotados de tropas. O combate, travado em meio da obscuridade, definiu-se rapidamente. A artilharia americana, dirigida pelo radar, acertou em cheio o Jinsu e o afundou. Os destróieres japoneses, atacando com decisão, lançaram seus torpedos e avariaram três cruzadores americanos, afundando também um destróier. Enquanto esses choques tinham lugar no mar, em terra as tropas da 43a Divisão de Infantaria se lançaram ao assalto contra a base de Munda a 3 de julho, desembarcando numa praia situada a 9 km do aeródromo. Os americanos esperavam obter um rápido avanço. Contudo, viram-se diante de uma série de fatores adversos: a densa floresta, cuja vegetação era quase impenetrável, o terreno pantanoso e o clima hostil. Além disso, os japoneses haviam construído, em torno do reduto, uma rede de defesas que se apoiavam mutuamente. A aviação aliada também não podia prestar ajuda, pois a selva simplesmente não permitia qualquer ação, visto que a densidade da vegetação tornava impossível descobrir os objetivos. As forças americanas tiveram, portanto, que manter uma série de sangrentas escaramuças na selva, e o ataque, paulatinamente, foi perdendo ímpeto. Ante a situação adversa, o Almirante Halsey decidiu por à frente do comando um novo chefe, o General Griswold. Finalmente, depois de uma penosa caminhada, um dos regimentos conseguiu situar-se à vista de Munda. O ataque final, realizado de forma concêntrica pela 43a Divisão e pela 37a, iniciou-se no dia 25. O ataque da infantaria foi apoiado pelo bombardeio mais violento realizado no Pacífico sul. Bombardeiros de todos os tipos, num total de 171, lançaram, em menos de meia hora, 145 toneladas de bombas. O terreno defendido pelo inimigo totalizava uma área não maior que meio hectare. Sete destróieres, também, aproximaram-se da costa e descarregaram suas peças de artilharia a queima-roupa. Apesar do ataque demolidor, os japoneses se mantiveram aferrados às posições, e disputando palmo a palmo a posse das defesas. Finalmente a luta se concluiu na tarde de 5 de agosto, com o extermínio praticamente total dos soldados japoneses, que haviam honrado, mais uma vez, sua tradição guerreira. Imediatamente, os engenheiros americanos se entregaram à tarefa de preparar as pistas que, em 10 dias, ficaram em condições de serem usadas. Em seguida, halsey decidiu levar adiante o ataque contra a ilha de Vella La Vella, deixando para trás a ilha de Kolombangara, onde os japoneses estavam fortemente entrincheirados. O desembarque se realizou nas primeiras horas de 15 de agosto e a ocupação da ilha foi concretizada pelos efetivos do 35o Regimento de Infantaria. Outra força de assalto, desembarcou na ilha de Arundel, completando assim o cerco de Kolombangara. Depois de acirrada luta, conseguiu-se a destruição dos efetivos japoneses. Em princípios de outubro de 1943, cessou toda resistência organizada no arquipélago da Nova Geórgia. Os japoneses de Kolombangara foram evacuados sem oferecer resistência aos americanos. A tática de não atacar de forma direta esse poderoso reduto, defendido por uma linha tripla, havia dado excelentes resultados. Dessa maneira, as forças americanas passaram a dominar as ilhas centrais do arquipélago das Salomão. Somente restava agora, no caminho para Rabaul, a grande ilha de Bougainville. Esse seria o próximo objetivo. Marines ao assalto Os planos para ocupação de Bougainville foram objeto de uma série de intensas discussões no comando americano. O Almirante King era partidário de um assalto às bases japonesas situadas no extremo sul da ilha. MacArthur, por sua vez, solicitou ao Almirante Halsey, comandante das forças americanas nas Salomão, que procurasse obter um ponto de apoio o mais ao norte possível da ilha, para instalar ali aeródromos dos quais pudessem operar os caças contra Rabaul. De acordo com os planos de MacArthur, era imprescindível conquistar a supremacia aérea antes de iniciar o ataque final contra Rabaul. Seguindo as diretivas de MacArthur, as forças americanas iniciaram um intenso trabalho para reunir informações acerca do ponto mais favorável para realizar o desembarque. Patrulhas especiais foram desembarcadas, à noite, por submarinos, lanchas-torpedeiras e hidro-aviões, em diferentes setores da ilha. Deste modo pôde-se determinar que, em sua maior parte, a costa da ilha não oferecia pontos fracos; além disso, onde a defesa não era suficientemente forte, o relevo costeiro não permitia desembarques com um mínimo de condições de segurança. Halsey, em vista disso, planejou levar adiante o ataque nas Salomão flanqueando Bougainville. MacArthur, porém, se manteve firme em sua decisão de contar com uma base na ilha, para cobrir as operações futuras contra Rabaul. A operação ficou, então, definitivamente decidida. O Almirante Halsey, sem perda de tempo, dedicou-se ao estudo minucioso da zona do assalto. Finalmente escolheu, para o desembarque, a baía Imperatriz Augusta, situada na parte média da costa oeste de Bougainville. Esta zona estava muito longe de constituir o ponto ideal para uma operação anfíbia. Não existiam fundeadouros satisfatórios para os barcos de grande calado. A costa era extremamente baixa e lamacenta, e o terreno, para o interior, se cobria de uma vegetação impenetrável. O solo consistia numa capa de lama de dois metros de espessura. Perigosos animais de todos os tipos infestavam esse inferno verde. As condições locais não podiam ser menos favoráveis para uma operação militar que envolvia um desembarque e a mobilização de grandes quantidades de homens e veículos. Contudo, em meio de tal número de fatores hostis, destacava-se uma vantagem. As terríveis condições da selva haviam feito com que, nesse local, não existissem guarnições japonesas nem defesas de nenhum tipo. Não havia, pois, inimigos capazes de enfrentar o ataque aliado, salvo pequenos destacamentos calculados em uns mil soldados. Tinha primordial importância, nos cálculos do Almirante Halsey, o fato de que os japoneses somente poderiam enviar reforços consideráveis à zona invadida depois de várias semanas do desembarque efetuado, dada a intransponibilidade do terreno que circundava a baía Imperatriz Augusta. Determinado o ponto de desembarque, deu-se a ordem de iniciar a prontidão das forças. A leva de assalto que seria lançada em primeiro lugar era integrada por efetivos da 3a Divisão de Marines, com um total de 20.000 soldados. Numa segunda etapa interviria a 37a Divisão de Infantaria do Exército. Todas essas forças estariam sob as ordens do General Alexander Vandergrift. Simultaneamente, se efetuariam duas operações de dispersão, para distrair a atenção do grosso das forças japonesas acantonadas no sul da ilha. Dias antes do desembarque principal, a 8a Brigada Neozelandesa desembarcaria a leste de Bougainville; o 2o Batalhão de pára-quedistas dos marines, por sua vez, desceria em terra na ilha de Choiseul, a oeste de Bougainville. Estas duas operações, esperava-se, haveriam de convencer o comando japonês de que o ataque principal era dirigido contra os grandes aeródromos japoneses do extremo sul da ilha. Nessa zona se achava localizado o grosso do 17o Exército japonês, integrado por cerca de 25.000 homens, sob o comando do General Hyakutate, que já exercera o comando supremo das operações em Guadalcanal. Se o golpe surtisse efeito, o grosso das forças japonesas manter-se-ia afastado da verdadeira zona de operações durante o período mais importante. O plano era arriscado, porém não havia outra alternativa, se se queria evitar o choque frontal. Esperava-se uma violenta reação da marinha e da aviação japonesa contra a cabeça-de-ponte americana, situada a apenas 220 milhas marítimas da base inimiga de Rabaul. Contudo, os americanos tinham a esperança de que essa reação propiciaria às suas próprias forças aeronavais a oportunidade de infligir irreparáveis baixas ao inimigo. O plano recebeu a aprovação de MacArthur e decidiu-se que o dia D seria 1o de novembro de 1943. Começa a ação O êxito da operação de Bougainville dependia fundamentalmente da prévia obtenção da supremacia aérea na zona de combate. Era preciso eliminar a capacidade operativa dos aeródromos situados na ilha, assim como também golpear incessantemente Rabaul. Das bases situadas em Guadalcanal e Nova Guiné, os bombardeiros e caças efetuaram ataques concentrados a partir de 18 de outubro. Os aeródromos inimigos foram submetidos a violentos bombardeios e ataques em vôo rasante. Os efeitos causados por essas ações logo se tornaram evidentes. Em poucos dias, os caças japoneses praticamente desapareceram do ar e, nas últimas missões que precederam a operação principal, os bombardeiros americanos puderam efetuar sua tarefa sem levar nenhum tipo de escolta. A operação se iniciou, tal como o projetado, com as manobras de dispersão. Os neozelandeses desembarcaram nas ilhas Treasury e as ocuparam, após vencer a resistência da sua reduzida guarnição. Ao receber a notícia deste ataque, Hyakutate colocou suas tropas, no sul de Bougainville, em estado de alerta. À meia-noite de 27 de outubro, 725 marines do batalhão de pára-quedistas desembarcaram na ilha de Choiseul e, internando-se para o sul, atacaram os redutos japoneses. Este segundo desembarque teve resultados ainda mais efetivos que o realizado pelos neozelandeses. Os informes recebidos pelo General Hyakutate indicavam que uma grande força americana havia atacado Choiseul. O chefe japonês decidiu enviar imediatamente reforços, em barcaças, destinados a colaborar na defesa de Choiseul. A rádio de Tóquio, por sua vez, anunciou num comunicado especial que uma força de 20.000 americanos havia desembarcado. O truque utilizado pelos americanos havia alcançado seu objetivo. Deslocando-se para o norte, a força-tarefa que conduzia a 3a Divisão de marines se aproximou da baía Imperatriz Augusta. Era um dia límpido, de sol resplandecente. Na distância, os marines podiam distinguir a escura massa selvagem da costa. Nas primeiras horas de 1o de novembro de 1943, iniciou-se a última grande batalha do arquipélago das Salomão. O desembarque se efetivou encontrando fraca oposição inimiga. Os obstáculos naturais, no entanto, resultaram sumamente difíceis de vencer. Nas praias do flanco esquerdo, os arrecifes causaram a perda de mais de 80 embarcações. No flanco direito, uma cadeia de 18 casamatas japonesas apoiadas por um canhão de 75 mm ofereceu encarniçada resistência. Contudo, a resistência inimiga foi vencida depois de uma violenta luta, levada a cabo por um batalhão de marines. Ao meio-dia, mais da metade da 3a Divisão havia desembarcado. Os primeiros ataques da aviação japonesa desencadearam-se então, sobre a cabeça-de-ponte. Rapidamente, os grandes transportes se afastaram da costa, efetuando manobras evasivas, ao mesmo tempo que os caças americanos enfrentavam os aviões japoneses repelindo-os e causando-lhes pesadas perdas. Em terra, enquanto isso, os marines defrontaram-se com um terreno que superava as expectativas mais pessimistas. Ao contrário de Guadalcanal, onde existia terreno plano e sem obstáculos, em Bougainville a zona era impenetrável. A selva começa a poucos metros das praias e no seu interior a movimentação só se podia realizar de forma extremamente lenta. As unidades de vanguarda demoraram mais de uma hora para penetrar uma distância de apenas 100 jardas. Nenhum veículo de rodas podia movimentar-se nesse mar de vegetação e lama. Todos os abastecimentos tiveram que ser conduzidos a mão. Nos lamaçais, a água chegava à cintura dos soldados que progrediam penosamente. Os americanos, no entanto, conseguiram infiltrar-se até ocupar um perímetro de 1.000 jardas de profundidade e 5.000 jardas de largura. Na noite de 1o de novembro, uma força naval japonesa enviada de Rabaul, sob o comando do Almirante Homori, enfrentou uma frota de cruzadores e destróieres americanos, dispostos na entrada da baía Imperatriz Augusta. No violento combate noturno, os americanos conseguiram afundar com sua artilharia, guiada pelo radar, o cruzador Sendai. As belonaves japonesas abandonaram então o campo de batalha. O fracasso, no entanto, nessa primeira operação, não arredou os japoneses. O General Hyakutate determinou o envio de 3.000 soldados por via marítima, para contra-atacar os americanos. Essa força seria precedida por uma frota integrada por oito cruzadores japoneses e escoltada por 150 aviões. A notícia da movimentação da frota japonesa chegou imediatamente ao comando americano que enviou os grandes porta-aviões Princeton e Saratoga para bloquear o avanço japonês. Os aviões destas duas naves se lançaram ao ataque na manhã de 5 de novembro e, embora não conseguindo afundar nenhum dos cruzadores japoneses, causaram graves avarias na maioria deles, obrigando-os a retirarem-se. O plano de Hyakutate ficou então frustrado. O chefe japonês, entretanto, não se resignou com a derrota. Decidiu, imediatamente, que uma reduzida força de 500 soldados, conduzidos em quatro destróieres, realizasse um desembarque noturno sobre o flanco esquerdo da cabeça-de-ponte. Na manhã de 7 de novembro, as tropas do 3o Batalhão de marines observaram de suas trincheiras dezenas de barcaças japonesas que se aproximavam das praias. Em poucos instantes, os soldados japoneses atingiram a terra e desapareceram na floresta, internando-se através dos pântanos de Koromokina. O choque entre japoneses e americanos não tardou a produzir-se. Uma série de sangrentas escaramuças se desenrolou, em meio aos lamaçais. Avançando entre as árvores gigantes e cipoal, os marines contra-atacaram, apoiados por cinco baterias de artilharia de campanha e tanques leves. Após horas de combate incessante, a resistência japonesa foi vencida. Os marines americanos encontraram os corpos de 377 soldados inimigos mortos. Os americanos, por seu lado, perderam 17 homens. Enquanto essa luta acontecia no flanco esquerdo do perímetro, no direito as tropas do 23o Regimento de infantaria japonês, comandado pelo Coronel Kawano, lançavam-se em fanáticas cargas contra as posições defendidas pelos americanos. Os assaltos japoneses firam sucessivamente rechaçados. Em seguida, os marines passaram ao ataque e em cruentos combates corpo a corpo, no meio da selva, foram abrindo passagem rumo ao interior. Após seis dias de luta ininterrupta, os japoneses foram obrigados a retirar-se. No dia 11 de novembro, os marines haviam conquistado os tortuosos caminhos que conduziam até o centro da ilha, aniquilando 550 soldados japoneses. Três dias antes começara a desembarcar a 37a Divisão de Infantaria americana, para colaborar na ampliação do perímetro. Enquanto as tropas combatiam em plena jângal, os Sea Bees (Abelhas do Mar) iniciaram apressadamente a construção de um aeródromo na costa. O trabalho exigiu desses esforçados combatentes um sacrifício extraordinário. De fato, as praias era excessivamente estreitas e, até mais de um quilômetro terra adentro, toda a superfície era coberta pela água dos pântanos. A tarefa, no entanto, foi executada. A 9 de dezembro, por fim, o aeródromo entrou em operações. Os combates prosseguiram na selva de Bougainville durante todo o mês de dezembro. Os marines, depois de sustentar o peso da luta, foram retirados da frente no dia 27 de dezembro. Assumiu então o comando das operações do General John Hodge. A posição japonesa em Bougainville perdera já toda importância do ponto de vista militar, pois o avanço continuou em direção a Rabaul, deixando para trás os restos da guarnição da ilha. Em março de 1944, o último intento ofensivo das forças japonesas foi esmagado pelas tropas do exército. Os homens que sobreviveram a essa derrota permaneceram no interior da selva até o final da guerra, sofrendo toda espécie de privações. Simultaneamente com as operações citadas, na Nova Guiné, MacArthur levava adiante um ataque convergente contra Rabaul. O objetivo era eliminar definitivamente o poderio japonês no Pacífico sul-ocidental. Anexo “Chesty” Puller Ao terminar a sangrenta
luta em Guadalcanal, o Tenente-Coronel “Chesty” Puller, um dos mais
destacados chefes do marines, foi chamado pelo Alto-Comando militar em
Washington, para que realizasse um giro por todas as unidades que estavam em
treinamento nos Estados Unidos. O objetivo era expor claramente aos futuros
combatentes as condições de luta na selva, pronunciar conferências a diversos
grupos de funcionários do governo e civis. Ao chegar a Washington, o
ajudante do General Marshall, chefe do Estado-Maior do Exército, esclareceu
qual seria a natureza da sua missão, dizendo-lhe: “O senhor foi chamado para
ajudar o moral do nosso povo. Existe nele a crença de que os japoneses são
invencíveis. O General (Marshall) o conhece há muitos anos e acredita que
ninguém pode realizar esse trabalho melhor que o senhor!”. Puller,
atrapalhado, respondeu: “Mas eu nunca em minha vida fiz um discurso... O que
é que eu posso dizer?”. Seu interlocutor insistiu: “O general quer que diga
apenas a verdade... Deve dizer o que pensa sobre o comando, os soldados, as
operações ou qualquer coisa que o senhor considere útil. O importante é dizer
que, cedo ou tarde, os japoneses serão vencidos...”. Puller concordou: “Não
sou um orador, mas tentarei...” Ao iniciar a sua viagem,
“Chesty” Puller visitou o campo de experiências de armas do Exército em
Aberdeen. Ali lhe foram mostradas várias armas novas, entre elas a carabina
semi-automática M-1, que logo seria entregue às tropas. Puller disparou
várias vezes com ela e depois, surpreendendo os presentes, emitiu um juízo
categórico: “Não serve... Muito fogo, porém pouca potência e precisão...
Deixe-nos ficar com nossos velhos Springfield”. Posteriormente, o chefe do
marines visitou diversos acampamentos e centros de treinamento das forças
armadas, onde pronunciou inúmeras palestras. Relatou as façanhas realizadas
pelos seus camaradas e as terríveis jornadas da luta em Guadalcanal. Em uma
de suas conferências, declarou: “Não posso dizer-lhes que os japoneses não
são bons soldados, porque na realidade o são, porem nós somos melhores. Um
americano bem treinado, pode muito bem tomar conta de dois bastardos
amarelos. Eles tem disciplina e sabem utilizar a cobertura da selva melhor
que nós, porem não sabem pensar por si mesmos. Jamais mudam seus planos de
batalha uma vez traçados, apesar dos contratempos que possam estar sofrendo.
Acham que é desonroso mudar de tática. Não tem artilharia comparável com a
nossa. Nossos canhões os trituram; sofrem os padecimentos da floresta tal
como nós. Não são super-homens e podemos batê-los”. Em outra conferência,
pronunciada diante da Junta de Produção de Guerra, em Washington, Puller fez
nova demonstração da sua franqueza. Diante do assombro dos presentes, disse:
“Gostaria de perguntar por que as tropas americanas não podem ter o melhor
equipamento de combate do mundo. Em Guadalcanal, vimos nossas pás de
trincheira quebrarem-se ao menor esforço do soldado. Todos os nossos soldados
utilizam agora as pás japonesas, porque são melhores e se pode confiar nelas.
Os binóculos japoneses também são melhores. Eu também tenho um bom par de
binóculos; são alemães e os utilizei durante 20 anos. Por que os binóculos
americanos tem que ser tão ruins? Nos trópicos não servem para nada! As
lentes embaçam, porque não são bem isoladas e, uma vez úmidas, já não servem
mais. Vi centenas de pares de binóculos jogados no mato ou no mar, porque os
homens que os usavam sabiam que a olho nu enxergavam tão bem como com eles.
Que raça de engenho americano ou patriotismo produziu estes elementos? A
verdade é que a guerra nos surpreendeu despreparados, como de costume.
Supunha-se que possuíamos uma boa pólvora que não fazia fumaça, porém em
Guadalcanal os nossos canhões fumegavam tanto que denunciavam nossas posições.
Gastamos bilhões em artilharia e fomos para a guerra com uma pequena peça de
37 mm como canhão antitanque. Assim, os japoneses nos superam nesse campo,
apesar do pouco que conhecem da arte da artilharia. Os japoneses também nos
levam a dianteira em outros aspectos. Desenvolveram táticas de infiltração
muito difíceis de combater. Introduzem-se em nossas posições vindos de
diferentes direções e, ao fazer fogo, utilizam balas de madeira, para evitar
baixas ente os seu próprios homens. Esses projéteis se desfazem a uma
distância de uns 100 metros, porém a queima-roupa, tal como eles disparam
contra nós, pode matar um homem tão eficazmente como o melhor chumbo
americano. Devemos deixar de lado a idéia de que somos o maior povo da Terra
em todos os aspectos, de que somos infalíveis e de que ninguém tem idéias que
merecem ser tomadas em consideração. Uma das razões por que tivemos de lutar
contra obstáculos que já podiam ter sido superados, em Guadalcanal, foi essa
estranha atitude de superioridade, e a nossa imprevisão diante do perigo foi
outra das razões”. Ao terminar o seu roteiro
de conferências, “Chesty” Puller recebeu de Marshall uma nota de
agradecimento, pela contribuição de sua atitude franca no esforço de guerra.
A nota terminava assim: “Indubitavelmente, suas inspiradas palestras e a sua
valiosa informação já contribuíram para salvar as vidas de muitos bons
soldados”. Bombardeios O comandante japonês
Masatake Okumiya descreve as condições de luta aérea nas ilhas Salomão.
Okumiya foi oficial de estado-maior das esquadrilhas da 2a Divisão
de porta-aviões, que tiveram decisiva intervenção nessa campanha. “A atividade diária na
base aérea de Buin (ilha de Bougainville) começa, pelo menos, três horas
antes do amanhecer. Na sufocante umidade, acossados pelos insetos, os
soldados das cantinas começam a sua labuta de preparar as comidas do dia. A
maior parte dos mecânicos se levanta a essa hora para aprontar os aeroplanos
para as missões reservadas para essa jornada. O trabalho de nossos mecânicos
é extremamente duro, porque tem que movimentar à mão todos os aviões que
voarão nesse dia, desde seus esconderijos na mata até as pistas. Um por um,
os pesados aparelhos são empurrados por uma massa de homens suarentos, pelo
terreno lamacento. Tudo deve ser feito de forma manual, porque não há um só
trator na base! Duas horas depois, quando ainda faltam 60 minutos para que o
sol apareça sobre o horizonte, o resto da guarnição se levanta e os homens
acorrem aos seus postos. Os pilotos e tripulantes levam os seus equipamentos
aos pontos de reunião, situados próximos das pistas. Ali é servido o
desjejum, enquanto esperam as ordens para o ataque. “Enquanto ainda se efetua
a entrega das ordens aos pilotos, os aviões de reconhecimento se elevam,
rugindo, e desaparecem no céu, em cumprimento de suas missões de rotina sobre
Guadalcanal. Nesse momento todos os caças Zero em condições de voar se
encontram já prontos para decolar imediatamente, a fim de defender a base
contra os aviões inimigos atacantes. Os Zeros são abastecidos de combustível
e munições, e colocados na pista, de forma que os pilotos apenas precisem
subir nos aparelhos para levantar vôo em questão de segundos. Os pilotos de
caça que se acham preparados aguardam junto às barracas, escutando os
informes do rádio dos nossos aviões de exploração e dos longínquos postos de
observação situados nas ilhas próximas aos aeródromos inimigos.
Repentinamente os alto-falantes emitem o alarme. Os postos de vigilância
distantes avistaram aviões inimigos agrupando-se em formações sobre suas
bases, e dirigindo-se para as nossas posições. O comandante dos caças
verifica os informes de cada estação e calcula o tempo de chegada dos
aparelhos inimigos. Espera até o último minuto possível antes de ordenar aos
Zeros que decolem. Os caças rugem e trepidam no terreno, a fim de entrar nas
pistas. Depois, acelerando os motores, tomam velocidade e avançam, deixando
uma esteira de poeira... Finalmente ganham altura e em poucos minutos se
convertem em diminutos pontos negros no céu. Aguardarão os atacantes sobre a
base, colocando-se a grande altura para poder mergulhar de surpresa, com o
sol às suas costas, sobre as esquadrilhas inimigas. A superioridade na
altitude pode decidir o resultado de uma batalha aérea. “A base agora está
silenciosa. Os únicos sons são o chiado metálico emitido pelos alto-falantes,
o martelar dos mecânicos e as vozes dos homens. De súbito, o vigia na torre,
com seus binóculos fixos no céu, gesticula e aponta com o braço estendido
para o sul... Sim!... Ali estão! Aviões inimigos aproximando-se velozmente da
base. Os alarmas ressoam e os homens correm para os refúgios... Ninguém,
porém, permanece escondido nas trincheiras e abrigos. Centenas de homens
olham para o céu observando os bombardeiros e procurando os Zeros que nesse momento
devem já estar iniciando o mergulho. Lá vem!... Do céu, bem alto,
precipitando-se sobre a formação inimiga... Nesse mesmo momento, os caças
americanos de escolta lançam os seus narizes para cima, numa desesperada
tentativa de interceptar os Zeros. Embaixo, os bombardeiros, imperturbáveis,
mantém a sua formação. Enquanto os Zeros e os caças inimigos travam furioso
combate, as bombas inimigas começam a silvar. A terra estremece, gigantescas
colunas de fumaça, aço e fogo brotam sobre as pistas. Estampidos secos e
ensurdecedores se unem as estrondo. São nossos metralhadores que disparam
contra os aviões, mesmo com as bombas explodindo à sai volta. O céu se cobre
de nuvens de poeira, chamas e fumaça... Aviões derrubados ardem em chamas, no
campo já todo esburacado, por centenas de crateras. No ar, os bombardeiros
rugem, e seu estrondo se torna maior à medida que passam em vôo rasante.
Através da fumaça distinguimos os caças subindo e mergulhando, em combates
mortais. Nossos homens maldizem ou permanecem em dolorido silêncio quando
vemos algum Zero explodir repentinamente formando uma enorme bola de fogo cor
de laranja... Entrevem-se pára-quedas que descem para a terra, nitidamente
recortados contra o azul profundo do céu. E, tão, repentinamente como iniciou,
o reide termina. O rugido dos motores e o estampido das bombas se extinguem
abruptamente. Os homens, então, correm para as pistas com pás nas mãos e,
trabalhando febrilmente, tapam as crateras para que os Zeros possam novamente
aterrissar”. Novas armas Em princípios de 1943, as
forças americanas que combatiam no Pacífico, começaram a receber que
quantidade crescente uma série de novas armas e equipamentos. As antigas
lanchas de madeira Higgins que os marines haviam utilizado foram
definitivamente afastadas do serviço. Para substituir essas embarcações foram
fabricadas as novas LCVP (Landing Craft Vehicle-Personel: lancha de
desembarque de veículos e pessoal). As LCVP tinham um comprimento de 12
metros, eram blindadas e se deslocavam a uma velocidade de 9 nós; podiam
transportar 36 homens ou um veículo de três toneladas ou 4.000 kg de carga.
Ao contrário das antigas lanchas Higgins possuíam rampas que permitiam às
tropas desembarcar diretamente na terra, sem necessidade de se internarem na
água. Construíram-se também as
LCM (Landing Craft Médium: lancha de desembarque média). Estas embarcações
tinham um comprimento de 15 metros e uma largura de 4.50 metros. Podiam
transportar um tanque Sherman, ou 69 soldados, ou 30 toneladas de carga. Eram
armadas com duas metralhadoras de calibre 50. Ao se aproximarem da praia, a
rampa podia ser descida o suficiente para permitir ao tanque Sherman dispara
o seu canhão. Desta forma, a LCM se convertia num elemento de apoio
artilheiro no assalto às costas inimigas. O LVT (Landing Vehicle
Tracked: veículo de desembarque com lagartas), utilizado já em Guadalcanal e
batizado pelas tropas de Alligator, demonstrara ser muito eficiente no
cruzamento de pântanos ou na navegação dos rios da selva. No mar, porém, suas
condições de navegabilidade não eram satisfatórias. A água salgada corroia as
suas lagartas e provocava o seu emperramento. Novos Alligators aperfeiçoados
foram fabricados e posteriormente construíram-se outros veículos de
desembarque providos de lagartas, rampas na sua parte posterior, assim como
também tanques anfíbios e veículos anfíbios de lagarta, munidos de
lança-chamas que podiam lançar línguas de fogo de mais de 30 metros de
comprimento sobre os redutos inimigos. Outras embarcações de
maior porte entraram em serviço entre elas a LCT ( Landing Craft Tank: lancha
de desembarque de tanques), que media 35 metros de comprimento por 10 metros
de largura. Podia transportar quatro tanques Sherman ou 150 toneladas de
carga. A LCI (Landing Craft
Infantry: lancha de desembarque de infantaria) era uma nave oceânica, de
deslocamento reduzido, para o transporte de tropas. Tinha 45 metros de
comprimento e era acionada por motores Diesel, que lhe permitiam alcançar uma
velocidade de 16 nós. O raio de ação era de 8.000 milhas. Dispunha de
capacidade de alojamento para 205 homens e para um carga de 32 toneladas.
Além de poder navegar pelo oceano a grandes distâncias, atuava também como
lancha de desembarque. Quando a embarcação imbicava na praias, eram baixadas
duas rampas em cada lado da proa, para que as tropas descessem a terra.
Posteriormente, foram, na sua maioria, convertidas em barcos lança-foguetes e
realizaram grandes serviços na destruição das defesas costeiras inimigas. O
LST (Landing Ship Tank; embarcação de desembarque de tanques) era o maior dos
barcos construídos com esse fim. Tinha um comprimento de 100 metros e podia
transportar uma carga de 2.100 toneladas. Sua mais destacada característica
era constituída pelos grandes portalões da proa, que permitiam o desembarque
de tanques, caminhões, veículos diversos e tropas de infantaria, diretamente
sobre a praia. No referente a armas de
infantaria, foram superados também os fuzis Springfield, de ferrolho, que
haviam sido utilizados pelos marines em Guadalcanal. O mesmo ocorreu com os
fuzis-metralhadoras Reising. Para substituí-los entraram em uso os novos
fuzis Garand M-1, semi-automáticos e o fuzil metralhadora Thompson 45. Além
disso, equipou-se os oficiais, suboficiais e tropas especiais com as novas
carabinas calibre 30, M-1, semi-automáticas. Esta última arma, embora tivesse
um alto volume de fogo, não era suficientemente forte para suportar as
condições climáticas da selva. Também o seu material não resistia ao uso
prolongado. “Cavalinhos de
batalha” Numa clareira das montanhas
selvagens do interior da Nova Guiné, 200 soldados australianos mantém uma
posição avançada na retaguarda das linhas japonesas. Esse reduto perdido no
meio da floresta depende totalmente, para sua subsistência, dos suprimentos
que lhe chegam por via aérea. Periodicamente, os bimotores C-47, os
“cavalinhos de batalha” do comando de transporte aéreo aliado, aterrissam
sobre a reduzida pista de 900 metros de extensão, improvisada a golpes de pás
e picaretas sobre a fralda de uma montanha, e descarregam os víveres,
medicamentos e munições que são vitalmente necessários para a guarnição. É
preciso manter a posição como base para patrulhamento e exploração da
retaguarda inimiga, e os pilotos realizam verdadeiras proezas, pousando seus
pesados aparelhos nesse “aeródromo de bolso”. Os australianos recebem assim,
com matemática regularidade, sua cota diária de suprimentos. Em princípios de janeiro
de 1943 a situação da base é seriamente ameaçada. Um comboio japonês acaba de
atracar nas costas da Nova Guiné, transportado importantes reforços para as
forças imperiais ali sediadas. Mais de 4.000 soldados e toneladas de armas e
abastecimentos são desembarcados nas praias sem que a aviação aliada pudesse
impedir. Rapidamente, o comando japonês organiza uma expedição a fim de
arrasar o reduto australiano. Deslocando-se através das sendas da floresta,
as colunas marcham incansavelmente dia e noite, e se aproximam da base. Nas
primeiras horas de 29 de janeiro, as patrulhas japonesas da vanguarda
aparecem. Entrincheirando-se em torno da pista, os australianos rechaçam, com
um violento fogo de metralhadoras e morteiros, o primeiro ataque. Seu chefe,
no entanto, sabe que logo chegará o grosso da força inimiga e que seus
soldados serão inexoravelmente exterminados. Em questão de horas a base cairá
nas mãos dos japoneses... Imediatamente o
comandante australiano envia pelo rádio uma mensagem, solicitando o envio de
reforços. O dramático pedido é recebido nas grandes bases aliadas do extremo
sul-oriental da Nova Guiné e se organiza, apressadamente, a operação de
auxílio. Posteriormente, o fato seria assim resumido na história oficial da
Força Aérea Americana: “Um pedido de reforços recebido em Port Moresby fez
com que os aviões C-47 se preparassem para a missão. As tormentas elétricas
que abalavam o céu nas montanhas da região ameaçaram ocasionar uma demora
fatal, porém felizmente o tempo mudou e os transportes decolaram com reforços
e abastecimentos nos primeiros vôos de sua operação que permitiria
transportar mais de 2.000 soldados a Wau ( a base australiana), no decorrer
dos dois dias seguintes. Já se iniciara uma luta em grande escala pela posse
do aeródromo. Os japoneses haviam chegado a um extremo da pista e alguns
soldados tiveram que descer dos aviões disparando suas armas. Em algumas
ocasiões os transportes tiveram que sobrevoar o campo durante um certo tempo
para permitir que os australianos tivessem tempo de afastar os japoneses o
suficiente para a aterrissagem. Porém, por volta do meio-dia de 30 de
janeiro, o inimigo fôra rechaçado com uma perda de aproximadamente 250
homens”. A morte do Almirante
Yamamoto No dia 18 de abril de
1943, o Almirante Isoroku Yamamoto, chefe supremo da marinha japonesa,
encontrou a morte quando o avião que o conduzia à ilha de Bougainville foi
derrubado por vários caças americanos. Nas vésperas da grande ofensiva aliada
nas Salomão, o Japão perdeu o seu principal condutor militar. Transcrevemos o
relato da morte do destacado comandante, feito pelo Vice-Almirante Matome
Ugaki: “O Almirante Yamamoto
desejava voar de Rabaul a Buin, via Balalle, para inspecionar as forças da
primeira linha da Marinha e realizar uma visita pessoal ao General Hyakutate,
comandante do 17o Exército. O almirante planejava regressar no dia
19 à nossa base em Truk. Às 6 horas o almirante partiu do aeródromo de Rabaul
no avião guia, um bombardeiro Betty Tipo I, que conduzia, além dele, o
Comandante Ishizaki, seu secretário, o médico Contra-Almirante Takata, e o
Comandante Toibana, seu oficial de Estado-Maior aéreo. No segundo avião
viajavam junto comigo o Contra-Almirante Kitamura, o Comandante Ianaka, o
Comandante Muroi e o Tenente Unno, nosso oficial meteorológico. “Assim que subi ao
segundo bombardeiro, os dois aviões iniciaram a corrida pela pista para
levantar vôo. O avião guia se elevou em primeiro lugar. Depois de nossos
aviões passarem diante do vulcão situado no extremo da baía, nos colocamos em
formação e tomamos o rumo do sudeste. As nuvens eram escassas e a excelente
visibilidade apresentava ótimas condições de vôo. Eu podia ver nossos caças
de escolta agruparem-se em formação defensiva: três caças voavam à nossa
esquerda, três permaneciam no alto, atrás de nós, e outros três, perfazendo o
total de nove, voavam à nossa direita. Os bombardeiros voavam muito juntos,
com as pontas de suas asas quase tocando-se. “Meu avião permanecia um
pouco atrás e à esquerda do bombardeiro-guia. Voávamos aproximadamente a
5.000 pés de altura. Do nosso aparelho podíamos distinguir o almirante
sentado na cabina do piloto e os outros passageiros movendo-se no interior do
avião. Chegamos à costa ocidental de Bougainville e voamos diretamente sobre
a floresta a uma altura de 2.200 pés. U membro da tripulação me entregou uma
nota que dizia: “Nossa hora de chegada a Balalle será às 7h45”. Lembro-me que
olhei o meu relógio e que nesse momento eram exatamente 7h30. Em 15 minutos
chegaríamos à nossa primeira escala. Repentinamente, os motores aumentaram o
seu rugido e o bombardeiro lançou-se para a floresta, muito próximo do
avião-guia, nivelando abruptamente o vôo a menos de 200 pés de altura.
Ninguém sabia o que havia acontecido e esquadrinhamos ansiosamente o céu em
busca dos caças inimigos que, adivinhávamos, estavam nesse momento
lançando-se sobre nós. O piloto do aparelho nos gritou, da cabina: “Parece
que cometemos um erro, senhor... Não devíamos ter descido”. Tinha razão.
Nossos aviões de caça haviam avistado um grupo de pelo menos 24 caças
inimigos aproximando-se pelo sul. Desceram em nossa direção a fim de
prevenir-nos do perigo. Simultaneamente, contudo, os pilotos dos nossos
bombardeiros avistaram a esquadrilha inimiga e sem aguardar o recebimento de
ordens, se apressaram a baixar, rumo à terra. Somente quando os aparelhos
nivelaram o seu vôo, os tripulantes ocuparam os seus postos de combate. O
vento, silvando estridentemente, se infiltrou no avião quando foram abertas
as escotilhas das metralhadoras. No momento em que saímos
do nosso brusco mergulho e retomamos o vôo horizontal, sobre a selva, nossos
caças giraram para enfrentar os aviões atacantes, aos quais puderam então
identificar como caças Lockheed P-38. A força inimiga, numericamente
superior, abriu caminho através dos nossos caças e se lançou sobre os dois
bombardeiros, meu avião girou violentamente uns 90 graus. Vi o piloto avisar o seu
companheiro que os caças inimigos encurtavam rapidamente a distância. Nosso
avião se separou do bombardeiro-guia. Durante alguns minutos perdi de vista o
aparelho de Yamamoto, até que finalmente o localizei, muito distante, à
direita. Fiquei horrorizado ao ver o avião voar lentamente, muito próximo à
floresta, rumo ao sul, enquanto brilhantes chamas amareladas envolviam suas
asas e a fuselagem. A umas quatro milhas de nós, o bombardeiro começou a
perder altura progressivamente, largando atrás de si uma densa esteira de
fumaça negra. Subitamente, senti um imenso temor pela vida do almirante.
Tratei de avisar o comandante Muroi, parado ao meu lado, porém nada pude
falar... Agarrando-o pelo braço, puxei-o até a janelinha e apontei o avião em
chamas do almirante. Esta foi a minha última visão do aparelho... a minha
despedida ao grande marujo, antes que nosso avião desse um novo e violento
giro. As balas traçadoras inundavam o ar em torno de nós, e o piloto
manobrava desesperadamente para evadir-se dos caças que nos perseguiam.
Quando o bombardeiro recuperou a estabilidade, procurei com o olhar o ponto
onde o avião de Yamamoto deveria estar... Não estava lá! Uma grande coluna de
fumaça surgindo da selva se erguia para o céu”. Halsey Corria o ano de 1930. Um
marujo americano, capitão de um destróier, após meditar cuidadosamente sobre
o passo que ia dar, apresentou-se na escola de Aviação Naval em Pensacola.
Seu objetivo era converter-se em piloto naval. As autoridades da Escola com
sua presença, se encontraram diante de um dilema. A idade máxima dos
aspirantes a piloto fôra fixada em 31 anos. O recém-chegado contava 51, e
suas condições de vista eram muito abaixo do aceitável. Não obstante, a
perseverança do aspirante a piloto, que removeu céus e terra para conseguir a
sua incorporação ao curso, teve afinal sua recompensa. Embora não fosse
aceito como aluno ativo, permitiu-se o seu ingresso como observador. Quando
possuía apenas 12 horas de instrução, surpreendeu as autoridades da Escola,
ao voar sozinho. Por fim, o aspirante terminou o curso e recebeu o seu
certificado de piloto naval. Aquele que era naquele
tempo capitão de um destróier foi o mesmo que se destacou na Segunda Guerra
Mundial como chefe da Terceira Frota de Guerra da Armada americana: o Almirante
William F. Halsey. A folha de serviços de
Halsey honrou-se com triunfos como a incursão às ilhas Marshall e Gilbert, a
campanha das ilhas Salomão, a batalha do arquipélago de Bismarck, o assalto às
Palaos, o segundo combate da baía de Manilha, a derrota infligida aos
japoneses em Leyte e a invasão à ilha de Okinawa. Halsey era marinheiro por
hereditariedade; seu pai fôra tenente de navio e o jovem William nunca antes
pensara em seguir outra carreira senão a da Marinha. Na Universidade de
Virginia estudou o primeiro ano de medicina, porém, segundo sua própria
confissão, fez isso para não perder tempo enquanto preparava o seu ingresso
na Academia Naval de Anápolis. Ao concluir o curso
regulamentar em Anápolis, transferiu-se para o Colégio Naval e ali demonstrou
a tendência de fugir ao convencional em estratégia naval. Exibiu, também, uma
perícia pouco comum em manobras. Durante a Segunda Guerra seu lema militar
foi: “Dar duro, logo e muito”. Numa ocasião, depois de muitas evasivas,
confessou aos jornalistas: “Sempre procuro fazer o contrário do que o inimigo
espera e o plano que adoto é realizado com rapidez”. Em 1943, o Congresso dos
Estados Unidos o promoveu ao posto de Almirante, atendendo a recomendação do
Presidente Roosevelt. PT-109 Na ponte de comando do
torpedeiro japonês Amagiri, o comandante Kahii Hanami ordenou avançar sobre a
silhueta que se recortava a meia milha de distância e abalroa-la. As sombras
da noite envolviam o barco japonês quando cabeceando, progrediu em linha reta
rumo à nave americana. Corria o mês de agosto de
1943. A lancha-torpedeira PT-109 patrulhava, noite após noite, as águas ao
logo das costas das ilhas Salomão. Aquele dia, como de costume, a lancha
partira em missão de vigilância. Sobre a pequena ponte, dois homens
perscrutavam a obscuridade. Eram o radiotelegrafista Jonh Maguire, e o
Comandante John Fitzgerald Kennedy. Dois dos motores estavam parados e
somente o terceiro, funcionando co sua força mínima, impulsionava lentamente
a nave. De repente, tudo ocorreu
com a velocidade de um relâmpago. Uma sombra surgiu da escuridão pelo
estibordo da PT-109. Era a proa de uma nave, pontuda, cortante, aterradora. O
rápido alarme de Kennedy colocou a tripulação de sobreaviso. O maquinista
MacMahon acelerou bruscamente os motores da lancha-torpedeira. O terceiro
oficial, George Ross, tratou desesperadamente de disparar a velha peça de 37
mm. Tudo foi inútil. A proa de aço da nave atacante, levantando ondas de
espuma, se enterrou no costado da pequena embarcação, cortando-a em dois. Um
instante depois, em meio à escuridão da noite, os sobreviventes da PT-109
tentavam desesperadamente manter-se flutuando no meio dos restos do seu
barco. No torpedeiro japonês
Amagiri, o comandante Hanami apenas voltou a cabeça e ordenou que se
disparassem algumas rajadas com as metralhadoras da popa. Depois, mudando o
rumo, afastou-se. O artilheiro Charles
Harris assim reatou os incidentes daquela dramática odisséia: “Escutei o grito de
alarme e saltei no exato momento em que a proa do inimigo nos atingia.
Encontrei-me em seguida na água, rodeado de chamas e de explosões. De algum
lugar vinha a voz de MacMahon pedindo ajuda. Depois o vi aparecer com a cara
e as mãos queimadas. Tratei de ajuda-lo a chegar até os restos da PT-109,
porém descobri que não podia mover a perna esquerda. Então gritei:
“Comandante, comandante! MacMahon está muito queimado, pode me ajudar?”. Dois
minutos depois, Kennedy chegou até nós, agarrou MacMahon e o arrastou. Depois
me segurou e me manteve flutuando enquanto eu tirava os sapatos e ajustava o
salva-vidas. Então, tratei de nadar, porém a imobilidade da perna impedia-me
tal coisa... Disse: “Comandante, não posso nadar! Ele me respondeu:
“experimente outra vez”. “Não posso”, insisti. Ele me encarou e disse: “Para
ser de Boston, Harris, estás fazendo um papelão...” O maquinista Pat
MacMahon, por sua vez, assim continuou a descrição da cena: “Kennedy decidiu que
devíamos ficar ali flutuando, deixando-nos arrastar pela correnteza, para
restaurar nossas forças. Depois, como os restos da PT-109 começaram a
afundar, disse: “Iremos até aquela ilha que estamos vendo lá!”., e indicou um
ponto distante umas três milhas. “Teremos que nadar até lá. Eu levarei
MacMahon”. Disse tudo isso com absoluta calma, como se falasse do tempo...
Passou uma hora. Kennedy levava entre os dentes uma das tiras do meu
salva-vidas e assim me puxava, lentamente. Eu flutuava de costas, achando que
aquele moço ossudo e aparentemente fraco não chegaria muito longe. Em alguns
momentos, Kennedy parava, e eu o escutava tossir. Depois voltava a nadar,
rebocando-me. Haviam já transcorrido 10 horas desde o instante em que
naufragamos, quando escutei a voz do comandante dizendo: “Eh, rapaz.
Chegamos”. Quando pisamos a areia da praia, Kennedy e eu tombamos sem
sentidos...” Depois de algumas horas
de descanso, o comandante Kennedy se ergueu e aproximou-se de seus
companheiro. Estupefatos, ouviram-nos dizer que ia voltar a lançar-se na água
para nadar até uma passagem distante algumas milhas por onde costumavam
cruzar naves americanas. Apanhando uma pistola calibre 38 e uma lanterna,
lançou-se novamente no mar. Essa incrível ação se
repetiu várias vezes, assombrando os membros da tripulação da PT-109. Kennedy
voltou outras vezes a nadar até aquela distante passagem à procura de uma
hipotética ajuda, que não chegou. Por fim, localizados por um grupo de
nativos, o comandante enviou um destes com uma mensagem gravada num coco,
para entrega-la onde pudesse encontrar alguns combatentes aliados. O auxílio chegou, por
fim. Os náufragos foram localizados por um grupo de combatentes
neozelandeses, sob o comando do Tenente Wincote. Em 1944, enquanto se
recuperava de seus ferimentos, o Tenente Kennedy recebeu o “Coração Púrpura”
e a “Medalha da Armada e do Corpo de Fuzileiros Navais”. O Almirante William
Halsey, que assinava o comunicado correspondente, assim dizia: “Sua coragem,
sua resistência e seus dotes de liderança contribuíram para a salvação de
muitos de seus homens e estiveram à altura da melhor tradição da Marinha dos
Estados Unidos”. Anos depois, a humanidade
perderia, ao morrer John Fitzgerald Kennedy,
o governante que cultuava a verdade, a liberdade e a democracia. Seu
nome, contudo, permanecerá imperecível no coração de todos os que amam esses
valores eternos e imutáveis. Bougainville Bougainville. A selva,
impenetrável, se levanta como uma muralha ante o olhar dos combatentes
americanos. Ali estão as febres e os animais selvagens, as tormentas
tropicais e as armadilhas armadas pelos japoneses; e estão também eles, os
soldados do Sol-Nascente, entrincheirados em suas tocas, agarrados às suas
posições com tenacidade de fera encurralada. E contra essa muralha
intransponível avançam os efetivos dos Estados Unidos. Um pequeno tanque
marcha à frente da formação americana. Esmagando a vegetação com suas
lagartas, abre o caminho aos marines que se preparam para o ataque. O blindado detém a
marcha, subitamente, crivado pelo fogo de várias metralhadoras japonesas. As
balas ricocheteiam na sua blindagem com um som musical, semelhante a um
lamento. É indispensável aniquilar os ninhos de metralhadoras para permitir o
posterior avanço da infantaria. E nas mãos de um homem fica a tarefa; na
realidade, é um homem que tomou voluntariamente a missão de extermina-los.
Corre até o tanque e se entrincheira atrás dele. Leva em suas mãos um
capacete cheio de granadas. E começa a lança-las uma a uma contra todos os
ninhos de metralhadoras dos japoneses. Destrói a todos, abrindo assim caminho
para o tanque e para os marines, que avançam atrás dele. Há algo mais, porém,
que o homem faz. Recorrendo aos seus conhecimentos do idioma japonês, que
conhece antes da guerra, experimenta um truque de filme de cinema. E o truque
dá resultado. O combatente americano grita, dirigindo-se às linhas japonesas:
“Calar baioneta e à carga!”. Ao escutar a ordem, impulsionados pela férrea
disciplina, habitual no Exército japonês, a maioria dos soldados saltam de
suas trincheiras e correm para as posições americanas. O fim é inevitável. Os
combatentes japoneses são varridos pela metralha. Finalmente a senda fica
livre dos inimigos. E o heróico combatente americano é conduzido para a
retaguarda, gravemente ferido. Os disparos inimigos lhe causarão a perda de
uma perna, posteriormente. Seu posto: capitão. Seu nome: Gordon Warner.
Corpo: Fuzileiros-Navais dos EUA. Bougainville. As lanchas
de desembarque da Marinha americana transportam para a terra centenas e
centenas de marines. Uma a uma, em sucessão interminável, as pequenas embarcações
se aproximam da costa. Subitamente, da espessura da mata, um canhão japonês
começa a vomitar fogo. É um 75 perfeitamente camuflado e protegido por um
reduto construído de troncos e sacos de areia. Os disparos, certeiros,
alvejam uma lancha, depois, outra, e em seguida, mais outra. Em sucessão
trágica, quatro lanchas carregadas de combatentes são enviadas ao fundo do
mar. Outras dez, avariadas ficam à deriva. Os homens que conseguiram
desembarcar, enquanto isso, estão tratando de silenciar a peça japonesa. Suas
armas portáteis abrem um fogo cerrado contra a posição japonesa, porém tudo
resulta inútil. O 75 continua disparando regular e metodicamente contra as
embarcações americanas. Afinal, quando o seu fogo parece impossível de ser
silenciado, um dos combatentes toma uma resolução extrema. Arrasta-se pela
praia, ocultando-se dos disparos dos atiradores inimigos e, lentamente,
consegue aproximar-se do canhão japonês. Quando se encontra a poucos metros
do mesmo, ergue-se e corre para ele. Os japoneses disparam a queima-roupa e o
atingem com vários projéteis. Porém o homem não se altera. Continua correndo
e se joga sobre o reduto inimigo. Sua arma vomita uma rajada e o artilheiro
cai morto sobre a peça. Os demais homens da guarnição debandam, porém, uma a
um, são mortos pelos disparos dos companheiros do heróico combatente
americano. Este tombou morto, também. Era o Sargento Robert Owens, dos
Fuzileiros navais dos EUA. Bougainville. A metralha japonesa
semeava a morte nas linhas americanas. As unidades japonesas, avançando
lentamente, estão já muito próximas das posições americanas. Logo o combate
se resolverá com o emprego de granadas de mãos. E os soldados que defendem as
trincheiras amwericanas sabem disso. Também o sabe o soldado Henry Gurke, que
compartilha um ninho de atirador com outro companheiro, o soldado Donald
Probst. Num determinado momento, quando os japoneses se lançam ao assalto
contra as posições defendidas pelos americanos, o soldado Gurke murmura,
dirigindo-se aos eu companheiro: - Você está com a metralhadora, é mais
importante... O soldado Probst, sem compreender o motivo das palavras de
Gurke, responde: - Sim, estou com a metralhadora, e daí? Gurke, em voz baixa,
lhe diz: - Os japoneses estão atirando granadas de mão e tua metralhadora é
muito importante... Se alguma granada cair sobre nós, deixa comigo... E acontece. Instantes
depois, uma granada japonesa descreve uma parábola, e cai no buraco onde se
protegem os dois soldados. E Gurke, sem alarde, sem gastar palavras,
simplesmente, como quem cumpre uma obrigação inapelável, se joga sobre a
granada, que explode sob o seu corpo... A metralhadora de Probst
continua disparando, graças ao sacrifício de Gurke, que deu a sua vida para
isso. |