Encarniçada resistência alemã
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A situação das forças aliadas chegara a um ponto em que a possibilidade de um conta-ataque alemão podia colocar em sério perigo a estabilidade das suas linhas. Clark, numa comunicação dirigida a Lucas, informou-o sobre a urgência de suas forças colocarem-se em posição favorável, uma vez capturadas Cisterna e Campoleone, para reduzir ao mínimo a possibilidade de um contra-ataque inimigo. Os reforços americanos continuavam, entrementes, desembarcando em território italiano, porém esse caudal não podia ser aumentado indefinidamente, pois existia o risco das forças adicionais superarem com seu número o sistema de abastecimentos da cabeça de paria. Era necessário, portanto, deter o afluxo de reforços, sem dúvida importantes, ou expandir a cabeça-de-ponte. A situação das diversas forças, nesse momento, era a seguinte: a 3a Divisão se encontrava esgotada depois de três dias de dura luta frente a Cisterna, que se achava em mãos de poderosas tropas inimigas; o 15o de Infantaria sofrera graves perdas ao capturar as zonas elevadas que dominavam Ponte Rotto, ao sudoeste de Cisterna; o 504o de Infantaria de Pára-quedistas por sua vez, atacando rumo ao norte, ao longo do canal de Mussolini, não conseguiu chegar à Rodovia n° 7. Diante dessa situação, o General Lucas se viu obrigado a ordenar às suas forças que se entrincheirassem ao longo da frente e se mantivessem à espera de um contra-ataque do inimigo. Clark definiu a situação, dizendo que, “então não tínhamos mais dúvida alguma de que o adversário havia conseguido reunir um potencial muito maior do que o previsto, no setor de Anzio”. Além disso, cada granja e cada povoado fôra convertido numa verdadeira fortaleza, com casamatas e ninhos de metralhadoras. Tanques e canhões autopropulsados haviam sido distribuídos ao longo das linhas alemães, reforçando-as ao máximo, e emprestando-lhes a solidez de uma verdadeira fortificação. A artilharia estava reunida nas elevações do terreno, de maneira tal que podia ser utilizada eficazmente contra as possíveis linhas de avanço das forças aliadas. No dia 3 de fevereiro, cada possível saída da cabeça de paria topava com um verdadeiro muro onde se esfacelaria qualquer tentativa ofensiva. Um novo problema surgiu, então, com toda crueza: poderiam as unidades americanas sustentar-se na cabeça de praias, alongada 30 km em direção a Campoleone e 25 km em direção a Cisterna? Pela primeira vez, desde Salerno, parte do 5o Exército se colocava na defensiva, em fortificações feitas apressadamente. Outros problemas também surgiram. A necessidade de reagrupar e reforçar o 5o Exército era indubitável, dada a precária situação em que se encontrava. Alexander decidira que o Corpo neozelandês, às ordens do General Freyberg, passasse à frente meridional do 5o Exército. Posteriormente, diante das objeções do General Clark, que declarou mais tarde, “Tive a sensação bem definida de que o 15o Grupo de Exércitos e Freyberg iam me sugerir o que eu devia fazer...”. Freyberg permaneceu sob o comando do chefe americano. É importante destacar que, nessa ocasião, Alexander se encontrava numa posição delicada com relação às tropas neozelandesas. Estas eram responsáveis perante o seu próprio governo e os britânicos as tratavam com grande diplomacia. No entanto, procedendo com tato, Clark declarou a Alexander que compreendia a situação e que se sentiria orgulhoso de contar com forças como as neozelandesas, altamente capacitadas e com muita experiência de combate. Alexander, entretanto, informou a Clark que não concordava com as ordens que este havia determinado a Lucas, para que não prosseguisse o ataque contra Cisterna. O chefe britânico expôs a Clark a necessidade de lançar a 3a Divisão num esforço supremo para conquistar Cisterna e manifestou a opinião de que o inimigo não contra-atacaria. Clark, por sua vez, lembrou a Alexander que o 6o Corpo sofrera já 2.400 baixas em Anzio e que a 3a Divisão não podia ser ainda mais debilitada. Pouco depois, à meia-noite, novas informações chegadas ao QG de Alexander, puseram-no em guarda acerca da possível ação alemã; o chefe britânico, após informar Clark, expressou-lhe a sua satisfação pelas medidas defensivas que o mesmo havia ordenado. |
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Clark e os neozelandeses A 4 de fevereiro, o General neozelandês Freyberg chegou ao comando de Clark, acompanhado pelo seu estado-maior, para conferenciar com os oficiais do 5o Exército. Na discussão que houve acerca dos métodos de luta e estratégia a serem seguidos, o General Keyes teve imediatamente um atrito com Freyberg, ao expor a forma como se propunha manobrar suas forças. Keyes, segundo disse o próprio Clark, “portou-se com certa intolerância”. Em conseqüência, Clark comunicou-se pessoalmente com ele, escrevendo-lhe uma carta, onde dizia: “Estas são tropas de um Domínio. Muito orgulhosas das suas prerrogativas. Os britânicos sempre as trataram com consideração especial e é minha intenção que suas relações com o 5o Exército sejam cordiais e proveitosas. O senhor deve me ajudar o mais possível". Nesse momento, Clark tinha sob o seu comando cinco Corpos, dos quais somente dois eram americanos. Os três restantes eram: um britânico, um francês e um neozelandês e hindu. Nos dias subseqüentes, os alemães incrementaram suas ações. Era evidente que se preparavam para extirpar, de acordo coma s instruções de Hitler, o que ele havia chamado de “abscesso de Anzio”. Produziram-se alguns contra-ataques de pequena envergadura, que os americanos rechaçaram, e o bombardeio aéreo e o da artilharia contra as suas posições aumentaram em grau sensível. Destacaram-se na ação os canhões do chamado “Expresso de Anzio”, que bombardearam duramente a zona portuária. A 7 de fevereiro, os alemães bombardearam o 95o Hospital de Evacuação, instalado nas praias; onde 23 pessoas morreram pela ação dos alemães, entre elas, um oficial, três enfermeiras, pessoal do Corpo Médico e soldados internados; 66 foram feridas, incluindo o Coronel George Sauer, diretor do hospital. O ataque ao hospital mostrou a necessidade de protege-lo contra possíveis incursões inimigas. Em virtude disso, suas instalações foram colocadas em maior profundidade, convertendo o grupo de construções precárias num verdadeiro hospital subterrâneo. Enquanto as unidades americanas e suas aliadas esperavam o ataque alemão na região de Anzio, deu-se prioridade à tarefa de eliminar as poderosas posições inimigas construídas em torno de Cassino, a fim de deixar o caminho livre para que as forças pudessem avançar pelo vale do Liri. Enquanto se ultimavam os detalhes referentes a esta operação, o General Clark teve que efetuar várias viagens entre Anzio e o posto de comando, situado em Presenzano. As viagens se efetivavam num avião Cub, pilotado pelo Tenente-Coronel Jack Walker. Ataques alemães em Anzio No fim da primeira semana de fevereiro, os ataques alemães contra as linhas aliadas em Anzio haviam aumentado de intensidade. Os homens de Clark, contudo, haviam conseguido robustecer as posições, estabelecendo inclusive uma segunda linha de defesa ao longo de uma estrada que corria paralela à praia, a uns 8 ou 10 km para o interior. A 7 de fevereiro, as defesas haviam adquirido certa solidez e estavam bem distribuídas, apesar de o General Lucas carecer de uma unidade antitanque em condições de transladar-se rapidamente de um lugar para outro, em caso de emergência. Para solucionar a falta dessa unidade, e por sugestão de Clark, Lucas reforçou suas tropas com um batalhão de canhões antiaéreos. Um novo problema surgiu então: a falta de munição para a artilharia. O General Thomas Lewis, chefe da artilharia de Clark, comunicou a este que a munição de 105 mm estava escasseando e manifestou os seus temores em relação aos projéteis de 81 mm, acrescentando ainda que já havia sido necessário limitar a velocidade de fogo dos obuses de 155 mm. O fato era particularmente importante, pois se tratava da munição utilizada pelos batalhões de artilharia de campanha e unidades de morteiros que operavam no apoio direto da infantaria. Na cabeça de praia as reservas eram limitadas, e, além disso, teriam de enfrentar graves dificuldades para descarregar novas remessas de projéteis. Por volta de 6 de fevereiro, ante a possibilidade de um iminente ataque por parte das forças alemães, era necessário fazer um esforço supremo para acelerar a distribuição de abastecimentos e, principalmente, de munições. Isso significava que as BDT teriam que realizar o máximo possível de viagens e transportar a maior quantidade de carga possível. Este fato provocou discussões entre Clark e o Almirante Cunningham, da Marinha britânica, pois este comandante queria retirar as BDT para envia-las ao Canal da Mancha, rumo às suas bases britânicas, prevendo o futuro ataque à Normandia. Um novo método surgiu, provocado pelas circunstâncias, com relação ao transporte de munições. Dada a urgência exigida, as munições eram empilhadas em caminhões que, por sua vez, eram transportados pelas BDT diretamente. Ao chegar à praia as BDT permitiam a descida dos caminhões já carregados e prontos para seguir paras as linhas de frente, onde as unidade de combate se encontravam. Também outros caminhões, carregados de munições, foram colocados sobre as cobertas das BDT, contrariando as ordens que a Marinha fizera respeitar até então. No dia 8 de fevereiro houve uma nova entrevista entre Clark e Alexander, onde foram discutidos os sucessivos fracassos na conquista de Cassino. Os dois altos chefes chegaram à conclusão de que a 34a Divisão estava já exaurida e era necessários substituí-la pela 4a Divisão hindu, sob as ordens de Freyberg. Outra tentativa foi feita no dia seguinte, 9 de fevereiro, por Clark, no sentido de conseguir o máximo apoio da aviação, a fim de concentrar todos os esforços contra as tropas de Mackensen que já estavam prontas para se lançarem contra Anzio. Nesse mesmo dia, 9 de fevereiro, o 12o Comando de Apoio Aéreo informou a Clark que acolhera seu pedido e agiria. Outra mensagem de Lucas, recebida por Clark, dizia textualmente: “Pressão contra nós continua. Necessário empregar forças adicionais para manter frente. Solicito pleno apoio aéreo e naval, e embarque de divisão de infantaria adicional urgentemente”. Clark não estava mais em condições de enviar a Lucas forças adicionais, fora das já esgotadas tropas de que dispunha. Tampouco possuía barcos onde enviar as possíveis tropas, nem forma alguma de mantê-las na praia, que se encontrava abarrotada de homens e materiais. Contudo, após estudar a situação, num esforço supremo para consolidar a posição de Lucas, Clark decidiu enviar a 167a Brigada britânica da 56a Divisão. Imediatamente, Clark comunicou a Alexander que, embora surpreso, concordou com a decisão. Contudo, minutos depois, Alexander voltou a se comunicar com Clark, para dizer-lhe que supunha que a 167a Brigada seria empregada para substituir a brigada mais exausta da 1a Divisão britânica, que se encontrava em Anzio. Clark assim relatou o episódio: “Informei-o (a Alexander) que isso era totalmente contrário à minha idéia; que enviava o grupo de brigada adicional porque se necessitava dessa segurança extra e que, mais tarde, quando a situação imperante estivesse bem controlada, havia de conseguir pessoal descansado para substituí-lo na cabeça de praia. Ele insistiu, mas eu discuti até a exaustão, dizendo que se qualquer elemento da 1a Divisão deixasse agora a cabeça-de-ponte, seria com minha oposição mais decidida, e que ele teria que me dar uma ordem por escrito. Alexander aduzia que a 1a Divisão britânica estava cansada. Respondi que a 3a Divisão também estava, e que se a situação piorasse, todas elas teriam que lutar, cansadas ou não”. No dia seguinte, uma nova conversação entre Clark e Alexander deu o resultado esperado pelo chefe americano. Alexander se limitou a escutar e aceitar a posição de Clark. Em conseqüência, decidiu-se enviar a Anzio o restante da 56a Divisão que ainda lá não se encontrava, enquanto fosse possível transporta-la e apóia-la logisticamente. Ambos os chefes estavam também de acordo que, se os reforços realizados pela 34a Divisão fracassassem, o grupo neozelandês seria transferido para a frente de Cassino, numa suprema tentativa de quebrar as linhas do inimigo. Na manhã de 9 de fevereiro, os alemães aumentaram consideravelmente o ritmo e a intensidade dos ataques que lançavam esporadicamente contra a 1a Divisão britânica, ao longo do setor da estrada para Albano. Nestas investidas, muito vigorosas, conseguiram penetrar em diversos setores e também capturar uma pequena localidade conhecida como a Fábrica, que se erguia como uma fortaleza, e que então passou a proporcionar aos alemães um ponto fortificado que lhes permitia pressionar o flanco esquerdo das tropas de Clark. Os contra-ataques aliados fracassaram e os alemães aumentaram o ritmo dos seus ataques, baseados nos contínuos esforços que recebiam. Os ataques da aviação aliada, por sua vez, foram prejudicados pelas más condições atmosféricas e somente se conseguiu lançar uma quarta parte da tonelagem de bombas previstas. A 10 de fevereiro, os alemães, reforçados por novas unidades, capturaram a estação ferroviária de Carrocetto. Durante os dias seguintes, os alemães se dedicaram intensamente a reforçar as suas forças, o que propiciou aos homens de Clark, ao mesmo tempo, melhorar suas defesas e se preparar para enfrentar o assalto que parecia iminente. A substituição de Lucas Foi nessa ocasião que Alexander manteve com Clark uma nova reunião na qual se tratou da atitude do General Lucas. O chefe britânico expressou a Clark sua inquietação pela maneira como Lucas exercia o comando do 6o Corpo. Clark, então, não ocultou que também ele, de certo modo, compartilhava do ponto de vista de Alexander. O chefe americano admitiu que, já há algum tempo, estudava a possibilidade de uma mudança no comando de Lucas. Clark estava convencido que Lucas se encontrava doente, física e mentalmente, em decorrência das grandes responsabilidades que vinha suportando. O chefe americano sabia que Lucas devia abandonar o comando, porém, conforme manifestou mais tarde, “sob nenhum pretexto faria nada que magoasse a um homem que havia contribuído tanto para os nossos êxitos, desde Salerno, e durante o nosso avanço para o norte, em direção a Anzio”. A situação do General Lucas foi resolvida por Clark com a nomeação do General Truscott como segundo de Lucas, com a intenção de dar a este, posteriormente, outro destino, deixando o comando do 6o Corpo nas mãos de Truscott. Também outras mudanças seriam efetuadas. O comando da 3a Divisão seria entregue ao General O’Daniel e o Coronel Bill Darby, da força de rangers, seria transferido para o comando do 179o Regimento de Infantaria da 45a Divisão. As ordens pertinentes foram enviadas à cabeça-de-ponte no dia 16 de fevereiro, com a advertência de que entrassem em vigor no dia seguinte, 17. Truscott fôra indicado para o lugar de Lucas porque, como o próprio Clark disse mais tarde, “era o mais brilhante... inspirava confiança a todos que conviviam com ele...”. O ataque alemão A 16 de fevereiro, às seis da manhã, os alemães abriram fogo ao longo de toda a frente da cabeça de praia, utilizando na ação todas as suas peças pesadas. Sucessivamente lançaram rápidas ofensivas em uma dúzia de pontos diferentes. Os alemães, com esta ação, procuravam desesperadamente lançar ao mar os combatentes aliados. Tratavam, de acordo com as instruções de Hitler, de extirpar o “abscesso de Anzio”. Nessa oportunidade, produziu-se a intervenção, na batalha, de uma nova arma, lançada pelos alemães. Tratava-se de um pequeno tanque, sem tripulantes, que carregava de 100 a 120 kg de TNT e era dirigido à distância por meio de um longo cabo através do qual eram enviados impulsos elétricos que orientavam o diminuto veículo blindado. O Goliath, nome do tanque teledirigido, era utilizado especialmente para destruir os alambrados e defesas do inimigo e também os grandes depósitos de abastecimentos, acumulados ao ar livre. Os Aliados lançaram contra as posições alemães todo o peso da sua aviação, porém, uma vez mais, o meu tempo interferiu nas operações. Além disso, a artilharia alemã, atuando com efetividade, destroçou suas pistas de aterrissagem e castigou o porto, no intento de impedir as operações de desembarque de material. Durante todo o dia 16 prosseguiu o ataque alemão, com investidas contra a 3a Divisão que protegia a estrada de Cisterna a Anzio. No entanto, o peso da ofensiva foi suportado pela 45a Divisão que defendia um setor de 10 km da estrada Albano-Anzio. No dia 17, os alemães redobraram seus esforços, contando com maior apoio aéreo e lançando no combate o grosso do poderio de Mackensen. Durante as primeiras horas do dia, amparados pela semi-obscuridade, os alemães de infiltraram pela estrada e conseguiram introduzir uma cunha nas linhas aliadas. Aproveitando eficazmente essa vantagem, e após uma luta encarniçada, a frente aliada foi rechaçada de um a quatro quilômetros, ficando muito próxima da última linha defensiva. Os Aliados, contra-atacando repetidamente, detiveram finalmente o ataque, sem, apesar de todo o esforço, recuperar o terreno perdido. Durante a noite, Mackensen reagrupou suas forças e, ao amanhecer do dia seguinte, lançou-se novamente ao ataque. Os alemães, conscientes da suprema cartada que estavam jogando, triplicaram os seus esforços e concentraram todo o seu poderio na ação. Os Aliados, superados pela investida alemã, tiveram que retroceder, até encontrarem-se combatendo desesperadamente para manter a última linha defensiva, estabelecida originariamente como cabeça de praia, a uns 11 km do mar. Mais ou menos na metade da manhã, Clark chegou à praia, no seu avião Club escoltado por aparelhos Spitfire. Imediatamente realizou uma reunião urgente com Lucas, Truscott e outros oficiais do Estado-Maior. A situação não podia ser mais grave e todos sabiam disso. Tanto Truscott como Lucas se mostraram partidários de lançar um contra-ataque, porém, depois de discutir a fundo o problema, os presentes chegaram à conclusão de que seria necessário resistir até consolidar os pontos fracos, para então poderem se lançar à contra-ofensiva. Decidiu-se, também, que cada comandante percorreria as linhas de frente, incitando cada homem a compreender a necessidade imprescindível de resistir e não ceder nem um só metro mais de terreno. A situação, a esta altura dos acontecimentos, era, segundo as palavras do próprio Clark: “crítica”. As perdas em homens e materiais eram enormes e alcançavam cifras elevadas. Os combatentes aliados, nesse momento, se encontravam no ponto de partida, por trás de uma linha cuja única saída era o mar. A última alternativa que restava a Clark e seus homens era resistir de qualquer maneira ao ataques das unidades de Mackensen. Os alemães lançam a investida No dia 18 de fevereiro, as unidades de Mackensen se
lançaram ao ataque. Era a ofensiva que os Aliados esperavam. Os homens do 6o
Corpo estavam entrincheirados nas suas cavidades de atirador, “que a água
enchia antes que se terminasse de cavar”. As unidades antitanques estavam
atoladas no terreno lamacento. A artilharia e os tanques alemães, avançando
por terreno firme, estavam em ótimas condições de atacar. Durante as
primeiras 24 horas, a luta foi travada com toda a violência. Em muitos
pontos, após as primeiras
as primeiras horas do ataque, a situação se tornara dramática. O rompimento
parecia iminente. Pequenas unidades alemães se infiltravam pelas posições
aliadas. No flanco esquerdo, o 1o Batalhão do 179o de
Infantaria e o 1° de Loyals britânico resistiram aos impactos da infantaria
inimiga pelo espaço de várias horas. Uma só companhia, a A do 180° de
Infantaria, mantinha-se combatendo contra uma dezena de tanques inimigos e a
infantaria que avançava sob sua proteção. Os tanques aliados, em rápidas manobras, se deslocavam de um
ponto ameaçado para outro, detendo e infringindo pesadas baixas ao inimigo.
Os alemães que, em toda a parte, deviam atravessar terreno descoberto,
sofreram então numerosas baixas. Em alguns pontos, muito poucos, as colunas de infantaria alemães
chegaram até as últimas linhas aliadas. Sobreveio então a luta corpo a corpo,
porém a resistência, contudo, não chegou a ser rompida. A investida mais potente produziu-se durante o tarde, porém os
Aliados rechaçaram os ataques mais uma vez. Ao cair da noite, os ataques de
Mackensen começaram o declinar em intensidade. Os alemães haviam lançado na
batalha todo o seu poderio em materiais e homens, porém o 6o Corpo
não cedera em sua resistência. Uma mensagem chegou, então, às mãos de Clark. Era de Eisenhower
e dizia: "Caro Wayne: Em todos estes anos que te conheço, nunca me senti
mais orgulhoso de ti que durante estas últimas estafantes semanas. Apesar de
uma ou outra dificuldade, é indubitável que estás realizando uma grande
tarefa de comando, sem deixar que nado atinja teu ânimo. Li a magnífica
mensagem que enviaste às tuas tropas recentemente. Junto com homens como AI
[Gruenther] e Truscott, estás escrevendo uma história que os norte-americanos
lerão sempre com orgulho”. Durante a batalha, que se prolongou por quatro dias, as baixas aliados
ascenderam a 404 mortos, 1.982 feridos e 1.021 capturados ou desaparecidos,
mais 1.637 baixas produzidas por diversos motivos, cansaço ou enfermidades.
Porém o 6o Corpo havia resistido ò ofensiva. Churchill, Rússia e a frota italiana Durante o conferência de Teerã, entre outros pontos,
discutira-se a cessão à Rússia de parte do frota italiana de guerra. O
episódio, não esclarecido totalmente, foi interpretado de diversas maneiras.
Enquanto os chefes do Estado-Maior britânico haviam entabulado conversações
com seus colegas russos no base de "parte" da frota italiana, o
presidente Roosevelt "tinha a impressão” de haver falado com Stalin de
"uma terça parte" da referida frota. Fazendo referência ao
episódio, o presidente norte-americano remeteu a Churchill, no dia 9 de
janeiro de 1944, esta mensagem: "9 de janeiro de 1944 "Eu disse [a Harriman] que minha intenção era entregar aos
sovietes, para contribuir no seu esforço de guerra, uma terça parte dos
navios italianos capturados, a partir de 1° de fevereiro, e continuando à
medida que os navios fossem ficando disponíveis. "Harriman me declarou que o pedido formulado por Stalin em
Teerã era uma reiteração do que havia feito em Moscou, em outubro (isto é, um
encouraçado, um cruzador, oito destróieres e quatro submarinos)... [e] 40.000
toneladas de navios mercantes. . . e que ele nunca havia colocado a questão
em termos de ‘um terço’ dos navios capturados... "Harriman, também,
ressaltou a importância de mantermos nossas promessas concernentes a esses navios. "Se nós não as cumprirmos ou demorarmos para fazê-lo,
(Stalin) duvidará da veracidade dos demais compromissos contraídos em Teerã. "Por outro lado, os chefes de Estado-Maior fizeram
numerosas objeções a essas transferências, por causa da repercussão que acarretará
nas próximas operações. Eles crêem que os italianos cessarão a sua
colaboração... Eles não compreendem em que esta concessão pode ser útil ao
esforço de guerra russo, pois os barcos de combate não estão em condições de
operar nas águas do norte e o mar Negro está fechado aos navios mercantes...
É importante fazer todo o possível para chegar a uma solução e manter a
confiança do nosso aliado... Creio que devemos fazer o possível para poder
entregar aos russos os navios reclamados a partir de 1o de fevereiro...". Ao receber a mensagem de Roosevelt, o primeiro-ministro inglês,
por não considerá-la "perfeitamente clara", respondeu nos seguintes
termos: "9 de janeiro de 1944 "Estou de acordo em que não podemos faltar com a promessa
feito a Stalin. Estou em comunicação com Anthony (Eden]... dentro de um dia
ou dois estarei em condições de lhe enviar uma proposta...”. Dias mais tarde, a 16 de janeiro, uma nova mensagem de Churchill
chegava às mãos do Presidente Roosevelt. Seu texto era: "16 de janeiro de 1944 "1°) Estou certo de
que em Teerã jamais falamos de ‘um terço’, mas sim prometemos satisfazer ao
pedido formulado em Moscou pelos russos, para obter a transferência de um
encouraçado, um cruzador, oito destróieres, quatro submarinos e 40.000
toneladas de navios mercantes. "2o) Por outro lodo, as objeções levantadas
pelos chefes de Estado-Maior são muito importantes e estou persuadido de que
Stalin, convencido da pureza das nossas intenções, nos deixará manejar o
assunto da maneira mais cômoda e rápida. "3°) Proponho que lhe enviemos a seguinte mensagem: a)...
Os chefes de Estado-Maior do Conselho misto... acreditam que seria perigoso
para os interesses de todos fazer o transferência no momento atual . . . Se
V. Excia. considera que a transferência deva ser feita, nos poremos,
secretamente, em contato com Badoglio, para acertar os termos necessários...
que deverão ser mais ou menos os seguintes: os navios italianos escolhidos se
renderão em um porto aliado, onde os tripulações russas os abordarão para transportá-los
a portos russos... b) Nós temos certeza de que este procedimento é arriscado
e, em conseqüência, decidimos propor a V. Excia. esta outra solução: O encouraçado britânico Royal Sovereign acaba de ser reparado
nos Estados Unidos. Possui, já instalado, o radar necessário. A Grã-Bretanha
dispõe também de um cruzador. O governo de Sua Majestade aceita que esses
navios sejam abordados por tripulações russas, em portos britânicos, a fim de
transportá-los para a Rússia. Os senhores poderão adapta-los para a navegação
nos águas do Ártico. Os barcos serão cedidos temporariamente ao governo russo
e navegarão sob pavilhão soviético, até o momento em que os barcos italianos
possam ser entregues sem prejuízo para as operações militares. c) Se a
situação evoluir favoravelmente na Turquia e os Dordanelos forem abertos, os
barcos serão enviados para operar no mar Negro ou onde V. Excia. decidir. "Esperamos que estude com a maior atenção esta solução,
muito superior à primeira... "4°) Se puder entregar o cruzador... para nós será um
alívio... Não podemos fazer nada pelos oito destróieres, porém talvez possa o
senhor entregá-los.... No tocante às 40.000 toneladas de navios mercantes,
acho que o senhor poderá entregá-las em virtude do nosso imenso programa de
construções e da diminuição dos torpedeamentos. Nós, apesar de tudo,
aceitaríamos entregar a metade. "5°) Creio, meu caro amigo, que deve estudar estas
possibilidades e transmitir-me a sua opinião. Acho que Stalin ficará
gratamente impressionado por esta generosa oferta. Ela provará, em todo o
caso, nossa boa fé e nossa boa vontade... A solução proposta por Churchill encontrou boa receptividade no
presidente americano, que a aceitou. Os americanos, conseqüentemente,
providenciariam um cruzador. Um telegrama, assinado por Churchill e
Roosevelt, foi enviado à Stalin no dia 23 de janeiro. A resposta, chegada
alguns dias mais tarde, dizia: "Recebi o telegrama assinado por Vs. Excias., senhor
primeiro-ministro e senhor presidente, a propósito da cessão de navios italianos
à União Soviética. Devo dizer-lhes que considerava a questão encerrada desde
vossa resposta afirmativa ao pedido feito por mim na reunião de Teerã,
concernente à entrega desses navios em fins de janeiro de 1944. Nunca me
ocorreria que esta decisão, tomada de comum e pleno acordo por nós três,
pudesse voltar a ser posta em discussão, sob uma forma ou outra, tanto mais
que, conforme estipulamos naquela ocasião, essa questão devia ser
completamente acertada com os italianos. Comprovo agora que tal não ocorreu e
que, com eles, nada foi mencionado a respeito. Em todo o caso, a fim de não
complicar este assunto, de suma importância na nossa luta comum contra a
Alemanha, o governo soviético está disposto a aceitar vossa proposta
concernente ao envio à União Soviética, zarpando de portos britânicos, do
encouraçado Royal Sovereign, de um cruzador, e do emprego destes navios pelo
alto-comando naval soviético até o momento em que os aludidos barcos
italianos possam ser colocados à nosso disposição. Também, estamos dispostos
a aceitar dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha navios mercantes, num total de
40.000 toneladas, que serão igualmente utilizados por nós até a cessão de uma
tonelagem igual de barcos italianos. É importante que esta questão seja
acertada agora, sem demora, e que todas as naves citadas acima sejam enviados
no corrente mês de fevereiro. "Em vosso telegrama não se faz nenhuma
menção da cessão à União Soviética de oito destróieres e quatro submarinos
italianos que V. Excia., senhor primeiro-ministro, e V. Excia., senhor
presidente, se haviam comprometido, em Teerã, a entregar em janeiro. No
entanto, essa questão dos destróieres e dos submarinos tem uma importância
capital para a União Soviética, já que sem estes navios a entrega de um
encouraçado e de um cruzador carece de sentido. Compreenderão Vs. Excias.,
facilmente, que um encouraçado e um cruzador nada podem fazer sem uma escolta
de destróieres. Tendo ficado sob seu controle toda a frota da Itália, não
deveria haver nenhuma dificuldade em tirar dessa frota oito destróieres e
quatro submarinos para enviá-los para a União Soviética, ou, em substituição
dos destróieres e submarinos italianos, um número igual de destróieres e
submarinos americanos e britânicos. Por outro lodo, o assunto da cessão destes
barcos não pode sofrer demora; é necessário acertá-lo imediatamente, ao mesmo
tempo que o da entrega do encouraçado e do cruzador, conforme ficara
expressamente combinado entre nós em Teerã...". Anexo Churchill ao General
Wilson "6 de fevereiro
de 1944. "Não pretendo
julgar o General Alexander no momento em que a batalha se desenvolve em sua
maior intensidade, porém não estou surpreso com os pedidos de explicação
formulados pelos chefes do Estado Maior americano. "Há três questões
principais sobre as quais o senhor deve refletir: "Primeiramente, por
que o 504o Regimento de tropas aerotransportadas não foi empregado
em Anzio, como havia sido previsto, e por que a brigada de pára-quedistas
ingleses foi utilizada na frente como infantaria comum? "Segundo, por
que não se tratou de ocupar os terrenos elevados, nas doze ou vinte e quatro
horas seguintes ao desembarque realizado sem oposição? "Terceiro,
questão proposta pelos chefes do Estado-Maior americano: por que não se
lançou uma potente ofensiva na frente principal, quando os alemães retiraram
tropas para enfrentar as forças desembarcadas? "Levantei esses pontos,
sob a forma de sugestões, com o General Alexander e manifestei a minha
oposição a essa quantidade de ataques de pouca envergadura, efetuados por efetivos
equivalentes a um batalhão, uma companhia e até um pelotão. Repito que não
tenho a intenção de perturbar o General Alexander no meio de uma batalha que
está na sua intensidade máxima, para fazê-lo responder por problemas
passados... . Anzio e a Força Aérea
(Antes do Ataque) O General
norte-americano Ira C. Eaker chegou ao Mediterrâneo a 14 de janeiro de 1944.
Faltava nesse momento apenas uma semana para os desembarques planejados em
Anzio (operação Shingle). Os planos previstos para o esforço a desenvolver
foram concluídos a 12 de janeiro. Era previsto o desembarque em Anzio de
forças anfíbias integradas por soldados americanos e ingleses. O total das
forças seria de 110.000 homens. O apoio aéreo da
operação ficaria nas mãos da Força Aérea Tática. No momento em que se
conheceram os planos de ataque, a Força Aérea Tática já dedicara duas semanas
aos ataques prévios. Estes compreendiam o bombardeio dos aeródromos inimigos,
com o fim de debilitar o seu poderio aéreo, e o bombardeio das linhas de
comunicação entre Roma e o norte, e entre Anzio e o principal campo de
batalha. O objetivo destes bombardeios era interromper as linhas de
abastecimentos e distrair o inimigo acerca da localização exata do
desembarque. A primeira fase das
operações aéreas previstas em Shingle começou a 14 de janeiro e continuou até
o dia 13. O começo propriamente
dito ocorreu no dia 2 de janeiro, quando quarenta e três aparelhos B-25 da 57a Ala de Bombardeio atacaram as praias de
Terni, enquanto 73 aviões B-26 da 42a Ala de Bombardeio atacaram
quatro localidades situadas na estrada de ferro que corria a leste de Nice. No dia seguinte, 50
aviões B-17, dos Grupos de Bombardeio 97a e 301a, da 15a
Força Aérea, atacaram os pátios de manobras da estrada de ferro de Lingotto,
em Turin, enquanto outros 53 bombardeiros, dos Grupos 2o e 99o,
atacaram violentamente as fábricas de artefatos ferroviários de Villa Perosa,
40 km para o sudoeste. Também aparelhos B-26 bombardearam os pátios de
Pistóia e o viaduto de Bucine, cortando todas as linhas que saíam de ambos os
centros. Nesses dois dias, uns 50 aparelhos A-36, do 12o Comando
de Apoio Aéreo, atacaram os cais de Civitavecchia (o porto mais próximo de
Roma). Neste caso o ataque visava a fazer os alemães pensarem que o
desembarque seria feito ali. Durante os dez dias
seguintes, os bombardeiros castigaram intensamente o sistema ferroviário
italiano. Os alvos principais foram os pátios de manobras de Lucca,
Pontedera, Siena, Grosseto, Arezzo, Foligno e San Benedetto, as pontes
ferroviárias de Orvieto e Giulianova, e o entroncamento de Fabriano. Os
aviões realizaram um total de 340 saídas e, de 13 lugares atacados, as vias
ficaram cortadas em 8. No dia 8, 23 aparelhos Wellington e 109
Fortalezas-Voadoras atacaram Reggia Emilia e causaram graves danos nas
ferrovias e em uma fábrica de aviões de caça. Entre 14 e 22 de
janeiro os aviões lançaram mais de 5.400 toneladas de bombas sobre as linhas
de comunicações. Além dos ataques
levados a cabo contra as linhas ferroviárias, os bombardeiros médios realizaram
certo número de saídas contra outros alvos, preparando o desembarque em
Anzio. Com respeito à força aérea inimiga, os informes indicavam que o Eixo
dispunha de uns 550 aviões em estado operacional na Itália, na França
meridional, nos Bálcãs e no Egeu. A maior parte dos seus bombardeiros de
grandes dimensões haviam sido retirados do Mediterrâneo, de modo que as
únicas forças de grande raio de ação que contava para enfrentar a operação
Shingle, se limitavam a uns 50 aparelhos Ju-88, com base na Grécia e em
Creta, e 60 Ju-88, He-111 e Do-217, que tinham suas bases na França
meridional. A maioria dos caças, uns 230 Me-109 e Fm-190, estavam na Itália. Anzio e a Força Aérea
(O Ataque) A chegada das tropas
aliadas às praias do norte e do sudeste de Anzio não causou aos alemães uma
excessiva surpresa estratégica. Fazia tempo que Kesselring esperava um
desembarque aliado nas costas do 10o Exército. Porém, embora não
se tenha produzido uma surpresa estratégica, conseguiu-se, isso sim, uma
surpresa tática. A resistência de fato foi, no começo, sumamente escassa, e
durante várias horas não houve nenhuma reação por parte da aviação inimiga. A
manhã já ia em meio quando começaram a surgir os aviões do Eixo e até o fim
do dia haviam realizado umas cinqüenta saídas. Mas as patrulhas de caça
aliadas, de Spitfires que atuavam a grande altura (de 6 000 a 7 500 metros) e
meia altura (3 600 a 4 800 metros), e de aviões P-40 que voavam a baixa
altura (1 800 a 2400 metros) impediram a Luftwaffe de ter uma atuação
constante e efetiva. No decorrer de umas
500 patrulhas realizadas sobre as praias e 135 sobre as rotas marítimas, os
caças interceptaram seis missões de caça-bombardeiros e derrubaram pelo
menos, sete aviões, avariando outros tantos, contra a perda de três caças
aliados. A mesma tática
defensiva se seguiu nos dias D+1 e D+2 (segundo e terceiro dia do
desembarque). Os aviões, sob o comando geral da 64a Ala de Caça,
com base em Nápoles, foram dirigidos por um barco de controle fundeado ao
largo das praias do assalto e por uma unidade estabelecida na cabeça de
praia. Aparelhos P-51,
norte-americanos, orientavam o fogo da artilharia para as tropas, e aviões
Spitfire, da RAF, faziam o mesmo para os barcos de guerra que permaneciam
frente à costa. As unidades médias atacaram entroncamentos de estradas atrás
da cabeça de praia, enquanto as pesadas bombardeavam alvos da rede de
comunicações nas zonas de Florença e Roma e no vale do Liri. Os aviões
aliados, também, deixaram cair 2.000.000 de panfletos sobre as linhas
inimigas frente ao 5o Exército, anunciando os desembarques em
Anzio. Estas missões elevaram a mais de 1.200 o total de saídas realizadas,
em cooperação com os desembarques. Nos dias 22, 23 e 24,
as forças terrestres, sem encontrar oposição nem em terra, nem no ar, e com a
cabeça de praia isolada quase por completo do inimigo, se estabeleceram
firmemente em terra. De 23 de janeiro até
l° de fevereiro, os aviões aliados cumpriram os seus principais objetivos.
Até o dia 30 estiveram no ar, efetuando uma média de 700 saídas diárias. O
mau tempo impediu as operações entre 31 de janeiro e 19 de fevereiro. A 2 de
fevereiro, no entanto, com más condições de vôo, se registram umas 650
saídas. Nos primeiros dias de Shingle era de vital importância manter a força
aérea alemã sob controle. Embora não tendo força suficiente para converter-se
numa ameaça séria para os Aliados, havia iniciado um esforço enérgico contra
a cabeça de praia, e sua débil linha de abastecimentos. Os bombardeiros
atacavam a navegação e se faziam presentes ao anoitecer, quando os caças
aliados haviam já regressado às suas bases. Porém, os êxitos alcançados por
tais ações foram insignificantes. Onde, diabos, prefere
se espatifar? No Cub, pilotado pelo Tenente-Coronel
Jack Walker, o General Clark partiu da desembocadura do Volturno e, seguindo
a rota costumeira, voou aproximadamente uns 30 Km em direção ao mar, para
virar depois para o norte, rumo a Anzio. Habitualmente, o vôo
se efetuava a uns dois metros de altura sobre o nível do mar, para evitar
serem detectados pelo inimigo e, dado que a pista de aterrissagem de Anzio
estava constantemente sob castigo da artilharia alemã, o Cub costumava descer
no mar. Para esse fim, Walker fizera adaptar ao Cub flutuadores especiais que
lhe permitiam a amerissagem. Posteriormente, o avião era arrastado até a
praia por meio de cordas. Nesse dia, ao
empreender o regresso, as ondas chegavam a uma altura maior que nos outros
dias. O aparelho, ao procurar subir, chocou-se uma e outra vez contra as
cristas das ondas, que castigaram duramente os flutuadores. Já no ar, Walker se
voltou para Clark e perguntou: - Viu o que aconteceu? Clark, serenamente,
observou os lados do avião e comprovou que os flutuadores estavam pendurados,
completamente inúteis. - O que é que eu faço
agora? - perguntou Walker. - O piloto é você, não
pergunte a mim... - respondeu Clark. - Estou perguntando
por uma razão, senhor... - disse Walker, então. - Simplesmente eu gostaria de
saber onde, diabos, prefere se espatifar... -Nesse caso, prefiro
Sorrento. É um lugar muito bonito...
- foi a resposta de Clark. -Perfeitamente. Vamos
a Sorrento, então... Durante as duas horas
seguintes, o avião voou até chegar a uma praia adjacente ao Albergo Vittorio,
convertido em centro de repouso para os oficiais do 5o Exército. Os terraços se
atulharam de curiosos, quando perceberam o avião que evoluía com seus
flutuadores soltos, inutilizados. Walker voou, então, internando-se no mar e virou,
aproximando-se da praia a baixa altura. Depois de escolher um lugar onde as
águas eram muito pouco profundas (pouco mais de um metro de água) fez o avião
pousar sobre a superfície. Rapidamente, os homens abandonaram o aparelho, que
ficara todo destroçado. Pouco depois; superada
a aventura, Clark e Walker observavam como os restos do Cub afundavam
lentamente. Churchill a Alexander Creio que o senhor
vacilou em impor a sua autoridade, dado que a maior parte de suas forças são
americanas... O senhor tem suficiente prestígio para dar-lhe ordens e eu sei
que as mais altas autoridades americanas desejam que suas tropas recebam
ordens diretas... Por outro lado, os seus exércitos [dos americanos] estão
constituídos mais sobre o modelo prussiano que, sobre o britânico, e seus
generais estão habituados a receber ordens precisas e obedece-las
imediatamente. Não vacile em lhes dar ordens, exatamente como o senhor faria
com suas próprias forças. É muito fácil trabalhar com os americanos, que
aceitam rapidamente o bom ou o mau...”. Alexander a Churchill “... A primeira fase
das operações foi começada sob bons auspícios... O inimigo, contudo,
conseguiu concentrar forças suficientes para conjurar uma situação que se
tornara muito greve... A batalha agora entra em sua segunda fase... Temos que
deter seus contra-ataques... Depois, quando reagruparmos nossas forças,
retomaremos a ofensiva para penetrar no interior, a fim de cortar suas linhas
de comunicação entre Roma e o Sul. Isto é o que tenho a intenção de fazer. "Entre os 35
batalhões do 6o Corpo, as baixas se distribuem assim: Britânicos,
até 6 de fevereiro: 285 mortos, 1.371 feridos, 1.048 desaparecidos.
Americanos, até 9 de fevereiro: 597 mortos, 2.506 feridos, 1.116
desaparecidos. Perda de 9 batalhões de rangers. Total: 6.923. "Fico-lhe muito
grato pela amável mensagem. Compreendo sua decepção e a de todo a país. Tenho
a intenção de atingir o objetivo que nos determinamos... . |