Os poloneses conquistam Monte Cassino
Vitória aliada em
Monte Cassino
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“A batalha de Cassino foi a mais encarniçada, a mais horripilante e, num certo
sentido, talvez a mais trágica etapa da guerra na Itália". Estas palavras
pertencem ao General Mark Clark e são altamente ilustrativas para descrever
as operações que culminaram com a destruição do mosteiro de Monte Cassino. A luta alcançou uma grande violência, em parte pela envergadura
das defesas erguidas pelos alemães. A organização Todt, incumbido da
construção das diversas fortificações, redutos e subterrâneos, realizara um
trabalho excelente, convertendo as montanhas que se estendiam por trás da
linha de defesa fluvial alemã num baluarte de aço e concreto reforçado. Minuciosamente, cada colina fôra transformada numa fortaleza,
conectada com as vizinhas por meio de túneis profundamente escavados, onde se
acumulavam as provisões e as munições. Foram reforçados com grandes vigas de
aço, e seus tetos eram construídos com dormentes de estrada de ferro. Eram,
em resumo, galerias inexpugnáveis. Os pontos fortificados, nas elevações do terreno, eram
defendidos por ninhos de metralhadoras e morteiros, e protegidos por valas,
alambrados e campos minados. Poucas vezes os alemães haviam construído
defesas semelhantes numa posição que, apesar da sua importância, não era
vital para a defesa de suas conquistas. Marca a tônica da inexpugnabilidade dos redutos um fato que Mark
Clark, o general americano, relembra em sua obra: "Mais tarde soubemos
que durante um dos nossos ataques de maior intensidade de bombardeio e
artilharia - um ataque em que lançamos todo o peso que nossas forças puderam
reunir contra uma zona relativamente pequena - num depósito subterrâneo
da montanha, um grupo de oficiais alemães jogava cortas. Não se levantaram da
mesa durante todo o desenrolar do ataque; nosso maior esforço nem sequer
conseguiu parar o joguinho passatempo". O avanço sobre Cassino deu lugar a um episódio que originou, na
ocasião, ásperas controvérsias: a destruição da Abadia de Monte Cassino. As
opiniões de alguns dos protagonistas foram divergentes e podemos comprovar,
assim, que o General Mark Clark se opôs sempre ao bombardeio, enquanto o
General neozelandês Freyberg foi um decidido partidário do mesmo. Diz Clark,
referindo-se ao fato: "Afirmo que o bombardeio da Abadia, localizada no
alto de uma colina, o sudeste de Cassino, foi um erro - e faço esta afirmação
com pleno conhecimento da controvérsia furiosa travada em torno deste acontecimento...
Eu fui um dos comandantes aliados na campanha, e quem exerceu o comando em
Cassino, e afirmo que não havia nenhuma evidência de que os alemães
estivessem utilizando a Abadia com fins militares... O bombardeio da Abadia
não somente foi um erro psicológico desnecessário sob o ponto de vista da
propagando, mas também um equívoco tático militar de primeira ordem... O
único resultado consistiu em dificultar ainda mais a nossa faina, torná-lo
mais onerosa em homens, máquinas e tempo...". O General Freyberg, por
sua vez, sustentou a necessidade de bombardear o edifício do mosteiro,
dizendo: "Estou certo de que ele [o mosteiro] está na minha lista de
objetivos, e de qualquer modo quero que seja bombardeado. Os demais alvos
carecem de importância, porém este é vital. O comandante da divisão Incumbida
do ataque o considera alvo essencial e eu estou totalmente de acordo com
ele". Um documento firmado pelo velho abade do mosteiro, Gregorio
Diamare, a pedido das autoridades alemães, dizia textualmente: "Certifico
que é verdade que entre os muros do sagrado mosteiro de Cassino jamais houve
soldados alemães; que, durante certo período, somente estiveram de vigia três
soldados da polícia militar, com o propósito exclusivo de fazer respeitar a
zona de neutralidade estabelecida em redor do convento, porém já se retiraram
há uns vinte dias. Monte Cassino, 15 de fevereiro de 1944. (as.) Gregorio
Diamare, Bispo-abade de Monte Cassino - Dieber, tenente". |
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O bombardeio Ante a pressão exercida pelo General Freyberg, no sentido de
levar a cabo o bombardeio contra a Abadia, os comandos aliados decidiram que
deviam aceitar o seu ponto de vista. E então o ataque foi ordenado. A incursão se efetuaria no dia 13 de fevereiro durante a manhã.
Entrementes, o General Clark, opondo-se à operação, manifestava a Alexander,
o seguinte: "Se os alemães não estão agora no mosteiro, certamente
estarão em suas ruínas apenas termine o bombardeio. Se se tratasse de um
comandante americano, me negaria a conceder a autorização, porém, dadas as
circunstâncias, não me sinto disposto a dar origem a um problema de maior
envergadura. Se o senhor quiser fazê-lo, o faremos, mos não levianamente.
Poremos nesse bombardeio tudo o que temos". Contudo, condições meteorológicas desfavoráveis impediram a
realização do ataque no dia 13. Na jornada seguinte, 14 de fevereiro, Clark e
Freyberg voltaram a discutir o problema, sem que o chefe americano
conseguisse dissuadir o general neozelandês. No dia 15, às nove e meia da manhã, o rugido dos motores de 255
bombardeiros aliados cobriu toda a zona de Monte Cassino. As primeiras
bombas, lançadas sem precisão, caíram sobre as posições aliadas, sem causar
vítimas entre os combatentes, que esperavam a ordem de avançar. Pouco depois,
centenas de toneladas de explosivos começaram a cair sobre a colina onde se
erguia o imponente edifício do mosteiro. Um total de 576 toneladas de bombas
foram lançadas em várias horas de bombardeio. O ataque, em linhas gerais, foi
preciso, embora alguns projéteis tenham caído nas linhas aliadas, causando
algumas baixas. Após o bombardeio da aviação, a artilharia iniciou um fogo
devastador contra o colina e suas adjacências. Ao chegar os primeiros sombras
da noite, o região se encontrava envolta em fumaça e poeira. Ao cessar o fogo da artilharia, a 4a Divisão hindu de
Freyberg se lançou ao assalto. As condições do terreno, abrupto e castigado
pelo bombardeio, dificultaram os movimentos dos homens e, em conseqüência, o
avanço sofreu considerável atraso. O ataque demorou e careceu de coordenação
entre as diversas unidades. Os alemães, aproveitando inteligentemente a
vantagem, concentraram suas forças e conseguiram repelir um por um os ataques
da 4a hindu. Uma das colinas, que dominava o cume onde o mosteiro se erguia,
foi tomada, após dura luta, por uma companhia hindu. A oposição de elementos
alemães, que estavam reunidos nela, foi vencida, e os alemães bateram em
retirado. No entanto, não sendo enviados reforços para sustentar o companhia,
esta teve que enfrentar o
contra-ataque que os alemães lançaram no manhã seguinte. O resultado,
facilmente previsível, não podia ser outro senão a derrota dos Aliados, que
foram obrigados a abandonar a colina tão arduamente conquistada. Na noite seguinte, 16 de fevereiro, um segundo esforço foi
realizado pelos Aliados. O 1° Batalhão do Regimento Real de Sussex efetuou
uma nova tentativa para apoderar-se da Colina 593, porém teve que se retirar
ante a tenaz resistência oposta pelas unidades alemães que defendiam a
posição. Os ingleses perderam na ação 130 soldados e 13 oficiais. Durante a noite de 17 para 18 foi realizado um novo ataque.
Nessa oportunidade, três batalhões hindus de infantaria atacaram em direção
ao mosteiro. Paralelamente, um batalhão neozelandês atacou em direção à
cidade de Cassino, pelo leste. Vigorosos contra-ataques alemães rechaçaram as
unidades aliados. Enquanto isso, sob os ruínas do mosteiro, um certo número de
refugiados, calculados entre cem e trezentos, perecera, sepultados pelos
imensos blocos de pedra. A ofensiva é intensificada A 15 de março começou o ataque contra a cidade de Cassino. Desde
as primeiras horas do manhã, Clark, Alexander e Freyberg se instalaram em um
posto de observação, a 5 km da cidade. Ali, do segundo andar de um velho
casarão, dispuseram-se a seguir as alternativas do combate. Eram oito e trinta da manhã quando os primeiros bombardeiros
aliados se aproximaram do povoado. Uma grande quantidade de gotas negras se
desprenderam dos aviões e começaram a cair em pencas sobre a cidade.
Instantes mais tarde, uma catarata de fogo pareceu envolver Cassino. Pouco
depois, uma segunda onda de bombardeiros se aproximou do cidade. Nesse
momento já era impossível divisar os seus contornos. Cassino estava mergulhada
numa nuvem de fumaça e poeira que a ocultava da vista dos observadores. O ataque aéreo se prolongou até o meio-dia. Sem encontrar
oposição aérea nem de fogo antiaéreo, os aviões se retiraram depois de ter
lançado ao todo 1.320 toneladas de bombas sobre o cidade. Os Aliados, por sua
vez, tiveram 75 de seus homens mortos em conseqüência da proximidade do setor
bombardeado. Por volta do meio-dia de 15 de março, após ser concluído o
ataque aéreo, a artilharia do 5O Exército abriu fogo com todas as
suas peças. Paralelamente, as tropas iniciaram um lento avanço sobre a
cidade. Abrindo o marcha, os efetivos da 6a Brigada neozelandesa
se encaminharam para Cassino. Os alemães, entretanto, apesar de dizimados pelo bombardeio
aéreo e o ataque da artilharia (que havia efetuado cerca de 200.000 disparos
em duas horas), ainda não estavam com o moral combativo destruído. A chegado
dos efetivos aliados encontrou as escassas forças alemães entrincheiradas e
prontas para repelir o ataque. As ruas da cidade, semeadas de escombros, estavam intransitáveis
para os tanques e facilitavam a defesa para os alemães. Quando as forças
neozelandesas chegaram a Cassino, depararam com uma inflamada resistência que
os defensores ofereciam, escondidos em diversos lugares como sótãos, ruínas e
casamatas. A luta se prolongou até as primeiras horas da noite, violenta e
sem quartel. Todos os esforços realizados pelos atacantes foram rechaçados,
um por um, pelos alemães. Ao cair o noite, uma intensa chuva obrigou os
atacantes a paralisar as suas ações, favorecendo assim a resistência, e
permitindo aos alemães a reorganização de suas forças. Finalmente, ao cabo de três dias de intensa luta, três quartas
partes da cidade estavam em mãos dos neozelandeses. Porém, a vitória total
não parecia próxima. Durante a semana seguinte, os Aliados prosseguiram atacando sem
descanso, sem resultados positivos. Os alemães continuavam resistindo em cada
casa, ruína ou sótão, encarniçadamente, e, segundo as palavras de Clark,
"recuperavam freqüentemente pontos choves que havíamos tomado com grande
sacrifício". Por outro lado, muitas unidades aliadas se encontravam
isoladas nas montanhas e o problema do abastecimento se convertera em
insolúvel. A tentativa de abastecer essas tropas por ar, foi um fracasso
ruidoso, pois em geral as munições e víveres lançados caíram longe da
localização das forças aliados e foram apanhados pelos soldados alemães. No dia 20 de março, Alexander convocou os chefes aliados e
manteve com eles uma conferência. O motivo era a evidente dificuldade que
Freyberg enfrentava na sua missão de penetrar em território inimigo. Na
reunião, os chefes aliados destacaram as possibilidades de suas próprias
forças, e salientaram a Freyberg que suas tropas se encontravam exauridas.
Admitiram, também, que os alemães deviam estar no mesmo estado de
esgotamento, porém, visto que mantinham uma resistência obstinada, era
aconselhável suspender as operações. Freyberg, reagindo com certa aspereza,
declarou que seus homens não estavam exauridos e se encontravam em condições
de chegar ao triunfo final. Finalmente, após aceitar os argumentos de Freyberg, decidiu-se
continuar com o ataque. No dia 22 de março, a divisão neozelandesa realizou um esforço
supremo. Com um poderoso apoio prévio de artilharia, os combatentes se
lançaram ao assalto do cidade. As tropas aliadas, porém, novamente, se
chocaram com a férrea resistência dos alemães. Apesar da participação de
tropas frescas, os alemães conseguiram deter e repelir o ataque. Clark assim se manifestou a respeito dessa ação: "O inimigo
estava demasiadamente bem protegido e era alentado por um espírito
extremamente decidido. Somente se poderia aproveitar ao máximo o poderoso
apoio aéreo e artilheiro existente, mediante uma ação veloz, agressiva, por
parte da infantaria e das unidades blindadas, utilizando o máximo de força
disponível. A ação fracionada, comprometendo uma companhia, ou um batalhão
por vez, somente conduzia ao fracasso contra os veteranos alemães". As baixas neozelandesas, entre os dias 15 e 23 de março, haviam
chegado a 1.594 homens. Apesar do esforço realizado, as colinas de Monte Cassino
continuavam a impedir a marcha dos Aliados para Roma. O 8o Exército e Cassino Uma nova distribuição de forças e objetivos determinou que o 5o
Exército teria por missão subir a costa em direção de Anzio, enquanto a
tarefa de franquear e capturar Cassino ficava agora nas mãos do 8o
Exército. No princípio do mês de maio, as tropas de ambos os exércitos
terminaram um período de adestramento intensivo para a guerra de montanha. No
flanco direito do 5o Exército, em direção ao vale do Liri, estava
o 8o Exército britânico, integrado por onze divisões (2a
Divisão de Infantaria neozelandesa, 4a Divisão de Infantaria
britânica, 3a Divisão de Infantaria polonesa, 8a
Divisão de Infantaria hindu, 1° Grupo Motorizado italiano. De reserva
mantinha-se a 78a Divisão de Infantaria britânica, 6a
Divisão Blindada britânica, 5a Divisão Blindada canadense, 1a
Divisão de Infantaria canadense e 6a Divisão Blindada
sul-africana). O setor de Cassino ficaria a cargo do corpo polonês. E era
precisamente essa força que os alemães vigiavam atentamente. A noite de 11 de maio, após uma curta chuva, apresentou-se clara
e estrelada. O flanco direito do 5o Exército começava na
confluência dos rios Liri e Garigliano. Ao cair da noite, os movimentos começaram a ser notados na
retaguarda das linhas avançadas. As patrulhas saíram em cumprimento de suas missões
e descargas de metralhadoras se mesclavam com o estrondo de algumas salvas
isolados de artilharia. Às 11 da noite, um furacão de fogo estremeceu a
terra. Cerca de 1.000 canhões romperam fogo nas posições aliadas, entre
Cassino e o mar. Ao longo de intermináveis horas, os Aliados mantiveram um
intensíssimo fogo. Ao cabo de dois dias de ataque, as baterias haviam
disparado 173.000 projéteis contra as linhas inimigas. A força aérea, por sua vez, efetuou perto de 1.500 incursões,
atacando violentamente as posições inimigas e as rotas de comunicações, no
intento de impedir os alemães de transportar reforços. As forças francesas, enquanto isso, haviam cruzado o rio
Garigliano e lutavam encarniçadamente contra os alemães, que se defendiam
ferozmente. Os franceses, porém, lutando com uma coragem inaudita, capturaram
diversos pontos, como os montes Faito, Cerasola e os terrenos vizinhos de
Castelforte. A 1a Divisão Motorizada, colaborando com a 2a
Divisão marroquina, capturou o monte Girofano e depois avançou em direção de
Son Apollinare e San Ambrogio. Por fim, apesar da tenaz resistência dos alemães, a Linha
Gustavo foi perfurada pela 2a Divisão marroquina, depois de dois
dias de luta intensíssima. O 2o Corpo americano, assim como o 8o
Exército britânico, começou o seu ataque em coordenação com o francês. Ao se
concluir o segundo dia de dura luta, o 2o Corpo americano havia
conseguido perfurar, apesar da férrea resistência, as linhas inimigas. Depois de dois ou três dias de luta, os soldados aliados haviam
eliminado a 71a Divisão de panzergrenadier. A linha de defesa
alemã fôra quebrada. Cassino, porém, como nas oportunidades anteriores, resistiu aos
violentos ataques e paralisou, em parte, o avanço aliado. Contudo, uma semana depois de iniciada a ofensiva aliada, o
Corpo polonês conquistou a cidade, praticamente reduzido a ruínas, em
conseqüência do intenso castigo a que fôra submetida. O edifício da Abadia,
bombardeado várias vezes e reduzido a um informe montão de escombros caiu nas
mãos dos efetivos da 3a Divisão dos Cárpatos, polonesa, no dia 18
de maio. O antigo mosteiro, arrasado pelos bombardeios, caíra nas mãos de
unidades polonesas sob o comando do General Wladyslaw Anders. Imediatamente a
frente do 8o Exército britânico começou o avançar pelo vale do
Liri e a resistência alemã foi declinando em intensidade. A captura de Monte Cassino e Churchill O primeiro·ministro da Inglaterra acompanhou passo o posso a
campanha que culminou com a conquista do mosteiro de Monte Cassino. Dos seus
arquivos, reunidos nas suas Memórias, extraímos os parágrafos seguintes,
referentes a Monte Cassino e à luto que se travou pelo sua posse: "O segundo grande ataque contra Cassino começou o 15 de
fevereiro, com um bombardeio do mosteiro. A colina sobre a qual se elevava,
na confluência dos rios Rápido e Liri, constituía o ponto principal do
sistema de defesas alemão. O local já se revelara como um obstáculo
formidável e poderosamente defendido. Suas encostas abruptas eram encimadas
pelo célebre edifício que fôra muitas vezes saqueado, destruído e
reconstruído no decurso das guerras precedentes. Discutiu-se muito sobre se
devia ou não ser destruído uma vez mais. Ali não havia tropas alemães, porém
as fortificações alemães estavam a pouca distância do mosteiro. Dominava todo
o campo de batalha e, naturalmente, o General Freyberg, chefe do corpo local,
desejava que ele fosse violentamente bombardeado pela aviação, antes de
lançar a sua infantaria ao ataque. O comandante do exército, General Mark
Clark, pediu a contragosto, e obteve, a permissão do General Alexander, que
aceitou a responsabilidade. Em conseqüência, a 15 de fevereiro... mais de 450
toneladas de bombos caíram sobre o mosteiro e causaram grandes danos... O
resultado não foi satisfatório, pois os alemães utilizaram as ruínas... que
lhes deram maiores possibilidades de defesa que o edifício intacto. "A 4a Divisão hindu teve o ataque a seu cargo.
Depois de duas noites sucessivas... eles insistiram uma terceira vez, na
noite de 18 de fevereiro... A luta foi desesperada... A divisão neozelandesa
entrementes... atravessou o Rápido... porém foi contra-atacado violentamente
antes de consolidar a posição e teve que retirar-se. O ataque direto contra
Cassino fracassara... "No começo do mês de março, o mau tempo paralisou as
operações... Nós não conseguíramos romper a frente alemã em Cassino, porém,
os alemães também não nos lançaram ao mar, em Anzio. Nós dispúnhamos de umas
20 divisões na Itália, mas os americanos e os franceses haviam sofrido
grandes perdas. O inimigo tinha 18 ou 19 divisões ao sul de Roma e outras 5
no norte do Itália. . . A primeira coisa que devíamos fazer era converter a
cabeça-de-ponte em algo verdadeiramente sólido, reforçar as unidades e
aumentar os suprimentos para sustentar um sítio... Carecíamos de tempo e os
barcos deviam partir para participar do Overlord... A Marinha consagrou os
seus esforços nessas tarefas e obteve admiráveis resultados. Até aquele
momento, a tonelagem transportada era de umas 3.000 toneladas por dia; a
quantidade foi duplicado nos dez dias seguintes... "A 12 de março fiz as seguintes perguntas: Que efetivos há
na cabeça-de-ponte?... Que reservas há? O General Alexander me respondeu que
havia 92.200 americanos e 35.500 britânicos. Mais de 25.000 veículos haviam descido
a terra... Não dispúnhamos de uma margem muito grande, mas a situação não
cessava de melhorar. "Alguns dias mais tarde o Vesúvio entrou em erupção e o
trabalho foi parcialmente interrompido nos aeródromos, porém não nos portos. "A 24 de março... em uma comunicação ao chefe das forças
navais... lia-se: ‘os portos descarregam a um ritmo de 12 milhões de
toneladas por ano, enquanto que o Vesúvio, segundo os cálculos, chego a 30
milhões por dia. Não podemos senão admirar esse gesto dos deuses. . .’. “...Os preparativos para uma nova batalho [em Cassino] ... foram
retardados pelo mau tempo até 15 de março... Desta vez a cidade de Cassino
constituía o objetivo principal. Nossa infantaria se lançou ao assalto depois
de um bombardeio intenso onde foram lançadas mais de 1.000 toneladas de
bombas e 1.200 toneladas de projéteis de artilharia. ‘Parecia-me inconcebível
- disse Alexander - que as tropas pudessem sobreviver depois de oito horas de
um tão terrível martelamento ...’. A 1a Divisão de Pára-Quedistas
alemães, sem dúvida a melhor unidade combatente de todo o seu exército,
bateu-se ferozmente entre os montões de escombros, contra os neozelandeses e
hindus. Ao cair da noite, grande parte da cidade estava em suas mãos... A
batalha voltou a tornar-se desvantajosa... Os tanques não puderam franquear
as crateras das bombas... “... A luta prosseguiu até o dia 23, nas ruínas de Cassino, em
forma de violentos ataques e contra-ataques. Nem os neozelandeses, nem os
hindus puderam fazer mais... Conservamos grande parte da cidade, porém os
gurcas tiveram que recuar até suas posições nos flancos da montanha do
mosteiro, onde o abastecimento só podia ser feito por avião... "Respondendo a uma de minhas indagações, o General Wilson
me prestou contas das perdas sofridas pelo Corpo neozelandês na batalha: 2a
Divisão neozelandesa: 1.050; 4a
Divisão hindu: Britânicos: 401 e Hindus: 759, no total 1.160; 78a
Divisão britânica: 190. No total geral: 2.400. "Era um preço muito elevado para vantagens tão pequenas... "... Antes de atacar novamente a Linha Gustavo, com alguma
possibilidade de êxito, nossas tropas deviam descansar e ser recompostas... "A reorganização de nossas forças na Itália foi levada o
cabo no maior segredo. "Fizemos todo o possível para dissimular o movimento das
tropas e para enganar o inimigo... "O General Clark, chefe do 5o Exército, dispunha
de mais de 7 divisões, das quais 4 eram francesas... O 8o Exército
britânico... contava com um efetivo de 12 divisões; outras 6 estavam
concentradas na cabeça-de-ponte de Anzio, prontas para atuar no momento
oportuno. O setor do Adriático era mantido por um equivalente de umas três
divisões. Os Aliados dispunham, ao todo, de umas 28 divisões... "Vinte e três divisões alemãs as enfrentavam... Entre
Cassino e o mar, onde nos aprontávamos para golpear mais duramente, não havia
senão quatro e as reservas... "A grande ofensiva começou a 11 de maio, às 23 horas, com
os tiros de 2.000 canhões de nossos exércitos, reforçados pela ação maciça da
aviação tática. Ao norte de Cassino, o Corpo polonês tratou de cercar o
mosteiro, sobre a elevação que já fôra objeto dos ataques precedentes, porém
foi rechaçado. O 8o Corpo britânico, com a 4a Divisão
britânica e a 8a hindu na primeira linha, chegou a conquistar
pequenas cabeças-de-ponte sobre o Rápido, mas teve que combater duramente
para conserva-las. O 5o Exército progrediu em direção ao monte
Faito; à sua esquerda, o 2o Corpo americano deparou com uma
oposição muito violenta...". Na manhã de 18 de maio a cidade de Cassino
foi definitivamente conquistada pela 4a Divisão britânica,
enquanto os poloneses erguiam a sua bandeira branca e vermelha sobre as
ruínas do mosteiro. Apesar de não terem sido os primeiros a entrar,
distinguiram-se magnificamente no transcurso da que foi sua primeira ação
importante na Itália...”. As mensagens trocadas durante esses dias pelo primeiro-ministro
britânico e o General Alexander diziam textualmente: "17 de maio de 1944 "Primeiro-Ministro ao General Alexander: "Felicito-o calorosamente pelo avanço realizado... Muitos
pensam que teria sido preferível lançar primeiro o ataque em Anzio. Porém, o
chefe do Estado-Maior imperial e eu estamos de acordo com o senhor... Na sua
mensagem, chegada esta manhã, fala o senhor em fazer uma pausa para a
artilharia avançar... Será necessário apenas uns dias ou mais tempo?
Parece-me importante não lhes dar tempo de respirar... Pergunto-me quais
podem ser suas perdas... Segundo o meu critério, uma cifra que chegue a 7 ou
8.000 mortos e feridos deve cobrir as de toda a frente...”. Resposta de Alexander, datada do dia seguinte, dizia: "18 de maio de 1944 "Muito obrigado por vossas felicitações. Pesei muito os
prós e os contras de uma operação em Anzio... Primeiramente, as reservas
inimigas nessa região eram particularmente fortes, com a 90a e a
26a divisões... Segundo, em Anzio os alemães esperavam o choque
mais forte... Por Isso eu fiz o que eles não esperavam... "Meus últimos informes acerca das baixas são os seguintes:
8o Exército: 6.000; 5o Exército: 7.000. Total 13.000... "A tomada de Cassino tem uma grande importância para mim e
para os meus dois exércitos...”. Paralelamente ao informe de Alexander, outro semelhante do
General Wilson, chegou às mãos de Churchill. Dizia: "18 de maio de 1944 "General Wilson ao Primeiro-Ministro: "A batalha continua evoluindo favoravelmente. Hoje visitei
os poloneses. Estão radiantes de alegria pelo sucesso obtido em Monte
Cassino, onde a luta foi muito dura. "O 8o Exército e os
americanos tem os meios para manter a potência dos seus ataques... ". Continua o avanço A queda de Monte Cassino e o rompimento da Linha Gustavo não
significaram a derrocada completa da resistência alemã. Seis milhas mais para
o oeste os alemães haviam estendido uma nova linha defensiva denominada Adolf
Hitler, integrada por extensos campos de minas e cadeias de redutos e ninhos
de metralhadoras, fortemente defendidos. O 8o Exército tentou vencer essas posições num
assalto levado a cabo quase imediatamente após a queda de Monte Cassino. O
objetivo era golpear os alemães antes que estes pudessem reorganizar suas
linhas defensivas. A operação, contudo, fracassou, e o General Alexander,
supremo chefe aliado, decidiu dar um descanso às suas tropos, que seria
aproveitado também para reorganizá-las, antes de atacar definitivamente a
Linha Adolf Hitler. Foi fixada como nova data, o dia 23 de maio, a fim de
sincronizar a ofensivo com o rompimento dos forças do 5o Exército
de Clark, em Anzio. No manhã de 23, a 1a Divisão canadense realizou a investida
principal, enquanto o Corpo polonês, de Anders, se lançava ao ataque mais
para o norte. Os canadenses conseguiram abrir passagem através da Linha Adolf
Hitler, no mesmo dia. Os alemães, porém, continuaram oferecendo encarniçada
resistência ao norte da rota N° 6, que conduzia a Roma. Apesar das grandes
baixas sofridas nos combates anteriores, e o esgotamento das unidades, as
forças polonesas convergiram para a localidade de Piedimonte, fortemente
defendida pelos alemães. Uma violentíssima barreira de artilharia converteu
Piedimonte numa massa Informe de escombros. Com tenacidade e obstinação, os
alemães não aceitaram a derrota e contra-atacaram furiosamente. Os poloneses,
firmes em suas posições, repeliram, uma após outra, as investidas inimigas. Em seguida, um destacamento blindado, apoiado pela infantaria
transportada em carriers, se internou profundamente nas linhas inimigas, e se
deslocou para o norte de Piedimonte, ameaçando os alemães com um iminente
cerco. Era o dia 25 de maio. A última linha de resistência alemã estava já a
ponto de desmoronar. Os batalhões 13o e 15o, da 5a
Brigado polonesa, atacaram violentamente. O 13o, depois de uma
breve e sangrenta luta, apoderou-se da colina 593, que trancava o caminho
para Piedimonte. Um grande número de soldados alemães caíram prisioneiros dos
poloneses nessa ação. Às sete da manhã, o 15o batalhão, apoiado
por tanques, apoderou-se da localidade, aniquilando os seus últimos
defensores. O chefe das unidades polonesas de assalto, Tenente-Coronel
Bobinski, organizou imediatamente um destacamento de perseguição, para que o
avanço prosseguisse e pressionasse sem descanso aos alemães em retirada.
Contudo, novos e profundos campos de minas impediam o progresso da unidade.
Nessas circunstâncias, quando já todas as forças aliadas completavam a sua
penetração na Linha Adolf Hitler, iniciando a marcha para Roma, os forças
polonesas foram, finalmente, retiradas da frente e conduzidas à retaguarda,
para permitir sua ulterior reorganização. As unidades de Anders, na sua marcha para a retaguarda, cruzaram
a zona onde centenas de seus companheiros haviam tombado: Monte Cassino. As
ruínas do mosteiro, no alto da colina, eram um mudo testemunho do seu
sacrifício. As duas divisões haviam perdido cerca de mil homens, mortos, e
sofrido a baixa de 3.000 feridos. Esse foi o sangrento preço pago pelos
poloneses. A expressão do seu sacrifício é dado na inscrição esculpida no
monumento funerário que se ergue nas proximidades de Monte Cassino: "Nós, soldados poloneses, pela nossa liberdade e pela
vossa, oferecemos nossas almas a Deus, nossos corpos à terra da Itália, e
nossos corações à Polônia”. Assim foi concluída a terrível batalha de Monte Cassino, na qual
os soldados aliados e alemães, lutaram com um encarniçamento poucas vezes
superado no transcurso da guerra. Um escritor britânico, que combateu em
Monte Cassino, como oficial de um regimento de infantaria, assim considerou
as causas do fracasso aliado na obtenção de um rompimento rápido das posições
alemãs: "Em Cassino, o bombardeio era o único meio possível de infringir
um dano real às fortificações, excepcionalmente poderosas, erigidas pelos
alemães no povoado. Porém, somente um batalhão de infantaria foi lançado ao
ataque, ao se encerrar o bombardeio, nessa primeira e vital jornada. Além
disso, quando os tanques de apoio não puderam avançar, ao se verem detidos
pelos escombros, enviou-se como reforço uma só companhia de infantaria. Este
foi o erro fundamental na condução da batalha durante a primeira jornada. O
terreno que poderia ter sido conquistado imediatamente, depois do bombardeio,
teve que ser disputado penosamente, mais tarde, metro o metro, depois que os
alemães se recuperaram... A outra lição foi que tropas de primeira classe não
podem ser vencidas unicamente mediante uma mera chuva de bombas. Os aviões
não podem ganhar sozinhos uma batalha terrestre... São os soldados que, em
última instância, decidem a luta". Anexo “Chegou o momento” Na tarde do dia 14 de
fevereiro de 1944, granadas contendo volantes com uma mensagem do 5o
Exército destinada à população civil refugiada no mosteiro de Monte Cassino
caíram nas suas imediações. O texto do volante era o seguinte: "Amigos
italianos: cuidado! até agora temos tido o especial cuidado de não bombardear
o mosteiro de Monte Cassino. Os alemães souberam tirar partido disso. Porém
agora a luta se aproximou mais do seu recinto sagrado. Chegou o momento de
apontar os nossos canhões para o próprio mosteiro. Avisamos para que
possam salvar-se. Este é um aviso urgente: Saiam do mosteiro, saiam neste
momento. Respeitem esta advertência. Será em seu próprio benefício. (as.) Quinto
Exército" Churchill ao General
Alexander "20 de março de
1944 "Desejaria que o
senhor me explicasse a razão por que a passagem na montanha, através de
Cassino, sobre uma frente que não tem mais de três ou cinco quilômetros de
largura, é o único lugar que se pode atacar. Cinco ou seis divisões já foram
duramente afetadas tentando forçar a passagem. Naturalmente não conheço o
terreno, nem as condições em que a batalha é travada, porém, examinando as
coisas daqui, pergunto por que, se o inimigo se concentra nesse ponto, é
impossível atacar pelos flancos? . . . Confio inteiramente no senhor, porém,
rogo-lhe que me explique por que não é possível uma manobra de flanco". General Alexander a
Churchill "20 de março de
1944 "Respondo ao
vosso telegrama de 20 de março. De toda a frente de combate, desde o
Adriático até a costa sul, somente o vale do Liri, que conduz diretamente a Roma,
é adequado para o emprego da nossa superioridade em artilharia e tanques. A
rota principal, chamada N° 6, constitui o único caminho que permite penetrar
nas montanhas... É dominado pelo Monte Cassino, sobre o qual se ergue o
convento . . . Fizeram-se muitas tentativas para flanqueá-lo pelo norte,
porém foram todas infrutíferas, pela escabrosidade do terreno... Os
americanos tentaram flanquear Cassino pelo sul, porém sofreram grandes
perdas... O plano de Freyberg consiste em atacar diretamente o baluarte... É
preciso tomar de assalto a cidade de Cassino e depois manobrar, a fim de
atacar o baluarte de tal maneira que a artilharia inimiga não possa
prejudicar os nossos movimentos... Conquistamos, e ainda estamos de posse de
duas pontes sobre o rio Rápido, uma sobre a rota N° 6, e a outra pertencente
à estrada de ferro; as duas podem resistir à passagem dos tanques... Os
gurcas chegaram a menos de 200 ou 300 metros do mosteiro... A tenacidade dos
pára-quedistas alemães é muito grande, principalmente levando-se em conta que
estiveram debaixo do fogo de toda a aviação do Mediterrâneo e de mais de 800
canhões, que durante seis horas concentraram ali todo o seu fogo... O plano
do 8o Exército para penetrar no vale do Liri será retomado quando
o reagrupamento estiver concluído... Mais tarde, quando a neve tiver
desaparecido, será possível passar...". “Ele me disse que os
mandaria...” Durante uma visita à
frente de batalha, o General Clark observou um soldado da infantaria, de
pequena estatura, que estava acocorado na sua toca de atirador. Acercando-se,
interrogou-o. Após trocar com o homem algumas frases, o general americano ia
reiniciar sua inspeção, quando reparou nos pés do pequeno soldado. Com
estranheza comprovou que o rapaz não calçava os borzeguins regulamentares,
mas galochas de borracha. Registrou-se então, entre eles, o seguinte diálogo: - Como se chama? -
Soldado Gebhart, senhor. - Por que é que está usando galochas? - Não tenho
borzeguins, senhor. - Não quer usá-los? - Sim, senhor, mas é
que os meus estão gastos e os meus pés são tão pequenos que ainda não pude
conseguir outros. - Que número calça? -
37, senhor. (De fato, o número 37
era tão pequeno que, como Clark descobriu mais tarde, de cada 100.000 pares
de borzeguins, apenas 67 correspondiam a esse número.) - Eu lhe mandarei um
par de borzeguins, se é que existe um desse tamanho no teatro de guerra do
Mediterrâneo. Tempos depois,
recordando sua promessa, Clark procurou pessoalmente localizar os borzeguins
prometidos. Depois, no seu próprio avião, enviou-os ao local onde se
encontrava estacionada a unidade a que pertencia o soldado Gebhart.
Localizado o infante, o Capitão Warren Thrasher, ajudante de Clark,
entregou-os pessoalmente. Travou-se então este diálogo: - Chama-se Gebhart? - Sim, senhor. - O General Clark lhe
mandou estes borzeguins. O soldado Gebhart os
apanhou sem nenhuma mudança de expressão. - Obrigado. - Não está surpreso? - Não - retrucou
Gebhart. - ele ME DISSE que os mandaria... O pequeno soldado confiava na
palavra do seu general. E sabia que um homem, mesmo o mais insignificante,
era para o democrático chefe militar tão importante como um comandante da
mais alta patente. Acima dos seus
triunfos militares, este episódio foi para Clark uma de suas mais preciosas
lembranças de guerra. O “Expresso de Anzio” Os alemães puseram em
prática uma nova técnica de combate que, sem revolucionar o que já era
conhecido, ocasionou grandes problemas aos Aliados. Tratava-se do que se
chamou de "Expresso de Anzio" ou "Annie de Anzio". O "Expresso de Anzio"
era uma gigantesca peça de 280 mm, montada sobre um vagão de estrada de
ferro, que podia se deslocar velozmente de um ponto para outro. A peça era
transportada a um determinado ponto da via férrea, e dali fazia um só disparo
sobre o seu alvo. Depois, imediatamente, deslocava-se para longe dificultando
a tarefa de localização por parte dos Aliados. Os disparos do "Expresso
de Anzio" ocasionaram numerosas baixas. O comando aliado
tentou, inúmeras vezes, localizar e destruir a peça. De fato, idealizou-se um
método que consistia em fazer voar aviões "Beaufigther" sobre a
zona, até que o "Expresso" disparasse. Imediatamente, após divisar
o clarão, os aviões voariam em linha reta até o local. Os radares, seguindo o
vôo, determinariam o ponto exato onde a peça se encontrava. Apesar disso,
essa técnica nunca deu resultado. Muito mais tarde, os Aliados comprovaram o
porquê dessa impossibilidade. O "Expresso de Anzio" montado sobre
um vagão de estrada de ferro, mantinha-se oculto em um túnel. Pouco antes de
efetuar o seu disparo, o vagão era tirado do túnel e transportado para o
lugar escolhido. Em seguida, após disparar, o vagão era novamente conduzido
ao túnel, onde se escondia. Em Anzio, o túnel estava nas proximidades de
Castel Gandolfo, residência de verão de Sua Santidade, o Papa. Finalmente, um
desses canhões, destroçado, conseguiu ser localizado pelos Aliados. Os
peritos que o examinaram, comprovaram que, com a ajuda de foguetes, a peça
podia disparar até a 80 km de distância. Coragem A tradicional coragem
do soldado inglês foi comprovada em cem batalhas. Seu sangue-frio
protagonizou muitos episódios que beiram a fantasia. A campanha do deserto
permitiu provar sos britânicos, mais uma vez, sua inesgotável capacidade de
reação ante os obstáculos, sua serenidade e sua coragem. Na Itália,
paralelamente, os britânicos assombraram seus próprios inimigos com ações
como as protagonizadas pelo General-de-Divisão H. K. Kippenberger ou o Major
Sandy McNab. Durante o transcurso da
campanha de Monte Cassino, o General Kippenberger avançou até a
"terra-de-ninguém", em missão de reconhecimento. A zona se mantinha
em calma e apenas alguns disparos isolados rompiam o silêncio. Kippenberger
arrastou-se cautelosamente alguns metros. Em seguida, ao perceber que estava
coberto por uma elevação do terreno, levantou-se e continuou avançando sem
tomar precauções. De súbito, inesperadamente, uma explosão, sob os seus
próprios pés, o projetou a vários metros. Semi-inconsciente, Kippenberger procurou
erguer-se. Uma dor aguda na perna direita chamou sua atenção para ela. O que
viu então, teria espantado qualquer homem. A perna já não estava ali. A
explosão da mina a estraçalhara. Kippenberger, sem perder a serenidade,
utilizando o seu próprio cinturão, fez um torniquete em redor da coxa.
Minutos depois, procurando erguer-se, tentou afastar-se dali. Com grande
esforço, e apesar da intensa dor, pôs-se de pé e começou a saltar sobre a
perna sã. Havia percorrido alguns metros quando, novamente, outra explosão o
jogou para longe. Sob o seu pé havia explodido outra mina. Seus homens,
acercando-se com grandes precauções através do campo minado, conseguiram
escutar suas palavras, antes de desfalecer: - Maldição! Agora foi a outra
perna! Sandy McNab era um oficial
britânico agregado ao Estado-Maior. Sua tarefas, burocráticas, o mantinham
afastado do campo de batalha. Porém o seu maior desejo era "fazer a
guerra", combatendo na frente. Várias vêzes solicitou transferência para
uma unidade combatente. Por fim seus desejos foram cumpridos. E Sandy McNab
partiu para a frente de luta. Quando os homens do Major McNab retrocederam
mais uma vez, rechaçados pelo fogo dos soldados alemães que defendiam uma
colina, McNab compreendeu que nada no mundo faria os seus soldados
apoderarem-se daquela posição. E McNab compreendeu também que, somente
avançando à frente dos seus homens, conseguiria fazê-los chegar até a colina.
Sandy MacNab se pôs de pé. Tomou seu bastão de comando e se ergueu em toda a
sua estatura. Depois, dirigindo-se aos seus comandados, bradou: - Sigam-me,
soldados! Em seguida, lentamente, como se passeasse por uma rua de Londres,
começou a caminhar em direção à colina. Atrás dele seguiram seus homens. Um
instante mais tarde, os soldados britânicos chegaram ao cume e desalojaram os
defensores alemães. Apenas uma baixa se produzira: o Major Sandy McNab. O General Kippenberger
e o Major McNab representavam a coragem britânica que não fraquejara em 1940,
quando seu país enfrentava sozinho a agressão nazista. Os dois, e mil outros
desconhecidos, representavam a coragem de morrer, e de morrer bem, quando
necessário. “Por que morrer na
Itália?... Durante o desenrolar
das ações na frente da Itália, uma missão militar soviética chegou ao comando
do General Clark. Era integrada por cinco oficiais de alta patente, entre os
quais se destacavam os Generais Vasilieff e Solodovnek. Os chefes russos, na
presença de Clark, manifestaram o desejo de ver de perto as ações. - Queremos ver como se
comportam os americanos numa ação contra os hunos... - Disse Vasilieff.
Clark, parcimoniosamente, respondeu: - Pois não,
providenciarei... - e levando para um lado o major britânico Renwik, que
acompanhava os visitantes, encomendou-lhe a tarefa de mostrar aos russos que
a luta na Itália não era "um piquenique". Renwik, compreendendo
perfeitamente as instruções do chefe americano, levou os russos a uma região
montanhosa, açoitada pela artilharia do inimigo. Sobre o lombo de mulas,
conduziu-os por sendas tortuosas para onde os soldados aliados lutavam por
desalojar atiradores alemães. Sob uma chuva incessante, os fez arrastar-se
pelo barro e atravessar campos minados que ainda não haviam sido explorados.
Por fim, "para dar maior realismo à cena", como disse o próprio
Clark, Renwik "deixou-se ferir por um estilhaço de granada".
Posteriormente, em uma nova entrevista com Clark, os russos declararam: - Nosso principal
interesse reside na logística. Queremos ver como estão organizados os seus
elementos da retaguarda e como encaram os problemas de abastecimento...
Afinal de contas, podemos morrer pela Mãe Rússia na própria Rússia, qualquer
dia destes.. Por que morrer na Itália? . . A guerra e a música Ante o êxito obtido no
campo inimigo por uma canção, "Lili Marlene", que era cantada até
pelos soldados aliados, o comando americano compreendeu a necessidade de
contar com uma obra musical de igual efetividade, que entusiasmasse os homens
e os identificasse com sua bandeira e sua psicologia. A canção, composta por
Irving Berlin, dizia: "Conheci a tal
pequena faz um mês... Logo pediu que eu
desse lembranças ao seu Joe... Disse: quando ele
voltar serei sua noiva... Perguntei onde ele
estava, sorrindo ela respondeu: Não no Primeiro, nem
no Segundo, e nem no Terceiro, Muito menos no Quarto,
mas no Quinto Exército, sim. É lá que está o meu
coração. Numa cabeça de praia,
muito divertida... Parece até que o vejo,
de maiô, tomando sol... Uma linda signorina
quer ensinar meu Joe a falar como se fosse um
romano. Ela é muito
jeitozinha, mas meu amor no capisca até o Quinto Exército
voltar pra casa". Clark declarou,
posteriormente, referindo-se a essa letra: "Tenho a impressão que não
parece tão boa como quando Berlin lhe punha a música... De qualquer modo a
verdade é que tínhamos uma canção...”. |