5 de junho de 1944: Os Aliados ocupam Roma
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No dia 20 de maio de 1944, uma, uma mensagem chegada ao comando do General americano Clark
informou-o de que, na noite seguinte, 21 de maio, seus efetivos deveriam passar
à ofensiva em Anzio e lançar um ataque em direção de Gori e Valmontone. Essa
ordem proveniente do General Alexander foi comunicada a Clark pelo General
Lemnitzer, oficial americano do Estado-Maior do comando-supremo. Clark, em resposta, informou ao oficial de ligação que as forças
do 5o Exército não estariam em condições de lançar a projetada
ofensiva antes da noite de 22 de maio. O general americano, como diria
posteriormente, "não tinha o menor desejo de lançar Truscott para a
frente enquanto não se acuasse o inimigo para uma posição onde tivéssemos
certeza de poder obrigá-lo a recuar para além de Roma". Pouco mais tarde, no entanto, uma nova variante foi introduzida
na situação geral. O General Alexander se comunicou com Clark, informando-o
da impossibilidade de o 8o Exército retomar o ataque antes da
noite de 23 de maio. Mesmo assim, esclareceu Alexander, o ataque do 8o
Exército só podia ser levado a cabo com uma divisão canadense. O alto chefe britânico pediu a Clark, então, que o 5o
Exército se lançasse ao ataque, flanqueando as posições alemãs e eliminando,
assim, a necessidade do 8o Exército avançar também sobre os
alemães. Clark, por sua vez, salientou a Alexander que o 8o
Exército deveria atacar simultaneamente com o 5o. O ataque do 5o
Exército em lugar do 8o, pouparia a este grande quantidade de
baixas, mas as mesmas se produziriam na força sob seu comando, o que não
mudaria a situação de maneira nenhuma. Clark insistiu em que o ataque fosse
realizado por ambos os exércitos e com o máximo de forças. O chefe britânico, diante das palavras de Clark, declarou-se de
acordo com as linhas gerais do plano. Clark, então, resumiu a situação, com
as seguintes palavras: "Será necessário retardar o ataque em Anzio, pelo
menos 24 horas, ou talvez por 48 horas, porque temos de contar com um forte
apoio aéreo, e no momento a previsão do tempo não é boa. Proponho que o 2o
Corpo irrompa através da Linha Hitler ao norte de Fondi, e ao mesmo tempo me
lançarei com tudo o que tenho para unir-me com a cabeça-de-ponte". No dia 22 de maio, Clark e seus oficiais se apresentaram para
lançar o ataque. O plano previa a utilização, na luta, de todas as unidades
disponíveis, em um ataque simultâneo destinado a quebrar as linhas de defesa alemães.
O ataque seguiria em princípio a direção da linha Cisterna-Cori-Valmontone. O
6o Corpo, por sua vez, deveria estar pronto para conquistar os
montes Albanos, ao sul de Roma. No próprio dia 22, a 88a Divisão, que operava na
frente meridional, atravessou as montanhas que dominavam a planície de Fondi,
em direção ao noroeste, chegando até o monte Monsicardi. Elementos da 85a,
por sua vez, investiam através dessa planície até Terracina, no setor da
costa, e o 350° de Infantaria da 88a lançava o ataque, mais para o
interior, em direção a Roccasecca dei Volsci. Às seis da manhã do dia 23 de maio, meio milhar de peças de
artilharia aliadas abriram fogo contra as posições do inimigo. Paralelamente,
a aviação lançou os seus bombardeiros contra os redutos alemães e os tanques
blindados começaram a rodar rumo às linhas alemães. O primeiro objetivo das forças aliadas do 5o Exército
era a cidade de Cisterna. Atrás dos tanques avançava a infantaria com baionetas caladas.
Os alemães, apanhados de surpresa, ofereceram débil resistência e esse fato
permitiu às unidades aliadas efetuar um considerável avanço antes de serem os
seus esforços detidos pelos primeiros contra-ataques alemães firmes e bem
organizados. Na noite de 24 de maio, a 1a Divisão Blindada, a 3a
Divisão e a 1a Força de Serviços Especiais, haviam conseguido
flanquear o cidade de Cisterna e isolá-la das demais posições alemãs. Um dia
mais tarde, a 25, o 7° Regimento de Infantaria, pertencente à 3a
Divisão, entrou no cidade, com a missão de acabar com a resistência oferecida
pelos remanescentes da 362a Divisão de Panzergrenadier. O grosso
das forças aliadas, enquanto isso, progredia em direção a Gori, e girava para
o noroeste, rumo aos montes Albanos, nas portas de Roma. No dia 25 de maio
mesmo, as defesas alemãs começaram a mostrar sinais de fraquejamento. As
unidades da 85a Divisão, depois de combater encarniçadamente com
forças alemães, penetraram em Terracina e continuaram o seu avanço ao longo
da costa. A 3a Divisão argelina, por sua parte, ocupou San
Giovonni. A resistência alemã, nesse momento, começou a se tornar cada vez
mais débil, limitando-se a ações de entorpecimento. As forças do General Keyes, que progrediam ao longo da costa, se
aproximavam implacavelmente da cabeça-de-ponte. O encontro não tardaria a
produzir-se. De fato, pouco antes das dez da manhã do dia 25, unidades do 48°
Regimento de Engenharia e do 91o Esquadrão de Reconhecimento
estabeleceram contato com uma Força Tarefa procedente de Anzio. Esta última
era integrada por elementos do 36° Regimento de Engenharia e uma unidade de
reconhecimento da 1a Divisão britânica. |
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A cabeça de praia de Anzio estava, afinal, libertada. O próximo
grande objetivo era a cidade de Roma. Clark faz menção a esse instante, com as
seguintes palavras: "Com o 2o Corpo de Keyes unido às forças
de cabeça de praia, nosso potencial sofreu um grande incremento em poucos
dias, e a entrada em Roma parecia questão de tempo e da conveniência da
direção que escolhêssemos para nos aproximar. Contudo, esse período me
apresentou alguns problemas extremamente inquietantes, quase todos eles de
natureza mais política que militar. Três considerações permaneciam sempre
presentes em nossas mentes. Em primeiro lugar, queríamos apoderar-nos de Roma
antes que Eisenhower lançasse a invasão da França, e esse momento se
aproximava a passos largos. Segundo, gostaríamos, se possível, de não ter que
lutar na Cidade Eterna, não somente devido à nossa futura posição diante dos
olhos do povo italiano, cuja ajuda buscávamos, mas também pelo seu
significado histórico e religioso em todo o mundo. Por último, e não menos
importante, desejávamos destruir no empreendimento a maior parte possível do
exército alemão. De outro lado, como já assinalei, eu estava decidido a fazer
com que o 5o Exército capturasse Roma, e talvez estivesse
hipersensível a qualquer indício de que praticamente todos os outros pugnavam
pelo mesmo fim. Esses indícios se multiplicaram rapidamente nos dias
seguintes, de modo que aquelas foram para mim jornadas de intenso
trabalho". No dia 26 de maio, no transcurso de uma reunião de altos chefes,
Alexander manifestou a sua confiança em que Clark continuaria avançando em
direção à localidade de Valmontone. Gruenther, que na ocasião era o seu
interlocutor, assegurou-lhe que era esse o plano de Clark e que podia confiar
no embalo do chefe americano. Os movimentos das forças aliadas nesse momento convergiam para
Valmontone e também para o oeste, ao pé dos montes Albanos (com as divisões
34a e 45a); a 1a Divisão Blindada, por sua
vez, investia em direção a Velletri, no centro da barreira montanhosa. A 3° Divisão e a 1a Força de Tarefas Especiais, se
dirigiram para o leste, flanqueando os montes Albanos, com o objetivo de
cortar a rota N° 6 no setor de Valmontone. Ali foram enfrentadas por forças
alemãs, que sustentavam suas posições no intento de permitir a evacuação do
grosso das suas unidades. Como resultado dessas manobras, a massa das forças aliadas foi
lançada contra os montes Albanos, na entrada de Roma. As unidades alemães,
paralelamente, fortaleceram sua resistência e lutaram obstinadamente para
retardar o avanço aliado. No final do mês de maio de 1944, a frente de Anzio se estendia
para o nordeste, até o ponto em que cortava o linha de progressão do 8o
Exército britânico, através do vale do Liri. Em conseqüência desses
movimentos, o Corpo Expedicionário francês encontrou-se numa posição afastada
da frente e numa situação perigosa nas montanhas do sul do Liri. O General Juin, chefe das unidades francesas, pressentindo o
perigo, avisou a Clark com as seguintes palavras: "Dentro de muito pouco
tempo um grande número de divisões se encontrarão agrupadas em massa, diante
de Roma, num setor muito estreito, com más comunicações, se continuamos marchando
sobre o mesmo eixo. Por conseguinte, é importante que, de agora em diante, a
missão de cada um fique perfeitamente determinada dentro da estrutura geral
do exército e do grupo de exércitos. Caso contrário, correremos o risco de
que se produza um tremendo congestionamento, que debilite nosso poderio
frente a um inimigo cuja única finalidade é ganhar tempo”. Numa entrevista mantida posteriormente entre o General Clark e
Alexander, o chefe americano propôs ao seu superior britânico que os
franceses avançassem para Ferentino e depois se deslocassem para o noroeste,
ao longo da rota N° 6, em direção a Valmontone. Essa manobra colocaria os
efetivos franceses numa região que havia sido designada ao 8o
Exército, que nesse momento avançava muito atrasado com relação ao 5o
Exército. Em princípio, a proposta de Clark foi aceita por Alexander, porém,
posteriormente, este último chefe comunicou a Clark que desejava contar com
segurança de que a rota N° 6, entre Ferentino e Valmontone, ficaria
desembaraçada paro o 8o Exército. As conversações posteriores
definiram a situação no sentido de que o 5o Exército utilizaria a
rota N° 6 na continuação do seu ataque contra Roma, sempre e quando
Valmontone fosse capturada. Nesse caso, o 8o Exército superaria
Roma, por alto. O General Juin, concordou com a idéia de investir diretamente
através das montanhas, em direção a Valmontone. "Para os franceses -
disse Clark mais tarde - esse era um caminho arriscado, porém Juin, como
sempre, mostrou-se disposto a aceita-lo". A 1° de junho, um oficial de ligação do 8o Exército
se apresentou no posto-de-comando do General Clark e lhe comunicou que se o 5o
Exército estava em condições de tomar Roma sem o ajuda do 8o
Exército, então este prosseguiria os seus ataques para o norte do capital da
Itália. Clark aceitou imediatamente, sem objeções. O 5o Exército,
a esta altura dos acontecimentos, se preparava para um ataque devastador. Por
volta de 30 de maio, o General Keyes transferira as operações na zona do 2o
Corpo ao 4o Corpo, recentemente criado e sob as ordens do General
Crittenberger. Keyes, por seu turno, se encarregaria das ações no setor de
Artena, entre os montes Albanos e Valmontone. Conversações posteriores entre
Clark e Alexander esclareceram e deixaram bem definida a situação referente à
captura de Roma. Quando a capital da Itália caísse em poder dos combatentes
aliados, se daria publicidade a um comunicado que esclareceria, sem sombra de
dúvidas, que "as tropas do 5o Exército penetraram na capital
italiana". Conforme disse Clark, posteriormente, "para os homens do
5o Exército, e para mim
mesmo, isso era mais importante do que poderia parecer e o acordo a que
chegamos me deixou bastante satisfeito. Agora, tudo o que temos a fazer é
chegar a Roma e captura-la". A 2 de junho, a 36a Divisão penetrou
profundamente na retaguarda de Velletri, que caiu em mãos dos seus efetivos.
Em seguida, a 36a prosseguiu o avanço até chegar às imediações do
lago Albano. Paralelamente, o 2o Corpo, composto pelo 3a
Divisão, pela Força de Serviços Especiais e pelas divisões 85a e
88a, cortou a rota N° 6 e arrasou as defesas alemães em
Valmontone, estabelecendo contato com os franceses em Colle Ferro. Por volta de 3 de junho, a primeiro visão direta do derrota
alemã se ofereceu aos combatentes aliados. De fato, os estradas se
encontravam atulhadas de veículos destroçados e tanques incendiados. Inúmeros
cadáveres de soldados alemães indicavam, também, o avanço das forças aliadas. A entrada em Roma A 4 de junho, o General Clark viajou de jipe para as localidades
de Velletri, Artena e Valmontone. Posteriormente, seguindo pela rota N° 6
chegou até um ponto situado a oito quilômetros de Roma. Ali se reuniu com os
Generais Keyes e Frederick. A esta altura dos acontecimentos, já algumas
unidades italianas se encontravam nos subúrbios do capital da Itália. Outras
penetravam em Roma. Todas enfrentavam a resistência alemã. A ocupação da capital da Itália, contudo, não se realizaria no
dia 4. Clark, compreendendo isso, regressou ao seu posto-de-comando. Enquanto
isso, as forças aliadas se distribuíam pelos subúrbios de Roma e rodearam
completamente a capital. A luta, renhida, continuava ininterruptamente. As
tropas alemães resistiam tenazmente ao avanço aliado e procuravam, por todos
os meios, entorpecer os movimentos do inimigo, numa tentativa para permitir a
retirada do grosso das suas forças. Outro dos fatores que tornavam cada vez
mais dura a resistência dos alemães era a destruição das pontes de Roma, na
tentativa de atrasar o avanço aliado. Essas pontes, dezenove ao todo, eram,
por sua vez, um objetivo vital para os homens de Clark, obrigados a manter o
ritmo do ataque e da perseguição do inimigo. A luta pela posse de Roma
desenvolveu-se em circunstâncias pouco comuns. Com efeito, a proximidade das
forças aliadas da capital criou na população civil italiana um estado de
euforia, inesperado até mesmo para os próprios combatentes aliados. Multidões
entusiastas se lançaram às ruas, avançando ao encontro dos soldados de Clark.
A recepção que os habitantes da velha capital outorgaram aos soldados
libertadores teve a virtude de mostrar a estes que seus esforços e
sacrifícios não haviam sido em vão; porém, ao mesmo tempo, prejudicou
seriamente a sua movimentação, travados pela presença nas ruas de milhares e
milhares de homens e mulheres que os aclamavam e cobriam de flores. A luta,
na verdade, ainda não terminara e os atiradores alemães disparavam contra os
Aliados de diversos pontos da capital. Os homens de Clark, em troca,
obrigados a evitar a matança de civis, deviam abster-se de responder ao fogo
em muitos oportunidades. Apesar do inconveniente representado pela presença dos civis nas
ruas, os Aliados conseguiram evitar que a maioria das pontes de Roma fossem
destruídas pelos alemães em retirada. Apenas algumas, em ambos os extremos da
cidade, foram dinamitadas pelos nazistas. Nunca se pôde saber qual foi a tropa que penetrou em primeiro
lugar em Roma. Numerosos destacamentos, pertencentes o diferentes unidades,
penetraram em diversos setores. Grupos móveis, deslocando-se velozmente,
entraram na capital italiana, quando os alemães retinham ainda em suas mãos a
maior parte da cidade. Foi então impossível identificar os homens que
primeiro cruzaram as velhas ruas de Roma, levando com seus veículos e com a
boca dos seus fuzis um raio de esperança paro a população civil, submetida ao
domínio de um aliado que se convertera de repente em invasor. Clark em Roma Após a conquista da cidade, uma avaliação das perdas do 5o
Exército permitiu comprovar que as baixas ascendiam a 124.917 homens. Destes,
20.389 haviam morrido, 84.389 estavam feridos e 20.139 desapareceram na ação.
Dos mortos, 11.292 eram americanos, 5.017 britânicos, 3.904 franceses e 176
italianos. O preço pago pelo 5o Exército para libertar Roma fôra
muito elevado. No dia 5 de junho, acompanhado por Gruenther e outros
oficiais, o General Clark penetrou em Roma pela rota N° 6. A meta era o
edifício da Municipalidade, na Colina Capitolina, onde Clark se propunha a
instalar o seu comando provisório e conferenciar com seus colaboradores. A bordo de um jipe, Clark e seus acompanhantes perambularam pela
velha capital italiana, perdidos nas suas ruas. Por fim, seu caminho sem destino os levou à Praça de São Pedro.
Ali, um sacerdote que se aproximou, conversou alguns minutos com o General
Clark, despedindo-se logo dele e dos seus acompanhantes. Ao afastar-se
apresentou-se aos militares aliados. O sacerdote era americano, de Detroit... Posteriormente, um menino, montado em uma bicicleta, guiou Clark
e sua comitiva até a Municipalidade. Uma verdadeiro multidão os esperava ali.
As aclamações se sucediam quando Clark, ao descer do veículo se aproximou das
portas cerradas do edifício. O general americano bateu uma e outro vez na
porta da Municipalidade. Ninguém apareceu, nem respondeu ao chamado. Não
havia ninguém ali. Como diria Clark, posteriormente, “tornei o bater na porta, sem
me sentir, nem um pouco, conquistador de Roma...”. Acontecimentos contemporâneos na Itália O Marechal Graziani, referindo-se ao momento gravíssimo que a Itália
vivia, resumiu com as seguintes palavras sua visão dos acontecimentos: “A convocação das classes de 1924 e 1925 teve, apesar das
condições adversas, um resultado que pode ser considerado favorável. Se bem que
em vários províncias os resultados fossem desalentadores, em termos gerais a
resposta à convocação fôra aceitável. “O primeiro lugar foi ocupado por Emilio, com 98 % de
apresentações... “A apresentação foi espontânea e se, por um lado, Mussolini não
tivesse cometido o erro de rodear-se de homens anteriores ao 25 de julho e os
alemães, por outro, não tivessem cometido, como de costume, tantos e tão
grandes erros psicológicos, outro desenvolvimento teria tido o Governo da
República Social e com ele a organização das forças armadas. “Dessa situação se aproveitaram habilmente os dirigentes da
resistência clandestina que multiplicaram os esforços propagandísticos para
neutralizar os efeitos dos resultados favoráveis obtidos por nós...
“Rapidamente se produziu então o fenômeno da deserção. “O comando alemão pediu que se aplicasse severas penas para
deter a sua expansão, porém sempre resisti a esses pedidos. “Nas atos dos meus processos estão inseridos documentos que não
permitem dúvidas o respeito: uma carta do comandante superior alemão de
fevereiro de 1944 e minha resposta no mesmo mês. Eis aqui: “Do comandante superior alemão ao ministro dos Forças Armadas
italianas: “12-2-44. Nos últimos tempos, os casos de deserção entre os
soldados das últimas classes do exército italiano alcançaram proporções
impressionantes. “Darei alguns exemplos: do batalhão Siena... desertaram 340
homens. Dos grupos do norte da Itália, nas últimas cinco semanas, 3.500
homens. Do batalhão de trabalho n° 105, durante a viagem para o seu lugar de
trabalho, 548 homens; e de 756 recrutas, chamados para o serviço militar de 2
a 7 de fevereiro, 425 desertaram. Tenho a impressão que de parte dos comandos
regionais... como também de parte dos comandantes de unidades e oficiais, não
se atua com suficiente energia... Rogo-lhe, senhor Marechal, que tome as
providências necessárias para evitar estes fatos. É indispensável que todas
as autoridades encarem o problema com seriedade e cumpram as suas ordens com
a máxima energia. Eu lhe agradecerei se me comunicar que providências tomou. (a) Kesselring “Do ministro das Forças Armadas italianas ao comandante superior
alemão: “18-2-44. As causas da deserção dos soldados são conhecidas
também pelo senhor, Marechal. A propaganda adversária encontrou fácil alimento
nas múltiplas dificuldades em que tropeçamos para iniciar a laboriosa obra de
reconstrução, dificuldades devidas à total desorganização de todos os
serviços (começando por aqueles indispensáveis à vida e ao alojamento dos
homens) e ao atraso com que alguns comandos alemães puderam providenciar os
materiais de vestimenta e aquartelamento. Nessas circunstâncias, não pode
estranhar que, em pleno inverno, homens mal vestidos e mal alojados, em
quartéis sem nenhuma comodidade, não tenham podido resistir à tentação de
desertar. “Por estas razões não creio ser oportuno, nem justo, aplicar
severas sanções aos culpados ou aos seus familiares. Por isso nos vimos
obrigados a desenvolver uma ação persuasiva e de elevação espiritual,
dedicada principalmente a anular a propaganda adversária, intensificando
gradualmente o castigo, ao mesmo tempo que desenvolvemos a organização
logística. (a) Graziani “Creio que fica suficientemente demonstrado qual era o critério
seguido por mim na aplicação de medidas penais e disciplinares. “As autoridades alemãs pressionavam paralelamente o Duce para
obter a aplicação de graves sanções. Mussolini... na ocasião da convocação
das classes de 1924-25, escrevera de próprio punho... um Decreto que estendia
a pena de morte aos relutantes em aceitar a convocação, equiparando-os aos
desertores em presença do inimigo. Consegui deter o projeto por cerca de três
meses. “Na primeira quinzena de fevereiro, o procurador-geral militar
Ciancarini efetuou uma série de inspeções no norte. Era nesses dias que
Mussolini... insistia no sentido de que o Decreto em questão fosse publicado
e o levou à aprovação do Conselho de Ministros. “O procurador-geral Ciancarini, chamado por mim, numa reunião
mantida com o chefe do Governo, explicou-lhe a gravidade do procedimento que
contrastava com os medidas sancionadas pelo nosso Código Penal Militar. “Mussolini argumentou que se tratava de ‘leis excepcionais’,
impostas pelas circunstâncias, também excepcionais... “A redação do decreto foi encomendada ao Coronel Vitali, do
Justiça Militar, agregado como consultor ao gabinete das Forças Armadas. De
acordo comigo, ele incluiu artigos que... possibilitavam aos juízes militares
um modo de evitar... a pena de morte. “Por meio deles, os Tribunais conseguiram, freqüentemente,
salvar muitos imputados, provocando a ira das autoridades do partido e dos
alemães, que protestaram contra ‘o mau funcionamento dos órgãos da
Justiça...’. “...O procurador-geral Ciancarini demitiu-se de suas funções por
sua própria vontade, e o seu sucessor foi o General da Justiça Militar
CasteIlano que, como o Coronel Vitali, se manteve em seu posto até 25 de
abril de 1945. “. . . Apesar de todos os fatores que concorriam para
neutralizar a organização das Forças Armadas, sua estrutura, em fins de março
de 1944, se afirmava no Exército, na Marinha, na Aeronáutica, na Guarda
Nacional Republicana, na Polícia... totalizando milhares e milhares de
homens. Algumas destas forças, afastadas do território nacional, estavam na
península balcânica. Na França, também, milhares de soldados estavam
combatendo junto com os alemães. “Haviam sido constituídos, em número elevado, batalhões
(baterias costeiras e unidades de engenharia) que foram distribuídos... junto
com os alemães, no litoral, e no trabalho de recuperação das estradas e vias
férreas danificadas pelos bombardeios aéreos. “Enquanto isso, na Alemanha, estavam em treinamento quatro
Divisões: Monterosa, San Marco, Littorio e Italia, nos campos de treinamento
de Mutzingen, Grafenwork, Heidelberg e Sennlager. Os efetivos das divisões
oscilavam entre quinze e vinte mil homens. Eram constituídas por quadros de
oficiais e suboficiais voluntários e jovens recrutas das classes de 1924-25
enviados da Itália... Foram sucessivamente comandadas pelos Generais
Diamanti, Solinas e Goffredo Ricci... “Na primeira quinzena de julho de 1944... Mussolini efetuou a
sua segunda viagem à Alemanha... O aspecto dos homens das divisões era o mais
marcial e militar que se pode imaginar. Pareciam transfigurados e animados
por um espírito magnífico. O moral era elevadíssimo e o entusiasmo chegava ao
máximo. “A última cerimônia foi cumprida no campo de Sennlager, do qual
se observa a distância a selva de Teutoburgo, onde no ano 9 d.C. foram derrotadas
as legiões romanas de Augusto, conduzidas por Varo e onde se ergue o
monumento a Armínio, símbolo da independência nacional teutônica. Justamente
ali, dois mil anos depois, eram reconstituídas as legiões de Augusto, sob a
forma de modernas divisões. “O trem especial que transportava Mussolini e seu séquito
prosseguiu até o QG de Hitler... "Era o dia 20 de julho de 1944, o dia
em que foi cometido o atentado... "Chegamos duas horas mais tarde, ignorantes de tudo o que
ocorrera. Hitler, em pessoa, com seu Estado-Maior, esperava Mussolini na
estação. “... [Hitler] parecia muito calmo. Somente um ligeiro tremor no
seu braço, levantado na saudação nazista, revelava ainda a tensão nervosa a
que estivera submetido. Na superfície do mão direita, um pequeno ferimento.
Nada mais. “No comando do General Keitel explicou que o explosivo,
escondido em uma pasta de documentos, fôra colocado por um tenente-coronel
chamado von Stauffenberg embaixo da mesa em torno da qual se desenvolvia a
conferência operativa. A explosão surpreendera o Führer quando se encontrava
com o corpo meio estendido sobre a mesa, indicando uma localidade do mapa.
Havia sido projetado vinte metros longe... enquanto entre os demais presentes
ocorreram mortes e ferimentos. O local fôra completamente destruído pela
explosão. “Goering não estivera presente à conferência operativa. Entre
todos os que rodeavam Hitler, ele era o menos emocionado. Se tivesse que
identificar entre todos o "Judas", eu o indicaria. “No trem, durante a volta... expliquei minha impressão a
Mussolini, que não a estranhou. A mesma parece ter confirmação no que
escreveu Hitler em seu testamento político, a 29 de abril de 1945 antes do
suicídio: ‘Antes de morrer, expulso do partido o ex-Marechal do Reich
Goering, e retiro os direitos que lhe foram conferidos pelo decreto de 21 de
junho de 1941... Pela deslealdade de que deram prova, Goering e Himmler
fizeram cair sobre o país uma terrível vergonha, ao negociar secretamente com
o inimigo contra a minha vontade e procurando... de apoderar-se do poder’. “A viagem de retorno se efetuou de automóvel... Eu precedi
Mussolini na visita aos campos, percorrendo um itinerário de cerca de 6.000
km através da Alemanha. “O que mais me assombrara era a aparência de perfeita ordem que
reinava no país... Nas ruas, no campo e nas cidades, viam-se mulheres, velhos
e crianças. O resto da população estava na frente ou em seus locais de
trabalho. Tinha-se a impressão de estar num país que desenvolvia um esforço
máximo. Kessel, Hamburgo, a própria Munique eram já depósitos de ruínas,
destruídas pelos bombardeios... Dresden estava intacta e dormia sobre a
plácida margem do Elba, alheia ao trágico destino que a esperava, quando
5.000 aviões a bombardearam durante um dia e uma noite, causando a morte de 250.000 pessoas... “Na primeira quinzena de agosto de 1944 começou o retorno [das
divisões] para a Itália, com as Divisões Monterosa e San Marco distribuídas
ao longo do rio Ligur, desde Ventimiglia até Levanto, intercalando-se entre
outras divisões alemãs. Naquele momento ignorava-se se o ataque à França
seria lançado pelo norte ou pelo sul... Passada essa preocupação, a Divisão
Monterosa foi transferida para os Alpes ocidentais, onde se localizou também
a Littorio... Temia-se a invasão da Itália, através das passagens alpinas,
por parte das forças americanas e degaulistas... “A Divisão Italia foi a última a regressar e foi destinada a
Garfagnana, junto com efetivos da Monterosa e San Marco... formando um grupo
de combate misto, sob as ordens do General Carloni. “Mussolini queria que as divisões fossem empregadas na frente de
combate do 8o Exército britânico, para demonstrar capacidade
combativa exatamente onde a luta era mais áspera... O Marechal resistia a Mussolini com o argumento de que os soldados não estavam
preparados para afrontar a prova de fogo na frente mais dura... De minha
parte, sempre procurei fazer com que as divisões republicanas não se
enfrentassem com as tropos italianas do sul, distribuídas, como é sabido, no
setor do 8o Exército britânico... “As divisões republicanas se bateram nos Alpes ocidentais e em
Garfagnana, lutando contra tropas francesas [divisões argelinas e maquis],
negros americanos, canadenses e brasileiros. Também houve encontros entre
elas e as tropas italianas do sul. Isso ocorreu apesar dos meus esforços para
impedi-lo". O processo de Verona Ao constituir Mussolini um novo governo no norte do Itália, já
decidira tomar medidas contra os ex-líderes do regime fascista que haviam
votado o seu afastamento do cargo, na sessão do Grã-Conselho, em 25 de julho
de 1943. O genro do Duce, Conde Ciano, que se encontrava na Alemanha,
regressara voluntariamente ao território italiano, no dia 19 de outubro. Ao
chegar ao aeroporto da cidade de Verona, Ciano foi imediatamente preso pelo
polícia fascista e conduzido para a prisão de Scalzi. Nesse mesmo local foram
alojados os restantes membros do Grã-Conselho que puderam ser presos: De
Bono, Gottardi, Pareschi, Marinelli e Cianetti. Mussolini, ao ter
conhecimento da prisão do grupo do homens que considerava traidores, decidiu
submete-los a um julgamento na própria cidade de Verona. Na manhã de 8 de janeiro de 1944 se iniciaram os sessões do
Tribunal. O público que assistiu a essa farsa jurídica era constituído,
exclusivamente, por jovens pertencentes ao movimento fascista. Os acusados justificaram a sua atitude manifestando que a sua
intenção não fôra derrubar Mussolini, mas sim obrigar o rei a tomar em suas
mãos a condução do Estado naquela gravíssima hora. O promotor, porém, repeliu
esses argumentos, lembrando que todos os acusados haviam tomado parte numa
conspiração com o fim exclusivo de salvarem-se a si mesmos, e pediu para eles
a pena de morte. No dia seguinte, o presidente do Tribunal proferiu seu
veredicto. Com exceção de Cianetti, que foi condenado a trinta anos de
prisão, os demais, incluindo os membros do Conselho que não puderam ser
detidos, foram condenados à pena capital. A execução foi levada o cabo no dia 11 de janeiro. Um oficial da
SS, alemão, que presenciou o fuzilamento, descreveu a cena, nos seguintes
termos, numa informação enviada aos seus superiores: “Pouco depois das nove
da manhã, o chefe da província de Verona apresentou-se em companhia de
funcionários e agentes da polícia local, membros do Tribunal especial e um
grupo reduzido de civis que me eram desconhecidos. O promotor já revelara aos
condenados que o pedido de clemência fôra rechaçado... As disposições finais
transcorreram em meio de uma sórdida confusão. Juízes, funcionários da
polícia, guardas armados, começaram a encher a prisão. Os condenados foram
tirados de suas celas e manietados. Um lúgubre cortejo encabeçado por Don
Chiot (capelão da prisão) se dirigiu ao pátio. Ciano proferia insultos em voz
alta e Marinelli estava num estado de desmoralização total. Por solicitação
de De Bono, Ciano se acalmou e dirigindo-se ao capelão, disse: ‘Todos
cometemos erros e somos todos varridos pela mesma tormenta. Diga a minha
família que morro sem rancor a ninguém...’. “Acompanhei o chefe da província e sua escolta no veículo dos
prisioneiros, ao local da execução: um campo de tiro no Forte San Procolo,
nas cercanias de Verona... O pelotão de fuzilamento era integrado por um
destacamento da milícia, de vinte e cinco homens aproximadamente. A execução
se processou da seguinte maneira: fizeram os condenados sentarem-se, de
costas, em cadeiras que por sua vez tinham o espaldar voltado para o fundo,
de maneira que as costas dos condenados ficaram expostas ao pelotão de
fuzilamento. Suas mãos foram atadas no encosto das cadeiras. No caso do
Marechal De Bono, que se achava no ponto mais afastado do lugar onde eu
estava parado, intuí, observando os seus movimentos de cabeça, que ele se
recusava a ser amarrado. Somente se conseguiu manietá-lo depois de muito
esforço. O único prisioneiro que causou dificuldades foi, novamente,
Marinelli. Teve que ser manietado à força por várias pessoas. Continuou,
durante todo o tempo, gemendo e se lamentando. Os outros mantiveram uma
atitude calma. “O pelotão de fuzilamento tomou posição em duas filas, a quinze
passos atrás dos prisioneiros, com seus pequenos rifles italianos carregados
e prontos. Ao receber a voz de fogo, os homens dispararam simultaneamente
sobre os cinco prisioneiros. A primeira fila, com o joelho em terra, e a
segunda, de pé. Justamente antes que se desse a ordem de fogo, um dos
condenados, Gottardi ou Pareschi gritou: ‘Viva a Itália! Viva o Duce!’.
Depois da primeira descarga, quatro prisioneiros caíram por terra, arrastando
suas cadeiras, enquanto um permanecia sentado, ileso, a julgar pela sua
posição. Do ponto onde eu me encontrava, não pude verificar se ele se
mantinha ereto por simples equilíbrio ou porque não fôra atingido pelos
projéteis. “Os homens que jaziam no solo haviam sido atingidos de forma tão
imprecisa que permaneciam movendo-se e gritando. Depois de uma curta e
embaraçosa pausa, foram disparados alguns tiros mais, das filas do pelotão de
fuzilamento, contra o homem que ainda permanecia na cadeira e nos que já estavam
no solo. Finalmente deu-se o ordem de cessar fogo. Os condenados receberam os
tiros de misericórdia disparados pelo comandante do pelotão e outros
milicianos". A notícia do fuzilamento foi propalada nesse mesmo dia pelas
rádios, precedido pelas notas do Giovinezza, o hino fascista. Anexo Do "Diário"
do General Clark 20 de maio de 1944 “Creio que se o 8o
Exército atacar na região de Pontecorvo nos dois próximos dias (na realidade
assim o fez, embora com uma só divisão) e se assestarmos um golpe demolidor
na Linha Hitler ao norte de Pico, iniciando-se a ofensiva em Anzio no dia
seguinte, derrotaremos o exército alemão na Itália". 29 de maio de 1944 “Estão deixando de
lado o meu Corpo francês. Jamais houve organismo de combate mais valoroso e,
no entanto, meu oferecimento de que eles atacassem Ferentino foi repelido sem
discussões, a menos que os franceses aceitem retirar-se para o Sul pelos
mesmos caminhos que os levaram adiante. “Estou lançando na
luta (pelos montes Albanos) tudo o que tenho, confiando destruir essa posição
chave, o que obrigará Kesselring a retirar seus dois exércitos para o norte
de Roma. (Quase se pode dizer que nesta declaração estou totalmente
comprometido. Na realidade, estava empenhando todas as minhas reservas, até o
último homem, inclusive um novo regimento da 91a Divisão,
recém-chegada dos Estados Unidos). Se não vencer essa posição em três ou
quatro dias, talvez seja preciso reorganizar-me, esperar o 8o
Exército e investir com um ataque coordenado a cargo de ambos os exércitos". 15 de junho de 1944 “Tinha entendido,
evidentemente, que o 6o Corpo partiria (para ANVIL) assim que
capturássemos Roma. Sabia também que a maior parte do Corpo Expedicionário
Francês deixaria o meu exército. Suponho que a Junta Combinada de chefes do
Estado-Maior que toma essas decisões sabe o que faz, e que ANVIL possa trazer
uma contribuição ao nosso esforço na Itália. No entanto, estou convencido de
que tomaram esta resolução há muito tempo e sem compreender cabalmente o
grande êxito que teriam o 5o e o 8o Exércitos na
Itália. O moral do 5o é excelente. O "boche" está
derrotado, desorganizado e desmoralizado. Este é o momento de aproveitar o
nosso triunfo. E no meio desta vitória perco dois quartéis-generais de corpo
e sete divisões. Realmente, não tem sentido. “O mais deprimente de
tudo é o caso do General Juin. Comportou-se de forma magnífica. Mas não
recebeu nem uma palavra de estímulo do seu governo (então De Gaulle havia
subido ao poder), mas sim indícios que o deprimiram tanto a ele como ao seu Estado-Maior". Sua Santidade e o
General Clark 8 de junho de 1944. O
General Clark e o seu Estado-Maior se encontram na cidade de Roma,
recém-liberada pelas suas tropas. Muito próximo dali se ergue a Santa Sé, de
onde Sua Santidade segue, minuto a minuto, o desenrolar dos episódios que
estão acontecendo. A presença dos altos chefes aliados obriga o Reverendo
Monsenhor Walter S. Carroll, que durante toda a campanha da Itália se
desincumbiu do papel de agente de ligação entre o Vaticano e o 5o
Exército, a marcar uma audiência com Sua Santidade, o Papa Pio XII. Acompanhado por seus
oficiais superiores, Clark, vestindo o uniforme de combate, chega ao
Vaticano. Ali é esperado pelos guardas suíços que o escoltam até o interior,
aos aposentos do Papa. Minutos depois,
recebido por Sua Santidade, Clark foi convidado para manter uma conversa a
sós, prévia à audiência. Na reunião privada, o
Papa manifestou a Clark os seus temores de que os alemães tomassem
represálias contra a cidade de Roma, agora em poder dos Aliados. Clark,
serenamente, explicou a Sua Santidade que "não acreditava que os alemães
estivessem em condições de tomar represálias contra ninguém neste
momento", porém, de qualquer modo, "não ficariam em Roma mais que o
tempo necessário, no máximo alguns dias". O Papa também
perguntou a Clark se tivera contato com os russos e expressou a sua
inquietação pelos possíveis efeitos do comunismo na Europa central.
Posteriormente, manifestou a Clark o seu desejo de que os soldados americanos
de suas unidades pudessem visitar o Vaticano. Clark, portanto, determinou as
medidas necessárias para que todos os homens do 5o Exército
pudessem comparecer às audiências especiais com Sua Santidade. Mais tarde, já
levadas a cabo várias dessas audiências, Sua Santidade voltou a entrevistar-se
com o General Clark, a quem declarou, contrafeito, que "os soldados
americanos não gostam de mim". Clark, desorientado, respondeu que não
tinha nenhuma explicação para esse fato. O Papa então prosseguiu, dizendo que
quando ele aparecia diante de soldados italianos, estes prorrompiam em
exclamações de entusiasmo e vivas. Ao contrário, quando surgiu diante dos
soldados americanos, estes se mantiveram em silêncio, observando-o, sem
exteriorizar nenhuma reação. Clark, então, tratou de explicar ao Santo Padre
que os soldados do seu país eram menos expansivos e que na sua presença
acreditavam que deviam guardar um silêncio reverente. Pio XII, compreendendo,
aprovou as palavras de Clark. A partir desse
momento, em muitas oportunidades, Clark visitou Sua Santidade e pôde
comprovar, segundo suas próprias palavras, "sua sabedoria e sua infinita
compreensão". A sombra da morte 9 de junho de 1944. Os
efetivos alemães acabam de ser desalojados de Civitavecchia. O General Clark,
ordena que aprontem o seu avião pessoal, e se dispõe a partir para aquele
porto, em missão de observação. O Tenente-Coronel Jack
Walker, piloto de Clark, no comando do novo aparelho, que substitui o Piper
Cub destruído do general americano, o aguarda. Após a decolagem, o
avião voa rumo a Civitavecchia. Já nas cercanias do porto, Clark ordena a
Walker que sobrevoe a zona em círculos para poder apreciar o estado geral da
região. Walker obedece. Então, já quase sobre
o porto, Clark e Walker observam minuciosamente o terreno, em baixo, sem
preocupar-se com o que se passa a seu redor. E essa atitude os aproxima de
uma catástrofe. Os Aliados, prevendo
possíveis ataques aéreos da Luftwaffe, levantaram em redor de Civitavecchia
uma barreira formada por balões dos quais pendem longos cabos de aço, que por
sua vez, estão amarrados em caminhões. Nem concluíram a
primeira volta quando um chiado agudo os abalou. Clark e Walker observam ao
seu redor e vêem, alarmados, que um cabo acaba de se chocar com a asa do
avião. O aparelho descreve um círculo sobre si mesmo, enquanto o cabo desliza
pelo borda da asa. Tudo parece estar superado e reduzido a nada mais que um
episódio desagradável quando o cabo, batendo num tubo que sobressai do bordo
da asa, fica enganchado nele. O avião, acelerado por Walker, começa então a
voar em círculos, em volta do cabo. Ao mesmo tempo, começa a perder altura. Segundos mais tarde, o
cabo se parte. O avião, livre, voa então em linha reta, perdendo altura.
Walker, ao observar que a gasolina sai aos jorros do tanque, corta o contato
e plana em direção à costa. Um instante mais tarde, habilmente, o piloto
aterrissa em um campo, próximo à praia. Clark e Walker
escaparam mais uma vez da morte. Juin e o "Servico
Relevante" , 18 de junho de 1944.
Chega ao quartel-general do 5o Exército, nas proximidades de
Toscana, o General Marshall. Ali, após recebê-lo com as honras devidas ao seu
posto, Clark o apresenta a todos os seus generais, entre os quais está o
General francês Juin. Um pouco mais tarde,
Clark pede ao General Marshall que entregue algumas Medalhas de Serviço
Relevante, e inclui na lista o General Juin. A reação de Marshall não se faz
esperar, e ele declara a Clark que não há medalhas em tal quantidade. Clark,
sem se abalar, responde que já as tem em seu poder. Marshall, então, concorda
em que sejam entregues, salvo no caso de Juin. "Não posso condecorar um
estrangeiro", diz o general americano. Clark, ligado a Juin por uma
grande amizade e uma profunda e mútua admiração, dialoga durante um longo tempo
com seu superior, procurando convencê-lo. Fala dos méritos do general
francês, da sua coragem pessoal e da importância do trabalho que seus homens
desenvolveram na campanha. Marshall então, a contragosto, admite a justiça da
ação proposta por Clark e concorda em condecorar Juin. Pouco depois, um grupo
de altos chefes aliados formam diante do General Marshall, para receber suas
condecorações. Clark, aproximando-se de Juin, lhe diz que se incorpore à
fila. O chefe francês, surpreso, obedece. Minutos mais tarde, com mão firme,
Marshall coloca no peito do General Juin a primeira Medalha de Serviço
Relevante dos EUA outorgada a um francês na Segunda Guerra Mundial. Clark e a estratégia soviética O General
norte-americano Mark Clark analisou posteriormente os acontecimentos da
campanha militar em que dirigiu o 5o Exército. Suas conclusões
foram as seguintes, referentes à União Soviética: “Considero que também
o ponto de vista russo é extremamente interessante. É evidente que Stalin foi
um dos mais enérgicos defensores da invasão do sul da França no transcurso
das conferências e negociações dos Três Grandes que tiveram lugar em Teerã.
Stalin sabia perfeitamente bem o que queria, tanto na esfera política, como
na militar; seu maior desejo era manter-nos afastados dos Bálcãs, que já
havia reservado para o Exército Vermelho. Se concentrássemos nosso potencial
da Itália, na França, era óbvio para Stalin, que nos afastaríamos da Europa
central. Da França, a única forma de podermos chegar aos Bálcãs seria através
da Suíça; em outras palavras, ANVIL conduzia a um beco sem saída. Era fácil,
por conseguinte, compreender a razão por que Stalin defendera ANVIL em Teerã;
porém, o que eu nunca pude compreender é porque os Estados Unidos e a
Grã-Bretanha não fizeram uma pausa quando as condições mudaram e a situação
se modificou, e examinaram de novo o panorama geral com vistas a eliminar ou
reduzir as proporções de ANVIL se havia uma possibilidade mais conveniente. “Não aconteceu isso,
mesmo quando se comentou muito a respeito, especialmente nas esferas
britânicas. Suponho que o Primeiro-Ministro Churchill tenha sido o
responsável por essas conversações e que não teve a culpa de que o tema não
se traduzisse em algo mais senão palavras. Depois da captura de Roma,
poderíamos ter destruído o exército de Kesselring, apenas lançando uma
ofensiva decisiva. E além do Adriático estava a Iugoslávia, quase toda em
poder de Tito, e além da Iugoslávia estavam Viena, Budapeste e Praga... O
Marechal Tito visitara o quartel-general de Alexander e sugerira que ele
podia proporcionar cabeças de praia protegidas para um desembarque na
Iugoslávia... O General Wilson defendia firmemente uma operação dessa
natureza nos Bálcãs e até o Rei Jorge VI falou, quando visitou meu
quartel-general, das vantagens de uma investida da Itália contra a Áustria...
Em geral, sabia-se que o Presidente Roosevelt acariciou essa idéia durante um
certo tempo, porém não encontrou ressonância da parte de Harry Hopkins... Se
tivéssemos chegado lá, adiantando-nos ao Exército Vermelho, isso teria
significado não somente uma antecipação do colapso alemão, como também uma
redução drástica na influência da Rússia Soviética...". |