Chuva de bombas sobre a fortaleza européia
Ofensiva Aérea
Aliada sobre a Alemanha
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Desde 1o de setembro de 1939, primeiro dia da
guerra, até os primeiros
dias de agosto de 1940, data em que começa a Batalha da Grã-Bretanha, as forças
aéreas da Inglaterra e da Alemanha não levaram as suas operações além de
embates circunstanciais, evitando, propositadamente, os ataques às
respectivas retaguardas. Após uma série de acusações mútuas acerca de
pretendidos bombardeios a centros civis, carentes de qualquer importância
militar, os alemães se lançam à ofensiva e, a 8 de agosto de 1940, iniciam a
Batalha da Grã-Bretanha. Ao terminar a ofensiva aérea alemã sobre o território inglês, a
indústria bélica britânica dedicou os seus esforços a aumentar os meios de
defesa, prevendo uma nova possível ofensiva aérea, a ser lançada em 1941. No
entanto, transcorrido o lapso indicado, o ataque maciço não se produziu. A
aviação inglesa, em conseqüência, que na ocasião desenvolvera já meios de
defesa efetivos, derivou os seus esforços paro a obtenção de uma força de
bombardeio eficaz. Os britânicos se aprontavam para, por sua vez, lançar a
ofensiva. As palavras de Churchill, pronunciadas a 19 de julho de 1941,
atestam: “... Se nesta mesma noite consultássemos o povo londrinense,
pedindo-lhe que vote a favor ou contra o prosseguimento dos bombardeios
aéreos das cidades, a imensa maioria votaria pela afirmativa, pedindo que se
meça os alemães com a mesma vara com que eles nos mediram, ou talvez com uma
ainda mais comprida, se possível”. A decisão britânica de devolver golpe por golpe se traduziu no
ataque aos centros povoados alemães. A reação do Führer, então, não se fez
esperar. Em reiteradas oportunidades, falando diante de assembléias, Hitler
fez menção aos bombardeios ingleses, repisando sua intenção de efetuar
ataques devastadores em represália. A 8 de novembro de 1942, em Munique, o
líder alemão declarara: “... Logo os britânicos se convencerão que o gênio
alemão não está ocioso, pois vão receber uma surpresa que os deixará sem
fôlego. Assim, num clima de ameaças e recriminações, chegou-se a meados do
ano de 1943, data em que toda consideração foi posta de lado e se começou a
bombardear os objetivos civis sem nenhuma espécie de contemplação. |
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Os Estados Unidos e o poder aéreo Até os primeiros dias do mês de dezembro de 1941, a Inglaterra e
os Estados Unidos mantiveram como único laço de união a Lei de Empréstimos e
Arrendamentos. No dia 7 desse mesmo mês, produziu-se um acontecimento que
mudaria o curso das hostilidades: Pearl Harbor. Nesse dia, as predições de
Hitler, de que os Estados Unidos se manteriam à margem do conflito, sofreram
um rude golpe. A Grã-Bretanha, por sua vez, viu consideravelmente reforçado a
sua segurança, ante a incorporação à sua frente de luta de um aliado militar
e industrialmente poderosíssimo. No dia 13 de janeiro, começaram a tomar forma definitiva as
operações aéreas comuns anglo-americanas. Nessa data, ingleses e americanos
acertam o envio à Grã-Bretanha de unidades de bombardeio. A medida, contudo,
sofre adiamentos e apenas na metade do ano começam a chegar à Inglaterra os
primeiros aviões americanos que formariam a 8a Força Aérea. A 10 de fevereiro de 1942, criou-se também o Comitê-Combinado do
Estado-Maior. Suas primeiras autoridades foram: o Almirante Sir Dubley Pound,
pela Marinha; o General Sir Alan Brooke, pelo Exército, e o Marechal Charles
Portal, pela Real Força Aérea; os membros americanos foram o Almirante Harold
Stark, Comandante de Operações Navais; o Almirante King, Comandante-Chefe da
Frota americana; o General George Marshall, Chefe do Estado-Maior-Geral do
Exército; e o Tenente-General H. H. Arnold, Chefe do Estado-Maior dos Forças
Aéreas do Exército. O Comitê tinha a função de conduzir estrategicamente a guerra,
traçar um programa de produção de acordo com a sua estratégia, distribuir
matérias-primas e armas, e programar o transporte marítimo para o traslado de
homens e materiais para além-mar. A 8 de agosto de 1942, transportada já a 8a Força Aérea
à Grã-Bretanha, foi divulgada uma Diretiva, conhecida sob o nome de “Diretiva
Conjunto Anglo-Americana sobre as Operações de Bombardeio Diurno, incluindo a
Cooperação dos Caças”. Dizia: “Propósito “... atingir a continuidade da ofensiva de bombardeio contra os
potências do Eixo”. “Designação de responsabilidades “O instrumento primário para o bombardeio aéreo noturno é o
Comando de Bombardeio Britânico. O bombardeio diurno será responsabilidade
primária do 8a Força Aérea Americana”. “Métodos para atingir o objetivo “Os métodos de bombardeio noturno permanecerão na forma definida
pelas diretivas atuais do Ministério do Ar ao Comando de Bombardeio
britânico. O método para realizar o propósito de bombardeio diurno será
mediante a destruição e danos nos objetivos de precisão, vitais para o
esforço de guerra das potências do Eixo”. “Desenvolvimento da ofensiva diurna “... As forças americanas de bombardeio diurno, sob a proteção
de caças britânicos... atacarão os objetivos adequados dentro do raio de ação
da cobertura britânica dos aviões de caça”. “... O alcance característico do tipo de caça americano será
explorado para aumentar a profundidade de penetração da força de bombardeio e
também para ampliar a frente de ataque...”. “A 8a Força Aérea desenvolverá sua ofensiva diurna
completa, recebendo o apoio e cooperação que puder da força britânica de caça
de curto alcance”. “Papel da força diurna de bombardeio britânica “... será empregada em papel secundário, para agregar peso às
operações de distração britânicas e para manter os ataques durante períodos
inadequados para as operações dos bombardeiros pesados diurnos dos EUA”. Os métodos de bombardeio utilizados por britânicos e americanos
diferiram ao longo do transcorrer de toda a guerra. Os primeiros se
mantiveram fiéis ò sua tática de bombardeio de área, com grandes formações,
especialmente noturno. Os americanos, por sua vez, cingiram sua atuação ao
bombardeio de precisão, diurno, com formações médias. As táticas diferentes provocaram divergências entre ambos os
aliados. Essas divergências transpiraram do plano profissional e chegaram ao
povo, que tomou conhecimento delas através das crônicas de jornais. Fazendo
referência a esse fato, o Marechal Harris, numa mensagem enviada ao General
Arnold, declarava: “Podemos vencer nossos inimigos, desde que antes não
sejamos vencidos pelos nossos próprios amigos...”. A seleção dos objetivos
foi, também, determinada concretamente a 21 de janeiro de 1943. O Comitê-Combinado,
nessa data, fixou as seguintes prioridades: 1o Estaleiros e bases de submarinos; 2o
Indústria aeronáutica; 3o Transportes; 4o Refinarias de
combustível; 5o Indústrias militares; 6o Objetivos
diversos de importância militar ou política. Posteriormente, a 8 de março de 1943, uma Comissão militar e
civil entregou ao General Arnold, para seu estudo, as seguintes conclusões: Recomendações gerais: 1o Existem 60 objetivos básicos; 2o
Devem ser mobilizados as forças necessárias para atacar esses objetivos; 3o
Devem ser estreitados os laços com a RAF; 4o Os problemas básicos
da ofensiva de bombardeio serão decididos pelos ingleses. Objetivos selecionados e prioridade de ataque: 1o a) Fábricas de montagem de aviões; b) Fábricas de
montagem de peças; c) Fábricas de motores de aviação - Ao todo: 22 objetivos;
2o Fábricas de rolamentos de esferas (uma fábrica grande e cinco
menores); 3o Indústria do petróleo; 4o Indústria de pedras de esmeril; 5o
Indústria dos metais não ferrosos (cobre, alumínio e zinco); 6o Fábricas
de borracha sintética (três estabelecimentos); 7o Estaleiros de
submarinos e montagem de peças (19 estaleiros); 8o Fábricas de
veículos motorizados (sete estabelecimentos); 9o Meios de
transporte em geral; 10o (indústria de ferro); 11o Indústria
de aço; 12o Indústria de máquinas e ferramentas (doze fábricas ao
todo); 13o Indústria elétrica (32 usinas geradoras de energia); 14o
Fábricas de equipamentos elétricos, instrumentos ópticos; 15o
Indústria química e de nitrogênio. Pouco tempo depois, o Estado-Maior Aéreo da RAF e a 8a
Força Aérea elaboraram um novo plano, que estabelecia as seguintes
prioridades: 1o Estaleiros e bases submarinos; 2o
Indústria aeronáutica em geral; 3o Indústria de rolamentos de
esfera; 4o Indústria de petróleo; 5o Indústria de
borracha sintética e pneumáticos; 6o Veículos militares de
transporte - Total de objetivos: 66. Posteriormente, dando um reajuste final e definitivo aos
projetos, o General Eaker e o Marechal Harris estabeleceram a seguinte
prioridade de ataque: 1o Objetivos intermediários: Forças de caças alemãs 2o Objetivos fundamentais: Estaleiros e bases
submarinas de operações; Indústria aeronáutica; Rolamentos de esfera;
Indústria de petróleo 3o Objetivos secundários: Indústria de borracha sintética
e pneumáticos; Veículos motorizados e de transporte militar Paralelamente, o General Eaker calculou e solicitou a seguinte
quantidade de aviões, imprescindíveis para o cumprimento dos planos
previstos: Até 30 de junho de 1943, 944 aviões de bombardeio pesado e 200 de
bombardeio médio. De julho a outubro, 1.192 bombardeiros pesados. De outubro
a janeiro de 1944, 1.746 bombardeiros pesados. Depois de 31 de março de 1944,
2.702 bombardeiros pesados e 800 médios. Potencial britânico Ao concluir-se o Batalha do Grã-Bretanha, o Comando de Caça
contava com as seguintes unidades: caça diurna, 52 esquadrões; caça noturna,
12 esquadrões. Até meados de 1941, os efetivos haviam aumentado para 64
esquadrões de caça diurna e 17 de caça noturna. Em fins de 1941, os
esquadrões afetos à caça diurna somavam 65, enquanto que os encarregados da
caça noturna eram 23. (Durante o ano de 1940, os esquadrões eram integrados
por duas esquadrilhas de duas seções cada uma, com três aviões por seção).
Posteriormente, o esquadrão foi organizado por duas esquadrilhas, cada uma
das quais se dividia em três seções de dois aviões. Ficaram formadas, também,
as chamadas “Alas aéreas”, constituídas por três esquadrões cada uma. A artilharia antiaérea, por sua vez, cresceu de acordo com as
seguintes cifras: Em setembro de 1939, 695 canhões pesados e 2.700 leves. Em
julho de 1940, 1.200 canhões pesados e 3.932 leves. Em maio de 1941, 1.691
canhões pesados e 4.532 leves. Os projetores eram 253 em setembro de 1939,
549 em julho de 1940 e 940 em maio de 1941. Com referência ao Comando de Bombardeio britânico, seu período
de verdadeiro desenvolvimento começa com o comando do Marechal Sir Arthur
Harris, que assumiu a direção no dia 23 de fevereiro de 1942. À chegada de
Harris, o total de aviões de bombardeio alcançava 69. O Marechal Harris
começa então uma febril atividade, tendente a aumentar o potencial de
bombardeio, não somente em número mas também em tipo, e dando preferência ao
material pesado. O incremento da força de bombardeio foi o seguinte: em dezembro
de 1942, os bombardeiros pesados eram 261; no decurso de 1943, os pesados
eram 423, 106 os médios e 41 leves; durante 1944, a quantidade de
bombardeiros pesados alcançava 1.119, enquanto os leves chegavam a 97.
Deve-se destacar que, a partir de 1943, o Lancaster foi o principal avião das
formações de bombardeiros britânicos. Potencial americano A 8a Força Aérea americana, sob o direção do General
Ira Eaker começou a transportar os seus efetivos à Inglaterra a 23 de junho
de 1942, quando uma formação de dezoito B-17 foi enviada para suas novas
bases na Grã-Bretanha, onde chegou no dia 1° de julho. A partir desse
momento, o número de aviões em trânsito aumentou continuamente. Em fins do
mês de agosto, já haviam sido enviados um total de 386 aviões. Nos primeiros
dias de janeiro de 1943 os aparelhos que haviam chegado à Grã-Bretanha
somavam 882. A defesa alemã Os serviços de informação da defesa antiaéreo alemã eram
integrados por uma verdadeira barreira que se estendia desde a Dinamarca até
o França. Na primeira linha se encontravam postos de observação, constituídos
por serviços de radar e rádio. A menor unidade de observação era formada por
grupos de três a seis homens. Sua missão consistia em informar, o mais
aproximadamente possível, acerca da presença de aviões inimigos. O serviço de
escuta de rádio, fiscalizava, durante as 24 horas, as emissões inimigas.
Essas emissões podiam orientar acerca do número de aviões incursores, seu
provável rumo e objetivo. As informações remetidas pelo cinturão de observadores se
concentravam em centros especiais, constituídos por telefonistas que recebiam
os dados e oficiais que filtravam a informação e transmitiam os mesmos aos
centros diretamente em conexão com a defesa antiaérea. A respeito da aviação de caça é necessário destacar que, ao
principiarem as hostilidades, os alemães possuíam uma poderosa força desse
tipo. No entanto, os êxitos iniciais os levaram a não fortalecer seus
efetivos aéreos, atrasando-se consideravelmente no que diz respeito a
investigações sobre radares e elementos acessórios e mesmo primordiais na
luta aérea. Por volta de 1942, os caças alemães foram aperfeiçoados com a
incorporação do radar, instalado nos bimotores de caça noturna. Em 1943, a aviação de caça alemã contava com efetivos que
chegavam a 2.000 unidades, distribuídos da seguinte forma: 1.000 aviões de
caça diurna, 600 caças noturnos Me-110, 300 caças noturnos Fw-190 e 100 caças
noturnos Me-109. Durante 1944, os efetivos totais somavam 3.000 aviões de caça,
entre diurnos e noturnos. A partir de meados de 1944 a aviação de caça alemã
foi virtualmente derrotada. Desde esse momento, o céu da Europa ficou aberto
aos incursores aliados. Bombas sobre a Alemanha No transcurso de 1941, o maior bombardeio contra cidades alemãs
foi realizado contra Berlim, Bremen e Hamburgo, na noite de 8 para 9 de maio.
Intervieram na missão 500 aparelhos de bombardeio. A cifra parece indicar uma
grande capacidade de destruição, porém tal não ocorreu. As bombas utilizadas
na ocasião eram de escasso poder destrutivo. No mês de agosto do mesmo ano,
na noite de 14 para 15, 300 bombardeiros atacaram as cidades de Hannover e
Brunswick, com um resultado semelhante ao do bombardeio da noite de 8 para 9
de maio. Durante o ano de 1942 realizaram-se ataques contra diversos
centros industriais alemães. No mês de março, durante a noite de 8 a 9, os
bombardeiros se lançaram sobre Essen, no Ruhr. Contudo, o ataque fracassou,
pois os aviões de bombardeio chegaram sobre o alvo com um considerável atraso
em relação aos aparelhos que deviam lançar as bengalas de sinalização. Por
conseguinte, a maioria das bombas caíram fora do alvo, sem produzir maiores
danos. Na noite seguinte, 9 para 10 de março, repetiu-se o ataque usando
bombas incendiários para sinalizar o local, em lugar de bengalas. A partir desse momento, essa cidade sofreu onze ataques em três
meses. Durante a noite de 30 de maio uma força que superava 1.000
bombardeiros foi lançada à ação. O ataque, dirigido contra Colônia, foi
levado a cabo por 1.047 aviões. Deles, 900 alcançaram o alvo e o bombardearam
durante uma hora e meia, lançando um total de 1.445 toneladas de explosivos.
O número de aviões perdidos pela força aliada atacante chegou a 39 aparelhos. Na noite de 1o para 2 de junho de 1942, 1.036
bombardeiros voltaram a descarregar suas bombas sobre Colônia. Uma grossa
camada de nuvens impediu que o ataque tivesse êxito. As bombas, lançadas ao
acaso, não chegaram a ocasionar grandes danos. Um novo ataque, o último grande ataque do ano, se realizou na
noite de 25 para 26 de junho. Desta vez, o objetivo foi a cidade de Bremen,
onde existiam estaleiros de submarinos e uma grande fábrica de aviões Focke
Wulf. A cidade, os estaleiros, e a fábrica de aviões sofreram consideráveis
danos, sob o impacto das bombas lançadas por 1.000 bombardeiros. A defesa
alemã derrubou 57 aviões de bombardeio. Em 1943, realizou-se uma série de ataques em grande escala,
entre os quais se destacam, pela sua importância, os realizados nas seguintes
datas: No mês de março, na noite de 5 para 6, 422 aviões de bombardeio
atacaram a região do Ruhr. O ataque se prolongou durante 38 minutos, no
decurso dos quais lançaram-se 950 toneladas de bombas. As fábricas Krupp,
objetivo do ataque, sofreram importantes danos, enquanto as perdas na força
de bombardeio alcançaram 3 % dos aparelhos atacantes. Na noite de 12 a 13 do
mesmo mês, repetiu-se o ataque. Uma terceira incursão foi efetuada durante a
noite de 3 a 4 de abril. Na noite de 6 a 7 de abril, 330 aviões, que lançaram um total de
900 toneladas de bombas, atacaram a cidade de Duisburg, no Ruhr. Um mês mais
tarde, na noite de 4 a 5 de maio, 600 bombardeiros lançaram 1.500 toneladas
de bombos sobre Dortmund, também no Ruhr. A incursão durou 45 minutos e a
força atacante perdeu 5 % dos seus aparelhos. A cidade de Dortmund foi novamente atacada na noite de 23 de
maio. Uma força integrada por 950 aviões de bombardeio lançou 2.300 toneladas
de bombas em uma hora e meia de ataque. Uma segunda incursão, realizada na
noite de 25 contra a cidade de Dusseldorf, com uma força de 700 aviões não
deu resultados favoráveis, pois as 2.000 toneladas de bombas lançadas caíram
sem precisão. Os atacantes perderam 27 aviões. A 17 de outubro se realizaram dois ataques de grande
transcendência. Um total de 376 aviões atacaram as fábricas de rolamentos de
Schweinfurt e as fábricas de aviões Messerschmitt, em Ragenburg. O objetivo
foi atingido por 311 aviões e 60 deles foram derrubados. No mês de novembro, na noite do dia 18 para 19, 620 aviões
lançaram 1.000 toneladas de bombas sobre a capital da Alemanha, começando uma
ofensiva aérea que duraria quatro meses. Um novo ataque contra Berlim foi
efetuado na noite de 22 para 23 do mesmo mês, quando 1.000 aviões Lancaster,
Stirling e Halifax lançaram 2.300 toneladas de bombas. Em onze ataques
posteriores, efetuados entre 24 de novembro e 15 de fevereiro de 1944, os
bombardeiros aliados lançaram sobre Berlim 21.700 toneladas de bombas. Ao começar o ano de 1944 são efetuadas várias incursões de
grande magnitude contra o território alemão, No dia 11 de janeiro começa
praticamente a ofensiva aérea com um ataque lançado por 700 aviões contra a
fábrica Junkers, em Alberstadt, a fábrica Focke Wulf, em Oscherleben, e a
Messerschmitt, em Brunswick. Nessa oportunidade 60 bombardeiros foram
derrubados. A 20 de fevereiro, 1.000 aviões de bombardeio atacaram diversas
fábricas de aviões. Dois dias mais tarde, 747 bombardeiros lançaram 1.750
toneladas de bombas sobre três fábricas de aviões e a fábrica de rolamentos
de esfera de Schweinfurt. Um dia mais tarde, a 23, 1.210 aparelhos atacaram
as fábricas de aviões de caça de Regensbruck, Augsburg e Stuttgart. Esses
ataques, repetidos entre os dias 20 de fevereiro e 2 de março, reduziram a
produção alemã de aviões de caça em 60% no caso de monomotores e 80% no de
bimotores. Durante as incursões foram arrojadas 10.000 toneladas de bombas.
De outra parte, os Aliados perderam 500 bombardeiros e 39 caças. No dia 4 de março de 1944, a 8a Força Aérea americana
realizou o seu primeiro ataque contra Berlim. A incursão, realizada com
forças reduzidas, foi repetida no dia 6 com uma formação de 678
quadrimotores. A capital alemã foi novamente atacada na noite de 26 para 27 de
março, por uma força de 1.000 aviões, que lançou 2.500 toneladas de bombas.
Nessa oportunidade, 73 aviões aliados não regressaram às suas bases. A 5 de abril de 1944, efetivos da 15a Força, com base
na Itália, atacaram as refinarias de Ploesti. A incursão foi efetuada por 230
bombardeiros. Um novo ataque se produziu a 24 de abril, oportunidade em que
participaram 485 aviões. As usinas de Leuna, Brux, Bohlen, Zeitz e Lufzkendorf, foram
violentamente atacadas no dia 12 de maio. O bombardeio foi realizado por 750
aparelhos. No dia 28 de maio, a 8a Força atacou duas vezes a
fábrica de combustível sintético de Leuna. Um novo ataque, desta vez contra o
fábrica de combustível sintético de Ruhland, nas proximidades de Dresden, foi
levado a cabo por 73 aviões que, após o bombardeio, seguiram vôo para o
território soviético e aterrissaram em Poltava. Tratava-se de 73 B-17, que
foram, imediatamente, atacados por 80 aparelhos alemães. Em decorrência do
ataque, 47 aviões aliados foram destruídos. Novos ataques, realizados nos
dias 28 e 29 de setembro e 7 de outubro, foram cumpridos contra a fábrica de
Leuna. O Ruhr, por sua vez, foi objeto de novos ataques. No dia 14 de
outubro, levou-se a cabo um ataque que praticamente durou 24 horas, durante
os quais se lançaram 10.000 toneladas de bombas sobre a cidade de Duisburg. O
total de aviões que participaram dessa missão foi de 2.200. A 23 de outubro, Essen foi bombardeada. No decorrer do ataque
foram lançadas 4.500 toneladas de bombas. Essen voltou o ser objeto de um
intenso ataque durante a noite de 12 para 13 de dezembro. Os ataques aos diques Meados de março de 1943. Uma mensagem urgente chega às mãos do
Comandante de Ala, Guy Gibson. É sua licença. Surpreendido com o que supõe
ser um descanso obrigatório, que não deseja, Gibson chega, pouco depois à
base de Grantham. Ali é recebido dias depois pelo Vice-Marechal Cochrane.
Após os cumprimentos de praxe, Cochrane perguntou a Gibson se se sentia em
condições de fazer uma viagem. À interrogação de Gibson para que esclarecesse
o motivo, Cochrane respondeu de forma evasiva. Não podia ser mais explícito,
declarou. Necessitava, no entanto, saber se Gibson estava disposto a aceitar,
pois se tratava de “algo muito importante”. Gibson, seguindo o hábito de não
fugir a nenhuma responsabilidade, aceitou. Dias depois, chamado à presença do superior, Gibson foi
apresentado a outros oficiais de altas patentes que colaborariam com ele no
projeto. Foi assim que, após breve reunião, lhe foi encomendada a formação de
um esquadrão especial. Nem uma palavra mais foi agregada às instruções.
Gibson devia organizar e adestrar, preparando para o vôo em equipe, um grupo
de pilotos. Pouco depois, Gibson elaborara uma lista com os nomes dos
melhores homens que conhecia. O motivo, porém, de tal organização continuava
sendo para ele um enigma. Mais tarde, Gibson redigiu o primeiro informe sobre o
adestramento. O texto dizia: “Se bem que o esquadrão já estivesse formado a
20/3/43, as instalações completas para o treinamento somente ficaram prontas
a 25/3/43. Entre estes dias se realizaram vôos limitados, a baixa altura,
através do campo. O esquadrão ficou organizado em duas esquadrilhas a
22/3/43, porém elementos gerais, tais como baterias de arranque e jogos de
ferramentas chegaram somente a 26/3/43. Não temos pára-quedas, porém pedimos
alguns emprestados ao esquadrão 57. Ainda carecemos de jaquetas salva-vidas,
mas parece que nossas tripulações não se incomodam de voar sobre o mar sem
elas. Pensam, em maioria, que voam tão baixo que de qualquer modo não lhes
teria muita utilidade...”. É necessário destacar que, nos treinamentos, os vôos haviam sido
efetuados a uma altura muito baixo, a apenas uns metros sobre a superfície do
terreno. Dias depois, Gibson foi enviado longe dali para manter uma
conversa com alguém que não conhecia. Era um civil que o colocou a par do
objetivo da constituição da nova unidade. Tratava-se, segundo as suas
palavras, de voar a uma velocidade de 380 km/hora, a 45 metros de altura,
sobre a água, e lançar uma bomba com uma precisão de alguns metros. Gibson
respondeu que acreditava ser possível, embora difícil, e pediu tempo para
responder concretamente às palavras do seu interlocutor. Por fim, tempos depois, Gibson foi plenamente inteirado do
objetivo que lhe destinavam. Tratava-se, nada menos do que bombardear e
destruir a represa que bloqueava o vale Mohne. A construção tinha as
seguintes dimensões: 850 metros de comprimento, 42 de espessura e também de
altura. Podia reter, em condições normais, 140.000.000 de toneladas de água. Após uma grande quantidade de ensaios, tendentes a conseguir a
fabricação de uma bomba capaz de destruir um tal bloco de concreto e também
de conseguir um impacto no lugar exato, a operação ficou pronto para ser
executada. O ataque A 16 de maio de 1943, aviões de reconhecimento voaram sobre a
grande represa do Mohne, no Ruhr, e informaram que as águas haviam atingido o
seu nível máximo. Era o momento que os ingleses esperavam. O momento em que a
destruição do dique seria mais provável e causaria maiores danos. Mais
provável, pela tremendo pressão que as paredes do dique suportavam; e mais
prejudicial pela imensa massa de água que se precipitaria sobre o vale.
Imediatamente após a chegada dos informes à base, os tripulantes incumbidos
da operação foram concentrados para receber as últimas instruções. Cento e trinta e três “jovens veteranos” escutaram atentamente
as instruções emitidas, em primeiro lugar, por um homem de ciência que participava
do preparo da operação. Ele lhes explicou os alcances do vôo, o caráter do
objetivo, suas medidas e os materiais que haviam sido empregados na sua
construção. Esclareceu também a importância do cumprimento exato da missão, e
finalizou expressando a confiança depositada neles pelo Alto-Comando. Em
seguida, os homens dedicaram os seus esforços à preparação final dos seus
aviões. Os motores foram testados, as miras ajustadas com precisão e os
tanques de gasolina carregados de combustível. Diversas avarias menores
ocuparam os mecânicos durante toda a jornada, em febril atividade. Ao chegar as primeiras horas da noite, os aparelhos estavam
prontos. Os homens, impacientes, estavam com seus trajes de vôo, dispostos a
viver a grande aventura que sempre significava atacar um objetivo de
prioridade absoluta. Um dos chefes, pertencentes ao Alto-Comando, dirigindo-se aos
homens, disse: “Vocês estão a ponto de empreender uma incursão que ocasionará
enormes prejuízos. Esta será uma empresa histórica. Todos vão querer saber
como foi efetuada e será muito difícil não responder. Não devem faze-lo sob
nenhum pretexto, pois temos outros usos para esta mesma arma. Advirto-os
desse fato porque, tendo observado o treinamento desde o princípio, sei que o
ataque terá pleno êxito”. Guy Gibson, a cujo cargo estaria a condição do ataque, explicou
aos homens detalhes técnicos da operação e dividiu-os nos grupos em que
operariam. Depois, durante quase duas horas, alongou-se a espera... Quando
chegou o momento indicado, uma luz Verey, vermelha, foi disparada. Os motores
de todos os aviões, unissonamente, se puseram em movimento. Em seguida,
movendo-se em formação, os aparelhos avançaram. Instantes mais tarde
começaram a decolar, um por um. A entrada no território europeu se produziu pela Holanda. Voando
a uma altura muito baixa, a formação teve que subir precipitadamente, muitas
vezes, para evitar árvores, torres e cabos de alta tensão. A artilharia aérea
alemã, disparando com todas as suas peças, seguia o rumo dos aviões aliados.
Refletores isolados se acendiam aqui e ali, enquanto peças de todo o calibre
semeavam o espaço de pequenas nuvens negras. Finalmente, ao longe, a massa
negra do dique ofereceu-se aos olhos dos pilotos da formação. Ali estava o
objetivo buscado. A represa do Mohne. A uma ordem de Gibson, chefe do missão,
os aparelhos se aprestaram a efetuar sua corrida de bombardeio. As baterias
antiaéreas, entrementes, abriam fogo graneado contra eles. Os bombardeiros,
um a um, aprontaram-se para lançar suas minas. O primeiro o fez, sem que a
descarga tivesse maiores conseqüências. Outro o seguiu, depois. E mais outro,
e outro mais... Até que um grito de alegria escapou de todas as gargantas. A
barragem cedeu... Uma torrente de mais de 40 metros se precipitou para o
vazio. O espetáculo, dantesco, se ofereceu ante os olhos dos pilotos
britânicos. Milhões de toneladas de água, precipitando-se sobre o vale,
alagando tudo, tudo destruindo à sua passagem. Gibson, disse, referindo-se a
esse momento, que “provavelmente nenhum homem terá ocasião jamais de
contemplar espetáculo semelhante”. O objetivo fôra alcançado. A represa de Mohne estava destruída. O ataque a Mohne não foi, no entanto, senão um preâmbulo das
aterradoras incursões que a força aérea aliada levaria a cabo contra cidades
como Berlim, Hamburgo, Colônia e outros centros alemães. A ofensiva de
bombardeio continuou crescendo em intensidade, dia a dia, até atingir níveis
de destruição jamais imaginados. Anexo Eaker O General Ira C.
Eaker, comandante-geral da 8a Força Aérea dos Estados Unidos,
nasceu no Texas, em 1895. Começou a sua carreira militar na arma da
Infantaria, porém, em 1918, se incorporou à aviação, onde dois anos mais
tarde, foi promovido a capitão e designado comandante da base aérea filipina
de Manilha. Foi então que se revelou como um perito mecânico e um grande
piloto. Por volta de 1929 fez, com outro piloto, um vôo num avião do
exército, abastecido no ar, e com ele estabeleceu um novo recorde de duração
de vôo não interrompido, de 150 horas e 40 minutos. A partir de 1930 serviu
como comandante de uma esquadrilha de caça e como oficial do Serviço de
Inteligência. Eaker chegou à Inglaterra em fevereiro de 1942, como chefe do
comando de bombardeiros americanos, sendo promovido, um ano mais tarde, ao cargo
de comandante-geral da 8a Força Aérea americana. Em agosto de 1942
dirigiu a primeira incursão da força aérea americana sobre território ocupado
pelo inimigo. Enquanto durou a incursão pilotou pessoalmente a Fortaleza-Voadora
Ynnqui Doodle. Nos doze meses seguintes, seus homens completaram sessenta e
oito incursões diurnas. Os bombardeiros do
General Eaker, apenas nos primeiros nove meses de atividade, destruíram 356
aviões inimigos e perderam somente 90. Homem com grande sentido de humor,
Eaker costumava repetir, diante de alguma situação complicada que “dentro de
cem anos isso não terá a menor importância”. Apaixonado pela
aviação, o chefe americano dividiu o seu exercício com o golfe, o tênis e o
pôquer, suas diversões favoritas. Batalha Aérea No dia 14 de outubro
de 1943, a aviação americana realizou um reide contra as grandes fábricas de
rolamentos de Schweinfurt, no sul da Alemanha. Essa incursão deu margem a um
dos encontros mais encarniçados da guerra aérea. Transcrevemos o relato dessa
ação, publicado na história oficial da aviação dos EUA. “Assim que a escolta
de aparelhos P-47 empreendeu o regresso, nas proximidades de Aquisgran (a
umas 240 milhas da costa inglesa), a Luftwaffe fez sua aparição em massa e
começou a acossar as formações de bombardeiros numa ação que continuaria até
chegar ao alvo e se prolongaria até a costa do Canal, no vôo de retorno. A
maioria das táticas empregadas nesse dia pelos caças alemães já haviam sido
utilizadas anteriormente - ataques em formação, uso de foguetes e canhões,
bombardeio contra aviões, concentração simultânea num grupo ou em aviões
desgarrados - porém, jamais o inimigo fizera um emprego tão completo e
coordenado dessas táticas. O contra-ataque estava tão bem planejado que
originou a suspeita de que o controle de caças alemão sabia de antemão a hora
e os objetivos da ação... Seja como for, o fato é que a Luftwaffe cumpriu uma
tarefa sem precedentes pela sua magnitude, pela inteligência com que foi
planejada e pela severidade com que foi executada. Os caças atacaram onda
após onda. Como de costume, os caças monomotores atacaram pela frente,
disparando os seus canhões de 20 mm e metralhadoras até chegar muito perto da
formação. Em seguida aos caças monomotores, apareceram nutridas formações de
caças bimotores, que disparavam enormes quantidades de foguetes de
equipamentos especiais instalados debaixo das asas. Procuravam alvejar as
formações de bombardeiros, geralmente, de uma distância de 1.000 jardas, e
pela retaguarda - aproveitando a vantagem natural que favorecia a pontaria
nos ataques traseiros. Atuando como caçadores de patos, disparavam contra o
avião-guia, sabendo que a dispersão normal causada pelas explosões aumentaria
a possibilidade de conseguir atingir. Enquanto isso, os caças monomotores se
reabasteciam e convergiam de todas as direções. Logo eram seguidos por grupos
de bimotores, já reabastecidos de foguetes. Depois de gastar os seus
projéteis, estes últimos recorriam com freqüência aos seus canhões e
metralhadoras. Os aviões inimigos se concentravam numa formação por vez,
provocavam a desorganização mediante ataques com foguetes (que, como os
projéteis antiaéreos eram mais eficazes para esse propósito que para a
destruição imediata), e depois assestavam o golpe de graça nos aparelhos
avariados com o emprego do fogo de artilharia. Uma ala de combate da 1a
Divisão de Bombardeio, que suportou o maior peso do contra-ataque, foi
varrida quase por completo, mediante essas táticas... “A missão de 14 de
outubro demonstrara que o preço de tão profundas penetrações durante períodos
de luz solar, sem dispor de escoltas de caças, era muito elevado para serem
levadas a cabo com freqüência. Em termos concretos, custara à 8a
Força Aérea, 60 aparelhos B-17 com suas tripulações, sem mencionar os
importantes danos sofridos por 17 aviões e as avarias reparáveis em 121”. Tempestade de fogo O emprego maciço de
bombas incendiárias pela aviação aliada e seus devastadores efeitos sobre as
cidades e indústrias alemãs, é descrito no Estudo dos EUA sobre o Bombardeio
Estratégico, publicado ao término da guerra pelo Governo americano. "As tempestades
de fogo tiveram lugar em Hamburgo, Kassel, Darmstadt e Dresden. Ao contrário
de um incêndio ordinário em tempo de paz, que começa no centro e depois se
estende, essas tempestades ocorriam quando as bombas incendiárias provocavam
muitos incêndios - em um período relativamente curto - sobre uma extensa área
de edificações. Calculou-se que, em Hamburgo, num lapso de 20 minutos, dois
de cada três edifícios estavam em chamas dentro de uma área de 4,5 milhas,
como resultado dos impactos das bombas incendiárias. A intensidade da queda
das bombas foi tão grande, que foram infrutíferos os esforços para lutar
contra o fogo. À medida que muitos incêndios se alastravam através dos tetos
dos edifícios, surgia uma onda de ar quente de mais de quatro quilômetros de
altura é de dois e meio quilômetros de diâmetro... Essa onda turbulenta era
alimentada na base pelo ar mais frio da superfície do terreno. A dois
quilômetros e meio do incêndio, essa corrente aumentava a velocidade do
vento, de 16 para 53 quilômetros por hora. No limite da área, as velocidades
deviam ser consideravelmente maiores, como demonstra o fato de árvores de um
metro de diâmetro terem sido arrancados pela raiz. Em pouco tempo, a
temperatura alcançava o ponto de ignição para todos os combustíveis, cobrindo
de chamas toda a área. Em tais incêndios ocorria uma destruição completa;
isto é, não sobrava o menor rastro de materiais combustíveis e somente dois
dias depois essas áreas estavam suficientemente frias para se poder
acercar-se delas. “Muitas outras cidades sofreram grandes prejuízos devido a
incêndios, mesmo que a intensidade fosse menor do que a descrita acima. Por
exemplo, calculou-se que Berlim foi destruída em 60%; os funcionários do
Departamento de Bombeiros da cidade declararam que três quartos dos danos
sofridos foram devidos ao fogo... Os estudos feitos sobre fotografias sugerem
que, na mesma tonelagem, as bombas incendiárias foram 4,8 vezes mais efetivas
que as bombas de alto poder explosivo nas áreas residenciais". Bombas Britânicas Paulatinamente, os
explosivos utilizados pelos ingleses na guerra foram crescendo em peso e
capacidade destrutiva, em relação com os objetivos a atingir. As bombas
explosivas variaram entre 1.000 e 11.000 quilos. As incendiárias, por sua
vez, oscilaram entre 2 e 2. 000 quilos. Explosivas: De 1.000 kg: muito
semelhante à mina aérea alemã. De 2.000 kg: chamada
Cooky. Continha 1.680 kg de explosivo. De 4.000 kg: (Block
Buster - Destruidora de casas). Consistia em duas bombas de 2.000 kg unidas
entre si. Utilizada pela primera vez contra Karlsruhe no dia 2 de setembro de
1942. De 6.000 kg: (Factory
Buster - Destruidora de fábricas). Carregada com Tritonal (mescla de TNT e
alumínio) e RDX (substância derivada do Cyclonite). Carga similar à dos
torpedos da marinha inglesa. Utilizada pela primeira vez contra a fábrica
Gnome-Rhone, na França, a 8 de fevereiro de 1944. De 11.000 kg: (Gran Slam). Media
sete metros e meio de comprimento por um metro de largura. Somente podia ser
transportada pelo Lancaster. Foi usada pela primeira vez a 14 de março de
1945. Incendiárias: De 2 kg: empregada
pelos britânicos desde o começo da guerra. Difíceis de controlar em sua
queda. Utilizadas em "cachos". De 15 kg: bomba de
fósforo. Utilizada para sinalização. De 125 kg: para
sinalização. De utilidade escassa. De 250 e 500 kg:
rendimento escasso. De 2.000 kg: preparada
especialmente para sinalização. Resumindo, a bomba mais
utilizada foi a de 2 quilos, empregada em "cachos" de até 250 kg e,
às vezes, de 500 kg. A chamada bomba J era uma bomba de petróleo de
rendimento escasso, abandonada quase imediatamente. Operação
"Gomorra" De 60.000 a 100.000
pessoas mortas. Mais de 300.000 edifícios destruídos. Praticamente toda uma
cidade arrasada pelos explosivos e pelo fogo. Esse foi o espantoso saldo da
operação "Gomorra", designação dada pelos comandos aliados à
ofensiva aérea contra o grande porto de Hamburgo. O ataque, iniciado na noite
de 24 para 25 de julho de 1943, prolongou-se em repetidas incursões, até a
noite de 2 para 3 de agosto e nele participaram, alternando-se, os
bombardeiros da RAF e da Força Aérea americana. Os efeitos destruidores
superaram com sobras a todos os alcançados até aquele momento no desenrolar
da guerra aérea. A devastação maciça e indiscriminada, iniciada pelos alemães
com os seus bombardeios contra as cidades inglesas, chegou na operação
"Gomorra" ao seu total aperfeiçoamento. Os efeitos do reide foram
assim descritos por Adolf Galland, chefe da aviação de caça alemã: “Uma onda
de terror se propagou pela torturada cidade e se estendeu por toda a
Alemanha. Horripilantes relatos dos terríveis incêndios foram divulgados, e o
resplendor dos mesmos podia ser avistado de uma distância de 12 milhas. Uma
corrente de aterrorizados refugiados se precipitou sobre as províncias
vizinhas. Em todas as grandes cidades, o povo murmurava: ‘O que ontem
aconteceu com Hamburgo, amanhã poderá acontecer conosco...’. Berlim foi
evacuada em meio a sintomas de pânico. Apesar da fria reticência dos
comunicados oficiais, o ‘terror’ de Hamburgo se espalhou rapidamente por todo
o Reich”. Na primeira incursão,
os britânicos lançaram uma força de quase 800 grandes bombardeiros Lancaster
e Halifax, e conseguiram superar as defesas alemães valendo-se de um
artifício secreto. Milhões de pequenas tiras metálicas foram arrojadas ao ar
na via de aproximação dos bombardeiros e em diversos pontos da Alemanha,
Bélgica e Holanda, nos momentos prévios ao ataque. Essas tiras, designadas
como "Window", confundiram e inutilizaram por completo a rede de
radares alemã, levantando uma verdadeira nuvem de sinais e traços cintilantes
nas suas telas. Com esse simples e engenhoso estratagema, se iniciou a
batalha de Hamburgo, no transcurso da qual choveram sobre a infortunada
cidade cerca de 30.000 toneladas de explosivos, mais de 3.000.000 de bastões
incendiários e 80.000 bombas de fósforo. Ao terminarem os ataques, o chefe de
polícia de Hamburgo, em informação secreta, resumiu assim a magnitude da
catástrofe: “Os sulcos deixados na fisionomia da cidade e de seus habitantes
jamais poderão ser apagados...”. Hitler, no momento
culminante da ofensiva aérea contra a Grã-Bretanha, havia anunciado ao mundo
a sua implacável decisão de varrer as cidades inglesas da superfície da
Terra. Tocava agora à Alemanha sofrer as terríveis conseqüências dessa
determinação. Artimanha Adolf Galland,
veterano ás da Laftwaffe, narra um dramático combate nos céus da Alemanha. “Eu estava 100 jardas
atrás da sua cauda... O B-17 disparou suas metralhadoras e realizou manobras
evasivas desesperadas. Nesse momento a única coisa que existia no mundo era
esse bombardeiro americano, que lutava desesperadamente pela sua vida, e eu.
Enquanto meus canhões disparavam, pedaços de metal começaram a desprender-se
do bombardeiro, esteiras de fumaça surgiram dos seus motores, e a tripulação
lançou toda a sua carga de bombas. Um dos tanques de combustível das asas se
incendiou. Os tripulantes começaram a se lançar de pára-quedas. A voz de
Trautloft ressoou nos meus audifones: “Achtung” Adolf! Mustangs! Eu caio
fora! Meus canhões estão travados!”. “E então, com a
primeira descarga dos Mustangs, voltei à realidade. Não havia mais dúvidas
acerca da sorte do B-17: estava liquidado; porém eu, ainda não..
Simplesmente, fugi. Num mergulho, com o acelerador no fundo, tentei escapar
dos Mustangs que, voando em minha perseguição disparavam incessantemente.
Direção: leste, rumo a Berlim. Os projéteis traçadores se aproximavam mais e
mais. No instante em que meu FW-190 ameaçava desintegrar-se, e quando me
restavam apenas escassas possibilidades, fiz algo que já havia salvo minha
vida em duas oportunidades durante a batalha da Grã-Bretanha: disparei todos
os projéteis que me restavam contra o vazio à minha frente. Isso produziu o
efeito desejado sobre os meus perseguidores que, repentinamente, viram ir ao
seu encontro a fumaça das minhas balas. Provavelmente, acreditaram que haviam
deparado com o primeiro caça que disparava para trás, ou que outro caça
alemão estava atrás deles. Meu truque deu resultado, pois deram uma volta
fechada para a direita e, subindo, desapareceram no céu”. Defesa aérea alemã Os grandes centros
populosos e industriais da Alemanha foram objeto de especial atenção no
tocante à defesa antiaérea. Cinturões de canhões antiaéreos, refletores,
estações de radar e barreiras de balões foram instalados, num supremo esforço
para impedir a chegada das esquadrilhas aliadas. Entre os objetivos que
foram defendidos com maior quantidade de elementos antiaéreos se contavam
cidades como Berlim, Hamburgo, Colônia e Brest. Também centros industriais,
como o Ruhr, mereceram especial atenção do comando alemão. O Ruhr estava
circundado por uma cadeia de mais de 1.000 canhões antiaéreos. Berlim,
capital da Alemanha, dispunha para sua defesa, de cerca de .1000 canhões,
complementados por centenas de refletores, estações de radar e postos de
escuta. Cidades como Colônia e
Hamburgo contavam, para sua defesa, com centenas e centenas de canhões,
projetores, barreiras de balões e estações de radar. As defesas antiaéreas
se complementavam com centenas de aviões de caça noturna que operavam em
contato com as estações de radar e os postos de escuta. A tática dos caças
alemães, similar à dos britânicos, se baseava nas chamadas “caixas de
combate”. Estas eram zonas de 60 a 70 km de comprimento por 20 de largura.
Nas suas bordas se localizavam refletores em cada 5 km. No centro da “caixa”
os refletores se encontravam cada 5 km. Em cada uma das “caixas” operava um
avião de caça. Quando um aparelho inimigo ingressava na “caixa”, os
refletores guiavam o avião da defesa até o inimigo. O ataque contra este se
efetuava na zona central, chamada “zona de morte”. Os refletores de todo o conjunto
eram operados de uma central única. Ás de Ases O piloto fixou o olhar
no horizonte. O mar parecia estender-se até o infinito. A delgada linha da
costa não aparecia. Uma rápida olhada ao indicador de combustível lhe mostrou
a crua realidade. Apenas cinqüenta galões. Um rápido cálculo mental os
transformou em minutos de vôo. Menos de sessenta. O coronel Francis S.
Gabreski, do Grupo de Caça n° 56, compreendeu que nada podia salvá-lo. Tinha
que romper o silêncio do seu rádio ou perecer. E tomou uma decisão... Gabreski, com trinta e
um aparelhos inimigos derrubados, era um dos ases da aviação americana. Seus
vôos contra o Eixo haviam começado em 1942, quando o piloto americano, de
origem polonesa, se incorporou ao Esquadrão Polonês da RAF. Piloto hábil e
extraordinário lutador, Gabreski efetuou múltiplos reides sobre território
inimigo. Em todos eles demonstrou seus dotes de aviador nato e, em
conseqüência das suas missões, mais de trinta aviões inimigos caíram sob o
fogo de suas metralhadoras. Muitas foram, também, as oportunidades em que a
morte o roçou, sem atingi-lo. Uma delas, da qual saiu com vida, mercê da sua
habilidade e extraordinário sangue-frio, ocorreu no dia 11 de dezembro de
1943. Nessa data, uma formação de Fortalezas-Voadoras levantou vôo, rumo a
Endem, na Alemanha, para efetuar uma missão de bombardeio. A proteção do
grupo ficou nas mãos de duzentos caças, entre os quais se encontravam os P-47
de que Gabreski fazia parte. A decolagem das pistas
inglesas ocorreu às 11 da manhã do dia citado. Alcançando uma altura de 6.600
metros, os aviões rumaram para o continente. Já sobre território europeu se
uniram aos caças as formações de B-17 e B-24. O rumo, alterado para
desorientar a defesa alemã, os levou para além do alvo, Endem. Então, com um
giro, a formação inteira se precipitou sobre a cidade. Já quase sobre o
objetivo, Gabreski avistou um grupo de Messerschmitt Me-109 que se lançavam
sobre as Fortalezas-Voadoras. Viu também, alarmado, outro grupo de sessenta
Me-110, armados com foguetes, que seguiam o caminho dos primeiros. Gabreski,
sem vacilar, lançou-se em direção dos Me-110. Nesse mesmo instante, dois P-47
do seu esquadrão se chocaram a pouca distância do seu aparelho, explodindo no
ar. Os alemães, advertidos pela explosão da presença dos aviões aliados,
romperam a formação e se aprestaram para a batalha. Rapidamente se iniciou a
“luta de cães”. Máquina contra máquina, começou um duelo de coragem,
habilidade e sangue-frio. Gabreski, escolhendo
um rival, lançou-se sobre ele. Era um Me-110. Após alguns minutos de
manobras, giros e aceleradas, o P-47 de Gabreski conseguiu situar-se atrás do
Me-110. Uma rápida descarga e uma explosão se sucederam em um instante. O
aparelho alemão, atingido pelos projéteis e envolto em chamas, se precipitou
ao solo. O piloto americano,
olhando ao seu redor, tratou de localizar os seus companheiros. Porém ninguém
o rodeava. A formação amiga havia desaparecido, seguindo o rumo previsto. Gabreski, procurando
localizar seus camaradas, divisou uma formação que voava ali perto. Certo de
estar em presença dos companheiros de esquadrão, acelerou o seu avião,
aproximando-se dos aparelhos desconhecidos. Tarde demais percebeu o seu erro.
Não eram os P-47 da sua esquadrilha. Tratava-se de FW-190 alemães. Gabreski,
observando os seus instrumentos, notou que o combustível estava a ponto de
esgotar-se em seu tanque. Girando 180 graus, afastou-se, procurando passar
despercebido. Imediatamente ao completar o giro subiu a 6.000 metros. Após alguns minutos de
vôo, fez algumas verificações e certificou-se que se achava perto da
fronteira holandesa. Não seria fácil, porém, abandonar o continente e chegar
à Inglaterra. O combustível começava a escassear e apenas setenta galões
restavam nos tanques. Rapidamente, Gabreski fez um cálculo simples. O P-47
consumia um galão de gasolina por minuto de vôo. Em conseqüência, o
combustível daria para mais de uma hora de vôo. Uma sombra caiu sobre ele
nesse momento. Era um Me-109. As metralhadoras do avião alemão começaram a disparar
contra o P-47. Gabreski, impossibilitado de responder ao fogo e menos ainda
de manter um longo duelo, realizou diversas manobras tratando de escapar ao
ataque. O piloto do Me-109 compreendendo a situação do P-47, reduziu a sua
velocidade e preparou-se para o golpe de graça, comodamente. As rajadas do
avião alemão começaram a castigar o aparelho de Gabreski. O piloto americano
compreendeu que estava perdido. Nisto, uma massa de nuvens que se estendia
sob o seu avião, ficou ao seu alcance; pressentiu, então, que ainda tinha
esperanças de sobreviver. Rapidamente, mergulhou o seu caça entre as nuvens e
continuou voando entre elas longo tempo. Ao sair da massa de nuvens, o
inimigo já havia abandonado a perseguição. Gabreski calculou suas sobras de
combustível e cientificou-se que somente lhe restavam cinqüenta minutos de
vôo. Somente, então, ao se ver sozinho, decidiu-se a utilizar o seu aparelho
de rádio. Comunicando-se com a base, irradiou um pedido de socorro. A
resposta não tardou a chegar. Seus companheiros de terra não o abandonariam.
Já mais tranqüilo, continuou voando rumo à Inglaterra. Um instante mais
tarde, ao longe, recortando-se no mar azul, a delgada linha da costa se
tornou visível. Havia chegado à base. Vencera a morte. |