Derrota alemã na Rússia

 

A Wehrmacht expulsa da Rússia

            

Luta na Rússia central: Vitória russa na Rússia Branca

 

 

Ao chegar a primavera de 1944, a luta na Rússia decresceu em intensidade. O Exército Vermelho, depois das poderosas ofensivas realizadas no Norte, frente a Leningrado, e no Sul, na Ucrânia e na Criméia, deteve momentaneamente as suas operações. A Wehrmacht ganhou assim uma trégua que lhe era vitalmente necessária para recompor as forças, terrivelmente desgastadas no decorrer das últimas ações. No entanto, os enormes claros abertos nas fileiras das tropas alemães não puderam ser cobertos, pois as reservas humanas da Alemanha haviam chegado já ao limite. Desta forma a potência combativa das unidades se reduziu de forma radical. Já em fins de 1943, trinta das duzentas divisões distribuídas na frente oriental tiveram que ser dissolvidas, pois seus efetivos haviam ficado reduzidos a nada. Das restantes divisões, grande parte perdera mais da metade dos seus soldados. No tocante a armamentos, a situação era igualmente crítica. Cada dia que passava, determinava uma aceleração no declínio do poderio da Wehrmacht frente ao Exército Vermelho. Este alcançara, em princípio de 1944, uma força extraordinária. Nos últimos dois anos a produção gigantesca das fábricas russas, localizadas além dos montes Urais, havia duplicado a quantidade de armamentos - especialmente artilharia, tanques e aviões - com que as forças armadas soviéticas contavam.

 

A essa circunstância, adversa para os alemães, se agregava o desfavorável traçado da frente. Nas últimas ofensivas, os russos haviam introduzido profundas cunhas nas posições alemães. Assim, todo o setor defendido pelo Grupo de Exércitos Centro ficou ameaçado pelos seus extensos flancos, fato que oferecia aos russos perspectivas extremamente favoráveis. Esse perigo, porém, não foi vislumbrado por Hitler ou pelos chefes do Alto-Comando alemão.

 

Tanto o Führer como seus assessores acreditavam que os russos realizariam novamente o seu esforço principal pelo Sul, pois, de acordo com todos os. informes recebidos, os soviéticos haviam concentrado ali o grosso dos seus efetivos. A hipótese se justificava também pelo fato irrefutável de que uma vitória no Sul permitiria aos russos irromper nos Bálcãs e apoderar-se das jazidas petrolíferas da Romênia, elemento vital para a indústria de guerra alemã.

 

Raciocinando dessa forma, todos os efetivos alemães foram concentrados no Sul, e especialmente a massa das divisões Panzer e motorizadas. Esperava-se. que os russos desferissem seu primeiro golpe contra o Grupo de Exércitos Ucrânia Norte, comandado pelo Marechal Model.

 

 

Os planos soviéticos

 

Para sua ofensiva de verão, o QG de Stalin elaborara uma série de planos de ataque, cuja realização coincidiria com o desembarque das tropas anglo-americanas na França. Na conferência realizada em Teerã, em fins de novembro de 1943, Stalin, depois de receber de Churchill e Roosevelt a promessa concreta de que a invasão da Normandia se produziria o mais tardar no mês de junho de 1944, comunicou aos seus aliados que o Exército Vermelho empreenderia na mesma data uma grande ofensiva para apoiar aquela operação. Foi assim que se iniciou a preparação do ataque russo contra o Grupo de Exércitos Centro alemão.

 

Existiam múltiplas razões para justificar a escolha desse objetivo. De fato, o Grupo de Exércitos Centro era o, que ocupava a posição mais vulnerável dentro do dispositivo alemão. Seus três exércitos principais, o 3o Panzer, o 4o e o 9o, dispunham apenas de 32 desgostadas divisões para defender uma imensa linha de 700 km de extensão. Além disso, os alemães não esperavam um ataque nesse setor e se podia, portanto, contar com o fator decisivo da surpresa. O resultado que se obteria nessa operação serio fatal para a Wehrmacht.

 

Destruídas as forças alemães no centro da frente oriental, ficariam isoladas, ao Norte e ao Sul, todas as tropas que combatiam nos países bálticos e na Ucrânia.

 

A preparação da ofensiva começou, no maior segredo, a 1o de maio de 1944. O comando das operações ficou a cargo dos Marechais Vassilevski e Zhukov. As forças de quatro frentes foram designadas para o assalto. De Norte a Sul, a Primeira Frente do Báltico, sob o comando do General Bagramian; a Terceiro Frente da Bielorússia, sob o comando do General Cherniakhovski; a Segunda Frente da Bielorússia, com o General Zakharov; a Primeiro Frente do Bielorússia, às ordens do General Rokossovski. Ao todo, os russos contavam com 140 divisões de infantaria e 43 grandes grupamentos blindados e motorizados. Estas forças dispunham de 31.000 canhões e morteiros, e 5.200 tanques e canhões autopropulsados. A aviação, por sua vez, empenharia na luta cerca de 6.000 aviões.

 

Durante várias semanas foram acumuladas enormes reservas de munições, combustível e provisões de todo tipo ao longo de toda a linha. Os gigantescos preparativos incluíram a instalação de postos de auxílio e hospitais de campanha com capacidade suficiente para albergar mais de 200.000 feridos. Foi também aprontada uma frota de 12.000 caminhões para reabastecer imediatamente as tropas que avançavam.

 

Estes caminhões estavam em condições de transportar numa só jornada cerca de 25.000 toneladas de munições, armas, alimentos e artigos de primeira necessidade à frente de luta. A potencialidade russa era nessa altura tão forte, depois de um longo período de preparação, que nos pontos de rompimento poderiam ser concentradas até 320 peças de artilharia em cada quilômetro de frente. Coordenadamente com estes preparativos provocou-se uma ação em grande escala das forças de guerrilheiros que operavam na retaguarda das linhas alemães. Na zona de Bielorússia, onde estava localizado o Grupo de Exércitos Centro alemão, atuavam mais de 140.000 guerrilheiros. Os alemães, conscientes do perigo representado por essa enorme massa de combatentes para a segurança das linhas de comunicações, haviam levado a cabo sangrentas operações de repressão entre os meses de janeiro a abril de 1944. No decorrer dessas ações foram destruídas aldeias inteiras e fuziladas milhares de pessoas, numa desesperada tentativa de impedir, por meio do terror, que os habitantes da região prestassem ajuda aos guerrilheiros. Porém, essas medidas não produziram nenhum resultado positivo.

 

Às vésperas da grande ofensiva do Exército Vermelho, os guerrilheiros estavam prontos para cumprir as ordens designadas: destruir e paralisar o sistema ferroviário na retaguarda alemã.

 

Preparativos alemães

 

O Grupo de Exércitos Centro, comandado pelo Marechal Busch, havia, até aquele momento, defendido vitoriosamente suas posições contra os ataques russos. Apesar de ter enfrentado uma série de graves crises sobre os flancos, nos setores de Vitebsk, ao norte, e Bobruisk, ao sul, conseguiu sustentar-se com suas próprias forças, sem receber ajuda de outros grupos de exércitos. Deste modo, o Marechal Busch, quando a situação se estabilizou, decidiu retirar dos setores menos ameaçados algumas divisões, com o fim de formar uma reserva suficientemente preparada para enfrentar novos ataques russos. Esse plano, contudo, teve que ser abandonado, pois se reiniciaram imediatamente novas investidas por parte do Exército Vermelho no flanco sul, ameaçando suas linhas de retaguarda. Busch viu-se, então, obrigado a colocar ali todos os seus efetivos de reserva: oito divisões, duas das quais blindadas. Essas forças ele não recuperaria mais, pois, por decisão de Hitler, seriam posteriormente designadas ao Grupo de Exércitos Ucrânia Norte. O Marechal Busch ficou assim privado das forças que se propunha utilizar como unidades de contragolpe. Ao se desencadear a ofensiva soviética somente contaria como reserva com... duas divisões! A situação ameaçadora em que se encontrava o Grupo de Exércitos Centro não escapava ao conhecimento do Alto-Comando alemão, porém, como seu dirigente máximo, acreditava que o ataque russo seria levado a cabo primeiramente pelo Sul. Portanto, não se tomou medida alguma para reforçar as forças de Busch, mas, pelo contrário, ainda se lhe tiraram, como já se assinalou, importantes efetivos para localiza-los na frente da Ucrânia. Hitler, por sua vez, reduziu ainda mais a capacidade combativa das forças ao ordenar a criação, nas principais cidades e localidades da frente russa ocupadas pelos seus exércitos, das denominadas “zonas fortificadas”. Estas zonas tinham o objetivo de manter o resistência até o último homem. Hitler confiava que os soviéticos seriam obrigados a destinar grande parte das suas forças para sustentar o cerco das “zonas fortificadas”, o que debilitaria o seu poder ofensivo. No entanto, na prática, essa medida atuou contra o próprio exército alemão. De fato, no caso do Grupo de Exércitos Centro, que já contava com escasso número de divisões, teve que imobilizar seis, designadas para a defesa das “zonas fortificadas” de Bobruisk, Mogilev, Orscha e Vitebsk.

 

Ao serem recebidas as ordens do Führer, referentes à criação das “zonas fortificadas”, originou-se uma violenta reação entre os chefes das diversas unidades que se encontravam na frente de luta. Estes compreendiam que a decisão não era baseada em razões militares, mas sim na intenção de Hitler de conservar a qualquer preço o território russo conquistado. O General Reinhardt, chefe do 3o Exército Panzer, enviou uma mensagem ao Alto-Comando, declarando que caso fosse obrigado a destinar três das suas dez divisões à “zona fortificada” de Vitebsk, seu exército seria incapaz de manter a frente que defendia. Nessa mensagem, dizia textualmente: “Vitebsk perderá todo o valor estratégico assim que for cercado. Portanto deve se antepor o interesse do Exército ao da “zona fortificada”. O apelo de Reinhardt, contudo, não foi atendido. Esta resolução de Hitler teria fatais conseqüências para a Wehrmacht, quando se desencadeasse o esperado ataque russo.

 

O Marechal Busch, consciente do perigo que ameaçava suas forças, já havia proposto em fins de abril de 1944 efetuar uma retirada geral ao longo de toda a frente. As unidades do seu grupo de exércitos, que com 32 divisões deviam defender 700 km de terreno, seriam localizadas mais para o oeste, na retaguarda das margens do rio Beresina. Essa nova posição defensiva, protegida pela barreira fluvial, somente teria uma extensão de 250 km, o que permitiria uma concentração muito maior de efetivos. Seu projeto provocou em Hitler uma reação colérica. Ao se entrevistar Busch com o Führer no seu QG, a 20 de maio de 1944, e ao propor-lhe a retirada para o Beresina, Hitler rechaçou a idéia, declarando “que esse tipo de sugestão parte apenas de generais habituados a virar as costas. Em seguida, o Führer ordenou suspender imediatamente as obras de fortificações que se haviam iniciado nas margens do Beresina. O Grupo de Exércitos Centro ficou assim condenado irremediavelmente à destruição.

 

As vésperas da ofensiva

 

Nos primeiros dias do mês de junho de 1944, os serviços de informações alemães começaram a registrar uma crescente atividade nas posições russas diante do Grupo de Exércitos Centro. A magnitude das forças em vias de concentração, a aparição nessa frente de unidades russas selecionados, a localização de poderosos grupamentos blindados e motorizados na retaguarda imediata, e a intensificação das patrulhas e pequenos ataques isolados soviéticos, assinalavam claramente que estava em gestação uma operação de grande envergadura. Finalmente, chegou-se a certeza de que o ataque se desencadearia a curto prazo, ante a aparição nos aeródromos avançados de mais de 4.000 aviões de combate russos.

 

Era evidente, pela movimentação dos efetivos soviéticos, que estes se propunham conseguir um rompimento decisivo sobre ambos os flancos da posição alemã, para depois cercar todo o grupo de exércitos mediante uma gigantesca manobra de pinças, conseguindo o seu completo aniquilamento. As maiores concentrações inimigos se verificavam frente a Vitebsk, no norte, nos posições defendidas pelo 3o Exército Panzer, e frente a Bobruisk, no sul, onde estava localizado o 9o Exército. Igualmente, poderosas unidades russas foram colocadas sobre o próprio centro do dispositivo alemão, nos setores de Orscha e Mogilev, defendidos pelo 4o Exército. A ordem de Hitler obrigava as tropas alemães a defender estaticamente essa linha em toda a sua longitude, fato que facilitaria o rompimento em profundidade dos russos. Então, ante a falta absoluta de reservas para contra-golpear e tapar as brechas, os alemães, envolvidos pela retaguarda, não teriam escapatória.

 

A 14 de junho, o Marechal Busch e os restantes chefes das forças alemães da frente oriental mantiveram uma conferência com Hitler no seu QG, na qual se discutiu amplamente a situação. Apenas Busch ofereceu dados comprobatórios de que frente às suas forças, os russos se aprontavam para desfechar um ataque com gigantescas formações. De acordo com as informações prestadas pelo marechal, ficava claro que o principal movimento ofensivo soviético se desencadearia contra o Grupo de Exércitos Centro, e não contra o Ucrânia Norte, como supunham Hitler e o Alto-Comando da Wehrmacht. Porém, o ditador se manteve aferrado à sua tese, declarando que a concentração assinalada por Busch constituía apenas uma manobra de distração, destinada a desorientar os alemães acerca da verdadeira direção do ataque. Apesar dos apelos do marechal para que lhe fossem concedidos reforços, decidiu unicamente, e como simples medida de precaução, enviar uma divisão blindada ao setor de Bobruisk.

 

A reunião chegou assim ao seu término. Hitler, nesse momento, se encontrava pendente dos dramáticos acontecimentos que ocorriam nas distantes praias da Normandia. Ali, a 6 de junho de 1944, se produzira o esperado e temido desembarque dos exércitos anglo-americanos, comandados pelo General Eisenhower. A abertura dessa frente, que se somava à da Rússia e à da Itália, não pudera ser impedida, e a Alemanha estava agora submetida a um triplo e mortal assédio.

 

Ao assalto

 

19 de junho de 1944. As sombras da noite cobrem o território da Rússia ocidental. Dos seus esconderijos camuflados na profundidade dos bosques e pântanos, surgem, empunhando armas automáticas e cargas de explosivos, as unidades de guerrilheiros soviéticos. São milhares de homens dispostos a sacrificar suas vidas sem vacilação no cumprimento da missão que lhes consignou o Alto-Comando russo. Nessa noite devem paralisar por completo o sistema de comunicações com a retaguarda do Grupo de Exércitos Centro. Dinamitando vias férreas, estradas, pontes e entroncamentos ferroviários, concretizarão, às vésperas da grande ofensiva do Exército Vermelho, o total isolamento das forças alemãs colocadas na frente. Estas não receberão nem reforços, nem armas, nem munições no momento crítico da investida soviética. Essa é a ordem e tera que ser cumprida, custe o que custar.

 

O céu se ilumina com o relampaguear de milhares de explosões. Tomados completamente de surpresa, os alemães não podem reagir, e os guerrilheiros conseguem levar o cabo, sistematicamente, sua gigantesca tarefa de destruição. No transcurso da noite de 19 para 20 de junho mais de 10.000 cargas de dinamite explodem em outros tantos pontos do sistema ferroviário. As comunicações do exército alemão foram cortadas! A 22 de junho de 1944, dia do terceiro aniversário da invasão alemã da Rússia, o Exército Vermelho passa ao ataque, sob a cobertura de uma infernal barreira de artilharia e lança-foguetes. Um ardente entusiasmo impulsiona os soldados que arremetem contra as trincheiras inimigas, pulverizadas pela explosão dos projéteis. Esta é, para os russos, a hora da desforra. São eles agora e não os alemães, que possuem uma superioridade esmagadora que nada pode deter. É a blitzkrieg ao contrário... Milhares de tanques avançam rugindo, seguidos por intermitentes ondas de infantaria e formações de cavalaria que carregam a galope e empunhando sabres.

 

A investida inicial foi desencadeada pelas tropas dos Generais Bagramian e Cherniokhovski contra a “zona fortificada” de Vitebsk, no extremo do flanco norte das posições alemães. Desde o primeiro momento, tornou-se evidente que as forças alemães não poderiam resistir ao esmagador avanço. As esquadrilhas de bombardeiros e caças soviéticos dominavam por completo os céus do campo de batalha, e metralhavam em vôo rasante as linhas alemãs e as colunas de homens que batiam em acelerada retirada. Nessa jornada decisiva, a Luftwaffe não contava, em todo o âmbito do Grupo de Exércitos Centro, com mais de 40 caças em condições de combater.

 

Após o rompimento da primeira franja defensiva, arrasada pelo canhoneio incessante, os russos se dedicaram a alargar e consolidar as brechas, lançando novos contingentes de tanques e infantaria contra os redutos alemães que ainda resistiam. Foram conquistadas posição após posição e seus ocupantes exterminados pela metralha e pelas granadas. E assim foi-se concretizando o completo desmoronamento da resistência alemã. O chefe do 3o Exército Panzer, General Reinhardt, via confirmarem-se as previsões que, no momento azado, fizera chegar ao Alto-Comando. Vitebsk cairia inevitavelmente nas mãos dos russos. A 23 de junho os ataques adquiriram violência redobrada, especialmente na frente de luta do 4o Exército alemão. O combate também se deslocou para o Sul, onde os soviéticos lançaram seus primeiros assaltos contra as posições do 9o Exército. Todo o imenso espaço situado a leste do rio Beresina se converteu então em palco de uma batalha sem quartel.

 

Transpondo as linhas do 4o Exército, as colunas russas de Cherniokhovski, apoiadas agora pelas de Zakharov, convergiram sobre as “zonas fortificadas” de Orscha e Mogilev. O Marechal Busch lançou então à luta a única unidade de reserva que lhe restava, a 14a Divisão de Infantaria, numa desesperada tentativa de bloquear o deslocamento russo. Foi tudo em vão. Batalhões inteiros eram dizimados e reduzidos a punhados de homens desmoralizados e exauridos em questão de horas. A situação exigia uma imediata retirada e isso foi comunicado pelo General von Tippelskirch, chefe do 4o Exército, Busch. Este, porém, fazendo-se porta-voz das diretivos de Hitler emitiu ao seu subordinado uma ordem categórica: “O abandono voluntário dos setores intactos da primeira linha fica totalmente proibido, sejam quais forem as circunstâncias”.

 

Essa determinação, contudo, não podia ir além do plano da expressão verbal. Na terrível realidade da luta, os soldados alemães não tinham senão uma alternativa: bater em retirada ou ser aniquilados. Aprofundando a sua penetração no setor de Vitebsk, os soviéticos empurraram para o Oeste os efetivos do 3o Exército Panzer. Todo um corpo alemão, integrado por quatro divisões, ficou encerrado na “zona fortificada” que Hitler havia exigido defender até o último homem. No último instante, a inutilidade do seu sacrifício fez com que o Alto-Comando da Wehrmacht autorizasse a evacuação da praça. Porém, já era demasiado tarde. Somente uma divisão conseguiu abrir caminho rumo ao sudoeste.

 

Luta em toda a frente

 

A 24 de junho o Marechal Busch recebeu em Minsk, sede do seu posto-de-comando, o visita do General Zeitzler, chefe do Estado-Maior do Exército. Sem esconder-lhe nada, Busch descreveu a dramática situação em que suas forças se encontravam e solicitou autorização para iniciar a retirado no flanco norte, onde o 3o Exército Panzer sustentava uma luta desesperada para escapar à ameaça de cerco. Hitler, porém, ao lhe ser transmitido por Zeitzler o pedido, o rechaçou categoricamente, e fez comunicar diretamente ao General Reinhardt, chefe do 3o Exército, sua decisão de manter a frente, sem retrocesso algum. Quanto a Vitebsk, devia ser defendida até o último soldado.

 

Os fatos porém demonstraram a impossibilidade de cumprir essas diretivas. Não somente o 3o Exército era superado, mas também os russos, investindo na junção dos 4o e 9o Exércitos, abriam uma brecha entre ambas as forças de mais de 40 km de extensão. Como uma torrente incontida, o Exército Vermelho se infiltrava através das titubeantes posições alemães. Forças de vanguarda alcançaram assim, no próprio dia 24, as margens do Dnieper, flanqueando a “zona fortificada” de Mogilev. Nessa jornada também se desencadeou, com fúria incrível, o grande ataque das tropas de Rokossovski ao Sul. O 9o Exército alemão, comandado pelo General Jordan, estreitou suas fileiras em torno do reduto de Bobruisk. Uma divisão blindada, mantida na reserva, foi lançada à luta no intento de deter a maré russa. Sua tardia intervenção não conseguiu, porém, alterar o desenrolar dos acontecimentos. O rompimento fôra conseguido pelos russos e suas formações se deslocavam já em profundidade, buscando cercar as unidades alemães. Hitler, ao receber o informe da catástrofe ocorrida, ordenou a imediata destituição do General Jordan e designou, em seu lugar, o General von Vormann. A mudança de chefes não acarretaria, no entanto, nenhuma variação na sorte das armas alemães.

 

Ao Norte, os russos se moviam já livremente, aniquilando os destacamentos que, em posições “ouriço”, deixavam-se matar até o último homem. Começou assim a delinear-se a manobra de pinças que ameaçava envolver completamente o 4o e o 9o Exércitos alemães. Na manhã de 25 de junho, o Marechal von Busch levou ao Führer um novo pedido solicitando autorização para a retirada. A resposta foi a de sempre: “Resistir, sem ceder um só metro de terreno!”. Um homem, o General von Tippelskirch, chefe do 4o Exército, resolveu, então, por iniciativa própria, dar o único passo que podia salvar suas forças da destruição total. Passando por cima das diretivas de Hitler, emitiu na noite do dia 25 a ordem de retirada para a margem ocidental do Dnieper. Posteriormente, quando já o movimento se achava em curso, Hitler aprovou o deslocamento. Todas essas medidas, porém, não podiam evitar o desastre. Fôra perdido um tempo precioso na defesa de posições insustentáveis e agora tinham que pagar o preço dessa estratégia. A 26 de junho o dispositivo alemão se fragmentou. Forças russas se deslocaram à vontade na zona da retaguarda, interrompendo as comunicações entre os diferentes exércitos. Vitebsk, convertida em uma massa de escombros, foi ocupada.

 

Derrota total alemã

 

A 27 de junho, Hitler e o Alto-Comando alemão viram-se defrontados com a realidade da derrota. O ditador, enfurecido, não se resignou a aceitar o completo fracasso dos seus planos. Discutindo com o Marechal Busch, voltou a exigir a retenção a qualquer custo das “zonas fortificadas”. Vitebsk caíra, porém a luta devia prosseguir, sem descanso algum, em Bobruisk, Orscha e Mogilev. Essa decisão conduziu ao desenlace final da crise. Rokossovski descarregou uma indefensável investida sobre ambos os flancos do 9o Exército, cercando o grosso dos seus efetivos no setor de Bobruisk. Por sua vez, as tropas da Segunda Frente da Bielorússia cruzaram o Dnieper num amplo setor, e a “zona fortificada” de Orscha, atacada de todas as direções, teve que capitular.

 

Atuavam agora sobre os dois flancos do dispositivo alemão potentes formações blindadas e mecanizadas russas. Já não existia a menor dúvida acerca dos propósitos soviéticos de concretizar uma batalha de extermínio de gigantescas proporções. O grosso do 9o Exército estava já aprisionado em Bobruisk; o 4o Exército batia em desordenada retirada rumo ao Oeste, no desesperado intento de escapar ao sítio. No dia 28 os russos irrompiam em profundidade separando definitivamente o 3o Exército Panzer do resto das unidades alemães. Nessa mesma noite, Hitler destituiu o Marechal Busch, substituindo-o por Model.

 

A chegada de reforços, enviados aceleradamente de outros setores, permitiu aos alemães frear parcialmente, durante um par de dias, as colunas russas que afluíam sobre a cidade de Minsk. Nesse ponto, no entanto, se fechariam as pinças, encerrando prisioneiro o 4o Exército. Esse fato se produziu a 3 de julho. Irrompendo do Norte e do Sul, as colunas mecanizadas dos Generais Cherniakhovski e Rokossovski penetraram simultaneamente em Minsk. Para o 4o Exército alemão já não existia nenhuma escapatória... Deslocando-se pelas estradas e planícies, sob o fogo incessante da artilharia e dos ataques rasantes da aviação soviética, avançam rumo ao oeste milhares de soldados alemães. Essa multidão, aniquilada pelo esgotamento e pela desmoralização, marcha impulsionada apenas pelo desesperado anseio de escapar da morte ou da captura. Contudo, a sua sorte já está selada. Por todas as partes surgem formações russas, fechando, uma após outra, todas as vias de escape. Não resta então outra alternativa senão sucumbir com as armas na mão... E a luta prossegue. Alguns aviões alemães, escapando aos enxames de caças russos que patrulham os céus, lançam munições e víveres em pára-quedas às tropas que continuam encarniçadamente a resistência. Finalmente, a 8 de junho de 1944, o chefe do 4o Exército resolve pôr um fim ao estéril derramamento de sangue e oferece a rendição do resto das suas forças aos soviéticos. Mais de 50.000 soldados alemães que sobrevivem a esse inferno, desfilarão posteriormente pelas ruas de Moscou, antes de serem conduzidos aos campos de prisioneiros. A população da capital soviética toma assim consciência, ante a visão dessa imensa legião de vencidos, da magnitude da vitória alcançada pelo Exército Vermelho. É uma nova Stalingrado de proporções mais vastas e conseqüências ainda mais decisivas.

 

Na batalha de extermínio sustentada contra o Grupo de Exércitos Centro, os soviéticos conseguiram destruir 25 divisões alemães, cujos efetivos superavam a cifra de 350.000 combatentes. As posições defensivas que Hitler ordenara reter a qualquer preço já não existiam; em seu lugar, se abria nas fileiras alemães uma imensa brecha de 350 km de largura. A Wehrmacht, três anos depois de iniciada a sua campanha, estava praticamente expulsa da Rússia.

 

A 14 de julho de 1944, quando as forças soviéticas estavam já empenhadas no aniquilamento dos efetivos cercados do 4o Exército alemão, o Alto-Comando russo emitiu novas diretivas às suas unidades. A esmagadora vitória obtida abria a possibilidade de continuar, sem pausa nenhuma, o rompimento rumo ao oeste. O ataque, portanto, devia prosseguir com todo o ímpeto sobre a Letônia, Lituânia e Polônia. Nessa mesma jornada, o Marechal Model, chefe do Grupo de Exércitos Centro alemão, comunicou o Hitler que diante de forças russas que calculava em 126 divisões de infantaria, 45 brigadas blindadas e 17 motorizadas e 6 divisões de cavalaria, ele não podia opor senão 8 divisões em condições de combater. Essa reduzida força tinha que cobrir uma frente de 350 km de extensão!

 

Hitler, ante o catastrófico desenvolvimento dos acontecimentos, instou várias vezes o Grupo de Exércitos Norte a que contra-atacasse sobre o flanco das colunas russas que se deslocavam rumo ó Letônia. Essa operação, porém, não pôde se concretizar. Os efetivos russos, comandados pelo General Bagramian, penetraram em profundidade sem que nada pudesse contê-los. Enfurecido, Hitler destituiu o chefe do Grupo de Exércitos Norte, General Lindemann, e designou em sua substituição o General Friessner. As unidades do Exército Vermelho se deslocavam agora numa ampla frente, superando sem nenhuma dificuldade os dizimados contingentes alemães. A 6 de julho, o 3o Exército Panzer foi acometido por poderosas formações blindadas russas que convergiam para o oeste. O objetivo imediato dos russos era a cidade lituana de Vilna. Essa localidade, que Hitler declarou “zona fortificada”, somente dispunha, para sua defesa, de um punhado de batalhões improvisados com tropas dispersas. Não pôde, portanto, ser empregada como barreira de contenção, tal como assinalavam as instruções de Hitler. Rodeado por ambos os flancos, o 3o Exército Panzer foi obrigado a bater em retirada desordenadamente para as fronteiras da Lituânia. Essa manobra abriu um amplo claro entre as forças do Grupo de Exércitos Centro de Model, e as do Norte, de Friessner.

 

Em vista dessa ruptura crítica, ambos os chefes solicitaram a Hitler que autorizasse um encurtamento geral da frente, o que se conseguiria deslocando imediatamente para o oeste as tropas situadas na Letônia e Lituânia. Essa solicitação tampouco foi aceita.

 

O desmoronamento do dispositivo alemão era um fato consumado. Os soviéticos alcançavam já as longas planuras da Polônia, onde podiam operar livremente com suas formações mecanizadas. A crise exigia uma mudança radical na condução das operações. Seria irracional pretender manter-se em posições que requeriam para sua defesa um caudal de forças que a Wehrmacht não possuía nem chegaria jamais a possuir outra vez. Em menos de vinte dias de luta, a partir do início da grande ofensiva russa, os alemães haviam perdido cerca de 350.000 soldados, apenas no âmbito do Grupo de Exércitos Centro. Além disso, todo o armamento e o material de 25 divisões haviam sido destruídos ou capturados pelos russos. Nessa situação impunha-se, como única via de salvação, uma imediata retirada. Para conseguir a adoção de tal medida, Model e Friessner foram, a 9 de julho, ao QG do Führer. Voltaram a expor-lhe em termos conclusivos a dramática situação que deparavam suas respectivas forças e assinalaram que se não se ordenasse uma retirada imediata, os soviéticos irromperiam inevitavelmente nas planícies polonesas. Hitler, contudo, repeliu o pedido, declarando que se os alemães abandonassem as posições avançadas na Estônia, a Finlândia capitularia diante dos russos. Uma vez mais, as considerações de ordem política levavam o ditador a decretar o estéril sacrifício dos seus exércitos. E quando Hitler confiava que a Finlândia continuaria a luta, a resistência daquele país já havia chegado praticamente ao fim. Enquanto se desenvolvia esta entrevista, os russos conseguiam novos rompimentos. O General Bagramian seguia sua vitoriosa marcha rumo ao mar Báltico. As tropas de Cherniakhovski avançavam sobre Kaunas, no interior da Lituânia. O rio Niemen foi cruzado pelas colunas de Zakharov. O Alto-Comando alemão tentaria frear essa avalanche, trazendo reforços do sul da Rússia, da Dinamarca, da Itália e da própria Alemanha. No entanto, a chegada dessas tropas não se efetuaria senão de pois de várias semanas. Nesse ínterim; era necessário fazer o impossível para manter o frente. O Marechal Model e Friessner voltaram novamente sobre o seu plano de retirar as forças sediadas na Estônia. Dessa forma se fecharia a brecha aberta entre os exércitos de ambos os chefes. Friessner enviou uma mensagem a Hitler a 12 de julho, pedindo-lhe a evacuação da Estônia, assinalando claramente que esta seria o última possibilidade de “evitar que os soviéticos concretizassem o cerco e o aniquilamento do Grupo de Exércitos Norte”. O pedido foi rechaçado. Entrementes, no Sul, a 13 de julho, as forças da Primeira Frente Ucraniana do General Koniev, passaram à ofensiva e irromperam na linha de união dos 1o e 4o Exércitos Panzer. Através das planícies cobertas pela fumaça de milhares de incêndios, se deslocaram três exércitos blindados russos. Empoeirados, milhares de T-34 avançaram para o oeste, atravessando trincheiras e alambrados, seguidos por densas massas de infantaria, caminhões carregados de tropas, morteiros e peças antitanque, cobrindo todos os caminhos, estradas e campos numa avalanche irresistível. Cinco dias mais tarde, incorporou-se ao ataque a Primeira Frente da Bielorússia, comandada pelo General Rokossovski. Girando para o norte, seus efetivos esmagaram o flanco norte do 4o Exército Panzer e marcharam para as linhas de retaguarda. Assim, ao longo de toda a frente, o Exército Vermelho concretizava uma série ininterrupta de vitórias. No norte, após a captura das praças lituanas de Vilna e Kaunas, estava já a menos de 200 km das fronteiras da Prússia Oriental. A guerra chegara finalmente aos confins da Alemanha.

 

 

Anexo

 

Sob a metralha

Junho de 1944. A ofensiva russa está em pleno desenvolvimento. É uma verdadeira maré de homens e tanques que se lança para o Oeste, numa irresistível arremetida, despedaçando em mil lugares as linhas alemãs. Todo o poderio do Exército Vermelho se concentra nessa decisiva operação, cujo objetivo é a definitiva expulsão da Wehrmacht do território soviético. Um batalhão alemão, entrincheirado nas ruínas de um cemitério nas redondezas da aldeia de Jaanilin, se apronta para cumprir a determinação emitida: “Defender as posições até o fim... até o último cartucho e o último soldado”. A unidade, nos combates anteriores, perdera contato com o resto das forças da divisão a que pertence.

Pelos seus flancos já se infiltram contingentes soviéticos mecanizados que, sem deter sua marcha, prosseguem a penetração. Para os soldados do batalhão não há, portanto, possibilidade de retirada. Estão encurralados e dispostos a sucumbir de armas na mão. A posição que defendem conta com uma sólida rede de trincheiras, escavadas entre os escombros dos sepulcros que, por sua vez, são utilizados como casamatas improvisadas ou refúgios. Os alemães, além disso, enterraram ao nível do terreno as torres de quatro tanques postos fora de ação pela artilharia russa. Seus canhões contribuirão para resistir às investidas soviéticas. No interior de uma tumba de cimento, a 300 metros na retaguarda da principal linha de defesa, o chefe do batalhão instalou o seu posto-de-comando. Ali recebe os últimos informes. Centenas de canhões e poderosas formações de infantaria foram concentrados pelos russos, com o propósito de aniquilar numa só investida as tropas alemães. Aparentemente, nada pode impedi-los de concretizar o seu plano. Os alemães, contudo, como feras encurraladas, combaterão desesperadamente, sem dar nem pedir quartel.

O ataque se inicia com o fogo devastador da artilharia. Diante das posições defendidas pelo batalhão alemão, os soviéticos colocaram um canhão em cada metro do terreno. Um dilúvio de projéteis explode sobre as trincheiras de vanguarda, pulverizando suas passagens e defesas. Nesse inferno, que se prolonga durante uma hora inteira, tudo parece sucumbir. No entanto, no momento em que os russos espassam o fogo dos seus canhões para permitir o assalto da infantaria, surgem, aqui e ali, entre

os escombros e as ruínas das trincheiras e redutos, os capacetes dos combatentes alemães, e suas metralhadoras e fuzis-metralhadoras disparam com tal intensidade que o primeiro assalto é neutralizado. Durante oito horas consecutivas os russos voltam a repetir os seus ataques de infantaria, onda após onda, e durante essas oito horas as metralhadoras alemãs ceifam as fileiras assaltantes com a mesma e terrível precisão. A luta adquire então furiosa violência... Diante do empenho dos atacantes não se curva a vontade dos defensores que continuam deliberadamente aferrados ao terreno. Centenas de soldados russos e alemães sucumbem, varridos pelos projéteis e explosões, e seus corpos, em grupos informes e contínuos, cobrem os parapeitos das trincheiras, as crateras das granadas, os ramais de comunicação...

A luta, porém, não pode prolongar-se indefinidamente. Lançando novos contingentes ao assalto, os soviéticos conseguem finalmente penetrar até a segunda posição. Na trincheira avançada não fica um só alemão vivo; todos foram aniquilados. Empregando morteiros e os canhões dos tanques, os alemães freiam a duras penas a investida russa. Então, um furacão de fogo de artilharia se abate sobre o campo de luta. Os alemães que sobrevivem, se comprimem contra o fundo dos buracos, tocas e trincheiras destroçadas. Ali, os que persistem em resistir são executados com granadas e rajadas de metralhadoras. A maioria, porém, abandona as armas e se rende. Seu sacrifício terminara.

 

 

A Finlândia e a guerra

Desde o princípio da invasão da URSS pelos alemães, em 1941, a Finlândia lutara contra os soviéticos, como aliada da Alemanha. O grosso das suas forças - umas 14 divisões - participou das operações desenvolvidas na região dos lagos Onega e Ladoga e no istmo de Carélia, e colaborou no sítio de Leningrado. Por sua vez, os alemães colocaram um exército no norte da Finlândia, comandado pelo General Dietl, que tivera destacada atuação na campanha da Noruega. Essa força recebeu a missão de conquistar o porto russo de Murmansk, através do qual a Rússia recebia importantes envios de material bélico transportado por comboios provenientes da Grã-Bretanha. O ataque contra Leningrado, do território finlandês, fracassou.

Igual sorte teve a operação alemã contra Murmansk. Assim, em princípios de 1944, quando na Rússia a Wehrmacht sofria sucessivas derrotas, na frente finlandesa as ações haviam se estabilizado. Logo, no entanto, os soviéticos passariam ali também à ofensiva com o propósito de forçar definitivamente a Finlândia a abandonar o Eixo.

Já imperava nos círculos governamentais finlandeses a convicção de que a guerra estava perdida para a Alemanha. As sucessivas vitórias obtidas pelos russos em 1943 assinalavam claramente que os alemães seriam expulsos a curto prazo, de todos os territórios conquistados no Leste, fato que forçaria a Finlândia a prosseguir sozinha a luta contra a URSS. Ante essa ameaçadora possibilidade, os finlandeses iniciaram, com a mediação dos governos dos EUA e da Suécia, as primeiras gestões para concretizar um armistício. Essa reviravolta na atitude do país fôra já exposta pelas declarações que, em setembro de 1943, realizou ante o Parlamento o Primeiro-Ministro finlandês Linkomies, quem declarou que “de acordo com o que sabia, nunca existira nenhum pacto militar ou político entre a Finlândia e a Alemanha”. Logo em seguida foram entabuladas discussões secretas em Estocolmo entre delegados finlandeses e diplomatas russos. Estes últimos apresentaram as condições do governo da URSS para a assinatura de um armistício; eram as seguintes: 1o - Rompimento de relações com a Alemanha e internamento das tropas e navios alemães que se encontravam em território finlandês; 2o  - Restabelecimento do tratado soviético finlandês de 1939-1940, com o conseqüente reconhecimento das concessões territoriais, e retirada das tropas finlandesas para as fronteiras fixadas naquele ano; 4° - Devolução imediata dos prisioneiros de guerra soviéticos e aliados e internados civis. Posteriormente, em discussões formais que teriam lugar em Moscou, seriam resolvidas outras questões, entre as quais a desmobilização parcial ou total do exército finlandês e reparação dos danos causados à URSS...

Ao tomar conhecimento dessas exigências, o governo colocou o Parlamento e a opinião pública a par delas. A reação foi totalmente adversa. A Finlândia ainda não sofrera uma derrota militar de suficiente envergadura para aceitar sem luta um armistício que equivalia à perda da sua independência. Não obstante, a gravidade da situação levou o governo a prosseguir nas suas negociações com os russos. Depois de um intercâmbio direto de notas com as autoridades soviéticas, foi enviada a Moscou uma delegação incumbida de levar adiante as conversações. Os representantes finlandeses se entrevistaram com Molotov nos dias 26 e 27 de março de 1944, e receberam deste uma exposição concreta das condições russas. Eram similares às anteriores: rompimento com a Alemanha, restabelecimento do Tratado de 1940, repatriação de prisioneiros, desmobilização de 50% do exército finlandês, pagamento de uma reparação de 600 milhões de dólares, entrega da região de Petsamo, etc. A 19 de abril de 1944, o governo finlandês informou ao governo soviético que, embora desejasse a paz, não podia aceitar aquelas condições.

Ante a obstinação dos finlandeses, os soviéticos decidiram buscar a solução do problema através das armas. Uma avassaladora ofensiva convenceria finalmente a Finlândia da impossibilidade de continuar a guerra. A 10 de junho de 1944, os 11o e 23o Exércitos soviéticos da Frente de Leningrado, comandados pelo Marechal Govorov, passaram ao ataque no istmo de Carélia, apoiados pela frota vermelha do Mar Báltico. As forças finlandesas, dizimadas e exauridas, não puderam deter a investida... No dia 15, os russos romperam a segunda linha fortificada finlandesa e prosseguiram o seu avanço rumo ao porto de Viborg. Desesperadas, as autoridades finlandesas solicitaram a Hitler o envio de tropas para conter a invasão soviética. O ditador alemão, porém, somente autorizou o transporte à frente de Carélia de uma divisão de infantaria. A 20 de junho as colunas russas do 21o Exército se apoderaram de Viborg. A resistência da Finlândia, no campo militar, chegava assim praticamente ao fim. Hitler resolveu então enviar Ribbentrop a Helsinki, fazendo ao governo finlandês uma série de promessas de ajuda. No entanto, a questão já estava decidida. Novas vitórias russas forçariam finalmente a Finlândia a depor as armas e solicitar a paz antes que se encerrasse o ano de 1944.

 

 

As forças frente a frente

 

Grupo de Exércitos Centro

Alto-Comando do Grupo de Exércitos: Comandante-chefe, Marechal Busch.

2o Exército: Comandante-chefe, Capitão-General Weiss.

8o Corpo de Exército: General de Infantaria Höhne.

20o Corpo de Exército: General de Artilharia von Roman.

22o Corpo de Exército: General de Engenharia Tieman.

9o Exército: Comandante-chefe, General de Infantaria Jordan.

55o Corpo de Exército: General de Infantaria Herrlein.

41o Corpo de Exército Blindado: General de Artilharia Weidling.

35o Corpo de Exército: General de Infantaria Wiese.

4o Exército: Comandante-chefe (interino), General de Infantaria von Tippelskirch.

12o Corpo de Exército: Tenente-General Vincenz Müller.

39o Corpo de Exército Blindado: General de Artilharia Martinek.

3o Exército Blindado: Capitão-General Reinhardt.

6o Corpo de Exército: General de Artilharia Pfeiffer.

52o Corpo de Exército: General de Infantaria Golliwitzer.

9o Corpo de Exército: General de Artilharia Wuthmann.

 

Forças russas

Sob as ordens do Marechal Vassilevski:

1a Frente do Báltico: General-de-Exército Bagramian.

4o Exército de Assalto: Tenente-General Matyschev.

6o Exército da Guarda: Tenente-General Tschisiakov.

43o Exército: Tenente-General Beloborodov.

Unidades agregadas em fins de junho:

51o Exército: Tenente-General Kreiser.

2o Exército da Guarda: Tenente-General Tschandschibadse.

Total: 29 unidades de fuzileiros e 8 blindadas.

3a Frente Rússia Branca (Bielorússia): Capitão-General Cherniakhovski.

39o Exército: Tenente-General Liudnikov.

5o Exército: Tenente-General Krylov.

3o Corpo de Exército da Guarda (mecanizado) : Major-General Obuchov.

31o Exército: Tenente-General Glagolev.

11o Exército da Guarda: Tenente-General Galitzki.

Unidades que intervieram ulteriormente na zona de rompimento:

5o Exército da Guarda (blindado) : Marechal Rotmistrov.

Total: 43 unidades de fuzileiros e 20 blindadas.

Às ordens do Marechal Zhukov:

2a Frente Rússia Branca: Capitão-General Zakharov.

33o Exército: Tenente-General Zvetaiev.

49o Exército: Tenente-General Grischin.

50o Exército: Tenente-General Boldin.

Total: 16 unidades de fuzileiros e 2 blindadas.

1a Frente Rússia Branca: General-de-Exército Rokossovski.

9o Corpo de Exército Blindado: Major-General Bacharev.

3o Exército: Tenente-General Gorbatov.

48o Exército: Tenente-General Romanenko.

65o Exército: Tenente-General Batov.

28o Exército: Tenente-General Lutschinski.

Grupo de Cavalaria (mecanizada) : Tenente-General Pliov.

61o Exército: Tenente-General Belov.

Total: 50 unidades de fuzileiros e 13 blindadas.

Distribuídos na primeira linha na zona de Kowel, de Norte a Sul: 11o Corpo de Exército Blindado; 70o Exército; 47o Exército; 1o Exército polonês; 69o Exército; 8o Exército da Guarda e 2o Exército Blindado.

 

 

Bombardeio de Poltava

Em novembro de 1943, dois chefes da Força Aérea dos Estados Unidos, os Generais Deane e Vandenberg, viajaram para Moscou no cumprimento de uma missão secreta. Na capital soviética entrevistaram-se com as autoridades militares e os chefes de governo, aos quais expuseram o plano elaborado pelos comandos anglo-americanos. Tratava-se de obter a permissão dos russos para instalar no seu território aeródromos que serviriam de bases de abastecimento aos bombardeiros aliados. Desta forma se conseguiria que os aviões pudessem atacar qualquer alvo dentro da Alemanha, mesmo os situados na zona oriental. Em princípio, os soviéticos se mostraram pouco dispostos a secundar o projeto, porém Molotov, finalmente, concordou.

Posteriormente, na conferência de Teerã, o Presidente Roosevelt reiterou pessoalmente a solicitação a Stalin. Este, embora interpondo numerosas objeções, acabou por dar a sua aprovação. A questão ficou finalmente resolvida no mês de fevereiro de 1944. Nessa oportunidade, Stalin manifestou ao embaixador americano, Harriman, sua decisão de colocar à disposição dos americanos seis aeródromos com uma capacidade de albergar 200 bombardeiros e sua escolta de caças. Uma vez obtida a aprovação do líder russo, os americanos enviaram uma missão militar para organizar as bases. Surgiram, porém, dificuldades. A promessa original de seis aeródromos ficou reduzida a três: os de Poltava, Mirgorod e Pirjatin, todos em muito más condições. Rapidamente, os americanos começaram os trabalhos de construção e reparação. Finalmente, em maio, os três aeródromos estavam prontos para entrar em operações. Cerca de 1.200 soldados americanos da Força Aérea passaram a servir neles como pessoal de terra. A primeira missão que utilizou as bases russas para reabastecer-se realizou-se a 2 de junho de 1944. Cento e trinta Fortalezas-Voadoras, escoltadas por setenta caças Mustang e comandadas pelo General Eaker, partiram de aeródromos do Mediterrâneo e depois de bombardear alvos na Hungria, aterrissaram nas bases russas. Nove dias mais tarde a força regressou à Itália. A 21 de junho, um grupamento de bombardeiros que havia tomado parte em um ataque contra Berlim, foi surpreendido por caças alemães, por não ter girado de regresso à Grã-Bretanha. Em lugar disso os B-17 seguiram rumo reto para o Leste. Um bombardeiro alemão Heinkel 177 seguiu a formação, a fim de localizar o ponto de reabastecimento. Assim os comandos da Luftwaffe se inteiraram da existência de bases americanas em solo russo. Imediatamente foram emitidas ordens às esquadrilhas de bombardeiros alemãs estacionadas na Polônia Oriental para que atacassem rapidamente os aeroportos.

Ao cair da noite de 22 de junho, 200 bombardeiros alemães levantaram vôo e rumaram para a base de Poltava. A inesperada incursão alcançou devastadores resultados. Sem perder nem um só aparelho, os alemães lançaram toda a sua carga de bombas e destruíram 43 Fortalezas-Voadoras e 15 caças Mustang. Além disso, os projéteis atingiram os depósitos de combustível. Mais de 300 mil galões de gasolina foram consumidos pelas chamas. Porém, as baixas entre o pessoal aliado não foram numerosas. Somente perderam a vida um americano e vinte e cinco russos.

Na noite de 23, os alemães voltaram a incursionar sobre os aeródromos de Mirgorad e de Pirjatin. Porém, desta vez, no entanto, não conseguiram o fator surpresa. Os americanos, alertados pelo reide anterior, haviam espalhado os seus aviões. Os alemães somente conseguiram destruir os depósitos de bombas e combustível.

A ofensiva contra as bases americanas na Rússia concluiu-se, entretanto, mal fôra iniciada. Efetivamente, a Luftwaffe somente conseguiu cumprir as três missões citadas, pois a partir de 23 de junho, ao iniciar-se a grande ofensiva soviética contra o Grupo de Exércitos Centro teve que empregar todos os seus efetivos no apoio às tropas de terra.

 

 

Cavalaria

Ao eclodir a Segunda Guerra Mundial, os exércitos das diversas potências beligerantes haviam outorgado às unidades de cavalaria um papel estritamente secundário. Essa arma que durante séculos se constituíra no elemento decisivo das batalhas encontrava-se em pleno declínio. Já no decorrer da Primeira Guerra Mundial as armas de fogo automáticas haviam reduzido a cavalaria à inação por causa das terríveis baixas que causavam entre cavalos e cavaleiros. Nos meses iniciais do conflito, os beligerantes tentaram, como no passado, lançar suas forças de cavalaria, sabre e lança em punho, contra as linhas inimigas. Estas operações terminaram numa verdadeira carnificina. Pareceu então soar a hora do desaparecimento definitivo da arma de cavalaria. Também o desenvolvimento das forças mecanizadas e blindadas no período anterior à eclosão da guerra de 1939-1945 pareceu confirmar a impressão de que a cavalaria não mais apareceria nos campos de batalha. E assim aconteceu, de fato, durante a primeira fase da blitzkrieg alemã na Europa. O tanque e a aviação conduziram as operações e revolucionaram a concepção e o desenvolvimento das batalhas. Somente os poloneses, numa tentativa desesperada, e na ausência de outros meios, recorreram em 1939 às cargas de cavalaria para enfrentar a maré de aço das formações blindadas alemãs. O resultado dessa luta desigual foi o extermínio da cavalaria polonesa. Quando a luta se estendeu ao território da União Soviética, a cavalaria voltou, contra todas as previsões, a assumir seu valioso papel do passado, como arma de combate. Nas imensas planícies da Rússia meridional, que com o degelo e as chuvas se convertiam em mares de lama, num território que, naquela época, era extremamente pobre em estradas e vias férreas, coberto por enormes extensões de florestas e de pântanos, os elementos motorizados demonstraram pouquíssima aptidão. A cavalaria, portanto, teve que suprir com sua mobilidade as formações motorizadas. Foi o Exército Vermelho o primeiro a vislumbrar acertadamente as possibilidades que o emprego maciço da cavalaria oferecia nesse cenário. Os soviéticos não somente haviam conservado suas veteranas unidades de cavalaria, mas também, com a eclosão da guerra, foram fortalecendo-as continuamente, tanto em número como em eficiência combativa. Para este fim, reforçaram as divisões de cavalaria com regimentos de tanques. O número de efetivos da cavalaria soviética nunca deixou de aumentar e assim, ao terminar a contenda, chegara a reunir um total de 600.000 cavaleiros, cifra que jamais foi alcançada em nenhuma guerra do passado. Impelidos pelas mesmas circunstâncias, os alemães, por sua vez, tiveram que recorrer ao emprego de formações de cavalaria, embora em escala muito menor.

No começo da campanha os soviéticos se limitaram a utilizar sua cavalaria para cobrir os setores secundários, existentes entre as principais frentes de luta. Contudo, já na grande contra-ofensiva diante de Moscou, no inverno de 1941, lançaram ao ataque grandes contingentes de cavalaria. Estas unidades assumiram o papel de forças móveis de perseguição, destinadas a irromper profundamente na retaguarda inimiga, para semear nela o pânico e a desorganização. Assim como os cossacos, que em 1812 fustigaram implacavelmente a Grande Armée napoleônica durante sua retirada, os grupamentos de cavalaria, dirigidos pelos Generais Belov e Dovator, apoiados por tropas de esquiadores e tanques, acossaram, sem dar trégua, as colunas alemães em retirada. A partir de 1942, utilizam corpos inteiros de cavalaria em suas grandes ofensivas. As baixas que estas unidades sofrem são sempre muito elevadas, porém os resultados justificam plenamente o seu emprego. Assim, na primavera de 1944, quando tanto os tanques soviéticos como os alemães se atolavam nos imensos lodaçais da Ucrânia, a cavalaria russa prossegue o seu avanço, mantendo o ritmo da ofensiva, que de outro modo estaria completamente paralisada. Na batalha de Korsun, frente ao Dnieper, em fevereiro de 1944, a cavalaria tomou a seu cargo o aniquilamento das colunas alemãs que tentaram forçar o cerco e matou a golpes de sabre mais de 20.000 combatentes alemães. Nesse mesmo ano, as divisões de cavalaria são agregadas pelo comando soviético às unidades blindadas nas operações de perseguição. Quando a infantaria se vê travada no seu avanço e tem que renunciar à missão de acompanhar os tanques, a cavalaria a substitui com vantagem e apóia de perto a penetração dos blindados. Por outro lado, quando os tanques se vêem obrigados a deter-se, ao enfrentar posições fortemente defendidas, que se encontram apoiadas em seus flancos por obstáculos naturais, como zonas florestais ou pantanosas, a cavalaria supera os redutos inimigos, deslocando-se sem inconvenientes por aquelas zonas. A cavalaria assume assim um papel decisivo em todas as operações do Exército Vermelho. Sua ação nos anos finais da guerra viu-se sensivelmente facilitada pelo acelerado declínio do poderio bélico alemão. A Wehrmacht, carente de homens e armamentos, já não pode mais levantar uma sólida linha defensiva nas frentes, e, através dos grandes claros que se abrem entre uma formação e outra, a cavalaria irrompe e pode manobrar à vontade. Na grande ofensiva de junho de 1944, as divisões de cavalaria, comandadas pelo General Pliev arremetem contra as posições alemães em Bobruisk, superam a infantaria e cortam em profundidade as linhas de comunicações com o oeste. Sua intervenção contribuiu de maneira fundamental para o êxito das operações de cerco que culminaram com o aniquilamento do 4o Exército alemão. Embora à custa de um rio de sangue, a cavalaria russa conseguira reverdecer os seus lauréis.

 

 

A morte de Dietl

Chefe das forças alemãs que combatiam contra os soviéticos, no princípio de 1944, no norte da Finlândia, o General Eduardo Dietl era uma das figuras mais destacadas da Wehrmacht. Ganhara fama no célebre episódio que protagonizou em Narvik, durante a campanha da Noruega em 1940, onde, à frente de uma reduzida unidade de soldados alpinos, e encontrando-se totalmente cercado, resistiu vitoriosamente durante quase dois meses ao ataque de forças aliadas muito superiores. Sua personalidade militar pode ser resumida numa só frase que ele mesmo proferira: “Tenho um só desejo, uma só aspiração: mostrar-me digno dos meus soldados”.

Em junho de 1944, quando os russos iniciaram a sua ofensiva na Finlândia, no istmo de Carélia, Dietl compreendendo a gravidade da situação se transladou para o QG de Hitler para lhe solicitar que retirasse do norte da Finlândia suas tropas, ante o risco que corriam de serem cercadas e exterminadas. O Führer, porém, negou-se terminantemente a concordar com esse pedido, salientando que as tropas alemães deviam continuar combatendo na Finlândia, custasse o que custasse, pois, do contrário, esse país capitularia diante dos russos.

Diante da impossibilidade de mudar a decisão de Hitler, Dietl empreendeu vôo de regresso a fim de reunir-se com suas tropas na manhã de 23 de junho. Essa seria a última viagem do “herói de Narvik”. O Junker trimotor que o conduzia caiu ao solo ao se chocar contra uma montanha. Transcrevemos as declarações feitas pelo mecânico de bordo, sobrevivente da tragédia:

“Por volta das 7 h 30 m da manhã surgiu à nossa frente um maciço montanhoso de altura respeitável. O piloto, Primeiro-Tenente Kowollik, acionou o timão da altura. Eu fui nesse momento à cabina para arranjar uma manta de peles, pois o frio aumentava. Os generais, nos seus bancos, conversavam. Quando me encaminhei de novo para a proa, o aparelho sofreu de repente uma forte sacudidela e desceu bruscamente 150 metros. Havíamos-nos aproximado de Hochwechsel e estávamos envolvidos por fortes ventos descendentes. O piloto imediatamente se deu conta do perigo, pois acelerou ao máximo os três motores... Por causa da precária capacidade de ascensão do nosso velho Junker, que naquele dia estava totalmente carregado, fomos ganhando altura muito lentamente... O piloto e o co-piloto olhavam para ambos os lados, e ao que parece, perceberam que as linhas das montanhas eram não apenas mais elevadas que o avião mas também que se haviam acercado tanto que era impossível voltar... Estávamos, literalmente, numa ratoeira... O piloto conseguiu, apesar disso, levantar a máquina nos poucos quilômetros que ainda nos separavam das montanhas de Hochwechsel... Nas bordas do elevado píncaro, contudo, uma nova e potente rajada nos apanhou frontalmente. Então, o Primeiro-Tenente Kowollik tentou, como último recurso, tratar de virar e regressar pelo vale... A velocidade da máquina, muito exigida, diminuíra... mas de tal forma que o giro pesou demasiadamente sobre a asa, que se chocou contra o desfiladeiro... Os dois motores laterais se desprenderam... O do centro continuou aderido ao corpo do avião... Os tanques das asas se romperam e dois mil litros de gasolina se derramaram sobre os cilindros e tubos de escapamento do motor central, que estavam incandescentes. Em poucos segundos as chamas e nuvens de fumaça negra envolveram os restos do avião...

“Depois de um instante de aturdimento, corri para a porta, porém esta ficara travada pelo tronco de uma árvore e não a pude abrir... Quebrei rapidamente todos os vidros das janelas e gritei: “Saiam pelas janelas!”. Depois me atirei sobre o General Dietl para salvá-lo em primeiro lugar, porém o general estava com o cinturão de segurança ajustado. Ao que parece compreendera rapidamente o perigo, porém estava desmaiado e jazia dobrado em dois. Os outros generais também não se moviam. Em poucos segundos toda a cabina se encheu de fumaça e fogo, tornando completamente impossível resgatar cada um dos corpos quase sem vida através das janelas muito estreitas. Não me lembro como consegui sair...”.

 

 

Armamento russo

Infantaria

Fuzil de infantaria modelos 91-30.

Fuzil-automático Simonov, modelo 36.

Fuzil-automático Tokarev, modelo 40, calibre 7,62; 20 disparos por minuto.

Pistola-metralhadora Shpaguin, modelo 43, calibre 7,62; 1.000 disparos por minuto.

Metralhadoras pesadas Degtiarev e Coriunov, modelo 38, calibre 12,7.

Metralhadora leve Degtiarev (DP), modelo 39, calibre 7,62; 1.200 disparos por minuto.

Fuzis antitanques de calibre 14,5 que foram postos em serviço durante a guerra.

Modelos 1941, P.T.R. Degtiarev e P.T.R. Simonov que perfuravam 30 mm de blindagem a 300 metros.

Modelo 1943, Simonov, perfuravam a mesma blindagem a 500 metros.

Carabinas antitanques (dois modelos) de calibre 12,7. Morteiros de infantaria:

Morteiros de 8. modelos 37, 41 e 43 (3.040 metros).

Morteiros de 120, modelo 38.

Morteiros de 50, modelo 40.

Além disso, a infantaria era dotada de um lança-granadas modelo 41 que lançava a 800 metros uma granada de 350 g, e de um lança-chamas que projetava a mais de 200 metros um produto auto-inflamável.

Artilharia

Peças de 76 milímetros: obus de acompanhamento de infantaria, modelo 40 (8.500 metros); canhão de duas flechas, modelo 36 (13.850 metros); canhão de montanha, modelo 38 (10.100 metros) e canhão divisionário Zis 3 (13.290 metros).

Peças de 122 milímetros: obus modelo 36 (11.800 metros); obus modelo 37 (20.700 metros)

Peças de 152 milímetros: canhão modelo 36 (26.000 metros); canhão modelo 37 com flechas, chamado “canhão-obus” (17.260 metros); obus modelo 38 (12.600 metros) e obus modelo 43 (12.400 metros).

Também peças de 203 (Skoda) e de 240 (entre 15.000 e 35.000 metros).

Obuses de 280 e canhões A.L.V.F. de 305 (50 000 metros) e de 406 (47000 metros).

Artilharia antitanque

Calibre 45

Modelo 37: 30 disparos por minuto, perfurando 50 mm a 1.000 metros.

Modelo 42: perfura 65 mm a 200 metros.

Calibre 57: S.I.S. 2

Modelo 41, 42, 43 e 44 que perfuravam 800 mm a 800 metros.

Calibre 76

Modelo 36, 12 disparos por minuto; S.I.S., 25 por minuto.

Calibre 100

Modelo 44, com poder de perfuração da ordem de 190 mm.

A D.C.A. dispunha da seguinte gama de materiais:

Material leve: calibre 25, modelos 39, 40 e 41 (2.000 m).

Material médio: calibre 37, modelo 37 (5.000 m).

Material pesado: calibre 76, modelos 34 e 41;  calibre 85, modelos 39 e 42 (7.000 a 10.000 metros).

Modelo 8: calibres 75, 76 e 82, com uma salva de 32 a 36 projéteis a 5.300 metros.

Modelo 13: calibre 130 a 140, com uma salva de 16 disparos por minuto de 5.000 a 8.870 metros.

Modelo 30: calibre 300 a 400, com uma salva de 54 projéteis de 2.500 a 2.800 metros.

Desde os primeiros meses da guerra foi utilizado o lança-foguetes denominado Katyusha, de grande poder.

 

 

 

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