Invasão das Ilhas Gilbert e Marshall

 

“Operação Flintlock”

            

Conquista de Kwajalein (nas Marshall)

 

 

A conquista das ilhas Gilbert, concretizada pelos forças americanas à custa de graves perdas, deu início à grande ofensiva que os efetivos americanos lançaram no Pacífico Central. Juntamente com o ataque às Gilbert, o Almirante Nimitz planejara realizar um assalto às ilhas Marshall. Este arquipélago, integrado por mais de trinta e dois grupos de ilhas, distribuídas em uma área de aproximadamente um milhão de quilômetros quadrados, constituiu um forte baluarte japonês. Ali os japoneses haviam estabelecido uma série de aeródromos e posições fortificadas, para conter a possível penetração, em direção ao oeste, dos efetivos americanos.

 

A 1o de setembro de 1943, o Alto-Comando americano aprovou o projeto de Nimitz e emitiu a ordem de levar a cabo a operação contra as Marshall, designada com o nome chave de Flintock, em princípios de janeiro de 1944. Nessa diretiva se especificavam também quais as tropas que participariam do ataque. Seriam estas a 4a Divisão de Fuzileiros-Navais, unidade de recente constituição, e a 7a Divisão de Infantaria do Exército, parte de cujos efetivos haviam participado, em maio de 1943, da reconquista das Aleutas. Ao obter a aprovação de Washington, Nimitz empreendeu imediatamente o planejamento do ataque. Logo se tornou evidente que não podia ser efetuado na data estipulada pelo Alto-Comando. A operação prévia contra as Gilbert demonstrou que existiam numerosas deficiências que era necessário sanar como condição para o ataque. As tropas requeriam um adestramento mais prolongado e completo, e se necessitava, também, de incrementar o seu poder ofensivo. Além disso, o plano original previa a ocupação simultânea de três atóis: Wotje, Maloelap e Kwajalein. Os dois primeiros estavam situados na periferia do arquipélago e o terceiro, passando por cima das posições japonesas em Wotje e Maloelap, atacar diretamente Kwajalein, que se encontrava menos defendido. Apesar da oposição dos demais comandantes, o almirante se manteve firme em sua decisão.

 

O Alto-Comando aprovou, a 14 de dezembro, o projeto de Nimitz. Imediatamente foram designadas as forças que levariam a cabo o assalto. A 7a Divisão de Infantaria se encarregaria da conquista do grupo de ilhas meridional do atol, entre as quais se encontrava a de Kwajalein. Por sua vez, a 4a Divisão de Fuzileiros-Navais conquistaria as ilhas setentrionais, a principal das quais era Roi Namur.

 

O comando superior das forças estaria nas mãos do Almirante Spruance. No terreno operativo, o comando seria exercido pelo Almirante Turner. As tropas de assalto estariam sob as ordens do General Holland Smith.

 

Foi fixado para dia D do desembarque 31 de janeiro de 1944.

 

 

As forças se aprontam

 

O plano de invasão das Marshall se diferenciava, em importantes aspectos, das operações anfíbias anteriores realizadas pelos americanos no Pacífico. As lições aprendidas em Tarawa, à custa de muito sangue, foram plenamente assimiladas. Em primeiro lugar, organizou-se uma preparação de artilharia poderosíssima. Os barcos de guerra e os aviões canhoneariam e bombardeariam as instalações japonesas com toda intensidade, durante dois dias consecutivos, antes que as tropas tocassem terra. Determinou-se, também, desembarcar nas ilhotas vizinhas de Kwajalein e Roi Namur baterias de artilharia de campanha, um dia antes do desembarque. Estes canhões se somariam à cobertura de fogo anteriormente citada, para assegurar a total destruição das defesas japonesas nas praias, nos instantes prévios ao ataque.

 

Foram incorporadas, além disso, duas novas armas: uma delas era um tanque anfíbio, construído com o chassi dos veículos Alligators, aos quais se agregaram pranchas adicionais de blindagem e um canhão de 37 mm, localizado numa torrêta também blindada. Estes tanques se lançariam à frente das primeiras ondas de assalto, para cobrir com o fogo dos seus canhões o desembarque das tropas. O segundo novo elemento era uma embarcação lança-foguetes, que também se adiantaria aos veículos anfíbios de desembarque, para descarregar um verdadeiro dilúvio de fogo sobre as defesas japonesas nas praias. Essas embarcações eram as LCI (Landing Craft Infantry) que até então haviam sido empregadas como transporte de tropas.

 

Baseados nos ensinamentos obtidos em Tarawa, resolveu-se transportar todas as forças de assalto até as praias, mediante Alligators. Para a 7° Divisão foram reservados 174 Alligators e tanques anfíbios. Também 100 caminhões anfíbios Ducks. A 4° Divisão de Fuzileiros-Navais foi equipada com 280 Alligators e 75 tanques anfíbios.

 

Para escoltar as forças encarregadas da conquista de Roi Namur, foi organizada uma frota integrada por três couraçados, dois cruzadores pesados, dois cruzadores leves e onze destróieres. Três porta-aviões leves, doze embarcações lança-foguetes e quatro caça-minas completaram a frota.

 

A escolta das tropas que atacariam Kwajalein estaria integrada por quatro couraçados, três cruzadores pesados, vinte e um destróieres, três porta-aviões leves e também doze barcos lança-foguetes e quatro caça-minas.

 

As forças navais incluíam também um grupo de porta-aviões de ataque, comandado pelo Almirante Mitscher, escoltados por oito encouraçados de fabricação recente e numerosas naves menores. Esta última força desfecharia um golpe demolidor com suas esquadrilhas de bombardeio, sobre as posições japonesas.

 

Ofensiva aérea

 

A partir de 23 de dezembro de 1943, as esquadrilhas de bombardeiros B-24, estacionadas nas novas bases das ilhas Gilbert, iniciaram seus ataques contra o arquipélago das Marshall. De início, os bombardeios se concentraram sobre os atóis situados na periferia de Kwajalein. A grande base japonesa no atol de Millie foi alvo de incessantes e devastadores ataques por parte da aviação americana. Desta forma foram destruídos todos os aviões japoneses estacionados nessa base e as pistas foram gravemente danificadas.

 

Desde o dia 1o até 31 de janeiro de 1944, os aparelhos dos EUA se mantiveram no ar praticamente as 24 horas do dia, arrojando suas bombas e metralhando as instalações em vôo rasante. Simultaneamente, os B-24, apoiados por bimotores B-25 e caças, empreenderam a destruição da grande base do ilha de Taroa, a maior depois de Kwajalein.

 

Os japoneses contavam ali com poderosas defesas antiaéreas e numerosas esquadrilhas de aviões de combate. Os B-25, roçando o cume das palmeiras, lançaram suas bombas e dispararam os seus canhões e metralhadoras. Os aparelhos americanos se viram diante de uma tenaz resistência japonesa.

 

A 26 de janeiro, nove B-25, escoltados por doze P-40, se lançaram sobre a base. Quinze caças japoneses saíram ao seu encontro. Enquanto os P-40 entravam em luta com os Zeros, os B-25 lançaram suas bombas, fazendo voar pelos ares os depósitos de combustível e as instalações do campo. Os P-40, entrementes, travando uma "luta de cães", abateram onze aparelhos japoneses. Esta incursão deixou praticamente inutilizada a base de Taroo. Três dias mais tarde, os B-25 realizaram uma última passada, sem encontrar já nenhuma oposição.

 

Enquanto esses acontecimentos se desenrolavam nas ilhas da periferia, Kwajalein permanecia praticamente à margem. A 4 de dezembro, no entanto, uma frota de porta-aviões integrada por seis belonaves desse tipo, cinco cruzadores pesados e dois leves, dois cruzadores antiaéreos e doze destróieres, realizaram o seu primeiro grande ataque contra a base. Pouco depois das seis da manhã daquele dia, 246 aviões navais escureceram o céu de Kwajalein. Os caças japoneses, decolando rapidamente, saíram ao encontro da força incursora. Em poucos minutos, o espaço se converteu num verdadeiro inferno de fogo. As traçadoras sulcavam o céu atrás dos aparelhos de um e de outro grupo. Alguns pára-quedas, flutuando lentamente, atestavam as baixas sofridas por japoneses e americanos. Dezenove aparelhos japoneses foram derrubados nessa oportunidade. Enquanto isso, os aviões de bombardeio e os torpedeiros, abrindo caminho, se precipitaram sobre a ilha, em cujo costa se achavam ancorados trinta barcos de carga japoneses. Sete deles foram rapidamente afundados. Também foram destruídos dois grandes hidroaviões japoneses que nem chegaram a levantar vôo.

 

Ao meio-dia, as esquadrilhas japonesas passaram à ofensiva. Realizando desesperados esforços, os pilotos japoneses tentaram acertar suas bombas sobre os porta-aviões americanos. A artilharia antiaérea, contudo, ergueu uma verdadeira cortina de fogo, tornando inúteis as tentativas japonesas. Um torpedeiro japonês, entretanto, voando quase ao nível das ondas, atingiu com um torpedo um dos porta-aviões americanos. O projétil abriu um enorme rombo no flanco do gigantesco navio, porém não deteve a sua marcha. O avião japonês, atingido por centenas de projéteis antiaéreos, caiu despedaçado nas águas. O sacrifício dos pilotos japoneses teve, contudo, um resultado positivo, pois a esquadra, virando, afastou-se da zona de batalha.

 

Aproxima-se a frota de invasão

 

A 22 de janeiro de 1944, os barcos carregados de tropas partiram dos portos dos ilhas Havaí e rumaram para os seus objetivos distantes. As naves transportavam os soldados da 7a Divisão de Infantaria; efetivos da 4a Divisão de marines se encontravam já navegando rumo a Kwajalein. A operação Flintlock acabava de entrar em sua fase definitiva. Enquanto os comboios que transportam os efetivos navegam lentamente, na vanguarda avança a Força-Tarefa sob o comando do Almirante Mitscher. Essa esquadra conta com doze grandes porta-aviões de ataque, divididos em quatro grupos. São eles o Enterprise, o Yorktown, o Belleau Wood, o Essex, o Intrepid, o Cabot, o Cowpens, o Monterrey, o Bunker Hill, o Princeton, o Saratoga e o Longley. As naves conduzem, ao todo, mais de 700 aviões de combate. A 29 de janeiro de 1944, os porta-aviões de Mitscher já estavam nas proximidades do seu objetivo.

 

O primeiro grupo de ataque lançou seus aviões novamente sobre a base de Taroa. O segundo bombardeou Roi Namur, destruindo os seus hangares, depósitos de combustível e instalações. O terceiro atacou a ilha de Kwajalein, causando também grandes danos às suas instalações e defesas. O quarto lançou uma devastadora incursão sobre o atol de Wotje. Assim, durante todo o transcurso da jornada, uma nuvem de aparelhos cobriu os céus das Marshall, semeando a destruição e a morte.

 

A operação lançada pelos americanos era uma demonstração do gigantesco poderio empregado na batalha pelas forças dos EUA. Nunca houvera, até aquele momento, na guerra do Pacífico, uma demonstração de forças de tal magnitude. Ao cair da noite, os porta-aviões receberam sobre suas cobertas as máquinas que haviam decolado, um após outro, rumo às posições inimigas, e se retiraram para mar aberto. Os japoneses, entrementes, acreditavam ter ganho uma pausa. Contudo, o bombardeio não cessou. Numerosas esquadrilhas de B-24 operaram durante a noite, lançando centenas de toneladas de bombas sobre as posições inimigas. No dia seguinte, os comboios de tropas se aproximavam finalmente do atol de Kwajalein. Os porta-aviões voltaram ao ataque contra as duas ilhas que seriam alvo dos desembarques principais, Kwajalein e Roi Namur, desatando um verdadeiro dilúvio de fogo. Centenas de aviões mergulharam sobre as ilhas, largando milhares de toneladas de bombas. Os barcos, apoiando as incursões aéreas, descarregaram sua artilharia durante quatro horas, sem descanso.

 

Na noite de 30 para 31 de janeiro, os comboios que transportavam os efetivos da 4a Divisão de marines e a 7a de Infantaria se encontraram frente às costas de Roi Namur e Kwajalein. À distância, os soldados americanos podiam observar as altas colunas de fumaça provocadas pelos incêndios.

 

Dois transportes de alta velocidade, o Overton e o Manley, se adiantaram então, e, na madrugada de 31 de janeiro, se aproximaram das pequenas ilhotas de coral denominadas, em código, Carter e Cecil, situadas ao norte de Kwajalein, para ali estabelecer pontos de apoio. Dos transportes foram descidos, mediante lanchas de desembarque e botes de borracha, trezentos homens encarregados de ocupar as duas ilhotas.

 

Às 6 h 20 m da manhã, os primeiros soldados americanos desembarcaram em Carter e não encontraram nenhuma resistência nas praias. Três horas mais tarde, e depois de haver aniquilado os poucos japoneses ali destacados, completavam a ocupação do local. A ilhota de Cecil, paralelamente, também foi ocupada por volta do meio-dia.

 

Em seguida, as forças americanas desembarcaram em outras duas ilhotas situadas mais ao sul. Estas posições designadas em código com os nomes de Carlos e Carlson, desempenhariam um papel decisivo na operação contra Kwajalein, pois ali seriam colocadas as baterias de artilharia de campanha que cobririam, com seu fogo, o desembarque dos americanos.

 

A operação foi confiada a dois batalhões e uma companhia de tanques. Um terceiro batalhão se manteria na reserva.

 

A conquista das ilhotas

 

Às nove da manhã de 31 de janeiro tocaram terra em Carlos e Carlson os primeiros Alligators carregados com soldados americanos. Doze barcos lança-foguetes haviam, previamente, varrido as posições inimigas. Em menos de uma hora, as cinco primeiras levas já se encontravam em terra. Carlos foi facilmente conquistada. Deslocando-se pela ilha, os infantes e tanques americanos aniquilaram uma vintena de japoneses. Os japoneses restantes, antes de serem capturados, se suicidaram. Em Carlson, embora se esperasse encontrar uma resistência mais violenta, tampouco se produziram combates de importância. Não havia ali nenhum contingente considerável de tropas japonesas, fato que permitiu uma rápida ocupação da ilhota. Apenas vinte e um trabalhadores coreanos foram capturados com vida nesse local.

 

Ao receber o informe da conquista das duas ilhotas, o General Corlett ordenou desembarcar imediatamente em Carlson as unidades de artilharia. Esta força consistia em quatro batalhões de canhões de 105 mm e um de 155. Em ininterrupta corrente, os Ducks transportaram as baterias para terra, precedidos por tratores que abriram caminhos através da vegetação, até chegar às zonas onde os canhões deviam ser montados. Pouco depois das três da tarde, os primeiros canhões de 105 iniciaram o fogo, destinado a regular o tiro, utilizando projéteis fumígenos. Os Ducks, enquanto isso, se mantiveram num contínuo ir e vir, transportando abastecimentos e munições. Antes do pôr-do-sol, uma grande reserva de projéteis estava preparada para quando começasse o ataque. As doze baterias estavam dispostas numa frente de uns oitocentos metros de extensão.

 

O General Corlett, chefe da 7a Divisão, determinou então à artilharia que abrisse fogo contra as posições inimigas situadas no extremo ocidental de Kwajalein.

 

Durante toda a noite, os canhões colocados na ilhota de Carlson dispararam sem descanso. A este canhoneio somou-se o da esquadra. O bombardeio alcançou assim uma intensidade aterradora. Gigantescas colunas de fogo, provocadas pela explosão de milhares de granadas, se elevavam para o alto, enquanto uma negra nuvem de fumaça envolvia as posições japonesas.

 

O desembarque

 

Nas primeiras horas do dia 1o de fevereiro de 1944, oito LST, que conduziam a primeira leva de assalto americana, se aproximaram da costa ocidental de Kwajalein. Os grandes encouraçados Misissipi, Pennsylvania e New Mexico, os cruzadores Minneapolis, New Orleans e San Francisco, escoltados por numerosos destróieres, se movimentaram para posições de tiro situadas a uns mil metros da costa e iniciaram o bombardeio. Este alcançou proporções nunca vistas no teatro de guerra do Pacífico. Assim foi descrito pela crônica oficial norte-americana: "O bombardeio de preparação, na ilha de Kwajalein, não tinha precedentes no Pacífico, tanto no que respeita ao seu volume como à sua efetividade. Dois projéteis por segundo explodiam sobre alvos ou setores específicos, no caminho das tropas de assalto. Os projéteis navais de 14 polegadas dos encouraçados demonstraram ser de suma eficácia na perfuração e destruição de estruturas de cimento armado. Disparados por cruzadores e destróieres, os projéteis de 8 e 5 polegadas destroçavam os bunkers e varriam a vegetação espessa. Em conjunto, no dia 1o de fevereiro, mais de 7.000 projéteis de 14, 8 e 5 polegadas foram disparados pelas naves de guerra de apoio sobre a ilha de Kwajalein. O grosso desses projéteis foi dirigido contra as praias principais antes do desembarque. A artilharia de campanha, localizada na ilhota Carlson, também interveio no fogo de preparação. Seu consumo total de munições, nessa data, foi de cerca de 29.000 projéteis".

 

Ao fogo da artilharia naval e terrestre somou-se também o violento bombardeio empreendido pela aviação. Esquadrilhas de quadrimotores B-24 arrojaram uma chuva de bombas de 1.000 e 2.000 libras contra os redutos japoneses de Kwajalein. Bombardeiros de mergulho, pertencentes às esquadrilhas dos porta-aviões, atacaram em vôo rasante e castigaram duramente as posições inimigas. Os caças, juntando-se ao ataque, metralharam ininterruptamente a região. O resultado foi uma destruição quase total. Todo o terreno situado nas cercanias das praias designadas para o desembarque terminou convertido num imenso mar de crateras. Um observador o descreveu assim: "Toda a ilha parecia ter sido elevada a 20.000 metros de altura e depois lançada novamente no vazio...".

 

A primeira leva de assalto, integrada por dois batalhões e com efetivos que superavam três mil homens, dirigiu-se às praias denominadas "Vermelho 1" e "Vermelho 2", acompanhado por duas companhias de tanques. Os soldados, agachados nos Alligators e tanques anfíbios, iniciaram sua marcha de aproximação da costa. Pelos flancos e no centro do flotilha de assalto, movimentavam-se também os tanques anfíbios, prontos para entrar em ação. Acompanhavam a formação vinte Alligators equipados com lança-chamas. Da costa, os japoneses não ofereciam resistência alguma, salvo algumas esporádicas rajadas partidas das suas posições. Disparos de morteiros, isolados, causavam leves baixas nas fileiras americanas.

 

Às 9 h 30 m, quando ainda caíam na praia os últimos projéteis da artilharia de apoio, os Alligators subiram rugindo pelas areias de Kwajalein. Seguindo a tática tantas vezes ensaiada, os soldados se atiraram, com suas armas, dos veículos, e se entrincheiraram nos restos da muralha que bordejava a costa. Frente a eles os japoneses que haviam sobrevivido ao bombardeio desataram um fogo de rechaço, com armas leves e granadas. A resistência foi, contudo, rapidamente esmagada pelos tanques anfíbios. Estes veículos, escalando a escarpa, dispararam os seus canhões a queima-roupa sobre as posições japonesas, aniquilando os seus defensores. Então, enquanto os destacamentos de sapadores tratavam de demolir com cargas explosivas as casamatas que ainda restavam, os soldados, com as baionetas caladas, se lançaram para o interior.

 

Uma após outra, as ondas de assalto foram chegando à costa. Em último lugar se aproximaram as barcaças de desembarque de tanques, e baixaram suas rampas sobre a linha dos recifes. Os tanques, então, se internaram na água. Alguns deles ficaram encalhados nos baixios, porém o grosso pôde chegar, por seus próprios meios, até o costa. Ficou assim praticamente assegurado a cabeça-de-ponte. Os americanos trataram de penetrar rumo ao interior da ilha. O avanço foi realizado ao norte pelas unidades do 184° Regimento de Infantaria e ao sul pelo 32°. No flanco meridional a resistência japonesa era praticamente nula. Ao avançar, os americanos comprovaram os terríveis efeitos do bombardeio preliminar. Todos os redutos e casamatas japonesas haviam sido despedaçados e, entre os seus restos, jaziam os corpos de centenas de japoneses. Apenas alguns poucos soldados inimigos permaneciam com vida. Estes, mantendo-se ocultos, aguardavam que as colunas americanas passassem, para então abrir fogo.

 

No flanco norte, no entanto, as tropas do 184° Regimento de Infantaria depararam com uma forte resistência. Bloqueando o avanço, localizava-se uma rede de várias casamatas japonesas em ruínas, dentro das quais resistiam algumas centenas de soldados japoneses.

 

Ao receber as primeiras descargas das metralhadoras inimigas, os americanos se espalharam pelo terreno, utilizando como refúgio as crateras das bombas. Cobrindo o seu avanço com lança-chamas, grupos de infantes se aproximaram das casamatas e lançaram ao seu interior granadas de fósforo branco e fumígenas. A explosão delas obrigou os japoneses a abandonar os refúgios. Isso era o que os americanos aguardavam. Apenas tiveram os japoneses na mira de suas armas, descarregaram sobre eles todo o peso da sua metralha, aniquilando-os até o último homem. Foi assim eliminado o obstáculo que impedia o avanço.

 

Pouco depois do meio-dia, as tropas americanas já haviam alcançado os limites do aeródromo de Kwajalein. Da ilhota Carlson, o fogo de barragem da artilharia ali colocada apoiou a penetração das tropas. Aqui e acolá surgiam grupos de resistência japoneses, dificultando o avanço americano até que o último combatente tombasse.

 

A segunda jornada

 

Ao chegar a noite de 1° de fevereiro, as tropas americanas tomaram posições defensivas nos terrenos situados no centro do aeródromo de Kwajalein. As baixas, no primeiro dia de luta, haviam sido extremamente escassas: dezessete mortos e trinta e seis feridos. Por sua vez, os americanos haviam matado quinhentos japoneses, capturando apenas onze.

 

A operação de desembarque fôra um êxito. Seis batalhões de infantaria se encontravam já em terra, apoiados por 44 tanques Sherman e 18 Stuart. Além disso, contavam com cinco semilagartas, armadas com canhões de 75 mm. As cabeças-de-ponte nas praias de assalto haviam sido limpas de explosivos e obstáculos por grupos de sapadores, e os tratores abriram sendas e cominhos rumo ao interior da ilha, assegurando o fluxo contínuo de abastecimentos.

 

Enquanto os soldados tomavam posições em seus poços de atiradores, preparavam as metralhadoras e os morteiros, um persistente chuvisco caía sem parar. A chegada do noite significava sempre a possibilidade inquietante de um contra-ataque japonês. Por isso os combatentes, mantinham-se alertas, prontos para enfrentar qualquer emergência.

 

De acordo com os informes recolhidos pelos serviços de inteligência, calculava-se que ainda restavam 1.500 japoneses em Kwajalein. A maior parte deles estavam entrincheirados no extremo oriental da ilha e se supunha que, amparados pelo escuridão, podiam deslocar esse contingente e lançar um contra-ataque. E foi isso o que efetivamente ocorreu. Avançando pelas sombras, os japoneses emergiram dos seus refúgios e se lançaram sobre as linhas americanas. Porém, a artilharia da esquadra e os canhões de terra desataram uma violenta barreira de contenção ao longo de toda a frente. A chuva de granadas impediu aos japoneses articular um assalto em grande escala. Contudo, grupos isolados de atiradores e metralhadores recorreram à tática de infiltração, arrastando-se pelo terreno coberto de escombros. Os japoneses deslizavam entre os postos americanos, penetrando profundamente na retaguarda. Após alguns pequenos êxitos iniciais, durante os quais vários posições americanas foram tomadas pelos japoneses, os atacantes se viram rapidamente diante de uma dura resistência que terminou por aniquilá-los.

 

Às 7 h 15 m da manhã, os dois regimentos de ataque, o 32o e o 184o, apoiados pelas unidades de tanques, se puseram novamente em movimento. Outra vez o cerco de fogo da artilharia do esquadra e dos canhões de campanha iniciou o seu devastador ataque e abriu o caminho às tropas. Pelo ar, as esquadrilhas metralharam sem cessar as posições japonesas, esmagando os seus redutos. O objetivo era completar a ocupação de todo o aeródromo.

 

Deslocando-se pelas pistas, os combatentes foram recebidos pelo nutrido fogo dos atiradores japoneses emboscados. Algumas casamatas também ainda se mantinham em pé. Para destruir estas últimas, os americanos recorreram a táticas que haviam sido levadas a cabo previamente. Os tanques avançavam até a casamata com um pelotão de infantes na sua retaguarda. O chefe do pelotão guiava o tanque utilizando um telefone que os intercomunicava. O blindado então tomava posição de fogo e disparava seus canhões de 75 mm contra a posição japonesa. Paralelamente, disparava suas metralhadoras. Freqüentemente, ao ocorrerem estes ataques, os japoneses tentavam abandonar a posição, porém eram aniquilados pelo fogo dos armas automáticos dos infantes.

 

Desta forma foram eliminadas as tropas japonesas que ainda permaneciam dentro do aeródromo. Quando chegou a noite e foi reorganizado o perímetro defensivo, os americanos já haviam ocupado dois terços da ilha. As baixas, novamente, haviam sido escassas: apenas onze mortos e duzentos feridos. Calculava-se também que os japoneses, praticamente, se encontravam dizimados. Um dos poucos prisioneiros capturados declarou que as posições que restavam aos japoneses estavam totalmente destruídas e que somente de duzentos a trezentos soldados estavam em condições de combater. Ante a situação, o General Corlett, chefe da 7a Divisão, emitiu uma diretiva aos seus regimentos de assalto: "Ataquem vigorosamente a partir das sete e quinze de amanhã...". "Terminem o trabalho antes dos três da tarde... ".

 

Luta encarniçada

 

A despeito das perspectivas se mostrarem nitidamente favoráveis, a última etapa da luta seria a mais difícil. Tal como se havia ordenado, o ataque se iniciou nos primeiras horas do manhã de 3 de fevereiro, com a habitual avalanche de fogo prévio. Durante dez minutos, uma verdadeira chuva de projéteis caiu sobre os posições nipônicas.

 

Em seguido, os infantes abandonaram as trincheiras e se lançaram ao assalto. No setor do 184o Regimento, sobre o flanco norte, as tropas avançaram sem o apoio de tanques, pois um atraso na movimentação dos blindados impediu que se contasse com o seu precioso concurso.

 

No início, o avanço americano foi rápido, porém uma das companhias de ataque defrontou inesperadamente com uma série de poderosos redutos japoneses. Entre o pó e a fumaça produzidos pelo explosão das granados e dos bombas, os infantes vislumbraram uma cadeia de casamatas de cimento armado, intactas. Destacava-se entre elas um grande reduto de concreto, de formo circular. O fogo desatado pelos japoneses entrincheirados naquelas defesas obrigou os americanos, que não contavam com armas pesadas, a buscar rapidamente refúgio. Contudo, ao chegar da retaguarda um canhão antitanque de 37 mm, o comando americano decidiu capturar o reduto.

 

A peça foi colocada de frente á entrada da casamata e disparou vários projéteis em rápida sucessão. O resultado, porém, foi negativo, pois a forte posição absorveu o castigo sem debilitar sua resistência. Os americanos, ante o evidente fracasso do ataque, decidiram flanquear a posição japonesa e seguir adiante, deixando sua destruição nas mãos dos blindados que avançavam depois deles. Optaram então por fracionar suas tropas em pequenas seções e começaram a avançar. Os japoneses, entretanto, atentos à manobra e ao sentirem a ameaça de ficar cercados, iniciaram uma manobra semelhante, e abandonaram o refúgio, retirando-se. Trovou-se então uma violenta luta entre os unidades americanas que avançavam e os japoneses que retrocediam, passo o passo, entrincheirando-se em árvores, casamatas destruídas e todo obstáculo que lhes podia servir de proteção. A luta chegou então a um ponto morto e o comando americano, novamente, teve que deter as ações para aguardar a chegada dos blindados.

 

Os tanques chegaram às 9 h 45 m e entraram imediatamente em ação. Produziu-se, então, uma extraordinária confusão. Os telefones dos tanques não funcionavam e os tanquistas se encontraram no dilema de decidir a conduta a seguir de acordo com o que podiam ver através dos pequenos visores dos seus veículos. O fogo cruzado dos blindados dizimava japoneses e americanos sem que a luta se definisse em meio a uma tal confusão. Assim, o ataque teve que ser detido mais uma vez.

 

Para quebrar a paralisação do avanço, os americanos resolveram então empregar um batalhão que até aquele momento se havia mantido na reserva. Essa unidade teria por missão envolver pelo flanco as posições japonesas, enquanto as tropas que os defrontavam manteriam os japoneses empenhados.

 

Ao cair da tarde, e depois de sustentar furiosos combates entre os escombros e troncos derrubados, a força encarregada do movimento envolvente conseguira fechar as pinças em torno dos japoneses.

 

Chegou-se assim ao término da terceira jornada de luta. A intensidade da mesma fica claramente refletida pela escassa profundidade do avanço efetuado: menos de mil metros.

 

A tenaz oposição japonesa evidenciava a inexatidão dos dados com que os americanos contavam, o respeito da quantidade de combatentes japoneses que ainda lutavam. Havia-se calculado que apenas quatrocentos deles restavam em condições de combater. Contudo, frente às unidades americanas já se haviam contado perto de 1.100 cadáveres de soldados inimigos.

 

No grande refúgio de concreto que tanto custara conquistar, duzentos mortos confirmavam o encarniçamento da batalha e o erro dos informes americanos.

 

Kwajalein conquistada

 

Ao despontar o dia 4 de fevereiro e depois de uma noite na qual se sucederam, intermitentemente, escaramuças com grupos de japoneses que em fanáticas investidas procuravam retardar o avanço americano, iniciou-se a batalha final.

 

Somente restava em mãos dos últimos sobreviventes japoneses uma estreita franja de terreno de 900 metros de extensão, no setor oriental da ilha.

 

Às sete da manhã, precedidos por dez tanques Sherman, os infantes americanos se puseram em movimento. Os japoneses, aferrando-se às suas posições, resistiram desesperadamente, embora sem resultado positivo. Lenta, porém firmemente, os americanos exterminavam, um por um, os redutos japoneses, onde os soldados do Sol-Nascente resistiam. Algumas casamatas, rodeadas e atacadas por todos os lados, somente caíram em mãos dos americanos quando o último combatente japonês tombou morto. Em outros setores, numerosos soldados japoneses preferiram a morte pelas suas próprias mãos do que o rendição.

 

Ao cair do tarde, o resistência havia praticamente terminado. Exatamente às 7 h 25 m da tarde, a ilha, em sua totalidade, estava em poder dos americanos. A defesa, apenas perceptível há várias horas, emudeceu. Já não restavam japoneses nas casamatas. A luta terminara. A crônica oficial assim resumiu o resultado da batalha: "A operação foi um modelo praticamente em todos os aspectos. A força de ataque conseguira a surpresa estratégica. Os japoneses não esperavam um desembarque no centro das Marshall. Não estavam preparados para enfrenta-lo quando se produziu. Até certo ponto, também se conseguiu a surpresa tática, porque resultou evidente que o inimigo estava melhor preparado para enfrentar o ataque em qualquer ponto da costa, menos no lugar onde ele se produziu. Em conjunto, a batalha pela ilha de Kwajalein representou o ideal de todas as operações militares. Um bom plano, habilmente executado".

 

 

Anexo

 

Defesas de Kwajalein

O atol de Kwajalein havia sido convertido pelos japoneses no centro de comando das forças militares encarregadas da defesa do arquipélago das Marshall. Em janeiro de 1944, os japoneses contavam nesse arquipélago com mais de 13.000 soldados e vários milhares de homens pertencentes a serviços auxiliares da Força Aérea e da Marinha, e contingentes de construção. O grosso das unidades combatentes, porém, estava localizado nas ilhas da periferia, onde se esperava que os americanos realizassem seu principal ataque anfíbio. Assim, Kwajalein somente contava, entre os 8.000 homens que formavam sua guarnição, com 933 soldados regulares. O comando geral da base estava a cargo do Almirante Monzo Akiyama.

Assim como em Tarawa, os japoneses estavam resolvidos a deter o ataque americano nas Marshall sobre a própria praia. Por outro lado estavam praticamente forçados a recorrer a essa tática, pois as diversas ilhas do arquipélago não eram mais que estreitas tiras de areia coralífera, o que impedia escalonar as defesas em profundidade. No atol de Kwajalein, as ilhas mais poderosamente defendidas eram as de Roi Namur, Kwajalein e Ebeye. Em Roi Namur, os japoneses contavam com quatro canhões de 127 mm, quatro baterias de 37, dezenove canhões de 13,2 e dez de 20 mm. Tinham também centenas de metralhadoras localizadas em casamatas de concreto na linha das praias. Ali, também foram estendidos alambrados, e no interior da ilha foram escavados profundos fossos antitanque.

A ilha de Kwajalein era menos defendida. A artilharia consistia em quatro canhões de 127 mm, oito de 80 mm e um canhão de 13 mm. Essas baterias eram protegidas por numerosas metralhadoras de 7,7 e 13 mm. Metralhadoras de igual calibre, instaladas em casamatas, cobriam as praias. As posições fortificadas incluíam também quarenta redutos de cimento armado e uma densa rede de trincheiras. Sobre a costa fôra construída uma muralha de cimento à guisa de barreira antitanque, e no interior foram cavados fossos antitanque, protegidos por ninhos de metralhadoras e trincheiras.

 

 

Ataque aéreo

Ao comando americano chegam preciosos informes: no ancoradouro do atol de Kwajalein se encontram naves inimigas, mercantes e de guerra. São os primeiros dias do mês de dezembro de 1943 e a invasão é iminente. Os almirantes, então, reunidos, decidem levar a cabo um intenso ataque contra o atol, com o objetivo de destruir o maior número possível de barcos japoneses; além disso, os aviões atacantes deverão tirar fotografias para serem utilizadas na invasão iminente

Seis porta-aviões, entre os quais se contam o Yorktown, o Lexington e o Essex, partem imediatamente rumo ao norte.

A 4 de dezembro, às 6h 30m da manhã, os primeiros grupos de aviões se lançam ao ataque. O objetivo é o ancoradouro de Roi, no extremo norte do atol.

Após uma hora e meia de vôo, ao longe, entre a bruma, os pilotos americanos descobrem as silhuetas inconfundíveis dos navios japoneses. Alguns poucos instantes depois, as pequenas nuvens negras que marcam a ação da artilharia antiaérea japonesa começam a aparecer, aqui e acolá, primeiro longe, depois mais perto, acompanhando a marcha dos aparelhos americanos.

Os pilotos, perdendo altura dirigem seus aviões no rumo dos barcos japoneses. Em seguida, após rápidas passadas de ensaio, os bombardeadores comprimem os disparadores e, em cachos, os pesados projéteis caem com um silvo apavorante. Quatro alvos atingidos são o resultado da ação. Outros impactos, de menor importância, são registrados em diversas unidades inimigas.

Já de regresso, após descrever uma ampla curva ao passar novamente sobre o atol, vários aviões americanos são, obrigados a desviar-se rapidamente da rota, para evitar internar-se na densa nuvem de fumaça negra que se eleva até as alturas, a mais de três mil metros. É o resultado da explosão de um petroleiro japonês que, atingido por uma bomba, arde furiosamente.

Mais ao sul, outra esquadrilha de torpedeiros americanos, paralelamente, atacava com êxito completo uma formação de barcos japoneses, conseguindo sete impactos diretos.

O balanço final da operação oferecia, pouco depois, um resultado alentador: quatro navios mercantes haviam sido definitivamente afundados, e outros quatro consideravelmente avariados. Dois cruzadores, também, sofreram avarias.

 

 

Armamento

Armas de fogo portáteis e peças de artilharia utilizadas pelas forças americanas na luta do Pacífico.

Pistola automática Colt, calibre 45

Pistola-metralhadora M3, calibre 45

Carabina Ml semi-automática, calibre 30

Fuzil Ml Garand semi-automático, calibre 30

Fuzil-metralhadora Browning

Metralhadora Browning, calibre 30

Metralhadora Browning, calibre 50

Lança-foguetes antitanque (bazuca) de 2,36 polegadas

Canhão antiaéreo de 20 mm

Canhão de tanque ou antitanque de 27 mm

Canhão antiaéreo de 37 mm

Canhão antiaéreo de 40 mm

Canhão antitanque de 57 mm

Morteiro de 60 mm

Morteiro de 81 mm

Morteiro de 4,2 polegadas (químico)

Obus de 75 mm Canhão de 75 mm

Canhão autopropulsado de 75 mm

Canhão autopropulsado de 90 mm

Obus M3 de 105 mm

Obus de 105 mm

Canhão autopropulsado de 105 mm

 

 

Quatro contra vinte

Dezembro de 1943. O 5o Grupo de Caças tem a seu cargo a proteção das forças de bombardeiros que atacam incessantemente os barcos japoneses. Ao dividirem-se os bombardeiros em dois grupos; os caças se vêem obrigados a fazer o mesmo, debilitando assim o seu poder ofensivo. E é por esse motivo que se produz um episódio dramático protagonizado por quatro Hellcats.

Os aparelhos americanos, já quase sem munição, giram em formação e começam a se afastar do teatro de operações. Encontram-se praticamente indefesos e sua permanência na zona pode acarretar sua destruição.

Os Hellcats aceleram e se distanciam do resto da formação. Voando asa junto a asa, tomam o rumo da base. Instantes depois, inesperadamente, ocorre o temido embate. Uma formação de vinte Zeros, voando a grande velocidade, se lança sobre os Hellcats de um bloco de nuvens que os ocultara até aquele momento.

A desproporção de forças, esmagadora, permitia supor uma rápida vitória japonesa. Contudo, os pilotos americanos, decididos a arriscar suas vidas até o último instante, contêm o ataque, enfrentando o inimigo.

Um dos chefes da formação, descrevendo a ação, declarou mais tarde: "Esta era uma equipe de primeira linha e sabia o que fazia. Seis Zeros se colocaram sobre cada uma de nossas seções de dois aviões cada uma, com dois dos seus aparelhos fazendo fogo continuamente contra cada seção. Quando nos dirigíamos contra eles, detinham-se violentamente e subiam num ângulo de sessenta graus. Aí éramos atacados pelos dois seguintes. Os Hellcats recorreram então ao protetor "entrelaçado de Thach" em que cada seção voava, indo e vindo, para proteger a outra. Tratava-se de atirar com tudo o que tínhamos, virar e voltar a repetir a mesma coisa. Atacávamos com tudo, era uma luta sem quartel. Não havia tempo para observar o que sucedia com os japoneses nos quais mirávamos. Eu teria dado dez anos da minha vida para ter outro canhão (tinha somente um em ação e minha alça não funcionava) e 5.000 pés mais de altura.

"Isso prosseguiu durante vários minutos até que um dos bastardos japoneses incendiou o avião de Si Satterfield, metralhando-o no exterior do seu entrelaçado. A última vez que vi Si, seus tanques da asa estavam ardendo, chegando as chamas até a metade da fuselagem, aparentemente fora de controle... Não sei porque não nos derrubaram a todos. É possível que o tivessem conseguido, se os seus artilheiros fossem melhores... ".

 

 

Owen e sua "Canoa"...

Dezembro de 1943. Os caças americanos sobrevoam a zona de combate em Kwajalein, entrecruzando-se várias vezes com os Zeros japoneses. Os aviões americanos, surpreendidos por uma formação japonesa muito superior em número, realizam manobras desesperadas para escapar à ação das metralhadoras inimigas.

Ed Owen, no comando de um Hellcat, se afasta da zona de luta, quando vê, muito perto dali, um aparelho americano mergulhando, seguido por um Zero. Atrás do primeiro avião japonês, segue outro, a pouca distância. Ed Owen compreende que seu companheiro está perdido. Os dois aviões japoneses metralham sem descanso o aeroplano americano. Este, assim como Owen, está quase sem munição. Indubitavelmente, está perdido. Ed Owen não vacila e gira rapidamente, lançando-se atrás dos dois aviões japoneses. É guiado mais pela intenção de distrair o inimigo que pelo interesse em derrubá-lo, pois sabe que suas munições se esgotarão na primeira descarga. Owen, porém, não trepida. O Zero, enquanto isso, toma altura e se precipita em direção a uma massa de nuvens. Owen, sem vacilar, mergulha atrás do japonês, com o motor acelerado a fundo. E então compreende que também está perdido...

Ocultos na massa de nuvens girando como um carrossel de morte, vários Zeros esperam a sua oportunidade. E a oportunidade para eles, chegou. Lançam-se sobre o avião de Owen, metralhando-o. O Hellcat, milagrosamente, continua voando apesar de sua fuselagem e suas asas estarem literalmente perfuradas pelos projéteis do inimigo. Um dos ailerons desapareceu e o outro não responde aos controles. Parte do trem de aterrissagem pende, destroçado pelas balas. O instrumental foi inutilizado e o motor, atingido, vasa óleo. Owen, no entanto, resistindo a abandonar o seu avião, continua voando e trata de aproximar-se da sua formação, que voltou a reunir-se.

Súbito, o rádio que Owen julgava destruído solta alguns ruídos e, logo então, a voz de outro piloto: "Você não espera aterrissar com essa canoa, não?''. Owen, sem responder, procura manter o aparelho em vôo e demonstrar que pode aterrissar. Porém é o avião que toma uma "decisão". O motor pára. O piloto, rapidamente, é obrigado a se lançar no espaço. Minutos mais tarde, salvo das águas por um destróier que acompanhara a queda, Owen é reconduzido ao porta-aviões Yorktown, sua base. Pouco depois, no comando de outro avião, estará outra vez no ar.

 

 

A formação dos pilotos navais americanos

A preparação dos pilotos navais dos Estados Unidos exigiu a intervenção ativa de técnicos nas mais diversas especialidades. Em primeiro lugar foram investigadores médicos que determinaram os limites de idade mais aptos para selecionar os aspirantes. Com base em inumeráveis trabalhos científicos, chegou-se à conclusão que as acelerações, mergulhos e mudanças de pressão são suportadas em melhores condições por indivíduos que se encontrem entre 18 e 26 anos. Estes foram, portanto, os limites fixados para o alistamento de aspirantes a pilotos navais.

Não houve preferências baseadas em regionalismos, nem em classes sociais. Somente as universidades e escolas superiores receberam, por parte das autoridades encarregadas do alistamento, um tratamento especial. De fato, nelas era possível recrutar homens jovens, muito aptos, física e intelectualmente. Depois de um exame psicofísico completo, os aspirantes eram incorporados à Escola de Pré-Vôo. No citado exame ficou comprovado que a maioria dos jovens recusados o foram por defeitos visuais, ocupando o daltonismo o primeiro lugar entre as causas da recusa. Outras das razões que motivaram o afastamento de muitos aspirantes, sem causas aparentes, foi a má implantação dentária. Efetivamente, a causa, aparentemente sem importância, o é, e muito, a partir do momento em que um correto alinhamento dos dentes é vital para suportar o aparelho de oxigênio.

Na Escola de Pré-Vôo, o aspirante recebia um treinamento essencialmente desportivo: cultura física, judô e defesa pessoal. Também, para incrementar o espírito de equipe, praticavam-se esportes tais como o futebol e o rugby.

Com referência à natação deve-se destacar que trinta por cento dos aspirantes não sabiam nadar. Em conseqüência, eram submetidos a um treinamento intensivo que lhes permitia, em pouco tempo, estar em condições de se manter flutuando durante horas e, também, nadar por baixo da água longos trechos, na previsão de ter que atravessar uma zona coberta pelas chamas.

O treinamento compreendia também noções militares, tais como instrução de tiro e manobras diversas.

O aspirante, aprovado nos cursos da Escola de Pré-Vôo, era enviado à Escola de Treinamento de Vôo Primário, onde ao longo de três meses aprendia a voar. Em seguida, durante catorze semanas, os homens passavam por um curso de Treinamento Intermediário, no qual aprimoravam sua técnica de vôo. Terminado este curso, eram submetidos ao exame final.. Perto de trinta por cento dos homens recebiam os seus diplomas de Oficiais Aviadores-Navais ou Pilotos Aviadores-Navais.

Imediatamente, aqueles que eram destinados a prestar serviço nos porta-aviões, eram treinados intensamente em decolagens e aterrissagens sobre navios que se encontravam parados ou em movimento. Esses navios eram cargueiros ou petroleiros preparados para porta-aviões auxiliares. Além disso, em pleno continente, em um lago do meio-oeste, foi preparado um local de treinamento, onde os pilotos praticavam decolagens e aterrissagens, além de tiro, bombardeio e torpedeamento de supostas belonaves inimigas.

A navegação era ensinada aos pilotos de forma prática e resumida, treinando-os para resolver os seus problemas de vôo concisa e simplesmente.

O reconhecimento dos aviões inimigos merece um parágrafo à parte. Obrigados os pilotos a identificar uma grande quantidade de aparelhos do adversário, as autoridades tiveram necessidade de contar com milhares e milhares de modelos em escala. E aí ocorreu então o insólito: foi feito um apelo a todos os meninos e adolescentes dos Estados Unidos a fim de que colaborassem com a aviação americana, construindo modelos em escala e entregando-os às autoridades. A resposta não se fez esperar; mais de 800.000 modelos foram assim construídos e cedidos pela juventude dos Estados Unidos.

 

 

 

 

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