Prossegue o avanço americano no Pacífico
Conquista de Roi
Namur e do atol de Eniwetok (nas Marshall)
Ataque à Truk
|
Simultaneamente com o ataque à ilha de Kwajalein, as forças americanas
haviam planejado levar a cabo a conquista do ilha de Roi Namur. No momento do
desembarque, Roi Namur era sede do maior aeródromo do atol de Kwajalein. A ocupação fora confiada à
4a Divisão de marines, comandada pelo General Harry
Schmidt. As tropas foram conduzidas até o objetivo pela Força-Tarefa 58,
capitaneada pelo Almirante Connolly. Esta frota contava com onze transportes
de ataque, três barcos de carga de ataque, um transporte de alta velocidade e
quinze LST (barcaças de desembarque de tanques). A força de escolta era
integrada por três encouraçados, dois cruzadores pesados, dez destróieres,
dois cruzadores leves, três porta-aviões de escolta, doze barcos
lança-foguetes e quatro navios caça-minas. Para desembarcar as ondas de
assalto nas praias, havia sido constituída uma flotilha de 280 Alligators e
75 tanques anfíbios. Como em Kwajalein, estava previsto que um dia antes do ataque a
Roi Nomur, seriam ocupadas uma série de pequenas ilhas adjacentes, para ali
instalar pontos de apoio de artilharia. As ilhotas haviam sido designadas com
os nomes chaves de Ivan, Jacob, Albert, Allen e Abraham. Em Roi Namur, os japoneses contavam com uma força de mais de
três mil homens, entre soldados e trabalhadores, sob o comando do Almirante
Michiyuki Yamada. A ilha estava melhor defendida que Kwajalein. Os japoneses
possuíam ali quatro canhões duplos de 12,7 cm para a defesa costeira, quatro
canhões de 37 mm, dezenove canhões de 13,2 mm, localizados em redutos
fortificados nas praias, dez canhões antiaéreos de 20 mm e uma extensa cadeia
de casamatas e ninhos de metralhadoras construídos em concreto. Além disso,
haviam sido edificados quatro grandes redutos de cimento armado e aço, que
seriam empregados como postos de luta e de comando ao mesmo tempo. Através de toda a ilha, foram escavados, também, fossos
antitanques. |
|
"Marines" ao assalto Nas primeiras horas da madrugada de 31 de janeiro, o
Appalachian, nave-capitânia do Almirante Connolly, seguido pelos restantes barcos
da Força-Tarefa, situou-se a poucas milhas a sudoeste das ilhotas Ivan e
Jacob. Às 6 h 51 m, o encouraçado Maryland apontou seus gigantescos
canhões para as posições inimigas e disparou as primeiras descargas. Segundos
mais tarde, juntaram-se ao fogo os outros barcos da frota. Durante quase meia
hora, a artilharia naval castigou com violência sempre crescente as posições
inimigas. O canhoneio foi interrompido durante oito minutos, para permitir
aos aviões descarregar suas bombas sobre Roi Namur. Uma vez completado o
ataque da aviação, a esquadra retomou o fogo e o sustentou, ininterrupto,
sobre a ilha. Às 9 h 17m, os Alligators que conduziam as unidades de marines,
precedidos por tanques anfíbios e barcos lança-foguetes, iniciaram o seu
avanço sobre a ilhota Jacob. A mil metros da costa, os LCI descarregaram em
salvas sucessivas os seus lança-foguetes. Os projéteis sulcaram o espaço com
terrível zumbido e caíram sobre as posições japonesas, semeando a destruição.
Minutos mais tarde os Alligators alcançavam as praias. Como se esperava, a
resistência japonesa foi praticamente nula. Após breve luta, os marines
aniquilaram, em ambas as ilhotas, trinta japoneses, capturando apenas dois.
Nas primeiros horas do tarde, já haviam sido montadas nas ilhotas baterias
americanas de 75 e 105 mm. Em seguida concretizou-se o ataque contra as
restantes ilhotas. Precedidos por caça-minas, os Alligators que transportavam
o 2o e 3o
Batalhões de Fuzileiros-Navais lançaram-se sobre a costa das ilhotas Allen e
Albert. Voltou aqui a produzir-se o mesmo devastador bombardeio pela aviação
e pela esquadra. Com matemática precisão e em coordenação perfeita,
castigaram duramente as posições japonesas. Pouco depois das três da tarde,
os marines já se achavam em terra e, após uma série de escaramuças,
eliminaram dez japoneses. Antes do cair da noite, já haviam sido montadas nessas ilhotas
baterias de canhões de campanha. O mesmo ocorreu na ilhota Abraham, também
facilmente conquistada. Ao concluir a jornada, os marines haviam capturado
todos os pontos adjacentes ao seu objetivo principal: Roi Namur. Quatro
batalhões de artilharia, munidos com peças de 75 e 105 mm, das ilhotas,
abriram fogo de regulagem. Em toda a operação, os marines somente haviam
sofrido dezoito mortos, oito desaparecidos e quarenta feridos. Haviam, por
sua vez, exterminado cento e trinta e cinco japoneses. Na noite de 31 de janeiro, cinco batalhões de marines já estavam
a postos nos barcos frente às praias de Roi Namur. De quando em quando, as bengalas
disparadas pelos destróieres iluminavam a zona de operações. Adiantando-se à
força de desembarque, amparadas pela escuridão, unidades de homens-rãs,
encarregadas de limpar as águas de obstáculos, iniciaram a sua tarefa. Esses
efetivos comprovaram que nas praias de Roi Namur não existiam praticamente
minas nem obstáculos de importância. O ataque O desembarque fora planejado da seguinte maneira: dois batalhões
de assalto do 23o Regimento de marines se lançariam sobre as
praias "Vermelho 2" e "Vermelho 3", no flanco esquerdo.
Outros dois batalhões de assalto do 24o Regimento de marines
assaltariam as praias "Verde 1" e "Verde 2", no flanco
direito. Às 6 h 50 m da manhã de 1o de fevereiro, os
encouraçados Santa Fé, Maryland, Indianápolis, Tennessee e Colorado e os
cruzadores Louisville, Mobile, Morris, Anderson, Biloxy, Mustin e Russell
abriram fogo. Um fragor ensurdecedor cobriu a zona de combate. Logo se
juntaram aos disparos da esquadra os estampidos dos canhões de campanha
montados nas ilhotas adjacentes. O bombardeio naval e da artilharia de
campanha se prolongou até às 10 h 26 m da manhã. A essa hora tudo cessou,
para ceder a vez ao ataque dos aviões. Os bombardeiros de mergulho, caindo do
alto sobre as posições japonesas, destruíram-nas uma por uma com suas bombas.
As metralhadoras desses aparelhos, também, cobriram o inimigo com seu fogo.
Roi Namur ficou então envolta numa gigantesco massa de fumaça. Entrementes, as forças de desembarque haviam enfrentado
dificuldades, e foram obrigadas a adiar o ataque. Pouco mais tarde, às onze,
foi dada a ordem definitiva do assalto. À frente navegaram os barcos lança-foguetes, espalhando a
destruição. Às 11 h 33 m os tanques anfíbios do 1o Batalhão de
marines se lançaram à praia "Vermelho 2", e varreram com o fogo dos
seus canhões de 37 mm e suas metralhadoras a zona de desembarque. Atrás deles
subiram a terra os Alligators. Em vinte minutos, as duas primeiras levas de
assalto estavam em terra firme. A mesma operação se repetiu, pouco mais
tarde, nas restantes praias. Conquista de Roi A ilha de Roi Namur era, em realidade, uma massa de origem
coralífera formada por duas ilhas unidas entre si por uma franja de areia. A
da esquerda, Roi, era sede do aeródromo. Ali se efetuou o ataque do 1o
e 2o Batalhões do 23o Regimento, com a massa dos
blindados. Ao descerem a terra, os tanques se movimentaram em linha e
penetraram rumo ao interior, batendo o terreno com o fogo dos seus canhões.
Atrás deles marchava a infantaria. A resistência era praticamente nula. Em
menos de meia hora os tanques alcançaram o ponto marcado como primeiro
objetivo, situado a trezentos metros da costa. Uma vez conquistado o primeiro ponto predeterminado, diante da
falta de resistência, os americanos continuaram internando-se para o norte.
Pouco depois da uma da tarde, o Coronel Jones, que instalara o seu posto em
terra, enviou uma mensagem ao General Schmidt, comandante-chefe das forças de
assalto: "Não há resistência nas proximidades da praia. Somente fogo
esporádico de metralhadoras em nosso flanco direito. As tropas de assalto
cruzaram a linha do primeiro objetivo. Dê-nos autorização e tomaremos o resto
da ilha". O General Schmidt, porém, considerou necessário fazer uma
pausa no combate para reorganizar as forças, e somente autorizou a retomada
do ataque duas horas mais tarde. No ínterim já havia desembarcado o 3o
Batalhão, mantido em reserva. As tropas retomaram a marcha e encontraram uma
resistência mais intensa. Alguns redutos japoneses bloquearam temporariamente
o avanço americano. Deslocando seus canhões de 37 mm, e com o apoio de peças de 75,
montadas em veículos semilagartas, os marines destruíram rapidamente os
posições inimigas. Às cinco da tarde, as unidades do 2o Batalhão
alcançaram a costa oposta da ilha. Uma hora mais tarde, sobre o outro flanco,
o 1o Batalhão também chegava à costa. Assim, no transcurso da
jornada, o 23o Regimento conseguira, praticamente, completar a
ocupação de Roi. Só alguns pequenos focos de resistência permaneciam nas mãos
dos japoneses, no centro do aeródromo. Estes seriam rapidamente eliminados na
jornada seguinte. Uma vez mais ficara demonstrada a terrível eficácia do
bombardeio prévio aeronaval, e, praticamente, as forças japonesas foram
aniquiladas por ele. A ocupação de Namur Ao contrário de Roi, cuja superfície se achava quase totalmente
livre de obstáculos, Namur apresentava uma densa vegetação e numerosos
edifícios, cujos ruínas serviriam aos japoneses para oferecer obstinada
resistência ao desembarque americano. As tropas do 2o e do 3o Batalhões do 24o
Regimento de marines assaltaram as praias "Verde 1" e "Verde
2" entre as 11 e 12 horas do dia 1o de fevereiro. A
resistência inimiga foi, no princípio, débil e desorganizada. Depois, a
despeito do devastador bombardeio aeronaval, os japoneses que sobreviveram
mantinham suas posições e dificultavam o avanço americano. Por volta da uma da tarde, os marines, vencendo a resistência
japonesa, haviam ocupado a metade da ilha. Foi então que se produziu um
inesperado acidente que deteve a marcha das unidades aliadas: uma gigantesca
explosão sacudiu toda a ilha. Uma coluna de fumaça se ergueu a mais de
trezentos metros, cobrindo paulatinamente toda a frente. O cheiro produzido
pela deflagração era tão acre e intenso que, nas linhas americanas, se acreditou
provir da explosão de um depósito de gases asfixiantes. O pânico então se
generalizou, não somente na primeira linha, mas também na retaguarda
americana. Uma chuva de pedras, pedaços de concreto, fragmentos de madeira e
metal caiu sobre os tropas, causando mais de vinte mortos e numerosos feridos
entre os americanos. A explosão fôra causada por um grupo de marines que
jogaram uma carga explosiva num depósito de torpedos, sem o saber. Em
conseqüência da catástrofe, as comunicações ficaram interrompidas entre as
diferentes unidades. Os japoneses, aproveitando a situação, submeteram as
forças americanas a um intenso fogo de metralhadoras que lhes causou baixas. Às 1 6 h 30 m, o comandante do 24o Regimento emitiu a
ordem de ataque aos seus dois batalhões de assalto. Começou assim a luta
final pela conquista de Namur. No flanco esquerdo, o 3o Batalhão encontrou uma
resistência encarniçada. Os japoneses, aproveitando a pausa provocada pela
explosão do depósito de torpedos, reorganizaram suas linhas. Os combatentes
se empenharam em localizar mais eficazmente suas armas, transportando os
feridos para fora das linhas de combate, carreando munições às posições
avançadas e empilhando granadas ao alcance da mão. Na confusão da luta, as comunicações entre os tanques e a
infantaria americana se tornaram difíceis. Os blindados, adiantando-se às
tropas que deviam apoiar, se internaram em terreno inimigo, combatendo
independentemente. Nessas circunstâncias, um dos tanques, o do chefe do
grupamento blindado, ficou isolado, fato de que se aproveitaram seis soldados
japoneses para pular do matagal e lançar-se sobre o veículo. Um dos japoneses
lançou então uma granada através do visor do condutor, matando este e o
comandante do tanque. Nesse momento apareceu um pelotão de marines que varreu
os atacantes com suas metralhadoras, salvando o resto da tripulação do
blindado. Assim, em meio a um combate confuso, a noite chegou, sem que os
soldados americanos pudessem alcançar a costa norte de Namur. Às 19 h 30 m
deu-se a ordem às diversas unidades para que se entrincheirassem e formassem
um perímetro defensivo. Os infantes, rapidamente, cavaram trincheiras e se
dispuseram a passar a noite. Na escuridão, os infantes começaram a perceber rumores
provenientes dos soldados japoneses que haviam ficado na retaguarda das
linhas americanas. Na frente, ao mesmo tempo, cerca de cem japoneses se
lançaram em uma carga suicida, em grupos de dez ou vinte homens. Travou-se,
então, uma feroz luta corpo a corpo que se prolongou por meia hora. Nesse
curto lapso, os japoneses foram aniquilados. Ao despontar o sol, apoiados por tanques Sherman, os batalhões
se puseram novamente em marcha, exterminando os poucos japoneses que ainda
sobreviviam. Pouco depois das onze da manhã, os efetivos americanos alcançaram
a costa. Às 12 h 15 m, os soldados do 1o Batalhão, do Coronel
Dyess, assaltaram o último reduto. Dyess dirigiu a operação da primeira linha
e tombou ferido de morte por uma rajada de metralhadora. Dessa forma, com a conquista de Roi Namur, a luta se concluiu.
No transcurso dos combates, a força de marines havia sofrido 737 baixas,
entre as quais contavam-se 190 mortos. A operação contra Eniwetok A rápida captura de Kwajalein e Roi Namur permitiu ao Almirante
Nimitz adiantar a organização do ataque previsto contra o atol de Eniwetok,
último baluarte que restava aos japoneses no arquipélago das Marshall. Foi
fixada como data para essa operação o dia 17 de fevereiro. A força de ataque,
sob as ordens do Almirante Hill, consistia em onze transportes e nove LST
(barcaças de transporte de tanques), além da escolta, com três encouraçados,
três cruzadores pesados e vinte destróieres. O apoio aéreo seria dado por uma
frota integrada por um porta-aviões pesado, dois leves e três de escolta. As
tropas de assalto designadas para a expedição eram integradas pelo 106o
Regimento de Infantaria do exército e pelo 22o Regimento de
marines. As duas unidades participavam, pela primeira vez, em uma operação
bélica. O comando das tropas, que somavam ao todo 7.900 soldados, estava a
cargo do General Thomas Watson. Para o desembarque foi constituída uma
flotilha de 106 Alligators e 30 Ducks. Os objetivos a atacar eram, em primeiro lugar, a ilha de Engebi,
que seria ocupada pelos fuzileiros-navais; em segundo lugar, a ilha de
Eniwetok, que seria atacada pelas tropas do exército, e, finalmente, a ilha
de Parry. Nessas posições os japoneses contavam com uma força de 3.500
homens, entre soldados e pessoal auxiliar. Aguardava-se por parte dessas
guarnições uma tenaz resistência. Para cobrir a operação contra Eniwetok,
Nimitz, comandante supremo no Pacífico Central, resolveu desferir antes um
ataque de surpresa com seus porta-aviões contra a principal base japonesa no
Pacífico: Truk. Essa incursão foi também decidida pelo chefe americano, ao
receber uma série de fotografias tiradas sobre Truk por bombardeiros
Liberators, onde aparecia fundeado ali o grosso da frota japonesa. Foi
incumbida da missão de ataque a Força-Tarefa 58. Pela primeira vez, a marinha
americana se lançaria ao assalto contra o "Gibraltar do Pacífico". A 12 de fevereiro, a frota americana se fez ao mar, rumo ao
objetivo. A força era integrada por cinco porta-aviões pesados, quatro leves,
seis encouraçados, dez cruzadores e vinte e oito destróieres. Bombas sobre Truk Depois de reabastecer seus navios em alto-mar, Mitscher se
aproximou de Truk nas primeiras horas de 17 de fevereiro. Sua presa, contudo,
havia escapado. O Almirante Koga, chefe do marinha imperial, alertado pelos vôos
de reconhecimento dos aviões americanos, havia retirado a sua esquadra para
bases situadas mais ao oeste. Ele mesmo abandonou Truk a bordo do gigantesco
encouraçado Mushashi. Nos porta-aviões americanos foi dada a ordem de decolar. Em
primeiro lugar, subiram os caças. Os Hellcats abriram passagem através da
resistência oferecida pelas formações japonesas. Os aviões americanos
conseguiram uma vitória retumbante. Sobre um total de 365 aparelhos japoneses
distribuídos nos quatro aeródromos de Truk, os americanos destruíram 128; 56
no ar e 72 em terra, contra a perda de apenas 25 aviões. Em seguida, os
bombardeiros de mergulho atacaram as bases, destruindo as instalações e
bombardeando, também, os navios mercantes ancorados nas costas, afundando 24.
Ainda, as belonaves da esquadra entraram em luta com suas similares
japonesas. Os marinheiros japoneses, com sua bravura tradicional, enfrentaram
os gigantescos encouraçados americanos. No transcurso dessa luta desigual, os
japoneses perderam dois cruzadores leves, quatro destróieres, três cruzadores
auxiliares, dois barcos "mãe" de submarinos e outras unidades
menores. Ao todo, a frota de Mitscher enviou ao fundo do oceano 200.000
toneladas de naves de guerra e mercantes japonesas. No dia seguinte, os
aviões de Mitscher voltaram a sobrevoar Truk, sem que nenhum aparelho japonês
os interceptasse. Assim, com um golpe arrasador, os americanos haviam posto
fora de ação o "Gibraltar do Pacífico". Um comunicado da rádio de
Tóquio assinalou as graves conseqüências dessa operação. Sem nada ocultar a
informação oficial declarava: "Uma bem dotada Força-Tarefa americana
apresentou-se inesperadamente frente à nossa importante base estratégica de
Truk e atacou repetidamente com poderosas formações de aviões embarcados em
porta-aviões. O inimigo efetua constantemente seus reides contando com várias
centenas de caças e bombardeios... A situação da guerra alcançou uma
gravidade sem precedentes... O ritmo das operações inimigas assinala que os
forças americanos se encontram já assediando nossa zona vital". Novamente ao assalto Enquanto as esquadrilhas americanas atacavam Truk, outro grupo
de porta-aviões se dirigiu diretamente a Eniwetok. Ali, a 16 de fevereiro,
desfecharam um devastador ataque contra as bases japonesas. O aeródromo da ilha de Engebi foi arrasado. Catorze aviões foram
destruídos em terra. Na manhã do dia seguinte, 17 de fevereiro, chegou a
esquadra de invasão. A bordo do seu navio-capitania, o Cambria, o Almirante
Hill emitiu as últimas instruções. Em primeiro lugar, assim como em Kwajalein
e Roi Namur, teriam de ser capturadas as ilhotas adjacentes à ilha de Engebi,
para utiliza-las como plataforma de tiro para a artilharia de campanha. Pouco depois das seis da manhã, os encouraçados e cruzadores
deram início ao bombardeio prévio. O terrível canhoneio se prolongou durante
horas, interrompido brevemente para dar lugar aos ataques da aviação. Grupos
especiais de ataque desembarcaram nas ilhotas designadas como Canna e
Camellia, sem achar nenhuma oposição. Imediatamente, os Ducks transportaram
para ali, ns baterias de 75 e 105 mm. Às sete da noite, os canhões abriram
fogo contra Engebi, somando-se ao bombardeio da esquadra. O fogo alcançou,
durante a noite, violenta intensidade. Cada canhão atirou com um ritmo de dois
disparos por minuto. Milhares de línguas de fogo sulcaram as trevas,
evidenciando que a mortal chuva de fogo e aço continuava o cair, sem
interrupção, sobre as posições japonesas. Em meio às sombras, deslizando dos barcos até as proximidades da
costa, lanchas rápidas deixavam cair na água botes de borracha, que eram
imediatamente ocupados por homens-rãs. A mais ou menos 40 metros da praia,
desafiando o fogo das metralhadoras japonesas, esses homens mergulharam e se
aproximaram a nado, comprovando que não existia obstáculo algum à aproximação
das naves americanas. Ao despontar o dia, os soldados do 22o Regimento de
marines subiram nos Alligators e partiram rumo às praias. Dois batalhões se
aproximariam das praias "Branco 1" e "Azul 3". Um
terceiro batalhão se manteria na reserva. Interviriam também no ataque uma
companhia de tanques Sherman e canhões autopropulsados. Das seis até às oito
da manhã, a esquadra redobrou o bombardeio. A partir das oito, a barreira de
fogo da artilharia foi deslocada para o interior da ilha, enquanto a aviação
bombardeava as praias. Toda a zona vizinha ao mar ficou coberta com uma
cortina de fumaça. Para lá, então, se dirigiram os Alligators e os tanques
anfíbios, enquanto os barcos lança-foguetes lançavam descarga após descarga de
projéteis. Poucos minutos antes das nove da manhã, os veículos anfíbios
norte-americanos emergiram da água e se internaram na ilha. Então, os
fuzileiros saltaram para terra, deslocando-se rapidamente pelo terreno
conquistado. Atrás deles vieram as lanchas de desembarque de tanques.
Baixando suas rampas, trataram de lançar em terra, com grande rapidez, os
blindados que transportavam. A resistência japonesa praticamente era
inexistente. Aqui e acolá, algum atirador japonês, ainda tonto pelo terrível
bombardeio, surgia entre os escombros e ensaiava uma ameaça de resistência. A
conseqüência não se fazia esperar: era imediatamente alvejado por dezenas de
armas de fogo. O 2o Batalhão desembarcou pelo flanco esquerdo, atravessou
as pistas do aeródromo e, às 9 h 25 m, alcançou a costa norte da ilha. O 3o Batalhão, mantido na reserva, desembarcou,
então, e deu começo à difícil tarefa de limpar o terreno conquistado pelas
unidades de assalto. A única resistência organizada foi encontrada pelos
americanos no flanco direito. Ali, no cabo denominado Skunk Point, um forte
contingente japonês ofereceu furiosa resistência. Com seu legendário
heroísmo, os soldados japoneses, semidesnudos e desprovidos de munições,
lutaram duramente a arma branca, defendendo cada palmo do terreno e
disputando-o contra uma força mil vezes superior. O resultado final não podia
ser outro senão o aniquilamento dos japoneses. E foi o que ocorreu. Às 14 h
50 m, aproximadamente seis horas depois que o primeiro fuzileiro-naval
desembarcara, a ilha de Engebi estava totalmente nos mãos dos americanos. A
tática de terra arrasada havia, novamente, dado o resultado esperado, com uma
extraordinária economia de vidas. Apenas 85 marines haviam morrido e 521
ficaram feridos. Os japoneses, como sempre, lutaram até o último homem,
honrando a sua tradição guerreira. Nas areias de Engebi, 1.276 soldados
japoneses jaziam mortos. Haviam tombado com as armas na mão. Somente 16 foram
capturados com vida. Cai Eniwetok Às sete da manhã de 18 de fevereiro, os destróieres americanos
tomaram posições na linha de tiro frente à ilha de Eniwetok, disparando os
seus canhões praticamente a queima-roupa. Em seguida, apareceram 102
Alligators conduzindo os soldados do 106o Regimento de Infantaria
para as praias. Nuvens de aviões cobriam o céu, descarregando incessantemente
as suas bombas e metralhando as posições japonesas. Pouco depois das nove da manhã, os Alligators atingiram a costa.
Ali, contudo, depararam com um sério obstáculo. O terreno se elevava, na
beira da praia, apresentando um desnível. Os Alligators ficaram atolados
nessa barreira natural. Saltando dos veículos, os soldados caíram sob o mira das
metralhadoras japonesas. Granadas e disparos de morteiros atingiam em cheio
os veículos. Uma densa rede de trincheiras, construídas em forma de teia de
aranha, permitia aos japoneses transladarem-se de um ponto a outro,
protegidos do fogo americano, atacando assim, de surpresa e de diversos
ângulos, o inimigo. Grupos de sapadores, utilizando explosivos, aplainaram o terreno
para permitir a passagem dos tanques. Também foram transportados para o local
canhões de 57 mm. Com o apoio dessas armas, os dois batalhões de assalto
conseguiram, às 13h 30m, estabelecer uma firma cabeça-de-ponte. Os reforços que desembarcavam nas praias depararam com um grande
congestionamento de veículos. Três barcaças que conduziam tropas caíram sob o
fogo das metralhadoras e morteiros japoneses. Impossibilitadas de manobrar,
as embarcações foram atingidas por inúmeros projéteis. De 53 soldados
transportados, 20 pereceram e 15 ficaram feridos. Entrementes, os batalhões
de assalto avançavam rumo ao interior, encontrando forte resistência. Ao meio-dia,
os japoneses desfecharam um violento contra-ataque. No centro da linha
americana, o assalto foi precedido por uma barreira concentrada e sumamente
intensa de disparos de morteiros e metralhadoras. Amparados pela cortina de
fogo, os japoneses arremeteram a baionetas e granadas, e conseguiram superar
os efetivos americanos. A fanática investida foi finalmente desfeita pelo
fogo das metralhadoras pesadas localizadas na retaguarda das linhas avançadas
americanas. Novos intentos foram realizados pelos japoneses para romper as
linhas inimigas. Sobre o flanco esquerdo americano, um contingente armado com
punhais e granadas lançou-se ao assalto. O choque se converteu numa confusão
de intensos combates corpo a corpo. Os japoneses, uma vez mais, foram
aniquilados. Às 12 h 45 m, o Coronel Ayers, chefe da força de invasão,
ordenou que um batalhão de fuzileiros-navais que se mantinha em reserva,
fosse desembarcado. A furiosa resistência japonesa convencera os americanos
de que era necessário lançar todos os seus efetivos no luta. Duas horas mais
tarde, os marines haviam completado o seu desembarque e estavam prontos para
entrar em combate. A chegada de reforços acelerou os movimentos. Os marines se
movimentaram, atacando sem trégua, sobre o flanco direito. Ao cair da noite
haviam atingido o último centro de resistência no extremo ocidental da ilha. Paralelamente, as tropas do 106o Regimento de
Infantaria receberam ordem de continuar combatendo durante a noite, para
completar o cerco das tropas japonesas nesse setor. Com a escuridão, os japoneses contra-atacaram, sendo rechaçados
com grandes perdas. Um grupo de trinta soldados japoneses conseguiu
infiltrar-se e alcançou o posto-de-comando dos marines. Após sangrenta luta,
os japoneses foram exterminados. Vitória americana No dia 20 de fevereiro se travaram os últimos combates no
extremo ocidental de Eniwetok. Durante essa jornada, os marines e a
infantaria, apoiados por tanques Sherman e Stuart, reforçados por canhões
autopropulsados, eliminaram os últimos grupos de combatentes japoneses nesse
setor. Nos dias seguintes, a após cruenta luta, completou-se a limpeza de
quase toda a ilha. Restava ainda um importante baluarte em mãos dos japoneses, no
atol. Era a ilha de Parry. Ali se encontrava o grosso das forças japonesas,
sob o comando do Major-General Yoshimi Nishida. Os americanos receberam
informes de que ali se achava o principal contingente japonês. Por essa
razão, foi intensificado o bombardeio prévio, prolongando-se durante três
dias seguidos. Mais de 1.300 toneladas de bombas foram lançadas durante o
operação pela marinha e a aviação. A missão de ataque foi confiada ao 22o Regimento de
Fuzileiros-Navais. Dois batalhões se lançariam sobre as praias "Verde
2" e "Verde 3". O plano visava a ocupação imediata do extremo
norte da ilha. Os marines avançariam resolutamente em direção à outra costa,
enquanto a artilharia da esquadra estenderia uma barreira de contenção sobre
os flancos desse avanço, para impedir as tropas japonesas sediadas no sul do
ilha de acudir em auxílio das atacadas. O ataque se iniciou na madrugada de 22 de fevereiro, com as
descargas cerradas dos encouraçados Tennessee e Pennsylvania e dos cruzadores
de escolta. As primeiras tropas alcançaram as praias às nove da manhã. Um
violento fogo de morteiros e metralhadoras as recebeu. Os tanques anfíbios
replicaram com seus canhões de 37 mm, silenciando as bocas de fogo inimigas.
Os fuzileiros, então, se lançaram a baioneta contra as dunas onde se
entrincheiravam os japoneses sobreviventes. À medida que avançavam, os
americanos comprovavam que as defesas japonesas tinham o mesmo caráter
labiríntico que em Eniwetok. Os marines optaram, como melhor método, por um
ataque em três fases. Em primeiro lugar, equipes de tanques e infantaria
arremetiam para a frente, penetrando nas posições japonesas. Atrás deles
seguiam destacamentos lança-chamas e de demolição que destruíam,
sistematicamente, cada refúgio, cada trincheira e cada casamata. Mais atrás,
grupos de atiradores, armados de granadas e metralhadoras, eliminavam os
escassos sobreviventes japoneses. Estes, porém, continuaram resistindo,
principalmente no flanco sul. Desse setor, suas baterias de 77 mm abriram um
fogo violento, disparando mais de 1.000 obuses sobre as fileiras dos marines.
Dada a grave situação, o comando americano resolveu correr o risco
representado pelo fogo da esquadra dirigido sobre esse setor, pois as
granados dos barcos podiam atingir seus próprios homens. Foi assim que as
descargas dos canhões navais de cinco polegadas varreram em curto prazo os
restos das forças japonesas e suas baterias. Às 13 h 30 m, o 2o Batalhão havia alcançado o extremo
norte da ilha de Parry. Em seguida se iniciou o luta no sul, precedida por
uma infernal barreira de artilharia que se prolongou durante quinze minutos.
Os tanques, em formação, empreenderam o avanço, seguidos a curta distância
pelos tropas. Metro por metro, o terreno foi conquistado, numa série de
ininterruptos choques com grupos isolados de japoneses que preferiam a morte
a entregar-se. Às 19 h 30 m, os exaustos marines atingiram o extremo sul da
ilha de Parry. A vitória era total. A 23 de fevereiro, o grosso das forças
americanas foi conduzido novamente para bordo dos transportes. Terminava
assim mais uma etapa na sangrenta marcha rumo a Tóquio. Com a conquista do
atol de Eniwetok, todo o arquipélago das Marshall passou para mãos
americanas. Anexo Lição sangrenta O ataque contra Tarawa
constituiu o primeiro grande assalto anfíbio realizado pelas forças
americanas contra uma costa fortemente defendida. Os fuzileiros-navais
pagaram um sangrento preço por essa experiência. Contudo, os chefes
americanos consideravam que, apesar das tremendas baixas, a operação teve uma
influência decisiva no desenrolar da guerra, pois permitiu que se extraíssem
lições definitivas sobre os métodos e táticas de combate empregados, mais
tarde, no ataque às ilhas Marshall e aos restantes arquipélagos do Pacífico.
A crônica oficial americana assim detalha os erros cometidos e as falhas
comprovadas no ataque a Tarawa: Apoio Naval -
Foi unânime a opinião que as três horas reservadas ao bombardeio preliminar
da esquadra resultaram insuficientes. As esperanças de que o fogo dos barcos
de guerra e o bombardeio da aviação "arrasariam" o objetivo,
demonstraram ser falsas. Apesar de terem sido despejadas mais de 3.000
toneladas de explosivos sobre a ilha de Betio imediatamente antes do
desembarque, a maior parte das armas japonesas se encontravam ainda em
funcionamento quando as tropas alcançaram a costa. A dificuldade residiu no
fato de que existiam demasiados alvos para destruir em relação ao tempo
determinado para o bombardeio. Os barcos de guerra apenas puderam dirigir
fogo concentrado de precisão sobre alvos perfeitamente identificáveis, como
as baterias da defesa costeira e as baterias antiaéreas. Se o bombardeio de
preparação se houvesse prolongado por mais tempo, os barcos teriam podido
espaçar os disparos para observar os resultados do mesmo, e isso teria,
indiscutivelmente, aumentado a sua efetividade. Como as coisas ocorreram, os
barcos tiveram que limitar-se, simplesmente a efetuar um bombardeio
generalizado, sem poder determinar com precisão que quantidade de canhões
inimigos haviam sido efetivamente postos fora de ação. A solução para o
deficiente fogo da esquadra, tal como se revelou em Tarawa, era simples. Para
que os barcos de guerra pudessem apoiar eficazmente as operações de
desembarque, teriam, dali em diante, que descarregar um bombardeio lento e de
precisão contra alvos selecionados e manter, ao mesmo tempo, uma cuidadosa
observação dos danos causados com suas rajadas. Outra conclusão foi que a
esquadra utilizou no bombardeio uma proporção insuficiente de projéteis
perfurantes de grande calibre. Contra as casamatas de concreto, reforçadas
com vigas de aço, da ilha de Betio, os projéteis antiaéreos de cinco
polegadas e os explosivos de seis polegadas tiveram muito pouco efeito.
Chegou-se à conclusão de que, nas futuras operações, seria dada maior ênfase
ao fogo dos canhões pesados dos encouraçados e à utilização, em proporção
maior, de projéteis perfurantes. Apoio Aéreo -
O aspecto mais desalentador das ações em Tarawa foi constituído pelo
inadequado apoio prestado pela aviação à operação de desembarque. Esta falha
foi causada, ao mesmo tempo, pelas deficientes comunicações, pela ineficaz
coordenação nos ataques e pelo escasso adestramento dos pilotos dos
porta-aviões. Os pilotos experimentaram consideráveis dificuldades em
localizar os alvos que lhes solicitavam destruir, tanto antes como depois do
desembarque. Tornou-se evidente que não haviam sido suficientemente
preparados, e que careciam de conhecimentos adequados sobre as técnicas
empregadas por forças de desembarque em operações anfíbias. Comunicações -
A interrupção das comunicações na nave capitânia - o encouraçado Maryland -
em diversos momentos de importância crítica, assinalou claramente a
necessidade de contar, nas futuras operações anfíbias, com barcos de comando
especialmente construídos e equipados. Os transmissores, receptores e antenas
do Maryland estavam de tal forma sobrecarregados, que interferiam-se
mutuamente. Além disso, vários dos seus equipamentos de comunicação
resultaram completamente inutilizados pelo abalo dos disparos dos seus
próprios canhões. Armas -
Os tanques leves se mostraram, em geral, incapazes de cumprir com as missões
que lhes foram confiadas. Em Tarawa, o canhão de 37 mm que estava montado
sobre os tanques leves, demonstrou ser virtualmente inútil na tarefa de
destruir as casamatas e outros redutos do inimigo. Chegou-se à conclusão que,
nas operações futuras contra os japoneses, o tanque leve devia ser
substituído pelo médio, armado com um canhão de 75 mm. Talvez a arma mais
valiosa tenha sido o lança-chamas. Na luta contra as casamatas e redutos
japoneses, os lança-chamas, despejando torrentes de fogo pelos visores e
aberturas, renderam um serviço extraordinário. Por isso chegou-se à conclusão
que, dali em diante, cada pelotão de infantaria deveria ser equipado com uma
arma desse tipo. Ao mesmo tempo tornou-se evidente a conveniência de contar
com tanques providos de lança-chamas de grande capacidade. Truk, o atol
misterioso A 12 de fevereiro de
1944, uma importante parte da Força-Tarefa 58 partiu da base de Majuro e
rumou para o sudeste. O destino, ignorado por todos, salvo pelo Almirante
Mitscher e seu estado-maior, foi revelado 48 horas depois da partida. A
notícia causou sensação. O objetivo era Truk. Desde a época anterior à
guerra, Truk era um mistério. Artigos jornalísticos referiam-se ao atol,
denominando-o "Truk, o atol misterioso" e "Truk, isolado do
resto do mundo há um quarto de século". Truk, em realidade, era uma
Singapura, eriçado de canhões e defendido por poderosas forças de aviação O atol de Truk era,
efetivamente, um mistério para todos. Depois da Primeira Guerra Mundial, o
atol, possessão alemã, foi entregue ao Japão, com proibição de ali se
construírem fortificações. Contudo, o mistério que logo envolveu a nova
possessão japonesa, fez pensar que algo estranho acontecia ali. De fato, os
ocasionais náufragos que, em diferentes circunstâncias, haviam chegado até
lá, foram rapidamente postos fora da zona e embarcados para outros pontos.
Outros visitantes e mesmo marujos que demonstraram evidentemente ter chegado
até ali por vontade própria, sofreram estranhos acidentes e desapareceram
misteriosamente. Se algum deles viu algo, nunca se pôde saber.
Geograficamente, Truk é um atol diferente dos demais. É, ao mesmo tempo,
atol, arquipélago e montanha. É, em resumo, uma formidável fortaleza natural
que bastava ser artilhada para converter-se num ponto fortificado de
extraordinária importância. E foi isso que os japoneses fizeram. Converteram
Truk em um obstáculo impressionante interposto na rota da frota americana
para o Japão. “E foram Quatro...” O piloto americano
Robert Duncan, do porta-aviões Yorktown, relata os combates aéreos que
sustentou sobre a base nipônica de Truk. "As 13 horas do
dia D menos um, decolei com uma equipe formada por mim, Burnett, Merrill e
Schiller, escoltando aparelhos VT e VB (aviões torpedeiros e bombardeiros)
até o alvo. Voávamos protegendo a retaguarda. "Em certo momento
descobri perto de dez a quinze Zekes [caças Zeros] que se dirigiam para nós,
da direção do sol, e numa altura de 20.000 pés, enquanto nós estávamos a
14.000. Minha seção e a de Merrill começaram a entrelaçar-se. Um Zeke se
aproximou de mim e Burnett; ele se acercava pela esquerda, em boa posição
para um piquê de grande altura, porém, em vez de fazer isso, preferiu dar uma
volta e aproximar-se de forma invertida. Imediatamente virei para o interior,
ficando por baixo dele, sendo impossível que me acertasse. Conseguiu atingir
o avião de Burnett, atrás da torre, no leme de elevação. "Quando o Zeke
voou sobre nós, me dirigi para ele, e quando retomava sua posição, pude
“pegá-lo” com uma porção de tiros. Logo começou a arder. (E foi um...) .
Outro Zeke retomou sua posição quase diretamente sobre mim... Eu atirei por
trás e de certa distância, mas errei. Ele fez um giro e se dirigiu para mim.
Quando passava, virei, disparei, e ele se incendiou. (E foram dois...). Outro
Zeke ainda procurou colar na minha cauda, pela esquerda e por cima. Aproei
para ele e iniciamos várias tentativas de mútua eliminação. Em duas
oportunidades ele fez fogo, mas as balas se perderam atrás de mim. Então
resolveu afastar-se e esquecer o assunto [assim pensava eu] e se dirigiu para
umas nuvens que estavam a 4.000 ou 5.000 pés. Porém me encontrei novamente
com ele aos 8.000 pés; me aproximei rapidamente pela sua cauda fazendo fogo
continuamente. "Ao passar por
cima do Zeke, ele explodiu em chamas. (E foram três...). O único movimento
que o piloto japonês havia atinado realizar para me iludir, consistiu em
virar suavemente para a direita. Não teve, portanto, a menor escapatória. Ao
livrar-me do meu rival, me afastei confuso, e quando dei novamente acordo de
mim me encontrava a uns 4.000 pés... Subi novamente, com a maior rapidez
possível, até 8.000 pés, para então ver outro Zeke que se aproximava de mim a
300 pés de altura... Nos acercamos um ao outro de proa. Nos encontrávamos
ainda bastante separados, quando ele lançou uma curta rajada contra mim.
Depois interrompeu o fogo. Continuava avançando diretamente contra mim e eu
abri fogo com minhas metralhadoras da direita (as do lado esquerdo
engriparam). No preciso momento em que parecia que nos chocaríamos de ponta,
ele caiu... Descendo rapidamente, comecei o giro para atacá-lo outra vez,
porém, evidentemente eu havia atingido o piloto. Lentamente o Zeke iniciou
uma espiral pela direita e, finalmente, espatifou-se... (E foram quatro...)
". Caças Jiro Hokiroshi, o
engenheiro aeronáutico japonês que projetou o célebre caça Zero expõe a sua
opinião acerca do valor dos aparelhos de combate americanos. "Visto ter a força
aeronaval japonesa efetuado longos e intensos preparativos para alcançar a
superioridade, tanto numérica como qualitativa, desde muito antes da eclosão
da guerra, foi possível para nós conseguir esses dois objetivos nas etapas
iniciais da luta. Em pouco tempo, no entanto, o inimigo foi diminuindo a
nossa superioridade numérica e, um ano depois do início da guerra, nossa
superioridade em qualidade estava em vias de desaparecer... O primeiro caça
monomotor americano que desafiou a superioridade do Zero foi o Chance Vought
F4U Corsair. No princípio, nossos ser- viços de inteligência identificaram
este caça como um aparelho baseado em porta-aviões que, por seu deficiente
rendimento nas aterrissagens sobre a coberta, não podia ser considerado como
um rival temível. No entanto, as principais contra-ofensivas americanas
lançadas de Guadalcanal favoreceram o emprego do avião em, vista da
disponibilidade de bases terrestres. "Num curto
período, as excelentes qualidades do Corsair se fizeram perfeitamente evidentes,
e o inimigo incrementou rapidamente suas esquadrilhas de Corsair na campanha
das Salomão. O incremento mais pronunciado foi verificado em fevereiro de
1943, quando nos retiramos da ilha de Guadalcanal. "Mais rápido que
o Zero em vôo horizontal e capaz de desenvolver uma velocidade de mergulho
muito superior, o Corsair logo provou ser um mortífero açoite para nossos
pilotos. Se o número de Corsairs em um combate não era muito elevado, os
caças Zero podiam se sair bem contra os aviões inimigos. Ao aumentar os
efetivos de Corsairs, no entanto, os Zeros, superados pela quantidade, se
viram em grandes dificuldades, e o comando de caça japonês teve que engolir a
perda de numerosos aparelhos causada pelos velozes caças navais americanos. O
Corsair foi o primeiro caça monomotor que superou em performance ao Zero. "Durante a
campanha das ilhas Gilbert, em setembro de 1943, fez seu debut o novo caça
inimigo Grumman F6F Hellcat. Esse aparelho de caça com base em porta-aviões
havia de converter-se em um dos mais formidáveis rivais do Zero. Os primeiros
informes que obtivemos, assinalavam que o Hellcat havia incorporado em seu
desenho detalhes obtidos pelos americanos de um caça Zero japonês capturado nas ilhas Aleutas, na primavera
de 1942. Até certo ponto isso pareceu certo, pois a técnica de economizar
peso foi aplicada em toda a estrutura do Hellcat até um grau não igualado por
nenhum outro avião americano até então. Não existe dúvida de que o novo
Hellcat foi superior em todos os aspectos ao Zero exceto no que diz respeito
à manobrabilidade e raio de ação. Levava um armamento mais poderoso, podia
superar o Zero em velocidade de subida e mergulho, podia também voar a
alturas maiores, e estava melhor protegido com tanques de combustível
auto-obturáveis e pranchas de blindagem Como o Wildcat e o Corsair, o nôvo
Grumman era armado com seis metralhadoras de 12,7 mm porém levava uma carga
de munições muito superior à dos dois outros caças citados. "Dos muitos caças
americanos que enfrentamos no Pacífico, o Hellcat foi o único avião que se
comportou com distinção evidente na difícil prova da "peleja de
cães". Os americanos declararam que, com o Hellcat, a marinha dos EUA
recuperou pela primeira vez, desde o início da guerra a capacidade de travar
combate com os Zeros a curta distancia”. Forças japonesas Até janeiro de 1944, o atol de Eniwetok estava praticamente
desguarnecido. No dia 4 desse mês chegou a 1a Brigada anfíbia,
comandada pelo Major-General Yoshimi Nishida. A Brigada contava com 2.586
soldados. A eles se somou o pessoal que já existia no atol, integrado por
tropas de serviços da marinha e da força aérea e contingentes de
trabalhadores japoneses e coreanos, fazendo o total de uns 3.500 homens. O
atol, porém, carecia de fortificações. As tropas da Brigada anfíbia, ao chegar, trabalharam febrilmente
a fim de criar posições defensivas. O Major-General Nishida estabeleceu seu
posto-de-comando na ilha Parry e ali concentrou o grosso de suas tropas, uns
1.100 soldados. As forças de Nishida contavam com um total de 36 lança-granadas
pesados, 36 metralhadoras leves, 6 metralhadoras pesadas, 10 morteiros de 81
mm, 3 canhões automáticos de 20 mm, 2 canhões de montanha, 1 canhão de 20 mm
e 3 tanques leves. A 5 de fevereiro, o General Nishida emitiu instruções para
a defesa. Aproximadamente a metade das tropas foram distribuídas na própria
costa, agrupadas em uma cadeia de redutos separados um do outro por uns
quarenta metros. Esta linha seria apoiada pelas peças de artilharia, que
teriam de disparar em primeiro lugar contra as barcaças, quando elas se
aproximassem. Para facilitar o emprego da artilharia e das armas pesadas
foram abertos campos de tiro entre as plantações de coqueiros. Quando as
lanchas americanas chegassem à linha da praia, romperiam fogo as
metralhadoras leves e pesadas. As tropas inimigas que conseguissem colocar o
pé nas praias seriam varridas pelos morteiros e lança-granadas. A respeito
dos tanques americanos, Nishida emitiu a seguinte ordem: "Destruam os
tanques inimigos quando estes forem detidos pelos obstáculos, mediante cargas
ocas, granadas de fuzil-antitanque, minas terrestres, minas aquáticas e
coquetel Molotov. Os ataques, especialmente durante a noite, serão levados a
cabo por uma parte de nossa força". A ordem terminava com uma exortação
à luta: "Todas as tropas que sobreviverem, caso os americanos consiguem
conquistar as praias, se reunirão no centro da ilha. Ali, os feridos que não
possam empunhar armas se suicidarão. Os que estiverem aptos para o combate
reorganizarão suas filas, formarão uma unidade de luta e morrerão
combatendo.". Na ilha de Eniwetok, a guarnição, formada por 779 soldados e
algumas dezenas de civis, estava sob o comando do Coronel Masahiro Hashida. O
armamento consistia em 2 lança-chamas, 13 lança-granadas, 12 metralhadoras
leves, 2 pesadas, 1 morteiro de 50 mm, 11 morteiros de 81 mm, 1 canhão
automático de 20 mm, 3 canhões de 20 mm e 3 tanques leves. A guarnição foi dividida em cinco grupamentos de combate e
distribuídas ao longo da costa, mantendo-se um dos grupamentos em reserva. As
defesas consistiam em trincheiras e poços de atirador. Na ilha de Engebi, no extremo do atol, as forças japonesas
totalizavam 746 soldados e infantes da marinha e 500 civis. A chefia estava a
cargo do Coronel Toshio Yano. O armamento consistia em 2 lança-chamas, 13
lança-granadas, 12 metralhadoras leves, 4 pesadas, 2 canhões de 37 mm, 1
morteiro de 50 mm, 11 morteiros de 81 mm, 1 canhão automático de 20 mm, 2
canhões de 20 mm, 2 canhões de montanha, 3 tanques leves e 2 canhões de
defesa costeira de 12 cm. A diretiva de Yano era a seguinte:
"Permitir-se-á ao inimigo alcançar a beira da praia e depois deve-se
aniquilá-lo com fogo miúdo e ataques contínuos." Os primeiros lauréis
da 4a Divisão Quando, a 15 de
fevereiro de 1944, os efetivos da 4a Divisão de Fuzileiros-Navais
embarcavam nos transportes que os levariam à sua nova base na ilha de Mauí no
arquipélago de Havaí, os homens cruzaram a pranchada pisando forte:
sentiam-se veteranos. Era uma veterania
lúcida, adquirida numa batalha de menos de 24 horas, mas que satisfazia
plenamente aos soldados que apenas um par de semanas antes tinham que
agüentar que os marines das outras divisões os chamassem de
"novatos". Outras divisões tinham tradições gloriosas das quais se
orgulhavam, seus estandartes ostentavam condecorações ganhas em outras
batalhas. Tal não ocorria, porém, com a 4a Divisão, unidade de
formação recente, criada a favor da formidável expansão do Corpo, cujos
efetivos haviam passado de 50.000 homens antes da guerra, para quase meio
milhão nos últimos meses. Agora, ao preço de 190 mortos e 549 feridos, a 4a
Divisão de marines conquistara em Roi Namur os seus primeiros lauréis. Também alguns dos seus
homens, pagando com suas vidas, haviam merecido figurar no quadro de honra da
divisão com a medalha de ouro, outorgada postumamente. Um deles era o marine
Richard Anderson. Sua companhia atacava uma posição, onde os japoneses,
obstinados, ofereciam uma denodada resistência. Um grupo de marines avançou
até uma colina de onde podiam martelar o inimigo com fogo de fuzil e granadas
de mão. Richard Anderson dispõe-se a atirar uma destas últimas e, quando já a
tirou da cinta, a granada resvala de suas mãos e cai ao solo, entre os pés de
vários companheiros. Não há tempo de recolhê-la e lançá-la longe. E Richard
Anderson, consciente de que a culpa foi sua e somente sua, se joga sobre a
granada e a cobre com seu corpo para que, "absorvendo" os
estilhaços, possa salvar, à custa da sua, as vidas dos seus camaradas. Poucos
minutos depois do seu sacrifício, a posição japonesa é conquistada numa carga
a baioneta. Outra medalha de ouro foi concedida ao Tenente John Power. Sua
seção, pressionada pelo fogo de flanco japonês, tem que permanecer grudada ao
chão, sem poder avançar nem retroceder. Alguns homens, arrastando-se, buscam
um lugar protegido para poder erguer-se e atacar com granadas de mão a
posição inimiga, porém são rechaçados. Power encabeça o ataque de um pelotão,
e é atingido no ventre por uma bala. Tapando o ferimento com uma das mãos e
disparando o seu fuzil com a outra, o tenente continua conduzindo os seus
homens ao assalto, enquanto mais duas balas lhe arrancavam a carne. Somente
quando a vanguarda dos seus homens fincou pé na posição inimiga, o Tenente
Power vacila e tomba, morrendo pouco depois. "Melhor não
correr riscos..." Distribuída como
guerrilha, uma companhia do 24o Regimento de Fuzileiros-Navais,
comandada pelo Tenente Saul Stein avança cautelosamente em direção ao que
resta de uma enorme casamata que se erguia nas cercanias de Namur. Os homens
enxergam apenas poucos metros à sua frente em virtude da densa fumarada que
paira sobre o povoado; é o fruto do bombardeio conjunto da aviação e da
artilharia naval que durante três dias e três noites martelaram
sistematicamente as instalações da ilha que, em sua maioria, foram
praticamente apagadas da face da terra. Por todos os lados, enormes línguas
de fogo devoram a vegetação rasteira, e o crepitar dos incêndios repete, como
um eco distante, o fragor dos combates e escaramuças isoladas que ainda travam
os escassos sobreviventes nipônicos. Os marines se movimentam com a mesma
precisão com que realizam uma manobra. O Tenente Stein faz um
sinal e a força se detém. Os homens se agacham e aprontam suas armas; depois,
a uma ordem do oficial, os grupos deslizam para envolver o objetivo.
Protegido pelo fogo dos seus companheiros, um marine avança rastejando e
coloca uma carga explosiva em um dos lados do reduto e se afasta correndo...
Através do buraco aberto no grosso muro e por outras saídas dissimuladas, repentinamente
abertas, saltam grupos de soldados japoneses. A surpresa é tão grande que a
ninguém ocorre fazer fogo; por sorte, os japoneses ao sair vão lançando ap ao
solo as suas armas e erguendo os braços em silêncio. Os homens de Stein os
contemplam com estranheza: sempre lhes fôra dito que os japoneses resistiam
até a morte com fanatismo quase demente. E estes, ao contrário, se deixam
rodear mansamente e permanecem imóveis diante dos fuzis... Um sargento e seis homens se dispõem a
penetrar no reduto para desalojar os inimigos que ainda pudessem permanecer
escondidos. O Tenente Stein os detém: - Não vale a pena correr riscos. Se
resta algum, melhor é liquidá-lo... E pelo buraco aberto são lançadas várias
cargas de dinamite. A tripulação do avião
que há uma hora evolucionava a baixa altura sobre Namur, em missão de
reconhecimento e orientação do fogo da artilharia naval, teve a impressão de
que seu aparelho era jogado para o alto por uma violenta rajada de vento. O
piloto se agarrou nos comandos e durante segundos intermináveis esforçou-se
para estabilizar o avião, que parecia voar as tontas em meio de uma
abrasadora nuvem negra. Pelo intercomunicador ouviu o radioperador gritando
pelo microfone aberto: "Essa maldita ilha inteirinha explodiu debaixo de
nós!". - Vocês estão feridos? - perguntaram do posto-de-comando. -
Esperem um minuto - respondeu o radioperador enquanto procurava divisar a
terra através da nuvem negra que envolvia o avião. - Não cortem ainda a
comunicação. - O avião está avariado? Onde estão? - voltaram a inquirir. O
radioperador podia ouvir como na fuselagem do avião tamborilavam pedaços de
rocha lançados ao espaço pela explosão, mas suspirou aliviado ao entrever a
terra através da fumaça e respondeu: - Estamos a uns trezentos metros mais acima
que antes e contra nossa vontade. Mas parece que a ilha continua no mesmo
lugar. O que aconteceu? O que acontecera é que
a casamata onde os homens do Tenente Stein haviam lançado as cargas explosivas
era um depósito que continha toneladas e toneladas de torpedos, que
explodiram escalonadamente, uma fração de segundo depois: Estilhaços de aço
rubro, pedaços de caliça e blocos de cimento armado continuaram caindo
durante uns instantes sobre os marines que jaziam literalmente incrustados
nas crateras que sulcavam o solo. O Tenente Stein e a
maioria dos seus homens morreram, e os seus corpos horrivelmente mutilados,
jaziam disseminados a várias centenas de metros do local onde existira o
depósito, que agora era somente uma enorme cratera que a água enchia
lentamente. Um soldado da companhia foi lançado pela explosão a mais de
cinqüenta metros e foi recolhido, surpreendentemente ileso, na água do lago
interior. Outras companhias tiveram ao todo mais de 20 mortos e uns 60
feridos em conseqüência dessa explosão que poderia ter sido evitada apenas
correndo um pequeno risco. A vida em um
porta-aviões O desenvolvimento das
atividades diárias a bordo de um porta-aviões americano constitui uma
inesperada surpresa para quem desconhece essa vida. Com efeito, a imagem do
velho marinheiro, vítima de cruéis contramestres e impiedosos capitães,
exposto dia e noite a chuvas, ventos e tempestades, é o pólo oposto do
tripulante de um porta-aviões americano. A primeira surpresa é
recebida no salão de refeições da belonave: um recinto reluzente, onde os
tripulantes, munidos de bandejas, recebem os pratos que desejam e que
escolhem em uma longa lista. A comida pode ser repetida quantas vezes o
marujo desejar, sem limitação de espécie alguma. O café também está à
disposição dos homens, que podem se servir no momento que quiser, em
recipientes especiais. Além disso, tudo dentro de um ambiente, ao qual o ar
condicionado empresta o máximo conforto. As bebidas alcoólicas
são terminantemente proibidas, tanto para marinheiros como para oficiais.
Sorvetes e refrigerantes, ao contrário, são servidos profusamente. Os receptores de rádio
existem em grande quantidade a bordo. Cada tripulante é autorizado a possuir
o seu, e apenas é exigido um prévio exame técnico destinado a comprovar se o
aparelho produz ou não campos magnéticos capazes de originar perturbações nos
artefatos elétricos da belonave. O cinema não está
ausente na vida de bordo. Um grande salão é o lugar em que os tripulantes
assistem funções onde os filmes cômicos são os preferidos. Não tanto as
películas de temas bélicos ou patrióticos. Os maiores sucessos, no entanto,
são reservados para as películas rodadas a bordo, nas quais os homens se
reconhecem ou reconhecem os seus companheiros. Essa fitas são destinadas,
principalmente, aos marujos que por sua atividade específica prestam serviço
no interior da nave e não presenciam as ações que se desenrolam no exterior. A religião ocupa,
naturalmente, um importante lugar na vida dos tripulantes. Os serviços
religiosos são celebrados com a assistência quase total dos homens de bordo.
Muitos comungam antes dos combates. As roupas dos
marinheiros, de diversas cores e estilos, contribuem para criar um clima
festivo a bordo. Na realidade, as diversas cores se devem ao fato de que cada
especialidade ou tarefa se distingue pela cor do uniforme. Isto os torna
facilmente identificáveis, a qualquer momento. Os marinheiros vestem,
geralmente, uniformes de cor azul ou cáqui. As blusas, leves e amplas, podem
ser de diferentes cores: azul, vermelho ou amarelo, segundo a especialidade.
Os marines se trajam inteiramente de cáqui. Os oficiais, também, com o
aditamento de uma gravata preta, que usam para almoçar. De noite, ao jantar,
se as condições permitirem, vestem-se de branco. Os tripulantes que não estão
prestando serviços e, em maior quantidade os das guarnições do interior da
nave, aproveitam os seus momentos livres para tomar longos banhos de sol na
coberta. O regulamento que rege cada um dos seus atos, previne especialmente
contra as possíveis insolações e diz textualmente: "...é um crime que se
transforme em inepto para o combate por uma negligência..." A disciplina é o pólo
oposto à que prevalece nos exércitos europeus. Um visitante tem a impressão
de estar numa fábrica ou num clube onde cada um. parece não interessar-se
muito pelas atividades dos demais. Em geral, apesar de certas faltas serem
castigadas com extrema severidade, vigora a bordo uma disciplina sumamente
elástica. Deve-se destacar, paralelamente, que a ração diária do oficial é
exatamente a mesma do marinheiro. Os regulamentos dizem ainda que "os
oficiais não poderão obter nenhum alimento que os tripulante não possam
obter. Em caso de necessidade, é estritamente proibido diminuir a ração dos
tripulantes, sem diminuir paralelamente a dos oficiais". É imprevisível
a capacidade de luta e sacrifício exercida por um marinheiro que sabe que o
almirante come a mesma comida que ele. Durante o curso das operações, ainda,
um oficial, microfone em punho, descreve as ações minuciosamente. A narração,
difundida por todo o barco por meio de alto-falantes, mantém informados todos
os tripulantes, minuto a minuto. |