Começa a marcha para Berlim
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“Na manhã do Dia D + 1, o Alto-Comando alemão, em Berlim,
esperava de Rommel a notícia de que o desembarque aliado fôra paralisado e que
logo as forças aliadas seriam lançadas no Canal. Porém, passado o Dia D,
perderam eles a melhor oportunidade de aniquilar os invasores. Na manhã do
Dia D mais l, não somente estávamos bem firmes nas praias, como também o
sistema de reforço aliado estava em pleno funcionamento”. Assim comenta o General Bradley os episódios que se sucediam nas
primeiras horas do dia 7 de junho de 1944. Ao finalizar a Dia D, os exércitos
aliados haviam estabelecido uma estreita cabeça de praia na França. A
totalidade dos objetivos, todavia, não havia sido cumprida. Entre as praias
Omaha e Gold não fôra fechada a brecha, o mesmo ocorrendo entre Omaha e Utah
(ambas as praias haviam sido atacados por efetivos do Exército americano).
Por outro lodo, em alguns setores, o avanço para o interior não era
suficientemente profundo. O tempo, piorando, se convertia em outro fator que
conspirava contra o êxito do operação. Em resumo, ao despontar do Dia D + l,
os objetivos imediatos dos comandos aliados eram: 1o - Rápida
colocação sobre as praias, onde as tropas combatem, de equipamentos pesados,
abastecimentos e munições. 2o - Conquista, pelo 1o
Exército americano, de Isigny e Carentan, unindo Utah e Omaha numa cabeça de
praia contínua. 3o - Avanço através da base da península de Cotentin
rumo às praias do oeste, com a finalidade de isolar Cherburgo, como primeira
medida, para posteriormente conquista-la. 4o - Constituição de uma
cabeça-de-ponte, para o sul, através da estrada Caen-Bayeux, para estabelecer
contato com o Primeiro Exército em Port-en-Bessin e conquistar a cidade de
Caen e os planaltos mais ao sul. Este ponto ficaria a cargo do 2o
Exército britânico. |
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A ação dos pára-quedistas Na madrugada do dia D, horas antes que as primeiras tropas transportadas
pelo mar tocassem o solo da Normandia, os comandos de transporte aéreo haviam
começado o lançar as forças de assalto aerotransportadas, sobre ambos os
flancos da zona de invasão. Nesta operação, a maior tentativa do seu tipo até aquele momento,
participaram 1.662 aviões e 512 planadores do 9o Comando de
Transporte de Tropas americanas e 733 aviões e 355 planadores dos 38o
e 46o Grupos das Reais Forças Aéreas. No setor britânico, os problemas surgidos com o emprego de
diferentes tipos de aviões que transportavam diversas cargas a velocidades
variadas, foram rapidamente superados pelo excelente trabalho dos seus
especialistas. As tropas da 6a Divisão Aerotransportado britânica
foram lançadas exatamente nos lugares predeterminados, a este do rio Orne.
Baseados em tão bom começo, as restantes tarefas foram cumpridas a um preço
muito menor do que teria sido necessário se se houvessem empregado tropas de
outras armas. O grupo encarregado da missão de garantir as pontes de
Benouville sobre o Orne e o Canal de Caen, cumpriu seus objetivos com êxito
total. Seu lançamento produziu-se tal como fôra projetado, em uma zona
limitada de pouco mais de um quilômetro quadrado; as tropas, imediatamente,
entraram em ação e tomaram as pontes, intactas, como se esperava, às 8h 50m. O sucesso da operação foi resultado da surpresa e da confusão
semeada nas linhas inimigas com o lançamento de falsos pára-quedistas. Eram
bonecos, munidos de artefatos que simulavam o ruído dos disparos das
metralhadoras, que eram lançados, em grande quantidade, com pára-quedas. Os elementos da 21a Divisão Panzer, por sua vez,
demoraram para reagir e somente ao meio-dia do Dia D contra-atacaram. Nessa
altura, os pára-quedistas britânicos haviam consolidado suas posições e os esforços
realizadas pelos alemães para desaloja-los foram em vão. Durante todo o Dia
D, também, foram transportados e desembarcados reforços trazidos por
planadores. A operação, de acordo com os termos do informe oficial do General
Eisenhower apresentado aos chefes da Estado-Maior Combinado, “desenvolveu-se
como um exercício, não se encontrou resistência e, ao anoitecer, a divisão
havia sido completamente reabastecida e estava de posse de todo o seu
equipamento pesado...”. As obstruções levantadas pelos alemães, com o objetivo de
impedir a descida dos planadores foram ineficientes e não impediram a
aterrissagem da maioria deles. No flanco ocidental, na base da península de Cotentin, as tropas
aerotransportados americanas da 82a e 101a Divisões
viram-se diante de maiores dificuldades. As más condições atmosféricos
impediram os exploradores, lançados inicialmente, de localizar as zonas
predeterminadas para os posteriores lançamentos maciços. Outro fator muito
importante foi a falto de experiência de muitos pilotos americanos, que não
conseguiram sobrevoar suas respectivas zonas, extraviando-se na rota, e
dispersando os pára-quedistas numa ampla região. O total de efetivos da 101a
Divisão, 6.600 homens, foi disseminado sobre uma zona de, aproximadamente,
quarenta quilômetros por vinte e cinco. A conseqüência foi o perda de 60% do
equipamento e a desorganização quase total dos efetivos. Os chefes dos
unidades se viram assim diante de uma situação inesperada e gravíssima e
tiveram que avançar sobre os objetivos com destacamentos improvisados.
Contudo, graça à surpresa que o ataque causara nas fileiras inimigas, os
homens da 101a se dirigiram para os aterros que comunicavam a
praia Utah com o interior, enquanto outros avançavam para o sul, a fim de
isolar Carentan e bloquear essa linha aos reforços inimigos. A 82a Divisão por sua vez, com duas terças partes de
seus efetivos, deveria ter efetuado a descida a 12 km da costa, atrás do Rio
Merderet, onde este corre paralelo à praia Utah. Dali poderia servir de
escudo às praias, protegendo-as do oeste, ao mesmo tempo que perturbaria as
tentativas inimigas de reforçar Cherburgo. A zona de descido da terço parte
restante da divisão estava situada al este do citado rio e cobria a principal
estrada de Cherburgo à cabeça de praia. Ali, firmemente entrincheirados, os
pára-quedistas fechariam a passagem a qualquer avanço procedente do norte e
estabeleceriam uma sólida base defensiva na aldeia de Ste. Mère Eglise. Contudo, como ocorrera antes com a 101a, a 82a
Divisão ficou espalhada na descida, fora das zonas previstas, especialmente
as unidades que teriam que descer a oeste do rio Merderet. Conseqüentemente,
grande parte dos esforços da divisão, nesse dia, se limitaram à difícil
tarefa de reunir os elementos dispersos das diferentes unidades combatentes. A 82a Divisão, apesar disso, estabeleceu uma base em
Ste. Mère Eglise com os pára-quedistas que desceram perto da pequena
povoação. Avanço rumo ao interior Gradualmente, enquanto os efetivos aliados abriam caminho rumo
ao interior da França, os alemães batiam em retirada, tornando o avanço
aliado tão custoso em vidas e materiais quanto possível. A estratégia alemã, em linhas gerais, consistia em concentrar as
defesas nos flancos. Em primeiro lugar, com o objetivo de conter a cabeça de
praia em Caen, para evitar um rompimento até o Sena e também a queda de Le
Havre e Paris. Em segundo lugar, para evitar a união dos 5o e 7o
Corpos americanos e, portanto, a consolidação da área obtida em virtude da
captura de Carentan. Por sua vez, os Aliados desenvolviam uma estratégia
tendente a conquistar Caen, considerado pivô no desenrolar da campanha na
metade oeste da frente e, paralelamente, com as operações tendentes a ocupar
Carentan, avançar rumo ao oeste para isolar Cherburgo do resto da França e
depois, avançando para o norte, conquistar o porto. A 4a Divisão de Infantaria avançou para o interior,
partindo da praia Utah, atravessando a zona inundada dos aterros capturados
pela 101a Divisão Aerotransportada e substituiu-a nos operações de
captura de Carentan. Depois avançou rumo ao oeste, em direção a Ste. Mère
Eglise, onde estabeleceu contato com a 82a Divisão
Aerotransportada. No seu avanço rumo ao interior da França, os Aliados
acabavam de tomar o importante estrada Carentan-Cherburgo e, quando a 9a
e a 10a Divisões de Infantaria desembarcaram, nos dias D mais 3 e
D mais 4, respectivamente, o 7o Corpo as empregou para atacar em
direção a Monteburgo e St. Sauveur-le-Vicompte, no caminho de Cherburgo. Os
alemães, para evitar a queda do porto nas mãos dos Aliados, transferiram mais
tropas para a península de Cotentin, através da metade oeste, que estava
ainda em seu poder. Partindo da praia Omaha, o 5o Corpo adiantou as 1a
e 29a Divisões. A 1a Divisão estabeleceu contato com a
50a Divisão britânica em Port-em-Bessin. A 29a Divisão
avançou para o oeste, em direção à Isigny, perto da embocadura do Vire, e
para o sul, em direção a Carentan. Enquanto isso, a 2a Divisão de
Infantaria, que desembarcara no Dia D mais 1, movimentou-se até a primeira
linha, entre a 1a e a 29a Divisões; dali avançou em
direção sul, alcançando a localidade de Rubercy no Dia D mais 2. No Dia D
mais 3, Isigny foi ocupada e no dia seguinte caiu Cerissy Forest. Quando Carentan foi tomada, no dia D mais 6, o avanço do 5o
Corpo do Primeiro Exército americano cobrira mais de doze milhas desde a
costa. Das praias Gold, Juno e Sword, as operações se orientaram,
principalmente, visando o captura de Caen e ganhar profundidade no setor
oeste, da frente do Segundo Exército britânico. Tendo tomado contato com o 5o
Corpo americano, o 30o Corpo avançou para o sul, em direção a
Villers Bocage, liderado pela 8a Brigada Blindada, que entrou em
ação no Dia D mais 4. A resistência alemã, contudo, era tenaz. Na frente do 1o Corpo, a progressão contra Caen foi
muito lenta. A 3a Divisão canadense, que avançava vindo do
noroeste, foi contra-atacada no Dia D mais l, perto da localidade de Authie,
sendo obrigada a retirar-se para suas posições iniciais. A 3a
Divisão britânica, pressionando Caen pelo norte, à esquerda dos canadenses,
também se viu comprometida numa luta cruenta e progrediu muito pouco.
Conscientes da grande importância da cidade, os alemães reforçaram suas
defesas desde o começo dos desembarques e transferiram para ali tropas de
outros setores situados a sudoeste do Sena. No Dia D mais 4, elementos de
três divisões blindadas estavam defendendo a zona de Caen: a 12a
Divisão Blindada SS; a 21a Divisão Blindada e a Divisão Panzer
Lehr. Contudo, o poder dos Aliados aumentava gradualmente, num supremo
esforço para conquistar Caen e para comprometer as unidades blindadas alemãs
nessa zona, mediante um movimento visando evitar que elas pudessem
deslocar-se mais para o oeste, para opor-se ao Primeiro Exército americano. A
6a Divisão Aerotransportada e a 1a Brigada de
"comandos" resistiram firmemente a todos os esforços do inimigo
tendentes a desalojá-los de sua cabeça-de-ponte na margem leste do Orne,
entre Caen e o Canal da Mancha. Reforçado pela 51a Divisão de
Infantaria, o comandante do 2o Exército preparou-se para empregar
suas forças num ataque aos subúrbios a leste de Caen, enquanto o resto do 1o
Corpo atacava pelo norte e o 30o Corpo irrompia pelo oeste, numa
tentativa de rodear a cidade. Depois da luta na praia Omaha, a captura de
Caen foi o fase mais dura e custosa de toda a operação Overlord. Os alemães
concentraram dentro dessa zona todas as tropas blindadas que puderam, exceto
as do Passo de Calais, onde seu 15o Exército estava esperando a
invasão através do estreito de Dover. Ao finalizarem os primeiros 5 ou 6 dias
de luta, os alemães haviam concentrado na metade leste da frente da Normandia
uns 520 tanques. Na metade oeste da frente dispunham de uns 70 tanques. Fim da luta nas cabeças de praia Entre os dias 6 e 12 de junho (Dia D e D mais 6), 325.000
soldados, 55.000 veículos e 100.000 toneladas de abastecimentos foram
desembarcados nas praias. As cifras eram menores que as estipuladas pelos
planos e as razões para tal diminuição foram as más condições atmosféricas, o
lento progresso na zona de Omaha, a prioridade dada nos desembarques às
tropas combatentes sobre os homens dos diversos serviços, e a perda de
abastecimentos pelo estado do mar. A partir do dia 10 de junho, para
regularizar o envio de munições e abastecimentos de emergência, foram
utilizados aviões. Contudo, durante todo o tempo necessário para a instalação
e consolidação das cabeças-de-ponte nas praias, as Marinhas americana e
inglesa operaram regularmente através das praias. Unidades de recuperação,
além disso, se dedicaram à reparação de barcos menores e embarcações de
desembarque. No Dia D mais 1 chegou o primeiro grupo de barcos que deveriam
ser afundados para formar um quebra-mar de proteção para os portos
artificiais. No Dia D mais 2, chegaram as primeiras estruturas destinadas aos
portos artificiais e a construção dos mesmos começou imediatamente. Durante a
travessia desde a Grã-Bretanha, contudo, algumas das unidades se perderam
pela ação dos embates do mar. Depois de uma semana de luta incessante, os Aliados puderam
considerar consolidada a cabeça-de-ponte na França. O avanço, no interior,
viu-se entorpecido pelos elementos naturais e pela encarniçada resistência
das unidades alemães. Contudo, lenta, porém firmemente, os Aliados
continuaram a ganhar terreno. Era necessário ampliar a cabeça-de-ponte e os
contingentes da invasão se esforçavam para consegui-lo. A primeira fase de Overlord engrenou-se na segunda, sem solução
de continuidade. A batalha continuou, intensamente. Os Aliados mantiveram o
ritmo de ataque num esforço tendente a reforçar a cabeça-de-ponte e ampliar,
rapidamente, o seu perímetro, a fim de permitir o desembarque e concentração
do maior número possível de efetivos. O escritor inglês Alan Moorehead relata assim suas próprias
experiências, ao desembarcar no continente, dias depois do assalto às praias: "... Tantas coisas haviam sucedido ali... Tantas ruínas se
aglomeravam sobre outras ruínas, que se tinha a impressão que o batalho
durava há longo tempo e que os soldados que encontrávamos eram nativos
daquele litoral. No ponto onde desembarcamos, dois tanques Sherman jaziam
enterrados até as torres nas areias movediças. Um vento forte soprava sobre
as dunas e agora que estávamos presentes podíamos ver que diante de nós não
existia a usual paisagem francesa, mas uma desolação salpicada de milhares de
crateras e buracos de granados. As casas eram só esqueletos e seus interiores
haviam desaparecido. Os tetos das construções estavam derrubados. Casamatas e
trincheiras de cimento armado estavam despedaçados pela fantástica violência
do bombardeio do dia anterior. As primeiras companhias que saltaram em terra
encontraram o inimigo desfeito e entontecido pelo canhoneio, mas apesar disso
produziram-se sangrentas escaramuças. Na entrada das enegrecidas casamatas
viam-se cadáveres. Um grupo de carros anfíbios se dirigia costa acima, rumo
ao povoado de Crepon. Seguindo-os, cruzava-se rapidamente a franja de
completa destruição da costa e se desembocava em campo aberto. A primeiro
aldeia era, sem dúvida, francesa. Um anúncio de ''San Rafael" com dois
maneirosos camareiros. Num muro algumas letras: "Dubo, Dubonn,
Dubonnet". Dois aldeões, velhos, vestindo macacões azuis, olhavam
passar, com rústica condescendência, a torrente de veículos militares.
"- Ça Va? " - Mais oui. Tout vo bien, monsieur. Nous sommes très contents de vous voir.
"E o mais velho acrescentou com um tom de voz alto e temeroso: " -
Vive I'Angleterre! "Em um trigal situado um pouco mais além, um destacamento
alemão resistira algum tempo. Os soldados inimigos jaziam, mortos, nos mesmas
posições em que haviam permanecido disparando. Passado o trigal não havia
sinais do inimigo, nem sequer tiroteio contínuo. Em outros setores a luta era
mais dura. Os pára-quedistas, por exemplo, se encontravam sob fogo direto no
canal do Orne e os americanos, a nosso direita, mantinham uma rude batalha na
costa. Porém, em nossa zona, um rompimento completo havia-se seguido ao
primeiro assalto. Aberta uma brecha na Muralha do Atlântico, os soldados
alemães corriam velozmente, abandonando tudo, em busca de refúgio. "Dirigimo-nos o Bayeux. Dos escritórios do Correio alguns
oficiais alemães haviam disparado uns tiros, porém, logo, o povoado caiu,
intacto, em nosso poder. Continuava exatamente como através dos últimos
quatro anos...”. O General Eisenhower, comandante-supremo de Overlord, por sua
vez, narrou no seu Informe aos chefes do Estado-Maior Combinado o processo
que se desenrolou a partir do desembarque na Europa. Dizia esse texto, entre
outras coisas: "Depois que o êxito das operações de assalto nos
proporcionou uma base em território francês, seguiram-se seis semanas de
tremenda luta para obter uma zona de entrincheiramento com suficiente
profundidade para poder estruturar uma força de ataque de tal magnitude, que
nos permitisse aproveitar plenamente nossa potencial superioridade material.
O processo nos tomou mais tempo do que esperávamos, devido principalmente às
condições meteorológicas adversas, que interromperam diversas vezes o
transporte de efetivos e abastecimentos através do Canal. O inimigo lutou
tenazmente para conter nossas cabeças de praia, apesar de não ter podido, em
momento algum, reunir uma força que constituísse uma séria ameaça ofensiva.
Em conseqüência, nossas operações se atrasaram um pouco em relação ao horário
programado, porém pudemos organizar nossos exércitos com uma potência tal que
quando chegou o momento do ataque, foi possível não somente recuperar o tempo
perdido, mas também superar a escala projetada do avanço. "O que necessitávamos imediatamente era ampliar a nossa
estreita cabeça de praia para o interior, dando-lhe profundidade suficiente
para proteger as praias contra o fogo inimigo, a fim de que a consolidação se
processasse sem interrupções. Também deveríamos tomar o porto de Cherburgo,
que era essencial para permitir a rápida afluência dos enormes suprimentos de
material bélico requeridos para as operações futuras. "Depois, à medida que aumentava nosso potência,
necessitávamos de espaço para manobrar e distribuir nossas forças, de modo a
obter maior vantagem de nossos contingentes materiais e poder assestar um
golpe decisivo no inimigo. Com esse fim, teríamos que tomar Caen e
estabelecer cabeças-de-ponte sobre os rios Orne e Odon, para eliminar a possibilidade
de que o inimigo introduzisse uma cunha entre os setores aliados, a leste e a
oeste do rio Vire, e ao mesmo tempo ampliar nossa base sobre a parede sul da
península de Cotentin. "Enquanto isso, o inimigo se encontrava em.um dilema. Havia
depositado suas esperanças na política de Rommel, de concentrar-se sobre as
defesas da praia, e quando o seu intento de evitar os encraves de cabeças de
praia aliados fracassou, careceu de qualquer alternativa para combater a
ameaça que o circundava. A fé de Rommel em suas minas, e em seu concreto,
teria conseqüências realmente desastrosas para o exército alemão. Como não
havia um sistema de defesa terra adentro, quando as praias foram invadidas, o
inimigo perdeu a iniciativa e nunca mais conseguiu recuperá-la. A mão de von
Rundstedt, que procurou sanar os erros do seu lugar-tenente, se fez presente
depois das duas ou três primeiras semanas da campanha, quando foram feitas
tentativas desesperadas para organizar uma força móvel de ataque blindado,
como reserva; era, porém, demasiado tarde. Devido à sua escassez de
infantaria, o inimigo fôra abrigado a utilizar sua força blindada em
operações exclusivamente defensivas. Uma vez essa força blindada comprometida
em ações desse tipo, nossa pressão constante tornou impossível ao inimigo
retirar suas forças móveis para dar-lhes um emprego mais adequado, até
princípios de agosto, quando a brecha aberta pelas forças americanas no
flanco ocidental já havia selado a sorte do 7o Exército alemão. "A carência de infantaria foi a causa mais importante da
derrota do inimigo na Normandia, e sua incapacidade para remediar esta
debilidade se deveu principalmente ao êxito das ameaças aliadas dirigidas
contra o Passo de Calais. Essa ameaça, que já se revelara ser tão eficaz para
iludir o inimigo sobre os verdadeiros objetivos de nossos preparativos de
invasão, foi mantido depois de 6 de junho, e serviu eficientemente para reter
o 15o Exército alemão a leste do Sena, enquanto nós aumentávamos
nossa potencialidade na zona de entrincheiramento a oeste. Nunca estimarei
suficientemente o valor decisivo dessa ameaça que teve tanto êxito e que
trouxe enormes dividendos, tanto no momento do assalto como nas operações dos
dois meses subseqüentes. O 15o Exército alemão que, se tivesse
sido empenhado no combate em junho ou julho, possivelmente poderia nos ter
derrotado por superioridade numérica, permaneceu inativo durante o período
crítico da campanha e apenas quando estava aberta a brecha, suas divisões de
infantaria foram trazidas para o oeste, cruzando o Sena, demasiado tarde para
influir no curso da vitória. "A frente da Normandia foi reforçada até certo ponto com
efetivos de outras portes da França e da Europa, porém isso foi efetuado com
uma lentidão fatal. Durante as seis primeiras semanas da campanha a quota do
inimigo na zona de batalha era só de meia divisão por dia, aproximadamente. A
16 de junho havia lançado ao combate suas quatro divisões Panzer mais
próximas e as seis divisões de infantaria das proximidades entraram em
combate a 19 de junho. Somente em princípios de julho, quando a escala do
reforço aliado já não dava mais margem o dúvidas, foi que começaram a chegar
reforços de lugares distantes. "Esta operação de reforço se fez acidentada e lenta devido
aos esforços combinados das forças aéreas aliadas e dos patriotas franceses.
Contudo a relativa rapidez com que podiam ser reparados os trilhos, nossa
prolongada campanha de bombardeio contra os centros ferroviários e os pátios
de manobras havia ocasionado uma sensível redução na eficiência operativa dos
sistemas ferroviários no nordeste do França e da Bélgica; no Dia D haviam
sido destruídos 27% das instalações de manutenção de locomotivas, 13% das
próprias locomotivas e 8% do restante do material rodante. Todas as pontes do
Sena, rio abaixo de Paris, com exceção de duas, haviam sido destruídas pelos
bombardeias aliados antes do Dia D, e durante as semanas subseqüentes também
aquelas duas foram demolidas, juntamente com as principais pontes
ferroviárias e rodoviárias sobre o Loire. A invasão havia chegado ao fim. O esperado desembarque aliado na
Europa acontecera. Os exércitos anglo-americanos, deslocando um poderio
esmagador, se lançavam sobre as praias da Normandia. Forças alemães, em
número muito inferior, esboçavam a defesa das suas posições; careciam de
elementos, de armas adequados e de homens realmente aptos para a luta; suas
unidades incluíam prisioneiros poloneses e russos, obrigados a combater por
uma causa que não era a sua. Uma das unidades alemães constava de soldados
com uma média de idade de 36 anos... Após o Dia D, nas horas que se seguiram, uma luta tenaz se
desenrolou na Normandia. Algo diferenciava os contendores; um deles lançava à
batalha reforços constantes e avançava, lenta, porém firmemente; o outro
resistia precariamente, com forças escassas, batendo em retirada minuto a
minuto. Anexo A Muralha do Atlântico O chefe do
Estado-Maior do Marechal von Rundstedt, General Blumentritt, descreve a
seguir a tarefa levada a cabo por Rommel na preparação da "Muralha do
Atlântico": “1) Campos de minas.
Não lhe era possível (a Rommel) obter minas em quantidade suficiente, pois
pedia milhões e milhões para espalhá-las nos extensos campos. Como a
indústria alemã do ramo não dava conta, empregou fábricas francesas na sua
fabricação. Sua ardente imaginação lhe inspirava, sem cessar, idéias novas.
Uma delas consistiu em ocultar esses campos de minas debaixo de matas de
plantas espinhosas. Além disso, ocorriam-lhe os ardis mais engenhosos para
instalar falsos campos minados com a finalidade de enganar o inimigo. “2) Os “aspargos de
Rommel” era o nome humorístico que a tropa dava aos extensos bosques de
estacas que ele ergueu com o objetivo de dificultar os desembarques de forças
inimigas pelo ar, nas zonas ameaçadas. Ocorreu-lhe a idéia de salpicar essas
zonas com troncos de árvores de três a cinco metros de altura, com a
esperança de tornar impossível as aterrissagens. Milhares de árvores
artificiais foram plantadas, empenhando-se nesse trabalho toda a população
masculina disponível. Anunciou previamente que daria comida e diária aos que
se apresentassem voluntariamente. “3) A colocação de
obstáculos na faixa do litoral imediatamente adjacente à linha máxima da maré
despertava seu interesse primordial. Propunha-se com isso dificultar as operações
de desembarque marítimo nas praias, pois, de acordo com sua idéia, elas
apareciam na maré baixa, cobertas por filas de paus erectos formando
estacadas, cuja implantação demandou tremendo trabalho, pois freqüentemente
ocorria uma tormenta imprevista que arrancava as estacas pela raiz e as ondas
as carregavam até terra firme. Por outro lado, esse dispositivo,
demasiadamente simplório, não satisfazia o engenho do marechal, que
idealizou, mais tarde, colocar na ponta de cada estaca uma mina, à guisa de chapéu.
É fácil imaginar os gigantescos esforços que a tropa se via obrigada a
realizar para enfrentar galhardamente a construção de todos esses obstáculos.
Como é natural, o tempo, a mão-de-obra e os materiais eram insuficientes para
fortificar a totalidade das frentes; teríamos de nos contentar com melhorar
as defesas dos setores mais ameaçados”. “Conseguiram...” “A primeira vez que me
disseram o que eu devia fazer, pensei que fosse para me assustar...”. Assim
definiu o Tenente-Coronel James E. Rudder o audacioso ataque contra as
baterias alemães de Pointe de Hoc, na praia Omaha. Nas semanas que
antecederam a invasão, o Tenente-Coronel Rudder e seus 200
"rangers" levaram a cabo um rigoroso treinamento nas escarpas
rochosas da ilha inglesa de Wight. Esse terreno, semelhante ao que teriam que
atacar, permitiu a esses combatentes aperfeiçoar sua técnica para o assalto.
Utilizaram ali, pana escalar os barrancos abruptos, ganchos de aço,
disparados por meio de morteiros. Dessa forma, os homens conseguiam enganchar
suas cordas para a escalada no topo da escarpa. Além desse processo, os
"rangers" estudaram outros. Pediram emprestadas ao Corpo de
Bombeiros de Londres quatro compridas escadas alongáveis e as instalaram em
quatro caminhões anfíbios Ducks. Os anfíbios, surgindo do mar, atravessariam
a estreita prainha de pedras e apoiariam as suas escadas contra as escarpas. Chegou, afinal, o Dia
D. Rudder e seus "rangers", embarcados em lanchões, se aproximam da
costa francesa. Ao longe, entre a bruma causada pela fumaça dos incêndios e
as explosões das bombas, se ergue a escarpa de Pointe de Hoc. No seu cume, de
acordo com informes obtidos pelos serviços aliados, se encontra localizada
uma poderosa bateria integrada por seis grandes peças de 155 mm. Se esses
canhões não forem destruídos causarão uma catástrofe nas fileiras americanas
que desembarcarão. Ao atingir a praia, as
lanchas caem sob o fogo da artilharia inimiga. As embarcações, porém,
conseguem escapar aos impactos. Inicia-se então o ataque. Um após outro, os morteiros
atiram os ganchos, porém os disparos revelam-se curtos. Os Ducks, por sua
vez, ficam encalhados na praia, esburacada pelas crateras das bombas aliadas.
Os morteiros voltam a repetir o fogo e desta vez uma meia dúzia de ganchos
conseguem prender-se. Rapidamente, os "rangers" principiam a
escalada. subindo a pulso pelas cordas. De cima, os alemães lançam granadas
para detê-los. Um destróier americano se aproximou e varreu com seus canhões
a parte superior do promontório. Minutos depois, o primeiro "ranger"
assoma no topo, pronto para disparar sua metralhadora. Segundos mais tarde,
outros companheiros se juntam a ele. Rudder lança então os seus homens em
direção à bateria, loca1izada entre macieiras, a uma distância de 1.100
metros da escarpa. Com matemática precisão, os "rangers" cumprem a
tarefa. As forças americanas
de invasão se aproximam de Omaha. A bordo do cruzador Augusta, o General
Bradley e seus assessores acompanham o desembarque. Bradley, nervosamente,
esquadrinha com seus binóculos a costa. A distância, distingue o promontório
de Pointe de Hoc. Desse ponto, podem partir, a qualquer momento, as temidas
descargas da bateria alemã. Porém nada acontece. A primeira leva de assalto
chega ao litoral e os canhões alemães continuam silenciosos. O chefe
americano, sorrindo, volta-se então aos seus oficiais e pronuncia apenas:
“Conseguiram!...”. Posteriormente, Bradley diria: "A nenhum soldado sob
minhas ordens jamais foi confiada missão mais difícil do que a que coube ao
chefe do grupamento de "rangers", Tenente-Coronel James
Rudder". “... Superioridade
esmagadora...” Cinco dias depois de
começada a invasão do continente europeu, Rommel resumiu suas conclusões
acerca do desenvolvimento das operações no seguinte documento: “10 de junho de 1944.
O curso seguido pela batalha da Normandia dá uma idéia clara das intenções
inimigas: “A) Obter uma profunda
cabeça-de-ponte entre o Orne e o Vire que lhe sirva de trampolim para um
ataque subseqüente até o interior da França, talvez até Paris; “B) Cortar em dois a
península de Cotentin, e apoderar-se o quanto antes de Cherburgo, a fim de
dispor de um porto de grande capacidade de desembarque. (Parece existir
também a possibilidade de que o inimigo não corte a península de Cotentin, se
a batalha for demasiado dura, avançando rumo ao interior da França com todos
os meios.) “Em decorrência da
tenaz defesa da costa, e dos contra-ataques lançados pelas reservas
disponíveis, o inimigo opera com maior lentidão, apesar dos meios empregados.
Parece que emprega muito mais forças do que imagináramos. “Acobertados pelo seu
formidável apoio aéreo, procede ao reforço de suas divisões, sem que nossa
aviação ou nossa marinha possam fustigá-lo, especialmente durante o dia. Em
conseqüência, as forças que ocupam a cabeça-de-ponte aumentam em ritmo
superior ao de nossas reservas. “Devido à
superioridade aérea do inimigo, não foi possível trasladar o 1o
Corpo Panzer SS, a 7a Brigada de Nebelwerfer, o Corpo Antiaéreo e o
Corpo Meindl com a suficiente rapidez à zona do Orne e do Vire, para
contra-atacar o inimigo depois do desembarque. A brigada de Nebelwerfer, o
Corpo Antiaéreo e o Corpo Meindl estão ainda a caminho; o 1o Corpo
Panzer SS foi obrigado a colocar-se em defensiva, depois de encarniçada luta. “No momento, o grupo
de exércitos tem que contentar-se com a formação de uma frente contínua entre
o Orne e o Vire, empregando as forças que afluírem gradualmente.
Desgraçadamente, em tais circunstâncias não é possível dispensar as tropas
que ainda se mantêm em muitos pontos, ao longo da costa. “O grupo de exércitos
está tratando de substituir as formações encouraçadas por meio de unidades de
infantaria, de modo que aquelas possam voltar a ser utilizadas como reservas
móveis, atrás da frente de combate. “O grupo de exércitos
tenta também transferir o centro de gravidade de suas operações para o setor
Carentan-Monteburgo, durante os próximos dias, com o fim de ali destruir o
inimigo e afastar o perigo em Cherburgo. Até então não se poderá atacar entre
o Orne e o Vire. “Nossas operações na
Normandia se vêem terrivelmente dificultadas e, em alguns setores,
absolutamente impossibilitadas, pelos seguintes fatores: “1) A imensa superioridade,
às vezes esmagadora, das forças aéreas inimigas. Como eu e os oficiais ao meu
comando temos observado repetidas vezes (e como já informaram alguns chefes,
inclusive o Obergruppenführer Sepp Dietrich), o inimigo possui um domínio
absoluto do ar no campo de batalha e até uma zona situada 100 km atrás da
frente de combate. Durante o dia, nosso tráfego, seja por estrada, atalho, ou
através do campo, se vê imobilizado por potentes formações de
caça-bombardeiros e bombardeiros, a tal ponto que os movimentos das tropas se
paralisam quase por completo, enquanto o inimigo manobra com toda a
facilidade. Cada ponto nevrálgico da retaguarda se encontra submetido a um
ataque contínuo, sendo muito difícil transportar armas, munições e gasolina. “2) ...O efeito das
baterias navais, que utilizaram até 640 peças. Seus efeitos são tais que não
é possível nenhuma operação nas zonas sob sua influência. Contudo, e apesar
do martelamento, as guarnições da costa e as unidades que contra-atacaram no
setor de Monteburgo mantiveram suas posições com valentia. Mas é de esperar
que os navios de guerra inimigos continuem intervindo... “3) ...O equipamento
dos americanos é muito superior ao nosso, com variedades de armas novas e
excelente material diverso. As formações encouraçadas inimigas travaram
combate a distâncias superiores a 2.500 metros (detalhe que já me informou
Sepp Dietrich) esbanjando munição e desfrutando de um excelente apoio
aéreo... “4) ...Tropas
aerotransportadas e pára-quedistas são empregados em número tão elevado e com
um método tão flexível que não há unidades capazes de enfrentá-los com êxito.
Quando descem em território não ocupado por nossas divisões, tratam de
entrincheirar-se a toda pressa e já não é mais possível desalojá-los
exclusivamente por intermédio da infantaria, sem apoio artilheiro... . Bombardeios Os bombardeios
maciços, como operação prévia ao desembarque, não foram suficientes para
neutralizar as defesas costeiras. Graças ao concreto das casamatas, as
baterias pesadas foram postas fora de combate, ocasionalmente; as posições de
artilharia menores e as tropas que albergavam foram, por outro lado, muito
pouco afetadas na sua eficiência. As posições de artilharia postas
definitivamente fora de combate não significaram mais de 14% do total conhecido
dentro da zona de invasão. Essas circunstâncias foram reveladas pelas tropas
de assalto, especialmente as anglo-americanas, que integraram as primeiras
leva s de invasão. Da correspondência de
Rommel 10 de junho de 1944. O Exército terá de
enfrentar circunstâncias muito duras. Ontem estive na frente, e lá voltarei
hoje. A superioridade aérea do inimigo dificulta muito nossos movimentos. Não
é possível. atuar contra ela e parece que logo sua pressão cairá sobre outros
pontos. Contudo, faremos o que pudermos. 13 de junho de 1944. Ontem a linha
telefônica funcionou pessimamente, porém pior teria sido não dispor dela. A
batalha não nos é favorável, especialmente devido à superioridade aérea
inimiga e aos efeitos da artilharia naval. O adversário efetua 27.000
incursões aéreas contra 300 ou 500 nossas. Ontem informei o Führer. Rundstedt
está fazendo o mesmo. Chegou o momento em que a política deve entrar em ação.
Esperamos que o próximo e ainda mais terrível golpe seja desfechado dentro de
uns dias. O poderio longamente preparado de duas potências mundiais entrou em
ação. Tudo estará decidido em pouco tempo. Fazemos o que podemos. Penso em
ti, com freqüência, com meus melhores votos e a esperança de que tudo possa
ser conduzido a um final tolerável. 14 de junho de 1944. Luta muito
encarniçada. A imensa superioridade inimiga na aviação, artilharia naval,
homens e material diverso começa a dar resultados. Mesmo assim, me parece
duvidoso que as autoridades superiores compreendam a gravidade do momento e
extraiam conclusões adequadas. O abastecimento escasseia. 15 de junho de 1944. Ontem estive outra vez
na vanguarda. A situação não melhora. Devemos preparar-nos para graves
acontecimentos. As tropas, tanto das SS, como do Exército, se batem
denodadamente, porém o equilíbrio das forças se inclina cada vez mais em
favor do inimigo. Nossa aviação desempenha um papel muito modesto sobre a
zona de combate. Estou bem. Hei de manter a cabeça erguida, mesmo quando
tiver de abandonar muitas esperanças. Logo estaremos diante de graves
decisões que te recordarão nossas conversas de novembro de 1942... Ontem vi o
Führer que, no momento, se encontra no oeste. Dei-lhe um informe detalhado da
situação e esclareci muitos pontos... Se me tivesse levado em conta, teríamos
contra-atacado na primeira noite, com três divisões, conseguindo talvez deter
o avanço. Esses atrasos tão prejudiciais foram causados pelo fato das
divisões Panzer terem sido obrigadas a percorrer entre 400 e 650 km até a
frente... Furacão A instalação dos portos
artificiais foi rapidamente realizada pelos Aliados nas praias de invasão. Na
manhã do dia D + 5 ficaram terminados os quebra-mares, e todos os
ancoradouros entraram em funcionamento, exceto na praia Utah, onde os
trabalhos foram extremamente obstaculizados pelo fogo da artilharia alemã. A
19 de junho, os portos "Mulberries" estavam 90% terminados e apenas
no porto britânico se descarregava já uma média de 2.000 toneladas diárias de
armas e suprimentos. Nesse dia, inesperadamente, desabou uma violenta tormenta.
O General Eisenhower, em seu informe oficial sobre a operação Overlord,
relata assim as conseqüências do furacão: “A 19 de junho caiu um
grande temporal que, num instante, parecia que ia aniquilar todo o nosso
trabalho. O tempo se mantivera instável. desde o Dia D, porém o furacão
contra a costa que desabou então era o pior que ocorrera nos meses de junho,
nos últimos 40 anos. Os "Mulberries" receberam toda a força do
embate dos grandes vagalhões, enormes como montanhas. A situação era ainda
mais difícil pois não se recebera nenhum prognóstico da tormenta. Todas as
operações de descarga, com exceção de umas poucas partidas de munições e
combustível, que foram transportadas pelas intrépidas tripulações dos
veículos anfíbios Ducks, tiveram que ser suspensas e a cabotagem, nos
congestionados ancoradouros, se encontrou logo em grandes dificuldades. A
tormenta continuou durante quatro dias. Nesse lapso se perderam dois
rebocadores surpreendidos na travessia e as embarcações que ,e achavam fora
das praias arrastaram suas âncoras e foram arrojadas sobre as costas. Para
aumentar nossos infortúnios, as novas minas explosivas "Oyster" do
inimigo foram ativadas pelo movimento das águas e causaram mais baixas. A 21
de junho, os próprios "Mulberries" começaram a desintegrar-se,
especialmente a instalação no setor correspondente aos norte-americanos,
diante de Saint Laurent, numa posição ainda mais exposta do que os de
Arromanches. Os quebra-mares exteriores cortaram as amarras e afundaram; as
caixas submersas "Phoenix" se deslocaram e o mar enfurecido se
introduziu pelas brechas golpeando as embarcações contra os cais e fazendo-as
em pedaços. Somente os barcos submersos "blockships" salvaram a
situação, evitando que se convertesse num desastre total. Durante o dia 22 de
junho a fúria do furacão amainou gradualmente, porém o mar continuou muito
agitado impedindo a tarefa de salvamento. Depois que os
"Mulberries" estavam quase terminados e a organização das praias
estava já encaminhada, era espantoso contemplar os danos causados pela
tormenta. Apesar dos heróicos esforços das tripulações dos rebocadores e do
restante do pessoal para salvar as embarcações, esforços que custaram muitas
vidas, uns 800 barcos ficaram encalhados nas praias e a maior parte deles
sofreu avarias. Toda a extensão da linha litorânea de invasão estava coalhada
com os restos das embarcações. Umas 600 foram postas finalmente a flutuar
pelas marés da primavera de 8 de julho, e quinze dias mais tarde, mais umas
cem; porém a escassez de transportes navais foi um golpe grave que nos
atrapalhou durante todo o verão. Dos port.os "Mulberries", o de
Saint Laurent estava tão destroçado que não podia ser reparado. Devido à ação
do mar, e ao atrito rompeu-se o principal quebra-mar "Phoenix" de
Saint Laurent e os barcos "blockships" haviam afundado uns quatro
metros abaixo do seu nível original. Em Arromanches, o quebra-mar
"Phoenix" pôde ser reparado, ao menos provisoriamente, e a linha de
barcos "blockships" havia resistido. O valor destes últimos era tão
grande que, a 23 de junho, enquanto ainda as ondas golpeavam a costa, foram
descarregadas 4.500 toneladas de suprimentos que se necessitavam com
urgência, sob a proteção que eles ainda proporcionavam. Os quebra-mares
exteriores ficaram completamente destroçados e tiveram que ser abandonados em
ambos ancoradouros... Não houve espetáculo na guerra que me produzisse maior
impressão do poderio industrial dos Estados Unidos que a destruição dos
portos artificiais nas praias da invasão. A qualquer outro país essa catástrofe
traria resultados fatais.” "O Führer tinha
que Decidir" O General Blumentritt,
chefe de Estado-Maior de von Rundstedt, comenta os preparativos realizados
para enfrentar a invasão do continente e os momentos posteriores à mesma: "A data da invasão
era prevista para qualquer dia compreendido no período de maio a setembro de
1944, que era a estação em que o tempo se mostrava mais favorável. A zona
ameaçada era a do Canal da Mancha, pois constituía o caminho mais curto até a
aberta e indefesa Renânia e porque, mediante uma investida nesse sentido, a
zona de comando do Oeste, em sua totalidade, ficaria isolada da Alemanha, de
um só golpe. Não se esperava que a invasão se efetuasse pela Holanda, já que,
nesse país, o terreno se prestava muito pouco aos movimentos em grande
escala... Não estava fora das cogitações um desembarque na Normandia, embora
executa-lo significasse alongar a duração das operações... "Rundstedt, seu
chefe de Estado-Maior e seu chefe de operações sustentavam o critério de que não
era possível, em absoluto, defender a costa sobre uma frente de 4.000 km,
contando para isso com forças manifestamente insuficientes. O inimigo,
concentrando seus poderosos recursos, conseguiria abrir caminho por qualquer
ponto daquelas delicadas e rígidas posições litorâneas... Rommel defendia a
opinião de que teríamos que defender a costa. "Pouco antes da
invasão, Rommel, resumiu a situação na frente do seu grupo de Exércitos “B”
da seguinte maneira: a rádio inglesa, que se mantivera em silêncio durante
algum tempo, reativou suas atividades, a 30 de maio. No dia 1o de
junho aumentaram as mensagens em código do inimigo, dirigidas à Resistência
francesa. "A 6 de junho,
entre duas e três da manhã, o General Speidel informou pessoalmente de que
havia ocorrido saltos de pára-quedistas e aterrissagens de planadores na
península de Cotentin. O momento desses desembarques pelo ar foi entre 0,30h
e l h 30m. Rundstedt não via mais nesses desembarques aéreos em grande escala
uma série de ataques falsos. Pouco depois da meia noite de 5 de junho, Rommel
fez soar o alarma na zona de acantonamento das divisões Panzer, a fim de que,
ao receber a ordem correspondente, estivessem prontas para sair em direção de
Caen e St. Lo, sem perda de tempo, Entre 2h 30m e 3h 30m da manhã enviou-se a
todos os postos de comando uma nova ordem de Rundstedt. Este, sob a sua
própria responsabilidade, ditou a seguinte ordem dirigida aos
quartéis-generais das duas divisões da Wehrmacht: “Divisão SS Panzer n°
12, marche o mais depressa possível em direção a Lisieux. Divisão Panzer de
instrução, preparada para empreender a marcha à voz de alerta. Ambas as
divisões, ao entrarem no campo de operações, ficarão sob as ordens do grupo
de exércitos ‘B’ ”. Dessa forma, as unidades de vanguarda teriam podido
entrar em combate às oito da manhã e o grosso das divisões até o cair da
tarde... "A 6 de junho,
entre 6h e 6h 30m da madrugada, o grupo de exércitos “B” informou ao Comando
do Oeste que o inimigo estava desembarcando, sobre uma larga frente, entre o
Orne e o Vire. Esse desembarque foi precedido por um fogo muito violento de
artilharia naval e de um forte bombardeio aéreo. Esse informe foi transmitido
a todos os postos-de-comando e ao QG da Wehrmacht. Quase ao mesmo tempo
chegou a ordem do Comando-Supremo de deter a marcha das duas famosas divisões
Panzer. A 12a Divisão Panzer SS podia continuar até Lisieux, porém
não devia ir mais longe. A Divisão Panzer de instrução teria que ficar na sua
posição anterior. "O Comando do
Oeste teve que agüentar uma verdadeira enxurrada de recriminações por se ter
atrevido a assumir, arbitrariamente, o comando dessas duas formações sem a
aprovação do Führer. "... Quando o
chefe de operações informou ao QG da Wehrmacht que o desembarque estava
progredindo e rogou encarecidamente que lhe fosse permitido dispor das
divisões Panzer, lhe responderam: “O senhor não está em condições de julgar
acerca da realidade da situação... "O Führer tinha
que decidir!" Marcha debaixo de fogo O General Fritz
Bayerlein. chefe da Divisão Panzer Lehr, descreve os dramáticos pormenores da
marcha empreendida por essa unidade blindada, através das estradas submetidas
ao fogo permanente dos caça-bombardeiros aliados, A divisão, sediada a 78
milhas ao sul. de Paris, alcançou a zona de luta na Normandia somente a 8 de
junho de 1944. “Eu viajava à frente
da coluna intermediária, com dois autos de comando e dois caminhões de
comunicações... Mal havíamos chegado à localidade de Beaumontesur-Sarthe, o
primeiro ataque dos caça-bombardeiros nos obrigou a buscar refúgio. Nessa
oportunidade não sofremos baixas. Porém, as colunas começavam a distanciar-se
permanentemente. Como havíamos recebido ordem de conservar silêncio radial,
apenas podíamos manter contato usando estafetas. Como se o silêncio radial tivesse
podido impedir que os caça-bombardeiros e aviões de reconhecimento nos
localizassem!... “Nosso deslocamento
era feito ao longo de cinco rotas de avanço e, naturalmente, nosso movimento
fôra detectado pelos aparelhos de reconhecimento do inimigo. Em pouco tempo
os caça-bombardeiros sobrevoavam as estradas, arrasando os entroncamentos da
rota, as pontes e aldeias sobre nossa linha de avanço e atacando
incessantemente as longas colunas de nossos veículos. Às 23 horas
atravessamos a localidade de Sees. O local. estava iluminado pelas bengalas
lançadas pelos aviões e as bombas choviam, explodindo entre as casas que já
se encontravam em chamas... Por volta das 2 da madrugada chegamos a Argentan.
O lugar resplandecia sob a luz dos incêndios como se fosse dia. As bombas
estouravam por toda parte, sacudindo o terreno. A cidade inteira ardia...
Atrás de nós o caminho estava bloqueado e tampouco podíamos seguir para a
frente. Estávamos presos numa armadilha de fogo. A poeira e a fumaça reduziam
a visibilidade a zero. As fagulhas voavam entre os veículos e pedaços
incandescentes de alvenaria caíam sobre nós...” Contra-ataque No momento da invasão,
os alemães somente contavam nas cercanias da costa com uma divisão blindada.
Era a 21a Panzer, comandada pelo General Feuchtinger. A força de
choque dessa unidade era constituída por um regimento de tanques, integrado
por 120 blindados médios Mark IV. Nas primeiras horas do Dia D, a divisão foi
posta em estado de alerta, ao se receber a notícia da descida dos pára-quedistas
aliados. No entanto a 21a Panzer não foi lançada sobre as praias
no momento crítico do desembarque. O QG de Hitler tinha-se arrogado a missão
de dirigir o deslocamento de todas as unidades blindadas na França, e não
emitiu ordem alguma para que os tanques contra-golpeassem até a tarde do Dia
D. Foi perdida assim a única oportunidade favorável para contra-atacar com
possibilidades de êxito. No transcorrer da
manhã de 6 de junho, os blindados da 21a Divisão foram dirigidos
sobre o rio Orne para cooperar com o aniquilamento dos pára-quedistas
britânicos ali entrincheirados. No entanto, ao chegar ao seu objetivo, e no
momento em que se dispunham a atacar, os tanques receberam uma surpreendente
contra-ordem: "Contramarcha! Dirijam-se a Caen para avançar sobre as
praias!". Imediatamente os dois batalhões que integravam o regimento
Panzer iniciaram a marcha rumo ao Oeste. Com o motor a toda, os Mark IV
avançaram, prontos para a luta. O que ocorrera? O General Marcks, chefe das
Forças alemães que defendiam a costa no setor atacado pelos britânicos,
conseguira, depois de desesperados e insistentes apelos, que o Alto-Comando
autorizasse o livre emprego da 21a Panzer contra as praias. Porém
já era demasiado tarde. No momento em que os tanques chegaram à sua linha de
partida ao norte de Caen, haviam já transcorrido oito horas desde o
desembarque das primeiras tropas inglesas. As cabeças-de-ponte estavam,
portanto, firmemente enraizadas. Às 14h 30m o General
Marcks se dirigiu a Caen e manteve uma última conferência com o chefe do
regimento de tanques, Coronel von Oppeln-Bronikowski. A despedida de Marcks
foi dramática: "Oppeln, se você não conseguir arrojar ao mar os
ingleses, podemos considerar perdida a guerra...". Essa era a cartada
decisiva na batalha do Dia D. O próprio Marcks participou na ação,
colocando-se à frente de um batalhão de Panzergrenadiers que avançou na
vanguarda dos tanques. O contra-ataque alemão foi dirigido contra a brecha
que ainda subsistia entre as duas cabeças-de-ponte britânicas das praias Juno
e Sword. Nessa estreita franja de areia teve lugar uma luta encarniçada. O
batalhão comandado por Marcks conseguiu, em violenta penetração, alcançar a
costa, mas ali ficou isolado. Na retaguarda, os tanques de von Oppeln haviam
sido rechaçados. O contra-ataque fracassara. Operações Entre 9 e 8 de junho,
apenas a umas horas do desembarque aliado na Normandia, um destacamento
alemão conseguiu apoderar-se do plano de operações de um Corpo americano. Os
documentos compreendiam todos os detalhes referentes ao plano de desembarque
e operações posteriores. O plano ia acompanhado por uma minuciosa série de
mapas e croquis. Detalhava exatamente a posição das tropas alemãs. Continha
também uma descrição perfeita do defeituoso armamento e equipamento das
divisões. O documento era, indubitavelmente, de grande importância para o
Estado-Maior do Quartel-General da Wehrmacht, porque provava que o
desembarque na Normandia era a verdadeira invasão. De acordo com os termos do
mesmo, os Aliados se propunham avançar rapidamente na Normandia e quebrar a
resistência alemã. O documento demonstrava a excelência do serviço de
informação dos Aliados. Entrevista decisiva Ante a difícil
situação que atravessavam as armas alemães, o Marechal von Rundstedt manifestou
a Hitler a necessidade de discutir pessoalmente com ele o curso dos
acontecimentos. O Führer, aprovando o pedido, decidiu receber Rundstedt e
Rommel no dia 17 de junho. A reunião se realizou
no quartel de Hitler, localizado na França, entre Laon e Soissons. Participaram das
conversações, além de Hitler, Rundstedt e Rommel, o Marechal Keitel, o
Coronel-General Jodl, os dois chefes de Estado-Maior da chefia do Oeste e do
Grupo de Exércitos "B" e vários chefes e oficiais. Os três principais
pontos da discussão foram: a) Descrição da grave
situação geral. b) Pedido de Rundstedt
de liberdade de ação no Oeste. c) Necessidade de
negociar politicamente com os Aliados. A respeito do primeiro
ponto, Hitler fugiu à discussão, limitando-se a exibir fotos de novas armas e
aviões que entrariam em ação nos próximos meses. A respeito da segunda,
contra o, que se esperava, Hitler prometeu que se faria o que Rundstedt
pedia. O terceiro pedido foi
ouvido em silêncio. Mais tarde, ao se concluir a reunião, enquanto Rommel
caminhava para o carro sozinho com Hitler, chamou novamente a atenção deste
acerca da gravidade da situação e insistiu sobre a necessidade referida
anteriormente. Hitler se manifestou então contrário à iniciativa e declarou
que os Aliados não aceitariam arranjos políticos, porque o extermínio da
Alemanha já fôra decidido por força de acordo com a Rússia, acordo do qual
ele estava perfeitamente a par. Demasiado tarde ! No dia 6 de junho de 1944 as forças alemães sediadas na costa da
Normandia tiveram que suportar, praticamente indefesas, os bombardeios e
ataques rasantes de mais de 10.000 aviões aliados. A Luftwaffe contava na
zona de luta unicamente com 319 aparelhos, dos quais somente 100 eram caças.
Outro fato contribuiu também para incrementar a esmagadora superioridade dos
Aliados no ar. O grosso das baterias antiaéreas alemães, agrupadas no Flak
Korps 3, comandado pelo General Pickert, se mantiveram durante toda a jornada
ausentes do campo de batalha. Os canhões de Pickert haviam sido localizados na
região do rio Soma, muitos quilômetros a Leste. Na manhã de 6 de junho nenhuma mensagem foi enviada ao General
Pickert para pô-lo a par da grave situação. O chefe alemão, portanto, partiu,
como fazia diariamente, para inspecionar as diversas unidades sob o seu
comando. Somente ao cair da tarde chegaram ao seu QG os primeiros informes da
invasão, porém essas notícias não salientavam claramente que o assalto aliado
na Normandia constituía o ataque decisivo. Pickert viajou então a Paris,
depois de ordenar que as baterias se locomovessem sem maior urgência para a
região de Caen. Os canhões alcançaram, finalmente, a frente de luta, entre os
dias 8 e 9 de junho. Era, no entanto, demasiado tarde! Estratégia O General americano
Omar N. Bradley comentou assim a situação militar no continente, após a
abertura da frente de invasão: "Quando, a 6 de
junho, Hitler se inteirou em Salzburgo da invasão aliada, diz-se que
manifestou a sua alegria, já que tinha certeza de que, antes de decorrida uma
semana, Rommel nos teria castigado, afogando-nos no Canal. Porém, já ao
anoitecer de 12 de junho, havíamos festejado a primeira semana em terra sem
que se houvesse produzido um só contra-ataque perigoso contra a cabeça de
praia americana. Unicamente os ingleses haviam sido alvo de ataques blindados
enquanto avançavam contra Caen e, novamente, quando procuravam estabelecer
contato com Huebner, perto de Caumont. Entrementes, os alemães haviam
aumentado a sua capacidade de luta, mediante reforços que concorreram de
outras partes da França, especialmente nos centros de comunicações essenciais
como Caen e St. Lo. Contudo, depois de uma semana de trabalhoso recolhimento
de suas reservas, Rommel não havia conseguido concentrar uma potência
suficiente para preparar uma ofensiva contra as praias. Enquanto isso, nós
havíamos já duplicado as forças em terra, e ao anoitecer de 12 de junho havia
sido desembarcado na França um total de 16 divisões aliadas. "Quando as
fortificações de cimento à beira da água foram destruídas no primeiro dia,
Rommel encontrou dificuldades para achar as reservas que poderiam colocar um
dique em nossa penetração. Devido à falta de infantaria, as três divisões
blindadas que foram levadas com toda a rapidez para a frente tiveram que
ocupar posições defensivas, procurando salvar Caen mediante um esforço de
última hora. Em virtude disso, quando Monty aumentou a pressão sobre aquela
cidade, foi impossível a Rommel empregar esses tanques num contra-ataque sem
correr o risco de que os ingleses efetuassem um rompimento nessa parte da
frente. O tanque é brutalmente eficaz na guerra ofensiva. Na defesa são
eficientes somente quando manidos reunidos atrás da frente de combate para
empregá-los num contra-ataque quando ocorrer um rompimento de infantaria ou
de blindados. "Desde o momento em que desembarcamos, Rommel se viu
acossado pela carência de reservas suficientes de infantaria e artilharia.
Além disso, cada unidade que chegava à frente da Normandia trazia as
cicatrizes infligidas pelos ataques aéreos aliados durante o seu acidentado
deslocamento através da França. Contudo, embora a aviação pudesse acossar
essas reservas, não podia nem detê-las, nem aniquilá-las. Todas as tardes,
quando o sol se ocultava e os aviões de combate aliados regressavam às suas
bases, o inimigo se punha em movimento pelos caminhos cobertos com a proteção
da noite. "Apesar das
dificuldades que o inimigo encontrava para aumentar suas forças, não deixei
de considerar a probabilidade de um potente contra-ataque e, por conseguinte,
aumentavam minhas preocupações com referência a dois perturbadores pontos
fracos existentes em nossas linhas. Cada um deles era marcado pela juntura de
dois setores, junturas tão precárias que incitam o inimigo a despedaçá-las.
Um desses pontos fracos estava no limite entre a faixa americana e a dos
ingleses; o outro residia em Carentan, onde as praias Omaha e Utah haviam
estabelecido contato. "Sempre que dois exércitos aliados estabelecem
contato, forma-se ali um ponto fraco que o inimigo pode explorar prontamente,
com bons resultados. Essa debilidade é resultante das dificuldades que
costumam se apresentar para a coordenação dos dois exércitos na defesa do
setor. No ponto onde a nossa praia tocava a de Dempsey, a debilidade era
demasiado evidente, A 1a Divisão de Huebner havia-se lançado
audaciosamente pelo “bocage” (zona coberta de arame farpado e estacadas) até
Caumont, a 32 km ao sul da costa e organizara uma posição defensiva no ponto
mais profundo da cabeça de praia aliada. Os ingleses, em troca, à esquerda de
Huebner somente haviam avançado a metade da distância, deixando a 1a
divisão com a ala descoberta e exposta ante as tropas inimigas. |