Amplia-se a cabeça de ponte aliada
Ataque naval aliado à Cherburgo
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Na madrugada de 16 de junho de 1944, na sala da guarda do
castelo do duque de La Rochefoucauld, em La Roche-Guyon, um oficial alemão está
sentado diante de uma grande escrivaninha, examinando alguns relatórios. É o
General Hans Speidel, chefe do Estado-Maior de Rommel. Este, ausente no
momento, se encontra em Herrlingen, nas proximidades de Ulm, acompanhando sua
família. Os relatos que Speidel tem diante dos olhos dizem: “2 h 30 m: 7o Exército a Grupo de Exércitos
"B". Ataques de pára-quedistas em Sainte Mère Eglise (Cotentin) e
na desembocadura do Orne. “2 h 50 m: As estações costeiras anunciam movimentos de navios
inimigos frente a Cherburgo e ao norte de Caen. “5 h 15 m: Confirmação da mensagem das 2 h 30 m. Numerosos
navios à vista. Provável desembarque”. Speidel, convencido de estar em presença de uma operação de
grande importância, já havia informado a von Rundstedt do que começava a
acontecer. O chefe supremo não abandonara sua convicção de que o ataque
principal seria lançado através do Passo de Calais. “Devem ser manobras de
distração...”, foi sua resposta. Às 6 h 10 m, uma nova mensagem do 7o Exército chega a
La Roche-Guyon. Seu texto diz: “Fogo naval intenso de Grandcamp ao Orne”.
Desta vez, Speidel se comunica com Rommel em Herrlingen: "Isto parece
muito sério, senhor marechal. As medidas. previstas para o ‘caso Normandia’
já estão em curso. A 3a Divisão Panzer já recebeu ordem de
colocar-se a caminho rumo ao Norte. A 21a Panzer já foi
alertada". A resposta de Rommel não se faz esperar: "Todos os
blindados e todas as tropas disponíveis no setor devem permanecer sob um
comando único. Informe ao General Jodl o que acabo de dizer. Saio de
automóvel para aí, agora mesmo. Chegarei ao meio-dia". Speidel desliga e
imediatamente o som estridente da campainha o torna a alertor; desta vez é o
General Jodl que chama de Berlim: "O que acontece exatamente? As
mensagens que recebemos aqui são confusas. Por que não se atua mais
efetivamente?" A resposta de Speidel é imediata: "Podemos atuar
somente por terra. Nossas forças aéreas consistem em 70 bombardeiros e 90
caças. Porém nem um só desses aviões pode decolar: os aeródromos foram destroçados
pelos bombardeios aliados. O Marechal Rommel pede que todos os blindados
sejam postos sob um comando único..." A voz de Jodl interrompe Speidel:
"Isso não posso decidir eu. Informarei o Führer. Mantenha-me
informado". As mensagens, entrementes, continuam chegando à sua mesa: "9 h: Desembarques aliados depois das 7 h 15 m. Número
incerto de navios. "9 h 15 m: Situação inquietante ao norte de Caen. Os
blindados aliados acossam nossos posições de artilharia. "10 h 10 m: Movimentos de navios aliados no estuário do
Vire". Por volta do meio-dia, o General Speidel chama novamente Berlim.
Em comunicação com Jodl, expressa-lhe: "Aqui está a última mensagem do
84° Corpo: Cabeça-de-ponte aliada de 25 km de largura por 5 de profundidade,
ao norte e a noroeste de Caen". "A 21a Panzer deve contra-atacar
imediatamente", diz Jodl. A resposta de Speidel é pronta: "A 21a
Panzer já está em marcha para contra-atacar, porém não será suficiente.
Proponho, em nome do Marechal Rommel, que o contra-ataque seja executado pelo
1° Corpo Blindado SS, constituído pela 21a Panzer, 3a
Panzer, e 12a Panzer SS". Jodl responde: "Impossível.
Aqui está a ordem do Führer: A 21a Panzer deve contra-atacar
imediatamente, sem preocupar-se em verificar se receberá ou não reforços. As
outras divisões blindadas ficarão na reserva. Existe o perigo de outros
desembarques". "Achamos que o desembarque na zona de Caen constitui
a operação principal, não um ataque de distração... ", responde Speidel.
"A ordem do Führer deve ser executada", contesta secamente Jodl. E
um segundo mais tarde o comunicação é cortada. |
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“Antes de uma semana...” Speidel, preocupado, "aterrado", segundo suas próprias
palavras, compreende que a situação parece carecer de sentido. O Führer
previu o desembarque na zona em que, de fato, acaba de produzir-se.
Manifestou a necessidade de lançar todas os forças disponíveis ao
contra-ataque e agora, quando a operação é posto em marcha, cada movimento
das unidades blindadas tem que ser autorizado por ele, de Berlim... Ao meio-dia, Hitler abandono Berchtesgaden e se transfere a
Salzburg, onde tem lugar uma recepção em honra do novo primeiro-ministro
húngaro. Ali, com uma certa indiferença, anuncia aos presentes o que quase
todos já sabem: "Afinal... Já começou... Antes de uma semana os
americanos serão arrojados ao mar. Será uma vitória provavelmente
decisiva". O QG do General Feuchtinger, comandante da 21a
Panzer, se encontrava em Saint Pierre sur Dives, a 24 km da costa. Essa
divisão blindada era a única que podia reagir com eficiência contra as forças
aliadas desembarcadas. Pouco depois das 2 da madrugada, o General Feuchtinger
foi informado que forças aerotransportadas haviam atacado ao norte de Caen.
Porém ele tinha a determinação de não pôr em movimento nem um só veículo, sem
receber ordens do QG de Rommel. Às 6 da manhã, não tendo recebido nenhuma
ordem, Feuchtinger ordena aos seus tanques iniciarem o ataque contra as
forças inimigas. Contudo, o confuso da situação fica patenteada pelas
mudanças de que foi informado, nas horas seguintes, e relativas ao seu
comando imediato superior. De fato, segundo suas próprias palavras, "...
recebi às 7 a primeira manifestação da existência de um comando mais
importante que o meu. Fui prevenido pelo Grupo de Exércitos "B" que
havia sido posto às ordens do comando do 7o Exército. Porém não recebi nenhuma
indicação mais. Às 9 h me foi dito que dependeria do 84° Corpo de Infantaria. “Finalmente, às 10 recebi minhas primeiras ordens concretas: foi
me ordenado que cessasse meus movimentos contra os pára-quedistas...” De acordo com as ordens recebidas, os 170 blindados da 21a
Panzer cruzaram o Orne e rumaram para o norte, em direção à costa. Os aviões
sulcavam o espaço. Eram aparelhos aliados que, inexplicavelmente, não
atacaram a poderosa coluna de tanques. Somente a 15 km da costa a guerra
surgiu como uma realidade. Aí começaram a cair sobre os tanques alemães os
primeiros projéteis aliados. O resultado foram onze blindados destruídos
naquele primeiro encontro. A frente aliada não constituía uma linha contínua. Um grupo de
tanques alemães, conseqüentemente, continuou avançando através do campo.
Pelas 19 horas, os veículos chegaram à costa. E ali, diante deles, se
ofereceu um imponente espetáculo: a frota aliada que parecia estender-se até
ao infinito. O tempo que a 21a Panzer dispôs para contemplar o
impressionante poderio naval foi escasso. Imediatamente, os primeiros
projéteis começaram a cair sobre a coluna. Um grupo de aviões, também, passa
em vôo rasante e ataca os tanques. No interior dos blindados, os oficiais
pedem reforços e proteção aérea, desesperadamente. A ajuda, no entanto, não
chega. A divisão, rapidamente, tem que bater em retirada. Feuchtinger dirá
mais tarde: "Dei então ordem para retirarem-se para novas posições. Ao
terminar o primeiro dia, minha divisão perdera 25 % dos seus tanques..." Enquanto, isso, pouco antes das 16 h, um automóvel alemão se
detém à entrada do castelo de La Roche-Guyon. O Marechal Rommel desce e se
precipita para o interior do edifício. Seu chefe de Estado-Maior abandona sua
mesa e avança ao seu encontro: "A situação me parece ter melhorado um
pouco desde esta manhã. Uma mensagem da 352a Divisão diz que os
americanos foram rechaçados, em parte, no seu setor... Nossa aviação ainda
não se fez presente... " A penetração aliada Enquanto Speidel presta contas da situação a Rommel, o telefone
começa a chamar. É von Rundstedt quem fala. "Estas são as ordens do
comando supremo", diz Rundstedt. “A cabeça-de-ponte deve ser destruída
nesta mesma noite, porque existe o perigo de novos desembarques...”. "Isso significa a autorização para constituir o 1° Corpo
Blindado SS, como pedi?"
pergunta Rommel. "Penso que sim... E as cabeças-de-ponte devem
ser destruídas nesta mesma noite..."
são as palavras de Rundstedt. "Isso é impossível" ...
exclama Rommel. As palavras de Rundstedt, no entanto, não admitem dúvidas:
"Acabo de expressar-lhe o desejo do comando supremo. O senhor faça tudo
o que puder..." Às 18 horas, uma nova mensagem chega da 352a Divisão.
Desta vez, as notícias não são boas: "Forças aliadas infiltradas entre
as posições fortificados. Objetivo provável: Bayeux. Ala direita da 352a
Divisão ameaçada pelo avanço das tropas aliadas". Pouco mais tarde, Rommel recebe uma chamada telefônica do
comando do 84° Corpo: "O fogo naval foi devastador. Os bombardeios dos
aviões destruíram praticamente os campos de minas. A tática dos Aliados
consiste em ultrapassar os pontos fortificados e depois atacá-los com forças
blindadas que avançam em uma segunda linha. "Parecem conhecer muito bem os pontos fracos do nosso
dispositivo. A artilharia da 716a Divisão foi exterminada pelos
bombardeios naval e aéreo. O que faz nossa aviação?" Rommel não podia
responder o essa pergunta, pois a resposta teria sido terrivelmente
desalentadora. A maioria dos caças alemães existentes, a 6 de junho de 1944,
havia sido empregada para defender as fábricas e as refinarias, os
entroncamentos ferroviários do Reich e as rodovias. Não havia, no Oeste, mais
de 120 caças em condições de combater... O Marechal Rommel já havia transmitido a ordem de contra-atacar
a 7 de junho, pela manhã, ao Oberstgruppenführer Joseph Dietrich, comandante
do 1° Corpo Panzer SS. Dietrich, ex-sargento da Primeira Guerra Mundial, e
militante do Partido Nacional-Socialista desde a primeira hora, chegara a ser
comandante da guarda pessoal de Hitler, com o posto de general. Apenas recebida a mensagem de Rommel, Dietrich telefona de
imediato a Feuchtinger: "O senhor atacará amanhã pela manhã com a 12a
Panzer SS. A 3a Panzer o reforçará assim que for possível. O
senhor arrojará os Aliados ao mar. Chame Kurt Meyer e faça os necessários
planos junto com ele". O Brigadenführer Kurt Meyer era, na ocasião, comandante da 12a
Panzer SS "Hitlerjugend". Convocado por Feuchtinger, Meyer
comparece à sua presença. O primeiro lhe mostra as ordens e diz: “O senhor
tomará posição à minha esquerda e assim executaremos um ataque combinado. Não
vai ser fácil. Os ingleses tem muitas forças nesse setor...” Meyer, depois de observar os mapas, diz, simplesmente:
"Amanhã os jogaremos ao mar..." Em seguida, pergunta: "E a 3a
Panzer, onde está?" Feuchtinger sacode os ombros, respondendo: "Em
algum lugar, a caminho... Bayerlein tem ordem de reunir-se conosco..." Fritz Bayerlein havia sido chefe de Estado-Maior de Rommel na
África. Era um homem pequeno, enérgico e inteligente. Depois de receber, na
manhã de 6 de junho, a ordem de colocar-se em marcha, a aviação aliada havia
bombardeado sem interrupção suas torças. Tornava-se, portanto, praticamente
impossível marchar à luz do dia. A ordem, de fato, previa o avanço a partir
das 17 horas. A mensagem enviada por Bayerlein dizia: "Não podemos
marchar de dia. Solicito permissão para esperar até a noite." A resposta
não se fez tardar: "Ponha-se em marcha às 17h..." A divisão, rapidamente, partiu rumo ao seu objetivo. Mais de 200
tanques e uma enorme coluna de caminhões e automóveis a integrava. Não haviam
passado dez minutos quando o primeiro ataque dos aviões aliados se
desencadeou sobre os veículos. Até a chegada do noite, trinta veículos já
haviam sido destruídos. Os tanquistas e motoristas dos caminhões tratavam
desesperadamente de escapar à ação dos aviões, ocultando os seus veículos
entre as árvores e camuflando-os, com ramos de árvores. No entanto, houve
novas perdas de tanques e caminhões... A 8 de junho, a 3a Panzer se encontrava a 25 km ao
sul de Caen. A 9, ainda não havia chegado à zona de batalha. Pelas mesmas razões, o contra-ataque da 21a Panzer e
da 12a Panzer SS não pôde ser efetuado a 7 de junho pela manhã,
como estava previsto, nem tampouco a 8. Por fim, a 21a Panzer e parte da 12a
Panzer SS puderam chegar até alguns quilômetros ao sul de Caen, onde
detiveram o avanço britânico. Porém o contra-ataque somente foi lançado a 9
de junho, com a participação das unidades citadas. Desde 7 de junho, Rommel
havia ordenado à 7a Divisão de Infantaria e à 3a
Divisão de Pará-Quedistas dirigir-se à frente de luta. A 12a
Panzergrenadier SS foi chamada também. Lenta marcha para a frente O Estado-Maior do Grupo de Exércitos "B" começou então
a elaborar um plano. Entrementes, Rommel tinha que se comunicar com Berlim
cada meia hora, a fim de receber instruções de Hitler, que lhe eram
transmitidas por Jodl. Estas, em linhas gerais, consistiam em perguntas
acerca de movimentos de unidades, impossíveis de efetuar, ou reforços que não
existiam, ou avanços absolutamente impraticáveis. Outra razão obrigava Rommel
a modificar continuamente os seus planos. Com efeito, as unidades sob o seu
comando sofriam permanentes e devastadores ataques da aviação aliada, que
dizimavam suas fileiras e retardavam seus movimentos. Até o dia 9 de junho, à
noite, a 77a Divisão não havia ainda ultrapassado Avranches. A 17a
Panzergrenadier SS, em parte, estava impossibilitada de atravessar o Loire,
pelo rompimento das pontes. O bombardeio e a sabotagem dos membros da
Resistência tornavam muito difíceis os movimentos dos alemães. Rommel, desesperado, reclamava apoio aéreo dos seus chefes. Jodl
lhe respondeu, de Berlim: “Tudo o que era possível já foi feito. Estamos
tentando transferir aviões da frente do Oeste, mas isso leva tempo...”. No dia 10 de junho chega uma nova diretiva do comando supremo. É
uma ordem de Hitler. Seu texto diz: "Não deve haver nenhum recuo. Cada
homem deve combater e cair onde estiver". A ordem significava o fim de
todas as esperanças de Rommel. A partir desse momento sabia que não poderia
contar com ajuda, nem reforços. Sabia que teria de operar apenas com suas escassas
e mal armadas forças. Sabia que estava entregue à própria sorte. No dia 17 de junho de 1944, às 3 da manhã, o automóvel do
Marechal Rommel, coberto de barro, se deteve diante do castelo do duque de La
Rochefoucauld, em La Roche-Guyon. O marechal regressava de uma viagem de
inspeção em Cotentin. Seu chefe de Estado-Maior, o General Speidel, estava
esperando-o, com uma mensagem na mão. Sem preâmbulos, Speidel lhe disse:
"Senhor marechal, às 9 da manhã deveremos estar no posto de comando W
II, perto de Margival, ao norte de Soissons. O Marechal Rundstedt e seu chefe
de Estado-Maior lá estarão também". Rommel, adivinhando o que em
realidade sucederia, disse então a Speidel: "Creio que encontraremos ali
outra pessoa... " E assim foi, efetivamente. Hitler, cedendo aos apelos dos seus
dois marechais, concordou em chegar até à frente, ao velho posto de comando W
II, instalado em 1940, quando o Führer ainda sonhava com a invasão da
Grã-Bretanha. Rommel, após tomar um banho e trocar de uniforme, tornou a subir
no carro e partiu. O posto de comando W II está situado a 8 km a nordeste de
Soissons. Compreende uma sala de reuniões de cimento, perfeitamente
camuflada, e um apartamento anexo, provido de banheiro e outras comodidades.
Tudo está construído à prova de bombardeios. De um dos lados, corre uma via
férrea que penetra num túnel próximo. Nele se ocultará o trem especial do
Führer. Contudo, a magnífica instalação de pouco servirá. O homem que ameaçou
a Grã-Bretanha e foi dono da Europa, chega num automóvel blindado, envolto
numa atmosfera sombria. "Não retroceder uma polegada mais... ! Chegando Rommel ao local, junto com seu chefe de Estado-Maior,
são imediatamente conduzidos aos aposentos de Hitler. A porta se fecha atrás
deles e a chefe alemão se encontra em presença de von Rundstedt e seu chefe
de Estado-Maior, o General Blumentritt, que já estavam ali. Instantes depois,
Jodl e outros altos chefes unem-se a eles. Todos estão de pé, em um grupo
silencioso. Diante deles, sentado num tamborete, está Hitler, pálido e
evidentemente nervoso. Em seguida, o Führer, segundo o seu costume, inicia um
interminável monólogo: “O desembarque é um fato inadmissível... Foram
cometidos evidentes erros... Se as guarnições costeiras tivessem cumprido o seu
dever, nada teria sucedido... Em todo o caso, diante dos acontecimentos, não
se poderá retroceder uma polegada mais...” Rommel e Rundstedt escutam as palavras do Führer no mais
profundo silêncio. Depois, diante do olhar interrogativo de Hitler, Rommel diz:
"Não temos nada de que acusar nossas tropas... " Depois, falando
com "franqueza total", Rommel explica ao ditador qual foi, na
realidade, a magnitude terrível dos bombardeios aéreos e navais prévios ao
desembarque, a carência absoluta de uma força aérea em condições de repelir o
ataque aliado, a enorme massa de material bélico lançado à batalha pelos
ingleses e americanos, as deficientes condições combativas das forças
alemães, mal apetrechadas e fisicamente inferiores, e a impossibilidade dos
comandos de tomar decisões e manejar as forças, de acordo com suas
observações pessoais e experiência militar. "No setor de Caen, por
exemplo, o inimigo lança à batalha, constantemente, forças novas... ",
diz Rommel. O Führer então o interrompe para perguntar: "Qual é a
situação nesse setor? Por que não contra-atacaram? Os ingleses não têm senão
uma nesga de terra por trás deles... Os senhores poderiam tê-los jogado ao
mar ..." A resposta de Rommel é imediata: "Contra-atacamos... Se
não fosse a ajuda que os ingleses recebem do sua aviação, nós os teríamos
contido em muitos pontos... De fato, é verdade que eles não têm senão uma
nesga de terra por trás deles, porém, em certo sentido, isso é uma vantagem
para eles... Os encouraçados intervêm na batalha e canhoneiam nossos
blindados... Hitler, nesse instante, explode com sua costumeira violência
verbal: “As fortalezas devem ser defendidas até a última gota de sangue... E
o senhor não me propõe nada positivo!” “Sim...”, responde Rommel, “a frente
de Caen deve ser recuada até ao Orne... Devemos adotar uma defesa elástica,
ao sul da península de Cotentin. Um contra-ataque geral é possível, se for
organizado em escala estratégica, com liberdade absoluta para os comandantes
da frente da Normandia, e se nos enviarem aviões e unidades blindadas. Já não
haverá um grande desembarque ao norte do Sena..." "Pode ser possível", diz Hitler, “em todo o caso, não
autorizo nenhuma retirada em nenhuma região...”. O Führer se põe de pé e
parece decidido a ir embora. No entanto, se detém e diz: "Os senhores
não têm idéia do que vai acontecer... As armas V, e outras mais, nos darão a
vitória". Depois, Hitler recomeça um novo monólogo: "Londres será
destruída pelas V-1, e a Grã-Bretanha terá que pedir a paz... E as V-1 não
são as únicas armas novas.... Nos laboratórios se preparam outras, mil vezes
mais aterradoras..." Nesse instante, Rundstedt interrompe o Führer: "Por que não
empregar as V-1 contra o cabeça-de-ponte aliada?" Hitler, imediatamente,
ordena: "Façam entrar Heinemann..." Um momento depois entro o
General Heinemann, chefe militar responsável pelo emprego das V-1. Firme ante
o ditador, o general escuta a pergunta e responde: “Seria arriscado utilizar
a V-1 contra a cabeça-de-ponte... A dispersão é ainda muito grande... De 15 a
18 km... Nossas tropas estariam expostas”. “Não seria possível emprega-las contra os portos do sul da
Inglaterra?” interroga Rommel. Hitler, sem hesitar, intervém: “Não. É Londres
que devemos atacar. A destruição de Londres obrigará os ingleses a pedira a
paz”. A essa altura da conferência, Rommel e Rundstedt começaram a se
sentir desanimados. O ditador, evidentemente, parece não querer ver
claramente a situação. Dá a impressão de querer convencer-se a si mesmo de
algo que vai ocorrer, deixando de lado a realidade, o que está acontecendo, e
que não se pode evitar nem deter. Pouco depois, enquanto Hitler continua falando das suas novos
armas V, um SS entra e anuncia um alarme aéreo. Os presentes, imediatamente,
se dirigem ao abrigo subterrâneo. Ali, Rommel volta a falar aos chefes. Porém
já não fala da frente de invasão. Agora suas palavras se referem à situação
geral da Alemanha na guerra. Segundo ele, tal situação é desesperadora.
Nenhuma das frentes poderá manter-se indefinidamente. Apenas se poderá
retardar, por algum tempo, o triunfo das armas aliadas. Essa margem de tempo
deve ser aproveitada paro conseguir uma paz aceitável. Nesse momento, Hitler
interrompe o marechal: "Isso não é problema seu... Preocupe-se com o
frente de invasão!" Rommel, friamente, continua: "Há algo mais.
Quero falar de Oradur-sur-Glane. Peço autorização para castigar a divisão SS
"Das Reich" pelas represálias inadmissíveis que levou a cabo. Essas
coisas mancham o uniforme alemão". Hitler, alterado, responde: "Não intervenha nisso. Não
corresponde ao seu setor!" Em seguida o ditador diz: "Creio que
terminamos". E sai do abrigo. O General Schmundt, ajudante de Hitler, que acaba de assistir à
reunião sem pronunciar palavra, diz, então, dirigindo-se a Rommel:
"Creio que seria uma boa idéia convocar uma reunião em La Roche-Guyon.
Os senhores tratariam de convocar a presença de alguns comandantes de
unidades da frente e o Führer os escutaria. Assim teria informações diretas
da frente de batalha. Eu, de minha parte, procurarei ajudar também...
Chame-me amanhã... " Rommel pronuncia uma só palavra:
"Entendido". Eram 16 horas. A reunião terminara. Na manhã seguinte, a um
chamado telefônico de Rommel, o General Blumentritt responde: "O Führer
se dirigiu diretamente a Berchtesgaden". Que acontecera? Horas mais
tarde, uma mensagem, esclarecendo o ocorrido, chega às mãos de Rommel. No dia
anterior, pouco depois da partida dos assistentes da reunião, uma V-1,
perdendo a direção, caiu sobre o posto de comando W II, destruindo-o... O ataque da frota aliada No mesmo dia em que Hitler viajava para Berchtesgaden, o
Estado-Maior do Almirante Ramsay, comandante-chefe dos forças navais aliadas,
elaborava o seguinte plano de operações: "Tendo como objetivo anular as
forças alemães que possam ser utilizados contra os efetivos americanos que
atacarem Cherburgo, uma Força-Tarefa bombardeará os alemães. A Força-Tarefa
que deverá estar pronta a partir de 21 de junho, compreenderá os encouraçados
americanos Nevada, Texas e Arkansa:, os cruzadores americanos Tuscoloosa e
Quincy, os cruzadores britânicos Glasgow e Enterprise, além de destróieres e
caça-minas. Estará sob as ordens do Contra-Almirante (americano) Deyo. A
concentração das belonaves terá lugar em Portsmouth. A Força-Tarefa executará um bombardeio prévio a 21.000 metros
para neutralizar as baterias inimigas de longo alcance; depois, os navios
avançarão até 13.000 metros e, dali, martelarão os objetivos designados pelo
exército". Nesse mesmo dia, o 1o Exército americano do General
Collins se pôs em movimento rumo ao norte, a partir de uma linha que se
estendia desde La Hougue a Barneville, precedido por seus tanques e sua
aviação tática. Rommel verificava que tudo o que dissera a Hitler começava o
cumprir-se. De fato, as tropas alemãs, pouco numerosas, não poderiam resistir
muito tempo na península. Os comunicados dos chefes de unidades que chegavam
continuamente ao seu QG não deixavam lugar a nenhuma ilusão: "Situação
instável... Infiltração de blindados aliados... Retirada para o norte em
busca de um reagrupamento das forças... Movimentos entorpecidos pela aviação
inimiga...". A 24 de junho, por fim, os alemães se encontraram praticamente
cercados em um espaço que se estendia sobre a costa, que não permitia a menor
escapatória. Durante a noite, os blindados americanos abriram três brechas
nas defesas exteriores de Cherburgo. A aviação, enquanto isso, bombardeava
sem descanso a fortaleza e o porto. Os barcos do Almirante Deyo zarparam de
Portsmouth, a 25 de junho, ao alvorecer. O tempo estava muito bom. A
Força-Tarefa avançou a todo vapor, precedida pelos caça-minas. Encontravam-se ainda a mais de 15 milhas da costa francesa,
quando os milhares de marujos avistaram no horizonte uma enorme nuvem de
fumaça negra que se elevava para o alto. Era Cherburgo. Depois, já mais
perto, escutaram o troar dos canhões. Nesse momento, o Almirante Deyo recebeu
uma mensagem enviada da terra: "Devem cessar os bombardeios a 21.000
metros. O bombardeio naval deverá começar a partir da posição 2 (13.000
metros)". Essa ordem era determinada pelo rápido avanço das unidades
terrestres. Resultava impossível conhecer a posição exata de cada formação e
corria-se o risco de bombardear as próprias forças. A Força-Tarefa, portanto,
continuou sua marcha, sem abrir fogo. As defesas alemãs compreendiam vinte baterias, instaladas em
casamatas, servidas por artilheiros da Kriegsmarine, bem treinados e
dispostos a lutar. Outras baterias eram integradas por canhões de 280, que
podiam disparar a 20.000 metros. A 16.500 metros, a Força-Tarefa mudou de rota e começou a
navegar paralelamente à costa, sempre com os caça-minas à frente da formação.
As baterias alemães, no entanto, permaneceram silenciosas. Os navios viraram de rumo e começaram a acercar-se da costa.
Através da fumaça dos incêndios podia-se vislumbrar a localização das
baterias inimigas. Estas, contudo, permaneciam sem disparar. A bordo dos encouraçados, cruzadores e destróieres, os
telemetristas informavam continuamente a distância que os separava da
costa:"... 11.000 metros... 10.500 metros... 10.250 metros... 9.500
metros... 9.250 metros... " Os canhões alemães continuavam silenciosos. Uma vez mais a frota mudou de rumo e, novamente, navegou
paralelamente à costa. Nesse instante, as baterias costeiras alemães abriram
fogo. Semelhantes a lampejos de projetores, os canhões expeliam línguas
flamejantes em cada disparo. Entre os barcos da frota, que navegavam a todo
vapor, os projéteis começaram a cair. Imediatamente, os canhões dos encouraçados
e cruzadores responderam ao tiro das baterias alemães. As baterias silenciadas Os canhões alemães disparavam com grande precisão. Os barcos
eram obrigados o fazer constantes evoluções entre as grandes colunas de água
provocadas pelos disparos inimigos. Às 12h 53m o destróier americano O'Brien
foi atingido por um obus de 203, porém não abandonou o seu posto na formação.
Às 13h 15m dois obuses de grande calibre caíram simultaneamente sobre os
destróieres Barton e Laffly. Por estranha coincidência, nenhum dos dois
projéteis explodiu. Os lugares batidos pelo fogo dos barcos, por sua vez, eram
cuidadosamente observados pelos aviões aliados. De acordo com os informes, o
tiro naval obtinha, pela altura média do bombardeio, 75% de impactos. Às 13h
25m, hora na qual devia cessar o bombardeio, todas as baterias alemãs
disparavam ainda. O Almirante Deyo, portanto, recebeu ordens de continuar a
operação. Às 13h 42m o cruzador britânico Glasgow foi atingido por dois obuses
que explodiram. Um incêndio se manifestou, então, no hangar dos hidraviões. O
Glasgow abandonou prontamente a formação e aproou paro o norte. Dez minutos
mais tarde, dominado o incêndio, o cruzador retomou seu lugar na formação, e
reiniciou o fogo contra as posições alemães. A partir das 14h 30m o fogo das baterias alemãs começou a
decrescer. Algumas silenciaram definitivamente a sua ação. Outras disparavam
apenas esporadicamente. Os caça-minas, entrementes, agindo com grande audácia,
dedicaram-se a abrir um canal nas proximidades do porto. Às 15 h 30 m somente duas baterias alemães continuavam
disparando contra a frota aliada. Os disparos, contudo, eram intermitentes. O
Almirante Deyo, então, irradiou uma mensagem. Seu texto dizia: "Operação
terminada. Liberdade de manobra". Mais de 3.000 obuses, em grande parte
calibres 380 e 305, foram lançados pelos navios sobre as defesas alemães. As
tripulações haviam sofrido algumas perdas, porém nenhum barco fôra gravemente
danificado. Por outro lado, os artilheiros alemães se dedicaram a dirigir o
fogo sobre os barcos da frota aliada e não sobre as forças que se aproximavam
da cidade. No informe oficial que o comandante supremo, General Eisenhower,
enviou aos chefes do Estado-Maior Combinado, comentou a luta na Normandia nos
seguintes termos: "A luta ocorrida no período de fixação da zona de
entrincheiramento, depois do êxito do nossa assalto inicial, tomou a forma de
uma luta penosa e encarniçada no setor britânico da frente, tendo a cidade de
Caen como foco principal. O inimigo concentrou ali o grosso das suas forças,
enquanto que os homens do 1o Exército americano abriam caminho
rumo à península de Cherburgo, para tomar o próprio porto, reagrupando-se
depois e consolidando sua posição ao sul, preparando o que seria a brecha
decisiva em fins de julho. "Pela sua ansiedade em impedir a tomada de Caen e o
alargamento da nossa cabeça de praia rumo ao leste, o inimigo contribuiu de
certa forma para a realização do nosso plano inicial em relação à tomada de
Cherburgo, depois do Dia D mais 6 ou Dia D mais 7, a batalha se desenvolveu
em geral como se previra. Essa ansiedade do inimigo no leste se manifestou do
Dia D mais 1 em diante, depois do fracasso da nossa tentativa de tomar a
cidade de Caen na primeira arremetida para o interior. Era vital para o
inimigo fechar-nos a bacia do Sena: em parte, porque representava a última
barreira natural que defendia as bases das V-1 e V-2; em parte, porque
necessitava dos transportes fluviais para levar abastecimentos e reforços às
suas divisões na Normandia; em parte, porque proporcionaria uma cunha para
Paris, que isolaria todas as suas forças no Oeste; em parte, porque previa
uma ameaça a Le Havre, que era uma base inestimável para os seus barcos que
estavam operando contra as vias de acesso à zona de assalto; porém
provavelmente, sobretudo, porque desejava evitar a possibilidade de ligação
entre as forças aliadas que já haviam desembarcado e as que supunha que
deveriam desembarcar no Passo de Calais. "Por essas razões, portanto, lançou ao combate no setor de
Caen todas suas forças blindadas disponíveis, e uma parte considerável da sua
infantaria, facilitando assim a tarefa das tropas aliadas no oeste, porém
fechando-nos o acesso ao terreno adequado para tanques e aeródromos próximos
a Falaise. Seus fins secundários, que se cristalizaram quando compreendeu
nossa estratégia, eram manter uma cunha, ameaçando separar as forças
americanas em Cotentin das que se encontravam em Calvados; evitar o
isolamento da península de Cotentin e bloquear o caminho a Cherburgo.
Compreendeu plenamente a importância que tinha para nós a tomada desse porto
(em realidade, superestimou a necessidade disso, na sua ignorância dos nossas
projetos de portos artificiais e, provavelmente, subestimou nossa capacidade
para empregar as praias abertas), porém sua deficiência em infantaria, e sua
preocupação com o setor de Caen, reduziram sua capacidade para defendê-lo. "Nossa estratégia, ante essas reações alemães, foi atacar
energicamente no leste, com o fim de conter ali a principal força inimiga, enquanto consolidávamos nossas
posições no oeste. A luta deflagrada nas proximidades de Caen, que pareceu
custar sangue demais para a conquista de um terreno tão reduzido, foi, de
fato, um fator essencial para assegurar nosso êxito final. A própria
tenacidade da defesa foi evidente prova disso. Conforme declarou aos
correspondentes de imprensa, em fins de agosto, cada pé de terreno que o
inimigo perdia em Caen, equivalia à perda de dez milhas em qualquer outro
lugar. Em Caen, nós os mantínhamos, com nossa esquerda, enquanto assestávamos
o golpe contra Cherburgo com nossa direita. "A tenacidade do inimigo no leste não significou que as
forças aliadas no oeste desfrutaram de uma vitória fácil. O terreno no qual
lutavam era extraordinariamente favorável para a defesa. Numa região
estreita, salpicada de bosques e hortas e com os campos divididos por
elevados aterros coroados de árvores, constituindo cada um deles um
formidável obstáculo antitanque, as forças blindadas tinham valor limitado e
a infantaria teve que travar uma encarniçada luta, de metro a metro, e de
cerca a cerca, fustigada por inúmeros atiradores e ninhos de metralhadoras
emboscados..." Até meados de junho, a situação já estava suficientemente
definida para se ver claramente que os alemães careciam de poder combativo
para enfrentar os exércitos aliados. Paralelamente, a aviação
anglo-americana, dona do espaço, martelava à vontade os seus alvos sem achar
oposição alguma. Entrementes, um rio de homens, armas e abastecimentos afluía
incessantemente às cabeças de praia. A sorte dos exércitos alemães estava
praticamente selada. No Alto-Comando da Wehrmacht eram muitos os que já o
sabiam. Porém, Hitler exigia o prosseguimento da luta. E a luta devia
continuar. Sem esperanças visíveis, inútil e teimosamente, o enquadramento da
situação pelo Führer conduzia a Alemanha, inexoravelmente, à derrota final. Enquanto se desenrolavam os acontecimentos citados, o
abastecimento das tropas e os desembarques de novos contingentes de
combatentes puderam ser levados a cabo sem grandes dificuldades. A construção
de portos artificiais, ao mesmo tempo, continuou em ritmo acelerado. Uma
tormenta inesperada, que desabou no dia 19 de junho, interrompeu as operações
de descarga e entorpeceu a construção dos citados portos. Nessa data, tanto o
porto americano como o inglês estavam quase terminados. No americano
especialmente, os trabalhos estavam mais adiantados. De fato, ali uma LST era
descarregada em uma média de uma hora, em contraste com as doze horas
necessárias para descarregar na praia; pois, na areia, os barcos deviam
avançar com a maré alta, descarregar durante a maré baixa e zarpar com a
seguinte maré alta. O porto Mulberry "A" foi construído em local muito
exposto aos ventos. Isso influiu desfavoravelmente e provocou praticamente a
sua destruição. Por essa razão teve que ser abandonado. Os peritos opinaram,
posteriormente, que a verdadeira razão da sua destruição residiu na rapidez
com que fôra construído. O porto Mulberry "B", situado na zona
inglesa, foi instalado nas proximidades do recife de Calvados, que o protegia
e evitou que a tormenta o danificasse. O recife abrandou muito a força do mar
e, assim, os abastecimentos puderam ser descarregados sem inconvenientes. A fúria dos elementos pareceu conspirar contra o operação de
desembarque. De fato, a tormenta que desabou no dia 19 de junho foi a mais
terrível desde 1895. Consideráveis danos sofreram os embarcações de desembarque; e o
porto, no setor americano, foi danificado por essas embarcações, que foram
lançadas contra o ancoradouro pelas vagalhões. A tormenta durou cinco longos
dias. As operações de descarga tiveram que ser suspensas entre os dias 19 e
20. A partida de comboios do Inglaterra foi suspensa. As embarcações que conseguiram
escapar ao temporal foram as que se encontravam por trás dos barcos
afundados. Ao todo, deixaram de ser descarregados 140.000 toneladas de
abastecimentos e 20.000 veículos, além de comprometer seriamente o operação
Overlord, que ela dependia de um avanço ofensivo no interior,
convenientemente apoiado do ponto de visto logístico. Embora a tenaz
resistência alemã tenha sido a principal responsável pelo lento progresso
antes do rompimento de fins de julho, a tormento contribuiu substancialmente
para atrasar a chegada das tropas combatentes da Inglaterra e a chegada
oportuna do apoio logístico. No desenrolar dos primeiros combates ao longo dos dias iniciais,
quando uma divisão entra em ação pela primeiro vez, a maioria dos homens sofrem
certos distúrbios resultantes do shock. Enquanto os soldados não se
"aclimatam" à agonia dos feridos e ao espetáculo da morte,
agrupam-se atemorizados e confusos. Torna-se difícil tarefa, então,
arrastá-los ao ataque. Comumente, ao cabo de um tempo mais ou menos breve, as
tropas reagem normalmente, e os transtornos cessam. Declara, a esse respeito, o General Omar Bradley: "Sempre
que era possível, nos esforçávamos para aliviar a intensidade do mencionado
shock, fazendo com que cada nova unidade se adaptasse em um setor tranqüilo
antes de ser empenhada num ataque. Porém, quando a D. 90 desceu à terra
pisando os calcanhares da 4a Divisão, atravessando a praia Utah,
não havia setores tranqüilos. Não tínhamos outro remédio senão lançá-la em um
ataque que teria posto à prova a têmpera dos próprios veteranos. Contudo, um
repentino mergulho como esse não foi exclusivo da D. 90. Outras divisões
"cruas" como ela entraram em combate em condições ainda mais
aterradoras e a maioria se safou galhardamente. A D. 90, quase desde o
instante do seu ataque inicial, se converteu em uma divisão problema. Seu
desempenho foi tão exasperante que houve um momento em que o Estado-Maior do
1o Exército se deu por vencido, e propôs que ela fosse integrada,
empregando-se seu pessoal e equipamento para substituições. Apesar de tudo,
continuamos mantendo a D. 90, e ela chegou a ser uma das mais destacadas
unidades do teatro de guerra europeu. A sua metamorfose colocou em evidência
quão rapidamente um comandante firme consegue transmitir energia aos seus
subordinados. E nos demonstrou ainda mais do que isso, ou seja, o que sempre
havíamos sustentado: que, homem por homem, uma divisão é tão boa como
qualquer outra; elas variam unicamente na habilidade e nas qualidades de
liderança que possuam seus respectivos comandantes... Encontramos "o
chefe" na pessoa do General-de-Brigada Raymond S. McLain... McLain era
um soldado que fugia do posto de comando para dedicar seu tempo às tropas que
estavam em combate, às quais infundia o espírito agressivo que lhe era
característico... “Pode o senhor ajudar-me a mudar todos os oficiais que eu
quiser, na divisão, e proporcionar-me os substitutos?”, me perguntou. McLain.
“Tudo o que você quiser, Ray. Vá, dê uma olhada durante 48 horas e depois
regresse com uma lista. Todos os que figurarem nela serão mudados... ”,
respondi. McLain regressou exatamente dois dias depois, com uma lista de
dezesseis oficiais combatentes. Dei os nomes de todos eles a Red O'Hare,
recomendando-lhe que os tirasse da 90a Divisão e que fornecesse a
McLain qualquer oficial que ele nomeasse expressamente. Quando, no seguinte
mês de outubro, McLain deixou a 90a Divisão para assumir o comando
de outro Corpo, seu sucessor herdou uma das melhores divisões na frente
aliada." Anexo Armas “Prodigiosa” Do livro Hitler,
Dirigente, de autoria do Coronel-General Franz Halder, foi extraída a nota
seguinte, onde o autor comenta a intervenção do Führer no aperfeiçoamento e
emprego das armas "secretas": "Uma palavra mais
acerca das armas “prodigiosas”. Hitler não é seu criador. Saíram da
colaboração da ciência e da técnica alemãs. Hitler reconheceu muito tarde a
possibilidade de aproveitar esse trabalho para fins militares. Depois
colocou, em indiscutível contribuição, toda a sua força de vontade para
impulsionar seu desenvolvimento, porém, ao, mesmo tempo, depositou naquelas
armas esperanças sem limites, deslumbrando com elas o povo alemão, e,
inclusive, numerosos militares profissionais. "As experiências
de emprego dos foguetes como propulsores para projéteis dirigidos a
distância, remontam a 1937. O mais tarde Marechal von Brauchitsch fomentou-as
ativamente e com todo o sigilo. Von Brauchitsch, até 1939, não informou ao
comandante-chefe das forças armadas (Hitler) sobre seu já adiantado trabalho.
Em lugar do esperado interesse, encontrou em Hitler uma áspera negativa. O
ditador se irritava quando alguém começava algo sem a sua anuência. Proibiu
que prosseguissem os trabalhos. Depois de terem cessado as funções do
Marechal von Brauchitsch é que Hitler atacou o desenvolvimento das novas
armas que, agora, como armas "suas", foram impulsionadas com todos
os meios. Dois anos decisivos se haviam perdido. Quando as armas
“prodigiosas” foram utilizadas na forma das V-1 e V-2, sua fabricação e emprego
foram obscurecidos pela negra sombra do domínio inimigo do ar". Bradley e a Invasão O General Omar
Bradley, chefe das forças americanas que participaram no assalto à Normandia,
expõe pormenores acerca da operação: "Enquanto
planejávamos a operação da Normandia, havíamos considerado a possibilidade de
um ataque inimigo com gases. Pela primeira vez fizemos especulações sobre a
possibilidade dos alemães recorrerem a esse recurso, pois unicamente num
momento como esse poderiam os gases decidir uma das batalhas de maiores
conseqüências da História. Desde a África havíamos carregado máscaras em
todas as invasões sucessivas, rechaçando sempre a probabilidade do emprego de
gases, porém sempre receosos de nos lançarmos a um assalto sem defesa contra
essa arma. Se bem que a guerra de gases nas praias da Normandia poderia
acarretar enérgicas represálias contra as cidade inimigas, eu pensava que a
determinação de Hitler de resistir até ao fim, podia induzi-lo a correr o
risco inerente ao emprego dos gases, numa jogada para garantir a
sobrevivência. De um inimigo tão duro, capaz de destruir milhões de pessoas
em seus campos de concentração, não se podia, certamente, esperar que
considerasse inumana a guerra com gases. Quando, afinal, o Dia D chegou ao
seu término sem o menor sinal de gás, fiquei aliviado. Uma pequena lufada de
gás na praia Omaha poderia ter-nos custado a perda daquela posição". "Depois de uma
semana de penoso esforço para aumentar suas reservas, Rommel não conseguira
reunir uma potência suficiente para preparar uma ofensiva contra as praias.
Enquanto isso, nós já havíamos duplicado as forças em terra, e ao anoitecer
de 12 de junho haviam sido desembarcadas na França um total de 16 divisões.
Ao longo da base da península da Normandia, as cercas constituídas pela terra
e a argamassa de arbustos formavam uma linha natural de defesas muito
melhores do que o próprio Rommel conseguira idealizar. Durante séculos, as
amplas e ricas planícies haviam sido divididas e subdivididas em pequenos
campos de pastoreio, cujos limites de terra se transformaram em verdadeiras
muralhas. Freqüentemente, essas cercas tinham a altura e a espessura de um
tanque e eram encimadas por uma vegetação eivada de espinhos. As raízes
haviam enrijecido a terra, da mesma forma que os fios de ferro reforçam o
cimento. Muitas delas tinham profundos fossos de drenagem, unidos e
paralelos, que o inimigo utilizava, como se fosse por eles preparado, como um
sistema de trincheiras de comunicações. Para avançar de um pasto a outro, era
necessário abrir uma brecha em cada muralha, enfrentando um selvagem fogo
inimigo, disparado por atiradores bem ocultos. Nem na Tunísia encontráramos
um terreno tão extraordinariamente apto para a defesa..." Informação Na guerra, um dos
aspetos mais importantes da tarefa dos comandos das unidades combatentes é
obter informações precisas acerca da disposição e potência dos efetivos
inimigos. Delas depende, em alto grau, o êxito ou o fracasso das operações.
Transcrevemos a exposição que, a respeito, faz um oficial de uma das divisões
americanas que combateram na Normandia. "Algumas
informações nos chegaram gratuitamente. Dois jovens estudantes da
Universidade de Paris, que haviam caminhado desde a Sorbonne, deram jeito de
passar por entre as linhas e por cima da ponte destruída, para informar com
ênfase, embora sem experiência, de tudo o que haviam visto. Um valente
francês da localidade de Graignes, fazendo um sinuoso percurso de bote, veio
para informar que havia homens da SS em sua cidade, e depois voltou lá, a fim
de obter informações mais precisas. Seu prêmio? Pediu (e recebeu) um
certificado nosso declarando que havia colaborado na tarefa da libertação.
Numerosos desertores, a maioria deles russos e poloneses, incorporados à
Wehrmacht, atravessaram o rio e deram novos informes para o mapa da situação.
Falavam com tanta insistência da ânsia de desertar das infortunadas tropas
estrangeiras, que empregamos um sistema de projéteis carregados com volantes
de propaganda, e discursos públicos, para causar mais deserções, porém com pouco
êxito. O controle exercido sobre a tropa pelos oficiais e suboficiais alemães
era ainda muito eficiente. "Nossa artilharia
providenciou mais informações, especialmente por intermédio dos seus frágeis
aviões de observação, que sobrevoavam o campo de batalha. A artilharia
bombardeava imediatamente qualquer sinal de atividade do inimigo. Os alemães,
no entanto, triplicaram os seus esforços para se manterem ocultos. A
movimentação à luz do dia diminuiu em grande escala. Os prisioneiros alemães
falariam posteriormente, horrorizados, das perdas causadas nos primeiros dias
de bombardeio, do medo que sentiam companhias inteiras de abandonar suas
"covas de raposas" durante a luz do dia, de cozinhas móveis
destruídas pelos nossos projéteis e de intermináveis dias de fome... As
fotografias aéreas forneceram mais dados. Porém, tudo isso não teria sido
suficiente sem as patrulhas, que saíam, noite após noite. E, pouco a pouco,
as informações iam se acumulando. "A patrulhagem
era difícil em virtude de vários fatores. Os reconhecimentos à luz diurna
eram impossíveis pelos vastos espaços abertos a serem percorridos. As noites
eram as mais curtas do ano e em alguns casos tínhamos que perder três ou
quatro horas para cruzar os numerosos cursos de água da linha da frente, restando
somente uma hora para a exploração das posições inimigas. A falta de
experiência atuou no princípio. Várias das primeiras patrulhas não tiveram
êxito, e cada um dos três regimentos de nossa divisão perdeu alguns dos
homens mais valiosos." Procissão trágica A 8 de junho de 1944,
oficiava-se a Santa Missa no Convento de Pont l'Abbe. Nesse dia, festividade
de Corpus Cristi, a luta se desenrolava, sem tréguas, em toda a frente da
Normandia. No Convento, que era ao mesmo tempo, asilo de surdos-mudos e débeis
mentais, as religiosas que cuidavam dos internados continuavam com suas
tarefas habituais. Os pacientes somavam mais de 1.000... Até aquele momento,
todas as tentativas para evacuar os internados haviam fracassado. No Dia D
caíram sobre o edifício as primeiras granadas. Não houve vítimas nem grandes
danos. No entanto, o perigo subsistia. A crise, finalmente, se desencadeou a
11 de junho. Nos arredores do
Convento, situado na península de Cotentin, tropas americanas e alemães se
defrontaram e travaram furiosa batalha. Os projéteis de todo o calibre
começaram a cair nas cercanias do edifício. Alguns também atingiram os
grandes muros. No interior, o pânico
começou a se espalhar entre a massa de desventurados que ali se alojavam. O
capelão aconselhou o imediato abandono do local. Os médicos, por sua vez, se
opuseram argumentando com a impossibilidade de dirigir, em campo aberto, uma
tal quantidade de seres, muitos deles, além de desprovidos da razão,
enlouquecidos de terror. Após algumas horas de calma, os canhões reiniciaram
o fogo. Os pacientes foram conduzidos imediatamente aos sótãos. Instantes
mais tarde, os projéteis atingiram a estrutura superior do edifício, que
começou a arder. Nos sótãos, os internados ergueram um clamor aterrador. O
capelão, precipitando-se entre as chamas, tomou em suas mãos a Sagrada Hóstia
e regressou para junto dos enfermos. Momentos mais tarde,
conscientes de que permanecer ali seria condenar à morte centenas de
desventurados, os médicos, ajudados pelas religiosas, decidiram abandonar o
edifício e tratar de alcançar as linhas americanas. O objetivo era chegar a
um outro amplo edifício que pertencia à comunidade que regia o convento. O dramático episódio
vivido nos dias posteriores, dificilmente poderá ser esquecido por aqueles
que o viveram. Conduzindo uma massa de centenas e centenas de dementes e
enfermos, velhos na sua maioria, médicos e religiosas encabeçaram uma
patética coluna que marchou incansavelmente, atravessando o campo de batalha.
Ao seu redor, o combate se desenrolava na sua intensidade máxima. O silvar
dos projéteis se mesclava com a explosão das granadas e os lamentos dos
feridos. E foi assim, hora a hora, dia por dia. Por fim, a 18 de junho, a
caravana chegou às linhas aliadas. Os soldados americanos tudo fizeram para
brindar os refugiados com um mínimo de bem-estar. Ficaram para trás dias e
noites de terror e muitos mortos e feridos abandonados na terrível marcha.
Fôra, simplesmente, inacreditável, o que aqueles homens e mulheres haviam
vivido durante longos dias e intermináveis noites. O episódio foi um
pesadelo. Porém, talvez nada iguale em dramaticidade à visão daquelas
centenas de infelizes avançando, em campo descoberto, em alucinante
procissão, rumo a uma ambicionada salvação. Enquanto durou a travessia, sob o
fogo incessante dos dois lados, atravessando muitas vezes as linhas aliadas e
alemães em pleno combate, as centenas de fugitivos pareciam fazê-lo,
protegidos pela mão de Deus. É realmente difícil explicar como tantos seres
humanos puderam caminhar entre a metralha, horas e horas, sem serem
exterminados em massa pelas rajadas das metralhadoras e pela explosão das
bombas de grande calibre. O episódio protagonizado pelos internados no
Convento de Pont 1'Abbe, um entre mil semelhantes que nunca foram dados à
publicidade, poderia ser incluído, com justiça, nas páginas do Martirológio
Cristão. “Ataque contínuo...” O texto a seguir
pertence ao escritor britânico Alan Moorehead e é baseado em documentos
alemães recolhidos pelas forças inglesas: "Em meados de junho,
Rommel havia tomado uma decisão. Ou melhor, a decisão começava a se impor a
ele, em parte pelo seu próprio temperamento agressivo e em parte pelas
quimeras de Hitler. Os Aliados haviam ganho inicialmente a "batalha da
costa". Bem, agora seriam arrojados ao mar. Primeiro, seriam comprimidos
na estreita cabeça de praia, fustigados sem cessar. Depois, ao menor sinal de
debilidade, os blindados alemães abririam caminho até à beira do mar. A
batalha da França seria resolvida na Normandia. A ordem foi: "Ataque,
ataque contínuo". "Era um sistema cujo fim não era entrevisto
claramente, um sistema imprevisível, um sistema de jogador empedernido, um
sistema que devia esgotar todas as reservas alemães na França. Era o melhor
sistema que poderíamos ter desejado... "Rommel retirou divisões do 15o
Exército, uma por uma; quanto mais crítica se tornava a posição alemã, mais
acelerava o processo... "Agindo assim, serviu magnificamente a nossos
propósitos. Três quartas partes de suas tropas eram bisonhas... Os alemães nunca
desencadearam um contra-ataque em grande escala... Entrementes, nós
acumulávamos elementos para o dia em que estivéssemos prontos para o
rompimento... Enquanto isso acontecia, os alemães se esgotavam em sucessivos
ataques estéreis... Estavam exauridos antes de chegar à frente... " De fato, as
disposições militares tomadas pelo comando alemão foram precisamente as menos
indicadas para enfrentar a invasão aliada. Rommel procedeu como fez, por
serem ordens recebidas do Führer. Afinal, a Praia! As cabeças-de-ponte na
costa francesa estavam asseguradas. Enquanto as tropas de assalto continuavam
seu avanço rumo ao interior, chegavam à Normandia, em incessante corrente, as
unidades de reforço. Um soldado da 30a Divisão americana narra o
momento da chegada ao campo de luta: "Afinal, a praia!
É verdade que as estranhas e abruptas escarpas da França provocam uma certa
intranqüilidade. No local estabelecido para a ancoragem, fora da costa, que
fervia com a atividade dos botes de desembarque, muitos dos navios da grande
frota já não zarpariam... A própria praia estava abarrotada de cascos de
barcos de desembarque abandonados, com feridas abertas, estraçalhados pelas
bombas... A sombra da escarpa, alguns tanques americanos se oxidavam,
imóveis, sobre a areia, com as portas de saída da sua pequena torre abertas,
de par em par, para o alto, como que suplicando ao céu. No alto da escarpa,
perto de onde os aviões C-47 já estavam levando os feridos de volta à
Inglaterra, partindo de uma pista de aterragem improvisada, pequenas nuvens
de fumaça e grandes explosões alternavam-se interminavelmente, denunciando,
ora os tiros de regulagem de um canhão alemão de longo alcance, ora a limpeza
de campos de minas... De noite, quando os aviões de ataque alemães voavam
sobre a praia, as trajetórias dos projéteis luminosos bombardeando o céu em
todas as direções, eram impressionantes e formosas, ao passo que outro eficaz
instrumento dos atacantes noturnos, o foguete de iluminação com pára-quedas,
parecia o símbolo do mal, flutuando lentamente, com seu amarelado sorriso
sarcástico, deixando atrás de si uma esteira de fumaça cinzenta. As cidades
da zona de desembarque, destruídas pelas bombas, eram uma mescla de morte e
poeira... "Porém, a angustiante espera terminara para nós... Aqui estava
a realidade de verdadeiros alemães para combater, e de verdadeiras posições
pelas quais lutar, em vez das promessas multicores dos mapas de
planejamento... Aqui chegamos ao fim do pesadelo e das especulações, do
isolamento dos acampamentos de embarque e dos transportes... Aqui,
finalmente, estamos diante da missão que devemos cumprir..." Normandia Os acontecimentos da
Normandia são claramente interpretados ao se comprovar o fato de que as
divisões alemães foram lançadas à luta de maneira escalonada e nunca em
massa. Se os alemães tivessem procedido de forma totalmente oposta,
descarregando todo o peso de suas divisões, simultaneamente, contra os
exércitos aliados, estes poderiam ter-se encontrado numa difícil situação.
Mais ainda, teriam corrido o risco de ali ficarem imobilizados, durante
vários meses. Em linhas gerais, a
batalha da Normandia pode-se dividir em três fases: a primeira, o assalto,
que se prolongou por 48 horas; a segunda, que compreendeu um período de
consolidação e de desgaste do inimigo, ao longo de quase um mês, e por fim, o
rompimento. A operação, em geral, foi conduzida de acordo com os cânones
clássicos, tanto em relação ao planejamento como à condução. Os erros
inevitáveis e os fatores imponderáveis que salpicaram o desenrolar da campanha
não modificaram, substancialmente, o seu desenvolvimento. Os alemães, por sua
vez, combatendo sem ajuda aérea e com a metade das bocas de fogo de que
dispunham os Aliados, lutaram bem, e com eficiência. Sua guerra foi uma
guerra de retirada ante um ataque maciço aliado e de regresso às primeiras
linhas quando o fogo cessava. Preferiram um sistema de defesas disseminadas a
uma linha contínua. Uma linha contínua de defesa teria exigido dos alemães a
concentração maciça de grande quantidade de efetivos. Teria sido
imprescindível o concurso de unidades blindadas e um adequado apoio aéreo.
Nada disso era viável. As unidades blindadas continuaram na reserva, à espera
de uma nova invasão, a "real", esperada por Hitler no Passo de
Calais. O apoio aéreo era praticamente impossível, por falta de aviões. |