A Alemanha revoluciona a guerra aérea
Armas de
represália alemã V-1 e V-2
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A operação Overlord entrava em sua segunda semana quando, pouco
antes do amanhecer de 13 de junho de 1944, uma tremenda explosão sacudiu o povoado
de Swanscombe, no condado de Kent, a uns 35 km de distância da estação
central londrina de Charing Cross. Segundos antes, observadores do serviço de
defesa civil haviam avistado, voando naquela direção e procedente do Canal da
Mancha, um estranho avião cuja silhueta não se identificava com nenhum dos
aparelhos aliados ou inimigos conhecidos até então. Uma testemunha o
descreveu como "um pequeno avião de asa média que voava a grande
velocidade, com um ronco parecido ao de um Ford T ao subir uma encosta; da
sua cauda se desprendia um jato chamejante". Essa declaração e outras similares, unidas ao fato de não ser
encontrado o menor traço de algum cadáver entre os restos do avião - que
jaziam dispersos em torno da cratera da explosão - e aos informes encontrados
dos arquivos do Intelligence Service, levaram as autoridades britânicas à
conclusão de que o estranho artefato devia ser um avião não tripulado e
provido de uma potente carga explosiva, integrante do famoso arsenal de
"armas secretas" com que, freqüentemente, a propaganda alemã
ameaçava. A notícia do novo perigo que pairava sobre a cidade causou viva
impressão na população londrina, que temia voltar a viver, talvez numa versão
mais terrível, as sangrentas jornadas da batalha aérea da Inglaterra. Assim,
não é de estranhar que, nas primeiras dez semanas que se seguiram ao episódio
de Swanscombe, mais de um milhão de londrinos tenham-se transferido
voluntariamente ao campo, fora quase 300.000, na maioria mulheres com filhos
pequenos e crianças em idade escolar, que foram evacuados por decisão
governamental. |
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Hitler pede represálias Os devastadores ataques aéreos desencadeados pela aviação aliada
na primavera de 1942, em particular o incêndio e a destruição da velha cidade
hanseática de Lübeck, em Schleswig-Holstein, provocaram um acesso de furor em
Hitler, que imediatamente ordenou a execução de um programa de bombardeios de
represália que espalhariam o terror entre a população civil e prejudicariam o
esforço bélico britânico. A "operação Baedecker" ocasionou danos
consideráveis em cidades como Bath, York e Exeter, porém a perda de quase 40
bombardeiros em pouco mais de 200 missões constituiu um preço muito elevado
para as esquadrilhas participantes, transferidas propositadamente do teatro
de guerra do Mediterrâneo, para esta operação a oeste da França. Também, como
índice da diminuição da eficácia da Luftwaffe, cabe registrar o fato de que
num ataque contra Norwich, somente duas toneladas de bombas, de um total de
102 lançadas, caíram nos limites da cidade. Foi então que, para a execução da
campanha de represálias exigido pelo Führer, o Ministério do Ar alemão
decidiu exumar de seus arquivos, nos quais dormia desde antes da guerra, um
projeto de avião sem piloto, propulsado por uma turbina rudimentar,
apresentado pela firma Argus Motorenwerke. Por sua vez, e também com a
finalidade de represália, o exército determinou acelerar a desenvolvimento do
projeto A-4, um foguete de longo alcance, em que trabalhava, desde alguns
anos, uma equipe de técnicos encabeçada por Chamier-Glisenski, Dornberg e
Werner von Braun. O Inspetor-geral da Luftwaffe e Diretor de Equipamento da arma,
Marechal-de-Campo Erhard Milch, presidiu, a 19 de junho de 1942, uma reunião
no ministério, que foi assistida por representantes de firmas industriais
vinculadas com o projeto "Argus". Decidiu-se, então, confiar à
Fieseler (construtora do famoso avião Fieseler-Storch, "Cegonha")
o, desenho e a produção do aparelho, enquanto a Argus e a Askania se
encarregariam, respectivamente, do sistema de propulsão e de controle, com o
engenheiro militar Brée, representante do Ministério do Ar, atuando como
coordenador. Embora o Marechal Milch tivesse prometido um tratamento de alta
prioridade ao desenvolvimento e produção do novo engenho bélico,
transcorreriam dois longos anos - em lugar dos 15 meses calculados pelos
peritos antes que o projeto chegasse à fase operativa. A primeira experiência do "Fieseler 103", como foi
designado em princípio (denominação mudada mais adiante, ainda na fase
experimental, para FZG-76), ocorreu em dezembro de 1942, e consistiu no
lançamento de um protótipo sem motor, de um Focke-Wulf 200 "Condor"
sobre o campo de provas de Peenemunde, onde o exército continuava suas
experiências com o foguete de longo alcance A-4. Poucos dias depois, a 24 de
dezembro, efetuou-se o primeiro lançamento, de terra, alcançando o projétil
uma distância de três quilômetros. No verão de 1943, os preparativos para o produção em grande
escala do FZG-76 - somente ao entrar em serviço seria designado com o nome de
V-1 (abreviatura de Vergeltungswaffe 1 ou Arma de Represália n° 1) - estavam
quase concluídos. Porém um violento ataque do aviação anglo-americana contra
as fábricas Fieseler, em Kassel, impôs um adiamento de várias semanas nos
planos. Finalmente, o produção maciça foi iniciada nos estabelecimentos
Volkswagen, de Fallersleben, em setembro de 1943 (isto é, a três meses da
data prevista para o início das operações). Enquanto isso, os preparativos seguiram seu curso e os unidades
formadas continuaram a instrução e treinamento das tropos que teriam a
responsabilidade do manejo das novas armas. O Flakregiment 155 W (artilharia
antiaérea), unidade designado para a operação do avião não tripulado, foi
transferido, durante o verão, a Zinnowitz, na ilha de Usedom, próximo a
Peenemunde. No primeiro momento, o Major-General Welter Dornberger, um perito
em bolística de longo alcance, considerado o "pai" do foguete A-4
(chamado mais tarde V-2), tinha a seu cargo, tanto a supervisão dos programas
de produção e sua coordenação com as necessidades de campanha como o comando
direto das operações. Posteriormente, das operações com a futura V-1 seria
encarregado um veterano artilheiro, o Tenente-General Erich Heinemann,
enquanto que ao Major-General Richard Metz seria confiado o comando operativo
da V-2. O Alto-Comando da Wehrmacht, todavia, contava como certo que ambas as
armas estariam em condições operativas a tempo de oferecer um desagradável
presente de Natal aos britânicos. Informes alarmantes Se bem que a explosão da primeira V-1 em Swanscombe pudesse
causar alarma na população das ilhas, o acontecimento, de tão esperado,
apenas produziu surpresa nas altas esferas aliadas: há vários meses se
conhecia aproximadamente a natureza da nova ameaça alemã e estavam em estudo
medidas para contrabalançar o seu efeito ou anulá-la, caso chegasse a
concretizar-se. O fato de que, mesmo na obscuridade, a defesa antiaérea tenha
podido reconhecer o estranho artefato e descrevê-lo como um “avião não
tripulado”, desde o momento em que cruzou a linha da costa, indica o alto
nível de prevenção alcançado pelas defesas britânicas, com base na informação
recolhida de várias e diversas fontes desde o começo da guerra. Já na fase inicial da luta, uma infinidade de informes
denunciavam Peenemunde como um dos mais importantes centros de investigação
das "armas secretas" alemãs, espécie de trunfo insuperável exibido
ameaçadoramente pela propaganda do III Reich até ao final da guerra. Porém, durante
muito tempo, as advertências concernentes a Peenemunde caíram mais ou menos
no vazio, superadas por outras urgências mais imediatas que o decurso dos
acontecimentos iam impondo à condução da guerra britânica. E assim se pode
dizer que as primeiras fotografias aéreas de Peenemunde foram obtidas quase
por casualidade: a 15 de maio de 1942, o Tenente D. W. Steventon, depois de
uma missão de reconhecimento de Kiel, voou sobre aquele polígono de provas,
fotografando o aeródromo; os peritos registraram a presença de uma série de
estranhas construções ovóides, aparentemente de cimento armado, cuja
finalidade não conseguiram interpretar. Em conseqüência, o "caso
Peenemunde" ficou arquivado uma vez mais. Até que, em dezembro de 1942, novos informes reunidos pelo
Intelligence Service indicavam, com rara unanimidade, esse polígono de provas
como sede de experiências alemãs com foguetes de grande alcance. Desta vez,
sim, o alarma abalou as altas esferas e foi ordenada uma série de
reconhecimentos aéreos, tanto de lugares "suspeitos" na Alemanha,
como da faixa costeira francesa, confinante com o Canal; desse modo, os
peritos obtiveram indícios reveladores da natureza dessas experiências. No
entanto, o fato de não existir na organização de guerra britânica um
departamento coordenador de todas as informações recolhidas pelos diversos
serviços de inteligência das forças armadas, provocou múltiplas indecisões e
demoras, primeiro quanto às medidas mais adequadas para conjurar o perigo e,
segundo, quanto à oportunidade de aplicá-las. Ilustra perfeitamente a
situação o fato de que, em determinado momento, muitos dos melhores agentes
de espionagem britânicos estivessem empenhados - à custa de incalculáveis
riscos e invertendo nela muito tempo e dinheiro - na tarefa de reunir todas
as informações possíveis concernentes, não somente ao avião não tripulado
FZG-76 ou "bomba-voadora" V-1 e ao foguete A-4 (V-2), como também,
e com o caráter de alta prioridade, a um hipotético foguete de 60 toneladas
de peso e 10 toneladas de carga explosiva, capaz de arrasar um bairro
inteiro. Ao que parece, este fantástico artefato nunca existiu senão na
imaginação de alguns assessores científicos do Gabinete da Guerra. Logo se tornou evidente a necessidade de centralizar numa só
pessoa toda a informação relativa às novas armas, supostas ou reais, alemãs.
A escolha recaiu, em meados de abril de 1943, em Mr. Duncan Sandys,
secretário parlamentar no Ministério de Abastecimentos e genro de Winston
Churchill. De imediato se ordenou à Unidade Central de Interpretação iniciar,
com a máxima prioridade, "uma investigação especial sobre artefatos
bélicos do inimigo de natureza até agora desconhecida", missão que foi
encomendada ao Comandante de Ala, Hamshaw Thomas, um. dos pioneiros da
fotografia aérea. E Peenemunde, que somente havia sido fotografada do ar seis
vezes, nos dois anos e meio da guerra, foi "visitada" pelos aviões
de reconhecimento nada menos que quatro vezes naquele mesmo mês.
Simultaneamente, a aviação aliada perscrutava e fotografava uma es treita
faixa costeira, compreendida entre Cherburgo e a fronteira belga. As
fotografias de Peenemunde revelaram, indiscutivelmente, a existência de
longos objetos cilíndricos a bordo de enormes caminhões estacionados junto a
uma série de pistas de asfalto. As obtidas na costa francesa, especialmente
nas imediações de Bois Carré, mostravam um número crescente de construções de
cimento armado, de teto semicilíndrico, unidas a rampas "em forma de
esquis" por trechos convergentes de estradas asfaltadas; posteriormente
verificou-se o significativo detalhe de que todas as rampas
"apontavam" para Londres. Ao mesmo tempo, por vias secretas,
chegava à capital britânica a advertência de que, dentro de não muito tempo,
essa cidade seria atacada mediante uma mina aérea com asas, governada por
controle remoto e impulsionada por um foguete", precisando que o
lançamento teria o auxílio de uma catapulta. Assim, pois, embora a ninguém tenha ocorrido ainda relacionar as
rampas "em forma de esquis" - cujo número aumentava de semana a
semana - com a bomba-voadora, da qual já se tinham precisas e abundantes
referências, o novelo ia se desenredando, embora muitas vezes boa parte de
seus fios se confundissem no emaranhado de uma informação promissora, porém
contraditória. De qualquer maneira, Duncan Sandys tinha em suas mãos provas
mais que suficientes para formular na reunião da seção Operações do Comitê de
Defesa, presidida por Churchill, a 29 de junho, o pedido de um ataque maciço
contra Peenemunde. Apelo que foi aprovado, mas a oposição de alguns céticos,
que argumentavam que tudo não passava de um estratagema da contra-espionagem
alemã, tendente a atrair sobre objetivos secundários muitas toneladas de
bombas, destinadas a golpear pontos vitais do esforço de guerra do III Reich.
No noite de 16 de agosto, 600 bombardeiros decolaram de suas bases para
efetuar uma incursão de quase 2.000 quilômetros que os levaria à costa do
golfo da Pomerânia, no litoral do mar Báltico; e embora 40 dos aviões
atacantes fossem derrubados pelo fogo antiaéreo e pelos caças noturnos, o
preço foi considerado aceitável, em vista dos tremendos danos infligidos às
instalações da estação experimental. A ofensiva se atrasa De fato, as sucessivas vagas de bombardeiros arrasaram
praticamente a zona em que se desenrolavam as provas com o foguete, assim
como também as residências dos técnicos, em cujas fileiras se registraram
numerosos mortos, entre os quais o General Chamier-Glisenski, chefe da base.
Curiosamente, a parte meridional da estação, onde se experimentava a "bomba-voadora"
não sofreu o menor dano, a ponto do Coronel Wachtel, chefe do Flakregiment
155 W, pensar que se tratasse de um mero alarma aéreo, não se dando conta,
até à manhã seguinte, da magnitude das destruições causadas. Um dos imediatos resultados do devastador ataque aéreo foi que
os alemães tiveram que abandonar o seu programa de montagem dos foguetes em
Peenemunde, Friedrichshaffen e Wiener Neustadt. Para evitar ulteriores
ataques decidiram recorrer a uma oficina subterrânea, próxima de
Niedersachswerfen, nas montanhas Herz. Em virtude do mesmo temor, e cumprindo ordens pessoais do Führer
- que depois de ver num filme o lançamento de um foguete A-4 havia mudado o
seu anterior ceticismo no mais fervente entusiasmo pelas novas armas - o
General Heinemann determinou a transferência para o leste alemão, e até para
Blizna (Polônia), das unidades sob o seu comando, às quais se haviam somado,
recentemente, equipes de rastreio aéreo, dotadas de rádio e de radar, com a
missão específica de avaliar a precisão do material em experiência e o grau
de treinamento das tropas. Com esta medida, se bem que as unidades ficassem a
coberto de possíveis ataques aéreos, as provas podiam ser facilmente
fiscalizadas pelos agentes da Resistência polonesa, cujos informes não tardariam
a chegar a Londres. Um pouco mais adiante, em fins de 1943, foi criado o 65o
Corpo, sempre sob os ordens de Heinemann, que teria ao seu cargo a dupla
ofensiva com as Vergeltungswaffen V-1 e V-2. Era integrado pelo Flakregiment
155 W (Coronel Wachtel) e Harko 91 (General Metz). Essas unidades ficaram
reorganizadas em quatro brigadas cada uma, compostas por quatro baterias,
cada uma das quais teria a seu cargo quatro posições de lançamento. As de
Wachtel operariam em 64 rampas de lançamento das 96 construídas entre o Passo
de Calais e Cherburgo, assim como em outras instalações erguidas em
Lottinghem, Siracourt e Equeurdreville. As quatro brigadas de Metz - das
quais três eram móveis operariam de 39 posições de tiro estabelecidas ao
norte do Somme e 6 na Normandia, assim como das grandes instalações de
Wizernes e Sottevast. Se bem que no OKW (Comando Supremo da Wehrmacht) se considerasse
possível o início da dupla ofensiva com a "bomba-voadora" e o
foguete A-4 em princípios de 1944, o General Heinemann, depois de uma visita
de inspeção à sua futura zona de operações, alimentava sérias dúvidas o
respeito. Segundo ele, os pontos para lançamento da V-1 tinham o grave
inconveniente de serem facilmente localizáveis pela aviação aliada e muito
vulneráveis aos seus ataques. Por outro lado, nas obras haviam participado
muitos trabalhadores franceses, o que permitia razoavelmente supor que no
Intelligence Service já deviam existir detalhados informes acerca das
construções. Em conseqüência, depois de haver refletido sobre os prós e os
contras da sua decisão, Heinemann propôs, ao OKW desistir das posições “em
forma de esquis” já preparadas que serviriam, de qualquer modo, como
"isca", para atrair os golpes da aviação inimiga - e preparar, em
seu lugar, uma nova rede de posições de tiro, muito simplificadas com relação
às anteriores. A sugestão foi aceita, e Heinemann ordenou um programa de
construções onde foram reforçadas as medidas de segurança e se empregou
exclusivamente mão-de-obra alemã. Nessas "posições modificadas" -
como as designaram os serviços de inteligência aliados - a obra viva ficou
reduzida ao mínimo: apenas as rampas de lançamento - cuidadosamente
camufladas, por sua vez e os depósitos subterrâneos de combustível para as
"bombas-voadoras". Quanto a estas, foram eliminados os depósitos
para seu armazenamento, adotando-se "a dispersão em campo aberto",
como os aviões estacionados em suas bases. O General Heinemann acolheu também a impressão de que os planos
prévios não haviam levado muito em conta os engarrafamentos nas comunicações
e abastecimentos, que fatalmente se produziriam na zona operativa, dada a
absoluta supremacia da aviação aliado nos céus da Europa. Já nessa época, o
duro castigo que o Comando de Bombardeio infligia à indústria alemã, criava,
a cada passo, problemas progressivamente mais graves que, por sua vez,
impunham consideráveis atrasos, tanto na produção como no desenvolvimento dos
projéteis. Não se fabricavam em número suficiente para o treinamento das
unidades, ocorrendo mesmo casos em que algumas deles começaram a ofensiva sem
haver efetuado um só disparo com projéteis "reais". Também, a
qualidade destes se ressentia notavelmente; em muitas ocasiões, a trajetória
era absolutamente imprevisível e não faltaram casos em que a bomba descrevia
uma curva de 180 graus e se abatia sobre a rampa de lançamento, espalhando o
terror e a morte entre as desconcertadas guarnições; em uma série de provas,
mais de 50% das bombas não chegaram a abandonar a rampa e, das que o fizeram,
90% explodiram antes de chegar ao alvo. O programa de treinamento das tropas do General Metz, incumbido
das V-2, sofreu também um sério atraso, quando, no curso de um ataque aéreo
inimigo, foi atingido por acaso a fábrica que montava os caminhões especiais
encarregados do transporte dos foguetes e de seu combustível propulsor.
Considerando todos essas dificuldades, o General Heinemann não acreditava que
os homens do Coronel Wachtel (V-1) estivessem em condições de iniciar sua
ofensiva antes de maio ou junho de 1944; quanto às unidades do General Metz,
previa um atraso ainda maior. Conseqüentemente, determinou o deslocamento do
Flakregiment 155 W para o norte da França em fins de 1943. Alerta nas ilhas Enquanto isso, um acúmulo de informações das mais heterogêneas continuava
afluindo aos serviços de inteligência britânicos. Sua procedência era também
muito variada: seus próprios agentes em território inimigo, reconhecimentos
aéreos, informes de membros da Resistência nos países ocupados, de operários
recrutados à força para trabalhar na indústria bélica do Reich e,
freqüentemente, também dos agentes da contra-espionagem alemã infiltrados
naquelas organizações, que procuravam levantar uma cortina de dados falsos,
para confundir seus rivais. Com essas informações, unidas às encontradas em seus arquivos e
ao assessoramento de homens de ciência e da Unidade Central de Interpretação
Fotográfica, o Estado-Maior da Força Aérea - novamente encarregado da
investigação por afastamento de Mr. Duncan - estava em condições de armar
parcialmente as peças do quebra-cabeças: num informe apresentado a 1o
de dezembro ao Gabinete da Guerra, traçava com bastante aproximação, um
esboço da nova ameaça que pairava sobre a Grã-Bretanha. Nele eram analisadas
as diferenças entre a "bomba-voadora" e o foguete de longo alcance,
e estabelecidas as conexões entre as estruturas de cimento armado e os
"estranhos objetos provavelmente voadores" fotografados em
sucessivos reconhecimentos em Peenemunde, com as "rampas em forma de esquis",
que, em número de 96, haviam sido localizadas até o dia anterior na costa
francesa do Canal. Na reunião que o Gabinete da Guerra celebrou a 2 de
dezembro, decidiu-se, em vista da gravidade da situação descrita no informe,
lançar uma série de ataques aéreos sobre as bases detectadas. No dia 5 de
dezembro, uma massa de caça-bombardeiros e bombardeiros leves da Segunda
Força Aérea Tática e da Nona Força americana, levou a cabo uma ação
"experimental". A 24 do mesmo mês teve lugar o segundo ataque, este
de proporções maciças: 672 "Fortalezas-Voadoras", numa incursão
diurna, lançaram 1.472 toneladas de bombas sobre 24 posições escolhidas.
Apesar da oposição mais ou menos declarada do Marechal Harris, chefe do
Comando de Bombardeio e do Tenente-General Carl Spaatz, comandante das Forças
Aéreas Estratégicas na Europa, que não viam com bons olhos seus bombardeiros
pesados serem "distraídos" da sua missão de aniquilar a indústria
alemã, nos primeiros seis meses de 1944 a aviação aliada atirou sobre as
bases de lançamento um total de 31.000 toneladas de bombas (a magnitude da
cifra fica demonstrada se recordarmos que durante a blitz aérea contra
Londres, entre setembro de 1940 e maio de 194 , os alemães lançaram um total
de 19.000 toneladas). Os peritos aliados calcularam, em princípios de maio,
que 21 das 54 bases de lançamento atacadas haviam sido virtualmente
destruídas e que pelo menos outras 15 sofreram danos consideráveis. A
impressão otimista de alguns círculos teve sua expressão máxima num memorando
do Estado-Maior do Ar, de 11 de junho (isto é, dois dias antes que caísse em
Swanscombe a primeira V-1), no qual se afirmava que era extremamente
improvável que as bases de lançamento pudessem ser utilizadas "em escala
apreciável", no decurso das próximas semanas. Nessa mesma noite chegava
a Londres um informe procedente da Resistência belga, anunciando que um
comboio transportando 99 objetos cilíndricos, aparentemente foguetes, havia
sido avistado perto de Gante, em trânsito para a fronteira francesa. Preparativos de ataque Enquanto o General Heinemann estabelecia o seu QG em
Maisons-Lafitte, próximo de Paris, para seguir de perto a construção das
novas bases de lançamento "simplificadas" e a rede de
abastecimentos em conexão com elas, a produção em série da V-1 foi iniciada
em meados de janeiro de 1944, em Niedersachswerfen. Porém teve que ser
interrompida pouco depois, para dar a Dornberger e seus técnicos oportunidade
de introduzir algumas modificações. Os estudos requereram algumas semanas,
com o conseqüente atraso na produção. Coerente com sua opinião de que a "bomba-voadora"
entraria em operações vários meses antes que o foguete, o General Heinemann
dedicou preferência à solução dos problemas vinculados com as tropas do
Coronel Wachtel, enquanto o deslocamento dos unidades do General Metz rumo às
suas posições de combate seguia um ritmo mais lento. Em princípio ficara estabelecido que as unidades a cargo da V-1
receberiam suprimento de combustível de três depósitos situados ao norte do
Somme, três entre o Somme e o Sena, e dois da Normandia, a oeste do Sena. Do
mesmo modo, as unidades do Harko 91 (a cargo da V-2) obteriam oxigênio
líquido de depósitos protegidos, situados no Passo de Calais e em Calvados, e
o álcool de oito depósitos da vanguarda, que, por sua vez, seriam abastecidos
com reservas armazenadas nos subúrbios de Paris e nas cercanias de Lille.
Todos eles estavam unidos às posições de tiro por meio de ramais ferroviários
que, seguramente, estariam - na opinião de Heinemann - perfeitamente
localizados e vigiados por agentes inimigos. Do mesmo modo que fez prevalecer o seu critério de abandonar,
por segurança, as antigas posições em favor das "simplificadas",
Heinemann decidiu, com a aprovação do OKW, prescindir dos depósitos da
vanguarda, que foram substituídos por duas enormes cavernas de pedra em
Nucourt e Saint Leu-d'Esserent, no vale do Oise, e um túnel ferroviário em
Rilly-la-Montagne, ao sul de Reims. Nos seis meses transcorridos entre
janeiro e junho de 1944, Heinemann teve a enorme satisfação de ver como os Aliados
desperdiçavam muitas milhares de toneladas de bombas nas posições abandonadas
que, segundo suas previsões, serviram de chamariz para a aviação, enquanto
que as posições "simplificadas" e os novos depósitos de Nucourt,
Saint Leu-d'Esserent e Rilly-la-Montagne não receberam um só impacto.
Finalmente, no dia 6 de junho, poucas horas depois do desembarque aliado na
Normandia, Heinemann emitiu ao Coronel Wachtel a ordem de preparar seu
Flakregiment 155 W para operações imediatas contra a Grã-Bretanha. Nos seis
dias seguintes, e apesar dos contínuos ataques da aviação aliada contra os
centros de comunicações franceses, que haviam paralisado praticamente o
tráfego ferroviário diurno, mais de 800 "bombas-voadoras" dos
depósitos de Nucourt e Saint Leud'Esserent, assim como grandes quantidades de
gasolina de aviação e outros combustíveis, chegaram às rampas de lançamento.
Na noite de 12 de junho, 54 dos 70-80 locais disponíveis até o momento ao
norte e a leste do Sena haviam completado os preparativos prévios e estavam
em posição de tiro. Na noite de 11, o Coronel Walter, chefe do Estado-Maior do 65o
Corpo, manteve uma reunião com o Coronel Wachtel em Maisons-Lafitte, sede do
QG de Heinemann. Ordenou-lhe que iniciasse o ataque no dia seguinte, porém,
ante as objeções do comandante do Flakregiment 155 W, que argumentava que
muitas de suas baterias não estavam ainda suficientemente abastecidas de
combustível, decidiu adiar o início das operações para a noite de 12. A ordem
especificava que as baterias abririam fogo de forma tal, que a primeira salva
chegasse a Londres às 23 h 40 m, continuando depois com "fogo de
fustigamento" à medida que as diferentes rampas de lançamento estivessem
em condições. O Coronel Wachtel regressou ao seu posto avançado em Saleux,
perto de Amiens, entregando-se de imediato à tarefa de coordenar os operações
de suas baterias. Os informes que chegavam das rampas eram incompletos e
vinham com tanta atraso que era impossível ter uma idéia do grau de prontidão
das diversas unidades. Para cúmulo dos males, à última hora, Wachtel teve
notícia de que nem uma só das rampas - muitas delas montadas apressadamente e
sem ter sido experimentadas - tinha pronto o dispositivo de segurança. Via-se
entre a alternativa de adiar a execução das ordens recebidas ou expor os seus
homens ao risco de operar uma arma pouco segura, em rampas não testadas; por
sorte, o General Heinemann, que havia acudido a Saleux para presenciar o
disparo da primeira salva, pôde ver por si mesmo a dificuldade inerente ao
fato de dirigir o tiro de mais de 50 posições deficientemente equipadas,
dispersos em mais de 15.000 quilômetros quadrados de território hostil, e
debaixo de um céu dominado pela aviação inimiga. Compreendendo a absoluta
impossibilidade do cumprimento das ordens, concedeu pessoalmente a permissão
para adiar o disparo da primeira salva até às 3 h 30 m da manhã do dia 13,
continuando depois o “fogo de fustigamento” por todas as rampas. Na realidade, os resultados foram bastante mais modestos: ao
todo, somente 10 "bombas-voadoras" partiram das rampas de
lançamento à custa de extenuantes esforços das guarnições. Delas, 5
explodiram no ar pouco depois de disparados, outra desapareceu tomando rumo
imprevisto (provavelmente caiu no Canal da Mancha), e os quatro restantes chegaram
à Inglaterra. A primeira foi a causadora do "ronco de Ford T"
detectado pelos observadores do serviço civil, e caiu em Swanscombe; as três
seguintes caíram em Cuckfield, Sussex, em Bethnal Green, Londres, e em Platt,
condado de Kent. Não houve baixas, salvo em Bethnal Green, onde seis pessoas
perderam a vida e nove foram feridas ao ser destruída uma ponte ferroviária. Pouco depois, o Coronel Wachtel recebia um chamado telefônico de
Moisons-Lafitte: era o Coronel Walter, que em nome do seu chefe (Heinemann)
lhe ordenou não efetuar mais disparos até novo aviso e camuflar as rampas de
lançamento. Walter culpou o comandante do Flakregiment 155 W do fracasso da
noite anterior e chegou inclusive a ameaçá-lo com um tribunal militar, ao que
Wachtel respondeu que havia feito tudo o que era humanamente possível nas
circunstâncias que atravessavam, e que faria o impossível para descobrir as
falhas e saná-las. Ao entardecer do dia 15, Wachtel informava ao QG do 65o
Corpo que todas as posições haviam sido adequadamente supridas de combustível
e projéteis, as instalações estavam completas e a totalidade dos seus
efetivos se achava em condições de reabrir fogo imediatamente. O plano "Diver" em ação Pouco antes das quatro da manhã de 13 de junho, dois membros do
serviço de defesa civil divisaram do seu posto de observação em Dymchurch,
Kent, a primeira "bomba-voadora" que chegava às ilhas. Trinta e
cinco segundos depois, um deles transmitia por linha telefônica especial a
palavra chave: Diver, que poria em estado de alerta o QG da Defesa Aérea da
Grã-Bretanha, comandado pelo Marechal-do-Ar Roderic M. Hill, que, por sua
vez, se encontrava às ordens do também Marechal-do-Ar Sir Trafford
Leigh-Mallory, comandante da Força Aérea Expedicionária Aliada. Da sala de
operações em Stanmore, foram transmitidas, com a premência que o caso exigia,
as ordens para o imediata execução do plano "Diver": a partir desse
momento, as barreiras de globos seriam levantadas; os radares de direção de
tiro e os baterias antiaéreas às ordens do Tenente-General Sir Frederick
Pile, assim como os aviões do Comando de Caça e os equipes de refletores
permaneceriam em alerta permanente, prontos para atacar qualquer artefato
voador inimigo que penetrasse no espaço aéreo das ilhas. Naquela mesma manhã,
na reunião diária de chefes de Estado-Maior, Hill sugeriu que, ante os
reduzidas proporções da ofensiva alemã (somente quatro projéteis caíram em
território britânico) e de sua aparente suspensão momentânea, convinha não
alterar em nada as medidas defensivas (plano "Diver") mas lançar,
ao contrário, devastadores ataques aéreos contra as plataformas de lançamento
que, à luz da observação aérea, revelassem haver sido empregados
recentemente. Sua proposta tropeçou com a resistência dos comandantes das forças
de bombardeio, pouco dispostos a "distrair" seus aviões das
operações de apoio ao exército de desembarque e fustigamento às comunicações
alemães na Normandia, para emprega-los numa missão de atacar alvos tão
escorregadios como as rompas de lançamento. O chefe do Estado-Maior-do-Ar,
Marechal Portal, propôs uma forma intermediária: em lugar da destruição das
rampas localizadas até o momento, que exigiria várias milhares de saídas aos
bombardeiros, sugeriu lançar um ataque concentrado sobre os depósitos
conhecidos, com o que se conseguiriam efeitos similares (a paralisação do
ofensiva V-1) a um custo notoriamente inferior. Na tarde do dia 13, o
Gabinete da Guerra concordou em que se devia pedir ao Comandante Supremo
aliado, General Eisenhower, autorização para lançar "poderosos ataques
aéreos" contra esses depósitos; ao mesmo tempo se sugeria atacar também
as rampas "simplificadas", porém com tão pouca ênfase que estas
ficavam automaticamente relegadas ao grau de objetivos secundários. Deste
modo, o astuto General Heinemann teve o satisfação de comprovar o acerto das
suas previsões quando, entre 13 e 15 de junho, a aviação americana
descarregou demolidores bombardeios sobre os inúteis depósitos abandonados
por ordem sua, ao mesmo tempo que as rampas "simplificadas", de onde
operava o Flakregiment 155 W, não recebiam outras "visitas" senão
as de alguns aparelhos do Serviço Fotográfico. Entre as 10 e as 20 horas do dia 15, as tropas de Wachtel,
superadas suas dificuldades operativas, lançaram 244 projéteis contra
Londres, além de outros cinqüenta dirigidos contra Southampton. Muitos
explodiram imediatamente, porém os informes britânicos assinalaram que 144
projéteis V-1, dos 155 avistados, conseguiram cruzar a costa e que mais da
metade caíram no perímetro londrino. A defesa antiaérea abateu 33
"bombas-voadoras", o que nem sempre era aconselhável, já que,
contra a crença geral de que os projéteis alcançados explodiriam no ar, 13
deles caíram em zonas edificadas da capital, ao passo que teriam caído no
campo se tivessem seguido a trajetória que levavam. A 16 de junho, o Marechal Hill, considerou chegado o momento de
colocar em marcha a segunda fase do plano "Diver", cuja execução se
completou em menos tempo do que estava previsto, graças à ativa colaboração do
Tenente-General Pile e do Vice-Marechal-do-Ar Gell, que tinha a seu cargo a
barreira de globos e realizou a façanha de distribuir, em cinco dias,
quinhentos deles a sudeste de Londres. No mesmo dia, em uma reunião de chefes
de Estado-Maior, presidida por Winston Churchill, em sua qualidade de
Ministro da Defesa, decidiu-se solicitar novamente ao Comandante Supremo
aliado a execução de contramedidas tendentes a "destruir e
neutralizar" os depósitos e rampas de lançamento da V-1, "sempre que
tais ações não interferissem nas necessidades essenciais da luta na cabeça de
praia da Normandia". Porém, também desta vez, por deficiência na
coordenação dos Serviços de Inteligência, nas determinações do Marechal
Leigh-Mallory era indicada prioridade máxima na operação contra os depósitos
abandonados, seguidos, em ordem de preferência, por onze das também
abandonadas e inúteis rampas "em forma de esquis" e doze das
plataformas "simplificadas". E, novamente, os bombardeios diurnos
da aviação americana e os noturnos da RAF foram um mero desperdício de bombas
sobre alvos carentes salvo no caso das poucas plataformas
"simplificadas" - de qualquer valor militar. E, por conseguinte,
seus efeitos sobre a marcha das operações da V-1 foram escassos ou nulos. O Marechal Hill desejava que a aviação castigasse metodicamente
as 70 rampas "simplificadas" nos quais a evidência fotográfica
registrara atividade recente. Porém, uma vez mais, chocou-se com a oposição
dos "bombardeiros" Marechal Harris e General Doolitle, que
sustentavam que, em lugar de ataques isolados e dispersos, era preferível
lançar todos os recursos disponíveis num esforço concentrado uma só vez e no
momento oportuno. Isso significava, aparentemente, um novo adiamento. Porém,
aconteceu que no dia 18 de junho, um domingo, uma "bomba-voadora"
caiu às 11 h 20 m na capela de Wellington Borracks, a apenas 500 metros do
palácio de Buckingham e não longe de outros centros militares e do governo. A
explosão causou a morte ou ferimentos graves em 78 civis e 111 militares que
assistiam à missa. Nenhuma das V-1 havia causado até então tal número de
vítimas (em realidade, as estatísticas britânicas calculavam até aquele
momento uma pessoa morta em cada bomba caída), e este fato expôs, então, ante
os círculos governamentais, a dramática necessidade de neutralizar de
imediato essa ameaça. Nesse mesmo dia, o General Eisenhower ordenou que, até
nova ordem, os ataques contra as armas de longo alcance alemães tinham
prioridade sobre todo objetivo que não estivesse diretamente vinculado com a
batalha que o exército aliado estava travando do outro lado do Canal.
Enquanto isso, a Unidade Central de Interpretação Fotográfica estabelecera
uma evidente relação entre os depósitos de Nucourt e Saint-Leu-d'Esserent com
as rampas "simplificadas" em atividade, e ambos os objetivos foram
postos à frente da até então incompleta e errônea lista de prioridades do
Ministério do Ar. Foi criado o Comitê para a operação "Crossbow"
(Catapulta), sob a presidência de Mr. Duncan Sandys, com a tarefa de
supervisionar as medidas em fase de execução contra as armas de longo alcance
alemães. Na última semana de junho, a Oitava Força Aérea americana lançou
vários ataques maciços contra Nucourt e Saint-Leu-d'Esserent; de seu lado,
também o Comando de Bombardeio britânico atacou Saint Leu nos noites de 4 e 7
de julho. O resultado aparente desses ataques foi que o número de bombas,
que diariamente chegavam à Grã-Bretanha, diminuiu de 100 a menos de 70 por
dia, entre 7 e 17 de julho, das quais a defesa derrubava uma média de 40
diários, atingindo Londres umas 25. Porém, outros teatros de guerra
reclamavam a presença dos bombardeiros aliados e a operação
"Crossbow" poucas vezes voltou o ter (pelo menos com referência à
V-1) contornos espetaculares; a tarefa de enfrentar as V-1 ficava entregue
daí por diante, aos recursos exclusivos da Defesa Aérea da Grã-Bretanha. Contudo o êxito defensivo que as forças do Marechal Hill estavam
obtendo na batalha da V-1, traduzido na baixa porcentagem de
"bombas-voadoras" que atingiam o alvo principal - Londres - o
sistema apresentava aos olhos do comandante da Defesa Aérea da Grã-Bretanha
alguns inconvenientes que impediam o pleno rendimento das armas empregadas e
suscitavam com freqüência espinhosos problemas de jurisdição e competência. Foi
necessário regulamentar o campo de ação dos caças e da artilharia antiaérea;
foi preciso decidir que nos dias de bom tempo os caças tinham prioridade para
a perseguição dos projéteis inimigos, mesmo dentro do chamado "cinturão
artilheiro”, enquanto que nos de pouca visibilidade, os aviões eram proibidos
de sobrevoar essa zona. Apesar de tudo, ocorriam acidentes que por sua vez
geravam atritos entre as corporações. Decidido a obter o melhor resultado dos
recursos de que dispunha e contando com a aprovação de Sir Robert Watson Wat,
o inventor do radar, que opinava que suas equipes trabalhariam melhor perto
do mar, o Marechal Hill ordenou o deslocamento do "cinturão
artilheiro" à costa sul da Inglaterra. Desta forma; embora o campo de
ação dos caças ficasse dividido em dois - sobre o mar, diante do
"cinturão artilheiro, onde as equipes de radar os ajudariam na
localização dos alvos, e em terra, atrás do “cinturão”, onde seriam guiados
pelos observadores da defesa civil mediante foguetes de sinalização, refletores
e projéteis de balizamento - a artilharia seria beneficiada por poder usar,
sem restrições, os novos projéteis americanos, providos de um dispositivo de
ondas de rádio que os fazia explodir automaticamente nas proximidades do
alvo; tais projéteis não eram utilizáveis nas zonas habitadas, pois tinham o
grave inconveniente de que se não passassem perto do alvo, caíam ao solo sem
explodir, e podiam significar um perigo para a população. Tanto o Tenente-General Pile, comandante da artilharia
antiaérea, como o Vice-Marechal Saunders, que comandava o 2o Grupo
de Caça, se mostraram de acordo, numa reunião celebrada a 13 de julho, com o
novo dispositivo, pelo que Hill ordenou a imediata execução, sem esperar o
autorização dos chefes de estado-maior. Esta ação poderia custar-lhe a
carreira ou proporcionar-lhe uma maior liberdade de ação, como tributo de
respeito a um comandante que sabia fazer valer suas convicções. De início,
lhe valeu uma reprimenda por escrito do Comitê "Crossbow" onde era
censurado por agir sem consultá-lo. A 17 de julho estava completo o deslocamento. Mais de 800
canhões servidos por 23.000 homens e mulheres, junto com mais de 60.000
toneladas de víveres e munições, ocupavam suas novas posições,
intercomunicadas por mais de 5.000 quilômetros de cabos. A princípio, os fatos pareceram inclinar-se contra Hill. Na
primeira semana sob o novo sistema, 204 "bombas-voadoras" de um
total de 473 avistadas, atingiram os limites urbanos de Londres; somente
entre o entardecer de 21 de julho e o do dia 22, os canhões e os caças
derrubaram 43 projéteis, e os globos das barreiras outros 17. Porém o
resultado era ligeiramente inferior ao da última semana sob o antigo sistema,
e o dos caças, particularmente, notoriamente inferior. No entanto, como prêmio aos esforços de Hill por coordenar a
ação dos seus subordinados, os resultados defensivos começaram a melhorar em
fins de julho. A percentagem de projéteis destruídos subiu na terceira semana
de agosto a 74% dos detectados, chegando em algumas semanas posteriores, a
83%. Também, como fatores que de um modo ou de outro influíram para que a
balança se inclinasse decididamente para o lado dos defensores, é necessário
citar o incremento recebido pelo “cinturão artilheiro”, de 38 canhões leves e
180 pesados, o emprego dos novos caças a reação "Meteor" - embora o
grosso dos aviões continuassem sendo os "Tempest" V,
"Spitfire" XIV, "Mustang" III e, em missões noturnas, os
"Mosquitos" - e a adoção de novos sistemas de radar, especialmente
adaptados. Hill pôde declarar com relação à eficácia da defesa que
"somente uma de cada oito bombas disparadas tem probabilidade de chegar
ao alvo". A 28 de agosto, por exemplo, 28 caças que voavam sobre o mar
diante do "cinturão artilheiro" derrubaram 13 bombas de um total de
97 detectadas; os canhões deram conta de outras 65 e novamente os caças
abateram outras dez; das 9 restantes, 2 se chocaram. contra a barreira de
globos, 4 caíram no objetivo e 3 passaram de largo para cair no campo. A constante ascensão da curva de êxitos defensivos induziu os
membros do Comitê "Crossbaw" e o Ministério do Ar a enviar nos
primeiros dias de setembro várias cartas de felicitações ao Marechal Hill,
com o que, implicitamente ficava aceita a sua decisão de transladar a
artilharia antiaérea à costa sul. Porém, pilotos e artilheiros não iriam mais ter muitas ocasiões
de demonstrar a sua capacidade combativa. Depois de cruzar o Sena perto de
Paris, a 29 de agosto, tropas anglo-canadenses chegaram ao Somme no dia 31,
poucas horas antes que uma bateria descarregada do Flakregiment 155 W
efetuasse o último disparo do território francês, ao amanhecer de 1o
de setembro, antes de bater em precipitada retirada para um acampamento
situado nas imediações de Amberes, onde já se encontrava o grosso do
regimento. O General Heinemann, com o Estado-Maior do 65o Corpo,
esteve a pique de cair nas mãos das vanguardas britânicas, perto de Waterloo,
quando procurava se dirigir a Bruxelas, procedente de Maisons-Lafitte. A pausa imposta pela retirada das tropas do Coronel Wachtel
somente foi quebrada a 5 de setembro. Ao amanhecer desse dia, o III KG 3, uma
formação de velhos bombardeiros "Heinkel" III, adaptados para o
lançamento das V-1 do ar, disparou nove projéteis contra Londres, antes de
retirar-se para o noroeste do Alemanha. Com as 100
"bombas-voadoras" lançadas ao todo por essa unidade desde a
primeira semana de julho, o total de projéteis V-1 disparados contra a
Grã-Bretanha chegou a cerca de 9.000. Deles, mais de 2.000 se desintegraram
pouco depois do lançamento; dos 6.725 que foram avistados da costa inglesa,
3.463 caíram graças à ação dos caças, canhões ou barreiras de globos. Os
restantes alcançaram a zona de defesa civil de Londres, salvo algumas dezenas
que caíram no campo ou em outras cidades. Uma nova ameaça: a V-2 No mesmo dia (13 de junho) em que o Coronel Wachtel iniciava a
ofensivo V-1 contra Londres, um foguete A-4 procedente da reconstruída
estação experimental de Peenemunde, desviou-se inesperadamente da trajetória
marcada e foi cair no sul da Suécia, perto de Molmö, depois de um vôo de mais
de 150 quilômetros. Autorizados pelo governo sueco, dois oficiais do
Intelligence Service britânico inspecionaram os restos do foguete e acertaram
o seu envio ao Reino Unido. A Alemanha protestou energicamente ante a Suécia, pelo que
considerava "uma atitude desleal e em conflito com a política de
neutralidade proclamada por esse governo". A nota diplomática alemã não
era acompanhada de ameaças (que, por outro lado, o III Reich já não estava
mais em condições de cumprir) e nem foi levada em conta pelas autoridades
suecas; assim, a primeira remessa dos restos do foguete chegou à Grã-Bretanha
em meados de julho, chegando a outra por mar, no dia 31. O projétil foi
"reconstruído" pelos técnicos do Ministério do Ar, sob a direção do
doutor Jones, nos laboratórios. de Farnborough. Quase ao mesmo tempo chegava a Londres um engenheiro polonês que
tivera ocasião de examinar um foguete capturado quase intacto pelos membros
da Resistência em Blizna, Polônia, onde os alemães estavam testando a nova
arma. O emissário trazia uma valise com mais de 50 quilos de material
retirado do foguete, e seus informes foram de inestimável importância para
determinar as características da futura V-2. Pouco depois, o comitê "Crossbow" tinha em seu poder
uma descrição bastante precisa da nova ameaça que pairava sobre Londres. O
artefato que o Marechal Hill e seus efetivos da Defesa Aérea da Grã-Bretanha
teriam de enfrentar, era, segundo estimativas do doutor Jones, um foguete de
uns 12 a 15 metros de comprimento e com cerca de 12 toneladas de peso, com
uma carga explosiva de 800 a 1.500 quilos; era atribuída a ele uma velocidade
acima de 3.000 quilômetros por hora, com um alcance de 400 a 500 quilômetros
e uma altura máxima de quase 100 quilômetros. Para o lançamento do foguete
não se requeriam instalações especiais: bastava uma plataforma de cimento de
poucos metros quadrados, sobre a qual estacionava o veículo vector - um
caminhão especialmente construído e munido de um dispositivo que permitia
colocar o foguete em posição vertical. Segundo todos os indícios, os alemães
haviam iniciado vários meses atrás a fabricação em massa da arma, e por essa
razão os técnicos acreditavam que a ofensiva V-2 pudesse começar em
princípios de setembro. Hill e o seu estado-maior previam que o dispositivo de defesa
testado com tão bons resultados contra a V-1, resultaria de escassa ou nula
eficiência diante da V-2. Sabiam que os depósitos de armazenamento dos
foguetes eram subterrâneos, embora também houvesse alguns de madeira,
perfeitamente camuflados e dispersos em bosques; sabiam também que os
foguetes a ponto de lançamento e suas guarnições somente seriam vulneráveis a
um ataque aéreo afortunado durante um lapso de duas horas aproximadamente.
Assim, suas maiores esperanças repousavam na possibilidade de que a ação dos
bombardeiros aliados desarticulasse as comunicações alemãs e dispersasse as
unidades encarregadas da operação V-2. E, principalmente, que o avanço aliado
na Europa obrigasse o inimigo a retirar-se para linhas mais afastadas, de
modo que Londres ficasse fora do alcance do foguete. Essas esperanças decaíram um pouco ao concentrar o General
Eisenhower o peso principal da sua força sobre a ala direita do avanço, e se
desvaneceram por completo com o fracasso da audaciosa operação dos
pára-quedistas britânicos em Arnhem-Nimega, em território holandês. As SS e as armas secretas Desde que o foguete A-4 entrou em uma fase avançado do seu
desenvolvimento, as SS pareciam considerar a nova arma como sua. Por sua
influência operou-se a transferência das tropas em instrução a Blizna, reduto
das SS. Também a decisão de efetuar a montagem do foguete em
Niedersachswerfen obedecia à mesma razão. A 6 de agosto de 1944, duas semanas
depois do atentado contra Hitler, este designou Himmler como Comissionado
Especial para todas as questões relativas à V-2. Aparentemente, a decisão do
Führer tinha, implícita, uma dupla finalidade: recompensar a lealdade das
suas SS, dando-lhes o controle de uma arma inédita, e, ao mesmo tempo,
infligir um castigo coletivo à Wehrmacht - que havia acolhido em seu seio os
"traidores" de julho - arrebatando-lhe o fruto de muitos anos de
estudos e esforços. Himmler surrupiou de fato as operações V-2 das mãos do
General Heinemann, cujo malbaratado 65o Corpo estava se
reagrupando "em algum lugar do oeste". O comando dos operações foi
confiado ao General das SS Kammler, que recebeu, a 29 de agosto, a ordem de
iniciar a ofensiva contra Londres de uma área compreendida entre Gante,
Tournai, Malinas e Amberes, plano que teve de ser abandonado ante a rapidez
do avanço aliado. Dividiu suas tropas em dois grupos, de duas baterias cada
um: o Grupo Norte, comandado pelo Coronel Hohmann, que tomaria posição perto
de Haia para atacar Londres, e o Grupo Sul, sob as ordens do Major Wehbe,
distribuído na Renânia para atacar objetivos na França e Bélgica; ao todo,
uns 6.000 homens equipados com cerca de 1.600 caminhões. Contava, também, com
"uma bateria experimental", agregada ao Grupo Sul com a missão
específica de atacar Paris. Depois de duas tentativas falhas efetuadas a 6 de
setembro, essa bateria conseguiu, no dia 8, um impacto na zona povoada dos
subúrbios parisienses. Posteriormente, a unidade experimental foi agregada ao
Grupo Norte, e, de suas posições na ilha holandesa de Walcheren, somou-se
ofensivo contra Londres. Dupla ofensiva V-1 e V-2 Os alarmantes informes que indicavam a iminência da ataque a
Londres com foguetes de longo alcance tiveram confirmação às 6 h 43 m da
manhã de 8 de setembro, quando um desses artefatos, disparado de um local
próximo a Haia, explodiu em Chiswick, causando três mortes e dez feridos. Um
minuto depois, outro foguete da mesma procedência destruía algumas choças de
madeira em Epping. Na sua função de Comandante da Defesa Aérea da Grã-Bretanha, o
Marechal Roderic Hill tinha sobre os seus ombros a dupla tarefa de proteger
as ilhas de qualquer novo ataque das "bombas-voadoras" e de decidir
e executar as contramedidas necessárias para neutralizar as bases de
lançamento dos foguetes V-2. Determinou, em primeiro lugar, a dispersão do
"cinturão artilheiro" da costa sul, já que, presumivelmente, as
próximas "bombas-voadoras" viriam pelo leste, distribuindo, em
meados de setembro, a massa de canhões entre o estuário do Tâmisa e uma área
compreendida entre Clacton, Harwick e Yarmouth. Calculava que, sendo maior a
distância que a bomba ou o avião lançador teriam que percorrer, seus caças
teriam maiores probabilidades de interceptação. Mais difícil de resolver era o problema suscitado pelas V-2, que
continuavam chegando às ilhas num ritmo de dois foguetes por dia. Diante
deles, os sistemas de interceptação convencionais estavam de antemão
condenados ao fracasso... De momento, o mais urgente era averiguar de onde provinham os
foguetes. Com esse fim determinou a duplicação do número de estações dotadas
de equipamentos de radar especiais, estendendo uma densa rede entre Dover e
Lowestoft; dois regimentos providos de globos de observação e estações móveis
de radar foram distribuídos na costa leste da Inglaterra e no território
continental conquistado pelos exércitos aliados. Todas as informações eram
centralizadas por uma unidade móvel de transmissões com sede em Molinas, em
comunicação com o QG de Hill em Stanmore. Logo ficou evidente que a maioria
dos lançamentos eram efetuados de bosques vizinhos a Ter Horst, Eikenhorst e
Raaphorst, na região de Haia. Hill pediu ao Comando de Bombardeio que esses
objetivos fossem atacados maciçamente o mais cedo possível: a 14 de setembro
Raaphorst, e três dias depois Eikenhorst, receberam a "visita" dos
bombardeiros da RAF. Porém, como sucedera no caso da V-1, a ação não causou
os efeitos desejados... No dia 17 de setembro, tropas aerotransportadas. aliadas
desceram na região Nimega-Arnhem, numa manobra de distração tendente a
facilitar a travessia do baixo Rhin pelo Grupo de Exércitos do Marechal
Montgomery. Ante o temor de que suas forças ficassem isoladas, o General
Kammler ordenou ao Grupo Norte que batesse em retirada para Burgsteinfurt,
perto de Munster, onde se encontrava seu QG, e a bateria experimental
abandonou suas posições na ilha Walcheren e se transferiu para Zwolle, na
Holanda central. No dia 18, uma bateria desgarrada do Grupo Norte disparou
contra Londres o último foguete da primeira fase da ofensiva; nos dez dias
que durou foram lançados contra Londres 35 projéteis V-2, dos quais apenas 17
caíram na região de Defesa Civil da capital. A 25 de setembro, quando o
fracasso da operação aerotransportada britânica era já evidente para os
alemães, o General Kammler ordenou que a bateria experimental tomasse posição
em Staveren, na Frísia, para recomeçar os ataques, tendo Norwich e Ipswich
como objetivos. Às 19h 19m desse dia, um foguete que caiu em Hoxne, Suffolk, marcou
o começo da segunda fase da ofensiva V-1. A 30 de setembro, Kammler
determinou que o Grupo Norte retornasse às suas posições anteriores, nas
imediações de Haia, de onde essa unidade continuou operando até fins de março
de 1945. Porém, na tarde do mesmo dia 17, o grupo aéreo III KG 3 que
antes havia cooperado na ofensiva V-1 do Coronel Wachtel, lançando
"bombas-voadoras" da França, recomeçou seus ataques contra Londres.
Contra a expectativa, os projéteis lançados do ar, apresentavam mais dificuldades
para a interceptação que os disparados de rampas, já que voavam usualmente a
menos de 500 metros do solo, o que fornecia pouca probabilidade de detecção
aos radares e escasso ângulo de tiro à artilharia antiaérea. Além disso, as bombas podiam vir, praticamente, de qualquer
parte, não permitindo o estabelecimento de um "cinturão artilheiro"
como o que tão bons dividendos rendera na ofensiva anterior. Hill determinou,
em fins de setembro e princípios de outubro, o bombardeio dos aeródromos de
Varrelbusch, Zwischenahm, Aalhorn e Handorfbei-Munster, dos quais operava o
III KG 3. Todos eles foram sucessivamente atacados pelo Comando de Bombardeio
britânico e pela Oitava Força Aérea americana. A ofensiva V-1 pelo ar não cessou,
porque a Luftwaffe foi paulatinamente incrementando os efetivos do III KG 3
com os restos de suas esquadrilhas de bombardeiros; tampouco foi Londres o
único objetivo visado por essa unidade, já que sua mobilidade lhe permitia
selecionar os alvos à sua vontade. Ao anoitecer de 24 de dezembro, por
exemplo, 50 aviões alemães lançaram outras tantas V-1 contra Manchester.
Porém a escassez de combustível, unida às fortes perdas que essa operação tão
arriscada causava nas tripulações (dos 41 aviões perdidos pelo III KG 3,
calcula-se que, não menos da metade deles, se deveram a acidentes no
lançamento), impôs à Luftwaffe a suspensão da ofensiva. Às 2h33m da madrugada
de 14 de janeiro caía sobre o Reino Unido a última V-l, explodindo em
Horsney, um subúrbio norte de Londres. A partir de meados de janeiro até fins de fevereiro, a ofensiva
contra as ilhas ficou exclusivamente entregue à V-2, que o Grupo Norte e a
bateria experimental de Kammler lançavam então com uma cadência de dez
foguetes diários, enquanto o Grupo Sul continuava atacando objetivos do
continente, especialmente na região de Amberes (Antuérpia). Salvo algumas
esporádicas e nem sempre eficazes nem oportunas intervenções do Comando de
Bombardeio - dificultadas também pelo fato da Holanda ser um país aliado e
era preciso evitar, o mais possível, causar baixas entre a população civil -
o Marechal Hill não dispunha de outros recursos senão os caça-bombardeiros da
Defesa Aérea para atacar sistematicamente as bases de lançamento. Nos dois
primeiros meses de 1945 suas formações realizaram 1.143 missões contra
aqueles objetivos, o que determinou uma notável diminuição do número de
projéteis que chegaram a Londres nesse lapso. Pouco depois chegaram informes
a Londres de que os alemães preparavam outra ofensiva com uma versão
modificada da V-1, de muito maior alcance que a anterior. A 28 de fevereiro,
o reconhecimento fotográfico demonstrou a presença de rampas de lançamento
apontadas contra Londres em Ypenburg, perto de Haia, e em Vlaardingen,
povoado vizinho de Roterdã; posteriormente, foi localizada uma terceira, em
Delft. Encontraram-se, ainda, outras três rampas apontados contra Amberes
(Antuérpia). Para enfrentar essa nova ameaça, Hill redistribuiu a artilharia
antiaérea, reforçando a barreira de canhões entre Sheppey e Orfordness; três
esquadrões de "Mustangs" patrulhariam o mar diante dessa barreira,
enquanto um esquadrão de "Meteors" cedido pela Segunda Força Tática
tentaria a interceptação dos projéteis entre as defesas artilheiras e
Londres. De noite, dois esquadrões de "Mosquitos" patrulhariam o
mar e um de "Tempests" vigiaria atrás dos canhões. Os equipamentos
de radar foram postos em estado de alerta. Hill recomendou o bombardeio das rampas em fins de fevereiro,
porém sua sugestão não foi ouvida, pois o Estado-Maior do Ar não acreditava
que o inimigo estivesse em condições de operar nas semanas imediatas.
Contudo, as defesas estavam preparadas e das sete bombas que chegaram à
Inglaterra na madrugada de 3 de março, seis foram destruídas e apenas uma caiu
em Bermonsey pouco depois das 3. Das outras dez bombas disparadas entre a
noite do dia 3 e o meio-dia de 4, quatro foram destruídas, quatro caíram no
campo e duas em Londres. Apesar dos freqüentes ataques da aviação aliada, a
ofensiva V-1 continuou até fins de março, e a artilharia derrubou a última
delas no dia 29, às 12h43m, caindo o projétil no mar, no altura de
Orfordness. Nessa última fase foram lançadas 275 bombas-voadoras, das quais
somente 125 chegaram a cruzar a costa inglesa; 91 foram destruídas pelas
defesas e as restantes caíram em Londres. Dois dias antes, 27 de março, às 4h45m, caía em Orpington, Kent,
o último foguete V-2 dos 1.403 disparados contra a Grã-Bretanha em mais de
seis meses. Deles, 517 haviam alcançado o região da defesa civil londrina,
caindo 537 no campo ou outras cidades e 61 no mar, porém a uma distância que
permitiu às defesas avistá-los; os restantes 288 foram disparos falhos. Em vista da nova pausa ter todas as aparências de ser
definitiva, Hill suspendeu os ataques à zona de lançamento a 3 de abril.
Embora o reconhecimento aéreo, como medida de precaução tenha continuado até
o dia 25 de abril, o radar cessou a vigilância no dia 13. A 2 de maio, os
estados-maiores aliados concordaram em suspender todas as medidas contra as
armas de longo alcance alemãs, ante informes de que elas teriam pouquíssimas
probabilidades de reiniciar suas operações. Depois de lançar seu último foguete a 27 de março, as tropas do
General Krammler que operavam na região de Haia se retiraram ordenadamente
para a Alemanha, por ordem do OKW, que temia que suas posições fossem
conquistadas e o equipamento caísse intacto nas mãos dos Aliados. Porém o
colapso do Reich estava já muito próximo, e a 9 de maio de 1945 o grosso
destas forças se rendia ao 9o Exército americano. “Paperclip” Os técnicos militares são unânimes em afirmar que a ofensiva das
"armas de represália", em que tantas esperanças haviam depositado
os círculos responsáveis alemães, resultou mais espetacular que eficiente.
Porém há um fato que na opinião de alguns justificava por si só o emprego da
V-1 e da V-2: para conjurar a ameaça das armas secretas os Aliados tiveram
que desviar milhares de saídas de seus bombardeiros e mais de 130.000
toneladas de bombas que poderiam ter utilizado contra outros objetivos mais
decisivos para o curso da guerra. A "bomba-voadora" despertou pouco interesse nos
peritos; sua reduzida velocidade e pequena altura operacional, tornavam-na
extremamente vulnerável à interceptação pelos caças ou pela artilharia antiaérea.
O contrário, porém, aconteceu com a V-2, que muitos consideraram, num
primeiro momento, como a arma da guerra do futuro. A 2 de abril de 1945, o General Eisenhower recebia a Diretiva
1.067, na qual se instava o comandante-supremo aliado a tomar as medidas
necessárias tendentes a preservar da destruição e "para capturar todos
os planos, fotografias e dados relativos às novas armas alemãs". Assim
teve início a "Operação Paperclip", a cargo dos serviços secretos
americanos; no decurso dos anos seguintes, milhares de documentos seriam
examinados minuciosamente, ao mesmo tempo em que na zona ocupada pelos
Aliados ocidentais se levava o cabo uma paciente busca dos técnicos que
haviam estado vinculados aos projetos da estação experimental de Peenemunde. Poucos
meses depois, se encontravam trabalhando nos Estados Unidos perto de 130
cientistas alemães, alguns dos quais eram reclamados pelos tribunais de
desnazificação. Centenas mais chegaram a esse país no imediato após-guerra.
Em 1948, a "Operação Paperclip" resultara em colocar 1.136 técnicos
e cientistas alemães e austríacos trabalhando na nascente fabricação de
foguetes americana; entre eles figuravam o General Walter Dornberg e um dos
seus mais jovens e brilhantes colaboradores, Werner von Braun. Não consta de que os soviéticos tenham montado uma operação do
tipo "Paperclip" ... Embora não haja maneiro de determinar qual dos dois países foi
mais eficiente em suas gestões, não será arriscado afirmar que ambos
obtiveram dos seus inimigos de ontem os fundamentos sobre os quais erigiram
suas indústrias espaciais. Anexo Bases de lançamento Reproduzimos um
relatório do Esquadrão n° 226, equipado com bombardeiros leves Mitchell,
destacado para a destruição das bases para lançamento das bombas V-l "A 4 de janeiro a
unidade foi selecionada para atacar a construção de uma base de lançamento no
norte da França. As bombas caíram de 1.800 a 2.300 metros, porém sem
resultados satisfatórios. "Um ataque
similar foi levado a cabo a 5 de janeiro, conseguindo-se uma boa concentração
na área do alvo e a operação redundou num êxito. Não se avistou nenhum avião
inimigo, nem se encontrou resistência da artilharia antiaérea. "No dia 7 de
janeiro, nenhum informe sobre missão alguma podia considerar-se completo sem
estas palavras familiares: construções de bases de lançamento. Neste dia, o
ataque teve êxito, como foi demonstrado pelas fotografias aéreas. "A 14 de janeiro
se levou a cabo outro ataque não decisivo, porém a 5 de fevereiro o Esquadrão
se mostrou interessado ao ser apontado um novo alvo: um aeródromo em
Beauvais-Lille. A mudança mereceu muito boa acolhida. Contudo, a 6 de
fevereiro, voltamos às “construções de bases de lançamento”. O ataque foi um
fracasso devido às nuvens, obstáculo normal para o bombardeio de altitude com
meios visuais. "A 8 de fevereiro
levamos a cabo dois ataques, ambos frustrados. Uma incursão realizada a 9 de
fevereiro foi considerada bem sucedida, empregando-se o método “Gree” de
navegação por radar. “No dia 15 de
fevereiro efetuamos outros dois ataques, um com sorte. A incursão de 25 de
fevereiro determinou 50% de feridos em conseqüência do fogo antiaéreo a 9.000
pés (2.800 metros), porém sem notarmos a presença de aviões inimigos. "O ataque de 28
de fevereiro foi de resultados indecisos. "Durante os dias
2, 3, 4 e 28 de março foram repetidos os ataques de uma altura de 10.000 pés
(3.300 metros) em média porém, em resumo, não deram grandes resultados. A
aviação inimiga primava pela ausência fato que deve ser imputado à proteção
dos objetivos no solo pátrio, em vista da sistemática destruição das cidades
alemães empreendida pelo Comando de Bombardeio". Uma mancha esquisita A mancha era pequena,
esquisita. Era difícil distingui-la na textura cinzenta e quadriculada da
fotografia aérea. Além disso, antes não estava ali; ou, pelo menos, não foi
observada nas tomadas anteriores. Os informes começaram
a chegar em abril de 1943 ao escritório de Mr. Duncan Sandys, membro do
Parlamento. Eram montões de relatos e informações imprecisas, tremendamente
difusas, provenientes de agentes secretos. Sandys sabia que o conteúdo de
cada folha datilografada havia custado muito sangue e muito dinheiro. Segundo os agentes
secretos, o inimigo aperfeiçoava um novo tipo de arma para bombardeio a longo
alcance. Analisando detidamente os dados e comparando-os com os de outras
fontes de informações, Sandys e seus homens chegaram a suspeitar que a nova
arma - se é que existia estava sendo experimentada em algum lugar da costa do
mar Báltico. Então começaram as fotografias e apareceu a mancha esquisita.
Mas não apareceu logo. Primeiro fotografaram
diversos lugares da costa do Báltico, até que Peenemunde, localizada numa
ilha, se revelou como uma ampla e avançada estação experimental. As lentes
das câmaras instaladas nos aviões de reconhecimento, começaram a focalizar
Peenemunde cada vez com maior freqüência. Os foto-intérpretes foram
amontoando dados cada vez mais precisos sobre a ilha, até que apareceu a tal
mancha. Em realidade, era,
praticamente, a única novidade. E alguns intérpretes chegaram a pensar que
poderia ter aparecido antes e que não fôra notada. Submeteram-na, então,
a uma cuidadosa análise. Finalmente comprovaram que, em essência, era um
objeto parecido com um avião em miniatura, montado no que podia ser uma
espécie de rampa metálica com trilhos. Em fotografias posteriores pôde-se
apreciar que o terreno em volta estava sulcado de traços ou estrias escuras.
Sandys recordava um relato de ficção científica em que presença de um foguete
marciano era denunciada pelo gramado queimado nas pontas. Também ale,
anteriormente, pensara que as estrias enegrecidas da foto haviam sido
provocadas por uma rajada abrasadora. Considerando todos
esses elementos, Sandys enviou um relatório aos seus superiores: "a
mancha esquisita observada em uma das fotos de Peenemunde, bem pode ser um
tipo de aeronave sem piloto, impulsionada a reação..." Numa conferência
pronunciada em setembro de 1944, Mr. Duncan Sandys disse: "Todas nossas
dúvidas se desvaneceram ao descobrir, em fins de novembro, que os alemães
construíam ao longo de toda a costa francesa, desde Calais até Cherburgo, uma
série de estruturas de concreto, com muitos pontos de semelhança, sem
possibilidade de engano, com aquelas já descobertas na estação experimental
do Báltico. Mais tarde soubemos que as instalações da França estavam, na
maioria, orientadas na direção de Londres... Pouco tempo depois, e
apesar do devastador ataque aéreo sobre as rampas de lançamento, 8.000
bombas-voadoras, disparadas a uma velocidade de 500 a 600 quilômetros por
hora, sulcavam o espaço. 2.300 alcançaram a área de Londres. Operação V Janeiro de 1944.
Blizna, Polônia. Dois homens, aparentemente dois desconhecidos, se cruzam
numa ruazinha do povoado. Um deles porém, leva em sua mão um pequeno pedaço
de papel. Ao passar junto ao segundo desconhecido, a nota troca rapidamente
de mão. Assim, uma hora mais tarde, um transmissor de rádio, oculto numa
granja dos arredores, comunica a Londres, em linguagem cifrada, um episódio
que acaba de ocorrer a quase duzentas milhas de Blizna... Um grupo de aldeões
poloneses trabalha nos campos
que rodeiam uma pequena aldeia.
Ninguém pode prever o que vai ocorrer daí a alguns minutos. E, no entanto, o inesperado
acontece. De súbito, uma atroadora explosão sacode os arredores. Uma nuvem de
fumaça se eleva e lentamente começa a dissipar-se. Quando a calma volta a
reinar, as pequenas casas
da aldeia desapareceram. Um instante mais tarde, dois caminhões carregados de
soldados alemães estacionam muito perto dali. Os homens descem, e correm até
ao local onde acabara de produzir-se o desastre. A uma ordem do oficial que os comanda, os soldados,
pertencentes a uma unidade SS, começam apressadamente a recolher pequenos
fragmentos dispersos entre as ruínas. Os aldeões, atônitos, os observam, sem
compreender o que está passando. Apenas um
deles olha com mais atenção e compreende. Afasta-se dali rapidamente.
Instantes depois, uma nota escrita com mão nervosa, começa a passar de mão em
mão até chegar às de um jovem que opera um transmissor. Em Londres, após receber a mensagem, uma complicada rede
de comandos começa a mobilizar-se e a estudar a informação. E surge então a
conclusão inevitável: os alemães trabalham numa arma secreta e é necessário
conhecer dados, detalhes, cifras, datas... O movimento de
Resistência polonês, mobilizando seus homens, coloca em marcha sua
aparelhagem de espionagem. Agentes isolados arriscam permanentemente suas
vidas numa "caça a um pedaço de metal". Patrulhas especiais,
escapando aos grupos de soldados alemães, recolhem pedaços de
turbocompressores, tanques de combustível e equipamento eletrônico. Por fim, a sorte
inclina a sua balança em favor dos combatentes clandestinos e um dia, um dos
estranhos projéteis cai sem explodir, na margem do rio Bug, nas cercanias da
aldeia de Sarmaki. Os homens da
Resistência de imediato, se entregam à tarefa de recolher o petardo. É a
grande oportunidade e eles o sabem. Talvez nunca tenham outra igual. Um grupo de poloneses,
arrastando o projétil com dificuldade, o lança, finalmente, às águas do rio.
Em seguida, conduzem ao local grande quantidade de gado, e fazem com que os
bois atravessem o rio, turvando de tal maneira as águas que se torna muito
difícil a tarefa dos alemães incumbidos da localização do engenho. Nessa mesma noite,
cautelosamente, os poloneses retiram a arma das profundezas do rio e a
transportam para longe dali. Imediatamente, tratam de desarmá-la e retirar
dela as peças e partes que aparentemente são vitais. A informação,
entrementes, chegou a Londres. De lá, urgentemente, os comandos solicitam que
o petardo ou suas com principais
peças sejam remetidas à Grã-Bretanha. A operação, planejada
cuidadosamente, consistiria no envio de um avião aliado, que aterrissaria
numa pista abandonada, nas imediações do local. Ali, rapidamente, numa
operação executada em segundos, o projétil ou suas partes seriam
transportadas ao aparelho que, levantaria vôo, no mesmo instante. Os cálculos
prévios indicavam que seis minutos seriam suficientes para a operação. Na noite de 25 de
julho de 1944, dia fixado para executar a manobra, perto de 400 membros da
Resistência rodearam a pista e os bosques adjacentes, em missão de
vigilância. Pouco antes da hora prevista para a aterrissagem do avião
britânico, um grupo de caças alemães evoluiu sobre a pista, realizando ao
mesmo tempo aterrissagens e decolagens.Para tranqüilidade e alívio dos homens
que permaneciam nos arredores com as mãos crispadas na coronha das armas, os
aviões alemães se afastaram tão rapidamente como haviam chegado. A espera, então se
tornou angustiosa. Existia indiscutivelmente a possibilidade de uma nova
aparição dos caças alemães. E também a trágica possibilidade de um encontro
entre esses caças e o avião britânico que já se encontrava em vôo, e muito
perto dali. À hora marcada, um avião "Dakota" britânico sobrevoou o
campo, e, à luz de precárias tochas tocou terra numa manobra impecável,
aterrissando em estilo de combate. Rapidamente um grupo de poloneses subiu
pela portinhola, levando consigo a documentação recolhida pelos homens da
Resistência e numerosas peças vitais do petardo. À um sinal do piloto e
já com o tato ligado, as hélices foram novamente acionadas. Acelerado
gradualmente, o "Dakota", no entanto, não avançou, trepidando sobre
o terreno. Uma e outra vez, os motores foram parados e postos novamente em
marcha. O "Dakota" porém, se mantinha imóvel. Por fim, saltando a
terra, a tripulação começou um febril trabalho de reparação. Os motores rodavam
a um ritmo normal; o movimento das hélices era correto; os lemes respondiam à
manobra com suavidade.. . Tudo parecia estar em ordem. Alguma coisa, contudo,
falhava. Por fim, o piloto deduziu repentinamente a razão que impedia a
movimentação do aparelho: os freios. E eram mesmo. Os freios estavam
bloqueados. Imediatamente os tubos que conduziam o óleo foram cortados e o
líquido derramado. Repentinamente, liberados os freios, o avião deu uma
sacudida e ficou novamente imóvel. Em seguida, o girar das hélices levantou
nuvens de poeira. E com uma rápida acelerada, o avião começou a taxiar para o
extremo da pista. Já em vôo, a tripulação enfrentou um novo problema. De
fato, vasados os tubos da instalação hidráulica, era impossível recolher o
trem de aterrissagem. A conseqüência seria uma apreciável diminuição na
velocidade do aparelho. Contudo, o inconveniente foi rapidamente superado,
enchendo novamente os tubos com água das rações dos tripulantes. Assim, via Brindisi,
os segredos da V-2 chegaram a Londres. O piloto do "Dakota" resumiu
a experiência num relatório que deixa entrever, claramente, a têmpera dos
homens que tiveram em suas mãos a operação: "Com exceção de uma ligeira
agitação na pista, tudo transcorreu muito facilmente". No momento em que o
"Dakota" decolou, as patrulhas alemães se encontravam a quinhentos
metros do local... Dornberger "Grandes massas de bombardeiros inimigos se deslocam ao norte da ilha de Rugen, com rumo desconhecido... " A voz impessoal, fria, chegou até ao Major-General Walter Dornberger através do telefone que comunicava seu QG com os postos de observação avançados. Dornberger, depois de desligar, meditou brevemente. Existia, sim, uma possibilidade de que a usina de Peenemunde, de que ele era a autoridade máxima, fosse atacada aquela noite. Porém existiam, também, muitas possibilidades de que não fosse. Dornberger decidiu então tomar as medidas de segurança de rotina, e, após assegurar-se de que cada posto de escuta e cada bateria estavam de prontidão para entrar em ação, retirou-se para descansar. Dornberger dormia profundamente quando o som inconfundível dos canhões antiaéreos o despertou, sobressaltado. Em seguida, sem solução de continuidade, surdas explosões fizeram estremecer as instalações da base. A primeira reação de Dornberger foi pensar em um exercício noturno, que havia autorizado naquele mesmo dia. Logo compreendeu que não podia se tratar de um simulacro. Era, indubitavelmente, um ataque em regra. "Senti-me transpassado - declarou Dornberger mais tarde -; a cena na qual fixei o meu olhar tinha em si uma sinistra e aterradora beleza. Eu a contemplava como se fosse, visto através de uma cortina rosada e diáf |