Ingleses e americanos chegam ao rio Arno
Guerra Aérea na Itália
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Imediatamente após a conquista da cidade de Roma, o Alto-Comando
aliado na Itália decidiu aproveitar ao máximo as vantagens obtidas,
perseguindo o inimigo sem lhe dar trégua, na tentativa de desorganizar suas
linhas e obter uma vitória esmagadora. A estratégia a ser desenvolvida consistia em atacar com unidades
blindadas, apoiadas por forças aéreas, até conseguir o completa destruição
dos efetivos inimigos, ou, na sua retirada, impedi-los de consolidar suas
posições sobre a linha dos Apeninos setentrionais. Os chefes aliados estavam dispostos a converter a derrota alemã
num verdadeiro desastre, fazendo avançar suas unidades pelos vales do Tìbre e
depois pela via Flaminia, sobre Pesaro, com o objetivo de cair sobre o flanco
direito e sobre a retaguarda do exército alemão, que retrocedia lentamente
através da zona central dos Apeninos, região montanhosa e com escassas vias
de comunicação. As forças de que os Aliados dispunham eram suficientes em número
e a isso se unia o alto espírito dos combatentes. Nessa ocasião, o chefe do
15o Grupo de Exércitos aliados declarou: “Nem os Apeninos nem os
Alpes constituíram um sério obstáculo para o entusiasmo e a capacidade dessas
tropas”. Para os exércitos alemães, entretanto, a situação se tornava
extremamente grave. O 14o Exército alemão havia perdido, além de
28.000 prisioneiros, grande parte do seu material. As divisões que o
compunham se achavam em plena retirada e eram fustigadas continuamente por
ataques aéreos do inimigo. E atrás deles avançavam, também, unidades ligeiras
britânicas. O 10o Exército, por sua vez, recuava lentamente para
a chamada Linha C (baixo Tibre-Valmonte-Avezzano-norte de Pescara). A chegada de eventuais reforços era totalmente impossível. Em
conseqüência, restava aos alemães apenas uma possibilidade: retirar-se para o
norte, até à linha dos Apeninos Tosco-Emilianos, procurando retardar ao
máximo o avanço aliado, na tentativa de completar os trabalhos de
fortificação necessários para obstruir com recursos suficientes a entrada dos
exércitos aliados no vale do Pó. Diz o General Clark, referindo-se aos planos
e possibilidades futuras, com relação à campanha da Itália: “Na etapa
seguinte... depois de Roma, o propósito de Kesselring era retirar-se,
amparado pelo ação de retardamento que pudesse desenvolver, até uma forte faixa
defensiva conhecida como Linha Gótica, situada nos Altos Apeninos, a uns 40
quilômetros ao norte do rio Arno e cerca de 280 ao norte de Roma. Quanto a
nós, tratávamos de pisar os calcanhares do inimigo e isolar a maior parte
possível das suas forças. Durante as primeiras semanas de perseguição, mantivemos um ritmo
relativamente rápido pela campina ondulada que se estende ao norte do Tibre,
apesar dos encontros, ocasionalmente encarniçados, com as unidades da
retaguarda alemã. Mais tarde, a resistência hostil aumentou nas colinas”. Os alemães haviam sofrido gravíssimas perdas. De fato, desde
meados do mês de maio, os alemães haviam perdido perto de 1.500 veículos, 110
peças de artilharia de campanha, 125 canhões antitanque e peças de artilharia
autopropulsadas e 122 tanques. Além disso, uns 15.000 prisioneiros haviam
caído nos mãos dos Aliados. Ao todo, as baixas alemães ascendiam a uns 17.000
mortos e 68.000 feridos. O ritmo do avanço aliado, por sua vez, ocasionou aos exércitos
em marcha incontáveis dificuldades. Um dos maiores inconvenientes
experimentados consistia em manter o contato com as unidades avançadas que
seguiam de perto os alemães Freqüentemente, os grupos de vanguarda se
adiantavam até quinze ou vinte quilômetros num dia e os problemas de abastecimentos
e comunicações se complicavam enormemente. Problemas recaíam também sobre os
serviços de saúde. Estes, por motivos óbvios, tinham que se manter
relativamente perto dos linhas de frente. No entanto, muitas vezes em poucas
horas, as linhas avançados se distanciavam muitos quilômetros dos hospitais
de sangue, criando incontáveis dificuldades. Em uma ocasião, por exemplo, o
11° Hospital de Evacuação, que se encontrava em sua posição habitual, a uns
vinte e cinco quilômetros atrás da frente de combate, ficou distanciado uns
cinqüenta quilômetros da frente, no noite seguinte. Isto acarretava, como
conseqüência, o difícil problema do transporte dos feridos, que, então, tinha
que ser feito por via aérea. No curso do avanço rumo ao Arno, foram evacuados
por esse meio perto de 8.000 feridos. A campanha, em geral, se efetuou mediante operações cumpridas
por unidades pequenas, habitualmente em nível de regimento. Esse procedimento
era devido ao fato de que os alemães destruíam metodicamente estradas, pontes
e esgotos existentes espaçadamente na zona da costa. Em conseqüência, os
movimentos dos diversos regimentos eram condicionados por fatores de ordem
local, independentemente da estrutura geral da frente. Esses fatores, por
outro lado, variavam fundamentalmente de um setor para outro. Em linhas
gerais, a rapidez do avanço dependeu, sempre, da eficácia dos serviços das
unidades de engenharia, encarregadas de reparar as demolições efetuadas pelos
alemães. |
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Retirada alemã para o Arno Ao verificar-se o rompimento do dispositivo do 14o
Exército e serem rechaçados para além de Roma os restos das divisões do 1o
Corpo de Exército de Pára-quedista e para a zona de Tivoli os pertencentes às
divisões do 76o Corpo de Exército, a situação do 10o
Exército se tornou gravíssima quando, a 5 de junho, as forças aliadas
ultrapassaram a cidade de Roma. Diante da situação criada, o comando do Grupo de Exércitos
determinou as seguintes medidas: 14o Exército parar sua retirada e
reunir os unidades que estavam misturadas e desorganizadas; planejar uma
retirada ordenada; deter os grupos inimigos adiantados que caíam sobre os
flancos dos unidades alemães em retirada; 10o Exército - preparar
igualmente uma retirada ordenada; deter lentamente o flanco direito do
exército e, o mais breve possível, também o esquerdo, com o objetivo de
diminuir a extensão da frente; tomar medidas para defender o seu flanco ao
longo do Tibre, até que se restabelecesse o contato com o 15o
Exército e se organizasse uma posição contínua de defesa. As ordens emitidas, portanto, foram as seguintes: ao 14o
Exército, a diminuição do ritmo da retirada e a contenção do avanço aliado
sobre o litoral tirrênico e sobre a margem direita do Tibre com duas divisões
(162a Divisão de Infantaria e 20a Divisão da
Luftwaffe), uma procedente dos Bálcãs e outra da Dinamarca. Ao 10o
Exército, a proteção do seu flanco direito sobre o Tibre, empenhando na luta
a 90a Divisão de Infantaria, a 15a Panzergrenadier e a
26a Divisão Panzer. As forças da litoral adriático, por sua vez, integradas pela 278a Divisão de Infantaria e grande parte da 1a
Divisão, receberam ordem de iniciar o retirada na noite de 8 de junho. Ao agravar-se a situação, devido ao avanço aliado por Viterbo
sobre Orvieto, o comando do Grupo de Exércitos não vacilou em utilizar todo o
14o Corpo de Exército (29a Divisão de Infantaria e 90a
e 26a Panzergrenadier), deslocando-o para a zona ameaçada. O
movimento se efetuou de forma ordenada e oportuna, apesar dos ataques aéreos
aliados, da escassez de veículos e do transporte de combustíveis e das
dificuldades para os deslocamentos normais. O 76o Corpo de Exército, com as divisões 305a
de Infantaria e o 15o Panzergrenadier, continuou, contudo, sob as
ordens do 10o Exército, na margem esquerda do Tibre; ao mesmo foi
agregada a 334a Divisão de Infantaria que, retirada do setor
adriático, foi reorganizada na zona de Terni, onde chegou de forma
escalonada. Por volta de 19 de junho, a crise pôde se considerar superada. O
contato entre os exércitos foi restabelecido e o limite entre os mesmos se
estipulou ao longo da linha Orvieto-Montepulciano-Monte Calvo, até às colinas
do Chianti, a sudoeste do Monte Varchi. Com a ocupação da Linha Frieda deu-se por finalizada a retirada
entre o Tirreno e o Adriático. Depois de uma pausa de quase quinze dias, os
dois exércitos começaram nessa frente uma clássica manobra retardante até à
linha Arno-Metauro. Durante essa manobra, os alemães foram pouco perturbados,
o que lhes permitiu devastar o terreno e apoderar-se de tudo quanto lhes
podia ser útil. Resumindo, a direção operativa do comando alemão do Grupo de
Exércitos, secundada de maneira excelente pelo comando do 10o
Exército, deu aos alemães a possibilidade de recuperar o controle das
unidades operacionais dos dois exércitos, realizar uma manobra defensiva ao
norte da Linha Frieda, pôr o salvo a quase totalidade das forças e materiais
e ocupar oportunamente a linha preparada sobre os Apeninos Tosco-EmiIianos. Avanço aliado na Itália central Após a ocupação de Roma, o comando aliado traçou os planos
necessários para proceder ò perseguição dos efetivos alemães em retirada. Em
conseqüência, o comando do 15o Grupo de Exércitos ordenou que o 5o
Exército americano se dirigisse a Civitavecchia e se apoderasse do aeródromo
de Viterbo; o 8o Exército britânico, por sua vez, deveria
dirigir-se o Civita Castellano e, em seguida, ocupar Viterbo e Terni. Na zona
central, também, esse mesmo exército teria que alcançar, o mais rapidamente
possível, a via Tiburtina, entre as bacias de Arsoli e de Avezzano. Na
vertente adriática, além disso, o 5o Corpo de Exército devia
manter estreito contato com o inimigo no caso de este bater em retirada. Como primeira medida, o 5o Exército destacou o 6o
Corpo de Exército para avançar sobre Civitavecchia e o 2o Corpo de
Exército, pela via Cássia, para Viterbo. Esses corpos de exército foram
precedidos por destacamentos de exploração da 1a Divisão Blindada,
constituindo um escalão avançado na frente do exército. A cidade de
Civitavecchia caiu em poder dos Aliados no dia 7 de junho. No dia 9, as
unidades avançadas alcançaram a linha Montoldo di
Castro-Canino-Toscana-Viterbo-Vallerano, destacando um grupamento em direção
a Bassanello, no setor do 8o Exército. Por seu turno, o 8o Exército concentrou suas forças
na margem direita do Tibre, enviando o 13o Corpo de Exército,
precedido pela 6a Divisão blindada sul-africana, sobre Civita
Castellana, Viterbo e Orvieta. Pela esquerda do Tibre, foi enviado o 10o
Corpo de Exército sobre Rieti e Avezzano. O 1o Corpo de Exército
canadense foi mantido na zona de Frosinone para não agravar a crise logística
ao longo da via Casilina. No dia 9 de junho, as unidades mais adiantadas do 8o
Exército, depois de ocupar Civita Castellana, alcançaram Vallerano e
Bassonello, obrigando as unidades da 1a Divisão americana a
retomar suas faixas. À esquerda do Tibre, o avanço do 10o Corpo de
Exército tornou-se, ao contrário, muito lento; os alemães contra-atacaram em
Monterotondo os tanques da 6a Divisão blindada e detiveram os
britânicos em Passo Corese; enquanto isso, na zona central, limitaram-se a
manter contato com o inimigo. No setor adriático, o 5o Corpo de
Exército ocupou Chieti e Pescara a 10 de junho, evacuadas pelos alemães dois
dias antes. Nos dias subseqüentes, a perseguição aliada foi perdendo impulso
porque se retiraram da frente numerosas unidades terrestres (entre 5 e 7 de
junho, a 1a Divisão de Infantaria britânica e a 45a
Divisão americana) e aéreas, enquanto outras unidades eram designadas para
serem retiradas a curto prazo (comando do 6o Corpo de Exército e
as divisões americanas de Infantaria 3a e 36a em meados
de junho e duas divisões francesas nos primeiros dias de julho). A próprio direção
da perseguição na faixa do 5o Exército, na zona de Obertello,
passou a 13 de junho do comando do 6o Corpo de Exército para o do
4o Corpo de Exército, e na zona ao sul do lago de Folsena o 2o
Corpo de Exército americano foi substituído pelo Corpo Expedicionário
francês. Também no setor do 8o Exército as esperanças de uma
rápida perseguição começaram a dissipar-se: o exército teve que dividir-se
quando operava no Tibre e seus corpos de exército tiveram dificuldades para
avançar em razão das múltiplas interrupções efetuadas pelo inimigo e pela sua
tenaz resistência. A 13 de junho, as unidades avançadas do 13o Corpo de
Exército, depois de superarem a resistência das retaguardas alemãs em
Bagnoreggio, ainda se encontravam nas proximidades de Orvieto, e as do 10o
Corpo de Exército haviam ocupado Todi, Terni e alcançado a via Tiburtina
entre Arsoli e Avezzano. Na vertente adriática continuavam as operações de troca do 5o
Corpo de Exército britânico pelo 2o Corpo de Exército polonês. A partir de meados do mês de junho, a resistência alemã
tornou-se cada vez mais coordenada. A retirada, baseada em manobras e
realizada em escalões sucessivos, era apoiada por contra-ataques que contavam
com fortes grupamentos de artilharia, bem dirigidos, e com alguns grupamentos
de tanques. O aproveitamento do terreno pelas retaguardas para resistir,
especialmente no litoral tirrênico e no vale do Tibre, foi levado a cabo de
maneira magistral. Os Aliados, para romperem a resistência alemã na linha
Grosseto-monte Amiata-lago de Trasimeno-Peruggio, tiveram que atacar
ininterruptamente. As unidades blindadas aliadas foram obrigadas a ceder seu
lugar à infantaria e à artilharia, já que quase todas as pontes estavam
minadas ou destruídas e as estradas, cortadas. Por fim, ao ser rompida a
resistência alemã na linha do lago de Trasimeno, os efetivos aliados tiveram
que reduzir o ritmo do avanço e proceder com a máxima cautela, pois a
retirada alemã se efetuava na maior ordem e perturbando com ações
retardativas a progressão aliada. No dia 20 de junho, os efetivos do 5o Exército, por
meio do seu flanco esquerdo, deixaram Grosseto à retaguarda; a 25 ocuparam
Piombino; a 4 de julho alcançaram Rosignano e a 8 de julho, Voterra. No dia
18 de julho chegaram ao rio Arno e Pandedera e, no dia seguinte, 19, ocuparam
Livorno. Enquanto isso, os alemães haviam destruído todas os pontes que
cruzam o Arno e continuavam mantendo Livorno sob o fogo do sua artilharia de
longo alcance. No flanco direito, por sua vez, o Corpo Expedicionário francês
ocupava Radicotani no dia 18 de junho; no dia 20 chegava a Orcia, onde ficou
até 27. A 3 de julho ocupava a cidade de Siena e a 14, Poggibonsi, onde foi
substituído pelos neozelandeses e britânicos do 13o Corpo de
Exército. A 23 de julho, o exército ocupava a parte meridional da cidade de
Pisa e se localizava, com seus 4o Corpos de Exército (91a
Divisão de Infantaria) e 2o (85a e 88a
Divisões de Infantaria), na linha que vai desde o Arno até ao vale de Empoli.
Enquanto isso, o 8o Exército prosseguia o seu avanço na zona
central. A 20 de junho convergia sobre Chiusi e ocupava Peruggia e a planície
de Foligno; poucos dias depois ocupava monte Pulciano e alcançava as margens
do Trasimeno, onde o avanço foi detido pelos alemães até os últimos dias de
junho. A posterior penetração rumo a Arezzo e ao vale Tiberino se
tornou cada vez mais lenta pela firme resistência alemã, favorecida pela
natureza do terreno; foi necessário então empenhar a 2a Divisão
neozelandesa do 1o Corpo de Exército canadense, que estava em
descanso em Frosinone. Desta maneira, por volta de 16 de julho foi possível
vencer a resistência das retaguardas alemãs ao sul de Arezzo e ocupar essa
cidade. Paralelamente, na direção operativa adriática, haviam avançado o 2o
Corpo de Exército polonês e o Corpo Italiano de Libertação (13 batalhões de
infantaria, 2 regimentos de artilharia de campanha, 1 grupo de artilharia
pesada, 1 batalhão de sapadores e 1 companhia de comunicações). O avanço das
duas unidades se iniciou a 17 de junho e se efetuou em duas colunas: uma
polonesa, ao longo da rota costeiro, e uma italiana, ao longo da direção
Chieti-Teramo-Ascoli-Maceroto. Na região montanhosa dos Apeninos foi
empregado o grupamento Maiella, constituído por voluntários italianos. A 17 de junho foi alcançada a linha Teramo-Gìulionova e no dia
seguinte chegou-se a Ascoli e S. Benedetto del Tronto; a 21 de junho, a Porto
San Giorgio e à linha de Chieti, onde voltou-se a tomar contato com
retaguardas alemães. As tentativas do vanguarda ítalo-polaca de superar a
resistência alemã através do rio, sem uma preparação adequada, fracassaram, e
portanto teve que ser projetado um ataque minucioso, aprimorando as unidades
adiantadas das colunas e conseguindo reforços necessários, o que requereu
vários dias. A 30 de junho, quando os poloneses e os italianos estavam
prontos para o ataque, o inimigo iniciou a retirada. Mas eles, contudo,
conseguiram manter contato com as retaguardas alemãs, obrigando-as a
combater. A 1o de julho, poloneses e italianos alcançaram a margem
do rio Musone, franqueando-o em diversos pontos. No dia seguinte, os
poloneses conquistaram algumas elevações que dominavam o rio Musone e as
localidades de Castel Fidardo e Osimo; por sua vez, os italianos, entre 7 e 9
de julho, efetuaram um ataque contra Filottrono, liberando essa aldeia depois
de um duro combate contra dois batalhões do 994° Regimento de Infantaria
alemão, reforçados por tanques e peças antitanque. A 9 de julho, o comando do 2o Corpo de Exército
polonês deu início à prontidão das unidades e ao levantamento dos
abastecimentos para o ataque contra Ancona. Ao alvorecer de 17 de julho se
iniciou o avanço com o objetivo de isolar pelo oeste a guarnição alemã. Esta,
depois de uma breve resistência, evacuou a cidade, efetuando os poloneses sua
entrada na tarde de 18 de julho. No dia 23 de julho, a frente do Arno se estendia por uns 55 km,
desde o mar até ao rio Elsa, cerca de 30 km a oeste de Florença. A esta
altura, os Aliados trataram de reorganizar suas forças e foi então que os 2o
e 4o Corpos ficaram reduzidos a duas divisões cada um: 34a
e 85a o primeiro e 88a e 91a o segundo.
Algumas das melhores divisões americanas se haviam perdido e 11 dos 33
batalhões de artilharia do corpo haviam sido dizimados. Nas linhas alemãs, Kesselring havia dominado o situação, a ponto
de ordenar bem a retirada, evitando a conseqüente desorganização. A situação,
em linhas gerais, evidenciava que os Aliados deveriam esperar uma forte
resistência no Arno e nos baluartes montanhosos da Linha Gótica. Por outro
lado, de acordo com as palavras do General Clark, “cada vez mais se
evidenciava nossa debilidade em tudo, desde homens até munições, e nos víamos
obrigados a improvisar continuamente para poder seguir adiante rumo ao Pó”. Tendo
por base o estado de esgotamento das divisões aliadas, Clark decidiu que seus
homens cruzassem o Arno e avançassem à conquista de Lucca e Pistóia, após uma
pausa de quase duas semanas. Era necessário, e assim informou Clark a
Alexander, recompor as energias dos combatentes e reforçar o poderio material
das divisões. Em fins de julho, porém, a falta de abastecimentos opunha sérios
entraves à penetração aliada. Faltavam, também, tropas de serviços em
quantidade suficiente, especialmente unidades de comunicações e engenharia,
vitais para apoiar a operação que deveria ser cumprida através do Arno. A torre inclinada de Pisa O General Mark Clark, em suas Memórias, faz referência à cidade
de Pisa e à sua famosa torre inclinada. Diz a respeito: “Nossa entrada em
Pisa não fôra motivo de luta intensa, porém os alemães retinham a parte da
cidade que ficava justamente do outro lado do Arno, e durante o período de
reagrupamento houve ação de patrulhas e fogo ocasional de artilharia. Pisa
assumia, é claro, grande interesse para as soldados devido à sua famosa torre
inclinada, que se erguia no lado alemão do rio, e muitas foram as piadas
ditas acerca da forma pela qual os nossos engenheiros iriam endireitar esse
edifício assim que cruzássemos o Arno. Podíamos ver claramente a torre, e ao
fim de alguns dias surgiram dúvidas sobre se os alemães a estariam empregando
como posto de observação. Quando começamos a sofrer baixas nessa zona, correram rumores de
que, de fato, o inimigo a utilizava para fins militares e me pressionaram
para que ordenasse o bombardeio do famosa torre. Finalmente determinei que se
realizasse uma investigação a fundo, com o objetivo de descobrir se havia
alemães no seu interior. Mais tarde, Crittenberger me enviou um informe, no
qual fazia referência a uma historieta aparecida no Stars and Stripes, que
citava palavras de um oficial afirmando haver visto alemães na torre. ‘O
oficial diz que interpretaram mal suas palavras’, declarava o informe de
Crittenberger. ‘Na manhã de 25 de julho viram-se na torre observadores
munidos de binóculos de campanha e, embora desde então a tenhamos submetido a
uma vigilância atenta e ininterrupta, não se avistaram mais observadores e se
considera muito provável que os indivíduos avistados inicialmente estivessem
em trajes civis’. Depois o informe citava comentários de diversos oficiais
opinando que não havia nenhum objetivo em metralhar a torre e que, de
qualquer maneira, o fogo de artilharia era muito débil na zona. Posso
acrescentar que, posteriormente, no mesmo dia em que cruzamos o rio, fui ao
setor da torre. Uma multidão sé refugiava na catedral próxima, e por alguns
deles me enteirei que a guarda da torre estava a cargo de um ancião, que
apareceu mais tarde, abriu a porta e me acompanhou até à porte superior. ‘O único
alemão que entrou na torre - assegurou foi o Marechal Kesselring e na
qualidade de turista, como o senhor’. Quando chegamos ao alto, insisti em que
o grupo permanecesse do lado da torre que dava a frente para as tropas
aliadas, a fim de que não houvesse nenhum perigo de que os alemães nos vissem
ali e tomassem nossa presença como pretexto para metralhar a famosa obra.
Depois, quando partimos, mandei fechar as portas e ordenei que não se
permitisse o ingresso de ninguém”. O Brasil na Segunda Guerra Mundial Em fins da primeira semana de agosto de 1944, os primeiros
elementos da Força Expedicionária Brasileira (FEB) começaram a chegar á
Itália. Eram aproximadamente 25.000 homens que foram, gradualmente,
incorporados ao 5o Exército. A capacidade de fogo da Primeira Divisão Expedicionária da FEB
consistia em 16.245 armas individuais, 505 metralhadoras, 144 morteiros, 66
obuses, 2.287 armas antitanque e 237 metralhadoras antiaéreas. Com estes
elementos, a Primeira Divisão Expedicionária da Força Expedicionária
Brasileira estava em condições de realizar operações contra qualquer força
inimiga, terrestre ou aérea, de vôo baixo, em ações de médio porte e tempo
limitado, devendo ser reforçada com outros armas para ações de grande
importância. Devidamente abastecida, podia atacar qualquer objetivo terrestre
numa frente de 3.000 metros por regimento de infantaria e defender um setor
de 2.500 a 5.000 metros, também por regimento de infantaria. A mobilidade da Primeira Divisão Expedicionária da FEB era
assegurada por 1.410 veículos, que permitiam o translado de uma terça parte
dos seus efetivos numa só manobra. As operações através de cursos de águo
ficavam garantidas com a utilização de 47 botes de assalto. Os 736 aparelhos
telefônicos e 42 telegráficos asseguravam as transmissões e ligações,
apoiados por 10 aviões de observação dos Grupos de Artilharia (10 Piper Cub 4
H, de 65 H.P.). As características do armamento da Força Expedicionária
Brasileira eram as seguintes: a infantaria possuía carabinas, fuzis, fuzis-metralhadoras,
metralhadoras, morteiros e obuses de 105 mm; a artilharia contava com obuses
de 105 e 155 mm. As armas individuais eram a carabina .30, o fuzil .30 e a
pistola automática .45; as coletivas, o fuzil .30, as metralhadoras .30 e
.50, os morteiros de 60 e 81 mm e as submetralhadoras .45. Os canhões eram de
37 e 57 mm. Completavam o arsenal 1.632 lança-granadas, 585 lança-chamas, 72
detectores de minas e 14.254 máscaras contra gases. A guerra aérea A 11 de maio de 1944 foi posta em marcha a Operação Diadem,
ofensiva aérea e terrestre, que quebraria as Linhos Gustavo e Hitler. Desde
11 de maio até 4 de junho, os tarefas da forço aérea com relação a cooperação
com as forças terrestres ficaram definitivamente fáceis, em virtude do
debilidade que afligia a força aérea alemã. No verdade, am meados de maio de
1944, somente havia na Itália central e norte uns 325 aviões, enfrentados por
uns 4.000 dos Aliados, com base no Mediterrâneo. Era claro que, nessas circunstâncias,
a Luftwaffe não podia constituir uma ameaça para as tropas aliadas nem para
os bombardeiros médios e caça-bombardeiros que atacavam as comunicações
alemães. Contudo, o comando aliado não deixou, em momento algum, de tomar
precauções ante uma possível ameaça da força aérea alemã. A 14 de maio, os
Grupos de Bombardeio 99°, 463°, 456° e 459°, escoltados por aparelhos P-51 do
31o Grupo de Caça, deixaram cair 368 toneladas de bombas sobre o
aeródromo de Piacenzo e 135 toneladas em Reggio Emilia. Estes foram, na
realidade, os dois únicos ataques em grande escala efetuados contra as bases
italianas até o mês de julho. Paralelamente, muitos ataques de menor
envergadura foram efetuados contra objetivos menores, intervindo neles
caça-bombardeiros, principalmente. Outros ataques foram efetuados contra
objetivos situados fora da Itália. O sul da França, precisamente onde os
alemães concentravam cerca de 210 aviões, 155 dos quais eram bombardeiros de
grande raio de ação, foi objeto preferencial desses ataques. A 27 de maio, 246 aparelhos B-24 lançaram 515 toneladas de
bombas sobre os aeródromos de Montpellier-Frejorgues e Salon. Esse foi o
único ataque verdadeiramente importante efetuado contra campos de
aterrissagem franceses, até depois da queda de Roma. Por parte das forças aéreas alemães, a operação de bombardeio
mais importante foi realizada na noite de 12 para 13 de maio, quando
aparelhos Ju-88 atacaram os aeródromos de Poretta e Alesan, na Córsega, num
ataque que destruiu 23 aviões e avariou cerca de 90. Outras operações
ofensivas aéreas consistiram em uma incursão contra um comboio diante de
Argel, algumas passadas pouco importantes sobre bases aliadas como a de
Nápoles, certas incursões contra pontos de comunicação e outros episódios de
menor importância. Os Ju-88 alemães continuaram prestando serviços até princípios
de junho, quando foram retirados, visando o seu emprego no França. Seu lugar
foi ocupado por umas 40 máquinas Ju-87, cujas atividades diminuíram
rapidamente no serem dizimados pelos caças noturnos aliados e pelo fogo
antiaéreo. A atuação dos Ju-87 e Ju-88 não justificou a sua utilização; seus
efeitos, de fato, careceram praticamente de importância. Os caças alemães, por sua vez, pouco fizeram para interferir nas
atividades dos aparelhos médios e leves, caças e caça-bombardeiros aliados.
Praticamente, não se viram caças alemães sobre o norte da Itália, e os que
apareceram em cena “padeciam de uma notável falto de agressividade”. Pouco antes do queda de Roma, os alemães haviam começado a
retirar seus aviões para campos ao redor de Peruggia, Siena e Pistóia, e seus
caças desapareceram da zona de batalha durante o dia. Em decorrência disso, o
número de aparelhos alemães destruídos raras vezes passava de cinco por dia.
Ao todo, as forças aéreas aliadas destruíram 176 aviões, comprovados, 44,
prováveis, e 93 foram avariados no período entre 12 de maio e 22 de junho.
Por outro lado, a aviação aliada perdeu 438 aviões, na sua maioria por obra
da artilharia antiaérea alemã. Deve-se destacar que, até 22 de junho, os
aviões aliados efetuaram perto de 137.000 saídas, lançando 84.000 toneladas
de bombas; dois terços das mesmas caíram sobre vias de comunicações e portos
da Itália. A notória debilidade da força aérea alemã, ao lado da
intensidade das operações da aviação aliada, deram aos Aliados uma
superioridade incontestável durante o avanço sobre Roma. As tropas e
abastecimentos eram transportados com inteira liberdade. Igualmente, as
unidades aéreas de combate avançavam rapidamente para o norte graças à
velocidade e destreza com que se conquistavam novos aeródromos; dos campos de
aterrissagem dos alemães, que caíam nas mãos dos Aliados, poucos deles
satisfaziam as necessidades operacionais dos aparelhos anglo-americanos; além
disso, geralmente, todos apresentavam avarias e grandes destruições causadas
pelos ataques, o que os deixava inutilizados por algum tempo. Era necessário
então construir pistas novas. A engenharia demorava, em média, cinco dias
para construir um aeródromo; muitos deles eram construídos quando a zona se
encontrava ainda sob o fogo inimigo, e houve ocasiões em que a engenharia se
adiantou à infantaria, começando os trabalhos quando o lugar ainda não havia
sido tomado pelas forças terrestres. Depois da queda de Roma, os exércitos aliados comprovaram que os
informes dos pilotos, creditando a cada um triunfos e destruições de grandes
quantidades de material, não eram exagerados. De fato, a destruição fôra tão
vasta que, por não existirem relatórios de observadores das tropas de terra,
os informes dos pilotos não haviam sido levados em conta. Por exemplo, a
força aérea declarou, numa oportunidade, haver destruído 117 veículos de
transporte e blindados num curto trecho de caminho. Pouco depois, as tropas
terrestres contaram 122 veículos inutilizados ou incendiados. Ao mesmo tempo da queda de Roma nas mãos aliadas, nos dias 4, 5
e 6 de junho, quando os alemães congestionaram as estradas num desesperado
esforço para afastar-se das vanguardas aliadas, perto de 1.100 veículos foram
destruídos. A cifra total, por volta de 22 de junho, chegava a mais de 5.000
veículos totalmente inutilizados e outros tantos avariados. Depois da entrada em Roma das tropas aliadas, entre 4 e 17 de
junho, a aviação prosseguiu suas missões. No dia 15, 78 pontos em vias
ferroviárias voaram pelos ares. Foi assim que todas as linhas que uniam o
vale do Pó com Florença ficaram interrompidas. Outras rotas e vias
ferroviárias também sofreram os efeitos dos ataques aliados. Em conseqüência,
as forças de Kesselring ficaram cada vez menos abastecidos, especialmente de
combustível. Posteriormente, entre 17 e 28 de junho, o mau tempo impediu as
operações aéreas. Os alemães, aproveitando a trégua, estabeleceram algumas
vias de comunicações, como os que uniam Bolonha com Pistóia e Bolonha com
Prato. Contudo, as demais rotas da Itália central e as dos litorais leste e
oeste permaneceram cortados até o fim do mês, impedindo assim o
reabastecimento dos forças alemães. Na noite de 21 para 22 de junho, 88 aviões Wellington, 8 Halifax
e 2 Liberator atacaram as praias de Ventimiglia, com excelentes resultados.
No dia seguinte, 580 aparelhos pesados, protegidos por 513 caças, despejaram
1.400 toneladas de bombas sobre pátios ferroviários de Parma, Modena,
Bolonha, Ferrara, Castel Maggiore e Fornova di Taro, fábricas de veículos de
Turim e depósitos de Chivasso. Em seguida, contando com boas condições meteorológicos, 21
grupos de bombardeio pesado e 7 grupos de caça, com um total de 1.957 aviões
e 81.000 homens, concentraram seu poderio sobre diversos alvos. A partir da segunda semana de julho, as formações aéreas aliadas
mudaram seus objetivos, transferindo suas operações sobre a retaguarda e
rotas de comunicações para a zona de batalha. Nos dias anteriores à entrada
das tropas aliadas em Arezzo (a 16 de julho), aviões Kittyhawk e Mustang
efetuaram cerca de 900 saídas contra as posições inimigas que se encontravam
diante do 8o Exército. Outros aparelhos Marauder, Baltimore e Spitfire
somaram seus esforços nesse assalto. Enquanto isso, os bombardeiros noturnos
prosseguiram seus ataques aos pontos vitais do retaguarda, tais como
concentrações de tropas, entroncamentos ferroviários e pontes. No mês de julho, os aviões aliados atacaram objetivos,
especialmente pontes, situados entre os Apeninos e o rio Pó. A segunda semana de julho assinalou o começo de uma ofensiva
sustentada contra pontes do rio Pó, a cargo de aparelhos médios das Alas de
Bombardeio 424 e 574. Era necessário, efetivamente, destruir certas pontes
importantes sobre o Pó. Essas pontes permitiam aos alemães manter um tráfego
intenso de suprimentos em direção à Linha Gótica. O comando aliado, após minuciosos estudos, concluiu que a
destruição de seis pontes ferroviárias sobre o Pó e uma sobre o rio Trebbia,
em Piocenzo, juntamente com o viaduto de Recco, na costa ocidental, deteria
todo o tráfego ferroviário procedente da Alemanha, Áustria e França. Os
planos para desfechar a operação ficaram prontos a 17 de junho. A ação,
denominada Mallory, requeria a destruição de cinco pontes ferroviárias, duas
rodoferroviárias e 14 viadutos rodoviários sobre o Pó, entre Piocenza e o
Adriático, a destruição das pontes rodoferroviárias de Trebbia, entre
Piacenza e Gênova, e o prosseguimento da campanha de interdição dos pontes
ferroviárias e rodoviárias que haviam sido construídas entre Spezia e Gênova,
decorrentes da destruição de viadutos em Recco, Zoagli e Bogliasco. A metade
dos pontes era de construção sólida e o restante, de pontilhões. A operação
destinada a destruí-las coube aos aparelhos médios, enquanto os
caça-bombardeiros impediram que o inimigo pudesse reconstruí-las. Os bombardeiros médios entraram em ação a 12 de julho. As
condições meteorológicos, que eram ideais, possibilitaram a realização de
perto de 300 saídas diárias contra as vinte e uma pontes situadas a este de
Piacenza. Ao fim de dois dias de ataques, uma ponte fora destruída, três
semidestruídas e várias outras tornadas intransitáveis. Por volta do quarto dia,
doze pontes estavam totalmente destruídas ou tinham brechas de mais de 150
metros de comprimento, oito haviam sido dinamitadas ou bloqueadas de tal
maneira que o trânsito estava impedido, e somente uma, construída de concreto
reforçado, situada em Ostiglia, na linha Bolonha-Verona, permanecia aberta ao
tráfego. Sua utilidade, contudo, era nula, visto que a via férrea estava
interrompida numa segunda ponte, um pouco mais ao sul do Pó. No dia 20 de julho, o programa de destruição de pontes havia
elevado para 90 o total de interrupções existentes nos linhas ferroviárias do
norte da Itália. Os bombardeios, no entanto, não chegaram a desintegrar as
defesas alemães ao sul do vale. Isto se deve à habilidade dos comandos e
efetivos alemães e a duríssima tarefa imposta e cumprida. Por outro lado,
grande quantidade de trabalhadores italianos colaboraram intensamente nas
reparações. Habitualmente, os pontes destruídas eram substituídas por
pontilhões armados durante a noite e que, uma vez utilizados, eram novamente
desmontados. A noite e o mau tempo foram os grandes aliados dos alemães.
Apesar do êxito indiscutível da campanha aérea, “não se pode dizer que os
Aliados tenham ganho por completo a batalha logística do vale do Pó, já que
os alemães mantiveram suas forças o bastante para deter o avanço dos 5o
e 8o Exércitos na Linha Gótica”. Ao avançar contra as posições alemães, os Aliados se defrontaram
com uma grave crise de abastecimentos, devido principalmente a que as linhas
de comunicações estavam inutilizadas pelos seus próprios bombardeios e pelas
destruições efetuadas pelos alemães em retirada. Contudo, a grande disponibilidade de meios e a perfeita
organização permitiram vencer as dificuldades e restabelecer rapidamente o
tráfego nas rotas principais, assim como também pôr em funcionamento os
portos de Livorno e Ancona, com o que criaram duas novas zonas de depósitos
avançadas nas proximidades da nova linha de defesa alemã. Com o intuito de coordenar as tarefas dos quartéis-generais dos
exércitos, destacou-se uma seção do Comando Supremo das Forças Aliadas junto
ao 15o Grupo de Exércitos. Os trabalhos dessa seção foram
cumpridos perfeitamente, especialmente com os exércitos novamente em marcha. A organização do comando das forças aliadas, paralelamente, foi
ampliada para poder satisfazer plenamente as exigências que surgiam da
ocupação de novos territórios. A organização logística era sumamente complicada; porém, em
relação às dificuldades que os Aliados tiveram que superar, “era o melhor que
na ocasião se podia ter feito”. Não se deve esquecer que na Itália havia,
entre os Aliados, forças de diversas nacionalidades, que tinham necessidades
diferentes e que freqüentemente continuavam dependendo administrativamente de
seus governos. É suficiente recordar que as rações de víveres para os
indianos, por exemplo, por motivos religiosos, deviam conter carne de
carneiro fresca, difícil de conseguir. Além disso, alguns costumes e
particularidades no vestuário, diferentes dos da maioria, foram conservados,
cedendo aos pedidos de algumas nações. E não se pode esquecer ainda que cada
uma das nações queria possuir um sistema de instalações e depósitos próprios
para evacuação de feridos, abastecimentos de materiais, etc., dificultando
muito as ações. Anexo Uma carta Depois da queda de
Roma e durante o recuo dos alemães para o Arno, muitas mensagens de
felicitações de amigos e de diversas personalidades importantes chegaram ao
General Mark W. Clark. Naturalmente, este apreciava essas manifestações,
porém, no seu foro íntimo, o que desejava mais ardentemente era que chegasse
uma carta de seu filho Bill, na ocasião cadete em West Point. Já percebera
que ele não escrevia freqüentemente, mas supôs que, quando se inteirasse da
queda de Roma, lhe enviaria umas linhas. Transcorrido certo tempo, recebeu
uma carta sua. Abriu-a, saboreando de antemão o prazer que suas palavras lhe
causariam, depois de tanto tempo. Reproduzimos a carta de Bill, enviada de
West Point: “Querido papai: Aqui estamos em junho
e o tempo está bastante agradável (‘Esta informação - comentou o General
Clark era realmente instrutiva, porque na Itália também estávamos em junho’).
Meus estudos vão bem e tenho tirado notas bastante boas. Fui nomeado
sargento-cadete. Ontem vencemos a marinha no basebol. Depois, à noite, levei
uma loura de Nova York para dançar e nos divertimos muito. Sinto não poder
escrever mais, pois tenho que entrar em forma. Abraços. Bill P. S.: A propósito, li
nos jornais que também para você as coisas vão bem”. Harry A. Flint Um homem, com o busto
nu, capacete na cabeça, lenço de seda preta no pescoço e empunhando um fuzil,
marchava à frente do regimento. Era o excêntrico e audaz Coronel Harry A.
Flint, de San Johnbury, Vermont. O sol banhava, escaldante, a campina
italiana e o corpo do coronel brilhava à distancia. -Vou assim para que
meus soldados me reconheçam melhor respondeu numa ocasião a um jornalista,
que lhe perguntara o porquê do seu aspecto. Flint era um antigo
companheiro de cavalaria do General Patton. Todos lembravam o dia em que ele
se apresentou ao General Bradley para pedir-lhe o comando das tropas da
primeira linha, “onde se lutava de verdade”. - Diabos, Brad -
disse, resmungando - estou me enferrujando aqui, perdendo meu tempo com estes
coronéis “almofadinhas” na retaguarda. Naquela época ele
ocupava um gabinete no Comando de Argel. Quando, durante a campanha da
Tunísia, Manton Eddy pediu um chefe para levantar o ânimo do 39° Regimento,
que mostrava sinais de frouxidão, Paddy Flint foi designado seu comandante. Sua primeira medida
foi colocar em todos os capacetes, caminhões e utensílios dos seus soldados a
inscrição “AAA-0” (Os três “A” são As iniciais das palavras Anything
[qualquer coisa], Anytime [qualquer instante], Anywhere [qualquer lugar]. Em
seguida, o traço significa menos ou exclusão. O ‘0’, zero. nada. É, portanto,
uma expressão intraduzível, mas que expressa o que registra o texto) - Que quer dizer isso?
- perguntou outro comandante. - Ora, qualquer coisa,
a qualquer instante, em qualquer lugar, sem excluir nada. É isso que
significa... - respondeu, muito
sério, Flint. O outro se afastou,
estupefato, porém comentou com outros, e pouco depois veio uma ordem
desautorizando a colocação e utilização de inscrições especiais. Flint porém
não obedeceu à ordem. pois considerou “que a lei deveria ser anterior ao fato
em pauta'” e ele havia, numa oportunidade, começado a estudar direito em
Vermont. Os exércitos aliados estavam em plena campanha na Itália e a coisa
ficou por isso mesmo. Para ajudar o seu regimento a adquirir fé em si mesmo,
sob o fogo inimigo, Paddy costumava passear, a pé, pelas linhas da frente,
fumando um cigarro. Ao mesmo tempo agitava o seu fuzil com gestos
espalhafatosos na direção das linhas inimigas. “Vejam só esses alemães!...
Não sabiam atirar na Primeira Guerra Mundial. Não sabem atirar nesta! Quando
é que vão aprender? Não são nem capazes de matar um bode velho como eu!” Essas palhaçadas
preocupavam o General Bradley, seu chefe. - Algum dia, Paddy -
disse Bradley -, você fica passeando assim e acabam matando você. Então
ficará provado justamente o contrário do que você quer ensinar aos seus
homens. Flint o encarou com
estranheza: - Diabos, Brad você sabe que esses alemães não sabem atirar...
Finalmente a profecia de Bradley se cumpriu: Paddy morreu na Normandia,
quando o disparo de um atirador emboscado acertou-lhe a cabeça. O próprio General Omar
N. Bradley assim se refere ao fim do Coronel Flint: “Tenho a certeza de que
ele teria dito que esse tiro foi pura casualidade. Porém, nem sequer essa
satisfação ele teve, pois, embora vivesse algumas horas depois de atingido, o
ferimento afetou-lhe a palavra. Paddy morreu como um irlandês silencioso e
com um sorriso no rosto”. O Diário do Tenente
Scholl Estes são alguns fragmentos
do diário do tenente Scholl, da 16a Unidade de reconhecimento, da
16a Divisão Blindada alemã. A reprodução de algumas destas páginas
serve para dar uma idéia, muito verídica, de como viam os soldados alemães o
desenvolvimento das operações. O diário foi encontrado pelos serviços de
informação britânicos sobre o cadáver do tenente alemão. “Mais ou menos às 16
horas, a companhia 3 abandonou suas posições, retirando-se para a segunda
linha de defesa. Não sei por que fizeram isso, pois não haviam tido contato
com o inimigo. Foram-se, porém, e com eles a nossa seção de metralhadoras.
Permaneci no alto da montanha com meu punhado de homens, armados de
revólveres, enviando de quando em quando alguma mensagem aos carros
blindados. O tempo corria... eram já 18 horas. Não esperando nenhuma
dificuldade, nos sentamos na relva e chupamos umas uvas. Subitamente,
silvaram em nossos ouvidos tiros de metralhadora. Que diabo seria? Outra vez
soou o desagradável ‘tá-tá-tá-tá’, porém, desta vez; nas costas da bateria:
Dois homens de uma unidade britânica de reconhecimento haviam-se acercado sem
serem vistos, graças aos sapatos de borracha, a apenas 10 metros de nossa
posição. Não podíamos fazer outra coisa senão correr para a esquerda, em
busca de nossos carros blindados. E o fizemos com sucesso. Refleti. O
regimento não havia enviado ordens de retirada, porém nosso posto de
observação fôra descoberto; precisávamos encontrar outro. Se ficássemos ali,
nos liquidariam durante a noite. Dirigi-me com minha patrulha para a cidade,
que estava praticamente deserta. É uma estranha sensação atravessar uma
cidade destruída e morta, onde cada esquina pode ocultar um antitanque.
Atravessando toda a cidade, fui ao sanatório onde pensava estabelecer meu
novo posto, já que ali, ao menos, me restava outro caminho para retirada.
Estávamos lá fazia apenas cinco minutos, quando um sacerdote foi pedir-nos
que não atirássemos, que pensássemos nos enfermos. Que estranho conceito da
guerra têm esses italianos! Pude, porém, fazer-lhe o favor, pois veio, pelo
rádio, ordem para nos dirigirmos à casamata da segunda linha. Eram 20 horas e
já escurecera. Cruzei a cidade pela segunda vez, comprovando que ainda estava
livre de tropas inimigas. Ao atravessar várias aldeolas, os italianos jogavam
flores sobre os nossos veículos, gritando: 'Viva inglesi!' Haviam sido nossos
aliados e agora sabiam que os ingleses estavam em marcha. Sem incidentes,
alcançamos o lugar estipulado. Dispersei os carros, reuni meus homens e
expressei-lhes toda a minha consideração, especialmente ao radiotelegrafista,
que havia trabalhado muito bem. Fazia 32 horas que ele não descansava. Aquilo
era uma extraordinária força de vontade num homem de 36 anos. Logo comemos e
adormecemos profundamente. Nessa mesma noite, em nosso flanco esquerdo, a 3a
Companhia esteve a ponto de ser isolada, porém o inimigo foi rechaçado e após
dura luta os Aliados foram desalojados. Entre outras coisas, capturamos uma
peça antitanque. Nós, do setor de
reconhecimento, somos usados apenas para três coisas: 1) Estabelecer contato
com o inimigo 2) Estabelecer contato
com as forças vizinhas. 3) Assegurar os
flancos esquerdos. Na noite de 10 de
setembro perdeu-se contato com o inimigo. Em conseqüência, na manhã de 11,
minha patrulha foi enviada para restabelecer o contato. Íamos sem tropeços,
rumo ao sul, quando começaram a disparar contra nós com armas de infantaria.
Nossa missão estava cumprida, porém eu devia esperar ordens. Coloquei meus
carros à esquerda do caminho (do lado do mar), onde havia um declive vertical
de uns cinco metros de altura. Isso nos protegia
contra os canhões dos barcos, que disparavam sem interrupção contra uma ponte
situada a 50 metros atrás de nós. O posto de observação inimigo que dava os
sinais estava numa elevação a mais ou menos um quilômetro, e era lógico que
nos procurasse atingir. As granadas caíam cada vez mais perto e nos
refugiamos nos veículos que, no entanto, não nos poderiam ter fornecido a
menor proteção. Súbito ouvimos um assobio agudo e uma explosão ensurdecedora.
Uma granada havia explodido na borda do declive, na altura do segundo carro.
Pelos nossos visores abertos penetrava terra e poeira. Aquilo era perigoso;
portanto ordenei aos carros que se retirassem para baixo de uma ponte, a uns
200 metros à retaguarda. Ali, nos transmitiram a ordem de retirada. Estava
descansando quando despertei, violentamente sacudido pelo braço. Uma
sentinela, inclinada sobre mim, apontava o céu, dizendo: “Pára-quedistas,
tenente!” Meio dormindo ainda, abri os olhos e vi o surpreendente espetáculo.
A distância ouvia-se o zumbido dos aviões que se afastavam, e 50 ou 60
pára-quedistas, a 150 metros de altura, desciam para a terra. A noite,
iluminada por uma lua brilhante, permitia distinguir cada um desses pontos
brancos no céu. Rapidamente, venci um momento de terror e acordei toda a
companhia: 'As armas!' Os artilheiros trepavam como gatos nas torres e logo
14 canhões de 200 milímetros e umas 20 metralhadoras disparavam sobre o
inimigo. Isso continuou até que o ângulo de tiro ficou tão pequeno que os
nossos próprios homens corriam perigo. 'Suspender fogo!' Tínhamos que atuar
rapidamente. Já me referi que estávamos acampados ao pé de uma colina, cheia
de árvores. Os pára-quedistas aterrissavam ao nosso redor, porém a maioria; a
meio da encosta e favorecida pelas árvores, podia acertar granadas em nossos
carros. Pensando assim, mandei que os veículos saíssem sem tardança para a
estrada e se pusessem a salvo do ataque. Feito isso, dirigi-me com alguns
homens para fazer um reconhecimento. Não se via nada. Revistamos algumas
casas, porém não achamos traços dos pára-quedistas. E chegamos ao último
edifício da aldeola. Encontrei a porta fechada. Dois dos meus homens a
forçaram. No mesmo instante três fuzis automáticos dispararam do interior da
casa, e meus homens escaparam por sorte de ser feridos. Nossa réplica
imediata foram três granadas. Disparamos em seguida nossas automáticas e
penetramos na casa. Escura como uma boca de lobo. Arriscando-me, acendi uma
lanterna e gritei: 'Mãos ao alto!' No vestíbulo havia 8 ou 10 pára-quedistas,
que pareciam feridos. Pestanejaram ao ver a luz, e levantaram as mãos,
titubeando. Os demais haviam saído pela porta traseira, porém não era o
momento de persegui-los. Reunimos os prisioneiros e voltamos, pesadamente
carregados. Ao chegar aos carros examinamos cuidadosamente os prisioneiros e
seus apetrechos. Eram pára-quedistas americanos, lançados na retaguarda da
frente alemã. Entre o material achamos um saco de minas, dois fuzis
antitanque, duas metralhadoras leves, dois morteiros leves e rações para 30
homens durante dez dias. Cada soldado tinha um equipamento excelente. Uma
pistola-metralhadora de 12 mm, um revólver de 12 mm, três granadas de mão,
muitos cartuchos, faca, bússola, mapas impressos em seda, navalha, cigarros e
um magnífico material de primeiros-socorros. Durante os dois dias seguintes
realizamos outras três capturas, onde apanhamos mais 6 prisioneiros
empregando os mesmos métodos. Nossa patrulha consistia de 4 homens com fuzis
automáticos, revólveres e granadas de mão. Levávamos as botas envolvidas em
trapos e assim podíamos acercar-nos do inimigo sem sermos ouvidos. Nas três
vezes fomos bem sucedidos”. Os soldados de Clark O General Mark W.
Clark estava tão preocupado com a perda de elementos humanos originada de
descontroles psiquiátricos, que enviou ao General Marshall a carta que
transcrevemos: “A incidência da perda
de potencial humano por causas psiquiátricas começou a fazer-se sentir quando
as forças combatentes de que dispunha o Quinto Exército ticaram tão reduzidas
que foi preciso manter unidades de infantaria na linha de frente durante
períodos muito prolongados (referência da batalha de Cassino). Nossos
assaltos contra fortificações estiveram a cargo de divisões cujo potencial
era menor que o devido e às quais pouco descanso se podia proporcionar no
avanço. Uma situação similar
prevalece agora nos Apeninos. Minhas tropas atravessaram o terreno montanhoso
mais difícil que encontramos na Itália, empenhando-se na luta mais
encarniçada desde Salerno. Nossa única oportunidade de dar um descanso às
tropas é dentro das próprias divisões. (Havíamos adotado um sistema segundo o
qual cada divisão manteria um regimento fora da luta e revezava os demais, na
linha de frente, aproximadamente cada cinco dias.) Encontrei-me diante da
alternativa de ordenar um alto em nosso avanço, a fim de descansar, ou
investir, num esforço supremo para alcançar os objetivos determinados antes
que o inverno nos encontrasse nos Apeninos. As tropas do Quinto Exército
efetuaram progressos importantes, dia após dia, durante mais de duas semanas.
Todavia, ignoro a solução do problema psiquiátrico. Do informe apresentado,
baseado principalmente na experiência do Quinto Exército, surge claramente o
fato de que a suscetibilidade de um colapso psiquiátrico está em relação
direta com a duração do combate. Continuarei tomando todas as medidas
possíveis para que minhas tropas possam descansar. (a) Mark W. Clark”. “Fiquem aqui e
esperem...” Ao terminar a Primeira
Guerra Mundial, muitos prisioneiros ingleses se evadiram dos campos de
concentração e desapareceram, morrendo em grande número. Quando a invasão da
Itália começou, segundo os cálculos aliados, havia na península 75 campos de
concentração e hospitais de prisioneiros, abrigando, ao todo, uns 70 000
homens capturados principalmente na África e na Grécia. Para evitar os
problemas da Primeira Guerra, conseguiu-se transmitir por diversos meios a
seguinte ordem: “Quando terminarem as hostilidades na península, esperem a
chegada dos exércitos aliados. Não permitam aos seus homens riscos
desnecessários”. As ordens vinham de Londres, eram oficiais e representavam
um plano bem estruturado. “O plano - dizia o cronista inglês Alan Moorehead -
parece ter-se baseado na crença de que quando puséssemos o pé na Itália, os
italianos desmoronariam - o que foi exato - e os alemães evacuariam o país, o
que foi francamente errôneo. Em todo caso, a maioria dos grandes campos de
concentração de prisioneiros mantinha contato conosco e os ali detidos
esperavam”. Quando veio o
armistício com o governo do Marechal Badoglio, vigiavam os campos de
concentração sentinelas italianas. Inteirados do armistício, as forças
italianas de vigilância deram por terminada a sua missão e convidaram os
prisioneiros a cuidar da vida. Em alguns lugares, inclusive, ofereceram-lhes
armas e rações. Pela primeira vez, em muitos meses, os prisioneiros viam
abertas as portas e nenhum obstáculo à sua saída. Contudo, o oficial inglês
de mais elevada patente em cada acampamento tinha suas instruções e, na
maioria dos casos, as transmitia aos homens: “Fiquem aqui e esperem... ” era
a palavra de ordem. E esperaram, sob a admiração incrédula dos italianos, que
não podiam compreender o que viam. Alguns audaciosos desobedeceram a diretiva
e fugiram encaminhando-se para o sul, ao encontro dos exércitos aliados. A maioria dos
prisioneiros, contudo, ficou. Em poucos dias, chegaram forças alemãs, tomaram
conta dos campos, os fecharam e, em seguida, milhares de prisioneiros
britânicos dos campos do sul e centro da Itália foram amontoados em trens e
enviados a lugares mais seguros na Alemanha. Dos setenta mil, apenas doze mil
haviam fugido antes de aparecerem os alemães. Evidentemente houve
graves erros de cálculo nos Altos Comandos, que acreditaram que a campanha da
Itália seria um passeio que duraria, no máximo, duas semanas. Entre os
cativos passaram-se episódios dramáticos quando perceberam a armadilha em que
haviam caído. Um oficial, que fugira através dos montes, insistiu em voltar
para fazer sair os que haviam ficado. Porém, ao regressar, viu que os alemães
estavam embarcando os prisioneiros em trens. Em outro acampamento, ao norte
do Adriático, foram retirados uns vinte mil prisioneiros ingleses. Talvez a
maioria deles tivesse podido se salvar. Um dos que escaparam foi o General
sul-africano Klopper, chefe da praça forte de Tobruk quando se rendeu ao
Afrika Korps. Durante o seu cativeiro, Klopper havia redigido uma explicação
completa da queda de Tobruk, que enterrou antes de fugir. Este general e
outros evadidos afirmaram terem sido grandemente auxiliados pelos aldeões
italianos. Porém tudo isso ignorava o Alto Comando aliado no momento do
desembarque. Mark Wayne Clark Alto, muito alto: um
metro e oitenta e cinco; um rosto quase ascético, onde se sobressai um nariz
de agudo contorno aquilino, que lhe valeu o apelido de Águia Americana, o
General Mark Wayne Clark nasceu em 1896. Olhar de aço,
penetrante, e um grande senso de humor, sentiu, desde muito cedo, pendor para
as armas. Seu pai era major no Forte Sheridan, Illinois, onde Mark, aos treze
anos, decidiu seguir o mesmo caminho que ele. Um dos seus primeiros modelos
foi o mais tarde General George Patton: “Quando Georgi, como eu o chamava,
apresentou-se no forte em 1909, para prestar serviços, procedente de West
Point, era mocinho, atleta destacado e arrojado oficial de cavalaria. Visto
ter eu na época treze anos, Patton constituiu meu ideal de jovem militar”. Clark se graduou em West
Point em 1917, e como subtenente atuou na Força Expedicionária Americana que
combateu nos campos da França quase no fim da Primeira Guerra Mundial. Em
1939, era oficial de planejamento e treinamento da 3a Divisão
acantonada em Forte Lewis, Washington; na ocasião, o Estado-Maior americano,
consciente do iminente perigo de uma guerra, preparava suas forças armadas
para uma emergência. Clark foi promovido de major a tenente-Coronel e enviado
à Escola de Guerra do Exército, na capital dos Estados Unidos. Pouco depois
alcançou o posto de general-de-brigada e a chefia do Estado-Maior das Forças
Terrestres do Exército. Na sua mesa passavam e eram estudados nesse momento
os planos fundamentais da estratégia militar americana. Depois de Pearl
Harbor, em junho de 1942, foi enviado a Londres, junto com o General
Eisenhower, para comandar as forças americanas na Europa. Ao decidir-se a
prioridade da Operação Torch (invasão ao norte da África) sobre o projeto de
invasão da França, Clark realizou missões de ligação atrás das linhas alemãs
em Argel e no Marrocos espanhol. A altura de Clark
provocava situações engraçadas. Uma delas aconteceu durante o encontro com o
rei Jorge VI: “Os fotógrafos borboletearam em nossa volta para tirar
fotografias, e quando o grupo se alinhou para uma pose, eu estava à esquerda
do rei. Em qualquer circunstância eu seria bem mais alto que o rei, porém,
nessa ocasião, fiquei sobre uma elevação que fazia com que minha estatura se
destacasse ainda mais em comparação com a de Sua Majestade, que ficou numa
pequena depressão do terreno. - Será que o senhor
poderia ser amável - pediu-me antes que tirassem a foto - e trocar de lugar
comigo? O senhor é tão alto que eu preciso ficar no promontório. Não há
problema para o senhor em ficar no poço. Eu fiquei no poço e tudo saiu
perfeito”. No desembarque na
Itália comandou com sucesso o Quinto Exército americano, campanha que o
próprio Clark sintetiza nestas palavras: “Tínhamos que abrir uma frente
inicial contra a Alemanha e a Itália em 1942 e, após combater duramente meses
inteiros, corremos um risco atacando o que o Primeiro-Ministro Winston
Churchill denominava de ‘macio baixo ventre do Eixo’. Arriscamo-nos a privar
as Ilhas Britânicas do seu poder combativo. Corremos o risco - e grave risco
- de que na África do Norte os franceses se voltassem contra nós, em lugar de
unir suas forças às nossas. Arriscamos tropas americanas não testadas contra
exércitos inimigos veteranos num momento em que a derrota teria significado
um desastre quase total. A maioria de nós, suponho, embalou-se na eloqüência
persuasiva de Churchill, na sua convicção de que destroçaríamos ‘esse macio
baixo ventre do Mediterrâneo’. No fim das contas, não foi assim tão macio”. Depois do desembarque
na Normandia, a Itália passou a ser a “frente esquecida” praticamente até ao
fim da Guerra Mundial. Clark é nomeado Comandante-chefe das Forças Aliadas na
Itália. Em agosto de 1945, já terminado o combate, é nomeado Alto Comissário
aliado na Áustria, onde teve que travar duras batalhas diplomáticas com
representantes russos e iugoslavos. Finalmente, em 1947, Mark W. Clark
regressou aos Estados Unidos para incumbir-se do comando do Sexto Exército. A segunda estrela “Se pudéssemos
adiantar hoje um pouquinho, chegaríamos. Estamos a um passo do triunfo...”. Essa frase era
repetida a todo momento pelos soldados de Clark. Era difícil explicar a
esperança que sentiam de que outro “quilômetro” ou “apenas alguns
quilômetros” lhes permitiriam alcançar a meta. Os homens estavam
completamente esgotados e, em meados de outubro, haviam avançado até ficar a
menos de quinze quilômetros de Bolonha. Os alemães haviam mudado sua tática e
resistiam com uns setenta e dois batalhões. O Quinto Exército sofrera 13.082
baixas e capturara 7.087 prisioneiros. As reservas que possuíam somente davam
para outra jornada. Clark reuniu seus
comandantes e lhes disse: “Os alemães trouxeram divisões de outras frentes
para resistir ao nosso ataque... As quatro divisões americanas continuarão
avançando rumo ao norte enquanto puderem”. A 16 de outubro, a 29a
Divisão alemã foi transferida da frente do 8o Exército britânico
para a do 5o americano, e começou a lançar vigorosos
contra-ataques na zona de Belmonte. O General Howard, chefe da divisão G-2,
informou a Clark que também a 90a Divisão de “Panzergrenadier” se
unia à frente. A situação parecia ter chegado a um ponto que era quase
impossível dominar. Diante dos informes de Clark, o General Alexander
replicou: “Evidentemente, se acreditar que deve frear o ataque, faça-o...” - Não o deterei senão
quando não houver mais remédio - foi a resposta do americano, encerrando a
entrevista. Os soldados avançavam
nas condições mais penosas, dando provas de incrível e obstinada coragem. Uma ocasião, Clark
visitou o General-de-Brigada Paul W. “Bull” (Touro) Kendall que, como
comandante de divisão, já deveria ter sido promovido. - Bull, está vendo o
Monte Grande ali? Bem; no alto daquele pico está a sua segunda estrela -
disse Clark. Kendall observou durante algum tempo o agudo contorno do morro e
se afastou. Pouco depois, a 88a Divisão chegava ao Monte Grande e
"Bull" ganhou sua segunda estrela. |