Conquista das Marianas

 

Empalidece o Sol Nascente

            

Conquista de Tinian e Guam

 

 

Após a captura da ilha de Saipan, o Alto-Comando, o Alto-Comando americano do Pacífico decidiu lançar-se ao assalto das ilhas vizinhas, Tinian e Guam.

 

Em Tinian os japoneses dispunham de uma guarnição de aproximadamente 8.000 homens, distribuídos na seguinte ordem:

 

Exército:

50o Regimento de Infantaria:

Estado-Maior: 60 homens; 1° Batalhão: 576; 2o: 576; 3o: 576; Batalhão de Artilharia (12 peças de 75 mm): 360; Companhia de Engenharia: 169; Destacamento antitanque (6 peças de 37 mm): 42; Companhia de Comunicações: 141; Companhia de Serviços: 200; Companhia de Saúde: 130; Destacamento de fortificações: 60.

135o Regimento de Infantaria: 1° Batalhão: 714

18o Regimento de Infantaria: Companhia de Tanques (9 tanques): 65

264a Companhia Independente de Transporte: 60

29o Hospital de sangue: 200 homens.

 

Ao todo, as forças do exército japonês destinadas à defesa de Tinian somavam 3.929 homens, sob o comando do Coronel Takashi Ogata, comandante do 50° Regimento de infantaria.

 

Marinha: .

56a Força Naval: 950 homens

82a Unidade de defesa antiaérea (24 peças de 25 mm): 200

83a Unidade de defesa antiaérea (6 peças de 75 mm): 260

223a Unidade de Construções: 600

Estado-Maior da 1a Frota Aérea: 200

Unidades aéreas: 1.100

Pessoal diverso: 800 homens

 

As forças do marinha japonesa destacadas em Tinian totalizavam 4.110 homens, que operavam sob as ordens do Capitão Goichi Oya.

 

O número total dos efetivos que defendiam a ilha era portanto de 8.039 combatentes.

 

Tinian havia sido dividida, para sua defesa, em três setores: Norte, Sul e Oeste. A custódia das costas estava nas mãos do exército e da marinha, com responsabilidades iguais. A ausência de praias aptas para um desembarque fazia a defesa efetiva das costas extremamente simples. Em conseqüência os japoneses, dispondo de meios escassos, puderam distribuí-los convenientemente em determinados setores expostos. O Coronel Ogata, na verdade, encontrava-se em melhores condições que o General Saito, defensor de Saipan. Suas tropas estavam melhor armadas e melhor treinadas que as de Saito. O plano de Ogata seguia, em linhas gerais, a típica estratégia japonesa aplicada em situações semelhantes. O inimigo deveria ser arrasado ainda no mar; não sendo possível, deveria ser contra-atacado violentamente na noite seguinte ao desembarque, e arrojado novamente ao mar. O plano também previa a possibilidade de ambas as táticas fracassarem. “Nesse caso”, dizia a ordem, “se preparariam posições na parte sul da ilha e ali se lutaria até o último homem”.

 

 

Os bombardeios prévios ao ataque

 

O comando americano decidiu assaltar a ilha através das praias do noroeste. Esta resolução fôra motivada pela possibilidade que esse setor oferecia, pela sua proximidade de Saipan, de se empregar na operação a artilharia localizada na ilha vizinha. A esse respeito deve-se considerar que Tinian foi a ilha do Pacífico Central que sofreu o mais prolongado bombardeio de artilharia prévio ao assalto das tropas de desembarque. A 20 de junho, ao amanhecer, a Bateria "B" do 531° Batalhão de artilharia recebeu ordem de montar suas peças de 155 mm no setor sul de Saipan e abrir fogo sobre Tinian. Quatro dias mais tarde, outras duas baterias do mesmo batalhão foram montadas e abriram fogo também.

 

No dia 8 de julho três batalhões do 24o Corpo de artilharia foram colocados em posição e começaram a martelar, com seu fogo, a pequena ilha vizinha, somando-se às peças anteriormente citadas. Enquanto isso aviões americanos de observação voavam diariamente sobre Tinian, registrando os efeitos dos bombardeios da artilharia e corrigindo o tiro. Em suma: entre 20 de junho e 9 de julho o 24o Corpo da artilharia disparou sobre Tinian um total de 7.571 projéteis. As unidades utilizaram howitzers de 105 e 155 mm.

 

No dia 9 de julho, com a ilha de Saipan assegurada nas mãos americanas, a atenção do Alto-Comando se concentrou na vizinha e pequena Tinian. Todos os esforços, portanto, se voltariam agora para o desembarque e conquista da mesma. No dia 15 de julho os quatro batalhões da 27a Divisão de artilharia foram localizados em suas novas posições, frente a Tinian, englobando os howitzers das duas divisões de fuzileiros-navais e o 5° Batalhão do 5o Corpo Anfíbio de artilharia. Ao todo, 156 peças de 105 mm e 155 mm, varreram Tinian com seus disparos, num total de 24.536 projéteis.

 

A marinha americana, com o emprego dos seus efetivos, somou-se ao ataque da artilharia terrestre. No dia 16 de julho sete destróieres abriram fogo contra Tinian, apoiados no decorrer da noite de 17 por novos destróieres que se juntaram à formação. No dia 20 o cruzador Louisville somou-se ao ataque. No dia 22, também o cruzador New Orleans.

 

Às seis da manhã do dia 23 de julho, véspera da invasão, o Almirante Hill ordenou iniciar uma cortina de fogo sobre Tinian. A operação ficou a cargo de três velhos encouraçados, dois cruzadores pesados, três leves e dezesseis destróieres. Às 15h e 30m o fogo se deteve por uma hora com o fim de permitir aos aviões o lançamento de bombas de "napalm". Às 16h:30m reativou-se o bombardeio, voltando a ser interrompido às 17h:20m para uma missão semelhante à anterior. Desta vez, porém, limitada ao setor das praias Branca 1 e Branca 2, a noroeste de Tinian, pontos escolhidos para o desembarque.

 

O apoio aéreo à operação de desembarque foi garantido por 358 caças, bombardeiros e aviões torpedeiros, sendo que a 22 de julho dois P-47 lançaram as primeiras bombas de "napalm" utilizadas na guerra do Pacífico.

 

O desembarque

 

Com as primeiras luzes do alvorecer de 24 de julho, a flotilha de invasão se fez ao mar na costa de Saipan, rumando ao sul em direção de Tinian. Ao todo, a frota incluía 8 transportes, 37 LST, 2 LSD, 31 LCI, 20 LCT, 92 LCM, 100 LCVP, 533 LVT e 140 Ducks.

 

Todas as LST foram reservadas à 4a Divisão de fuzileiros-navais, cujos efetivos permaneciam nos tratores anfíbios à espera do momento de serem lançados às águas para se aproximarem da costa inimiga. Os oito transportes conduziam os dois regimentos da 1a Divisão, encarregados de protagonizar a manobra de simulação no setor de Tinian Town, ao sul de costa oeste. A 4a, por sua vez atacaria as praias Branca 1 e Branca 2, no desembarque real.

 

Os japoneses, sem perceber a manobra, esperaram a invasão no setor de Tinian Town. Os soldados da 2a Divisão prolongaram ao máximo a manobra simulada. Nas cercanias da costa, os comandantes dos transportes começaram a efetuar os preparativos de desembarque. Os japoneses, diante da iminência do que supunham ser a invasão, abriram fogo com todas as suas peças. As bocas dos canhões dispararam sem trégua, erguendo grandes colunas de água entre as barcaças que avançavam rumo à costa. As embarcações americanas deveriam aproximar-se até uma linha imaginária situada a 2.000 metros da costa e ali dar meia-volta e retornar aos navios-transporte.

 

O bombardeio japonês, apesar de tudo, causou efeitos inesperados. Os disparos das baterias de seis polegadas, ao sul de Tinian Town, embora não alcançando as barcaças, atingiram em cheio o encouraçado Colorodo e o destróier Norman Scott. Nessa curta ação pereceram 62 homens e ficaram feridos outros 245, antes que as baterias fossem silenciadas pelo fogo das naves maiores.

 

Às 10h:15m as barcaças retornaram aos navios e toda a frota rumou para o norte em direção às praias Branca 1 e Branca 2.

 

Ao noroeste de Tinian, enquanto isso, era preparado o assalto definitivo. À 6h da manhã uma bateria de 155 mm abriu fogo de Saipan, lançando bombas de fumaça destinadas a impedir a visibilidade e entorpecer os esforços dos defensores de Tinian.

 

Previamente, às 5h:30m, as naves americanas haviam iniciado o bombardeio maciço da zona de invasão, na tarefa de "amaciamento" das posições inimigas.

 

Duas horas depois de iniciado o bombardeio naval, às 7h:30m a primeira leva se lançou ao assalto. Abriam o avanço as barcaças lança-foguetes, seis para Branca 1 e nove para Branca 2. Atrás avançavam os tanques anfíbios, seguidos pelos tratores anfíbios carregados com as tropas de assalto.

 

A praia Branca 1 foi alcançada pelos primeiros veículos às 7h:42m e a Branca 2 às 7h:50m. O desembarque, contrariando o esperado, não ofereceu dificuldades. Ao norte, em Branca l, o batalhão de assalto do 24° Regimento de marines estava já firme quarenta minutos depois do desembarque de seus primeiros efetivos. Mais ao sul, em Branca 2, os efetivos do 25° de marines tiveram a tarefa dificultada por duas casamatas japonesas sobreviventes ao bombardeio prévio. Contudo, com a ajuda dos barcos foi rapidamente eliminado o obstáculo.

 

Ao cair da noite do dia 24 os combatentes da 4a Divisão haviam estabelecido em Tinian uma cabeça-de-ponte de cerca de 2.900 metros de frente por 1.000 de profundidade. As baixas, paralelamente, foram poucas: 15 mortos e 215 feridos. O setor, protegido por cercas de arame farpado e ninhos de metralhadoras, estava pronto para repelir os possíveis contra-ataques.

 

Os japoneses contra-atacam

 

Tendo fracassado a primeira alternativa do plano, tendente a eliminar a ameaça, o Coronel Ogata devia colocar em execução a segunda alternativa, lançando ao mar os invasores mediante violento contra-ataque na noite seguinte ao desembarque.

 

O ataque consistiria numa operação realizada por três forças independentes entre si que atacariam a cabeça-de-ponte americana pelos flancos direito, esquerdo e centro, respectivamente.

 

O primeiro dos três assaltos simultâneos foi realizado pelo Norte. Tropas pertencentes à marinha atacaram às duas da manhã. Após cinco horas de combate, porém, os japoneses não viram frutificar os seus esforços. As linhas americanas conseguiram repelir os atacantes, que bateram em retirada deixando 476 mortos sobre o campo. No setor central a infantaria japonesa atacou às 2h:30m da noite através de uma brecha nas linhas invasoras. Os japoneses se internaram na cabeça-de-praia divididos em dois grupos, atacando para o norte e para o sul. No entanto, cercados, foram exterminados na luta após sangrento corpo a corpo. Ao amanhecer, 500 japoneses jaziam sobre o campo de batalha. O terceiro assalto se produziu quase à mesma hora que os outros no sul do cabeça-de-ponte. A força japonesa foi precedida nesse ataque por seis tanques. Resistindo de pé firme à investida, os americanos rechaçaram o ataque destruindo o totalidade dos tanques. Às primeiras luzes do alvorecer, jaziam na praia os cadáveres de mais 270 soldados japoneses.

 

Na manhã de 25 de julho, portanto, os japoneses haviam perdido 1.246 homens, 700 pertencentes aos regimentos de infantaria. No transcurso do dia 25 os efetivos da 4a Divisão estenderam a cabeça-de-ponte em todas as direções. As baixas dos marines foram escassas e a resistência inimiga muito fraca em todo o avanço.

 

O Coronel Ogato, diante do desfavorável aspecto que tomavam os acontecimentos, decidiu estabelecer nova linha de resistência na parte média do ilha, ligando Gurguan Point, no costa oeste, à parte central da baía Asiga, no leste.

 

A 26 de julho as unidades americanas continuaram o avanço para o sul, conseguindo dominar já ao cair da noite a quarta parte do ilha.

 

No terceiro dia de luta estavam realizados alguns dos mais importantes objetivos dos americanos: o aeródromo de Ushi Point caíra nas suas mãos e logo seria utilizado pelos aviões; o monte Lasso, o mais elevado da ilha, também fôra ocupado oferecendo uma posição dominante no norte e no centro de Tinian. Entre os dias 27 e 28 os americanos seguiram em frente, vencendo a frágil resistência dos japoneses.

 

Uma das razões do rápido avanço foi que a suave disposição do terreno permitiu ao comando americano acrescentar uma companhia de tanques leves integrada por dezoito blindados a cada regimento em campanha.

 

As forças contaram também com excelente apoio artilheiro e aéreo, atuando na emergência peças de 75, 105 e 155 mm e aviões P-47.

 

Ao anoitecer de 30 de julho, somente restava para os japoneses o setor sul do território, numa extensão igual à quarta porte da ilha, sendo que sua retaguarda era constituída de altas escarpas sobre o mar.

 

Na manhã do dia 31 os marines atacaram em toda a frente, numa extensão de aproximadamente cinco quilômetros. O flanco direito foi coberto pelos efetivos da 4a Divisão e o esquerdo pelos da 2a. Os encouraçados Tennessee e California e os cruzadores Louisville, Montpelier e Birmingham haviam lançado previamente 615 toneladas de explosivos sobre a área atacada. Os aviões do exército, por sua vez, descarregaram 69 toneladas de bombas.

 

A luta se prolongou por todo o dia, com os japoneses em constante recuo ante a superioridade dos atacantes. Às 23 horas o Coronel Ogata liderou o último contra-ataque, tombando morto por uma rajada de metralhadora.

 

Na manhã de 1o de agosto apenas destacamentos suicidas japoneses resistiam esporadicamente nas vizinhanças das costas escarpadas do sul de Tinian. A resistência organizada deixara de existir. Tinian, após nove dias de luta, passara às mãos dos americanos. As baixas das forças vencedoras foram extremamente reduzidas: 328 mortos e 1.571 feridos. As perdas japonesas ascendiam a cerca de 8.000 homens, mortos em sua maioria. A guarnição de Tinian fôra praticamente aniquilada.

 

A ilha de Guam

 

Guam ocupa o extremo sul da cadeia de ilhas que formam o arquipélago das Marianas. Encontra-se a 120 milhas ao sul de Saipan e sua superfície é consideravelmente maior. Como Saipan, Guam é rodeada de recifes de coral. A metade sul da ilha possui numerosos cursos de água e as maiores elevações (monte Lamlam, de 400 metros, monte Alutom, de 325, e monte Chachao, de 315). Os ventos tornam impossível qualquer operação de desembarque na costa leste da ilha. A costa oeste, ao contrário, favorável à realização de operações anfíbias, oferece uma linha de 20 km de costa para um desembarque.

 

Na época da invasão americana, Guam encontrava-se coberta em sua parte norte por espessa floresta. Durante o verão, além disso, o chuva cai sem cessar durante uns 25 dias por mês. A alta porcentagem de umidade, nunca mais baixo que 90%, fazia diminuir as condições de combate das tropas, fossem americanas ou japonesas.

 

A 12 de março de 1944, a Junta de Chefes do Estado-Maior incluiu Guam na lista dos objetivos prioritários, ordenando ao Almirante Nimitz o ataque e a ocupação das Marianas do Sul. Razões estratégicas de grande importância pesavam nessa escolha. De fato, assim como as Marianas do Norte, as do Sul ofereceriam bases magníficas para os B-29. Além disso podiam ser utilizadas como bases navais. Seria, com efeito, um verdadeiro trampolim para chegar ao território metropolitano do Japão.

 

Dias depois de receber a ordem citada, o Almirante Nimitz determinou o ataque às Marianas do Sul, incluindo Guam. Saipan e Tinian foram confiadas ao 5o Corpo Anfíbio e Guam ficou nas mãos do 3o Corpo Anfíbio, sob o comando de Geiger, general dos Fuzileiros-Navais dos Estados Unidos. As forças reservadas para a operação foram intensamente adestradas na região de Guadalcanal. Depois de embarcados nos transportes e nas LST da Força Tarefa 53 (Almirante Conolly), zarparam rumo a Kwajalein, onde chegaram no dia 8 de junho e onde a frota reabasteceu-se de combustível, água e víveres. Em seguida partiram rapidamente para o objetivo. Por fim, no dia 15 de junho, alcançaram a zona de concentração determinada previamente, a algumas centenas de milhas a leste de Saipan.

 

O dia D para o assalto a Guam fôra fixado originariamente para 18 de junho. Contudo, a situação em Saipan nessa data não permitiu prosseguir os planos traçados. No fim de junho a situação definiu-se o suficiente para permitir que a 6 de julho o Almirante Spruance, informado da próxima chegada das últimas unidades da 77a Divisão, decidisse que o dia D seria 21 de julho.

 

77a Divisão de infantaria

 

Para a 77a Divisão de infantaria a batalha de Guam representou a primeira ação no campo de luta. Organizada em março de 1942, passou dois anos nos Estados Unidos treinando ativamente para o combate. Em março de 1944 foi transladada a Oahu, e durante os três meses seguintes seus efetivos receberam contínuo e intenso adestramento, aperfeiçoando-se na técnica utilizada nas ações no Pacífico.

 

No dia 15 de julho o General Bruce, comandante da divisão, projetou a tática seguido na invasão de Guam. Em linhas gerais, os americanos desembarcariam na parte média da costa oeste da ilha, em dois setores perfeitamente definidos: um ao norte da península de Orote, entre Adelup Point e Ason Point, numa extensão de aproximadamente dois quilômetros, conhecida como praia Asan; outro ao sul da península, entre a cidade de Agat e Bangi Point, na praia Agat, de extensão semelhante à anterior.

 

O bombardeio prévio

 

O primeiro ataque foi realizado no dia 16 de junho. Uma seção da Força Tarefa 53, integrada pelos encouraçados Pennsylvania e Idaho, pelo cruzador Honolulu e sete destróieres, bombardeou durante hora e meia as instalações da ilha. Um subtenente do exército japonês escreveu em seu diário: “Pela primeira vez pude ver a frota inimiga e estive debaixo da metralha. As granadas caíram sobre nós durante duas largas horas...”. No dia seguinte, o diário registrava as seguintes palavras: “Tal como havia chegado, o inimigo desapareceu. Nosso espírito de luta está muito elevado...”.

 

A 27 de junho um destacamento de cruzadores e destróieres repetiu o ataque. Três dias mais tarde uma divisão de destróieres bombardeou ainda os aeródromos da península de Orote.

 

A 8 de julho começou o bombardeio naval em grande escala. Durante treze dias os navios americanos descarregaram ininterruptamente os seus projéteis sobre as instalações da ilha, submetendo-a a terrível castigo.

 

O primeiro grupo naval que atacou era formado por cruzadores pesados, doze destróieres e dois porta-aviões de escolta. A missão dessa frota consistia em destruir as defesas costeiras e as baterias de canhões antiaéreos pesados. Objetivos secundários foram os postos de comando, as vias de comunicação e as concentrações de tropas. Enquanto se desenrolava o bombardeio naval, os aviões dos dois porta-aviões de escolta realizavam missões antissubmarinas e patrulhas de combate.

 

A 12 de julho chegaram à zona de luta os encouraçados New Mexico, Idaho e Pennsylvania. Dois dias mais tarde o Almirante Conolly chegou ao local o bordo do Appalachian a fim de dirigir pessoalmente as ações. Naquele mesmo dia o encouraçado Colorodo uniu-se aos atacantes. No dia seguinte foram os encouraçados California e Tennessee que aliaram sua capacidade de fogo à dos barcos que já se encontravam na área. Até o dia da invasão, propriamente dita, os navios americanos dispararam ao todo 836 projéteis de 16 polegadas, 5.422 de 14, 3.862 de 8, 2.430 de 6 e 16.214 de 5. Entre os dias 14 e 17 de julho, além disso, chegaram até à costa de Guam os integrantes das Equipes de Demolição Submarina 3, 4 e 6. Nas praias escolhidas para a invasão, Asan e Agat, foram destruídos, respectivamente, 640 e 300 obstáculos, utilizando cargas de demolição.

 

As forças aéreas desfecharam paralelamente duros golpes sobre as instalações japonesas de Guam. A primeira missão teve lugar a 6 de maio, quando dez B-24 escoltados por seis PB 4 Y da marinha sobrevoaram a ilha. Os ataques se repetiram a 24 e a 29 de maio, e a 6 de junho. O diário de um oficial

japonês registrou o fato: “Os B-24 voaram sobre nós, porém nenhum dos nossos aviões decolou para ir ao seu encontro. Estamos desconsolados...”.

 

Os ataques aéreos se repetiram com maior intensidade nos dias 11 e 12 de junho. A esta altura da batalha entre as duas forças aéreas, um total de 150 aviões japoneses haviam sido destruídos, a maior parte em terra.

 

Os reides realizados pela aviação americana no dia 19 de junho constituíram o golpe final sobre o poderio aéreo japonês em Guam. O bombardeio, contudo, prosseguiu ininterrupto de 6 até 17 de julho.

 

No dia 18 os aviões realizaram 662 missões de bombardeio; a 19, o número subiu a 874; no dia 20, véspera da invasão, chegou a 1.430. O total de bombas lançadas durante os três dias anteriores à invasão (18, 19 e 20 de julho) alcançou 1.131 toneladas.

 

A defesa de Guam, confiada inicialmente ao General Takashima, passou em 28 de julho às mãos do Generol Obato, depois da morte de Takashima.

 

Em linhas gerais, pode-se admitir que a defesa de Guam era mais efetiva que a de Saipan. Os japoneses contavam ali com mais homens, mais artilharia e mais tanques.

 

Em meados de julho a guarnição japonesa da ilha ascendia a uns 18.500 homens. Segundo os cálculos do 3o Corpo Anfíbio, a artilharia espalhada pela ilha era integrada pelos seguintes tipos e quantidades de armas:

Canhões costeiros de 20 cm: 19; de 15: 8; de 12,7: 22; Howitzers de 105 mm: 6; Canhões de montanha de 75 mm: 38; Canhões antitanque de 57: 2; de 37: 20; Canhões antiaéreos de 25: 4.

 

As fortificações da ilha haviam sido distribuídos especialmente no litoral oeste, entre a parte média da ilha e o extremo sul, e se estendiam, compreendendo a península de Orote, entre Tumon Bay e Facpi Point. Nos arredores da península os trabalhos de fortificação haviam sido melhor elaborados, incluindo um complicado sistema de trincheiras e casamatas, alternadas com ninhos de metralhadoras e localizações de canhões pesados.

 

Em linhas gerais as defesas eram divididas em escalões constituídos da seguinte maneira: primeira linha com obstáculos diversos e campos minados no setor dos recifes; segunda linha com obstáculos e armadilhas antitanque nas praias; terceira linha com trincheiras, ninhos de metralhadoras, casamatas, armas pesadas e canhões de defesa de costas; finalmente, uma quarta linha com ninhos de metralhadoras e artilharia.

 

O desembarque

 

Até 20 de junho o tempo apresentou-se limpo e perfeito para uma operação de desembarque. Os prognósticos para o dia seguinte, dia D para a invasão, continuaram alentadores. Em conseqüência o Almirante Conolly confirmou o dia D para 21 de julho, e 8h:30m como a hora H.

 

A manhã de 21 surgiu clara e limpa, como fôra previsto. O vento era suave e o mar estava calmo. Às 5h:30m foi dada a ordem de fogo. Durante as três horas seguintes os canhões da frota dispararam sem cessar contra as defesas da ilha. De seus barcos Appalachian e George Clymer os Almirante Conolly e Reifsnider dirigiam o bombardeio naval das praias Asan e Agat. O fogo, minuciosamente calculado, concentrava-se sobre as praias de invasão, sobre os flancos e o setor imediatamente posterior das mesmas. Foram disparados ao todo 342 projéteis de 16 polegadas, 1.152 de 14, 1.332 de 8, 2.430 de 6, 13.130 de 5 e 9.000 foguetes de 4,5 polegadas.

 

Vinte minutos depois de começado o fogo naval, apareceram no espaço os primeiros aviões americanos. Sua missão, na emergência, consistia em proteger os navios da possível ação de submarinos inimigos.

 

Às 6h:15m uma patrulha de doze caças, nove bombardeiros e cinco aviões torpedeiros do porta-aviões Wasp desferiram o primeiro golpe do dia. Bombardearam o flanco direito da zona de ataque da 3a Divisão de fuzileiros-navais, na praia Asan, ao norte da península de Orote. Desde 7h:15m até 8h:15m os aviões descarregaram bombas nos 20 km de costa que se estendiam entre Agana e Bangi Point. Durante esse período a artilharia naval recebeu ordem de disparar de maneira que os projéteis não alcançassem altura maior que 360 metros, visto que os pilotos não poderiam voar a menos de 450 metros. Essa medida evitava atingir os próprios aviões americanos.

 

Durante a hora que durou o ataque aéreo os 312 aviões que intervieram lançaram 124 toneladas de bombas. Paralelamente, aviões de observação sobrevoavam as praias designadas para a invasão, equipados com pára-quedas especialmente preparados. A missão desses aparelhos seria lançar os pára-quedas no momento em que a primeira leva de barcaças se encontrasse a 1.200 metros da praia. Com o sinal, o fogo cessaria, reiniciando-se um bombardeio perfeitamente controlado que seria mantido até que os veículos anfíbios chegassem a 300 metros do praia. Então seria totalmente suspenso após um novo sinal dos aviões de observação.

 

Entrariam em ação simultaneamente 24 aviões de combate. Atacando os redutos inimigos, permitiriam com isto o desembarque com um máximo de segurança para as tropas americanas, pois os japoneses ficariam sob fogo constante das metralhadoras e obrigados por conseguinte a permanecer ocultos em seus redutos.

 

Em meio das explosões e da fumaça dos incêndios, os tanques e tratores anfíbios começaram a se aproximar das praias. Atrás deles avançava a segunda linha de veículos, integrada por LCI, disparando lança-foguetes de 4,5 polegadas. Depois seguiam-se tanques anfíbios, disparando com seus canhões de 37 e 75 mm. Fechando a marcha avançavam os tratores anfíbios carregados com os tropas de assalto que desembarcariam nas praias e ali procurariam se firmar.

 

Ao norte, na praia Asan, três regimentos do 3a Divisão de fuzileiros-navais foram lançados ao assalto num setor de aproximadamente 2.500 metros. Esse trecho de praia dividia-se, da esquerda para a direita, nos sub-setores Vermelho 1, Vermelho 2, Verde e Azul. O 3° Regimento de fuzileiros-navais cobriria Vermelho 1 e Vermelho 2; o 2o tomaria a seu cargo o Verde; o 9° Regimento atacaria o Azul. A extensão de cada sub-setor era de 600 metros. A missão das unidades consistia em desembarcar, firmar-se na praia, avançar terra a dentro e ganhar terreno rumo ao leste e sudeste. As baixas do primeiro dia de luta na praia chegaram a 105 mortos, 536 feridos e 56 desaparecidos, mas os objetivos foram totalmente alcançados.

 

Ao sul, na praia Agat, a operação ficou a cargo da 1a Brigada de fuzileiros-navais. Seus dois regimentos (4o e 22o) teriam que desembarcar e apossar-se de um setor semelhante ao da praia Asan. Neste caso, porém, o trecho fôra dividido em quatro sub-setores que, da esquerda para o direita, receberam as denominações de Amarelo l, Amarelo 2, Branco 1 e Branco 2. Os dois primeiros seriam atacados pelo 22° Regimento e os últimos pelo 4°.

 

No setor da praia Agat, onde desembarcaria a 1a Brigada de fuzileiros, haveria ainda uma brigada de reserva, integrada pelo 305° Grupo de Combate. Permaneceria embarcada para ser enviada ao combate no momento em que as condições o exigissem. Um batalhão dessa brigada foi embarcado como reforço nos veículos anfíbios e às 10h:30m se dirigiu às imediações da praia, mantendo-se pronto à espera de ordens. Os dois batalhões restantes estariam a postos para segui-lo.

 

Os objetivos foram alcançados um por um, permitindo que fosse estabelecida uma cabeça-de-ponte que custou 350 baixas.

 

O contra-ataque japonês

 

Durante a noite de 21 os fuzileiros americanos distribuíram-se ao longo da frente da cabeça-de-ponte, esperando o contra-ataque japonês para as primeiras horas da manhã seguinte.

 

Na praia Asan, onde havia desembarcado a 3a Divisão, patrulhas japonesas procuraram, até às 2h:30m, encontrar "pontos débeis", na linha americana, sem resultados positivos.

 

No setor sul, na praia Agat, as providências japonesas foram de maior importância. À 1 hora da madrugada dois batalhões de infantaria apoiados por tanques lançaram-se contra o 4° Regimento de fuzileiros-navais. Em duas levas sucessivas, conseguiram perfurar as linhas americanas e chegaram até às posições da retaguarda, onde estavam os howitzers. Contudo, uma férrea resistência desbaratou a manobra e obrigou os japoneses a bater em retirada. Outra força, apoiada por quatro tanques e fogo de artilharia, tentou forçar as posições americanas mas foi também repelida pelos tanques Sherman e por bazucas. Esse contra-ataque custou aos japoneses a perda de 268 homens e 6 tanques.

 

A cabeça-de-praia se consolida

 

O plano americano previa para o dia 22 o deslocamento das forças em três sentidos: norte, leste e sul, numa operação destinada a ampliar a cabeça-de-praia.

 

As operações começaram às primeiras luzes da madrugada. Os efetivos do 4o e do 22o Regimento, no sul, e os 3o, 9o e 21o no norte, atacaram em duas frentes, lançando-se a uma áspera luta para vencer a resistência japonesa.

 

No dia 25 de julho os posições iniciadas na praia Agat, no sul, já estavam ampliadas numa extensão de costa de 6 quilômetros. A profundidade do avanço, orientado principalmente em direção leste, era de uns quatro quilômetros em sua parte máxima.

 

Na praia Asan, paralelamente, os efetivos americanos haviam-se deslocado principalmente para o sul, na direção da península de Orote, ocupando 8 quilômetros da costa. Ao mesmo tempo alcançaram 2.000 metros em sua penetração máxima para o interior.

 

As duas cabeças-de-praia, aproximando-se, acabariam por se unir, isolando a península de Orote. Tomariam aí um campo de aviação e, ao lado da península, o porto de Apra que teria grande utilidade para a frota americana.

 

Entre 25 e 26 de julho o General Takashima lançou seu primeiro grande contra-ataque. Na noite de 25 para 26 de julho os japoneses se lançaram por sete vezes ao assalto. Nas sete vezes foram rechaçados. No setor norte, onde combatiam os efetivos da 3a Divisão de fuzileiros-navais, as baixas japonesas se elevaram a 910 mortos. A frente do 21o Regimento, por seu turno, teve que suportar violenta investida que permitiu aos japoneses passarem para trás das linhas avançadas americanas. Quando a frente parecia rompida, unidades americanas integradas apressadamente por homens de diversos serviços, como cozinheiros, telegrafistas, choferes e auxiliares, conseguiram fechar a brecha e exterminar os combatentes japoneses infiltrados. Ao todo, em todas as frentes, os japoneses sofreram perto de 3.500 baixas apenas no contra-ataque da noite de 25 para 26 de julho. Três batalhões foram totalmente aniquilados no norte. Com relação à oficialidade, os comandos japoneses calcularam uma perda de 95% dos oficiais participantes da operação. Entre os mortos se contavam o Coronel Ohashi, comandante do 18o Regimento de infantaria, o Tenente-Coronel Kataoka, comandante do 10o Regimento Misto Independente, e os Majores Maruyama e Yukioka, que comandavam os 2o e 3o batalhões do 18o de Infantaria. Além disso, cerca de 90% das armas utilizadas ficaram perdidas no campo de luta.

 

Os americanos também sofreram baixas numerosas. A 3a Divisão de fuzileiros foi uma das unidades mais afetadas e perdeu, entre 21 e 27 de julho, 166 mortos, 645 feridos e 34 desaparecidos.

 

A captura de Orote

 

Às 6h:45m da manhã do dia 26 de julho a artilharia americana abriu fogo sobre as posições japonesas da península de Orote, disparando perto de 1.000 projéteis para "amaciamento". Entre 8h e 8h:30m somaram-se ao fogo os 305o e 306o Batalhões de artilharia, disparando sobre a retaguarda japonesa.

 

Os contingentes americanos puseram-se em movimento às 7 horas. A frente estava coberta pelos marines do 22o Regimento, no flanco direito, e do 4o no flanco esquerdo. O 22o foi detido pela intensidade do fogo inimigo e teve que permanecer em suas posições durante uma hora. O 4o, entretanto, encontrou fraca oposição e realizou rápidos progressos. Na manhã do dia 27 o ataque recomeçou às 7h:15m, encontrando escassa resistência. Os americanos avançaram gradualmente até adiantar as linhas em 500 metros. No dia 28 o avanço foi de aproximadamente um quilômetro. Por fim, a 29 de julho, toda a extensão da península de Orote caíra nas mãos dos contingentes americanos.

 

A atividade das patrulhas, enquanto se desenrolavam os acontecimentos, foi intensa. Entre 28 de julho e 2 de agosto numerosas missões foram desempenhados por grupos móveis. Uma delas (denominada em código como "George") levou os efetivos americanos até ao extremo sul de Guam. Outra ("Fox") alcançou a costa leste da ilha. As patrulhas produziram excelentes frutos na medida em que puderam comprovar a qualidade e a quantidade das defesas inimigas, assim como o número de unidades em condições de sustentar a luta.

 

Perseguição até o Norte

 

Quando chegou ao conhecimento do General Takashima a notícia do desastre sofrido pelas tropas no fracassado contra-ataque de 25/26, o chefe japonês ordenou que as tropas restantes ocupassem uma nova linha de batalha na zona de Fonte, na parte média da ilha, a pouca distância das posições americanas. Pouco depois o general japonês pereceu em combate, sendo substituído pelo General Obata.

 

No dia 28 Obata instalou o QG em Ordot, a sudeste de Fonte. Nesse momento as tropas ãs suas ordens eram perto de uns 1.000 homens de infantaria, 800 marujos e uns 2.500 combatentes de diversas unidades.

 

No dia 30 os efetivos japoneses, seguindo as determinações de Obata, começaram a retroceder para o norte. A 31, as linhas japonesas se estendiam, de este a oeste, de extremo a extremo da ilha. Ocupavam nesse momento a frente mais estreita, que se prolongava ao longo de 7 quilômetros, entre Agana Bay, no oeste, e Port Pago, no leste.

 

A esta altura dos acontecimentos a resistência japonesa era escassa e débil. Os americanos, apesar disso, se moviam lentamente rumo ao norte. A 1o de agosto a linha japonesa, retrocedendo ante o avanço americano, fôra transladada 5 quilômetros para o norte.

 

A 2 de agosto retrocederam mais 3.500 metros. A 4 de agosto somente a quarta parte da ilha permanecia ainda nas mãos dos japoneses. A 5 de agosto já eram poucos os efetivos japoneses que, dispersos, resistiam ao lento porém permanente avanço americano. A selva, as intensas chuvas, o terreno convertido num lodaçal, aumentavam as dificuldades dos combatentes.

 

No litoral leste, a uns 7 km do extremo norte de Guam, o monte Santa Rosa levantava-se a 250 metros de altura. Ali reuniram-se a 6 de agosto os restos das unidades japonesas. Os comandos americanos, decididos a expulsá-los dali ou aniquilá-los, ordenaram "amaciar" aquela posição através do fogo dos navios de guerra e da artilharia. O assalto subseqüente seria efetuado a 7 de agosto às 7h:30m.

 

No dia citado, às 7 horas, o 3o Batalhão do 306o de Infantaria começou o avanço. A luta, cruenta, terminou na noite de 7 para 8 de agosto.

 

Conclusão da luta

 

Ao cair a noite de 8 de agosto a luta em Guam estava virtualmente concluída. Nessa mesma noite a rádio de Tóquio admitiu que Guam caíra nas mãos dos invasores.

 

A captura do monte Santa Rosa marcou o fim do período japonês na ilha. A partir daquele momento somente grupos isolados ofereciam resistência aos americanos.

 

No monte Santa Rosa foram descobertos os cadáveres de 500 japoneses. Os americanos começaram um minucioso rastreamento na selva, em busca dos sobreviventes. Estes, formando pequenos grupos, haviam-se internado na floresta e vagavam sem rumo definido, atacando esporadicamente.

 

A 10 de agosto, às 11h:31m anunciou-se oficialmente o término da luta em Guam. No fundo da mata, ainda grupos esparsos resistiam. Alguns desses combatentes ficaram ali até o fim das hostilidades, um ano depois.

 

A luta pelo defesa de Guam custara aos japoneses praticamente a guarnição inteira da ilha, calculada em 18.500 homens, mortos ou capturados em sua maioria.

 

As baixas americanas somaram 7.800, das quais 2.124 morreram em combate. Desse total, 839 baixas pertenciam ao exército, 245 à marinha e 6.716 aos fuzileiros-navais.

 

 

Anexo

 

O homem que veio do mar

"Voamos até o nosso objetivo. Depois de mudar de formação, nos dedicamos a fustigar as embarcações e povoados indígenas onde pudesse haver algum depósito ou tropas do inimigo. Assim continuamos cerca de meia hora. De repente, percebei que não havia nenhum avião ao meu redor. Não ouvira o sinal de refazer a formação e a patrulha partira, deixando-me só. Empreendi o regresso, mas decidi antes dar uma última passada. Desta vez meu objetivo foi um edifício onde supus que o inimigo armazenara material. Ao endireitar meu avião, depois de metralhar o depósito, o motor falhou e só pude subir a 800 metros. Era pouca altura para lançar-me de pára-quedas. Resolvi conduzir o avião em direção à água, pois em terra não havia espaço plano para uma aterrissagem forçada.

Enquanto planava tentei fazer o motor pegar mas nada consegui. Comuniquei pelo rádio, ao chefe da patrulha, que ia fazer uma aterrissagem forçada, porém não obtive nenhuma resposta.

Ia perdendo altura e já me encontrava a poucos metros da superfície da água. Tentei tirar a correagem do pára-quedas para me livrar do seu peso; minha manga esbarrou na alça de segurança e o abriu. Neste momento bati na água e tudo escureceu. Quando dei de mim, achava-me submergido. Escapei pela portinhola entreaberta e puxei uma das cordas do colete salva-vidas. Imediatamente encheu-se de oxigênio levando-me de cinco metros de profundidade para a superfície, justamente a tempo de ver afundar o último pedaço da cauda do avião. Desabotoei o pára-quedas e uma onda encarregou-se de levá-lo. Quando olhei para a margem (estava a uns seis ou oito quilômetros de distância) pude ver grande colunas de fumaça que saíam do edifício. Não sei se meu motor falhou por causa do fogo antiaéreo ou se, simplesmente, deixou de funcionar. Observei que o vento e a corrente me arrastavam paralelamente à costa, afastando-me do território densamente povoado pelos japoneses. Mas, ao mesmo tempo, distanciando-me do lugar onde se achavam nossas forças. Só havia três maneiras de regressar: a primeira, na qual mais confiava, era ser visto por outro avião, e salvo por um bote ou por um hidravião. Naquele momento eu tinha a certeza de que os aviões de observação me achariam.

A segunda maneira de sobreviver era manter-me à deriva todo aquele dia e, ao cair da noite, nadar até à margem com a esperança de haver passado além do território ocupado pelos japoneses. Uma vez em terra, caminhar costa abaixo e tratar de chegar até onde se encontravam os indígenas amigos, ou talvez à Missão, bem longe, na parte sul da ilha.

A terceira alternativa era nadar imediatamente até à margem, fora da vista do inimigo, e caminhar através de 40 ou 50 km de terreno difícil, ocupado pelos japoneses, até chegar a Lunga Point, no norte da ilha, onde estavam nossas forças. Decidi, sem vacilação, esperar para ver se se realizava a primeira solução. No caso de não ser salvo assim, tentaria chegar à Missão.

Dois aviões Wildcat apareceram, aproximadamente a quilômetro e meio de distância. Fiz sinais com os braços, porém de nada adiantou e continuaram sua marcha. Durante toda a tarde quase fiquei louco tentando atrair a atenção dos pilotos. Várias vezes minha própria esquadrilha passou justamente por cima de mim sem conseguir ver-me, pois eu constituía um objeto demasiado pequeno para ser perceptível. Depois dois aeroplanos de salvamento fizeram um círculo a 150 metros, exatamente ao meu redor; acreditei que com toda a certeza havia sido visto, mas nada...

Enquanto estava na água encontrei uma maçã e uma laranja meio podres. Um pedaço parecia bom, embora um pouco salgado. De vez em quando um peixe roçava meu pé. Um deles me atacou, mas dei alguns pontapés e ele se foi. Tirei os sapatos e os amarrei no cinturão da pistola, para dispor deles quando chegasse à margem e precisasse andar. Ao pôr do sol, abandonei toda esperança de salvamento e comecei a nadar. A única coisa que podia fazer era nadar "cachorrinho", que é lento e desesperador. Nadara uma ou duas horas, começara a escurecer e não me parecia estar mais próximo da margem. Achei melhor amarrar o cinto da pistola e os sapatos ao salva-vidas e atar este ao meu cinturão. Desta maneira poderia nadar mais rápido. De quinze em quinze minutos descansaria sobre o salva-vidas e recomeçaria a nadar outra vez. Fiz isto cerca de uma hora. Num dos períodos de descanso verifiquei que meus sapatos, minha pistola, minha navalha e meu cantil desprenderam-se, indo reunir-se, talvez, no fundo do mar, com meu avião. Ao clarear da manhã seguinte ainda me achava a um quilômetro da margem e me sentia tão esgotado que não via maneira de chegar. Divisei um objeto que parecia um. bote, a um quilômetro e meio. Durante uma meia hora gritei até perceber que não se movia; era uma rocha. De repente pareceu-me ver sair fumaça dele; minha imaginação começava a me pregar peças. Recomecei o "cachorrinho", procurando chegar à margem. A Missão encontrava-se por ali, pela costa, à direita, a menos de meio quilômetro, porém, à esquerda havia um povoado indígena. Quando chegasse à margem eu verificaria se seus ocupantes eram indígenas ou japoneses.

Ao chegar a uns 200 metros da praia esbarrei num recife e tive que andar sobre o coral, coberto somente por um terço de água até alcançar a beira. Tive que tentar várias vezes antes de poder ficar em pé. Era meio-dia e as 24 horas que passara na água haviam-me intumescido as pernas. Tropeçando freqüentemente, caminhei sobre o recife de coral até a praia. Estando descalço, feri-me várias vezes nos pés e nas pernas. Chegando à margem tirei toda a roupa e estendi na praia para secar.

Depois devo ter caído no sono. Ao despertar, achavam-se na minha frente dois pescadores olhando-me em silêncio. Tentei fazê-los compreender que era um piloto americano. Continuaram olhando-me e finalmente saíram correndo. Comecei a temer; os pescadores podiam muito bem entregar-me aos japoneses. Minha roupa estava seca. Vesti-a e, cambaleando, pois as feridas da perna tinham inflamado, dirigi-me à mata ali perto.

Estava chegando às folhagens quando apareceram novamente os pescadores. Desta vez não vinham sós: vinham com dois outros homens. Um deles, armado, falou-me em inglês, informando que fazia parte de um grupo de guerrilheiros daquela zona. Disse que, por ora, era melhor que eu ficasse próximo da praia. Trouxeram-me comida, sandálias e um punhal. Aconselharam-me a esperar até à manhã seguinte, quando me levariam à Missão.

Passei a noite bastante mal. As feridas doíam, tinha fome e também certo receio. Várias vezes ouvi ruídos e temi que fossem japoneses que vinham me buscar. Próximo do amanhecer voltaram os homens. Pusemo-nos a caminho e às 11 horas mais ou menos chegamos à Missão. Os missionários me atenderam muito bem, deram-me um desjejum reforçado e puseram sulfa em minhas feridas. Lamentavelmente, não podiam manter-me ali, pois os japoneses infestavam a região. Por volta das duas da tarde, sob um sol de rachar, pusemo-nos novamente a caminho.

A marcha foi tremenda. Em mais de uma oportunidade quis sentar para descansar; nem me importava mais cair nas mãos dos japoneses, mas meus companheiros não deixaram. A noite paramos só um momento para uma cochilada. As feridas tinham-se inflamado novamente.

De madrugada estava me lavando na beira de um riacho quando ouvi um ruído quase imperceptível às minhas costas... Virei-me rápido. Meus companheiros não estavam... Temi uma arapuca, ainda que não compreendesse muito bem: se queriam entregar-me aos japoneses, porque haviam demorado tanto? Lembrei-me depois que aos missionários meus acompanhantes não haviam causado suspeitas.

Na clareira apareceu uma sombra...

- Tenente Farman?... - perguntou um soldado.

-Sim... - respondi.

- Andam à sua procura na base. Os pescadores nos informaram que haviam encontrado um aviador americano. Pelas informações, compreendemos que era o senhor...

Senti uma vontade louca de abraçá-lo. Porém, estava exausto demais e ao ver que o perigo passara as feridas das pernas começaram. a doer terrivelmente...”

Tenente Farman

 

 

Spruance

“-Eu esperava vê-lo partir comandando uma esquadra - disse Nimitz. Porém, lamentavelmente, tenho necessidade do senhor aqui...”

“-É normal que as necessidades militares tenham primazia sobre as considerações pessoais, mas, desde que o senhor precisa de mim, aceito...”

Spruance voltou ao seu camarote. Nimitz era texano. Tinha um ano a mais de idade e era alguns centímetros maior que o grande estrategista naval americano da Segunda Guerra Mundial. Mas, naquele momento, era o chefe. Raymonn Amos Spruance, um homem de Baltimore, devia aceitar, embora isto retardasse sua pressa para começar a "driblar os japoneses".

O almirante sentou-se em frente à sua mesa e pegou uns papéis. O mapa do Pacífico apareceu como uma grande superfície azul salpicada de algumas. elevações de contornos irregulares e nomes estranhos: Tarawa, Saipan, Guam, Tinian...

Spruance nascera em 1886. Não era um homem jovem, mas compensava a idade com algo que ele mesmo denominava "sentido da situação". Ergueu a vista até outro mapa que cobria quase totalmente uma das paredes. Pegou um lápis e começou a traçar uma linha quase imperceptível sobre o mar. Não era um trabalho fácil. Esta linha imperceptível seria o caminho de uma frota. Mesmo com homens armados até os dentes, as coisas podiam falhar. Já acontecera outras vezes, mas Spruance confiava no "sentido da situação" que lhe dizia que os japoneses estavam esgotados. Desde que se formara na Escola Naval, em 1907, sua carreira não fôra muito comentada; ou melhor, fôra um mero desconhecido que esmiuçava folhas e mais folhas de estratégia. Mas, dois anos atrás interviera como comandante da Força Tarefa na batalha de Midway. Era junho de 1942 e seu nome começou a aparecer. Isto era importante, mas, ao mesmo tempo, fatal: Nimitz o havia considerado "indispensável" e tivera que concordar. No entanto, Spruance tinha uma brilhante carreira pela frente: seria comandante do Pacífico Central e conquistaria as ilhas Marshall e as Gilbert; em seguida, comandante da 5a Frota e, em novembro de 1945, comandante-chefe de toda a frota americana no Pacífico.

Rle ainda não sabia de nada disso e seus olhos continuaram absortos no mapa onde cada pontinho era uma ameaça e um desafio.

 

 

Saipan

“A luta em Saipan continuou até os últimos dias de julho. Nossas perdas, sensíveis, principalmente no começo da operação, elevaram-se a 3.400 mortos e mais de 13.000 feridos.

A ocupação das ilhas de Tinian e Guam foi muito menos custosa, porque as submetemos desde o começo a bombardeios maciços. Em Guam, especialmente, treze dias de bombardeios ininterruptos e sistemáticos desmoralizaram os defensores e destruíra a maior parte de sua artilharia. Em conjunto, a conquista das Marianas do Sul nos custou 5.000 mortos contra 60.000 dos japoneses. O preço foi alto, mas este sacrifício nos trouxe enormes vantagens estratégicas: as comunicações aéreas entre o Japão e as ilhas Carolinas estavam cortadas; dispúnhamos de novas bases logísticas de onde a marinha podia operar contra a navegação inimiga; podíamos contar com aeródromos suficientemente avançados. que permitiriam aos B-29 atacar eficazmente a região de Tóquio.

Para o Japão, a perda das Marianas significou o princípio do fim. Porém, a absoluta recusa dos soldados japoneses a se renderem, ainda que sua situação fosse desesperadora, e os suicídios coletivos de civis japoneses em Saipan, que preferiam a morte ao cativeiro, nos punham em guarda contra o excesso de otimismo”.

 

 

“Tiro ao pombo”

“Com a finalidade de defender a operação contra as Marianas, encarreguei uma parte da 58a Task Force de bombardear os aeródromos de Iwo Jima para fustigar os aparelhos inimigos. Mitscher e eu fomos em direção ao oeste, a fim de interceptar a esquadra japonesa. Como não sabíamos a direção que ela tomara, tivemos que avançar prudentemente. Após voar rumo oeste durante o dia inteiro, fui obrigado a ordenar a volta. Eu pensava que uma flotilha ou mais de navios inimigos não poderia nos atacar sem que percebêssemos previamente. Mas compreendi que os aviões embarcados dos japoneses possuíam um raio de ação superior aos nossos e que o vento do leste os favorecia. Além disso o Almirante Ozawa contava com as esquadrilhas da ilha de Guam para nos atacar quando desembarcássemos; todas estas forças, agregadas às dos porta-aviões, podiam massacrar-nos com toda a tranqüilidade.

Por sorte nossas bombardeiros e caça-bombardeiros trabalharam muito bem os terrenos de Guam e Tinian, de modo que esta ameaça não pôde concretizar-se. Entretanto, Ozawa, certo de que seu plano prosseguia em plena execução, mandou decolar seus aparelhos ao amanhecer do dia 18 de junho. Os radares os detectaram quando ainda estavam a 250 quilômetros e pudemos empregar a totalidade de nossos caças, uns 450 aparelhos, contra 45 bombardeiros, 8 aviões torpedeiros e 16 Zeros que o inimigo lançou de três porta-aviões de escolta.

Atacando a grande altura, nossos caças interceptaram os aparelhos japoneses e destruíram 25. Por outro lado, nossas baterias antiaéreas derrubaram 17. Quer dizer que somente 27 aviões inimigos regressaram. Uma segunda leva de 128 aparelhos lançados pela esquadra de Ozawa não teve melhor sorte: nossos Hellcat surpreenderam-na a 80 quilômetros de Saipan e praticamente a destruíram. Neste caso as baterias antiaéreas elevaram sua contagem iniciai: derrubaram 31 aparelhos.

Os 47 aviões da terceira leva só nos infligiram pequenos danos, enquanto derrubamos 7 aparelhos. Finalmente Ozawa lançou uma quarta leva repartida em três grupos: o primeiro foi interceptado em alto-mar e desfalcado. O segundo alcançou nossos porta-aviões para ser praticamente exterminado pelas baterias. Quanto ao terceiro, foi violentamente atacado pelos Hellcat, que derrubaram 30 aparelhos; os 19 restantes tentaram desastrosas aterrissagens nas esburacadas pistas de Guam.

Todos estes combates aéreos consumiram cerca de dez horas. Na mesma tarde nossos pilotos festejaram a vitória do que chamaram “o tiro ao pombo” nas Marianas”.

 

 

A captura de uma ilha

“Os planos para desembarcar numa ilha do Pacífico não são simples. Requerem longas reuniões, consultas e estudos demorados. Enorme quantidade de fotos, planos e plantas de distribuição ocupam as mesas de serviço dos Estados-Maiores durante meses e, em alguns casos, durante anos. Quando tudo está pronto, uma armada de mais de cem navios composta de encouraçados, cruzadores, destróieres e navios-transporte conduz a força expedicionária à ilha e apóia o ataque da infantaria com o fogo de seus canhões. O plano consiste em reduzir primeiro as defesas inimigas por meio de bombardeios aéreos e navais, para desembarcar suas tropas com maior segurança. Em alguns casos, nas semanas precedentes ao assalto, os aviões de bombardeio descarregam mais 2.000 toneladas de bombas sobre as ilhas. Dia e noite os aparelhos dos porta-aviões e os canhões descarregam sua mortífera mensagem.

Ao despertar do sol paira sobre as ilhas uma densa nuvem de fumaça e as tropas a bordo dos transportes se interrogam: “será que isso foi suficiente, ou ainda restam muitos japoneses com vida?” O japonês é um soldado valoroso e combate com bravura e fanatismo impressionantes.

Pouco a pouco, junto aos grandes navios, denominados “navios-mãe” encostam as flotilhas de lanchas de desembarque. Estas lanchas variam de tipo de acordo com as praias, os regimes das marés, etc. Nos costados do “navio-mãe” se estendem redes tecidas com cordas grossas. Para saltar dentro do bote, o fuzileiro tem que aproveitar o momento em que o balanço das ondas o ergue. Desta maneira seu salto

será amortizado pelo próprio movimento do bote.

Uma vez embarcados, os botes dirigem-se para a praia. Não seguem todos juntos, mas seguem alternados. Cada uma das levas transporta perto de 2.000 fuzileiros. Cada grupo de fuzileiros é chamado “leva” ou “onda” se preferirem. O canhoneio cessa unicamente quando as baterias do inimigo deixam de responder ao fogo; caso contrário, é sinal de que as defesas ainda continuam intactas. De qualquer modo as primeiras levas são as mais sacrificadas. Em muitos casos perdem 80% de seus efetivos antes de firmar-se na praia. Claro que a chegada de novas ondas se sucedem continuamente e assim a vanguarda está sempre apoiada por novos grupos de combatentes.

O fogo inimigo afunda algumas barcaças à medida que se aproximam da praia. “Os combatentes avançam pela areia e constroem um perímetro de defesas. Movem-se cautelosamente, pois um coqueiro, um matagal, qualquer elevação de terreno, podem esconder um soldado japonês emboscado. Entrementes, à medida que a infantaria avança, o fogo dos canhões da esquadra vão elevando seu ângulo de tiro. Seria desastroso, e já ocorreu, que os canhões disparassem sobre seus próprios fuzileiros.

A primeira tarefa é capturar os atiradores escondidos e arrasar os ninhos de metralhadoras próximos da praia. Franco-atiradores são procurados circundando árvores, espreitando-se entre as folhagens. Todo movimento de uma árvore e toda descarga recebe em resposta a fuzilaria dos rifles e das carabinas. De vez em quando, do meio das ramagens despencam japoneses feridos ou mortos.

Os ataques aos ninhos de metralhadoras são mais complicados. Os fuzileiros aproximam-se cautelosamente, disparando sobre qualquer abertura pela qual o inimigo possa atirar. Depois, quando estão a vinte metros do ninho, os metralhadores aproximam-se, metralhando as aberturas com fogo cerrado enquanto os fuzileiros recuam. Somente as descargas dos canhões de setenta e cinco ou mais milímetros são capazes de destruir um ninho de metralhadoras, porém, os metralhadores protegem o ataque enquanto não chegam as equipes dos lança-chamas. Chegado o momento, de direções distintas, lançam-se jatos de fogo sobre a entrada do ninho de metralhadoras. A fumaça e as chamas sufocam em poucos minutos os inimigos que se encontram em seu interior. Alguns suicidam-se explodindo uma granada de mão de encontro ao peito. Assegurada a cabeça-de-praia, as tropas iniciam sua defesa. Os canhões são firmemente montados, cercados de arame farpado e rodeados de profundos fossos cobertos com troncos de coqueiros e areia. Existe também o perigo de um contra-ataque em grande escala, de ataques aéreos e das descargas dos inimigos que durante a noite se infiltram nas linhas.

Apesar destas tremendas condições, reina um certo bom humor entre os combatentes. Por exemplo, um soldado termina de fazer sua “toca de raposa” e, depois de cobri-la com troncos e areia, anuncia que “nem uma bomba penetra nela”. Seus companheiros examinam a cova e replicam que nem ele, tampouco, pois havia esquecido de deixar uma entrada.

Os ataques são freqüentes. “Aí vem a “Washing Machine's Charlie” (Charlie com sua máquina de lavar), dizem os soldados. Washing Machine's Charlies é um bombardeiro japonês de dois motores, apelidado assim porque seus motores parecem funcionar lentamente como uma máquina de lavar roupa. E antes de lançar as bombas, ouvem-se três golpes secos.

A penetração é geralmente penosa. Em certos setores tropicais a selva é tão densa que nem de gatinhas se avança. Os soldados tornam sua carga o mais leve possível. As vezes avançam com lodo até à cintura, o que é muito difícil quando se carrega rifles e equipamento. Usam carabinas, mais leves que os fuzis. Alguns soldados cortam suas mantas pelo meio e carregam apenas metade. Outros deixam suas redes e dormem no chão.

A luta é freqüentemente corpo a corpo. Os soldados, penetrando pela mata em pequenos grupos, às vezes sozinhos, deparam com o inimigo frente a frente. Na luta corpo a corpo os fuzileiros acham muitas vezes mais fácil usar o rifle como porrete, agredindo o inimigo com a culatra. Como os exploradores de outros tempos, também levam machados e pistolas.

Ao começar a guerra no Pacífico discutiram-se dois pontos de vista: 1°) O inimigo teria que ser atraído para lutar em zonas temperadas, em condições a que os soldados americanos estivessem acostumados; 2o) Combater o inimigo onde e quando fosse encontrado. Prevaleceu este último ponto de vista”.

Tte. Ulices Gardner