Reconquista da Birmânia

 

Os ingleses recuperam o terreno perdido

            

Reconquista da Birmânia

Guerra aérea na Birmânia

Guerrilha nas selvas

 

 

Depois da vitória aliada no planalto de Imphall, os planos do Tenente-General Slim, para o prosseguimento das operações na Birmânia, previam os seguintes pontos:

a) Pressionar os efetivos japoneses até o rio Chindwin e obrigá-los a transpô-lo.

b) Enfrentá-los no planalto de Mandalay e obrigá-los a combater antes que tivessem tempo de reorganizar-se.

 

Do lado japonês, entrementes, o General Kimura planejou suas ações futuras calculando que poderia deter o inimigo até a época das monções. Depois, logicamente, o 14o Exército britânico se encontraria no extremo de uma linha de abastecimentos de 650 km de extensão, esgotado e mergulhado numa zona úmida e pantanosa. A conclusão era simples: os efetivos não estariam então em condições de lançarem-se ao ataque e, conseqüentemente, as unidades japonesas poderiam contra-atacar com êxito.

 

Contudo, as audaciosas previsões de Kimura desmoronaram diante de imprevistos inevitáveis. De fato, seu erro de acreditar que os efetivos britânicos não continuariam lutando durante a monção desvaneceu-se, ao constatar que os homens de Mountbatten não apenas seguiam adiante, mas que descarregavam sobre as tropas japonesas golpes implacáveis. Os movimentos britânicos, no entanto, não foram fáceis. As chuvas, convertendo a selva e os planaltos em verdadeiros lodaçais, prejudicaram ao máximo o avanço das peças de artilharia e dos veículos, criando graves problemas que foram solucionados apenas pelo decisão inquebrantável dos comandos e pela abnegação, a toda prova, dos efetivos subalternos. Apesar de tudo, dezenas de peças e veículos tiveram que ser abandonados no decorrer da marcha. Os combatentes japoneses, em plena retirada, rumo à vizinha Birmânia, avançaram em direção leste, para o rio Chindwin, pela estrada de Tiddim, a cem milhas, aproximadamente, ao sul de Imphall.

 

As formações aéreas aliadas, enquanto isso, atacavam sem trégua as colunas japonesas, semeando a destruição e deixando em seu rastro uma trágica senda pontilhada de veículos japoneses destruídos.

 

No dia 19 de agosto de 1944, as unidades japonesas que combatiam no retaguarda das formações do Sol Nascente, cruzaram, em plena retirada, a fronteira da Índia. Voltavam, assim, ao ponto de partida, após o fracasso dos seus ambiciosos planos.

 

A retirada japonesa não constituía mais um movimento estratégico. Neste caso, tratava-se de uma derrota em toda a linha. Uma derrota que punha em perigo três anos de vitórias...

 

Os japoneses, em resumo, recuavam em péssimos condições, sem apoio aéreo nem abastecimentos; sem outras armas além da tenacidade dos seus homens e da capacidade dos seus comandantes.

 

 

A travessia do Chindwin

 

No dia 3 de dezembro, as primeiras vanguardas britânicas cruzaram o Chindwin. Os contingentes atravessaram o rio na altura de Kalewa, a cem milhas, aproximadamente, a leste de Tiddim, e duzentas de Mandalay, a sudeste. O grande objetivo, Mandalay, estava situado no coração da Birmânia, e sua captura abriria o caminho para Rangun, quatrocentas milhas para o sul, em linha reta.

 

A travessia em Kalewa teve para os contingentes britânicos um duplo significado: um, puramente militar, estratégico, materializando o avanço de suas forças; outro, tão importante como o primeiro, de caráter simbólico, de "revanche", pois, nesse mesmo ponto, dois anos e meio antes, o Tenente-General Slim batera em retirada da Birmânia conduzindo suas tropas.

 

No ar, simultaneamente, as formações aliadas (superfortalezas principalmente) efetuavam viagens de ida e volta, de 2.250 km, para atacar os depósitos de abastecimentos e campos de treinamento situados nos arredores de Rangun, no intento de evitar a remessa de reforços aos contingentes japoneses empenhados na luta.

 

No campo aliado, enquanto isso, os efetivos lançados à luta se limitavam aos integrantes do 14o  Exército. Seus homens, em lento porém permanente avanço, convergiam sobre os planaltos que se estendiam ao norte de Mandalay, no coração da Birmânia. Receberam, nesse instante, o auxílio inestimável de uma nova formação, a 36a Divisão, sob o comando do Tenente-General Sultan, que avançou pelo norte, em rápido rompimento. Sultan substituía o General Stilwell, chamado aos Estados Unidos pelo comando superior dos exércitos americanos.

 

As duas forças (14o Exército britânico e 36a Divisão), avançando de oeste e do norte, convergiram no dia 16 de dezembro, unindo seus contingentes e unificando os seus objetivos. Imediatamente, os exércitos aliados continuaram sua marcha rumo ao sul, enquanto no leste, na fronteira da Birmânia com a China, ocorria um fato que significava mais um duro golpe para os japoneses. Avançando de leste para oeste, a Força Expedicionária chinesa completou a terceira frente do cerco.

 

Abrindo caminho através da encarniçada resistência japonesa, os contingentes da Força Expedicionária conseguiram unir-se com as forças de Slim e da 36a Divisão, agrupando, dessa forma, uma extraordinária massa de tropas. As primeiras conseqüências não se fizeram esperar. A 27 de janeiro de 1945, a rota Índia - China, via Birmânia, ficou novamente aberta ao trânsito aliado. Todo o norte da Birmânia fôra perdido pelos japoneses. O fim, inevitável, estava próximo.

 

No dia seguinte, 28 de janeiro, o primeiro comboio avançou rumo à China. Lord Mountbatten, comandante aliado, enviou, no mesmo dia, uma mensagem ao Presidente Roosevelt e ao Primeiro-Ministro Churchill. Seu texto dizia: "A primeira parte das ordens que recebi em Quebec foi cumprida. A rota terrestre para a China está aberta".

 

A caminho de Mandalay

 

O avanço do 14° Exército britânico, liderado pela 19a Divisão hindu, prosseguiu sua marcha forçada. O terreno, sinuoso e abrupto, e a desesperada resistência dos redutos japoneses, que tinham que ser cercados e, praticamente, pulverizados, para se poder continuar a marcha, não impediram que as forças do Tenente-General Slim mantivessem um ritmo acelerado.

 

Os japoneses, entrementes, sempre em retirada, decidiram organizar uma linha defensiva. E cruzaram o rio Irrauadi, entrincheirando-se na margem oposta. A manobra, realizada com precisão, permitiu que eles ocupassem novas e melhores posições.

 

O Tenente-General Slim, a esta altura dos acontecimentos, encontrava-se em uma situação que, sem ser grave, suscitava indiscutíveis problemas de natureza estratégica. Os contingentes japoneses, calculados em umas cinco divisões, eram ligeiramente superiores aos seus. Além disso, na China, o Marechal Chiang Kai-shek havia detido o avanço para o sul das suas próprias divisões. Por outro lado, o General Kimura concentrara suas tropas atrás da formidável barreira natural que o rio Irrauadi constituía, com três quilômetros de largura. Somente o esmagador poderio aéreo aliado inclinava favoravelmente a balança para Slim, embora sem garantir o êxito das operações futuras.

 

O tenente-general britânico, para elaborar seu plano operacional, decidiu recorrer a um estratagema. Atacaria os japoneses em Mandalay pelo setor menos defendido e mais improvável: pela retaguarda. Esse ataque ocorreria a uns 160 km ao sul da cidade. Dali, também, se lançaria sobre Meiktila, núcleo de comunicações de importância vital para as operações que se desenvolveriam posteriormente no sul da Birmânia.

 

O plano da Tenente-General Slim, de grande audácia, enfrentava o problema do envio dos seus contingentes para o sul, através de muitos quilômetros de mata fechada. Conseqüentemente, a fim de acelerar ao máximo os movimentos de suas unidades, Slim decidiu empregar a via mais rápida: o rio.

 

O curso de água escolhido, o Chindwin, seria navegado por uma "frota" construída, pelos seus próprios homens, empregando as árvores da região. Dezenas de balsas, então, munidas de motores fora da bordo, foram apressadamente construídas. Além disso, "fabricaram-se" duas rudimentares canhoneiras, armadas com canhões Bofords e Oerlikon. De acordo com as palavras do Tenente-General Slim, "foi a única vez que o exército fabricou naves para a Armada Real".

 

A agitação das forças de Slim devia ser disfarçada de alguma maneira. O deslocamento das massas de efetivos e o impressionante ritmo de construções que se cumpria às margens do Chindwin teriam que ser, indiscutivelmente, dissimuladas diante do inimigo. Assim, ao norte de Mandalay, os exércitos aliados montaram um QG com todos os seus efetivos, incluindo uma central de comunicações que recebia e enviava, constantemente, mensagens falsas que eram, inevitavelmente, captadas pelas estações "de escuta" dos japoneses.

 

O golpe, afinal, deu o resultado positivo esperado. Os japoneses, baseados nas informações de seus agentes e na observação direta, acreditaram, efetivamente, estar em véspera de um grande ataque aliado, que partiria do norte de Mandalay tendo por objetivo a importante cidade birmanesa.

 

A distribuição das forças do General Slim para a batalha era a seguinte: duas de suas divisões, a 19a e a 20a, se lançariam sobre Mandalay do norte e do oeste; uma terceira divisão, a 7a, cairia sobre Meiktila, duas divisões mais, a 5a e a 17a hindu, deveriam cair sobre a retaguarda japonesa, de surpresa.

 

O ataque

 

No dia 19 de fevereiro começou a batalha.

 

Pelo norte de Mandalay, a 19a Divisão hindu irrompeu em direção ao sul, acometendo as linhas japonesas com a característica impetuosidade das tropas coloniais britânicas. Os japoneses, firmando-se em seus redutos, defenderam ferozmente suas posições. Desencadeou-se, incontinenti, uma encarniçada batalha, onde nenhuma das duas facções deu nem pediu quartel. A 19a, chamada "Adaga", por causa da sua insígnia, sob o comando do Major-General "Pete" Rees, apesar da dura prova a que estava sendo submetida, rendeu o que dela se esperava. E lenta, mas firmemente, avançou rumo cidade.

 

No dia 7 de março de 1945, os contingentes de Rees golpeavam já os arredores de Mandalay. Os japoneses, recuando para a cidade, combatiam furiosamente, tentando frear o avanço aliado. Unidades japonesas dispersas, desprovidas de abastecimentos e, em muitos casos, sem oficiais, mantinham suas posições, bravamente, combatendo até ao último homem. A luta, extremamente sangrenta, alcançou planos de grande dramaticidade. Uma interminável sucessão de combates corpo o corpo, nos quais a arma principal era a baioneta e o punhal de campanha, caracterizou a campanha prévia à ocupação de Mandalay. Os japoneses, na verdade, defendiam denodadamente o que constituía uma de suas mais brilhantes conquistas e, além disso, a chave que abriria o caminho para o sul, para Rangun. A esta altura dos acontecimentos, a armadilha começou a se fechar, como estava previsto. Abrindo caminho, chegavam os efetivos da 20a Divisão avançando em marcha forçada e esmagando a resistência de forças japonesas isoladas.

 

Quando os combatentes da 20a Divisão, após duríssima luta, estabeleceram contato com os homens da "Adaga" (19a, comandada por Rees), Mandalay já estava nas mãos dos britânicos.

 

O coração da Birmânia, a chave que abria as rotas para o sul, a porta da estrada para Rangun, caíra nas mãos aliadas. O império japonês começava a desmoronar. O sabor da derrota amargava o sono dos soldados do Sol Nascente.

 

Simultaneamente, ao sul de Mandalay, a uns 180 km aproximadamente, se desenrolava o segundo ato do drama protagonizado pelas forças japonesas. Com efeito, a 20 de fevereiro, os blindados da 17a avançaram tão rapidamente como a resistência japonesa permitiu, tão encarniçada ali, como nas demais frentes, e tomaram, após dura luta, os aeródromos de Meiktila. Os homens da 17a Divisão haviam coberto 135 km de percurso, lutando, entrincheirando-se, atacando, retrocedendo e voltando a atacar, em 85 horas.

 

A esta altura, as forças japonesas destacadas na Birmânia, estavam divididas. A armadilha resultara eficiente. Os contingentes japoneses, cortados por uma gigantesca ponta-de-lança aliada, se debatiam agora em duas frentes, isolados e desprovidos de abastecimentos. Eram sustentados apenas pelo seu incrível espírito de luta.

 

E a tenacidade dos japoneses voltou a demonstrar-se em toda a sua dimensão, pouco tempo depois. Comandados pelo Major-General Kasuya; os combatentes japoneses se lançaram ao contra-ataque, com a finalidade de reconquistar os aeródromos de Meiktila. As pistas, de vital importância para o desenrolar da campanha, teriam que ser retomadas a qualquer custo, impedindo assim o seu imediato emprego por parte dos bombardeiros aliados de longo alcance e dos transportes, principalmente.

 

Nessa luta, os japoneses lançaram todos os homens capazes de empunhar uma arma. As tropas dos diversos serviços, cozinheiros, choferes, radiotelegrafistas e enfermeiros foram armadas e enviadas à primeira linha. Os feridos, até mesmo gravemente, mas que podiam manter-se de pé e disparar uma arma, foram conduzidos aos redutos e se dispuseram a morrer combatendo.

 

Contudo, os soldados aliados responderam com a mesma impetuosidade e com igual bravura. A infantaria britânica e hindu, à baioneta calada, atacou várias vezes, incansavelmente, até exterminar os contra-atacantes japoneses. Não houve prisioneiros nem feridos japoneses. Todos os homens, sem nenhuma exceção, morreram na luta.

 

A resistência japonesa, no entanto, prosseguiu, materializado pela artilharia que começou a bombardear, a distância, as pistas de aterrissagem, a fim de impedir o tráfego dos aviões aliados. Estes, apesar do intenso fogo inimigo, se mantiveram em vôo, erguendo uma verdadeira ponte aérea, que levou à frente de batalha homens, armas, munições e abastecimentos.

 

Finalmente, a chegada ao local dos efetivos da 5a Divisão, encerrou a luta. Nessas circunstâncias, os focos de resistência, diminuindo minuto a minuto, foram-se extinguindo. Com o último deles, desapareceu o último japonês em condições de disparar um fuzil .

 

É bom destacar que o triunfo das armas aliadas foi possível graças ao esforço dos homens das forças aéreas. Sem a sua ajuda inestimável, dificilmente os exércitos de terra teriam podido enfrentar e fazer retroceder as divisões japonesas. E muito menos vencê-las.

 

Combatendo nos "chaungs"

 

A Birmânia oferece o aspecto de um gigantesco losango, com quatro lados perfeitamente definidos. Após a captura de Mandalay, localizada em sua parte média, mais da metade superior do "losango" ficava nas mãos aliadas. Restava ainda o extremo sul, limitado a oeste pelo oceano Índico e a leste com o território da Tailândia. O setor oeste, que compreendia o chamado Aracan, tinha para os Aliados grande importância, pela existência, ali, de aeroportos, através dos quais as forças aéreas japonesas haviam chegado a Calcutá e, principalmente, por que a região seria utilizada como ponto de apoio para conquista da cidade de Rangun.

 

O abastecimento aéreo era, de fato, fundamental para o tipo de ação que os britânicos haviam planejado. O campo onde se desenrolavam os choques com o inimigo, selvagem, abrupto, impossibilitava o transporte regular de abastecimentos por terra; a situação se agravava pelas contínuas chuvas, que convertiam os atalhos e mesmo as melhores estradas em meros lamaçais intransponíveis.

 

O tráfego aéreo, em troca, permitia movimentar constantemente uma grande massa de homens, sem depender, em nenhum momento, de veículos terrestres. O abastecimento por via aérea tornava possível que uma divisão cumprisse uma etapa de sua marcha e encontrasse, ao chegar ao local predeterminado, víveres e munições prontos para serem utilizados, além de facilitar a imediata evacuação dos feridos. Quando os exércitos aliados avançaram da Índia sobre a Birmânia, a média dos suprimentos transportados por via aérea alcançou 2.000 toneladas diárias. Em algumas ocasiões até, a carga chegou a 4.000 toneladas de víveres e munições.

 

Em março de 1945 chegou-se à cifra recorde de 78.250 toneladas de abastecimentos e 27.000 homens transportados.

 

Nessa altura, o "raio econômico máximo", isto é, o alcance máximo dos vôos dos aviões de abastecimento, matematicamente calculado, era de 400 km. Ao chegarem a Mandalay os efetivos aliados, o citado "raio" alcançara o seu limite máximo. Para abastecer os exércitos em marcha, seria, portanto, necessário tomar Aracan e seus aeroportos.

 

As forças disponíveis designadas para a campanha eram as seguintes: o 15o Corpo, comandado pelo Tenente-General Christisson, que compreendia quatro divisões, mais a 22a Brigada e uma brigada de tanques. Apoiando essas forças atuaria o 224o Grupo do RAF. Uma força naval, denominada "W", operaria apoiando a mesma operação, sob o comando do Contra-Almirante Martin.

 

As forças de Christisson, concentradas desde fins de 1944 no extremo norte da costa, junto à fronteira da Índia, puseram-se em movimento no dia 14 de dezembro. Os batalhões japoneses, um a um, saíram ao encontro dos atacantes, no esforço de detê-los. O sacrifício porém resultou inútil. Os contingentes aliados continuaram o avanço, esmagando a resistência inimiga. Voltou a repetir-se aqui o que ocorrera em Mandalay. Grupos de combatentes japoneses, quase desprovidos de armas e munições, lutaram até ao último homem, no supremo intento de impedir uma penetração que se tornara irresistível.

 

O porto de Akiab foi o primeiro objetivo importante que se ofereceu aos homens de Christisson. O chefe aliado recebeu ordem de atacar a ilha onde se achava o porto e invadi-la por meio de um desembarque. Preparando-se para enfrentar e vencer a dura luta que sabiam que os japoneses ofereceriam, os soldados aliados se acercaram da ilha a bordo de um "ferry-boat". Contudo, ao aportarem, uma surpresa os esperava. As defesas estavam abandonadas e nem um só japonês saiu ao seu encontro.

 

O Exército do Sol Nascente começava a pôr em prática manobras que jamais havia empregado: a retirada sem combater, praticamente a fuga, diante dos contingentes inimigos.

 

E ficou, então, garantido o primeiro aeroporto para a aviação aliada. Era 3 de fevereiro de 1945. Incontinenti, os efetivos de Christisson se deslocaram para o leste, no intento de cortar a retirada aos japoneses que retrocediam para o sul, ao longo da costa.

 

As forças terrestres aliadas foram apoiados por aviões Thunderbolt e Beaufighter e pelos canhões das barcaças armadas ("Narbada" e "Jumma") que hostilizaram, com suas metralhadoras e canhões, as formações japonesas em retirada. Os contingentes aliados, liderados pela 3a Brigada de comando, saíram ao encalço dos japoneses, sendo obrigadas, porém, a diminuir o ritmo da marcha ao encontrar grandes campos minados e séria resistência inimiga, apoiada por intenso fogo de metralhadoras e canhões de 75 mm. Além disso, também conspirava contra a rapidez e eficiência do avanço a topografia do terreno, constituída por uma emaranhado rede de "chaungs", canais naturais de diversas dimensões e profundidades, que variavam desde minúsculas fossas de águas estagnadas a rápidos riachos de traiçoeiras correntezas. Os "chaungs" haviam sido previamente explorados por destacamentos especiais. Os homens que os integravam, tripulando pequenos barcos de fundo chato, internaram-se no coração da região durante a noite ou na névoa da madrugada, medindo profundidades e marcando com pequenas bóias os canais transitáveis. Foram assim avaliadas as possibilidades que teriam os combatentes lutando nos arrozais inundados. O problema principal para a exploração e posterior penetração dos "chaungs", consistia na presença de minas e de franco-atiradores. Estes, mais que as minas, constituíam verdadeiras arapucas vivas, que podiam agir quase impunemente, dada a agreste conformação da zona e o falta de proteção que os canais ofereciam aos exploradores.

 

O subseqüente avanço dos combatentes aliados efetuou-se com uma adequada cobertura de fogo, proporcionada pelos canhões montados nas lanchas que acompanhavam as tropas. Antecipando-se ao desembarque, as pequenas peças batiam a região; logo após, os britânicos se lançavam ao assalto.

 

Mesmo assim, os japoneses resistiram duramente aos ataques, arremetendo em furiosas investidas suicidas. Em um dos povoados costeiros, Kankaw, japoneses e britânicos travaram uma das batalhas mais ferozes da campanha da Birmânia. Os japoneses perderam ali, aproximadamente, 2.000 homens; o sacrifício, porém, não foi em vão, pois as unidades restantes conseguiram continuar a retirada em direção ao sul. Christisson, numa nova manobra, ordenou um desembarque que se realizaria mais ao sul, efetuando um rodeio pelo mar que cortaria a saída às fugitivas forças japonesas. O desembarque e o ataque logo a seguir, no entanto, não paralisou a retirada do inimigo, embora lhe tenha infringido novas e consideráveis perdas que debilitaram ainda mais seu já escasso poder combativo. Pode-se admitir que este episódio marcou o começo do fim do poderio do exército japonês em Aracan.

 

Cu1mina a luta

 

Paralelamente aos acontecimentos descritos, uma força naval foi preparada para desembarcar na Ilha de Ramree, situada na parte média da costa da Birmânia. O lugar tinha para os Aliados grande importância estratégica, pela possibilidade potencial de ali instalar novos e melhores aeródromos.

 

A operação contra Ramree foi confiada às forças da 26a Divisão hindu. Vários navios de guerra (cruzador "Phoebe", destróieres "Napier", "Pathfinder" e "Rapid" e as barcaças "Kistra" e "Flamingo") apoiariam a operação com seus canhões. No dia 21 de janeiro de 1945, às 9h30m, os soldados hindus desembarcaram na ilha, depois dos barcos de guerra terem descarregado suas baterias sobre as defesas japonesas. As primeiras linhas de resistência foram rapidamente vencidas. No entanto, ao internarem-se na ilha, as unidades britânicas depararam com uma série de defesas que se opuseram ao avanço. Os canhões da frota voltaram a martelar intensamente as posições japonesas; os hindus, por sua vez, lançaram-se ao assalto vários vezes. Os japoneses, porém, se aferraram às suas posições e mantiveram, firmemente, as linhas.

 

Os comandos britânicos, então, decidiram realizar um novo desembarque, na costa oposta, encurralando os japoneses entre dois fogos. Isso foi o fim da defesa japonesa. Apanhados numa verdadeira prensa que se apertava lentamente sobre eles, os japoneses se dispersaram e mantiveram a resistência em pequenos grupos isolados. Afinal, o fogo cessou em toda Ramree. Dos 1.000 homens que defendiam a ilha, somente 20 foram feitos prisioneiros. Os demais estavam mortos ou feridos. Enquanto isso, no continente, as unidades japonesas se debatiam na zona costeira, pantanosa e cruzada por centenas de pequenos riachos. Os britânicos os cercavam e acossavam o tempo todo. Os barcos de grande calado começaram a descarregar suas baterias sobre a região, enquanto as pequenas barcaças e chalupas armadas, nos períodos em que os destróieres silenciavam o seu fogo, internavam-se e metralhavam a selva.

 

Assim, lenta, porém firmemente, os soldados japoneses foram obrigados a embrenhar-se mais e mais nos pântanos. Do ar, simultaneamente, os aviões da RAF metralhavam sem descanso os bandos dos fugitivos. Os japoneses, afinal, se afundaram na massa indescritível dos pântanos, constituindo presa fácil dos jacarés que infestavam a região.

 

Nesse momento, um médico do serviço de saúde japonês conseguiu acercar-se das linhas britânicas e se ofereceu como parlamentar, numa desesperada tentativa de acabar com a matança. Sua proposta foi aceita, forneceram-lhe uma lancha armada, seguida por dois lanchões vazios, destinados o recolher os japoneses que se entregassem. Com sua singular flotilha, o médico japonês percorreu os canais durante o dia inteiro, chamando os seus camaradas. Ao anoitecer, nenhum japonês se havia entregue. A matança, então, continuou. A 22 de fevereiro, a zona costeira começou a ficar limpa de inimigos. Puderam então ser efetuados novos desembarques e estabelecidas novas cabeças-de-ponte.

 

Nessa ocasião, a construção dos aeródromos já começara em ritmo acelerado e principiava a integração de uma poderosa força terrestre, naval e aérea, que se lançaria sobre o último reduto japonês na Birmânia. A guerra nos "chaungs" exigira dos britânicos bravura, destreza e espírito de sacrifício. Havia sido necessário, também, tomar a máxima cautela com o material; era imprescindível o calafetamento constante das naves de todo o tamanho e tonelagem, e os veículos blindados exigiam uma permanente atenção, dadas as condições do terreno onde operavam.

 

As tropas britânicas lutaram com coragem e rapidez, contando com forte apoio aéreo. Os japoneses por seu turno, igualaram os ingleses em bravura, porém seus suprimentos eram praticamente nulos e seu apoio aéreo inexistente. As tropas estavam exaustas. Somente uma coragem quase mística permitiu que elas resistissem como o fizeram.

 

A finalidade britânica ao lançar o campanha em Aracan fôra alcançada. Os aeródromos de Akiab e Ramree estavam nas suas mãos. Agora faltava utilizá-los convenientemente para atacar o principal foco inimigo, no sul.

 

Objetivo: Rangun

 

Os britânicos, na sua marcha irresistível rumo à meta já próxima, enfrentavam também outro inimigo que não lhes dava guarida: o Tempo. Em meados de maio, se desencadearia a monção, e com ela as terríveis tormentas que impediriam os movimentos da aviação e impossibilitariam o abastecimento normal dos exércitos em marcha. Era necessário, pois, elaborar urgentemente os planos e levá-los à prática numa corrida contra o tempo. Deviam ser construídas pistas de aterrissagem, transportar e armazenar provisões, armas e munições, reorganizar as unidades e criar outros, treinar convenientemente os homens, e, finalmente, iniciar a marcha. E tudo devia ser feito sem a perda de um só dia. Mais até cada minuto que passava marcava a aproximação da monção e com ela o fracasso da campanha.

 

Rangun poderia ser conquistado a tempo? Essa eroa a grande interrogação que se propunha aos comandos aliados. Nessa época, teriam menos de dois meses de prazo. A partir de 15 de maio começariam as chuvas.

 

No planalto de Mandalay, Slim havia encerrado a sua batalha de destruição. Suas ordens, agora, determinavam o avanço sobre Rangun, a todo o custo e o toda velocidade. Na mesa de trabalho instalado em sua tenda se estendia um grande mapa do sul do Birmânia. Um ponto aparecia cercado por um círculo vermelho. Junto ao mapa, em uma folha de papel, escrita com mão nervosa, uma breve descrição do plano de combate. Um título encabeçava a folha. Nele aparecia o mesmo nome que, mais abaixo, estava assinalado em vermelho. Dizia, simplesmente: "Objetivo: Rangun".

 

No setor central da Birmânia prosseguia o avanço das forças de Slim. Nessa manobra, elementos esparsos do exército japonês ficaram para trás, sem representar grande perigo para as forças britânicas. Esses japoneses, privados de abastecimentos, e, raramente, acompanhados de oficiais (em muitos casos, eram simplesmente grupos dispersos de combatentes que lutavam para salvar suas vidas, temendo ser mortos se se entregassem) não estavam mais em condições de deter a marcha das forças britânicas; o mais que podiam fazer era fustigá-los em ações isoladas, de escassa importância.

 

Por outro lodo, as linhas de suprimentos das unidades britânicas encontravam-se fora do alcance dos japoneses, pois os víveres, armas e munições chegavam às posições avançadas por meio de aviões, que os lançavam de pára-quedas, ou por via marítima.

 

A aviação, principalmente, constituíra um escalão vital na campanha. Sua colaboração, prestada em todos os terrenos, permitira a marcha do exército aliado e o seu triunfo.

 

Birmânia e o ar

 

Em setembro de 1944 o Comando Aéreo Oriental contava com cerca de 900 aviões, cifra que, em dezembro, subiu para quase 1.500. Os aparelhos eram operados e cuidados por um total de 100 a 150.000 homens, entre mecânicos, pilotos e pessoal subalterno. Contrastando com a cifra de aviões citada, os japoneses tinham em operações perto de 160 aviões em outubro, e 300 em dezembro.

 

O Império do Sol Nascente já havia perdido o controle do ar na Birmânia e jamais o recobraria. Na verdade, obrigadas a realizar ingentes esforços na China e no Pacífico, as forças aéreas japonesas destacadas no sudoeste da Ásia eram impotentes para sustentar o ritmo de luta imposto pela aviação aliada.

 

As iniciativas tomadas pelo Comando Aéreo Oriental garantiram, a todo o momento, a sustentação da superioridade aérea aliada. Após estabelecer suas unidades em bases avançadas, foram distribuídas zonas perfeitamente delimitadas, nas quais a aviação inimiga teria que ser mantida sob o mais rigoroso controle. Uma rede de rádio, especialmente montada para tal fim, conjugava as bases entre si e garantia uma informação instantânea. Os serviços de informações, por sua vez, comunicavam os movimentos dos aviões japoneses e suas possíveis escalas em aeródromos. Incontinenti, a rede se punha de prontidão e os aparelhos aliados mais próximos tomavam a si a tarefa de atacar o campo inimigo, no instante em que os aviões adversários estivessem prestes a aterrissar, ou se encontrassem em pleno abastecimento. O plano, coordenando todos os aeródromos possivelmente empregados, reduzia ao mínimo as chances da aviação japonesa, que se via atacada no momento em que era mais vulnerável. O método, finalmente, resultou tão eficiente que, no final de 1944, a aviação aliada era senhora dos céus e o adversário não tinha condições de lançar nenhuma ofensiva aérea de importância.

A Diretiva Operacional n° 14, datada de 19 de setembro de 1944, cumulou a Força Aérea Estratégica de uma responsabilidade especial em relação a todos os alvos situados ao sul do paralelo 22 (cuja linha ideal cortava praticamente a Birmânia em duas partes iguais).

 

A Diretiva n° 16, de 18 de outubro de 1944, determinava a execução dos seguintes pontos: minar os portos em poder do inimigo, destruição de vasos de guerra e mercantes e destruição das comunicações internas da Birmânia e das que conduzissem a esse território. Além disso, foram ordenados ataques a locomotivas, material rodante, instalações da força aérea, portos e instalações de estaleiros, depósitos e armazéns militares e centros administrativos japoneses.

 

A possibilidade das operações de espalhar minas já havia sido comprovada. A 12 de setembro de 1944, o rio Pakchan fôra intensamente minado e os transportes efetuados através dele sofreram grande desorganização. Posteriormente, realizaram-se operações semelhantes muito proveitosas, no Bancoc, no Penang, por quinze aparelhos Liberator, cada um dos quais lançou quatro minas de 450 quilos cada uma. Os aviões, neste caso, cobriram uma distância de quase 5.000 km, ida e volta, sem sofrer inconveniente algum.

 

No princípio de outubro de 1944, as atividades contra a navegação foram aceleradas por uma série de incursões de peso dirigidas contra os portos e diques de Moulmein. Em novembro, apesar da redução de cerca de 50% das operações, para dar lugar ao adestramento especial de vôo em formação, navegação, artilharia e reconhecimento de aviões, a Força Aérea Estratégica realizou 697 saídas e lançou mais de 1.000 toneladas de bombas. A 3 de novembro, aparelhos B-24 destruíram em vôos de longa distância a ponte Ban Dara, e, na noite seguinte, aviões Liberator atacaram com êxito os estabelecimentos Makqsan, de Bancoc, e os de Insein, em Rangun. Nos dois pontos, os bombardeiros deixaram seus alvos envoltos em chamas. À medida que o tempo avançou, os ataques contra túneis, pontes e instalações e equipamentos ferroviários prosseguiram. A 15 de novembro, quinze aparelhos Liberator bombardearam o litoral marítimo de Mergui e, três dias mais tarde, a represa de Martaban. A 22 de novembro, o porto de Koo Huakang, que os japoneses haviam construído ao norte de Ponta Vitória, foi destruído. Os ataques contra objetivos semelhantes se repetiram nos dias 26, 28 e 29 de novembro. Ao finalizar o mês, a Força Aérea Estratégica havia lançado um total de 3.078 toneladas de bombas, no curso de 1.513 saídas realizadas nos seis meses anteriores. Em dezembro, após aumentar e consolidar o potencial operativo, e depois de um período de treinamento, os bombardeiros pesados se lançaram a uma violenta campanha contra as linhas inimigas. Entre 1o de dezembro de 1944 e 30 de abril de 1945; a força aérea efetuou 4.500 saídas e lançou 13.000 toneladas de bombas.

 

As perdas sofridas pela Força Aérea Estratégica, foram, comparativamente, bastante reduzidas. Durante os cinco primeiros meses de 1944, de fato, haviam-se perdido oito bombardeiros pesados e quatorze leves. Entre junho e novembro de 1944, os ingleses sofreram a perda de dezesseis aparelhos e os americanos, quatro. Entre dezembro de 1944 e fins de abril de 1945, ingleses e americanos perderam quatorze, e sete bombardeiros, respectivamente.

 

Os efeitos dos bombardeios, porém, compensaram fartamente as perdas dos Aliados. A escassez de locomotivas no campo japonês provocou uma drástica redução das comunicações. A conseqüência não se fez esperar: destacamentos japoneses e mesmo unidades maiores pereceram de inanição, em plena mata, por não receber abastecimentos. Outras forças tiveram que recuar, apesar de possuir amplas possibilidades operacionais, por carência de munições. Centenas e centenas de feridos, também, pereceram por falta de cuidado e pela impossibilidade de transferência para a retaguarda. As linhas japonesas, em resumo, se desarticularam totalmente.

 

A importância da tarefa da força aérea fica patenteada citando-se uma frase de um relatório da época: "Os exércitos avançaram nos asas da força aérea...".

 

Além das tarefas de bombardeio e abastecimento, os aviões desempenharam outro papel, não menos importante: o da retirada dos feridos, cuja cifra elevou-se a milhares de homens, que foram resgatados na floresta.

 

Guerrilheiros na selva

 

Em princípios de 1944, agentes britânicos haviam estabelecido contato com o Major-General Aung San, de origem birmanesa, interessando-o na criação de uma força especial de resistência contra os japoneses, integrada pelos nativos do país. Em março de 1945, o chefe birmanês informou aos Aliados que estava em condições de pôr à disposição dos britânicos unidades num total de 7.000 homens armados e treinados. Mountbatten compreendeu a importância militar de tão poderoso aliado lutando na retaguarda do inimigo e, incontinenti, enviou oficiais do seu exército, que atuaram como agentes de ligação e coordenação. Após unificar os planos, os homens de San caíram sobre as posições dos japoneses, desarticulando comunicações e fustigando as unidades regulares. Os planos aliados, apesar de serem cumpridos sem grandes alterações, viam-se, todavia, ameaçados pela monção. Mais ainda, sua chegada podia frustrar os objetivos de Mountbatten e até fazer fracassar a campanha, desperdiçando meses de luta vitoriosa.

 

Apesar do 14o Exército ter avançado 1.300 km desde que as batalhas de Kohima e Imphall destroçaram a base do exército japonês, as chuvas ainda podiam salvar Rangun do desastre. Mountbatten não se atrevia a correr o risco de deixar suas tropas diante de Rangun e, portanto, decidiu toma-la de assalto.

 

O ataque foi combinado com Power, comandante-chefe da frota do leste da Índia, Leese, comandante-chefe do 11o Corpo de exército, e Park, chefe do ar, no sudeste da Ásia.

 

O plano de operações foi preparado em dez dias, no interior de uma rudimentar tenda de campanha erguida em Akiab, mobiliada com tábuas e caixões e iluminada com uma lâmpada de azeite.

 

A operação foi denominada "de pé", pois nela interviriam forças das três armas: terra, mar e ar.

 

Após eliminar a resistência japonesa em Meiktila, o 33o Corpo atacou as fortes defesas japonesas frente aos campos de petróleo de Kyauk, poucos quilômetros ao sul de Mandalay. O 4o Corpo, por sua vez, uma formação menor em número, porém muito mais mecanizada, recebeu ordem de pressionar diretamente rumo ao sul, em direção de Rangun. O 4o Corpo deveria avançar evitando trovar combate com as unidades japonesas que oferecessem resistência isolada. Sua missão consistia em penetrar para o sul, com a maior velocidade possível; deveria lutar sim, porém somente com as formações que impedissem a passagem dos seus efetivos.

 

O primeiro obstáculo de importância que se ergueu diante dos homens do 4° Corpo foi em Pyawbe, a 30 km ao sul de Meiktila, logo após ter iniciado a marcha para o sul, para Rangun. Naquele local, os japoneses haviam coberto as passagens com uma vasta rede de campos minados e milhares de arapucas "para bobos". Numa segunda posição, canhões antitanque cobriam as veredas. Os Aliados, porém, seguiram em frente e se prepararam para o choque. Quando este se produziu, foi extremamente sangrento. A força aliada, como um rolo compressor, avançou com toda a sua potência; os japoneses, combatendo com sua, característica impetuosidade, lutaram com denodo, sacrificando-se ante o maior poder do inimigo. Na manhã seguinte ao choque, 10 de abril, os resultados do curto e violentíssimo encontro evidenciavam-se no local da luta: 1.100 japoneses mortos.

 

O 4o Corpo, sem diminuir sua marcha seguiu em frente, a toda velocidade. À frente iam os tanques e os carros blindados da 254a Brigada; seguindo-os, marchavam a 5a  e a 17a Divisões.

 

Como dado curioso, salientamos que, entre o grupo de blindados, avançava um velho tanque Stuart que pertencera ao 7o Regimento de Hussares; nos dias da retirada da Birmânia. Batizado com o nome de "A Maldição do Escócia", o veterano Stuart era agora o tanque de comando do 7o Regimento de cavalaria leve. Outros componentes da 254a Brigada eram o 3o Batalhão de carabineiros, os batalhões de granadeiros de Bombay 3° e 4o, o 150o Regimento do Corpo da Artilharia Real e o 11o Esquadrão de cavalaria (carros blindados). Todos os blindados viajaram ao longo de 1.500 km sem sofrer nenhum inconveniente mecânico. As peças sobressalentes para os motores dos tanques foram trazidas por via aérea, e a brigada terminou sua marcha com o mesmo número de tanques com que a havia iniciado.

 

Os três regimentos de carros blindados que acompanhavam o avanço, por sua vez, mantiveram de 85 a 98% dos seus veículos em marcha durante o tempo todo.

 

 

Anexo

 

"Fort White"

O vale de Kabaw é o mais insalubre de toda a Birmânia. Entretanto visto de "Fort White" (Forte Branco), a praça-forte do Kennedy Peak, a 2.600 metros de altura, possuía um encanto todo especial. O Forte Branco é circundado por tênue véu branco, que dá ao conjunto o aspeto de uma montanha desprendendo fumaça. Alguém apelidou-o "a Grande Chaminé".

Mas, nos dias da guerra, as alturas eram ninhos de aves de rapinas, e o gelo branco, mortalha infinita. Os artilheiros britânicos tinham que assestar seus canhões quase perpendicularmente ao solo para poder atacar seus rivais japoneses. Neste lugar, os aviões desempenhavam papel fundamental no aprovisionamento. Os japoneses se aferravam às tocas, e os soldados africanos, que avançavam penosamente pelas bordas dos penhascos, tiveram de pedir auxílio aéreo.

Quatro esquadrões de bombardeiros Mitchells e Hurricanes atacaram em pontos-chaves. Pela outra encosta da montanha avançavam as tropas hindus, porém nem eles nem os africanos se preocupavam com essa proximidade circunstancial. Pensavam, antes, na maneira de terminar tudo, de uma vez, e salvarem-se. Finalmente a fortaleza foi tomada de assalto, enquanto os componentes do "Royal West Kent" e "West Yorks" (algo assim como "irmãos do oeste") atacavam os defensores que fugiam.

Em determinado momento, um soldado africano que rondava a margem do rio procurando fugitivos japoneses encontrou com um hindu que estava fazendo o mesmo. Os soldados apertaram as mãos: a divisão dos africanos do este encontrara-se com a 5a hindu.

 

 

A queda de Tiddim

Postados no alto da "Escada de Chocolate" a guarnição japonesa observou ao longe, no caminho, "como uma fita amarela entre colinas azuis", a chegada da coluna britânica. Estavam entrincheirados tanto ao pé como no alto da montanha.

A "Escada de Chocolate" era assim chamada pelos degraus marrom-escuro que sobressaíam da mata avermelhada. Este caminho levava a Tiddim, uma cidade em ruínas, arrasada duas vezes durante a guerra, construída em uma montanha coberta de pinheiros, a 1.200 metros de altitude. A estrada foi construída em 1942, com a finalidade de manter uma linha de abastecimento para as tropas britânicas.

A forma de construção foi bem primitiva: utilizaram o famoso "bulldozer chinês", ou seja, um tablado de madeira sobre uma espécie de trenó, sobre o qual sentavam-se uma multidão de trabalhadores chineses para fazer peso. Nenhum trecho da estrada tem mais de 50 metros de largura e sobe 600 m em 6,5 km. Tomar Tiddim não foi tarefa fácil. Patrulhas do regimento "Adaga" cruzaram o rio durante a noite, localizaram os postos japoneses e abriram fogo contra eles à medida que a massa da infantaria britânica instalou sua frente na margem sul. Em seguida, tropas hindus com artilharia de montanha, apareceram de súbito no terreno ascendente, atrás de Tiddim. Porém, a surpresa final foram os tanques do 3o Regimento de carabineiros que surgiram entre as nuvens que envolviam a crista. Haviam avançado ao longo das bordas da montanha com metade de suas lagartas pendentes no vazio.

Enquanto isso, os bombardeiros Hurricanes acobertavam o ataque da infantaria. Terminada a luta, os soldados constataram que haviam lutado arduamente para ocupar um montão de ruínas a 1.200 metros de altura. Ergueram os olhos e viram Kennedy Peak e a praça-forte de Fort White.

Lá no alto também havia japoneses que era necessário derrotar para poder chegar a Mandalay, a Cidade dos Reis.

 

 

Um dia na vida de Homury

"Faz cinco meses que, sob as ordens do General Kimura, avançamos em direção à Índia. Nossas tropas tinham o moral elevado, apesar de que, em determinados momentos, alguns soldados e nós mesmos, os oficiais, nos perguntávamos: como irá terminar tudo isto? Kimura é um bom general. A princípio as coisas foram bem. Na realidade, quase não podia ser de outro modo; a nossa luta não é uma luta comum: é algo assim como o cumprimento de um mandado divino. Quando Kimura ordena avançar, não o faz por ele mesmo, mas sim como executor do desejo do Imperador. Mas, mesmo assim, as coisas não vão bem...

Nossos soldados têm fome, nossos soldados têm sede, nossos soldados morrem e são devorados pelas formigas brancas, ou pelos vermes, ou pelas moscas. Nisto, somos iguais aos outros soldados: como os britânicos, os hindus ou os africanos. Há quem diga que o Japão nunca deveria ter se metido numa guerra assim, mas, ao mesmo tempo, se entramos é porque esta, em última instância, é a vontade do Imperador, e ele é o filho celestial.

A princípio, como eu disse, as coisas correram bem. Fizemos em pouco tempo um avanço arrasador. Os ingleses e seus soldados das colônias não podiam deter-nos. Avançamos tanto quanto podiam andar os nossos pés. Na realidade, talvez seja esta uma de nossas maiores estratégias: atacar e ocupar a maior parte de terreno possível para utilizá-lo contra o inimigo. Acontece que nosso país é pequeno, apenas umas ilhas. E quando o país é tão pequeno, suas possibilidades consistem, em parte, em conquistar novas áreas; esta é uma maneira de ampliar o próprio país. Mas também é certo que um país muito pequeno não pode defender convenientemente uma área extensa por muito tempo, e este é um de nossos problemas. É extraordinário que tenhamos chegado à Índia, que tenhamos posto em fuga a esquadra inglesa e, inclusive, que destruíssemos boa parte da esquadra americana em Pearl Harbor, mas isto já se passou há muito tempo e, como dizia, nosso país é muito pequeno.

Nossas ilhas estão superpovoadas. Temos boa mão-de-obra, bons estaleiros e indústrias, mas não temos matérias-primas.

Este é outro problema de um país como o nosso: dependemos sempre dos maiores ainda que o sentido e o espírito do nosso trabalho sejam superiores.

Tínhamos uma boa frota, mas o mar é muito extenso, e a perdemos pouco a pouco. E o pior problema é que não temos aviões. O inimigo tem milhares deles, e cada dia fabrica mais. Eles podem permitir-se ao luxo de perdê-los em quantidade, porque os substituem imediatamente. Creio que um dos fatores fundamentais de nossa retirada é a falta de aeroplanos. Fustigam-nos continuamente, colocam regimentos inteiros em lugares onde, até um momento atrás, não havia um só soldado inimigo. Se tivéssemos aviões, isto não teria ocorrido; e mais, creio que as coisas não teriam durado tanto. Nossos soldados podem comer com a metade de vôos que são necessários para alimentar o exército inglês, porém nós não temos nem uma terça parte desses vôos.

Temos sempre a esperança de poder contra-atacar em algum momento, porém as oportunidades são cada vez menores. A cada instante temos menos soldados, menos artilharia, menos forças.

Sei que somos famosos por nossa resistência, mas isto também tem limite. De qualquer modo, ninguém poderá dizer nunca, ao menos honestamente, que não combatemos com bravura. Nossa vida importa muito pouco, porque, em última análise, somos simples instrumentos da vontade do Imperador, e a ele convém que prossigamos lutando. De qualquer modo, a fadiga e a desgraça nos fizeram diferentes das outras gerações de soldados, e muitos soldados, e nós mesmos, os oficiais, nos perguntamos cada vez com maior freqüência: como irá terminar tudo isto?

Tte. Homury"

Estes escritos foram encontrados entre montes de cartas não enviadas e outros tipos de documentação. Na realidade, não se pôde determinar se o Tenente Homury existiu, ou se simplesmente, tratava-se de um pseudônimo. Mas é uma boa amostra do pensamento de parte da nova geração japonesa que combatia nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial.

 

 

A ponte

O comandante sobrevoou num L-5 o rio. Embaixo, uma estranha frota de sampanas, embarcações fluviais antigas e modernas, ferry-boats, balsas e chalupas deslizava rapidamente sobre as águas do Chindwin.

O comandante deparou com uma visão muito semelhante a uma tarde domingueira de regatas na Inglaterra.

Aqui, porém, o objetivo era diferente: a regata corria em direção a Shwegyin a fim de cortar a retirada ao exército de Kimura.

De qualquer modo, era necessário apressar o cruzamento do rio e as embarcações não davam vazão. Foi quando os engenheiros da Companhia dos Sapadores e Mineiros de Bengala tiveram a grande idéia: construir uma ponte. A única possibilidade seria, naturalmente, uma ponte "Bailey", composta de peças pré-fabricadas, que podia ser montada em tempo relativamente curto.

A ponte flutuante sobre o rio Chindwin foi a maior construída até aquele momento. Tinha o comprimento de 330 metros. Na sua construção colaboraram, pelo menos, três continentes: Europa, América e Ásia, pois as partes foram fabricadas na Inglaterra, Estados Unidos e Índia. O projeto era britânico; as peças foram montadas em Calcutá e transportadas em barcaças através o rio Bramaputra e conduzidas de trem até a estação de Dimapur.

Uma vez ali, foram carregadas em caminhões e levadas por 480 km de caminho montanhoso até Kalewa.

Quando a ponte ficou pronta, os japoneses, em retirada, tentaram destruí-la com sua artilharia, mas sem obter resultado. Inclusive, alguns Zeros atacaram-na, porém foram abatidos.

 

 

"Colina 170"

A colina era uma cordilheira estreita e arborizada, próxima do povoado de Kangaw.

Os "comandos" desembarcaram em uma das margens do "chaung" e, para avançar, tiveram que vadear um pântano. Os japoneses perceberam sua presença, e se entrincheiraram na colina, que a partir desse momento passou a chamar-se: Colina 170.

A artilharia bombardeou a "170" durante boa parte do primeiro dia. Ao anoitecer, os "comandos" atacaram, mas foram rechaçados com muitas perdas. Não se podia precisar o número de japoneses que defendiam a colina, nem se os efeitos da artilharia eram realmente eficazes. O que era certo é que, toda a vez que os "comandos" tentavam um ataque, eram repelidos.

Finalmente, depois de um assalto contínuo que durou dois dias, os soldados britânicos ocuparam a crista da "170".

Porém os japoneses não desistiram, e, ao amanhecer do dia 31 de janeiro de 1945, lançaram-se ao contra-ataque. Houve um bombardeio prévio que, somado ao anterior da artilharia inglesa, transformou o bosque num inferno de árvores calcinadas. Subitamente, 90 sapadores japoneses munidos de explosivos investiram gritando pelo extremo norte da serra. Os "comandos" os receberam com uma chuva de balas; muitos tombaram, mas os sobreviventes abriram caminho a tiros, cutiladas e empurrões até aos tanques britânicos. Pouco depois, alguns tanques ardiam, enquanto através dos reflexos das chamas, a infantaria japonesa atacava em massa. Os "comandos", aproveitando a vantagem da altura, se lançaram ladeira abaixo disparando sem cessar. Durante todo o dia, ambos os grupos encontravam-se à distância de um tiro de granada e os mortos se misturavam. O Tenente Knowland, do Regimento Real de Norfolk, morreu quando disparava à queima-roupa um morteiro de 50 mm, apoiado em seus quadris, sobre o inimigo que avançava. No dia seguinte, contaram 340 japoneses mortos num espaço de 100 metros quadrados.

Ao anoitecer, os atacantes retiraram-se sob os mergulhos dos Thunderbolts para se entrincheirar bem perto das posições britânicas. A luta prosseguiu, até que, ao amanhecer, as tropas hindus avançaram subitamente e explodiram com granadas as tocas. Mas os japoneses se retiraram para outro complexo sistema de "buracos" onde resistiram pelo espaço de quatro semanas.

 

 

"Culli"

A Força Expedicionária chinesa encontrava-se sob o comando do veterano General Wei-Li-Huang ("o Wei das cem vitórias"), com o General Hsiao-I-Hsu como chefe do Estado-Maior. A Força Expedicionária fôra treinada por oficiais americanos na própria China, e, sob as ordens do General Wei, servira junto a Stilwell na primeira campanha da Birmânia. Na noite de 9 para 10 de maio de 1944, patrulhas e tropas de engenharia chinesas cruzaram, pela primeira vez, o rio Saluen rumo à Birmânia.

Esta era a primeira ofensiva dos chineses contra seus invasores, após sete anos de ocupação.

Na noite seguinte, 400 botes de borracha levavam 40.000 soldados chineses através do rio Saluen. A travessia não foi fácil. Os chineses chamavam o Saluen de "rio louco" pelas suas correntezas, porém, apesar de tudo, só houve uma perda: um soldado que não sabia nadar e que se afogou ao cair do bote.

Os chineses encontraram as vanguardas japonesas adormecidas, não esperando o ataque.

Ao amanhecer, os japoneses começaram o contra-ataque com morteiros e metralhadoras. Durante as noites seguintes novos contingentes chineses cruzaram o rio, estabelecendo uma pressão geral em toda a frente.

A frente do Saluen era uma das mais difíceis do mundo: era formada por elevações de 3.000 metros, completamente áridas, cobertas, durante a maior parte do ano, por neve e névoa. Trajando "shorts" cáqui e sandálias de palha, sem capas impermeáveis, e com um pedaço de cobertor para cada homem, a infantaria e a artilharia chinesas travaram uma dura batalha.

Os aviões americanos lhes deram certo apoio, mas, em momento algum pode-se dizer que foi suficiente. Por outro lado, a frente não era algo concreta ou contínua, mas um complexo sistema de pequenos grupos de resistência, a muitos metros de altura, onde valia mais o trabalho individual que o de conjunto. Essas montanhas são chamadas "Culli", que, em birmanês, significa "Força Amarga", e, possivelmente, nenhuma outra palavra define melhor o esforço dos que combateram ali.

O Marechal Wei começara no exército como soldado raso e, após combater trinta anos em várias guerras civis, alcançou o posto de comandante.

Quando o marechal, após perder 19.000 homens na "frente mais esquecida da terra", cruzou as "Culli", o caminho entre a Índia e a China, via Birmânia, ficou aberto.

Era 27 de janeiro de 1945.

 

 

Ossadas

As tropas do General Kimura retiravam-se hostilizadas pelos aparelhos da aviação aliada e pelas vanguardas da 2a Divisão do leste da África. O preço da retirada eram extensos cemitérios de restos humanos e mecânicos, mas a infantaria de Mountbatten encontrava em seu caminho mais cadáveres japoneses do que os que matava.

Passava por grandes quantidades de veículos de transporte destroçados, com esqueletos sentados ao volante. Os Carros de comando se oxidavam às margens da estrada com quatro ou cinco desses macabros passageiros. Porém, não era só nos veículos; muitos esqueletos jaziam no solo com as mãos cruzadas atrás dá cabeça como se estivessem dormindo. O espetáculo era dantesco: parecia que uma força misteriosa surpreendera os soldados japoneses, tirando-lhes a carne sem que eles houvessem percebido. Qual era o mistério?

Os britânicos não tardaram a descobrir. Os ossos, quase polidos, demonstravam a presença de um ser de voracidade inacreditável: as minúsculas mas ferozes formigas brancas.

 

 

O caminho difïcil

O regimento de Sussex cruzou penosamente o Irrauadi e hasteou a bandeira da "Union Jack" na margem oposta. Eram os primeiros a fazê-lo e naturalmente estranharam quando, pouco depois, encontraram uma maltrapilha coluna britânica avançando em sua direção. Tratava-se da "Fôrça Mars" de Sultan

A "Fôrça Mars" transpusera uma região que, praticamente, era um deserto, mais ainda, com uma série de agravantes, já que os japoneses, em sua retirada, a tornaram ainda mais selvagem.

Eles não tiveram, como os homens de Sussex, o privilégio de avançar paralelamente a uma linha férrea; seu caminhar era uma peregrinação por povoados destruídos, pagodes destroçados, veículos arruinados, material abandonado, capacetes com a pomba branca da paz japonesa oxidados, cartas sem despachar, cadáveres sem enterrar, e assim dias e dias, quilômetros e quilômetros. As cercas da estrada eram apenas símbolos de destruição e desgraça.

"Transpirando e maldizendo, o eterno soldado da infantaria abriu caminho através do barro em direção a um povoado em ruínas com uma guarnição de mortos", faria este comentário, mais tarde, um observador britânico. Durante o avanço através do vale de Hosi, o Tenente Jack L. Knight, do 124o Regimento de cavalaria, deu, segundo as palavras do seu chefe "o mais nobre exemplo de coragem e comando entre todos sob minhas ordens". Em uma colina birmanesa, os soldados de Knight depararam com um foco de casamatas japonesas e foram batidos com fogo intenso de morteiros, metralhadoras e obuses. O próprio Knight destruiu, a poder de granadas, quatro dessas casamatas. A seguir, uma granada de obus explodiu na sua cara e o cegou. Os homens caíam aos punhados porém Knight reagrupou sua tropa e a fez  avançar. Destruiu com granadas outra casamata, foi ferido uma segunda vez e tombou. No solo, caído, continuou estimulando, aos gritos, seus homens. Seu irmão adiantou    se para tomar o seu lugar à frente do grupo, porém uma  bala o matou. O Tenente Jack Knight arrastou-se, então, sobre as mãos e os joelhos, em direção à sexta casamata, quando uma descarga o eliminou definitivamente.

Depois de capturada, a colina foi batizada como "Colina Knight", por ordem do Comando Supremo.

 

 

 

 

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