A Aviação Aliada golpeia sem trégua
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No dia 27 de dezembro de 1943 o general americano Arnold, um dos
chefes da força aérea aliada na Europa, dirigiu aos comandantes gerais das 8a
e 15a forças aéreas, a seguinte mensagem: a) As fábricas de aviões dos Estados Unidos estão entregando
grandes quantidades de aviões, motores e acessórios. b) Nossos estabelecimentos de adestramento funcionam 24 horas por
dia, sete dias por semana, treinando tripulações. c) Estamos em vias de providenciar todos os aviões e tripulações
necessários para compensar os desgastes. d) É ponto pacífico que Overlord e Anvil não serão possíveis, a
menos que se destrua a força aérea alemã. e) Portanto, minha mensagem pessoal a vocês - que é uma ordem -
é: "Destruir a força aérea alemã, em qualquer lugar em que se encontre,
no ar, na terra e nas fábricas". Esta foi a mensagem de Ano Novo que o General Arnold dirigiu a
Doolittle e Twining. Na frente da Itália, os Aliados ostentavam uma nítida
superioridade aérea que se acentuava dia a dia, porém a iminência da operação
Overlord fez com que a Itália fosse considerada uma frente secundária, e que
a maioria dos recursos disponíveis fossem concentrados para garantir o êxito
da nova campanha. No começo de 1944, foi criada a força aérea aliada do
Mediterrâneo, dirigida pelo General Eaker. Este efetivo participou na primeira empreitada em grande escala
destinado a quebrar a resistência ao desembarque de Anzio. Cortou as linhas de comunicação que conduziam à zona de batalha,
amaciou defesas e, apesar da distância de suas bases, ofereceu eficaz
proteção aos desembarques. Porém as condições meteorológicas do inverno não
facilitaram, em geral, as incursões. A grosso modo, podemos dizer que as
missões fundamentais foram: a proteção da perigosa cabeça-de-praia de Anzio e
o começo dos ansiosamente esperados ataques às fábricas alemães. Algumas operações aéreas atraíram uma atenção que não coincidiu,
porém, com a sua real importância militar. Essas operações, a destruição da abadia beneditina de Monte
Cassino e a do cidade de Cassino, foram inclusive feitas contra a opinião de
homens como Eaker e Clark, e deixaram um amargo saldo, pois constituía o uso
incorreto de uma arma. Na verdade, os efeitos foram negativos, pois os
fragmentos de alvenaria e as crateras contribuíram paro demorar o já lento
avanço dos Aliados e para aumentar a eficácia dos defensores. Ao chegar a primavera, as operações cresceram em intensidade,
favorecidas pelo clima mais ameno. A necessidade de forçar a linha Gustavo
determinou o nascimento da operação "estrangulamento" que era um
ataque destinado a destruir as comunicações inimigas. Depois de muitas
discussões entre diversos pontos de vista, sobre se deviam bombardear
principalmente as pontes ou os pátios de manobras ferroviárias, decidiu-se
atacar todos os elementos do sistema ferroviário tais como: pontes, túneis,
estradas, material rodante e oficinas. "Estrangulamento" começou oficialmente a 19 de março e
seu sucesso foi crescendo paulatinamente à medida que a precisão dos
bombardeiros e caça-bombardeiros aliados aumentava. Isto fez com que os
alemães dependessem cada vez mais dos transportes motorizados, o que retardou
enormemente o seu sistema de abastecimentos. No dia 4 de junho, os Aliados haviam chegado a Roma e a retirada
alemã foi acelerada, começando, assim, a se desorganizar. Enquanto isso, o
poderio aéreo aliado praticamente dominava os céus. Salvo alguns combates com
uns poucos aparelhos italianos treinados na Alemanha, os aviões da Força
Aérea do Mediterrâneo não encontravam resistência no ar. Os alemães tiveram
que depender quase exclusivamente dos forças antiaérea, poderosamente
reforçadas, a tal ponto, que nos comunicados de baixas, os aviões alemães
caídos eram menos que os aparelhos aliados, simplesmente porque a quantidade
de aviões em combate era muito menor. A retirada das divisões alemães para o Reich começou a 23 de
janeiro de 1945 e, a partir desse momento, a força aérea aliado intensificou
seus esforços para impedir o trânsito pelas rotas que atravessavam os
desfiladeiros alpinos. Essas operações foram interrompidas a 2 de maio de
1945, quando ocorreu a rendição total. Enquanto isso, a aviação aliada realizara operações estratégicas
apoiando o avanço russo que desalojou os alemães da Romênia, Bulgária,
Grécia, Iugoslávia e parte da Hungria. Nestas frentes a força aérea encontrou
o inconveniente de cooperar com um aliado que não permitia o estabelecimento
de nenhum sistema real de comunicação ou de uma linha de bombardeio
determinada racionalmente. Na estratégia do bombardeio aéreo, os americanos tropeçaram com
outro inconveniente: os aviões. Apesar do poder defensivo ostentado pelos aparelhos
B-17 e B-24, os alemães intensificavam a construção de caças e isso, agregado
à eficácia da defesa antiaérea, fazia com que cada incursão custasse um preço
muito alto aos Aliados. Durante algum tempo, devido em parte às condições atmosféricas
desfavoráveis, decidiu-se que o solução seria o bombardeio com instrumentos
ou bombardeio às cegas. Houve, inclusive, grandes pressões em Washington para
levar avante essa teoria. O bombardeio às cegas desperdiçou muitos esforços, porém, talvez
se justifique, supondo que o pensamento dos altos-comandos era: "é
preferível bombardear às cegas, sem garantia de acertar no objetivo, do que
não poder golpear o inimigo". Uma experiência mais frutífera foi a de aumentar o raio de ação
dos caças da escolta. Os engenheiros haviam fracassado várias vezes, tentando
criar um tipo de caça protetor com grande raio de ação. Então, resolveu-se
aumentar as possibilidades dos já existentes. Assim, aos P-38, P-47 e
principalmente ao P-51, foram agregados tanques adicionais para aumentar suas
horas de vôo. Desta forma conseguiu-se equilibrar a superioridade dos caças
interceptores alemães, embora ainda tivessem que transcorrer alguns meses
antes de se contar com suficiente quantidade de aviões que significassem uma
proteção adequada. |
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"Pensei que o "Super-Homen" estava do nosso
lado..." Os alemães tentavam intensificar os aperfeiçoamentos nos seus
novos aparelhos. Um B-25 que voava sobre a Alemanha, integrando uma formação cerrada,
viu, de súbito, que do alto, um bólido se lançava sobre a esquadrilha.
Executava mergulhos mortíferos. Pouco depois, vários bombardeiros caíam
envoltos em chamas. Tanto os aviões-escolta como a artilharia dos próprios
bombardeiros eram impotentes para detê-lo. Num dos mergulhos, o bólido
avariou um dos motores do B-25; no seguinte avariou o outro. - Ei! - gritou
um dos tripulantes ao comandante - pensei que o Super-Homem estava do nosso
lado! Era o Messerschmit 262, um projeto que os alemães haviam
abandonado em 1942, e que voltava a ganhar atualidade nos primeiros dias de
1944. E o Me-262 não era o único. Junto com ele, outros projetos de Arado,
Heinkel, Focke Wulf etc., esperavam sua vez para aparecer. Por sorte para os
Aliados, todas essas iniciativas tropeçavam no autoritarismo de Hitler, que
achava que se deviam produzir bombardeiros para missões de represália. Este projeto seria enviado também ao Japão, porém sua realização
demorou muito e os primeiros protótipos ficaram prontos somente quando a
guerra já chegava ao fim. Na Inglaterra, a necessidade de soluções rápidas que pudessem
deter as V-1 e V-2 intensificara os trabalhos para a fabricação de um
interceptador a jato; era o Goster Meteor que também fez seu aparecimento ao
apagar das luzes da guerra. Quer dizer, portanto, que a Alemanha tinha nessa iniciativa
vários meses de vantagem sobre as outras potências, porém a atitude de Hitler
retardou a concretização do projeto até, finalmente, ser demasiado tarde. A grande semana Os esforços para destruir o potencial aéreo alemão culminaram em
fins de 1943 (novembro) no planejamento de um ataque maciço contra uma dezena
de fábricas que produziam aparelhos de caça ou peças para os Me109 e 110,
Ju-88 e 188 e Fw-190. Este plano se denominava Argument e seria aperfeiçoado
mais tarde com ataques complementares. Para a realização desse programa se
requeriam pelo menos meia dúzia de dias de céu limpo. Estas condições
apareceram em fevereiro de 1944. A 19 de fevereiro, o comando da Força Aérea
Estratégica americano na Europa (um novo organismo que, sob o direção do
General Carl Spaatz, coordenava a ação aérea em todas as frentes de luta)
programou as primeiras missões para o dia seguinte e, em menos de uma semana,
registraram-se mais de 3.800 saídas. Os resultados nunca puderam ser
totalmente comprovadas, mas, evidentemente, foram importantes. Embora a produção alemã de caças, apesar de tudo, tenha
aumentado no transcorrer de 1944, não chegou a alcançar os níveis previstos. A Grande Semana custou à força aérea 226 bombardeiros pesados e
28 caças, porém as perdas alemães foram maiores e, a partir de então, a
Luftwaffe perdeu a prioridade no ar. A Grande Semana era o começo de uma
série de ataques contra centros vitais, porém esse projeto estaria subordinado
às necessidades operacionais. Isso quer dizer que a força aérea teria que
colaborar ativamente para o êxito de operações como Overlord e depois
concentrar seus esforços no ataque de objetivos de interesse geral. Os ataques a fábricas de combustível sintético, comunicações e,
depois, às fábricas de aviões a jato, foram intensificados depois do Dia D. A
quantidade de incursões empreendidas pelos tripulações originou sérios
problemas psíquicos entre seus membros e inclusive foram apresentadas
denúncias acusando algumas delas de buscar, deliberadamente, refúgio em
países neutros como a Suécia e a Suíça. Esses casos aconteceram e foram
minuciosamente investigados, pois, evidentemente, sua difusão poderia ter
conseqüências desastrosas. Em setembro de 1944 as esperanças há longo tempo alimentadas do
término breve da guerra desapareceram. Então tornou-se necessário
intensificar os ataques à indústria alemã. Uma teoria foi tomando corpo: a de
atacar as cidades alemães para quebrar sua resistência moral. Essa teoria,
atribuída ao Marechal-do-Ar Sir Arthur Harris, foi contestada por Arnold,
Spaatz e outros chefes. Estes achavam que esta teoria era contrário aos seus princípios
do bombardeio de precisão. A sua preocupação com a opinião pública americana
e alemã e do que diria a "História", contrasta com a determinação
com que se aplicou contra o Japão o bombardeio de zonas e, segundo alguns
observadores, "seria interessante especular sobre se a prática aplicada
na guerra do Pacífico não foi responsável pela mudança de política em relação
à Alemanha, ocorrida nos meses que se seguiram ao fim da guerra". Para apoiar a Resistência Manter o espírito e o contato com elementos patrióticos e
clandestinos que se negavam a aceitar a derrota foi um dos importantes objetivos
para a força aérea aliada em todo o transcorrer da guerra. Era necessário
alentar os focos de resistência, fazer com que se organizassem de maneira
eficiente e deles obter dados muito úteis relacionados com o continente
ocupado pelo inimigo. Suas tarefas consistiam em entregar cargas (canhões,
munição, explosivos, medicamentos e outros elementos de importância da guerra
de guerrilhas) vindas de bases da Grã-Bretanha, África ou Itália, aos maquis
na França e aos grupos de resistência dos Bálcãs e da própria Itália. Às
vezes, junto com as cargas, iam Joes (agentes) ou, ocasionalmente, alguma
Jane (agente feminina). Um dos trabalhos mais complexos consistia no resgate
de agentes que tinham terminado sua missão, de aviadores aliados obrigados a
aterrissar ou que caíam em território inimigo, prisioneiros de guerra fugidos
ou componentes dos grupos de resistência feridos... O êxito de todas essas operações dependia do estabelecimento de
boas ligações para coordenar a ação da resistência e os planos aliados. Estes
eram, em geral, os objetivos que atingiam por intermédio de agentes lançados
de pára-quedas ou que aterrissavam na retaguarda do adversário. Agentes
dedicados à sabotagem ou à espionagem, organizadores de grupos clandestinos,
observadores meteorológicos, operadores de rádio, unidades de resgate de
tripulações aéreas e missões militares formavam a maioria dos
"corpos" transportados pelos aviões dedicados a missões desse tipo. O resgate era uma operação muito mais complexa. A viagem de
regresso do Europa Ocidental ou da Polônia era extremamente difícil. Embora faltem estatísticas completas, o número de feridos e
outros tipos de refugiados retirados dos Bálcãs, no período que vai de 1o
de abril de 1944 a 30 de abril de 1945, foi de, aproximadamente, 19.000. O
resgate de tripulações aéreas a cargo de todos os organismos que funcionavam
no Mediterrâneo chegou a seu ponto culminante em setembro de 1944, embora
agosto tenha sido o mês mais intenso para os aviões de tarefas especiais.
Somente em setembro, aparelhos B-17 retiraram da Romênia, no curso da
operação Reunião, mais de 1.000 americanos; essas mesmas unidades resgataram
da Bulgária cerca de 300 aviadores aliados. Até 1° de outubro de 1944,
conseguiu-se resgatar dos Bálcãs um total de 2.694 aviadores aliados. Deste
número, 1.088 provenientes da Iugoslávia, 46 de Creta e 11 da Albânia.
Durante o período transcorrido entre 1o de janeiro e 30 de abril
de 1945, os aviadores de tarefas especiais resgataram da Iugoslávia e Albânia
310 aviadores aliados. Como diria Frank Creven: "Com organismos, equipamento e
técnicas especiais adaptadas aos seus problemas operativos peculiares, as
unidades dedicadas ao apoio aéreo dos movimentos de resistência adquiriram um
certo caráter que os diferençou das unidades de combate normais". E
ainda: "As medidas de segurança, que cercavam suas atividades de
anonimato, enquanto que as cumpridas pelos caças e bombardeiros enchiam as
manchetes dos jornais, acentuavam ainda mais a diferença". O lançamento de panfletos por meio de aviões foi um dos meios
novos de se combater na Segunda Guerra Mundial. Esse método de manejar a
informação e proporcioná-la a amigos e inimigos em zonas ocupadas foi adotado
em todos os teatros de operações. Em todas as zonas européias e também no Pacífico,
aviões aliados lançaram milhões e milhões de panfletos no decorrer de
milhares de incursões. Os britânicos, no seu jargão militar, denominaram nickels (moeda
estadunidense de cinco centavos) a estes panfletos e nickeling ao processo de
lançá-las de aviões. As operações nickeling iniciadas pela Inglaterra tiveram sua
origem numa pequena missão levada a cabo pela RAF sobre Kiel na noite de 3
para 4 de setembro de 1939. Quatro anos mais tarde, em agosto de 1943, a
Oitava Força Aéreo começava a participar dessa forma de guerra psicológica e,
até 6 de junho de 1944, lançara 599.000.000 de panfletos sobre o continente. O total de panfletos lançados foi, aproximadamente,
5.997.000.000. Lutando com o "camarada" A possibilidade de cooperação com a Rússia em assuntos aéreos já
fôra tentada com êxito irregular por americanos e britânicos. Em geral, as coisas não foram bem, embora a propaganda
interessada as enaltecesse e, em muitos filmes, fosse focalizada quase como
uma irmandade aérea anglo-russo-americana. Os principais problemas que afetavam as forças aéreas eram a
obtenção de bases para a 15a Força Aérea mais perto de Viena e
Budapeste, o estabelecimento de uma linha de bombardeio e de estações de
radar no território ocupado pelos soviéticos. A vantagem de sediar grupos da
força aérea anglo-americana na Áustria e na Hungria, era considerável: os
Alpes deixariam de ser um obstáculo ao bombardeio da Alemanha, as distâncias
de vôo seriam muito menores e se poderiam salvar maior número de aviões
avariados e tripulações esgotadas. Na conferência celebrada pelos altos
chefes da Aeronáutica, em Cannes, em fins de novembro de 1944, o projeto
recebeu uma calorosa acolhida. Porém os soviéticos, com os quais discutiu-se
o tema, demonstraram uma indiferença quase hostil. O assunto ficou paralisado
e, inclusive, chegou-se a supor que os russos não tinham nenhum interesse em
ver aumentado o poderio aéreo aliado na Europa. Como os chefes militares não haviam resolvido nada com
referência ao assunto das bases em Viena e Budapeste, o Presidente Roosevelt
conversou a respeito com Stalin, na Conferência de Ialta. A 12 de fevereiro
de 1945, surgiram notícias sobre um "acordo de alto nível". De
qualquer modo, passou-se um mês antes de que se pudesse convencer os soviéticos.
Finalmente, em meados de março, o General Eaker recebeu autorização para
efetuar um giro pela Hungria oriental e escolher uma base aérea em Debrecen.
Porém Eaker não pôde nem sequer obter permissão para ir a Moscou tratar dos
detalhes do acordo, apesar de, em Belgrado, ter sido muito bem recebido por
Tito. E o tempo foi passando. Seguidamente apareciam novos entraves
administrativos, novas delongas. Os soviéticos, por um lado, alegavam grande interesse, mas por outro
retardavam e entorpeciam qualquer possibilidade de concretização. Em abril,
os americanos deixaram o assunto de lado, definitivamente. A linha de bombardeio foi o segundo problema. Tanto os
americanos como os britânicos entendiam que era de extrema urgência
estabelecer acordos para evitar que a força aérea russa fosse confundida com
a alemã, americana e inglesa. Além disso, acertar uma coordenação no sentido
de racionalizar os ataques, isto é, evitando que um mesmo objetivo fosse
destruído duas vezes etc. Depois de muitos trâmites, contatos e reuniões, o
General John Deane obteve autorização para fixar a linha
Constanza-Bucareste-Ploesti-Budapeste como limite provisória entre as forças
aéreas vermelhas e anglo-americanas, e, inclusive, conseguiu que um oficial
da força aérea soviética e o Estado-Maior do exército vermelho estabelecessem
de Moscou uma supervisão de certa elasticidade. Porém, quando a frente
avançou, os russos não permitiram que a linha fosse modificada, devendo
permanecer impotente em Bucareste. O problema da linha de bombardeio
tornou-se mais agudo quando aparelhos P-38 atacaram, por engano, uma coluna
de tropas russas, matando um tenente-general do exército vermelho. Os
soviéticos reagiram como se tratasse de um ato intencional. Afinal, o General
Eaker tomou conta do problema e estabeleceu uma linha de bombardeio baseada
diariamente na frente da linha do avanço soviético. A seu devido tempo informaria missão militar americana em
Moscou, a qual, por sua vez, informaria aos russos, com 24 ou 48 horas de
antecipação. A missão americana inicialmente se opôs ao plano, porém, depois,
aceitou-o, ao perceber que não restava outra alternativa para racionalizar as
missões de bombardeio. O terceiro problema concernente às forças aéreas americanas e
soviéticas se relacionava com os esforços realizados, infrutíferos até aquela
data, para estabelecer em solo russo três pares de estações de microondas.
Dessas instalações poderiam ser emitidos sinais de rádio que chegariam até
uma distância de quase 300 km e a conjunção dessas emissões no equipamento
instalado no bombardeiro permitiria uma precisão muito maior ao atacar vinte
e seis alvos alemães de alta prioridade, relacionados com a indústria
petrolífera, a produção de aviões a reação, a fabricação de tanques e o
sistema de transporte ferroviário. Enquanto isso, também os britânicos
tratavam de estabelecer pequenas estações para seus equipamentos Gee e Gee H.
Tanto as unidades inglesas como as americanas requeriam os serviços de um
número reduzido de pessoal de suas respectivas nacionalidades, uns 100 homens
no caso das estações de microondas. As objeções soviéticas de natureza
técnica foram rechaçadas pelos ingleses e americanos por entender que, na
realidade, o que os soviéticos não queriam era ter pessoal estrangeiro dentro
de suas linhas. Em conseqüência, também esta possibilidade foi abandonada. Além disso, os russos tampouco quiseram designar certos
aeródromos situados atrás das suas linhas como bases de emergência para
aviões aliados avariados. Em vez disso, determinaram que qualquer avião
avariado aterrissaria onde pudesse nas zonas controladas pelo Soviet. Essa
ordem não agradou aos chefes aliados que temiam - como em realidade ocorreu -
que esses aviões voltassem a aparecer, mas ostentando a estrela da força
aérea soviética. Outro problema era o trato às tripulações caídas nas zonas
ocupadas pelos russos. Este não era um problema provocado por má vontade,
mas, possivelmente, por problemas físicos e pela aparente pouca consideração
que os russos tinham pelo vida humana em geral. Finalmente, as forças aéreas aliadas queriam conhecer o
resultado dos alvos que atacavam e em Ialta o Marechal Stalin autorizou o
Presidente Roosevelt para que grupos de reconhecimento operassem nas zonas
ocupadas pelos vermelhos. Contudo, até quase o final da guerra, os russos,
sistematicamente, embargaram esses reconhecimentos. Alerta no Reno Na época das campanhas da Europa, para que uma força aérea fosse
realmente eficaz devia operar de aeroportos o mais próximo possível da linha
de frente. O comando do 9° grupo de engenharia americana construiu ou adaptou
241 aeródromos na França, Bélgica, Holanda, Luxemburgo e Alemanha; o rápido
avanço dos exércitos nesses países fez com que, muitas vezes, a engenharia
tivesse que deixar de lado aeródromos quase prontos para adiantar-se e
construir novos, em setores nem sempre adequados. Nessas construções eram
utilizadas pranchas de aço perfurado, superpostas, de acordo com a
consistência necessária. Além dos 241 aeródromos construídos ou recuperados
pelo 9° de engenharia, outras unidades construíram 32 campos na Europa
continental e a marinha americana, um. Para a construção de pistas, foram transportados até o final da
guerra um total aproximado de 295.000 toneladas de materiais pré-fabricados.
Desse total, 190.000 toneladas eram de pranchas de aço perfurado. Partindo
dessas pistas, a aviação aliada se lançava sobre as frentes, assestando duros
golpes contra um inimigo cujas possibilidades no ar diminuíam a olhos vistos. Em fevereiro de 1942 Hitler nomeara o seu arquiteto pessoal,
Albert Speer, Ministro de Produção de Armamentos, inaugurando assim o chamado
"período Speer" alemão. Durante esse período, a produção foi
triplicada, iniciando a fase mais importante em dezembro de 1943 e chegando
ao seu ponto máximo em julho de 1944, quando marcou um aumento da ordem de
332%, prometendo subir ainda mais nos meses seguintes. A intenção alemã era
produzir armas em quantidade suficiente para continuar lutando contra os
Aliados até que os acontecimentos políticos ou fatores tais como as bombas V
recuperassem o Reich. Em 1944, a aparição dos aviões a jato, das bombas V-1 e
V-2 e de submarinos extremamente velozes juntamente com o aumento da
produção, demonstraram como era formidável o esforço alemão. Speer contava
neutralizar o peso cada vez maior dos devastadores bombardeios aliados,
dispersando as fábricas mais vitais da Alemanha ou montando-as em instalações
subterrâneas, e começou, mesmo, a tomar medidas nesse sentido. O ponto culminante da produção alemã foi alcançado em meados de
1944, justamente na época em que a ofensiva aérea aliada atingia a sua maior
intensidade. Setenta e dois por cento de todas as bombas que castigaram a
Alemanha durante a Segunda Guerra Mundial caíram depois de 1o de
julho de 1944. Nos nove meses seguintes, o comando de bombardeio da RAF e da
Força Aérea dos Estados Unidos se dedicaram a destroçar essa economia
poderosa, até que a mesma já não pôde apoiar as operações militares nem
satisfazer as necessidades básicas da população. Na realidade, a Alemanha
esteve economicamente paralisada a partir de abril de 1945. À medida que a
luta chegava ao fim, a Luftwaffe desaparecia do céu europeu e os ataques
aliados se produziam sem interferências. Um interessante depoimento sobre a continuidade dos ataques
aéreos é a ordem emitida pelo Marechal-de-Campo Model, que dizia: "A todos os motoristas e passageiros. Aquele que se oculta
vive mais tempo! Cerabinas e disciplina na campanha contra o fustigamento! Licença especial de 10 dias para quem derrubar fustigadores
inimigos! Os aviões anglo-americanos que atacam objetivos terrestres são os
modernos ladrões de estradas. Não somente procuram colunas de trânsito, mas
estão tratando de caçar todos os caminhões de gasolina e todos os caminhões
de munições. Nossos caças e nosso fogo antiaéreo tiveram um sucesso
considerável durante os dias das grandes batalhas invernais. Porém não podem
estar em toda parte... Todo soldado pode e deve unir-se à luta contra os atacantes! Serão concedidos prêmios especiais aos artilheiros e unidades
que tenham êxito. Cada soldado que derrubar um fustigador inimigo com sua
arma de infantaria, receberá uma licença especial de 10 dias. As unidades que
conseguirem êxito especial com armas de infantaria contra os aviões inimigos
que atacarem objetivos terrestres, receberão rações especiais. Portanto, busque refúgio primeiro... Depois, atire... " Anexo Poderio Aéreo Alemão Caso seja correto um
arquivo capturado ao Alto-Comando alemão conhecido como "Auswertung der
Einsatzbereitsch der fliegenden Verb vom 1 August 1943 bis November
1944", o poderio aéreo alemão em maio de 1944 era, em média, para todas
as frentes:
Breve história do
"Nickreling" "O método empregado
de início para a distribuição de panfletos consistia em lançar punhados
soltos pelas janelas, portas ou compartimentos de bombas, de grande altura.
Nas primeiras incursões de lançamento de panfletos, os pilotos dos aparelhos
B17 e B-24 os lançavam quando os seus aviões estavam a 130 km de uma cidade,
confiantes em que o vento faria o resto. Assim ocorria que parte da
propaganda lançada sobre a França caía na Itália. Quando os punhados de
panfletos foram colocados em toscas caixas lançadas por uma portinhola
especial junto aos suportes das bombas, o aproveitamento foi melhor; mas
somente quando o Capitão James Monroe, oficial de armamento do 422o
Esquadrão de Bombardeio, inventou a bomba de panfletos é que se contou com
uma distribuição satisfatória. A nova bomba, que começou a ser utilizada
regularmente na noite de 18/19 de abril de 1944, era um cilindro que, à
altura de 300 a 600 metros, ligava um detonador que destruía o recipiente e
soltava os panfletos. Cada bomba podia conter uns 80.000 panfletos que se
espalhavam sobre uma zona de aproximadamente dois e meio quilômetros
quadrados. Para aumentar a sua
eficiência, foram modificados os bombardeiros do Esquadrão Especial de
Panfletos a fim de que transportassem doze bombas desse tipo, isto é, mais do
que a carga de um bombardeiro comum. No princípio do verão de 1944, para ser
usada nos aparelhos médios e nos caça-bombardeiros, converteu-se uma caixa
metálica de bengalas em bomba de panfletos. O Esquadrão Especial
de Panfletos deu começo às suas operações na noite de 7/8 de outubro de 1943,
com uma missão realizada por quatro aviões sobre Paris. Em fins de dezembro,
o esquadrão efetuara um total de 146 saídas e lançara 44.840.000 panfletos,
na maioria, sobre a França, Bélgica e Holanda; porém, durante esse período,
somente três missões penetraram na Alemanha. Durante o primeiro trimestre de
1944, o Esquadrão Especial de Panfletos dedicou a maior parte dos seus
esforços à França, onde Paris, Rouen, Amiens, Reims, Lille, Orléans e Rennes
constituíram seus objetivos favoritos. As sortidas chegaram
até pontos situado tão ao sul como Toulouse e ao sudeste até Grenoble. Entre
1o de janeiro e 31 de março de 1944, a Oitava Força Aérea lançou
583 toneladas de material de propaganda. Em abril, o 422o Esquadrão
de Bombardeio ampliou consideravelmente o alcance de suas "operações e
atacou alvos" na Noruega com a bomba de panfletos. Também aumentou o
número de cidades cobertas por elas, até que se tornou comum programarem-se
quinze a vinte e cinco alvos para uma missão de cinco aviões. Em maio, o
último mês anterior ao Dia D, quatro dos lançadores de panfletos foram
atacados por aparelhos inimigos; estes ataques ocasionaram baixas, avariaram
um bombardeiro, e se traduziram na destruição de um FW-190 e um Ju-88. Porém,
após um período operativo de oito meses, durante o qual realizara 537 saídas
efetivas, o Esquadrão Especial de Panfletos não havia perdido nem um só
avião. O 422o
Esquadrão de Bombardeio foi, em certo sentido, a ponta-de-lança da invasão da
Normandia. De fato, conduzidos pelo comandante do esquadrão, Tenente-Coronel
Earle Aber, seus aviões partiram na madrugada de 6 de junho, sem escolta, com
a missão de lançar notas de advertência ao povo de 17 cidades e aldeias.
Nesse dia, a unidade estabeleceu um novo recorde, pois doze aparelhos B-17
lançaram panfletos sobre trinta e quatro alvos na França, Bélgica e Holanda.
As missões, integradas por oito a dez aviões, não foram raras em junho, e por
volta do fim desse mês, o esquadrão fixara a marca de 209,6 toneladas. Esse
total foi superado em julho, mês em que se perdeu o primeiro avião. A partir
de agosto de 1944, uma grande proporção das sortidas da unidade atendeu à
finalidade de lançar panfletos de combate sobre as zonas de batalha, e
estratégicos, sobre a frente interna alemã. Em novembro foi
intensificada a campanha de disseminação da propaganda ao povo alemão. O 406o
Esquadrão de Bombardeio, nova designação do 422o, teve o seu
potencial aumentado para vinte e um aviões e vinte e quatro tripulantes,
aumento esse que foi possível graças à transferência de sete aviões e seus
tripulantes do 492o Grupo de Bombardeio. O resultado foi o aumento
para 315,3 toneladas de panfletos arremessados durante o mês, recorde não
superado até março e abril de 1945. Dois fatores exerceram uma influência
decisiva sobre as atividades propagandísticas de dezembro: o mau tempo e a
ofensiva alemã nas Ardenas. O primeiro prejudicou as operações e o segundo
fez com que o emprego usual dos panfletos táticos fosse inoportuno. Entre 16
e 27 de dezembro, o 406o Esquadrão não efetuou nenhuma missão de
lançamento de panfletos nessa zona, porém, em troca, realizou quatro
operações dessa natureza em outras frentes de luta. Mais tarde, quando se
deteve a ofensiva alemã, distribuiu 3.250.000 exemplares às forças dispersas
do inimigo. Bombardeiros estratégicos da RAF e a Força Aérea americana também
lançaram grandes quantidades de panfletos especiais, impressos apressadamente
para colaborar no contra-ataque aliado. Durante os quatro
últimos meses da guerra, tanto os bombardeiros comuns, como o Esquadrão
Especial de Panfletos, estabeleceram novos recordes no lançamento das folhas
de propaganda. A maior marca cabe à Força Aérea americana e foi registrada em
março com 654,9 toneladas; em abril, o total foi de 557,3 toneladas. Alvos
alemães, franceses, holandeses e belgas foram objeto de constantes visitas. O
Coronel Aber encontrou a morte sobre a Inglaterra nas mãos dos próprio fogo
antiaéreo, no dia 4 de março de 1945, quando regressava de uma missão na
Holanda, encerrando tragicamente uma brilhante carreira como chefe de uma
unidade à qual se confiara uma missão difícil e importante na guerra aérea.
Apesar dessa perda e da sua transferência de Cheddington para Harlington, o
406o Esquadrão lançou 407,9 toneladas de panfletos em março.
Quando suas operações chegaram ao fim, a 9 de maio de 1945, o Esquadrão
Especial de Panfletos havia efetuado 2.334 incursões e lançado cerca de
1.758.000 de panfletos. As perdas foram de pouca importância; somente três
aviões desaparecidos e dezesseis aviadores mortos". Wesley Frank Craven e
James Cate "O Problema
Moral" Para o General Spaatz,
"castigar o interior da Alemanha" significava intensificar o
bombardeio estratégico a objetivos militares ou de produção bélica. Em troca,
para muitos outros chefes aliados, principalmente britânicos, significava,
nem mais nem menos, que bombardear a Alemanha de forma tão tremenda de modo a
obrigá-la a pedir a paz aos gritos. Este foi o critério que se teve para com
o Japão, por ocasião dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki. Os
britânicos, em particular, tinham um especial interesse em demolir o moral do
povo alemão, já que as bombas voadoras estavam destruindo paulatinamente o
moral do seu próprio povo. Spaatz se opunha firmemente a esse ponto de vista
que, segundo ele, diferia fundamentalmente dos ideais morais americanos. Em
mais de uma oportunidade, porém, as pressões foram demasiado fortes. Um sério
problema surgiu quando os ingleses propuseram a operação Hellhound destinada
a varrer o santuário de Hitler em Berchtesgaden. Os autores do projeto
pensavam que, nesse ataque, possivelmente morreriam o Führer e grande parte
do seu Estado-Maior, pois o tradicional reduto nacional-socialista alemão
ficaria completamente arrasado. Dessa forma, a opinião pública alemã ficaria
desgovernada, com um regime praticamente acéfalo, e, talvez, então,
pressionassem os líderes eventuais para conseguir um imediato armistício. Altos oficiais
americanos estudaram o plano e Spaatz deu a última palavra, concluindo que
"o plano seria muito dispendioso e, provavelmente, aumentaria, em vez de
diminuir, o apoio que o povo alemão dispensava a Hitler". Porém, a 5 de
julho foi aprovado um projeto sugerido pelos chefes do Estado-Maior
britânico, destinado a solapar o moral civil alemão mediante bombardeios que
marcaram, época. Enquanto o plano era
elaborado, Spaatz manobrou e conseguiu de Eisenhower uma ratificação da norma
da Força Aérea americana, segundo a qual não se afastariam do bombardeio de
precisão. Um mês mais tarde, voltaram a ser emitidas instruções a fim de
preparar um plano "desmoralizador" que arrasaria a maior área
possível de Berlim, numa só missão. Tratava-se da operação
"Thunderclap", que suscitou críticas de Spaatz e do Major-General
Laurence Kuter, principal oficial de planejamento do General Arnold. Spaatz
voltou a ventilar o assunto com Eisenhower, porém sem resultados, pois a 9 de setembro chegaram
ordens para que a Oitava Força Aérea americana se preparasse para pôr em
execução o "Thunderclap". O General Doolittle e o Marechal-do-Ar
Harris programaram a operação como um assalto diurno combinado que estaria a
cargo de todos os bombardeiros pesados americanos e britânicos disponíveis.
Contudo, a tensão produzida pela planificação dessa operação foi superada,
pois, afinal, Harris não pôde enviar os seus aparelhos para participar da
missão, já que não dispunha de caças de escolta suficientes, absorvidos pela
batalha da França. Além disso, a Divisão
de Guerra Psicológica das Forças Aéreas americanas denunciou
"Thunderclap" como ação terrorista, e, numa reunião da Junta de
Chefes de Estado-Maior americana, tanto Arnold como o Almirante William D.
Leahi expressaram sua oposição ao bombardeio desmoralizante. Contudo, ao final
de algum tempo, os partidários da "desmoralização" fizeram
prevalecer a sua opinião e milhares de civis inocentes morreram em meio a
rios de petróleo fervente ou asfixiados pela fumaça nos refúgios antiaéreos,
sem contar, evidentemente, as vítimas das explosões propriamente ditas. "Dunn" O Major Bruce Dunn era
um homem tranqüilo. Alguns, jocosamente, o apelidavam "o
silencioso". Ele era o comandante do 51o Esquadrão de
Transporte de Tropas e, praticamente, a única força de transporte perto da
fronteira iugoslava. Corriam os primeiros meses de 1945 e as tropas alemãs
batiam em retirada em todas as frentes. Em uma das rotas dessa grande
retirada, 2.000 refugiados corriam o risco de serem exterminados pelas tropas
alemães. Os homens de Tito solicitaram auxílio para que os refugiados fossem
evacuados com urgência. Começou então a operação "Dunn", pois o 51o
Esquadrão de Transporte de Tropas era a única unidade destacada em Brindisi. O esquadrão
transferiu-se para uma base provisória no aeródromo de Zemonico e a 25 de março
iniciou a missão de evacuação entre as duas bases. As operações continuaram
até o dia 26 e, em dois dias os doze aparelhos C-47 de Dunn resgataram 2.041
pessoas e entregaram mais de 118 toneladas de abastecimentos. A operação
"Dunn" encerrou um período de doze meses, no decorrer dos quais
foram resgatados de 11.000 refugiados, feridos e guerrilheiras iugoslavos. As perdas alemães na
Grande Semana Publicamos um extrato
de um relatório elaborado pela seção histórica do Ministério do Ar da
Grã-Bretanha, baseado em dados do Alto-Comando alemão, depois de finalizada a
Segunda Guerra Mundial. "As perdas em
combate no oeste (incluindo o Reich) desde a invasão da Rússia em junho de
1941, verificadas pela seção histórica do Alto-Comando alemão, indicam a
perda total de 2.581 aviões de caça até janeiro de 1944 e a destruição de 309
mais durante o decorrer desse mês. Em fevereiro desse
ano, as perdas se elevaram a 456 e, dessa quantidade, somente 65 eram caças
noturnos, o tipo que enfrentava, principalmente, os ataques da RAF. Além
disso, os dados correspondentes ao início de março indicam, em comparação com
as últimas anotações de fevereiro, uma discrepância de 97 perdas adicionais
na categoria de caças monomotores e, portanto, o total correspondente a
fevereiro pode se elevar a 533 aviões. No mês de março, o total subiu a 567
aparelhos, dos quais 94 eram caças noturnos. Um registro encadernado,
autenticado com uma marca de segurança, indicando que eram anotações para
informação do Alto-Comando apenas, apresenta as perdas totais de aviões, a
partir de janeiro de 1944, com intervalos de mais ou menos 10 dias, da
seguinte maneira: 10 de janeiro de 1944:
355 - 20 de janeiro de 1944: 355 - 31 de janeiro de 1944: 661 - 10 de
fevereiro de 1944: 508 - 20 de fevereiro de 1944: 388 - 28 de fevereiro de
1944: 545 - 10 de março de 1944: 514 - 20 de março de 1944: 552 - 31 de março
de 1944: 777 A mesma fonte informa
que em fevereiro de 1944, além das mortes do pessoal de vôo, 341 foram dados
como desaparecidos, e 277 resultaram feridos. Os estudos preliminares do
Ministério do Ar britânico baseados nos registros alemães dão para todas as
frentes os seguintes totais aproximados:
As perdas na frente
russa ascenderam, respectivamente, a 168, 466 e 431 aparelhos. Seria difícil
conciliar todas essas cifras e nem sempre é possível determinar a base exata que
serviu para informar as estatísticas originais, porém são coerentes no seu
testemunho de um aumento brusco, registrado no desgaste causado em fevereiro
de 1944 e com resultados ainda mais desastrosos no mês seguinte. Uma confirmação
decisiva dessa conclusão foi a abrupta mudança na estratégia alemã depois de
fevereiro. Embora ainda fosse capaz de apresentar, em certas ocasiões, a mais
obstinada resistência local, o inimigo abandonou a tática de empenhar-se em
grande escala para se opor à campanha de bombardeio diurno. A partir de então
oporia uma resistência, relativamente débil, apenas a certas missões, e
depois concentraria seus efetivos, como nos meses anteriores, contra uma
operação em particular. Em outras ocasiões tentariam conseguir superioridade apenas
local enviando quantidades esmagadoras de aparelhos contra uma unidade,
principalmente sobre uma que se tivesse desgarrado de alguma maneira de suas
companheiras ou que ficasse sem uma escolta adequada. Resumindo, a política
adotada foi de conservação de forças, o que constituiu para os Aliados o
ponto vital da superioridade aérea". Qualidade Um dos pontos fracos
de toda a situação aérea alemã era a qualidade dos seus pilotos. Embora nos
primeiros meses de 1944 a produção de caças tenha aumentado, as tripulações
de reserva não possuíam a experiência necessária. O problema existia porque
os primeiros cálculos foram demasiado otimistas, e somente em 1943 o
Alto-Comando alemão descobriu que tinha necessidade de uma afluência muito
maior de pilotos. Então pressionou as escolas para que acelerassem os seus
programas. Porém o adestramento de pilotos requeria gasolina de aviação. E a
Alemanha não possuía reservas suficientes para permitir que as escolas fossem
pródigas no consumo de gasolina. Na realidade, as escolas parecem ter
encontrado dificuldade até em executar um programa mínimo. Por essa razão
tiveram que optar entre duas possibilidades: contentar-se com a escassez de
tripulações existentes, ou diminuir as horas de adestramento, de modo que as
cotas de combustível fossem suficientes para produzir os pilotos necessários.
Escolheram a segunda possibilidade, e o resultado é que os pilotos chegavam à
frente de combate cada vez menos treinados. Diante dos pilotos americanos e
britânicos, que não tinham problemas de combustível e que, portanto, recebiam
um treinamento adequado, estes novos pilotos combatiam com desvantagem. E
afinal, na primavera de 1944, em março para sermos mais exatos, a
deteriorização da qualidade dos pilotos tornou-se evidente. Antes dessa data,
a Luftwaffe nunca deixara de estar em condições de manter um número
suficiente de pilotos experientes na sua primeira linha de defesa, para
enfrentar os atacantes aliados em igualdade de condições e proporcionar-lhes,
em muitos casos, tremendas derrotas. As atribulações do
Marechal Tito "Os aviões de
reconhecimento alemães..." murmurou um guerrilheiro. Na verdade, não era
nenhuma novidade; diariamente cumpriam sua cota de patrulhamento sobre as áreas
onde os homens da resistência iugoslava mantinham suas guaridas. Porém, o
marechal não gostou da situação. Já corria o mês de maio e os alemães estavam
lançando a assim chamada "sétima ofensiva"; além disso os vôos eram
demasiado freqüentes. No dia 24 de maio a atividade desenvolvida pelo inimigo
se transformara numa feroz investida que se aproximava perigosamente do QG de
Tito. Como primeira medida, o marechal decidiu transferir sua residência das
cercanias de Drvar, para as montanhas. Trataram de fazer a
mudança o mais rapidamente possível, porém na madrugada de 25 de maio, as
vanguardas alemães estavam pisando nos seus calcanhares. Os grupos de
resistência repeliam o ataque o melhor que podiam, enquanto o restante das
forças ganhava penosamente as encostas. Tito solicitou ajuda urgente à Força
Aérea aliada, e, pouco depois, caças e bombardeiros castigaram duramente os
navios, as concentrações, os depósitos e meios de transporte do inimigo. Isso não bastava; era
necessário evacuar o marechal e seus refugiados nas montanhas de Prekaja.
Preparou-se uma pista de emergência no Vale de Kupresko e, às 22 horas de 3
de junho, um transporte russo procedente de Bari resgatou Tito e seu grupo e
os transportou para a Itália. Nessa mesma noite, três aparelhos C-47
americanos resgataram outras setenta e quatro pessoas. Este grupo continuou
as operações até a noite de 5 para 6 de junho; o último avião C-47, carregado
com patriotas feridos, decolou justamente algumas horas antes que os alemães
capturassem o campo. A ofensiva de Dvrar
não alcançou o seu objetivo e o grosso do combate passou então para
Montenegro. Nas duras refregas de julho e agosto, os guerrilheiros sofreram
muitas baixas. Finalmente, foram reunidos cerca de 900 feridos em Brezna,
quinze quilômetros ao norte de Niksic. Os guerrilheiros limparam os campos
para fazer uma pista de aterrissagem de emergência. Na manhã de 22 de agosto,
aparelhos Dakota da RAF, com escolta, retiraram 219 dos feridos mais graves.
Depois chegaram vinte e quatro aparelhos C-47 americanos que, depois de
descarregar abastecimentos de emergência, resgataram 705 feridos e 16
aviadores aliados. Além disso, outro avião soviético resgatou 138
guerrilheiros na noite de 22 para 23 de agosto. Graças a esta operação de
salvamento, o comandante iugoslavo, com seus feridos a salvo e reabastecido
de armas e alimentos, pôde deter a ofensiva e recuperar, inclusive, parte do
terreno perdido. Caças Esta tabela, elaborada
logo depois do término da guerra pelo Comando da Força Aérea americana, estabelece
cifras comparativas entre as quantidades de caças monomotores entregues às
suas respectivas forças aéreas pelas fábricas alemães e americanas, durante
1944. Na produção alemã é estabelecida uma diferença entre os aparelhos novos
e os recuperados. (Os alemães consideravam um avião perdido quando suas
avarias chegavam a 60%, e o classificavam como avariado quando os seus danos
ficavam entre 10 e 60%)
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