Von Choltitz decide: Paris não será destruída
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Uma das primeiras reações do General von Choltitz, ante a ordem
de Hitler de reduzir Paris a um montão de escombros, consistiu de uma
imediata ligação telefônica para o Marechal Walter Model, ocasião em que
enumerou pormenorizadamente ao alto chefe alemão todas as limitações
materiais e humanas que impediam suas unidades de resistirem naquela cidade A
defesa da cidade, portanto, naquela altura dos acontecimentos, tornava-se
impossível. Seus soldados não estavam em condições de preservar a ordem, por
falta de efetivos e carência de armamentos adequados. Por outro lado, Paris
achava-se a um passo da rebelião. Já muitos edifícios da cidade se
encontravam em poder da "Resistência" e o confronto maciço era
iminente. As tropas alemãs careciam de combustível e suas rações durariam
somente mais alguns dias. Paris era um vulcão e os alemães estavam ali, no
centro, ameaçados de serem aniquilados por dezenas de milhares de civis
armados, que tinham por lema: "A chacun son boche". Por seu lado,
os efetivos aliados, com uma superioridade significativa em homens e armas,
já se encontravam às portas de Paris. A que poderia conduzir a sua
permanência obstinada em Paris com seus reduzidos efetivos? Simplesmente a
uma matança inútil de civis franceses e soldados alemães e à destruição total
das maravilhosas obras de arte, impossíveis de serem repostas. Tinha lógica
tal resistência? Haveria justificativa para a destruição de uma cidade que,
inevitavelmente, cairia em mãos do inimigo? Choltitz sabia que não, e assim
dava a entender. Não satisfeito com a ligação telefônica estabelecida com Model,
von Choltitz repetiu igual operação, dirigindo-se desta feita ao General Hans
Speidel, chefe do Estado-Maior de Model no Grupo de Exércitos B. Com tom
sarcástico, no curso do diálogo, Choltitz agradeceu a Speidel a ordem de
arrasar Paris, dizendo que já havia ordenado às suas unidades de sapadores a
colocação de três toneladas de explosivos na Catedral de Notre Dame, duas nos
Inválidos e uma no Palácio Bourbon (Câmara dos Deputados). Além disso,
esclareceu que se preparava para destruir a Ópera e a Madeleine e que
planejava destruir a Torre Eiffel, de tal modo que, ao tombar, bloquearia o
Sena. Speidel, um tanto assustado, fez ver que tal ordem não havia partido
dele, mas sim vinda direta do OKW, isto é, do Führer, encarecendo,
paralelamente, que Paris deveria ser poupada. Choltitz, no entanto, não tinha intenção alguma de reduzir Paris
a escombros. Tal decisão poderia ter sido motivada por duas razões bastante
lógicas: ou se tratava de um impulso humano, diante da impossibilidade de
suportar na consciência a lembrança de tanta destruição inútil e tanto sangue
derramado, ou simplesmente a decisão estaria baseada em uma estimativa bem
realística dos seus próprios recursos, comparados com os dos Aliados, por
demais superiores. Entretanto, fosse qual fosse a razão, von Choltitz se
negava a cumprir a misantrópica ordem de Hitler, preservando para a Humanidade
a cidade-patrimônio. Paralelamente, o general alemão decidira não abandonar
Paris, o que suscitou a suspeita de um duplo jogo, tendo ainda em vista que
suas ordens para a defesa da cidade até um certo limite, que incluía todo o
perímetro urbano, não foram modificadas. As defesas de Paris, no oeste e no sul da cidade, formavam,
ainda, uma sólida linha. Logicamente, os 20.000 homens que o comando alemão
dispunha não poderiam resistir ao assédio dos Aliados por muito tempo,
todavia constituiriam uma barreira difícil de ser transposta. Artilharia,
tanques e canhões antiaéreos, dispostos estrategicamente, eram os senhores
absolutos de Trappes, Guyancourt, Toussus-le-Noble, Chateaufort, Saclay,
Massy, Wissous e Villeneuve-le-Roi. Essas localidades, fortificadas,
descreviam um gigantesco semicírculo que envolvia Paris pelo oeste e pelo
sul. Os caminhos a essa altura já haviam sido bloqueados convenientemente. A
situação, no lado dos Aliados, era bastante confusa, pela carência total de
informações pertinentes às condições defensivas dos alemães e de seus pontos
fortificados. Ao se efetuar o deslocamento do General Leclerc na direção de
Rambouillet, ao meio-dia de 23 de agosto, à frente das unidades mais
avançadas da sua divisão, tomou ele conhecimento, através dos informes de
seus exploradores e de civis franceses, da importância das defesas inimigas.
Em conseqüência, o chefe francês, considerando que seus efetivos naquele
momento não estavam em condições de arcarem com tal esforço, decidiu adiar o
ataque até que se produzisse a fusão do restante de sua divisão, o que
sucederia naquela mesma noite. O plano de ataque do General Leclerc assentava-se
primordialmente nas instruções do General Gerow. Em linhas gerais, consistia
nos seguintes movimentos: três grupamentos de combate integrariam a força
atacante, que se deslocaria sobre Paris; o primeiro, sob o comando do Coronel
de Longlade, e o segundo, comandado pelo Coronel Dio, nesta ordem, avançariam
rumo a Rambouillet, pelo norte; o grupamento restante, obedecendo as ordens
do Coronel Billotte, atacaria do sul. As diversas movimentações de tropas, finalmente, ficaram assim
resumidas: Leclerc decidiu efetuar o principal ataque partindo do sul, desde
Arpajon, localidade situada a uns 15 km ao sul de Paris. Com efeito, ordenou
o deslocamento do Coronel Billotte para Arpajon, visando o ataque à
Cidade-Luz pelo sul. A movimentação ordenada pelo chefe francês foi, possivelmente,
motivada pela crença de que a oposição alemã seria mais frágil ao longo do
eixo Arpajon-Paris (de sul a norte) do que na área Rambouillet-Versailles (a
oeste de Paris). Outras interpretações dão a decisão de Leclerc de atacar
pelo sul como movida pela intenção de evitar danos desnecessários ao
Versailles, um monumento nacional, bem como o seu desejo de que as operações
de guerra em território francês fossem conduzidas exclusivamente por
franceses. A primeira interpretação parecia mais lógica e o tempo a
confirmou. Todavia, contrariamente às suas próprias suposições, Leclerc
ordenava o avanço de suas forças através do setor no qual as defesas alemães
eram mais sólidas. Finalmente, ao amanhecer do dia 24 de agosto de 1944, o General
Leclerc concretizava o avanço de suas tropas em meio a uma chuva persistente. No setor esquerdo, os franceses lançaram um ataque a Saint Cyr,
a 5 km de Versailles, ataque este que tinha por objetivo desviar a atenção do
inimigo, enquanto as colunas do Coronel Langlade avançavam na direção de
Chateoufort e Toussus-le-Noble, a 15 e 10 km de Paris, respectivamente. Os franceses
viram-se logo obstados por uma forte resistência alemã, composta
principalmente de fogos de artilharia e campos de minas. Após quatro horas de
luta, ao destruir alguns blindados, os franceses conseguiram romper as linhas
alemães e desse momento em diante, até Sevres, nos subúrbios de Paris, a
resistência encontrada foi mínima. Naquela localidade, a ponte que cruzava o
Sena foi tomada intacta, permitindo a entrada na capital. Finalmente os
franceses chegavam a Paris. A população, entretanto, manifestando incontido entusiasmo,
precipitou-se às ruas, recebendo os seus soldados com um júbilo inenarrável.
Os primeiros a cruzar a ponte de Sevres foram os efetivos blindados, que
instalaram, assim, a primeira cabeça-de-ponte na capital da França. Era a tarde
do dia 24 de agosto de 1944. No sul, entretanto, as forças do Coronel Billotte empreendiam
esforços no sentido de dar continuidade ao seu avanço para o norte. Neste
ponto a resistência alemã era mais poderosa que no oeste. Os soldados de
Billotte tinham pela frente uma linha de defesa alemã composta de casamatas e
pontos fortificados, cobertos por artilharia de campanha e canhões
antiaéreas. Além disso, a região, densamente povoada, dificultava os
movimentos dos franceses, desejosos que estavam de evitar uma destruição
inútil. Finalmente, após dois ataques maciços contra Massy, localidade
situada a 2 km dos subúrbios de Paris, a região foi ocupada. Nesta
oportunidade, foi muito sentida a falta de apoio por parte das unidades
aéreas americanas, que, devido às péssimas condições atmosféricas, não
movimentaram seus aviões. A esta altura dos acontecimentos, os efetivos franceses já se
encontravam, praticamente, sobre seus objetivos finais. Todavia, ainda não se
podia antever o fim das operações, e os comandos americanos, que haviam
acompanhado e assistido o desenrolar daqueles acontecimentos, consideravam
injustificável que Paris ainda não tivesse sido libertada totalmente. Em conseqüência, o general americano Gerow, exasperado pela
lentidão do avanço francês, solicitou permissão para autorizar o avanço da 4a
Divisão até Paris. Nesta fase torna-se necessário citar as palavras do General
Bradley, relacionadas com a morosidade dos soldados de Leclerc: "A 22 de
agosto, Leclerc recebeu a ordem de iniciar o movimento imediatamente, porém
só conseguiu fazê-lo na manhã seguinte. Durante as vinte e quatro horas
subseqüentes, a 2a Divisão Blindada se deslocou "aos trancos
e barrancos", visto que, por onde passava, era recebida e festejada com
vinhos e iguarias. Não podia eu censurar essas tropas pelo fato de aceitarem
a hospitalidade de seus compatriotas, tampouco podia permanecer à espera que
efetuassem bailando seu avanço sobre Paris. De nossa parte, tínhamos que
cumprir o acordo, se quiséssemos que von Choltitz entregasse a cidade.
Finalmente disse a Allen: "Mande para o inferno todas as questões de
prestígio e ordene à 4a Divisão que se lance à frente e concretize
a libertação". Inteirados da ordem acima, e temendo o agravo que isto
poderia resultar para a França, os soldados de Leclerc subiram aos tanques e
gastaram e fundiram as lagartas sobre a resistente pavimentação dos
caminhos." Na realidade, quatro fatores haviam retardado o avanço dos
efetivos de Leclerc sobre Paris: as deficiências do dispositivo de ataque, o
receio dos soldados em causarem danos ao solo pátrio, a entusiástica recepção
do "povo francês a seus compatriotas da 2a Divisão e a
resistência alemã. Entretanto, nem todas as fontes consideraram lento o
avanço dos soldados franceses. O serviço de inteligência britânico, por
exemplo, referindo-se à marcha dos homens de Leclerc, dizia textualmente:
"A 2a Divisão Blindada Francesa se desloca a grande
velocidade... " E, além disso, a lista de baixas dos efetivos franceses
demonstra claramente que a luta, sem alcançar níveis de extrema violência,
estava longe de ser considerada fácil. Com efeito, os mortos somavam setenta
e um, contando-se ainda duzentos e vinte e cinco feridos e vinte e um
desaparecidos, além de trinta e cinco tanques, seis canhões autopropulsados e
cento e onze veículos diversos destruídos. Os comandos americanos, entretanto, estavam menos interessados
nas razões do aparentemente lento avanço do que nos resultados do mesmo, e
como conseqüência disso, insatisfeitos com Leclerc, comunicaram-lhe que era
"imperativo" para os Aliados a tomada de Paris, esclarecendo que
ficavam sem efeito as disposições tomadas para permitir a entrada dos
franceses na capital em primeiro lugar. Gerow, então, ordenou a Leclerc que
incrementasse decididamente seu avanço, imprimindo-lhe maior velocidade. O
general francês, imediatamente, tomou as providências necessárias para
prosseguir no avanço, realizando um considerável esforço nessa mesma noite
(24 de agosto). Uma ordem endereçada a Billotte e assinada por Leclerc
dispunha que um pequeno destacamento, integrado por tanques e outros veículos
blindados, deveria avançar sobre o centro de Paris, penetrando no coração da
cidade. |
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A entrada em Paris Os efetivos franceses que haviam acompanhado o General De Gaulle
em sua luta contra o invasor alemão estavam compostos, em sua maioria, por
cidadãos franceses recrutados nas colônias e outros que haviam abandonado o
território metropolitano da França, fugindo para a Inglaterra nos anos
anteriores a 1944. Encontravam-se entre eles alguns que nunca tinham visto
Paris e outros que a recordavam dos anos anteriores à guerra. Muitos deles
tinham-se reunido a De Gaulle ainda adolescentes e regressavam agora
convertidos em homens. Outros, ainda, depois de percorrerem milhares de quilômetros
no Oriente Médio e na África, tombaram definitivamente. Eram os que não
veriam o dia da vitória... Milhares, no entanto, ali estavam, a um passo de
suas casas, das ruas que lhes eram familiares, dos bairros que os haviam
visto nascer. E ali, efetivamente, diante deles, estava Paris, sua cidade,
seu mundo. E entre eles estava o Capitão Raymond Dronne, do Regimento do
Chade. Fazia dois dias e duas noites que o Capitão Dronne não descansava.
Seus olhos, injetados de sangue, se fixaram na delgada figura que se erguia
diante dele. Foi então que escutou as palavras que milhões de franceses
ansiavam por escutar: "Quero que entre em Paris. Largue tudo e siga
imediatamente. Evite, sempre que possível, o confronto direto com os
alemães...". Tão logo o General Leclerc terminou de manifestar sua ordem,
Dronne girou em meia volta e partiu às carreiras. As duas noites insones já
não lhe pesavam e seus olhos haviam recuperado o antigo brilho. Após uma sucinta ordem, seus três tanques Sherman,
"Romilly", "Montmirail" e "Champaubert",
acompanhados de meia dezena de blindados diversos, partiram a toda
velocidade. Sua meta: o centro de Paris. Pela mesma estrada que Dronne seguia com sua pequena coluna
blindada, cento e vinte nove anos antes, Napoleão Bonaparte havia arremetido
contra Paris, ao regressar de seu exílio na ilha de Elba. Os cartazes
indicadores no caminho diziam: Paris-Porte D'Italie. O Capitão Raymond Dronne foi o primeiro francês a chegar no
centro de Paris, só se detendo na Place d'Italie, onde centenas de cidadãos
franceses já se comprimiam ao redor de seus tanques. Produziu-se então uma
cena indescritível com gritos, exclamações, abraços e lágrimas. Os soldados
de Dronne desapareciam em meio à multidão. Os olhos de Dronne voltavam a
avermelhar-se uma vez mais. Dronne e seus homens haviam ansiado por aquele momento durante
anos, o mesmo ocorrendo com os populares que os cercavam. O Exército francês, finalmente, depois de 1.532 dias, 3 horas e
52 minutos do instante em que os efetivos vitoriosos da Wehrmacht cruzaram o
Porte de La Villette, às 5,30 horas do dia 14 de junho de 1940, regressava a
Paris. A notícia correu como um rastilho de pólvora com a frase:
"O primeiro tanque do Exército francês já está no centro da
cidade...", passando de casa em casa, de rua em rua, de cidadão a
cidadão. O Exército francês, representado pelo até então desconhecido
Capitão Dronne e seus três tanques, já estava de volta a Paris. Da Place d'Italie, a coluna blindada seguiu, sob aclamações da
multidão, em direção ao Sena, onde cruzou a ponte de Austerlitz, alcançando o
Hotel de Ville, pouco antes do meia-noite de 24 de agosto. Paralelamente, no
setor aliado, os comandos americanos enviavam alguns contingentes a Paris,
cabendo a tarefa ao 12° Regimento de Infantaria, da 4a Divisão,
que deveria entrar em Paris no dia seguinte, 25. Motorizado, o regimento se
pôs em marcha para o norte, alcançando Athis-Mons e Villeneuve-le-Roi. Apesar
do fogo de artilharia que bateu as unidades do regimento, a cadência e a
direção da marcha foram mantidos. Por fim, cobertos pelo 102° Grupo de
Cavalaria, os efetivos do regimento alcançaram as imediações da Catedral de
Notre Dame ao meio-dia de 25 de agosto, em meio a uma multidão feliz que os
aclamava sem cessar. Imediatamente, os americanos se deslocaram pelas ruas de Paris,
ocupando as estações ferroviárias de Austerlitz, Lyon e Vincennes. Outros destacamentos de
reconhecimento foram enviados sem demora em missões de exploração às zonas
norte e leste da cidade. Em prosseguimento, enquanto os efetivos americanos se
asseguravam da região leste de Paris, os franceses se deslocavam para o
oeste, consolidando suas posições. Os efetivos do Coronel Langlade progrediam
até o Arco do Triunfo, enquanto os de Billotte faziam o mesmo até a Place du Chatelet
e os Champs Elysées. As tropas do Coronel Dio, por sua vez, divididas em dois
grupos, chegavam à Escola Militar e ao Palácio Bourbon. Nessas ocasiões verificaram-se alguns encontros entre efetivos
franceses e alemães, que permaneciam entrincheirados em alguns edifícios
públicos como o Quai d'Orsay, o Palácio Bourbon, o Hotel des Invalides e a
Escola Militar. Por outro lado, o envolvimento dos dois mil soldados alemães
que ainda permaneciam no Bois de Boulogne representava um sério problema para
os Aliados, que desejavam evitar danos desnecessários ao patrimônio da
cidade. Finalmente, os tanques franceses chegaram até às proximidades do
Hotel Meurice, sede do Alto-Comando alemão e residência do General von
Choltitz. Ali, os soldados franceses penetraram no interior do prédio, depois
de alguns entreveros de menor importância. A rendição de von Choltitz Henri Karcher, subtenente do Exército francês, desceu do veículo
blindado que o havia conduzido até à porta do Hotel Meurice. Seguido por três
dos seus soldados, aproximou-se da porta de entrada. A primeira coisa que
apareceu diante de seus olhos foi um capacete alemão, que sobressaía por trás
de uma escadaria. No mesmo instante, uma granada tomou o rumo do soldado
alemão, eliminando-o. Em seguida, após ordenar nos soldados alemães que
saíssem, um a um, com os braços levantados, subiu as escadas, seguido de seus
três companheiros, atingindo o primeiro piso do edifício. Enquanto isso, em
seu gabinete, cercado por seus colaboradores mais imediatos, o General von
Choltitz aguardava a chegada dos vencedores. Choltitz estava sentado à sua escrivaninha. De pé, em sua volta,
entre outros, o Tenente Ernst von Bressendorf, seu oficial de comunicações e
o Tenente Dankvort von Arnin, seu ajudante-de-ordens. Todos haviam deixado
suas pistolas regulamentares sobre a escrivaninha e permaneciam em silêncio.
Nesse momento, Choltitz pensava na ordem de Hitler para lutar até o último
cartucho e destruir Paris, convertendo-a num montão de ruínas... e talvez
tenha compreendido que, com seu ato, com sua rendição, com o não cumprimento
da ordem recebida, do Führer, acabava de salvar a honra de sua pátria e a sua
própria. Quando a porta do gabinete de Choltitz se abriu, o general alemão se
pôs de pé. Foi quando apareceu a silhueta de um jovem soldado com o uniforme
coberto de poeira e empunhando uma metralhadora. O soldado se aproximou da
escrivaninha e, batendo com os calcanhares militarmente, se apresentou:
"Subtenente Henri Karcher, do Exército do General De Gaulle".
Imediatamente veio a resposta: "General von Choltitz, comandante de
Paris". Karcher, em seguida, perguntou ao general se estava disposto a
render-se. Um brevíssimo Ja foi a resposta do oficial alemão. "Neste
caso - disse Karcher - o senhor é meu prisioneiro." "Sim",
respondeu von Choltitz. Nesse mesmo instante, um segundo oficial francês
entrava na habitação. Tratava-se do Major Jean de la Horie. Depois da
saudação regulamentar, dirigiu-se a von Choltitz, dizendo-lhe: "General,
o senhor acaba de abandonar a luta. Peço-lhe que ordene a seus homens, que
ainda resistem, que deponham as armas." Minutos após, depois de
despedir-se de seus colaboradores mais imediatos, von Choltitz deixava o
Hotel, acompanhando o Major de la Horie. O Subtenente Karcher, então, um tanto
decepcionado, decidiu inspecionar o edifício, antes de abandona-lo. Foi
quando viu, sobre um móvel, um pedaço de pano em que se distinguiam as cores
branca, vermelha e preta. Perguntou a um dos alemães que ainda ali
permaneciam o que significava aquilo. "A bandeira do Comando de
Paris", foi a resposta. "Dê-ma", disse Karcher, autoritário. O
militar alemão, que o observava rigidamente, com um gesto firme e solene,
obedeceu. Era a bandeira que, durante quatro anos, dois meses e dez dias,
havia tremulado sobre o balcão do número 228 da Rue Rivoli. Ato contínuo, Karcher entrou no gabinete do até momentos antes
Comandante de Paris e discou: "Auteuil 0421". Suas palavras foram
as seguintes: - Alô papai... Como vai... Aqui fala o Subtenente Henri
Karcher... para dizer-te que, apesar de teus prognósticos desfavoráveis
acerca das minhas propensões militares, me sinto feliz de anunciar que acabo
de capturar o comandante-chefe alemão, seu estado-maior e sua bandeira... Já na rua, entretanto, o Major de La Horie, pistola em punho,
protegia seu prisioneiro, o General von Choltitz. A sua volta, extravasando
seu ódio e fustigando o chefe alemão, uma multidão incontida. O general alemão, sério, solene, observava toda a cena com um
olhar distante. Ao seu lado, acompanhando-o, encontrava-se o Cabo Mayer, que
levava uma valise contendo alguns objetos pessoais do ex-Comandante de Paris.
Em um determinado momento, ao recrudescerem os apupos da multidão, Choltitz
murmurou: "Querem linchar-me..." Nesse momento, uma mulher,
destacando-se da massa, aproximou-se de Choltitz, tentando atacá-lo. Outra,
vestindo o uniforme da Cruz Vermelha, se interpôs de imediato entre ambos,
cobrindo o oficial alemão com seu corpo. Logo depois, já no blindado que o conduziria prisioneiro,
Choltitz pôde considerar-se seguro. Após ele, o Cabo Mayer, despojado de sua
valise por um elemento das FFI, viu rondar a morte, quando o veículo partiu
sem ele. Em seguida, no entanto, tomaria o mesmo destino. Dez segundos mais
tarde o blindado se afastava da multidão que o seguia gritando seu ódio por
aquele que acreditava fosse o responsável pelos quatro anos de ocupação.
Nesses mesmos instantes, no coração de Paris, no edifício da Prefeitura de
Polícia, outro general, com seu uniforme coberto de poeira, se preparava para
almoçar. Era o libertador de Paris: Jacques Philippe Leclerc. O general francês tinha dado início à sua longo marcha para a
capital do França em 25 de agosto de 1940. Nesse dia havia tomado posse de
Camarões em nome do General De Gaulle, decidindo-se a lutar pela libertação
de sua pátria distante. Acompanhavam-no nessa ocasião dezessete homens: três
oficiais, dois missionários, sete colonos e cinco empregados. Aqueles
dezessete homens constituíram o núcleo inicial da 2a Divisão
Blindada que acabava de entrar em Paris. Sob as ordens de Leclerc se
encontravam, nesse momento, 16.000 soldados, que constituíam a unidade mais
moderna do Exército francês. O General Leclerc, aguardava o oficialização da rendição do
comandante alemão. A cerimônia teria lugar na sala de jogos e seria precisamente
uma mesa de bilhar a escolhida para redatar a ata oficial da rendição. Ao dar entrada von Choltitz, os generais se apresentaram,
citando suas unidades e os exércitos aos quais pertenciam. Imediatamente,
entregaram-se à tarefa de determinar os termos a serem inseridos na ata
oficial. Posteriormente, Leclerc exigiu de Choltitz a ordem para que os
efetivos alemães, que ainda resistiam em alguns pontos fortificados da
cidade, depusessem as armas. Em seguida, com von Choltitz a seu lado, Leclerc
abandonou a sala. A rendição oficial dos efetivos alemães de Paris acabava de
consumar-se. Ocorreu nesta oportunidade um fato aparentemente sem
importância, mas que, em realidade; era vital para o destino da França.
Efetivamente, o documento firmado por Choltitz e entregue a Leclerc
manifestava claramente que a rendição dos efetivos alemães não se verificara
ante um representante do Supremo Comando Aliado, mas sim ante os
representantes do Governo Provisório do França, encabeçado pelo General De
Gaulle. A glória militar e o transbordante entusiasmo que envolvia a
população inteira da capital da França não eram suficientes para fazer com
que o futuro governante e os homens que o acompanhavam esquecessem as
implicações políticas que poderiam advir no caso da permanência de suas
forças sob qualquer dependência do comando supremo. A opção era notória.
Choltitz se havia rendido ao governo francês. E De Gaulle era o governo
francês. Mais tarde, porém, quando o General Leclerc entregou a De Gaulle
o documento firmado por von Choltitz, uma desagradável surpresa fez com que o
comandante francês não ocultasse seu desgosto. Com efeito, o documento havia
sido subscrito também pelo chamado "Coronel Rol", um líder
comunista de ativa participação no movimento de resistência. Os comunistas,
com essa assinatura, obteriam elementos que lhes permitiriam fazer valer seus
direitos sobre os vencidos e, principalmente, na organização do futuro
governo da França. Constituía, em resumo, um precedente que sustentaria suas
pretensões à máxima direção da Nação. Enquanto isso, munidos de cópias da rendição de Choltitz,
dispondo sobre o cessar fogo em toda Paris, os oficiais do seu estado-maior
se dirigiam para os diversos pontos da capital, nos quais ainda resistiam
alguns efetivos alemães. Um a um os diversos redutos foram acatando a ordem e
empreendendo a rendição. Todavia, em alguns pontos a luta se prolongou. 26 de agosto de 1944 No sábado 26 de agosto, Paris despertou no seu primeiro dia de
liberdade. Para aproximadamente 300 soldados americanos do 12o
Regimento, o dia teve início com uma cerimônia religiosa. Na histórica
Catedral de Notre Dame, no altar de São José, o padre Leonardo Fries celebrou
o sacrifício da missa. Presenciaram-na, silenciosos, os 300 homens. Paralelamente, em uma sinagoga de Paris, o Capitão Morris Frank,
capelão judeu do 12° Regimento, celebrava também um ofício religioso, diante
de um grupo de soldados de origem judia. No entanto, o episódio culminante daquele 26 de agosto seria marcado
pela marcha do General De Gaulle, ao longo dos Champs Elysées. A notícia,
repetida pela rádio de Paris durante toda a noite, tinha mobilizado milhões
de parisienses, ansiosos por acolherem o homem que simbolizava a resistência
da França, no seu sentido mais amplo. Tratava-se, em realidade, do verdadeiro
encontro de De Gaulle com a História, o ponto culminante de sua cruzada, o
plebiscito informal que o consagraria como dirigente, por direito próprio, da
nação recém-libertada. De Gaulle, como disposição prévia, ordenou a Leclerc que
preparasse a 2a Divisão Blindada, a fim de que esta desfilasse
diante do povo de Paris. O general não havia tomado aquela decisão com o
objetivo de proteger sua pessoa. Existiam outras razões que justificavam
aquela demonstração de força, e uma delas consistia em mostrar ao mundo o
poder que alicerçava seu governo. O plano de De Gaulle, todavia, era muito audaz, visto que ainda
restavam na cidade focos de resistência inimiga, encontrando-se o grosso dos
efetivos alemães nas cercanias da cidade. Além disso, as unidades que De
Gaulle decidira fazer desfilar pela cidade eram as únicas, juntamente com um
regimento americano, com que contava a cidade para a sua defesa. Por outro
lado, jamais a Luftwaffe teve à sua disposição um objetivo de tal magnitude
como o representado por aqueles milhares de franceses aglomerados para
aplaudir o desfile de suas tropas e de seu chefe máximo, e que havia sido
anunciado por todas as rádios da Europa durante a noite. De Gaulle estava
disposto a enfrentar o perigo. A primeira conseqüência de sua ordem ocorreu algumas horas
depois. Foi quando o General Gerow enviou ao General Leclerc a seguinte
ordem: "O senhor encontra-se operando sob meu comando e, como tal, não
pode aceitar ordens de nenhuma outra fonte. Sei que o General De Gaulle
ordenou que suas tropas participem do desfile que se realizará esta tarde, às
14 horas... Suas tropas não deverão participar do desfile desta tarde nem de
nenhum outro, salvo em caso de ordens emanadas do meu comando." Entretanto, a 2a Divisão Blindada participou do
desfile da vitória. O comentário de Gerow foi taxativo: "Acabam de abrir uma
brecha na disciplina militar aliada." Leclerc, contudo, sabia que De Gaulle estava do seu lado. Como
de fato esteve durante o desfile triunfal e como esteve todo o povo de Paris.
Foi ainda de De Gaulle a decisão final. Ao responder as objeções do General
Gerow, transmitidas pelo Major Robert Levy, oficial de comunicações, ao chefe
francês, disse: "Este desfile é necessário para a França... ". Os primeiros passos do General De Gaulle, na tarde de 26 de
agosto, o levaram, seguido de sua comitiva, até ao Túmulo do Soldado
Desconhecido. Ali, em silenciosa cerimônia, depositou uma palma de flores.
Logo após saudar os sagrados despojos, foi de encontro à multidão que o
aclamava. Já na Place de L'Étoile se encontravam, alinhados, os tanques e
veículos blindados da 2a Divisão. Diante deles, os soldados
franceses, em posição de sentido, aguardavam a chegada de seu chefe natural.
E rígidos, silenciosos e emocionados, os homens que durante quatro anos
sonhavam com esse momento viram passar De Gaulle. Depois, em meio às aclamações de dezenas de milhares de pessoas
que repetiam seu nome em coro, De Gaulle se dirigiu para o Arco do Triunfo,
de onde contemplou o panorama que era oferecido pelos Champs Elysées,
envoltos por uma multidão jamais vista em Paris. A seguir, lentamente,
precedendo os homens que haviam dado tudo de si para a recuperação da pátria,
De Gaulle foi de encontro aos aplausos dos seus concidadãos. Ao seu lado,
marchavam Koenig, Leclerc, Chaban-Delmas, Juin e muitos outros. Ao chegar à Place de la Concorde, as aclamações da multidão não
puderam dissimular um estampido seco. Em seguida, em rápida sucessão; novos
disparos foram ouvidos. Uma onda de terror sacudiu os circundantes. Milhares
de homens e mulheres buscaram refúgio atrás das árvores e debaixo dos
veículos. Os soldados de De Gaulle, entretanto, dirigiam os metralhadoras dos
tanques para o alto de alguns edifícios, de onde haviam partido todos os
disparos. De Gaulle, por sua vez, sempre firme e ereto, não vacilou e seguiu
em frente, animando a quantos o rodeavam. Enquanto os soldados da 2a
Divisão Blindada cobriam com seu fogo os pontos de ataque, os oficiais de
Leclerc cuidavam de restabelecer a ordem e evitar maiores baixas. Entre as
dezenas de situações confusas que ocorreram nesses momentos, os
correspondentes puderam captar o diálogo irônico travado entre o dirigente
comunista "Coronel Rol", que tomava parte na comitiva de De Gaulle,
e o Coronel Jacques de Guillebon, da 2a Divisão Blindada.
"Rol", dirigindo-se ao militar, disse: "Vejo que seus homens
não estão muito afeitos à luta de guerrilha." No que o outro rapidamente
replicou: "Não, mas podem aprender logo... " Era notório o endereço
de ambas as frases. As conseqüências do atentado se traduziram, de acordo com os
informes dos hospitais de Paris, em aproximadamente 300 feridos, alguns a
bala, porém a maioria vitimada pelo atropelo da multidão em fuga. Os autores
dos disparos foram detidos e eram, em sua maioria, milicianos pertencentes
aos grupos que defendiam o governo de Vichy. Eisenhower em Paris O General Bradley relatou desta maneira a chegada do
comandante-chefe aliado na capital da França: "No dia seguinte à libertação
de Paris, ao regressar de um rápido vôo a Brest, encontrei Eisenhower
acampando nas proximidades do posto de comando, situado no terreno de uma
granja perto de Chartres. Apesar de ele ter vindo tratar de assunto de maior
relevância, sugeriu-me que na manhã seguinte fizéssemos uma incursão pelos
subúrbios de Paris, a fim de olharmos a cidade. - É domingo - disse-me -,
todos dormirão até tarde. Poderemos entrar sem causar qualquer movimentação. "Por ródio concitou a Monty para que conosco se juntasse,
todavia este contestou, lamentando não poder fazê-lo, visto estar demasiado
ocupado, impulsionando as suas tropas britânicas até o Sena. "Não eram ainda oito horas da manhã, quando conseguimos
movimentar nossos veículos pelas ruas de Chartres, cujas casas e tendas
estavam ainda fechadas. O Cadillac oficial de Ike portava as bandeiras
francesa, inglesa e americana e avançava entre dois carros blindados; Sibert
servia de guia, adiante em um jipe. Ao nos aproximarmos da cidade, uma enorme
quantidade de bicicletas, vindas em sentido contrário, bloqueava o caminho,
até o ponto de se pensar que metade de Paris havia saído esta manhã a pedalar
com o objetivo de buscar alimentos nos campos dos arredores. Aqui e ali, em
todo o transcurso do caminho, algumas unidades da 4a Divisão,
bivacadas, descansavam sem prestar qualquer atenção ao movimento da estrada. "Gerow aguardava em uma esquina muito animada, do outro
lado da Porte d'Orleans. Ao longo de Montparnasse, onde foram construídos
abrigos antiaéreos nos parques despojados de árvores, chegamos finalmente ao
quartel-general que De Gaulle estabelecera na Prefeitura de Polícia. A Guarda
Republicana se alinhara por cima da ampla escadaria que dava acesso ao pátio
interno do gabinete do general. De Gaulle aguardava lá dentro. Acolheu-nos
com um sorriso fraternal, que não conseguia dissimular sua fisionomia
austera. Era esta a primeira vez que eu me encontrava com este soldado
francês da resistência, no qual só pude ver seriedade e resolução. De Gaulle
fez menção da necessidade de se fazer ver aos parisienses que agora os
Aliados chegavam com forças suficientes para obrigar os alemães a retroceder
até sua pátria e lá aniquilá-los. Para que o povo pudesse aferir o valor
desse potencial bélico e assim levantar seu ânimo, sugeriu que fizéssemos
desfilar uma ou duas divisões pelas ruas de Paris. "Ike indagou-me o que poderia ser feito a esse respeito,
tendo em vista que já havíamos planejado avançar no rumo este de Paris.
Disse-lhe então que poderíamos movimentar uma divisão diretamente pelo Arco
da Estrela, ao invés de fazê-la contornar os limites da cidade. - Quando será
isto possível? - perguntou Ike. - Talvez dentro de dois ou três dias -
respondi. "Com o General Joseph Pierre Koenig, a quem De Gaulle havia
nomeado Governador Militar de Paris, representando a França, seguimos pelo
Boulevard des Invalides, detendo-nos ligeiramente no Túmulo de Napoleão. A
seguir, cruzamos o Sena, atingindo a ampla Place de la Concorde e seguindo
pelos Champs Elysées. Uma enorme bandeira tricolor pendia do Arco do Triunfo
até a rua. Quando Eisenhower desceu do veículo a fim de prestar sua homenagem
ao Soldado Desconhecido da França, uma multidão jubilosa o cercou, impedindo
seu retorno e obrigando a intervenção da polícia, que formou com seus homens
uma cunha, a fim de abrir caminho para o comandante aliado. No momento em que
Ike chegava a um refúgio, um enorme e esfarrapado francês o tomou pelo
pescoço, beijando-lhe ruidosamente ambas as faces. A multidão se deleitava,
enquanto Ike ruborizava e lutava para se safar daquela situação. Por minha
parte, impossibilitado de chegar até o automóvel, abri caminho até um jipe da
escolta, onde uma bonita moça flertava com o motorista. Mais tarde, ao mesmo
tempo em que limpava uma mancha de batom que ela havia deixado em seu rosto,
ouvia as brincadeiras de Ike acerca de minha melhor sorte. - Deixarei as
'accolades' (beijo simbólico de uso corrente na França ao conferir-se uma
menção honorífica) para você e eu correrei de novo o risco entre a multidão. "Na tarde de 29 de agosto, a 28a Divisão, com
suas colunas impecáveis, os canhões e os fuzis carregados e os homens com
todo o seu equipamento, desfilou desde o Arco do Triunfo, passando pelos
Champs Elysées até à Place de la Concorde, que abrigava uma verdadeira
multidão. Ali, sob os acordes da marcha própria da divisão 'Khali Bill', a
coluna se dividiu em duas, a cada uma correspondendo uma zona de preparação
para o ataque. O que os parisienses presenciaram com o desfile de uma
divisão; era em verdade um movimento tático de aproximação para o
combate." Anexo Os protagonistas Abaixo vão alguns dos
protagonistas das épicas jornadas que culminaram com a libertação de Paris; Otto Abetz -
Nasceu na Alemanha em 1903. Em 1939, foi expulso da França, à qual regressou
em 1940, como Embaixador do III Reich. Ali permaneceu até o final da guerra.
Posteriormente, foi julgado e condenado a 20 anos de prisão. Em 1954 foi
indultado e recuperou a liberdade. Veio a falecer em 1958. Georges Bidault -
Nasceu na França em 1899. Foi Presidente do Conselho Nacional da Resistência
e, em 1944, Ministro das Relações Exteriores do General De Gaulle. Em 1946
ocupou o cargo de Primeiro-Ministro. Entre 1947 e 1948 foi novamente Ministro
da Pasta do Exterior, cargo que voltou a ocupar em 1952, 53, 54. Entre 1949 e
1950 foi Chefe de Governo e entre 1951 e 1952 foi Vice-Presidente e Ministro
da Defesa. Leon Blum -
Nasceu em Paris em 1872. Foi Presidente do Conselho entre 1936 e 1937.
Incrementou a política de guerra contra a Alemanha. Quando a França caiu em
poder dos alemães, viu-se conduzido à Alemanha, onde permaneceu como
prisioneiro até 1945. Ao regressar à França, voltou a ocupar a chefia do
Partido Socialista. Foi Presidente do Governo entre dezembro de 1946 e
janeiro de 1947. Faleceu em 1950. Georges Bonnet -
Nasceu na França em 1889. Foi deputado radical-socialista, Ministro da
Fazenda e de Obras Públicas e Embaixador nos Estados Unidos. Interveio no
pacto de Munique e favoreceu a política conciliatória frente à Alemanha. Georges Catroux -
General francês nascido em 1877. Foi governador de Damasco em 1939 e da
Indochina em 1940. Partidário do General De Gaulle, Pétain o destituiu. Em
1941 participou ativamente da ocupação da Síria pelos efetivos aliados. Entre
1943 e 1944 foi governador da Argélia. Posteriormente, entre 1945 e 1948, foi
Embaixador na Rússia. Edouard Daladier -
Nasceu na França em 1884. Foi partidário da política pacifista. No curso da
guerra foi internado num campo de concentração pelos alemães. Ao terminar as
hostilidades, reintegrou-se na política. Foi eleito deputado em 1946. Jacques Doriot -
Nasceu na França em 1888. Foi um ativo militante comunista. Posteriormente
abandonou a doutrina e se declarou trotzkista, combatendo os seus anteriores
correligionários. Por ocasião da ocupação alemã, colaborou com os nazistas. Edouard Herriot -
Nasceu na França em 1872. Foi Presidente da Câmara entre 1936 e 1942. Em 1943
foi preso pelos alemães. Libertado em 1945, foi Presidente da Assembléia
Nacional entre 1947 e 1953. Faleceu em 1957. Pierre Koenig -
General francês, nascido em 1898, combateu na Noruega. Uniu-se a De Gaulle e
lutou em Bir-Hacheim, em 1942. Foi comandante-chefe das forças francesas
livres na Grã-Bretanha. De Gaulle nomeou-o Governador Militar de Paris, em 1944.
Foi comandante da zona francesa de ocupação na Alemanha entre 1945 e 1949,
Vice-Presidente do Conselho Supremo da Guerra em 1950 e Ministro da Defesa
entre 1954 e 1955. Jean de Lattre de
Tassigny - General francês nascido em 1889. Durante a guerra foi comandante
de divisão e comandante-chefe das forças na Tunísia, entre 1941 e 1943. No
comando do 1o Exército e sob as ordens de De Gaulle libertou o
sudeste da França, chegando até à Alsácia. Com suas tropas penetrou na
Alemanha. Foi chefe de estado-maior entre 1945 e 1947, vindo a falecer em
1952. Pierre Laval -
Nasceu na França em 1883. Foi deputado socialista em 1914. Exerceu cargos
ministeriais entre 1925 e 1942. Desta data em diante tornou-se um ativo
colaboracionista, atuando desde abril de 1942 como chefe de governo. Em
agosto de 1944 tomou o rumo da Alemanha. Em maio de 1945 chegou à Espanha,
ocasião em que foi entregue à França, processado, condenado à morte e
fuzilado. Jacques Leclerc -
General francês nascido em 1902. Durante a guerra evadiu-se duas vezes dos
alemães, reunindo-se a De Gaulle em Londres. Foi localizado no Camarões, onde
organizou a resistência da África Equatorial Francesa. Depois de uma
vitoriosa campanha, chegou à Tunísia. Foi comandante da célebre 2a
Divisão Blindada que entrou em Paris. Entre 1945 e 1946 dirigiu as tropas
francesas na Indochina. Faleceu em 1947. Os ingleses e Paris Assim se expressou o
General Bradley sobre o delicado problema com que se defrontaram os comandos
americanos por ocasião da entrada dos efetivos aliados em Paris: "Nesse
dia Ike manteve-se afastado de Paris, procurando discretamente evitar
qualquer gesto que pudesse ser interpretado pelos ingleses como uma ação
tendente a granjear a simpatia do povo francês para o nosso lado, tendo em
vista o desfile de nossas tropas pelas ruas da capital da França. Não nos
surpreendeu o fato de Montgomery se negar a assistir ao desfile conosco. A
boa intenção de Eisenhower não diminuiu o ímpeto daqueles ingleses que se
imaginavam preteridos. Uma grande parte da imprensa londrina atacou duramente
o desfile das tropas americanas, como já temíamos que o fizesse,
qualificando-o como "uma deliberada afronta ao prestígio
britânico". "Se De Gaulle não
houvesse pedido uma imediata demonstração de forças em Paris, eu nunca teria
consentido que se levasse a termo tal iniciativa. Com efeito, a Paris
libertada tinha-se convertido no símbolo da França livre e ninguém possuía
mais direitos a participar dessas comemorações do que o povo inglês. Contudo,
os ingleses nunca ficaram alheios aos destinos de Paris. Quando a Divisão
para Assuntos Civis formou uma coluna para levar a Paris a primeira remessa
de víveres, uma frota de caminhões britânicos se agregou à missão de boa
vontade. E, na oportunidade, cada um deles levava, no pára-brisas, as cores
da Grã-Bretanha e, na traseira, algumas bandeirolas com a inscrição
"Víveres para Paris". No entanto, as centenas de caminhões
americanos que integravam a mencionada coluna entraram na cidade simplesmente
com sua pintura regulamentar." O plano de ataque Ao transpor o Sena, em
sua marcha para a Alemanha, os comandos aliados se viram a braços com uma
opção. Apresentou-se então uma delicada situação, ante a existência de duas
correntes opostas: a britânica e a americana. Os planos americanos
dispunham um avanço direto até o Reich, através do centro da França, pelo
Saar, e, mais além, até o Reno, nas vizinhanças de Frankfurt. Esta operação
seria acompanhada por um avanço secundário dos exércitos inglês e canadense,
sob as ordens de Montgomery, ao longo da costa do canal até Antuérpia. O plano britânico
previa que toda a potência de fogo aliada fosse concentrada em um movimento
pelo norte, passando por Amiens a Bruxelas, com um efetivo quase duas vezes
maior do que o que os americanos propunham através do Saar. A vantagem que o
plano americano implicava, com seu centro de gravidade dirigido sobre
Frankfurt, consistia no caminho direto que levaria até o coração da Alemanha,
passando por toda a zona livre que se estendia adiante do 3o
Exército. O centro de gravidade por esta zona encaminharia os efetivos
aliados para o outro lado das fortificações de Metz, através da Linha
Maginot, podendo também conduzi-los ao interior das defesas da Linha
Siegfrid, já a esta altura carecendo de defensores. Além disso, caso não
conseguissem atingir o Reno, os alemães se veriam pelo menos privados do
importante território do Saar. As desvantagens do
plano americano eram oriundas das mesmas debilidades de Montgomery, cujo 21o
Grupo de Exércitos tinha à sua frente as divisões alemães procedentes do
Passo de Calais. Desta forma, Montgomery não poderia continuar avançando
paralelamente aos americanos, já que corria o risco de ver as formações
aliadas formarem perigosas saliências, pondo os flancos a descoberto. Além
disso, existia o perigo de Montgomery se ver diante da possibilidade de não
contar com forças suficientes para conquistar Antuérpia, ainda mais que tal
porto era de suma importância para os Aliados, que dele dependeriam para as
futuras operações de guerra. Mesmo quando o plano
britânico implicava um avanço mais longo e talvez mais difícil, apresentava
inegáveis vantagens. Com dois exércitos próprios e um americano, Montgomery
podia garantir a rápida ocupação de Antuérpia e dos portos do Canal, a
ocupação dos aeroportos belgas para serem utilizados como bases de apoio para
os caças que escoltariam os bombardeiros pesados e a limpeza da costa, de
onde os alemães atacavam Londres com bombas voadoras. Além do mais, o avanço
pelo norte levaria os ingleses diretamente ao Ruhr e, como mais tarde
explicou Montgomery, era o melhor caminho para Berlim. Bradley, por outro
lado, insistia com Eisenhower para que fosse feita uma dupla penetração, que
englobasse as vantagens dos planos inglês e americano. A 26 de agosto,
finalmente, Eisenhower optou provisoriamente pelo ataque direto, e em nota
dirigida a Montgomery participou-lhe as diretivas no sentido de carregar o
seu centro de gravidade pela margem do Canal, dispondo paralelamente que
Bradley apoiasse o avanço britânico com as nove divisões do 1o
Exército. Por quê? No dia 28 de agosto de
1944, à meia-noite, três dias após a rendição do General von Choltitz, o
Marechal-de-Campo Model, comandante-chefe dos exércitos do oeste, transmitiu
ao quartel-general de Hitler esta mensagem: 28/8/44 P. C. Blitz Destino: OKW Para ser transmitido
somente por um oficial Muito secreto Solicito ao Presidente
do Tribunal do Reich a abertura de um processo criminal, tendo em vista a
quebra de disciplina em que está incurso o general de infantaria von Choltitz
e seus cúmplices. O General von Choltitz
falhou no cumprimento de seus deveres como comandante e responsável pela
defesa de Paris. Não sei precisar se
tal fracasso se deve a feridas causadas por projéteis ou à incapacidade de
atuar motivada por causas desconhecidas. Tal possibilidade não deve ser posta
de lado. Model. Comandante-Chefe do
oeste As armas V A última bomba V-1,
lançada de uma base situada em território francês, caiu em Kent, na tarde de
1° de setembro de 1944. A situação terrestre que vinham atravessando os
efetivos alemães no continente, bem como a demora no lançamento das V-2,
conduziram as autoridades britânicas à conclusão de que o perigo havia
passado. Em conseqüência, a defesa civil britânica diminuiu os seus
preparativos defensivos para o caso de ataques com as V-2. No dia 7, Duncan
Sandys, do Gabinete da Guerra, anunciou à imprensa que a "batalha de
Londres" estava no fim, exceto "possivelmente" alguns disparos
finais. Todavia, o ciclo iria
repetir-se, pois a 8 de setembro o primeiro de uma série de mais de mil
projéteis de dez toneladas, que viajavam a uma velocidade cinco vezes maior
que a do som e que alcançariam o território da Grã-Bretanha, caía e explodia
em Chiswick. Seis segundos mais tarde, uma segunda V-2 fazia o mesmo em
Parndon Wood, Epping, Nesse mesmo dia, os alemães efetuaram outros disparos
contra Paris, e antes que terminasse o mês de março de 1945 já teriam lançado
um total de 2.986 V-2 e 8.659 V-1, sendo que, deste total, 1.951 projéteis
(1.113 V-2 e 838 V-1 ) teriam por alvo a Inglaterra. O restante foi
endereçado a algumas bases continentais, principalmente Antuérpia. Visto isso, na manhã
do dia 9 de setembro, os chefes de Estado-Maior britânicos juntamente com
outros órgãos aliados, reuniram-se para deliberar a propósito da ação a
seguir ante a ofensiva das V-2. Ninguém ainda estava em condições de aferir a
extrema periculosidade da nova arma. A V-2 era uma arma espetacular, contudo
sua intervenção no conflito, já naquela data, não tinha o peso necessário para
influir no curso da guerra, visto a balança da contenda estar totalmente
favorável para o lado aliado. As deliberações do dia
9 de setembro conduziram à adoção novas medidas de segurança. Estas, contudo,
foram limitadas. E, com exceção de uma incursão efetuada pelo Comando de
Bombardeiros da RAF a 19 de setembro não se colocou em prática nenhum dos
complicados planos preparados para a eventualidade dos ataques com bombas
voadoras. |