A ação dos Corsários
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A partir de junho de 1941 os cruzadores auxiliares foram as
únicas naves de superfície que se mantiveram em operações, no lado alemão.
Mesmo assim, sua ação foi permanentemente prejudicada pelas novas armas
empregadas pelos Aliados. Contudo, passaria muito tempo antes que as grandes
rotas oceânicas fossem patrulhadas pelo ar a pela superfície dos mares, com a
necessária eficácia para afastar a ameaça dos corsários. Com efeito, esta
forma de guerra chegou ao fim somente em 1943. Quando o Scheer, em outubro de
1940, iniciou a sua missão no Atlântico, o Widder, que deslocava 7.900
toneladas e desenvolvia 14 nós de velocidade, entrava no porto de regresso de
uma incursão pelo Atlântico, no curso da qual havia afundado onze barcos e
capturado um petroleiro, com um deslocamento total de 66.000 toneladas. A segunda nave corsária que regressou ao porto, na primavera de
1941, foi o cruzador auxiliar Thor, uma ex-baleeira de 3.900 toneladas e 16
nós de velocidade. Sua primeira presa foi um grande petroleiro, que, depois
de capturado, foi enviado à França. Depois, internando-se no Atlântico
setentrional, o Thor uniu-se ao Scheer e o acompanhou, por algum tempo, em
sua campanha, atacando alguns barcos aliados. O primeiro deles foi o
Alcântara, de 22.000 toneladas, seriamente danificado. Em dezembro de 1940,
foi atingido o Carnavon Castle, de 20.000 toneladas. Em abril de 1941, depois
de áspero combate, foi afundado o Voltaire, de 13.000 toneladas. Ao todo,
como resultado final da sua primeira saída, 12 naves aliadas, com um total de
96.000 toneladas, foram postas a pique. Em agosto de 1941, regressou ao porto o Orion, após uma missão
que se prolongara por 17 meses. Na sua longa travessia, o Orion navegara
pelos mares do sul e pelo oceano Índico. Entre os episódios que esse navio
protagonizou, destaca-se, pela audácia demonstrada pela tripulação, o
lançamento de minas no Golfo de Hauraki, diante de Auckland, em Nova
Zelândia, sem ser visto. Mais tarde, o Orion se reuniu ao Komet, proveniente do Estreito
de Bering. O Komet com 3.300 toneladas e 15 nós de velocidade, era o menor
dos corsários alemães; em compensação, os seis canhões de 150 milímetros e os
dez tubos lança-torpedos de que era munido o convertiam em um dos mais
fortemente armados. Os dois navios operaram juntos, durante um certo tempo, nos
mares do sul, afundando três navios especialmente preparados para o
transporte de fosfatos. O Komet, por sua vez, canhoneou as instalações de
armazenamento daqueles fosfatos na ilha de Nauru, interrompendo durante
vários meses a provisão desse importante fertilizante. O Orion, ao todo, afundou dez barcos inimigos, com um total de
82.000 toneladas. O Komet, por sua vez, destruiu sete, totalizando 42.000
toneladas. O Komet atuou com êxito durante um certo tempo na rota Nova
Zelândia-Canal do Panamá. Depois, ingressou novamente no Atlântico, cruzando
o Cabo Horn. Em novembro de 1941 efetuou seu regresso ao porto, através do
Canal da Mancha. Os dois cruzadores auxiliares, Atlantis, de 7.900 toneladas e 16
nós, e Pingüim, de 7.800 toneladas e 16 nós, foram afundados pelos Aliados
depois de um longo cruzeiro. O Atlantis operou, principalmente, no oceano Índico, onde
torpedeou dois terços das 22 naves que aprisionou, com um total de 146.000
toneladas. A 22 de novembro de 1941, o Atlantis foi surpreendido por um
cruzador inglês no Atlântico meridional, quando estava reabastecendo um
submarino alemão. Depois de um curto combate, o corsário alemão foi posto a
pique pelos disparos da nave aliada. Esta, em seguida, diante do perigo que
representava a presença do submersível, afastou-se do local, sem recolher das
águas os náufragos, que foram salvos, pouco depois, pelo Python, barco
auxiliar de submarinos. Este último, no entanto, foi vítima de um cruzador
aliado, indo ao fundo poucos dias mais tarde. Os náufragos, o bordo de barcos
salva-vidas, foram rebocados por dois submarinos alemães que se encontravam
nas proximidades. Finalmente, ao encontrarem-se com outros dois submersíveis,
os tripulantes salvos das águas foram transferidos para eles. Os submarinos,
sobrecarregados, rumaram para o norte. Na altura das Açores, por fim, se
encontraram com quatro submarinos italianos, para os quais transportaram a
metade dos náufragos, que regressaram então à sua pátria sem sofrer mais
nenhum inconveniente. Foi durante o seu cruzeiro pelo oceano Índico que o comandante
do Atlantis equipou o Speybank, de 5.000 toneladas, como cruzador auxiliar,
batizando-o de Doggerbank. No decorrer da sua missão esta nave lançou minas
nas cercanias do Cabo das Agulhas, pondo a pique, com elas, três barcos
aliados, que totalizavam 20.000 toneladas. Entre os cruzadores auxiliares, o
Pingüim obteve os maiores sucessos, operando principalmente no oceano Índico
e na zona antártica, próxima ao indico. Entre suas mais audaciosas incursões,
conta-se o lançamento de minas nas proximidades de Sydney, Austrália. O maior sucesso do Pingüim, porém, foi obtido graças à hábil
interceptação das comunicações do telégrafo sem fio do inimigo. Enviando
mensagens falsas, o Pingüim conseguiu atrair a uma armadilha três grandes
naves norueguesas, dedicadas à pesca da baleia, capturando-as. Do mesmo modo,
o navio corsário conseguiu apoderar-se de onze pequenas baleeiras. As três
naves maiores foram imediatamente enviadas rumo à França, onde desembarcaram
22.000 toneladas de óleo de baleia. Dez das baleeiras também seguiram o mesmo
rumo, tripuladas em sua maioria por marinheiros do Scheer, que acorrera em
auxílio do Pingüim. Ao chegar ao porto, as baleeiras foram integradas numa
flotilha de barcos caça-submarinos. A décima primeira baleeira foi posta a
serviço na qualidade de nave de apoio do Pingüim. O petroleiro Storstadt,
também, foi rebatizado com o nome de Passat e, depois de utilizado durante
algum tempo como nave de apoio do Pingüim, foi transformado em lançador de
minas. Cumprindo essa missão, espalhou minas diante de Melbourne e Adelaide;
pelo menos, três barcos, com um total de 17.000 toneladas, foram perdidos em
conseqüência dessa ação. |
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Fecham-se as garras No dia 7 de maio, o Pingüim atacou e afundou um petroleiro na
zona ocidental norte do oceano Índico. Na manhã seguinte, avistado por um
avião de reconhecimento, sua posição foi comunicada a um cruzador pesado, o
Cornwall. Este, após rápido deslocamento, cortou a retirada ao corsário
alemão, obrigando-o a aceitar o combate. A luta desigual não tardou a se
definir. Apesar de atingido por alguns projéteis do navio alemão, o cruzador
inglês mostrou rapidamente a potência tremenda dos seus canhões de 203
milímetros. Um desses disparos atingiu em cheio um dos porões onde estavam
armazenadas 130 minas. A gigantesca explosão destruiu totalmente o barco,
sobrando apenas pouquíssimos sobreviventes. O Passat, por sua vez, conseguiu
escapar, chegando incólume à Europa. O resultado final da missão do Pingüim, que durou quase onze
meses, foi a captura de 28 unidades inimigas, com um total de 136.000
toneladas; outros cinco barcos, totalizando 30.000 toneladas, foram afundados
por meio de minas. Nos primeiros dias de dezembro de 1941, o Thor partiu para uma
segunda missão, e operando no Atlântico meridional e no oceano Índico, pôs
dez navios a pique, com um total de 56.000 toneladas. Em fins de setembro de
1942, entrou em Yokohama, e ali, dois meses mais tarde, foi destruído por um
incêndio provocado pela explosão ocorrida no barco auxiliar Uckermark, que
estava ao seu lado. O Michel, um barco polonês de 4.740 toneladas, armado como
cruzador auxiliar pelos alemães, partiu de um porto francês, em março de 1942
e operou, com grande êxito, no Atlântico central e meridional e no oceano
Índico. Em março de 1943, chegou ao Japão, depois de destruir 16 barcos
aliados com um total de 106.000 toneladas. Uma interessante característica do
Michel era a de contar a bordo com uma lancha rápida que era utilizada para
efetuar ataques noturnos a navios que fossem avistados durante o dia. O Stier era um cruzador auxiliar de 4.800 toneladas e 14 nós de
velocidade, que partiu na primavera de 1942, cruzando, numa manobra
arriscada, o Canal da Mancha. No mês de maio encontrava-se em mar aberto,
pronto a iniciar suas aventuras. Depois de afundar três barcos no Atlântico central, em fins de
setembro deparou no seu rumo com o Stephen Hopkins, navio-mercante que lhe
ofereceu séria resistência. O barco aliado, afinal, foi afundado, porém o
Stier, atingido também, envolto em chamas, afundou rapidamente. Em sua curta
campanha, o corsário alemão afundara quatro barcos, com um total de 29.000
toneladas. Os corsários cedem A partir desse momento, a Alemanha já não enviou mais corsários
ao Atlântico. As defesas aliadas, coordenando a ação de aviões de observação,
barcos de escolta e patrulha, e radares, tornaram impossíveis as aventuras de
novos cruzadores auxiliares. Em outubro de 1942, nas cercanias de Cherburgo, foi afundado o
Komet, quando tentava forçar o bloqueio e alcançar o Atlântico para uma
segunda missão. O Togo, em fevereiro de 1943, procurando chegar ao mar aberto,
conseguiu atingir Boulogne, porto em que se teve que abrigar ao ser atacado e
avariado por uma bomba lançada pela aviação inimiga. O Michel, que já foi
citado, operou entre os meses de maio e setembro de 1943 no oceano Índico
oriental-sul, afundando quatro navios aliados, com um total de 32.000 toneladas.
Ao regressar à base, porém, a 600 milhas da costa do Japão, foi atacado e
afundado por um submarino americano. Diante da "cortina" levantada pela defesa aliada,
também as naves italianas tiveram que interromper as suas atividades e
desistir dos seus intentos de forçar o bloqueio. Os barcos do Eixo navegavam,
principalmente, entre os portos europeus e o Japão, transportando mercadorias
essenciais para o esforço de guerra. O último barco italiano que zarpou rumo
ao Extremo Oriente foi o Cortellazzo que partiu a 11 de novembro de 1942,
enquanto o último que efetuou viagem de regresso foi o Orseolo, no fim de
março de 1943. No dia 8 de abril de 1943 produziu-se uma última tentativa sem
êxito, porém. Foi a do Himalaia que, atacado por aviões aliados, teve que se
refugiar no porto de Bordeaux. Os "forçadores do bloqueio" As últimas operações dos "forçadores do bloqueio"
marcaram o final de um episódio que não voltaria a se repetir, ao serem
intensificados o emprego dos aviões e do radar. Contudo, um minucioso balanço
das atividades cumpridas até então, permitem revelar que o mais completo
êxito acompanhara os corsários até aquele momento. De fato, os cruzadores
auxiliares haviam enviado ao fundo do mar perto de 900.000 toneladas de
barcos inimigos; esta cifra era semelhante à produção do ano inteiro dos
estaleiros britânicos. Ao mesmo tempo, haviam obrigado dezenas de barcos de
guerra a patrulhar dia e noite milhares de milhas quadradas de oceanos, para
precaver-se da possível aparição do inimigo. Durante as primeiras operações, o sucesso acompanhou a campanha,
pelo fato de os comandantes alemães estarem de posse, segundo afirmou o
Almirante alemão Friedrich Ruge, chefe do Estado-Maior da Kriegsmarine, dos
códigos empregados pelos barcos aliados. Posteriormente, porém, um erro
cometido pelo comandante de um corsário provocou uma mudança radical da
situação. Esse comandante, quando procedia ao interrogatório de oficiais de
um navio inglês que acabava de mandar para o fundo do mar, cometeu a
imprudência de citar o fato. Esses prisioneiros foram mais tarde
desembarcados numa ilha, onde foram recolhidos por outro navio aliado. A
informação, então em poder dos marujos ingleses, chegou rapidamente ao
comando naval de Londres, onde foram tomadas as providências imediatas para a
mudança de todos os códigos utilizados. Os comandantes dos corsários deviam atuar sempre com a máxima
astúcia em seus cruzeiros pelos mares. Eis um exemplo que mostra claramente
com que sutileza se comportavam corsários e "caçadores". O Pingüim,
cruzador auxiliar, disfarçado de navio-mercante norueguês, foi divisado e
sobrevoado por aviões aliados; estes, convencidos de que se tratava de um
barco neutro, giraram para afastar-se quando um dos pilotos reparou num
detalhe que pôs a perder os alemães: por que nenhum tripulante os havia
saudado do convés, como faziam habitualmente? Os "forçadores do bloqueio" prestaram ótimos serviços
no começo das hostilidades. Porém, tendo sua eficiência diminuída cada vez
mais, logo decaíram de importância prática. Nos dois primeiros invernos da
guerra chegaram, provenientes de portos neutros, muitos barcos mercantes.
Outros partiram, por sua vez, rumo ao Extremo Oriente. O programa de
navegação previsto considerava a partida de doze barcos mercantes em cada
inverno, rumo às costas longínquas do Japão, a fim de carregar materiais
estratégicos indispensáveis para a manutenção da guerra. Entre esses
materiais, ocupava o primeiro lugar a borracha natural, indispensável
componente da sintética. Eram, também, necessários, molibdênio e tungstênio
para a produção de aços especiais e produtos químicos e medicinais, assim
como cobre e zinco, mica, chá e café. Por outro lado, os alemães enviavam ao
Japão maquinarias e, numa ocasião, dois submersíveis do tipo IX-C. De acordo com o plano inicial, o total das importações devia
alcançar 50.000 toneladas anuais. Essas previsões, porém, eram extremamente
otimistas e se afastavam muito da realidade. No inverno de 1941 a 1942, nove das doze tentativas realizadas
pelos navios do Eixo tiveram êxito. No inverno seguinte, somente quatro dos
quinze barcos partidos do Japão chegaram às costas da França. Em 1943-44, uma
só nave, de cinco, conseguiu passar pelo bloqueio. Ao todo, de 31 barcos cargueiros que zarparam de portos do
sudeste da Ásia, em viagem direta para a Alemanha, somente 17 chegaram à sua
meta. Nos últimos dois anos de guerra, o transporte de matérias-primas
absolutamente indispensáveis foi efetuado, em escala reduzidíssima, por meio
de submarinos. E também neste caso as perdas foram muito elevadas: de 13,
somente 5 chegaram ao seu destino. O total de carga embarcada foi de 217.000
toneladas, das quais 114.000 (entre estas 45.000 de borracha) chegaram ao
destino. A odisséia do Kormoran No dia 20 de novembro de 1941, o cruzador australiano Sydney era
esperado em Freemantle, sudoeste da Austrália. Mas o Sydney nunca mais chegou
ao porto. Até o dia 24, as estações de rádio enviaram chamados contínuos,
numa busca incessante. No dia 24 foi que se teve a primeira notícia. Nesse
dia, as bases aliadas captaram uma mensagem do petroleiro Trocas. O
comunicado dizia que resgatara das águas vinte e cinco marinheiros alemães,
que se encontravam em um bote, à deriva. Os alemães declaravam pertencer a
uma unidade de guerra que havia posto a pique um cruzador inglês. Outros
náufragos alemães foram salvos nos dias seguintes: o navio de carga Koolinda
recuperou uma lancha com trinta marinheiros; o Aquitania, uma balsa com vinte
e seis e o canhoneira Yarra, por fim, uma outra lancha, com setenta e dois.
Outros marujos alcançaram por seus próprios meios o costa da Austrália. Ao
todo, trezentos e quinze homens do navio alemão foram salvos. Todos, em
geral, se limitaram a obedecer as ordens recebidas de não fornecer aos
ingleses dados que lhes pudessem ser de utilidade em sua campanha e,
simplesmente, declararam que sua nave era um mercante armado que havia
naufragado em combate com um cruzador britânico. E, apesar da informação
parecer realmente fantástica (era, de fato, difícil admitir que um mercante
armado fosse capaz de destruir um cruzador), os ingleses tiveram que aceitar,
muito a contragosto, o fato como real. O Sydney não era um cruzador lançado recentemente no conflito.
Tampouco sua tripulação estava em missão de treinamento, nem era formada por
novatos. A belonave, que entrara em serviço em 1935, deslocava 6.830
toneladas e dispunha de um armamento de oito canhões de 152 mm, oito
antiaéreos de 102, oito tubos lança-torpedos e numerosas metralhadoras. A
blindagem era considerável e sua velocidade alcançava 32 nós. Da sua
capacidade de combate já havia dado boa prova em 1940 quando, junto com cinco
caça-torpedeiros, enfrentara dois cruzadores leves italianos, avariando um
deles, o Colleoni. Os náufragos haviam dito, indiscutivelmente, a verdade. O
Sydney fôra destruído e somente meses mais tarde, na praia da Ilha Chritsmas,
a 1.760 km do local da batalha, foi encontrado o cadáver de um marinheiro
inglês que trazia bordadas em seu uniforme as palavras "H. M. A. S.
Sydney". Duas semanas depois do desaparecimento do Sydney, o Comando
Supremo alemão deu publicidade a um comunicado cujo texto dizia: "Nas
proximidades da costa da Austrália, travou-se uma batalha naval entre o
cruzador auxiliar alemão Kormoran e o cruzador australiano Sydney. Sob o
comando do capitão de fragata Detmers, o cruzador auxiliar alemão superou o
inimigo, muito superior em armamento e velocidade, e o pôs a pique. O Sydney,
de 6.830 toneladas, afundou com toda a tripulação de 42 oficiais e 603
marinheiros. Em vista das grandes avarias sofridas no combate, o barco alemão
teve que ser abandonado, depois do triunfo. Grande parte da tripulação foi
salva e chegou à costa da Austrália". O Kormoran fôra construído em Kiel, em 1938, e destinado ao
tráfego com a América, sob o nome de Steiermark. Deslocava 9.400 toneladas e
media 157 metros de proa a popa. Os motores diesel de que era provido, lhe
proporcionavam uma potência de 16.000 HP e uma velocidade de 18 nós.
Tecnicamente, era um barco moderníssimo. Antes da eclosão da guerra, a marinha alemã decidira transformar
seis velozes barcos mercantes em naves de guerra. Essas seis unidades
constituiriam a primeira série de navios corsários destinados a interceptar a
navegação aliada. Uma segunda série foi feita, mais tarde, com a maior presteza.
Desta última fazia parte o Steiermark, rebatizado Kormoran. E este não era o
seu único nome. Segundo a denominação em código do comando alemão, o barco
era conhecido como Schiff 41 e, também, HSK 8. Os ingleses, para distingui-lo
dos demais corsários, o chamavam Raider G". A transformação anteriormente citada não consistia somente em
instalar a bordo alguns canhões e tubos lança-torpedos; era necessário ainda
adaptar o navio às novas condições das atividades que desempenharia. De fato,
o barco teria que passar muitos meses longe de suas bases, sem possibilidades
de receber abastecimentos nem combustível. Por outro lado, deveria estar em
condições de dissimular o seu aspeto e poder ser transformado, rapidamente,
"noutra" nave. Para tal fim, transportariam chaminés, mastros e
estruturas de armação fácil, capazes de fazer variar o aspeto exterior. No Kormoran foram montados seis canhões de 150 mm, quatro
metralhadoras antiaéreas de 37 e outras tantas de 20, além de quatro
lança-torpedos de 533 mm. Embarcaram-se, também, dois hidraviões de
reconhecimento, uma lancha-torpedeira e 420 minas. A autonomia da nave era de
120.000 quilômetros, o que lhe permitia dar três vezes a volto ao mundo a uma
velocidade de 10 nós. A tripulação, cuidadosamente selecionada, ignoraria, até chegar
ao alto mar, a verdadeira identidade e missão do navio. Somente o capitão
tinha conhecimento das ordens. Numa nevoenta noite de início de dezembro de 1940, o Kormoran
abandonou Gotenhaven (a antiga cidade polonesa de Gdynia) e enfrentou mar
aberto. O navio partiu apresentando o aspecto do cargueiro soviético Molotov. O falso Molotov navegou rumo ao norte e a 13 de dezembro
atravessou o estreito que separa a Islândia da Groelândia, seguindo a rota
cumprida, cinco semanas antes, pelo encouraçado Admiral Scheer. Depois, rumou
para o sul e se dirigiu para o oceano Atlântico. A 6 de janeiro de 1941 o Kormoran fez sua primeiro vítima: o
navio-transporte grego Antonis, nas proximidades das Ilhas de Cabo Verde. Foi
a prova de fogo para o HSK 8 e tudo se desenrolou perfeitamente. O corsário
se aproximou lentamente do navio aliado e depois, descobrindo os canhões,
içou a bandeira de guerra da Kriegsmarine. Imediatamente, foi dada a ordem de
abandonar o navio e não utilizar a instalação de comunicações. Minutos mais
tarde, com a tripulação do barco grego em seus botes salva-vidas, alguns
canhonaços foram suficientes para afundar o navio. Doze dias mais tarde, o
Kormoran encontrou em seu caminho o petroleiro britânico British Union,
afundando-o nas águas do Atlântico central. O barco aliado ainda conseguiu
emitir pedidos de socorro, porém, o Kormoran, escapou habilmente à
perseguição. O cruzador auxiliar britânico Arawa, que, na escuridão da noite,
chegou a divisar os clarões dos canhões do Kormoran, quando afundava sua
segunda presa, lançou-se em seu encalço, sem resultado positivo. Em seguida, já nas proximidades da costa do Brasil, o Kormoran
realizou uma dupla caçada afortunada: o petroleiro Afric Star e o
navio-transporte Eurylochus, que conduzia aviões para a frente de combate da
África. Também estes dois barcos conseguiram emitir pedidos de socorro, antes
de serem afundados pelos disparos do corsário alemão. Os tripulantes de ambos
os barcos, aliás, foram transportados, na qualidade de prisioneiros, ao barco
alemão Speewald. Neste, os cativos foram conduzidos à França e ali
desembarcados. O comando inglês, a esta altura dos acontecimentos, decidiu
enfrentar a situação com uma tentativa de dar caça ao corsário inimigo.
Enviou um cruzador pesado para patrulhar a rota das naves aliadas na altura
de Serra Leoa, na África, e outro cruzador pesado para percorrer a zona na
qual foram afundados os dois últimos barcos. Enquanto isso, o Comandante Detmers conseguiu afastar-se da zona
perigoso e, longe dali, encontrou-se com outros barcos alemães, o
barco-cisterna Nordmark, que o abasteceu de combustível, o transporte Duquesa
e o corsário Pingüim. É difícil compreender como, com toda a severa
vigilância exercida pelos barcos de patrulha e pelos aviões aliados, os
navios alemães puderam reunir-se, assim, quase sem nenhum risco. Porém, temos
que concluir que a vastidão do oceano e a habilidade indiscutível dos
capitães alemães, tornaram passíveis tais encontros. Em meados de março, o Schiff 41 reabasteceu de combustível o
submarino U-124 e, mais tarde, encontrou-se com o encouraçado Scheer; em
seguida, reabasteceu de combustível aos submersíveis U-105 e U-106 e, por
fim, a 22 de março, afundou o petroleiro aliado "A nita". Três dias mais tarde, 25 de março, o Kormoran capturou o
petroleiro britânico Canadolite, de 11.300 toneladas e transferiu para bordo
do mesmo uma tripulação que deveria conduzi-lo a Bordeaux, na França. Poucos dias depois ocorreu um novo encontro com petroleiros
alemães e com o corsário Atlantis. Em seguida, duas novas vítimas aumentam a
lista dos sucessos do Kormoran: uma delas é o transporte inglês Craftsman,
carregado com redes de aço destinadas a proteger o porto da Cidade do Cabo. A esta altura dos acontecimentos, o Comandante Detmers, do
corsário alemão, julgou prudente uma mudança de local para continuar as
operações. De fato, o setor do Atlântico, muito patrulhado, se convertera
numa zona extremamente perigosa, que podia em pouco tempo transformar-se em
armadilha mortal. Por isso, Detmers decidiu aproar para o oceano Índico,
disfarçando o barco que, a partir daquele momento, assumiu o aspecto de um
cargueiro japonês, o Sakito Maru. Os marinheiros, trabalhando arduamente,
pintaram todo o barco de preto, e inscreveram, com letras garrafais, o novo
nome do navio. Também grandes bandeiras japonesas foram pintadas nos costados
do barco. Nas quatro semanas seguintes, nenhum navio inimigo foi avistado e
apenas ocorreu um encontro com outra nave alemã, o transporte Alstertor. Detmers resolveu trocar novamente o aspecto do Kormoran que,
desta vez, se transformou no mercante Kinko Maru, também japonês. Um momento
em que a situação assumiu um aspecto grave para o corsário foi quando surgiu
um cruzador auxiliar britânico, que, navegava com as luzes apagadas. O
encontro, contudo, não se produziu e os barcos se afastaram sem combater. Um perigo maior se apresentou a 24 de junho, poucas horas antes
da projetada colocação de minas na entrado do porto de Madras. Também nesta
oportunidade foi um cruzador auxiliar, o Canton. Este, porém, obedecendo as
instruções que lhe ordenavam evitar incidentes com barcos do Sol Nascente,
evitou o encontro com o que acreditou ser um navio japonês. Porém enviou,
imediatamente, uma mensagem cifrada perguntando se o Kinka Maru era esperado
em Madras. Afinal, enquanto no Kormoran a tripulação se preparava para a
batalha iminente, o Canton, inexplicavelmente, se afastou. Dois dias mais tarde, o barco alemão encontra na sua rota duas
novas presas: o mercante iugoslavo Velebit e o inglês Mareebo. Os dois navios
foram canhoneados e afundados rapidamente . A esta altura dos acontecimentos, o Kormoran atingiu já sete
meses de campanha ininterrupta. Os motores do barco que até aquele momento
corresponderam perfeitamente necessitam de indispensáveis reparos. E Detmers,
desejando manter sua nave em perfeitas condições de navegação, decidiu
escolher uma afastada região do Índico para proceder a uma minuciosa revisão
geral. Antes de paralisar suas andanças, o comandante alemão ordenou uma nova
transformação do navio, que assumiu a aparência do Straat Malakka, mercante
holandês. Em seguida; o barco alemão foi submetido a uma rigorosa revisão
dos seus motores para, logo depois, reiniciar suas tropelias. A primeira presa do novo período e, ao mesmo tempo, a última de
sua existência de corsário, foi um mercante grego, detido e afundado no dia
10 de setembro. Depois, em busca de novas vítimas, iniciou um prolongado
cruzeiro através do Índico, sem resultados positivos. Detmers, uma vez mais,
decidiu mudar a zona de suas atividades, e aproou rumo à Austrália. O começo do fim Por volta das quatro da tarde de 19 de novembro de 1941, o HSK 8
navegava a 10 nós de velocidade, a 300 km a oeste da Austrália, rumo ao
norte. Os vigias, atentos, exploram o horizonte com potentes binóculos. De
súbito, um dos homens grita: "Nave à proa, um pouco a estibordo!"
Apesar do rumo de ambos os navios, quase paralelo e em sentido oposto, os
alemães percebem que têm diante deles a inconfundível silhueta de um cruzador
inimigo. E necessário apelar para a astúcia e assim age Detmers. O comandante
alemão ordena ao seu timoneiro que altere a rota e comece a afastar-se do
navio inimigo, aumentando gradualmente a velocidade do barco. Porém, são
percebidos pelo barco aliado, que, por sua vez, altera a sua rota e se dirige
para o Kormoran, acelerando a marcha. A velocidade do corsário passa de 10 a
15 nós e a do cruzador de 20 para 25. A caçada se inicia. Detmers, marujo experiente e combatente astuto, pensa rapidamente:
"O que faria um barco realmente holandês nessa situação?" e sem
hesitação, ordena ao seu radiotelegrafista que lance pedidos de socorro.
Estes cortam os ares imediatamente: "... RRRR Straat Malakka... Estamos
sendo atacados por uma nave corsária inimiga. Nossa posição: 26° 33' sul,
111° 00' leste". Os vigias, enquanto isso, estudam nervosamente a
atitude do cruzador inimigo. O Sydney, sem diminuir a velocidade, já está bem
perto. Da ponte da belonave aliada, um sinaleiro começa a agitar suas bandeiras:
"Exibam o prefixo". Detmers, procurando ganhar tempo, manda
ascender a um dos mastros os letras que caracterizam o barco holandês
internacionalmente: "PKQI". No Sydney, contudo, não é aceita aquela informação precária. E
reiteram: "Exibam o prefixo em código". Trata-se de um código que
todos os navios aliados conhecem e o Kormoran logicamente, desconhece. Nesse momento, a distância que separa os dois barcos é de 1.200
metros. Detmers compreende que chegou o momento de arriscar tudo contra o
Sydney. E sabe que os instantes são preciosos, diante das negras bocas dos
canhões do cruzador australiano. Uma ordem partiu dos lábios de Detmers: "Abaixo as falsas
estruturas! Abram fogo! Lancem os torpedos!" Um segundo mais tarde, o estrépito das falsas paredes caindo
une-se com o estrondo dos três canhões de 150 mm rompendo fogo. As
metralhadoras de 37 mm, também, varrem com seu fogo, a nave inimiga. E no
mastro mais elevado, a bandeira de guerra da Kriegsmarine, se eleva
rapidamente. Dois torpedos são lançados e começam sua vertiginosa corrida
para o Sydney. O cruzador australiano, surpreendido por esse furacão de fogo
que não tardou mais que dez segundos para desencadear-se, recebeu a descarga
em cheio. A resposta, porém, não se fez esperar. Os canhões do Sydney vomitam
fogo, atingido, à queima-roupa, o Kormoran no setor do depósito de
combustível. Ao mesmo tempo, um torpedo do barco alemão explode no cruzador
inglês, colocando fora de combate uma de suas torres de 152 mm. A batalha
atinge assim uma extrema violência. A curta porém intensíssima refrega começa
a se definir quando o Kormoran se vê, de súbito, envolvido numa densa nuvem
de fumaça negra e as chamas rubras começam a lamber o convés. Os marujos
alemães, abandonando seus postos, dirigem-se para os botes salva-vidas, num
salve-se quem puder. O corsário alemão abandona a luta, derrotado. Porém, não
sem antes arrastar consigo o inimigo. O Sydney, de fato, permanece um
instante à deriva, para depois explodir com incrível violência; começa então
a naufragar... O desigual combate se conclui com o afundamento das duas naves.
E o Kormoran ficou sendo protagonista de um episódio incrível: o de um
mercante armado que luta e afunda um cruzador inimigo. Anexo Bases As bases de submarinos
mais importantes na Alemanha e nos países ocupados, eram: 1) Hamburgo, na
Alemanha. 2) Brest, na França. 3) Lorient, na França. 4) Saint Nazaire, na
França. 5) Bordeaux, na
França. 6) Le Havre, na França
(foi, eventualmente. utilizado como base de submarinos) 7) La Pallice, na França. 8) Trondheim, na
Noruega. Fogo!... Era outono de 1944 e o
submarino alemão flutuava num mar sereno sob um céu límpido. A visibilidade
era boa. - Barco a vista! -
gritou o vigia. - Submergir! - ordenou o capitão. O "U" fechou
suas escotilhas e mergulhou. Os ruídos começaram a se tornar opacos,
adquirindo um som peculiar. O comandante tirou o barrete e pregou o olho no
periscópio. Pouco a pouco, o diminuto ponto descoberto pelo vigia foi-se
definindo. Eram três destróieres que avançavam, agora abrindo em leque a
formação. Provavelmente, haviam avistado o submarino. O comandante
defrontava-se com duas alternativas: travar batalha ou fugir simplesmente.
Não foi necessário pensar muito. Com os destróieres nos calcanhares, poucas
eram as possibilidades. Decidiu atacar. - Leme a bombordo!
Força máxima! ... Toda velocidade nesse rumo! Escolheu o destróier do centro.
Os navios ainda não estavam suficientemente separados e uma boa explosão no
meio da formação poderia atingir a todos. - Prontidão, torpedo
um! ... - em seguida - Proa, disparar! Fogo! O submarino pareceu
apenas balançar suavemente. O navio do centro voou em pedaços. E o
"U" sofreu, então, uma violenta sacudidela. O capitão voltou ao
periscópio. Um dos destróieres dirigia-se em linha reta contra ele. O outro,
enquanto isso, navegava obliquamente. - Toda velocidade!...
Torpedo dois!... - O comandante segurou a ordem de fogo; esperou que o barco
se aproximasse mais ainda. A tensão era tremenda. Se nesse momento
explodissem cargas de profundidade estariam perdidos. Porém, aparentemente,
também o capitão do destróier queria aproximar-se mais. -Fogo! - bradou o
alemão. O impacto atingiu a
popa da nave aliada. No submarino não havia tempo para averiguar se o impacto
era mortal. Rapidamente, buscaram
as profundezas para proteger-se. O destróier desprendia
fumaça e sua marcha era cada vez mais lenta. O "U" continuou algum
tempo ainda mergulhado até que, afinal, o capitão deu ordem para subir.
Quando emergiram, encontraram o mar sereno sob um céu límpido. Era outono de
1944 e a visibilidade estava muito boa. Déficit de submarinos
alemães
No presente quadro
podemos apreciar a normalização da fabricação de submarinos (tipos 21 e 23)
até dezembro de 1944, e, logo após, sua rápida queda nos quatro meses
seguintes. Onde nasciam os
submarinos A Alemanha reativara a
produção de submarinos a partir de 1935. Os progressos técnicos acumulados
durante a Primeira Guerra Mundial desenvolveram-.se com algumas
interferências, devido ao Tratado de Versailles. Ao começar a Segunda
Guerra Mundial, os alemães possuíam sete grandes estaleiros para a fabricação
de submarinos. Os principais eram: 1) Estaleiro
Howsldswerke und Blohm-Voss, de Hamburgo. 2) Estaleiro Wesser
und Deschimag, de Bremen. 3) Estaleiro Vulkan,
em Dantzig. 4) Estaleiro Neptun,
em Rostock. Existiam estaleiros
menores, adaptados depois do início da guerra, cuja produção era menor, em: 1) Emden 2) Wilhelmshaven 3) Flensburgo 4) Kiel 5) Lubeck 6) Stettin No interior da
Alemanha havia indústrias menores que fabricavam peças avulsas e instrumental
para submarinos. Estas fábricas enviavam sua produção aos estaleiros da costa
e achavam-se situadas nos seguintes lugares: 1) Essen 2) Dusseldorf 3) Mahnheim 4) Karlsruhe As fábricas de motores
marítimos e de acumuladores especiais constituíam outra contribuição
importante. As principais fábricas de motores marítimos, na época, eram: 1) Man em Augsburgo,
que fabricava a metade dos motores Diesel utilizados nos submarinos. 2) Humboldt-Deutz und
Diesel, em Colônia, seguindo-se em ordem de importância à anterior. 3) Burmeister-Wain, em
Compenhague, incorporada a força, quando a Dinamarca foi ocupada. Quanto às fábricas de
acumuladores, destacavam-se: 1) Acfa, em Hannover. 2) Hagen, no Ruhr. 3) Uma fábrica
instalada em Viena, Áustria. 4) Uma fábrica
instalada em Posen, Polônia. Estas duas últimas
fábricas foram instaladas durante a guerra, e logo após a ocupação destes
territórios. A versão de King Transcrevemos
declarações do Almirante Ernest King, chefe das Operações Navais dos Estados
Unidos, numa entrevista à imprensa: "Nunca se viu tantos homens cruzando
os mares como durante a atual guerra. Os oceanos e os mares, as águas
cercadas de gelo do Ártico e as vastas extensões pontilhadas de ilhas do
Pacífico Sul tiveram que ser consideradas como zonas de guerra. Ao deflagar a
guerra no Pacífico, as armadas aliadas se propuseram proteger, para o
transporte marítimo, todos os mares. Estabeleceram-se três objetivos: vencer
a ameaça submarina alemã no Atlântico; manter os japoneses ao norte das rotas
marítimas da Austrália e Nova Zelândia; reabertura das rotas do Mediterrâneo. Era impossível, ainda,
vislumbrar quando se alcançariam esses objetivos. Os submarinos
afundavam barcos diariamente nas águas norte e sul-americanas. As perdas, devido
a esses ataques, eram devastadoras num setor do Atlântico onde não se
conseguia dar aos barcos a devida proteção aérea provinda de bases
terrestres. A luta foi, a princípio, encarniçada. Somente a marinha dos
Estados Unidos perdeu mais de quinze mil homens e a cifra dos feridos chegou
a vinte e cinco mil. Em meados de 1943, as forças navais haviam perdido um
encouraçado, cinco porta-aviões, nove cruzadores, quarenta e dois
destróieres, dezessete submarinos e sessenta e seis barcos de outros tipos;
um total de 140 navios de guerra. Não foram menores as perdas das forças
navais das outras nações aliadas no Atlântico e no Mediterrâneo. As perdas
foram sérias, mas desde que pusemos em ação o plano conjunto para vencer a
ameaça submarina, em meados de 1943, calculamos que, em seis meses, foram
afundados 150 submarinos alemães, capturando-se grande parte de suas
tripulações. A solução que encontramos para o ataque aos submarinos foi o
emprego combinado de aviões, navios de guerra e porta-aviões, especialmente um
tipo de porta-aviões de tamanho reduzido, de rápida construção. Com a cooperação para
o bem da causa comum de outras repúblicas americanas, estabeleceram-se bases
aéreas nas costas norte e sul-americanas, nas ilhas da Inglaterra, e em todos
os lugares de onde se pudessem enviar aviões para patrulhar as rotas
marítimas do Atlântico. Voando baixo, quase raspando as ondas, os pilotos
localizavam os submarinos ou seus rastros e, muitas vezes, conseguiam
afundá-los, lançando bombas do ar, ou transmitiam pelo rádio suas posições
aos navios de guerra que mais tarde os perseguiam. O pessoal militar e as
forças navais dos países americanos prestaram valiosa contribuição à
campanha. Em qualquer parte em que os aviões, partindo de bases terrestres,
pudessem patrulhar o mar em número suficiente, diminuíam os afundamentos. Os
alemães tiveram, por fim, que cessar suas operações submarinas em grande
escala nas águas americanas. O objetivo da campanha
submarina de Hitler era evitar que a substancial ajuda dos Estados Unidos em
homens e abastecimentos cruzasse o Atlântico. A prova evidente que
esta campanha foi irremediavelmente frustrada, se traduz nos comboios
repletos de munições e abastecimentos que chegam intactos à Inglaterra e à
Rússia, e no grande número de tropas americanas bem treinadas e equipadas,
acantonadas no outro lado do Atlântico. Embora a ameaça submarina, de certo
modo, perdure enquanto durar a guerra, não será exagerado dizer que a batalha
do Atlântico está quase terminada." A segunda oportunidade Graham era veterano na
luta anti-submarina, ou pelo menos esse era um dos grandes problemas da sua
vida há quatro anos. Ao se iniciar a guerra, fôra nomeado comandante da
fragata Anubis, uma nave recém-saída dos estaleiros britânicos. Sua vida como
comandante teve a duração da vida da fragata; escoltava um comboio no Mar do
Norte quando um submarino alemão a afundou. Graham levou alguns
meses recuperando-se em um hospital e esperando novo destino. O Almirantado
tornou a confiar-lhe uma fragata, que Graham batizou novamente de Anubis. Em meados de 1944
navegava novamente pelo Mar do Norte escoltando um comboio. Havia um certo
clima familiar para o comandante, o que constituía, ao mesmo tempo, um motivo
de temor e de desafio. O radar entrou em
contato com o submarino lá pelas quatro da tarde. Tentaram precaver-se contra
o ataque, porém, uma hora mais tarde, dois cargueiros leves voaram pelos ares
quase ao mesmo tempo. Graham perdeu então, a noção que leva os homens comuns
a distinguir o dia da noite, e o descanso do trabalho; para ele, o tempo era
igual e sem importância, pois somente abrigava uma idéia: apanhar o
submarino. Subia e descia várias
vezes; o operador do radar chegou a considerá-lo um membro qualquer da
tripulação. Em nenhum lugar do navio demorou-se mais de vinte minutos. O
submarino se afastava lentamente e, por volta das oito da noite, perderam
contato com ele. Graham ficou
desesperado, porém, precisava conter-se, para encontrar o submarino:
paciência, intuição e concentração; por enquanto só paciência. Na madrugada
do dia seguinte, Graham estava esgotado; foi recostar-se, mas virava e
revirava em seu beliche. Finalmente, acordou o médico e lhe pediu um
sonífero. -Isto o fará dormir
por algumas horas - disse-lhe o doutor Wilson dando-lhe um comprimido branco.
- O senhor está muito esgotado. Graham pegou o comprimido e o copo de água
que lhe estendia o médico, e ia beber quando falaram pelo alto-falante: -
Capitão, entramos novamente em contato com o submarino!... Graham cuspiu
violentamente a pílula e devolveu o copo para o doutor. - Daqui a pouco vou
poder dormir! - gritou, saindo às carreiras do camarote. O Anubis começou uma
caça implacável. Em poucos minutos semeou seu trajeto com bombas de
profundidade. Porém o submarino não dava sinal de vida. Por um momento,
pensaram que escapara novamente. Graham praguejou durante as quatro horas
seguintes até que, com sol a pino, o "U" surgiu na superfície. - Aos canhões! -
bradou o capitão. |