4 CONCEITO 4 SIGNOS 4 SEMIOSE 4 SEMÂNTICAS

4 METÁFORAS 4 ALEGORIAS 4 AUTORES E TEXTOS

SEMIÓTICA FÁCIL
semiotica

 

7. IRONIA

Na gramática (da língua falada e escrita) a ironia está relacionada entre as figuras de pensamento: "Figuras de pensamento são processos (construções) estilísticas que se realizam na esfera do pensamento, âmbito da frase (proposição). Nelas intervêm fortemente a emoção, o sentimento, a paixão." (CEGALLA, 1986 - p. 544). Esta definição de Cegalla não esclarece suficientemente o que vem a ser, de fato, essa forma peculiar de significação - a significação irônica. Não parece clara a expressão "realiza-se na esfera do pensamento" pois afinal, todas as expressões de linguagem, em algum momento, realizam-se ou passam pela esfera do pensamento. Quanto à emoção, o sentimento, a paixão, podemos reuní-los a uma série de outros fatores e a todos abrigar na concepção de contexto.

Ocorre que contexto é um termo usado para designar as condições gerais de ocorrência de um fenômeno como, por exemplo, um fenômeno qualquer de significação. Todo entendimento ou seja, todo o alcançar o significado de uma proposição, depende de contexto mas esse depender, não é um depender sempre igual porque os contextos, embora infinitos em suas possíveis combinações de condições também são classificáveis em pelo menos dois tipos.

1. Há contextos simples, situações, corriqueiras, familiares, que "não deixam dúvida", situações extremamente objetivas.

2. Há contextos complexos, que envolvem o diálogo de diferentes culturas e padrões em relações subjetivas.

A ironia não foge à regra básica da semiose: realiza-se na esfera do contexto vivo, pulsante, real. Entretanto, uma característica forte da ironia está na relação entre eficácia do enunciado e contexto - que é uma relação de dependência total. O perfil cultural do intérprete (ou intérpretes) tem um papel decisivo no entendimento ou não de uma ironia. A ironia deve ser adequada a todos os aspectos do contexto sob pena de perder sentido ou não fazer sentido. Isso porque a ironia é uma proposição mascarada que se vale freqüentemente de valores semânticos específicos de determinadas culturas, meios ou situações. Em comédia, por exemplo, a ironia (ou piada) teatral que faz rir numa comédia para americanos é ignorada por uma platéia indiana ou paraguaia. Mas, essa característica ainda não é o bastante para distinguir ironia de outras figuras de expressão. As metáforas também dependem de contexto tanto quanto a ironia.

O mais forte traço distintivo da ironia está ligado ao seu caráter de perversor do significado de uma proposição, que se mostra absurda, equivocada, contraditória, às vezes estranhamente pueril ou então claramente inadequada em relação do objeto ao qual se refere. Esse traço distintivo, essência da ironia, resulta numa assertiva que encerra uma crítica ou um conceito depreciativo, de menosprezo, enunciada de forma indireta sendo que, por isso, o significado apresenta-se de forma mais ou menos oculta e assim, a ironia, pode ser mais ou menos eficaz, como crítica, em atingir o seu alvo.

IRONIA TODOS OS DIAS

No âmbito das relações pessoais, a ironia, o "ser irônico", não raro, é considerado um traço de caráter negativo. Pessoas irônicas são apontadas como insensíveis ou mal educadas quando se utilizam da ironia como recurso de agressão verbal dirigida à honra ou à moral do interlocutor. Por outro lado, a ironia é uma das expressões do bom humor, daquele tipo de fazer pilhérias mesmo em situações problemáticas ou deprimentes.

Nas artes, as virtudes semióticas da ironia são empregadas, sobretudo, na literatura e na dramaturgia, seja teatro, televisão ou cinema, conferindo graça e agilidade em diálogos e situações de comédias refinadas; porque a ironia é piada indireta, em oposição à comédia popular, mais grosseira, que apela para fórmulas diretas e simplistas, que valorizam o ridículo óbvio e fácil, como as piadas pastelão dos palhaços de circo.

A ironia expressa em imagem pode ser muito eficiente na composição de mensagens críticas. Mais recentemente, curioso fenômeno se verifica em meio à dinâmica comunicacional gerada pelo advento da internet. Trata-se do enorme fluxo de e-mails (mensagens de correio eletrônico) pessoais que circulam na rede contendo "piadinhas"; textos e sobretudo imagens, criadas por usuários de programas domésticos de edição gráfica que elaboram "montagens" maliciosas tendo como protagonistas figuras notórias da política e do mundo artístico. O cantor Michael Jackson, é um dos alvos preferidos dos críticos armados com as ferramentas do PC (personal computer) como no exemplo abaixo: