Concepção de uma Pedagogia Etno-antropológica
Uma pedagogia, em um determinado grupo social, constrói-se no presente. Toma corpo no momento participativo, na ação que se consolida. Obviamente, alimenta-se das vivências experimentadas por sua gente, frutos da herança cultural desse mesmo povo. E, quando fortalecida, já podendo vislumbrar horizontes, projeta-se no futuro, decidindo caminhos para as novas gerações.
Toda pedagogia, ainda que imersa em fértil terreno sociocultural, sempre que estruturada apenas por pedagogos, será, com certeza, parcial. Ela necessitará de todos os x-ólogos e não-x-ólogos participando da sua construção. Para a concepção de uma boa pedagogia é preciso respeitar os etnomodelos da própria comunidade: seus referenciais, devidamente estudados pela Antropologia Cultural. Daí a razão da preferência pelo nome Etnopedagogia.
Para nós brasileiros, em particular, a confirmação de uma etnopedagogia é muito oportuna, pois já temos em pleno desenvolvimento, em âmbito internacional, a Etnomatemática, concebida por Ubiratan D`Ambrosio.
Em especial, relevamos a Etnopedagogia Freinet e a Etnopedagogia Paulo Freire, pois buscamos reforçar, com estas denominações, o caráter etno-antropológico das duas contribuições.
Na prática, essa postura nos leva a respeitar os diferentes etnométodos, característicos da realidade em que trabalhamos, que nos proporcionam vivências etnopedagógicas extremamente ricas e diversificadas.
Etnopedagogia